Sefardita

Sefarditas (em hebraico ספרדים, sefaradi; no plural, sefaradim) é o termo usado para referir aos descendentes de judeus originários de Portugal e Espanha. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica (Sefarad, ספרד ). Utilizam a língua sefardi, também chamada judeu-espanhol e "ladino", como língua litúrgica.[1]

História

Sepharadic Migrations
Migrações sefarditas

Os sefarditas provavelmente se estabeleceram na Península Ibérica durante a era das navegações fenícias, embora a sua presença só possa ser atestada a partir do Império Romano. Sobreviveram à cristianização, invasão visigótica e moura, mas começaram a sucumbir na fase final da Reconquista.

Os judeus fugiram das perseguições que lhes foram movidas na Península Ibérica na inquisição espanhola (1478 -1834), dirigindo-se a vários outros territórios. Uma grande parte fugiu para o norte de África, onde viveram durante séculos. Milhares se refugiaram no Novo Mundo, principalmente Brasil onde foi construída a primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel. Também no México, onde nos dias atuais se concentram milhares de descendentes dos judeus conhecidos como marranos. Os sefarditas são divididos hoje em ocidentais e orientais. Os ocidentais são os chamados judeus da nação portuguesa, enquanto os orientais são os sefardim que viveram no Império Otomano.[1]

Com o advento do sionismo e particularmente após a crise árabe-israelense de 1967, muitos dos judeus, que viviam em países árabes, fugiram para Israel para escaparem das perseguições consecutivas ao conflito, onde formam hoje um importante segmento da população, com uma tradição cultural diferente dos outros, asquenazes, os da Alemanha ou do Leste Europeu (Europa Oriental).

Por isso, o termo sefardita é frequentemente usado em Israel hoje para referir os judeus oriundos do norte de África. Entretanto é um erro referir-se genericamente a todos os judeus norte-africanos e dos países árabes como sefardim. Os judeus mais antigos destes países são chamados mizrachim (de Mizrach, o Oriente), ou seja, orientais.

Houve importantes comunidades sefarditas nos países árabes, quase sempre conflitantes com as comunidades autóctones, sobretudo no Egito, Tunísia e Síria. São judeus hispânicos que quase sempre se opõem à Cabala sefardita e mantêm um serviço religioso bem disciplinado e de melodias suaves. O rito ocidental é conhecido como espanhol-português.[1]

Os sefarditas foram responsáveis por boa parte do desenvolvimento da Cabala medieval e muitos rabinos sefarditas escreveram importantes tratados judaicos que são usados até hoje em tratados e em estudos importantes.

Reconhecimento dos descendentes

Em um projeto de lei aprovado em 2014, o governo da Espanha pretende reconhecer os judeus sefarditas fornecendo cidadania espanhola.[2][3] Uma falsa lista estava circulando na Internet com supostos sobrenomes que poderiam requerer a cidadania.[4] Em Portugal, o número 7 do artigo 6.º da Lei da Nacionalidade, prevê a possibilidade de aquisição de nacionalidade por descendentes de judeus sefarditas portugueses.[5]

Sefarditas em Portugal

A comunidade sefardita de Belmonte (Portugal) detém um importante facto da história judaica sefardita, relacionado com a resistência dos judeus à intolerância religiosa em Portugal e na restante Península Ibérica, tendo sido instaurada uma lei que obrigava os judeus portugueses a converterem-se ou a deixarem o país. Muitos abandonaram Portugal por medo da Inquisição e outros converteram-se oficialmente ao cristianismo mas mantendo no seio da família o seu culto e tradições. Um terceiro grupo de judeus, decidiu isolar-se do mundo exterior, cortando o contacto com o resto do país e seguindo rigorosamente as suas tradições. Esses judeus foram chamados de Marranos, uma alusão à proibição de comer carne de porco. Durante séculos os Marranos de Belmonte mantiveram as suas tradições judaicas quase intactas, tornando-se um caso excecional e raro de uma comunidade criptojudaica. Somente na década de 70 do século XX a comunidade estabeleceu contacto com os judeus de Israel e oficializou o judaísmo como sua religião. Em 2005 foi inaugurado na cidade o Museu Judaico de Belmonte, o primeiro do género em Portugal, que mostra as tradições e o dia-a-dia dessa comunidade. [6]

