Península Ibérica

A Península Ibérica está situada no sudoeste da Europa.[1] É dividida na sua maior parte por Portugal e Espanha, mas também por Andorra, Gibraltar, e pequenas frações do território de soberania francesa nas vertentes ocidentais e norte dos Pirenéus, até ao local onde o istmo está situado.[nota 1] Com uma área de cerca de 580 000 km², é a segunda maior península da Europa, ultrapassada apenas pela península Escandinava em dimensão, e em população pela Península Balcânica.[2]

É a mais ocidental das três grandes penínsulas da Europa Meridional, formando quase um trapézio, a península liga-se ao resto do continente europeu pelo istmo constituído pela cordilheira dos Pirenéus, sendo rodeada a norte, oeste e parte do sul pelo Oceano Atlântico, e a restante costa sul e leste pelo mar Mediterrâneo. Os seus pontos extremos são a ocidente o Cabo da Roca, a oriente o Cabo de Creus, a sul a Ponta de Tarifa e a norte a Estaca de Bares.[3]

Com uma altitude média bastante elevada, apresenta predomínio de planaltos rodeados por cadeias de montanhas, e que são atravessados pelos principais rios, de entre os quais o rio Tejo é o mais comprido, com um percurso de cerca de mil quilómetros.[4]

A montanha mais alta da Península Ibérica é o Mulhacén (na serra Nevada) com 3 478,6 metros de altitude. As elevações mais importantes são a Cordilheira Cantábrica, no norte; o sistema Penibético (serra Nevada) e o sistema Bético (serra Morena), no sul; e ainda a Cordilheira Central (serra de Guadarrama), de que a serra da Estrela é o prolongamento ocidental.[5] Muitíssimo povoada no litoral, a Península Ibérica tem fraca densidade populacional nas regiões interiores, com exceção da Comunidade de Madrid, extremamente populosa.[6]

Península Ibérica
Península Ibérica
Imagem de satélite da Península Ibérica.
Iberia (orthographic projection)
País Portugal Portugal Gibraltar
Flag of Spain.svg Espanha  Andorra
Mar(es) Mar Mediterrâneo, Oceano Atlântico

Nomenclatura alternativa

"Península Ibérica" é o termo atual com que se designa a península. No passado a mesma possuía outras designações, atribuídas pelos diversos povos que a habitaram: [7]

Map of Europe according to Strabo
Europa segundo o geógrafo e filósofo grego Estrabão.
  • Ibéria, (Grego: Iberia) nome grego da Península, com origem no rio Ebro (Iberus);
  • Hispânia, (Latim: Hispania) nome romano da Península, de etimologia ainda em estudo;
  • Al-Andalus, (Árabe: الأندلس) nome árabe dos territórios muçulmanos da Península Ibérica, de etimologia ainda em estudo;
  • Sefarad, (Hebraico: ספרד) nome hebraico atribuído pelos sefarditas à Península.

De demarcação geográfica a entidade geopolítica

O termo Hispania (ou Hispaniae, Hispaniarum, Yspania, Spania, Hespanha) continuará a determinar por alguns séculos os habitantes da Península Ibérica e é sem surpresa que a obra Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões menciona os portugueses como "Uma gente fortíssima de Hespanha" (canto I, verso 31), ou "a nobre Espanha" (canto III, verso 17) composta por várias nacionalidades, onde se incluem, entre outras, Castela (atual Espanha) e o Reino lusitano (Portugal) (canto III, versos 19 e 20).[8] O nome "Espanha" é utilizado por Camões de forma puramente geográfica, como sinónimo de "Península Ibérica", um uso comum na época derivado do latim Hispania.

Aquando da formação da Monarquia Católica, segundo relata a Crónica dos Reis Católicos de Fernando del Pulgar em 1479, já teria sido colocada a questão quanto ao título dos novos monarcas, tendo sido apreciada a hipótese de poder vir a ser "Reis de Espanha". Concluiu o Conselho Real que não o deveriam fazer porque ainda não controlavam a totalidade da Península Ibérica: "os votos de alguns do Conselho era que tomassem por direito o título de reis de Espanha, porque sendo agora os sucessores dos reinos de Aragão, eram senhores da maioria dela [da Península Ibérica]. Mas resolveram não o fazer (...)".[9]

Começa a notar-se apenas a partir do domínio castelhano[nota 2] (Filipe II e I de Portugal, coroa-se "rei de todas as Espanhas", ou seja, de todos os reinos da Península Ibérica), e posterior Restauração da Independência portuguesa, no século XVII, a designação de "Espanha" ou "Espanhas"[nota 3][10] dirigida apenas a uma das nações da Península. [11] Esta tendência associada a um manifesto conteúdo político continuará a acentuar-se após a Guerra da Sucessão e os Decretos do Novo Plano.

