Séculos Escuros

Denominam-se Séculos Escuros os anos que vão entre fins do século XV e fins do XVIII, durante os que a literatura galega entrou num período de decadência e o galego perdeu o seu uso nos registos oficiais.

Dentre os factores que provocaram o progressivo declínio, destacam:

Isabel I de Castilla
Isabel a Católica; durante o seu reinado levou a cabo a política de "doma e castração do reino da Galiza"
  • O assentamento na Galiza de nobreza castelhana, que não usava o galego e que substituiu a nobreza galega derrotada após apoiar os perdedores nas lutas dinásticas pela coroa de Castela, primeiro a Pedro I contra Henrique de Trastámara (século XIV) e mais tarde (1475-1479) a Joana a Beltraneja frente à futura Isabel a Católica
  • a ausência de uma burguesia capaz de defender os seus interesses e os do país
  • a perda de autonomia da Igreja galega.

No entanto, todos estes factores confluem, e são compreendidos à vez, por outra clave decisiva: apesar de que durante toda a Idade Média a Galiza vivera num estado de prática semi-independência, quando se achegou o sol-pôr medieval, o país galego carecia de um monarca próprio -após a definitiva união de Galiza-Leão e Castela em 1230- ou de instituições próprias. Ou seja, a Galiza aparece nessa altura como um reino mais dos que conformam a coroa de Castela. Assim, a ausência de um poder central galego organizado que pudesse servir de contrapeso num momento no que, pelo contrário, a monarquia avançava para o absolutismo ao mesmo tempo que se centralizava no território castelhano, determinou o afastamento dos locais de decisão e, portanto, uma decisiva perda na capacidade de influência. A Galiza ficava assim como um reino cada vez mais afastado e decididamente marginal nos projetos duma monarquia que, centrada em Castela, vivia momentos de expansão imperial.

A língua galega, durante o longo período de três séculos - XVI, XVII e XVIII - esteve ausente dos usos escritos, frente ao espanhol e ao português que entraram num processo de fixação e codificação, o qual lhes conferia a categoria de línguas de cultura. Porém, seguiu a ser a via normal de comunicação de quase a totalidade da população. O exclusivo uso oral levou à sua consideração como língua aliterária, incapacitada para a ciência e a cultura.

O estudioso galego Xosé Ramón Freixeiro Mato fala de três grupos sociais na Galiza quanto ao seu comportamento linguístico: um reduzido grupo monolíngüe em espanhol no cume do poder político-religioso, um grupo bilíngue autóctone integrado no aparelho do poder e uma maioria monolíngüe em galego. Henrique Monteagudo assinala que o primeiro grupo atraia para o espanhol as camadas sociais que procuravam o ascenso, e esta extensão horizontal continuaria até o século XVIII, convertendo-se em descendente só a partir do XIX e ainda mais no XX.

Benito Jerónimo Feijoo
O Padre Feijoo, um dos iluministas galegos

A literatura galega ficou assim à margem do Renascimento e do Barroco, coincidindo esta sua etapa mais obscura com o Século de Ouro da literatura espanhola. Contudo, conservaram-se algumas cartas, documentos e escassas mostras literárias que deixam ver a língua da época. De fins do século XVI e primeiros do XVII conhecem-se várias cartas dirigidas a Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar, como por exemplo a que lhe enviou D. Diego Sarmiento de Sotomayor, dizendo-lhe em 1605: e mais que fixese ysto nesta lingoaxe pois é de v. m. tan estimada. E também através do estudo das cartas sabe-se que uma parte da aristocracia galega conhecia mal o espanhol e vivia instalada no galego como língua familiar e habitual.

Paralelamente a este vazio de literatura erudita, sobreviveu a veia da lírica popular em forma de cantigas de berce, de cego, entrudos, adivinhações, lendas, romances, contos, farsas, etc. Muitos destes textos chegaram até a atualidade por transmissão oral. No século XVIII, surgiram as vozes de denúncia dos chamados "iluminados", que demonstram a sua inquietação pelo subdesenvolvimento da Galiza e oferecem propostas renovadoras da vida econômica, social e cultural. Criam-se organismos como as Sociedades Económicas de Amigos do País e a Academia de Agricultura do Reino de Galiza.