Ver também

Referências

  1. a b c 1492: El Otro Caminho - Sofia - Bulgária (em castelhano) Visitado: Mar. 2014
  2. «Governo espanhol quer conceder cidadania a judeus sefardis». 25 de março de 2014. Consultado em 26 de março de 2014
  3. «Aprobado el proyecto de ley de concesión de la nacionalidad española a sefardíes.». 11 de junho de 2014. Consultado em 12 de Fevereiro de 2015
  4. «Falsa lista de apellidos sefardíes provoca un efecto llamada para solicitar la ciudadanía española». 2 de abril de 2014. Consultado em 12 de Fevereiro de 2015
  5. «::: Lei n.º 37/81, de 03 de Outubro». www.pgdlisboa.pt. Consultado em 31 de dezembro de 2016
  6. http://www.centerofportugal.com/pt/o-judaismo-portugues-hoje-belmonte-a-nacao-judaica/

Literatura

Richard Zimler O Último Cabalista de Lisboa, Meia-Noite ou o Princípio do Mundo, Goa ou o Guardião da Aurora, À Procura de Sana, A Sétima Porta

Bibliografia

  • Bensoussan, David L’Espagne des trois religions, L’Harmattan, Paris, 2007 ISBN 978-2-296-04134-9
  • Malka, Victor Les Juifs Sépharades, Presses universitaires de France, coll. Que sais-je ?, Paris, 1986, ISBN 3 13 039328 4 124
  • Mazower, Mark. Salonica, city of Ghosts. 2005
  • Molho, Michael. Les Juifs de Salonique. 1956.
  • Molho, Rena, La destrucción de la judería de Salónica.
  • Patrik von zur Mühlen, Huída a través de España y Portugal (J.H.W. Dieta Nachf. Bonn)
  • Pulido Fernández, Ángel, Los isrealitas españoles y el idioma castellano. Riopiedras. 1993.
  • Santa Puche, Salvador, Judezmo en los campos de exterminio.
  • Santa Puche, Salvador, Testimonio XXXI: Drita Tutunovic. 2002. Sefardí de Belgrado.
  • Saporta y Beja, Refranes de los judíos sefardíes: y otras locuciones típicas de los sefardíes de Salónica y otros sitios de Oriente. Ameller/Riopiedras. 1978
  • Touboul-Tardieu, Eva Séphardisme et hispanité, Paris, 2009.

Ligações externas

Edgar Morin

Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum (Paris, 8 de julho de 1921), é um antropólogo, sociólogo e filósofo francês judeu de origem sefardita.

Pesquisador emérito do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Formado em Direito, História e Geografia, realizou estudos em Filosofia, Sociologia e Epistemologia. Autor de mais de trinta livros, entre eles: O método (6 volumes), Introdução ao pensamento complexo, Ciência com consciência e Os sete saberes necessários para a educação do futuro.

Durante a Segunda Guerra Mundial, participou da Resistência Francesa.

É considerado um dos principais pensadores contemporâneos e um dos principais teóricos do campo de estudos da complexidade, que inclui perspectivas anglo-saxônicas e latinas. Sua abordagem é conhecida como "pensamento complexo" ou "paradigma da complexidade". Morin não se identifica como "teórico da complexidade" nem pretende limitar seus estudos às chamadas "ciências da complexidade". Ele distingue entre perspectivas restritas, limitadas, e amplas ou generalizadas da complexidade (MORIN, 2005).

Gina Rodriguez

Gina Alexis Rodriguez(nascida em 30 de julho de 1984), é uma atriz americana de origem porto-riquenha. Ela é mais conhecida por seus papéis como Majo Tenorio no filme drama-musical Filly Brown, como Beverly na novela The Bold and the Beautiful, e como Jane Villanueva na série de comédia-drama Jane the Virgin.