Ainda assim, no "Vocabulário portuguez e latino" (1712-1728) de Raphael Bluteau, o primeiro dicionário da língua portuguesa, continua a não ser clara uma diferenciação entre os diversos conceitos. Refere que "a Lusitânia fazia parte da Hespanha e particularmente do Reyno de Portugal", mas definindo "hespanhol" expõe que "os portuguezes ou lusitanos não estavam compreendidos debaixo do nome geral de hespanhoes":[12] a assunção que existe uma diferença clara num espaço geográfico que não é políticamente homogéneo, cujos habitantes podem ter diferentes nacionalidades, e por conseguinte, outros gentílicos.

Já no século XIX, as cortes de Cádiz de 1812, durante a Guerra Peninsular, aprovam a sua primeira constituição auto-denominando-se "Espanha".[13] A coluna vertebral do governo até então, o Conselho de Castela, é dissolvido primeiro em 1812, novamente reativado, e só depois cessado definitivamente em março de 1834, nascendo em sua substituição o Tribunal Supremo de Espanha e das Índias, assumindo as funções judiciais, e o Conselho Real de Espanha e das Índias como órgão consultivo. [14] A até então "Monarquia Católica" passa a denominar-se de forma oficial "Monarquia Espanhola". [nota 4]

O afastamento físico de Portugal e Espanha, caracterizado pelas péssimas rotas de comunicação nas zonas de fronteira terrestre até meados do século XIX, aliado à negativa carga semântica que as possíveis denominações da Península, não raras vezes usadas de forma política, como Ibéria, Iberismo ou hispanidade, foram tema de múltiplos e acirrados debates intelectuais que só cristalizaram já no início do século XX. [15][16]

No caso da Península Itálica o Risorgimento no séc. XIX levou à unificação de toda a Península sob o mesmo nome de Itália, mas com uma diferença fundamental da Península Ibérica: passou a existir apenas um único Estado.

Atualmente o Estado Espanhol festeja o seu dia nacional[17] desde 1958[nota 5] como Dia da Hispanidade (também conhecido por "Dia de Colombo" nos Estados Unidos), instaurado por decreto do ditador Francisco Franco nesse ano,[18] deixando para trás a denominação xenófoba "Dia da Raça" que tinha desde 1918.[19] Como uma força centrípeta que promove o integracionismo hegemónico, a significação de Hispanidade no Franquismo teve como fim sublimar a frustração imperial, sendo de novo a origem de um Nacionalismo espanhol expansivo.[20]

História

Começou por ser descrita pelos gregos como Ibéria (terra dos iberos), depois pelos romanos por Hispania, continuando a ser alvo de estudo a sua etimologia. [21]

Hispânia romana

Provincias de la Hispania Romana (Diocleciano)-pt
Divisão provincial de Diocleciano estabelecida no ano 300 da era comum (d.C.).

Começa a romanização da Península no ano 218 a.C. quando as tropas romanas desembarcaram no nordeste da Península para impedir novos ataques, por parte dos Cartagineses através dos Pirenéus, como já havia ocorrido. Derrotados os cartagineses, seguem rumo a sul e conquistam a capital cartaginesa, Cádis, uma das cidades mais antigas da Europa. A romanização foi um processo relativamente lento que começou na costa este e sul em direção ao oeste e norte, sendo a costa cantábrica (que abrange a Galiza, Astúrias, Cantábria e parte do País Basco) a última zona da Península a ser conquistado. O País Basco conservou de forma notável a língua e outros aspetos culturais.[22] O uso do latim não foi imposto, ao contrário do que se possa pensar. As pessoas aprenderam-no por conveniência e pelo prestígio do idioma. O processo de romanização foi rápido em algumas zonas (este e sul) e mais lento noutras (interior, oeste e norte). Destacando a dificuldade que enfrentaram os romanos ao invadir a região habitada pelos Lusitanos devido aos seus combatentes e ao seu resiliente líder, Viriato. Embora sejam escassas as informações e dados pessoais deste líder, sabe-se que dificultou o processo de romanização principalmente nas zonas montanhosas do interior compreendidas a sul do rio Douro e norte do Tejo (atualmente corresponde a uma significativa parte do território português compreendida pelo interior da Região do Centro mais próximo da Serra da Estrela),[23] a tal ponto que Roma, segundo consta, enviou um dos seus generais, Serviliano, para acompanhar os combates.[24] Vários poemas e escritores fazem referência a este líder como um guerreiro audaz, que acabou assassinado pelo seu entorno. Este episódio terminou em 139 a.C. com o período que mais tarde se designou "Guerras Lusitanas", sendo o território conquistado integrado na Hispânia Ulterior. [25]