Entre este minoritário grupo de intelectuais desponta a figura do padre Frei Martiño Sarmiento, personagem polifacético –naturalista, linguista, bibliófilo…— que defendeu o uso do galego no ensino, na administração e na Igreja, ou seja, a oficialização como língua própria dos galegos. Participam também o Padre Feixoo, o primeiro a rejeitar a condição de dialecto para o galego, e o padre Sobreira, continuador do trabalho lexicográfico de Sarmiento. A sua obra constituiu a primeira chamada de atenção sobre uma problemática linguística que se há manifestar com toda a sua força na segunda metade do século XIX.

Bibliografia

  • Freixeiro Mato, X.R. Lingua galega: normalidade e conflito, Ed. Laiovento, 1998, 2ª edição.
Asturo-leonês

O asturo-leonês ou ásture-leonês é um diassistema linguístico que abrange o noroeste da Península Ibérica, conhecido nos diferentes territórios como asturiano, leonês ou mirandês (tradicionalmente cada zona ou região utilizava localismos para fazer referência à língua, originando-se outras denominações como cabreirés, senabrés, pixueto ou paḷḷuezu).Filogeneticamente, o asturo-leonês faz parte do grupo iberorromance ocidental e surge da peculiar evolução que sofreu o latim no Reino das Astúrias (posteriormente Reino de Leão). O grupo asturo-leonês divide-se em três blocos (ocidental, central e oriental) que traçam de forma vertical uma divisão norte-sul, desde as Astúrias até à Terra de Miranda, e compondo assim o domínio linguístico asturo-leonês. O montanhês e o estremenho são variedades de transição com o castelhano. Simultaneamente, o galego falado a poente do rio Návia faz a transição com o domínio galego-português.

A situação da língua é diferente segundo o território. Em Portugal, a língua possui reconhecimento, é regulada e ensinada de forma facultativa no sistema educativo apenas em Miranda do Douro, mas é falada também em Rio de Onor, Guadramil e Quintanilha; em Leão carece de proteção, e é apenas mencionada no Estatuto de Autonomia de Castela e Leão, apesar deste recomendar a sua promoção e uso; e nas Astúrias a língua não é oficial, mas é também incluída no currículo escolar e regulada pela Academia da Língua Asturiana.

Dante Alighieri

Dante Alighieri (Florença, entre 21 de maio e 20 de junho de 1265 d.C. — Ravena, 13 ou 14 de setembro de 1321 d.C.)foi um escritor, poeta e político florentino, nascido na atual Itália. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta"). Disse o escritor e poeta francês Victor Hugo (1802-1885) que o pensamento humano atinge em certos homens a sua completa intensidade, e cita Dante como um dos que "marcam os cem graus de gênio". E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental.

Seu nome, segundo o testemunho do filho Jacopo Alighieri, era um hipocorístico de "Durante". Nos documentos, era seguido do patronímico "Alagherii" ou do gentílico "de Alagheriis", enquanto a variante "Alighieri" afirmou-se com o advento de Boccaccio.

Foi muito mais do que literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia ("A Divina Comédia"), o grande poema de Dante, que é uma das obras-primas da literatura universal. A Commedia se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo.

Essa obra foi originalmente intitulada Comédia e mais tarde foi rebatizada com o adjetivo "Divina" por Giovanni Boccaccio. A primeira edição que adicionou o novo título foi a publicação do humanista veneziano Lodovicco Dolce, publicado em 1555 por Gabriele Giolito de Ferrari.

Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus parentes. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.

Diferenças entre o galego e o português

As diferenças entre o galego e o português são várias, podendo estas ser encontradas na fonética, na morfologia, na sintaxe, na ortografia e no léxico. Uma parte destas diferenças resultam do acastelhanamento do galego ao longo dos séculos em que este foi proibido como língua culta, os chamados Séculos Escuros. Contudo há que salientar que a semelhança do galego face ao português resulta numa divergência de opiniões quanto à sua classificação como línguas separadas, havendo vários linguistas que as consideram a mesma língua, tanto galegos quanto portugueses, e outros que a consideram línguas distintas.