Halacá

Halacá (הֲלָכָה‎; transl.: ălāḵā) ( /həˈlʌχə/) ( /həˈlɑːˈχɑː/) ou Halakah; Halachah (Halachá); Halacha (Halaca), no hebraico Sefardita ( /hɑlɑˈxɔt/); hebraico Asquenazi ( /hɑlɔˈxoʊs/) ou no plural (Halakot ou Halachot; Halacot; Halachots ou Halacas) é um substantivo derivado do radical Halak (הָלַך; transl.: álac - ir, andar), é conhecida por Lei judaica (mas, em uma tradução mais literal tem o significado de caminho).Na Torá, a vida boa é frequentemente mencionada como a maneira pela qual o Homem deve "ir", por exemplo Êxodo 18:20-'mostra-lhes o caminho para onde devem ir e a obra que devem fazer'.

Num sentido específico a palavra álacá é empregada, em contraposição à 'aggadá (material não-legal da literatura rabbínica), sendo assim referente a orientação, hábito, costume, modo de agir; práticas (que engloba o pessoal, social, nacional, relações exteriores e todas as observâncias) do judaísmo.Originalmente esse termo era empregado em uma decisão (lei), em particular num dado exemplo como na expressão "no Sinai" (halakhah le-mshá mi-sinai*). Com o uso continuo dessa referência o termo Halacá tornou-se genérico para todo o sistema legal de leis e observâncias no judaísmo. Às vezes é empregada pelos rabinos como "tradição", como por exemplo, quando diziam: "se isso é halacá (ou seja, tradição) nós acataremos, mas se for um din (ou seja, argumento) questionaremos.Uma apresentação ordenada, tópica da tradição rabbínica aparece em Mishná Torá (Repetição da lei) por Maimônides (também conhecido como o rabino Moshe ben Maimon, ou Rambam, 1135 - 1204). E o guia essencial para os mandamentos a serem seguidos na vida diária é o Shulkhan Arukh (Mesa preparada) por Yosef Karo (1488 - 1575).

Nas obras modernas também ocorre o termo "midrash halacá", cobrindo interpretações, discussões e controvérsias relacionadas com a parte legal do Escrituras.

Hank Azaria

Hank Albert Azaria (Forest Hills, 25 de abril de 1964) é um ator e dublador americano vencedor do Prêmio Emmy.

Azaria talvez seja mais conhecido pelo seu trabalho com as vozes nas série animada de televisão Os Simpsons, e pelo papel do cientista David em Friends.

Forneceu vozes para mais de 160 personagens incluindo Apu Nahasapeemapetilon, o chefe de polícia Clancy Wiggum, Comic Book Guy (o cara dos quadrinhos), Cletus The slack Jawed Yokel, Duffman, professor Frink e Snake. Forneceu também a voz de Eddie Brock/Venom na série de animação Spider-Man dos meados dos anos 90.

Hebraico tiberiano

O termo hebraico tiberiano designa a pronúncia canônica extinta do hebraico utilizado no Tanaque (a Bíblia hebraica) e os documentos relacionados a ele. Esta forma tradicional de pronúncia codificada na Idade Média foi aplicada na escrita pelos acadêmicos masoréticos da comunidade judaica de Tiberíades, no período entre os anos 750 e 950; esta forma escrita emprega sinais diacríticos que são acrescentados às letras hebraicas: sinais vocálicos e diacríticos consonantais (nequdot) e os chamados 'sinais de acentuação' ou te'amim (dois sistemas relacionados de cantilação), juntamente com os comentários marginais.

Embora os sistemas tiberianos de vocalização e acentuação das escrituras hebraicas representem uma pronúncia regional, localizada em Tiberíades, o hebraico tiberiano foi reconhecido universalmente como superior às outras tradições de leitura por diversas de suas características, como as distinções sutis que ele fez entre as variedades do /r/, e, em especial, por manter a gama completa de vogais baixas do idioma.

Duas outras tradições regionais contemporâneas que deram origem a representações gráficas semelhantes foram designadas, com base na geografia, como Palestina e Babilônia. A chamada "tradição palestina" evoluiu para o hebraico israelense contemporâneo, através de uma fase intermediária no hebraico sefardita (embora sua implementação gráfica tenha sido abandonada); já a "tradição babilônica" foi dominante em certas regiões por muitos séculos, e sua pronúncia (embora não seu sistema gráfico) sobrevive até hoje na forma do hebraico iemenita. Estes sistemas concorrentes eram "supralineares", ou seja, os diacríticos eram colocados acima das letras, ao contrário do tiberiano, que os coloca, em sua grande maioria, sob os caracteres.

A princípio, os pontos tiberianos foram definidos para codificar uma tradição específica de leitura do Tanaque. Depois, foram aplicados a outros textos (um dos primeiros foi a Mishná) e usado em muitos outros lugares, por judeus de diferentes tradições orais no que dizia respeito à leitura do hebraico. Assim, o sistema tiberiano de vocalização e entonação tornou-se de uso corrente.

Jacob Barata

Jacob Barata (Belém, 13 de agosto de 1932) é um Investidor, empresário e banqueiro brasileiro, de origem judaica-sefardita, no ramo de transporte rodoviário de passageiros, nascido no Pará e radicado na cidade do Rio de Janeiro, sócio fundador do Grupo Guanabara.

Judeu-espanhol

O judeu-espanhol ou ladino (em ladino, El Djudeo-Espanyol) é uma língua semelhante ao castelhano. Estima-se que ainda seja falado por cerca de 150 mil indivíduos em comunidades sefarditas, em Israel, nos Balcãs, no Oriente Médio e norte de Marrocos. Também é conhecido como espanhol sefardita e judeo-espanhol (el djudezmo).

Língua extinta na Península Ibérica, no passado, quando havia grandes comunidades judaicas nas cidades de Portugal e da Espanha, era usada pelos judeus desses países. Compunha-se de uma mistura de palavras hebraicas, usadas no dia a dia, com a língua da região, que podia ser o castelhano, o português, o árabe ou o catalão.

Língua hebraica

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O hebraico (עברית, ivrit/ibrit) é uma língua semítica pertencente à família das línguas afro-asiáticas. A Bíblia original, a Torá, que os judeus ortodoxos consideram ter sido escrita na época de Moisés, cerca de 3 300 anos atrás, foi redigida no hebraico dito "clássico". Embora hoje em dia seja uma escrita foneticamente impronunciável, devido à inexistência de vogais no alfabeto hebraico clássico, os judeus têm-na sempre chamado de (לשון הקודש), Lashon ha'Kodesh ("A Língua Sagrada") já que muitos acreditam ter sido escolhida para transmitir a mensagem de Deus à humanidade. Por volta da primeira destruição de Jerusalém pelos babilônios em 607 a.C., o hebraico clássico foi substituído no uso diário pelo aramaico, tornando-se primariamente uma língua franca regional, tanto usada na liturgia, no estudo do Mishná (parte do Talmud) como também no comércio.

O hebraico renasceu como língua falada durante o final do século XIX e começo do século XX como o hebraico moderno, adotando alguns elementos dos idiomas árabe, ladino (língua dos Judeus sefarditas), iídiche (língua dos Judeus oriundos da Europa), e outras línguas que acompanharam a Diáspora Judaica como língua falada pela maioria dos habitantes do Estado de Israel (Medinat Israel), do qual é a língua oficial primária (o árabe também tem status de língua oficial).

Olivia Wilde

Olivia Jane Cockburn (Nova Iorque, 10 de março de 1984) é uma atriz, modelo, produtora, diretora e ativista norte-americana de origem irlandesa. Ela adotou o sobrenome artístico Wilde do escritor irlandês, Oscar Wilde. Começou atuando no início da década de 2000, e desde então tem aparecido em vários filmes e séries, incluindo The O.C. e The Black Donnellys. Ela Interpretava a Dra. Remy "Treze" Hadley, na série House M.D., tendo saído no 3º episódio, da 8ª temporada da série.

Roberto Medina

Roberto Medina (Rio de Janeiro, agosto de 1947) é um publicitário e empresário brasileiro.

Roberto Medina é filho do também empresário Abraham Medina. O empresário é um judeu sefardita.

Fez sucesso na década de 1980. A agência Artplan, da qual é proprietário, se tornou uma das maiores do Brasil criando campanhas marcantes, como a feita para a Caixa Econômica Federal, na qual lançou o ator Luís Fernando Guimarães e o slogan "Vem pra Caixa você também!" (usado até o momento), criado pelo publicitário Nizan Guanaes.