Escolas da Literatura Galega

Trovadorismo ou lírica medieval galego-portuguesa

Prosa medieval

Séculos escuros

Ressurgimento

Agrarismo

Modernismo

Geração Nós

Neo-Trovadorismo

Realismo mágico

Neo-realismo

Grupo Brais Pinto

Tendências Actuais

Galego-português

O termo galego-português designa a língua românica falada durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza e o atual sistema linguístico que ocupa toda a faixa ocidental da Península Ibérica, incluindo os diversos dialetos das línguas portuguesa e galega, assim como as variedades próprias das Astúrias, Bierzo, Portelas, de Xálima, das Terras de Alcântara, de Olivença e de Barrancos. Para além destes territórios, as aldeias de Rio de Onor e Guadramil também podem ser incluidas nesta faixa, tendo sido até meados do século XX de fala leonesa.

O idioma galego-português é o idioma ancestral comum às línguas galaico-portuguesas. Destacou-se pela sua utilização como idioma próprio da poesia trovadoresca não só nos reinos onde era nativa (Portugal, Galiza e Leão) mas também em Castela e, pontualmente, noutros locais da Europa.

História da língua portuguesa

A história da língua portuguesa é a história da evolução da língua portuguesa desde a sua origem no noroeste da Península Ibérica até ao presente, como língua oficial falada em Portugal e em vários países de expressão portuguesa.

Em todos os aspectos — fonética, morfologia, léxico e sintaxe — a língua portuguesa é essencialmente o resultado de uma evolução orgânica do latim vulgar trazido por colonos romanos no Século III a.C., com influências menores de outros idiomas e com um marcado substrato céltico. O português arcaico desenvolveu-se no Século V d.C., após a queda do Império Romano e as invasões germânicas, ditas bárbaras, como um dialecto românico, o chamado galego português, que se diferenciou de outras línguas românicas ibéricas. Usado em documentos escritos desde o século IX, o galego-português tornou-se uma linguagem madura no século XIII, com uma rica literatura. Em 1290 foi decretado língua oficial do reino de Portugal pelo rei D.Dinis I. O salto para o português moderno deu-se no renascimento, sendo o Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516) considerado o marco. A normatização da língua foi iniciada em 1536, com a criação das primeiras gramáticas, por Fernão de Oliveira e João de Barros.

A partir do século XVI, com a expansão da era dos descobrimentos, a história da língua portuguesa deixa de decorrer exclusivamente em Portugal, abrangendo o português europeu e o português internacional. Em 1990 foi firmado um tratado internacional com o objetivo de criar uma ortografia unificada, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, assinado por representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.

Isabel de Castro e Andrade

Isabel de Castro e Andrade, condessa de Altamira, nascida em Pontedeume provavelmente em 1528 e falecida na mesma vila em 1582, foi uma nobre e escritora galega.

Literatura galega

A literatura galega é aquela escrita em galego e em geral é literatura feita na Galiza ou por galegos. Porém, os diferentes exílios políticos e a forte emigração marcaram de maneira especial esta literatura e fizeram com que um número significado de autores emigrassem para outras regiões, sobretudo para a América e para o resto da Europa.

Literatura galega dos Séculos Escuros

A criação literária em língua galega foi praticamente inexistente durante os séculos XVI, XVII e XVIII, razão pela que estes se denominam Séculos Escuros.

Língua galega

A língua galega ou galego (pronúncia galega: [ɡaˈleɣo̝]) é a língua ibero-românica ocidental de caráter oficial na Comunidade Autónoma da Galiza, falada também nas Astúrias, Castela e Leão e pela diáspora galega, localizada principalmente na Argentina, Brasil, Cuba ou Uruguai.

Com raízes comuns, iniciou a sua divergência da língua portuguesa no século XIV, e é regulada pela Real Academia Galega. Devido às semelhanças que mantém com o português, é por vezes referida no contexto do galego-português, "português da Galiza ou o codialecto galego do português" uma perspetiva organizada na forma do reintegracionismo galego, cujas normas ortográficas seguem estreitamente as do português. Porém, é definida como língua em próprio direito no dicionário da RAG, uma postura seguida pelas instituições autonómicas e respeitada pelo Governo Português. A fala de Xálima, com influências leonesas, também pode ser classificada no seu âmbito.