Também é o responsável pela idealização e produção do Rock in Rio, um dos maiores festivais de música no mundo.

Shas

Shas (em hebraico: ש"ס, abreviação de שומרי - תורה ספרדים, "Federação Sefardita dos Guardiães da Torá") é um partido religioso ultraortodoxo israelense que representa a comunidade sefardita (judeus originários da Península Ibérica e Oriente Médio), criado em 1984. No Knesset eleito em 2009, o Shas ganhou 11 cadeiras e é o quinto maior partido do parlamento.

Os princípios do partido são a conservação da ortodoxia ibero-judaica e a melhora do sistema social do país. O partido não é democrático e as decisões políticas são tomadas pelo rabino Ovadia Yosef, o mentor espiritual do partido. A gestão do partido está a cargo do seu chefe político, Eli Yishai.

O rabino Ovadia Yosef é conhecido por seus pronunciamentos marcados por discriminação e ódio aos não judeus. Em 2001, provocou surpresa e indignação, ao pregar a aniquilação dos árabes, em sermão pronunciado durante as comemorações do início da Páscoa judaica. "É proibido ter piedade deles. Temos que lançar nossos mísseis para aniquilá-los. Eles são diabólicos e malditos", disse o rabino. Em 2010, declarou que os não judeus são jumentos, cuja principal razão de existir é servir aos judeus.

Sidur

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Seder tefilot ou Sidur (סידור no plural sidurim que significa arranjo e ordem.); é o livro de orações utilizado pelos judeus, contendo o conjunto de orações e bençãos diárias, para os sábados, dias santos e dias de jejum.A primeira compilação conhecida do livro judaico de oração comum é a de Amram Gaon, diretor da yeshibah de Matah Meḥasya na Babilônia (846-864). Este livro de orações foi amplamente usado e referido pelas primeiras autoridades, como Rashi, os tosafistas, Asheri e Caro. O Seder Rab Amram, como era chamado, era a base de todos os livros de orações subsequentes. Azulai pensa que os discípulos de Amram escreveram este siddur. Interpolações foram feitas, no entanto, não apenas pelos discípulos de Amram, mas também por outros em períodos posteriores. Amram é citado; assim são Saadia Gaon e outros gueonim que viveram após a morte de Amram. A linguagem de algumas das últimas interpolações não está no estilo gueônico. No entanto, o siddur como um todo ainda mantém o sistema original de Amram Gaon. O siddur de Amram é intercalado com decisões do Talmud e com notas de costumes prevalecendo no yeshibot da Babilônia. O texto, com exceção das benedições, é um tanto abreviado. Mas entre as divisões ou capítulos existem muitos trechos midáxicos, acompanhados de ḳadishishim individuais, que são omitidos nos livros de orações subsequentes. Seder Rab Amram é mais próximo do minhag sefaradim do que do Ashkenazim. O conteúdo do siddur é: Shaḥarit (oração da manhã), Maamadot, Minḥah, Maarib (omitindo a Amidah), o Shema antes de dormir, escolha para as segundas e quintas-feiras, orações para o sábado e próximo do sábado, Lua nova, Bênção da Lua Nova, dias de jejum, Ḥanukkah, Purim, Passover, Hagadá, Pentecostes, Nono de Ab, Ano Novo, Yom Kipur, Sukkot, ordem do 'erub, circuncisões e casamentos, e também orações para viajantes, orações ocasionais e bênçãos de enlutamentos.

A segunda parte consiste em uma coleção de selos de autores posteriores, divididos em quinze maamadot para as quinze noites anteriores a Rosh ha-Shanah, e hinos e yoẓerot (piyyuṭim) para Rosh ha-Shanah e Yom Kippur. O siddur de Amram, que permaneceu em manuscrito mais de 1.000 anos, foi publicado pela primeira vez em Varsóvia em 1865 a partir de um manuscrito de Hebron comprado pela N. N. Coronel.

Saadia Gaon, diretor da yeshibah de Sura (928-942), foi a compilador de outro livro de orações, preservado em um manuscrito encontrado em sua terra natal, Al-Fayyum, no Egito. O manuscrito inclui duas orações compostas por Saadia e traduzidas para o árabe—um do próprio Saadia e outra do Ẓemaḥ b. Joseph.Maimonides (1135-1204) dá a ordem de orações para o ano inteiro no Seder Tefillot Kol ha-Shanah, no final do segundo livro do Yad. É idêntico à minhag sefardita. Este texto, com tradução alemã, foi publicado por Leon J. Mandelstamm, em São Petersburgo, em 1851.

Sinagoga Portuguesa de Amesterdão

A Sinagoga Portuguesa de Amesterdão (pt) ou Amesterdã (pt-BR), denominada de Esnoga, é uma sinagoga dos Países Baixos, situada numa rua (Visserplein) próxima do centro histórico de Amesterdão, em frente ao Museu da História Judaica de Amesterdão. É um edifício monumental que foi construído no século XVII (o chamado "século de ouro da Holanda") pela congregação de judeus de origem sefardita da cidade, a Congregação Portuguesa Israelita de Amesterdão. Hoje, após a Segunda Guerra Mundial e o resultante extermínio dos judeus (Holocausto), não existem mais do que 700 membros da congregação. Apesar disso, o imponente edifício, que escapou milagrosamente à destruição pelos nazis (a maioria das sinagogas alemãs foram incendiadas) permanece aberto ao público todos os dias das 10h às 16h, com excepção do Sábado (Shabat), dia em que está fechada.

A 12 de setembro de 1670 o terreno foi comprado para a construção da Sinagoga Portuguesa de Amesterdão. Foi projectada pelo arquitecto neerlandês Elias Bouman. As obras começaram a 17 de Abril de 1671. A esnoga seria inaugurada a 2 de agosto de 1675. Ainda hoje o Sefardi é utilizado como língua litúrgica.

Sinagoga Shaaré Tikva

A Sinagoga Shaaré Tikva ("Portões da Esperança" em hebraico) situa-se em Lisboa, na Rua Alexandre Herculano, sendo a principal sinagoga da Comunidade Israelita de Lisboa.

A comunidade tem a sua origem no século XIX, em famílias provenientes do Norte de África. Segue o rito sefardita do judaismo, característico dos judeus sefarditas comuns do espaço cultural da Bacia do Mediterrâneo de onde provém, que é diferente do denominado 'ritual português', dos antigos sefarditas ocidentais, também denominados Judeus da nação portuguesa.

Localizada em Lisboa (na freguesia de São Mamede), a Sinagoga Portuguesa Shaaré Tikvah é um projecto de 1897, da autoria do arquitecto Miguel Ventura Terra, acabando por ser inaugurada em 1904. O projecto era destinado ao Comité Israelita de Lisboa.

Possui uma planta rectangular simétrica e orientada segundo o eixo de Jerusalém (E/O). Sofreu uma grande ampliação a partir de 1948, dirigida pelo arquitecto Carlos Ramos.

Foi a primeira sinagoga a ser construída de raiz em Portugal após a ordem de expulsão dos judeus de 1496, decretada pelo rei D. Manuel.

Em 1810 existiam em Lisboa três pequenas sinagogas a funcionar em casas de particulares. Durante o século XIX foram várias as tentativas da comunidade judaica portuguesa em criar uma sinagoga, encontrando-se estas relacionadas com o não reconhecimento do judaísmo pelo então regime da Monarquia Constitucional.

A 4 de Março de 1897 os judeus lisboetas decidiram, em assembleia-geral, a criação de uma comissão de estabelecimento de uma sinagoga, presidida por Leão Amzalak. O terreno para construção do edifício foi adquirido em 1901, tendo a escritura sido feita por particular, dada a impossibilidade legal da comunidade a fazer em seu nome. A 25 de Maio de 1902 a comunidade reuniu-se para a cerimónia de lançamento da primeira pedra.

A sinagoga foi inaugurada em 18 de Maio de 1904 (5 de Sivan de 5564 no calendário hebraico), sendo o resultado de um projecto do arquitecto Miguel Ventura Terra. Na época a lei estabelecia que os templos não católicos não poderiam ter a sua fachada para a rua, pelo que a sinagoga foi construída num pátio amuralhado.