Normativa oficial do galego

A Normativa oficial do galego inclui as normas oficiais para a escrita da língua galega, e portanto a variedade padrão desta língua.

O Estatuto de Autonomia da Galiza dotou os poderes públicos galegos da competência com referência à língua galega. A 17 de Novembro de 1982 a Junta da Galiza estabeleceu que existiria uma norma de uso oficial para o ensino e que excluiria das ajudas econômicas os textos não publicados na "normativa oficial", em clara referência ao reintegracionismo.

A 3 de Julho de 1982, a Real Academia Galega e o Instituto da Língua Galega aprovaram em sessão conjunta as Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego (NOMIG). Em Abril de 1983, a Junta da Galiza publicou o “Decreto de Normalização da Língua Galega” (Decreto de Normativización da Lingua Galega), que consagrava estas normas como modelo para a escrita da língua galega.

A variedade padrão, fixada entre Real Academia Galega (RAG) e o Instituto da Língua Galega (ILG), incluía inicialmente apenas indicações morfológicas e ortográficas. Porém, as Normas Ortográficas e Morfológicas do Idioma Galego, publicadas em 1983 e aplicadas no dicionário da RAG de 1997, incluíam umas trinta mil palavras.

Em 1990 a RAG e o ILG complementaram as normas com a publicação do Dicionário da Língua Galega, com 12.000 entradas, que constituía assim a normativa sobre o léxico (as Normas só tratam da ortografia e da morfologia). Com a publicação do VOLG em 2004 foram definidas de fato também as normas léxicas.

A Lei de normalização lingüística, aprovada pelo Parlamento da Galiza em 15 de Junho de 1983, estabeleceu a Real Academia Galega como autoridade para a normalização do galego.

Em 1995 modificaram-se parcialmente as NOMIG: por sugestão do Conselho Cientista do ILG (11 de Novembro de 1994), o Plenário da RAG ratificou estas leves modificações a 25 de Fevereiro de 1995. O novo texto foi publicado em maio e teve valor imediato, sem precisar de aprovação por parte do governo galego, que foi simplesmente informado.

Uma nova edição do Dicionário da RAG foi publicada em 1997, contendo cerca de 25 000 verbetes.

Reino Lombardo

O Reino Lombardo, (em italiano: Longobardia), foi um Estado que existiu na península Itálica a partir de 568, como resultado da conquista de grande parte da península pelos lombardos comandados por Alboíno, e durou até a conquista franca em 774. A conquista lombarda trouxe como consequência a divisão política da península Itálica, que permaneceria por três séculos com uma parte bizantina e uma parte lombarda.Os lombardos foram uma das tribos que formavam os suevos e, durante o século I, viveram no norte da atual Alemanha e no baixo rio Elba. Ocasionalmente travaram batalhas com os romanos, mas parece que eram principalmente pastores e fazendeiros até o século IV. A situação mudou ao iniciar-se o período das grandes migrações de povos procedentes do leste. No final do século V, estabeleceram-se na região que hoje é a Áustria, no território anteriormente ocupado pelos rúgios. No começo do século VI, se estabeleceram na Panônia (hoje o oeste da Hungria), como federados autorizados pelo imperador Justiniano (r. 527–565). Nesta época, tinham começado a mudar sua organização tribal para outra forma liderada por duques e condes que comandavam bandos de guerreiros reunidos em um reino.

Trovador

Trovador (francês: troubado[tʁubaduʁ]; occitano: trobador [tɾuβaˈður], pronúncia arcaica: [tɾuβaˈðor]), na lírica medieval, era o artista de origem nobre do sul da França que, geralmente acompanhado de instrumentos musicais, como o alaúde ou a cistre, compunha e entoava cantigas.

Normalmente, os trovadores eram homens, mas houve trovadoras (em provençal ou occitano trobairitz), também nobres. Suas correspondentes nas classes inferiores eram as jogralesas (joglaresses em provençal).

Noutras línguas

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