Em 2004 a sinagoga comemorou o seu centenário, ocasião que foi aproveitada para proceder uma série de reformas do edifício. O muro que escondia a sinagoga da rua foi derrubado, tendo sido também reformulada a cor interior e a iluminação. A 9 de Setembro de 2004 foi realizada uma sessão comemorativa do centenário que teve como convidados, entre outros, o grande rabino sefardita de Israel Shlomo Moshé Amar, o então Presidente da República Portuguesa Jorge Sampaio, bem como representantes da comunidade islâmica, da Fé Bahai, de igrejas protestantes e do Patriarcado de Lisboa, numa altura em que o rabino Boaz Pash (de Jerusalém, Israel) era o rabino da comunidade.

Na sinagoga, foram vividos vários acontecimentos do século XX, tendo sido realizadas cerimónias em memória das vítimas do nazismo, uma cerimónia em comemoração do estabelecimento do Estado de Israel ou uma cerimónia em homenagem a Aristides Sousa Mendes.

Sinagoga de Bevis Marks

A Sinagoga de Bevis Marks ou Sinagoga dos Espanhóis e Portugueses é o mais antigo local de culto judaico em Londres, estabelecida pelos judeus sefarditas portugueses em 1698, quando o rabino David Nieto tomou a direcção espiritual da congregação.

Na Congregação de Bevis Marks, David Nieto reuniu à sua volta um importante núcleo de intelectuais judeus, onde se destacaram, entre outros, Isaac Sequeira de Samuda e Jacob de Castro Sarmento.

Bevis Marks foi o centro da comunidade sefardita de Londres até à fundação da sinagoga de Bryanstone Street, em 1866. Após esta data, a frequência da Sinagoga de Bevis Marks diminuiu tanto que chegou a ser ponderada a venda do terreno onde se encontra, propósito que acabou por ser abandonado.

Sinagoga del Tránsito

A Sinagoga del Tránsito localiza-se no bairro judeu da cidade de Toledo, na Espanha, a oeste da cidade.Este é o nome por que é conhecida popularmente, mas o seu verdadeiro nome é Sinagoga de Samuel ha Leví. Desde 1964, está instalado nela o Museu Sefardita, que tem como objectivo conservar o legado da cultura hispano-judia e sefardita para que fique integrada como parte essencial do Património Histórico Espanhol.

Sinagoga dos Cohanim de Djirt

A sinagoga dos Cohanim de Djirt, também conhecida pelo seu nome hebraico Knesset Kohanim HaDintreisa (בית הכנסת כהנים הדינתרייתא) é uma sinagoga ligada ao rito sefardita situada na localidade de Hara Kbira (que significa "grande bairro" [de judeus]), um gueto judeu da periferia de Houmt Souk, na ilha de Djerba, sul da Tunísia.

Djirt é o nome antigo de Er Riadh, também conhecida como Djirt ("pequeno bairro"), situada alguns quilómetros a sul. Segundo a tradição, foi naquela aldeia que se instalaram os primeiros judeus da ilha, Cohanim (sacerdotes) de Jerusalém que se exilaram em Djerba após a destruição do Primeiro Templo em 586 a.C.

Torá

Torá do hebraico תּוֹרָה - tōrāh Sefardita, tōruh Ashkenazi; significando: instrução, lei, apontamento. É derivada da palavra em hebraico: yārāh - instrua, dirija, mostre, é designada como sendo, um rolo de pergaminho no qual os cinco livros de Moisés foram escritos, também a primeira das três divisões do cânon judeu; חמשה חומשי תורה; transl.: Hamishá Humashêi (os cinco escritos de Moisés, em especial o do judaísmo rabínico), também podendo referir-se ao corpo inteiro da literatura religiosa judaica, lei e ensinos contidos principalmente na Mishná e no Talmude.

Vic Seixas

Elias Victor "Vic" Seixas Junior (Filadélfia, 30 de agosto de 1923) é um ex-tenista norte-americano, de origem luso-sefardita. Por treze anos esteve entre o Top Ten dos tenistas norte-americanos. Seu ponto alto foi em 1953, quando alcançou o primeiro lugar no ranking mundial. É, atualmente, o mais velho campeão masculino de simples de um Grand Slam vivo.

Noutras línguas

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