Durante a romanização, a Península Ibérica foi dividida em províncias:[26]

Invasões bárbaras e Reino suevo

Povos bárbaros na Península Ibérica (Hispânia), região pertencente ao Império Romano
Migrações bárbaras na Península Ibérica

O Reino Suevo foi um dos primeiros reinos a separar-se do Império Romano que no ano 409 invadiu a Península Ibérica, juntamente com os Vândalos e os Alanos. Convém destacar que este povo germânico não obteve o mesmo sucesso que Roma, na sua conquista, não conseguindo um domínio integral da Península, tal como Roma havia conseguido. A parte da atual Galiza e os territórios setentrionais de Portugal estavam sob domínio dos Suevos que mais tarde coexistiram com os Visigodos. O País Basco, que protagonizou várias revoltas, apesar de todas estas invasões e domínios soube preservar uma cultura e língua pré-romana única.[28][29][30]

Reino visigodo

Hispania 700 AD
Hispania visigótica e as suas divisões regionais no ano 700, antes da conquista muçulmana

Depois de expulsos pelos Francos do Reino de Toulousa (hoje Toulouse), os visigodos liderados por Teodorico II invadem a Península Ibérica em 456, derrotando os Suevos na Batalha de Órbigo. Acentua-se o enfraquecimento do Império Romano do Ocidente, instalando-se os Visigodos e elevando a cidade de Toledo capital do Reino.

Para facilitarem a colonização da Península decidiram em vez de impor a sua língua, adquirir a língua autóctone, o latim e os costumes cristãos. [31] No Terceiro Concílio de Toledo em 589, o rei Recaredo I renuncia ao Arianismo e anunciou a sua fé no Credo niceno-constantinopolitano, professado pelo Catolicismo romano. [32]

As novas leis estabelecidas pelos visigodos substituíram todos os antigos códigos de direito romano, embora se baseassem neles. O Código Visigótico evidenciou a mudança do velho sistema de divisões militares e civis herdadas dos romanos sendo que foram criados as posições de duques (dux provinciae) e condes (comes civitatis) com importantes responsabilidades civis, tributárias e militares.[33]

Expansão muçulmana no Al-Andalus

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O Califado Omíada no seu apogeu em 750

No ano de 711, iniciou-se a expansão muçulmana do Califado Omíada na Península Ibérica, a partir do que hoje se chama Gibraltar (Jebel al Tarik, "Montanha de Tariq"), honrando Tariq ibn Ziyad,[34] o comandante berbere que liderou a primeira invasão. Tal como os Suevos não existiu uma islamização completa da Península. Durante o período árabe sucederam-se numerosos cruzamentos entre os habitantes da Península e os invasores. Houve um período de bilinguismo em que as populações falavam tanto o árabe como o latim, até que, progressivamente começou a ser falado a Língua moçárabe, que seria o resultado linguístico de muitos anos de contacto entre o árabe e o latim, e mais tarde importantíssimo na formação do Galego-português.[35] As populações cristãs que viviam sob domínio muçulmano, denominadas Moçárabes,[36] era quem falava esta variedade que embora a sua classificação seja polémica, é claramente, segundo os linguistas uma língua que adquiriu grande parte do seu léxico do latim, que neste contexto, seria a língua de substrato em relação ao árabe.

Os muçulmanos elevam Córdova a capital do seu reino, mais tarde conhecido como Califado de Córdova. A coexistência com os povos cristãos, que viram as suas tradições respeitadas mediante o pagamento de impostos, teve um impacto significativo que perdura até à atualidade, tanto na língua, como na arquitetura, a matemática e astronomia, bem como de áreas mais tradicionais como a agricultura.[37][38]

Movimento ibérico cristão, a Reconquista

Map Iberian Peninsula 1000-pt
Mapa político da Península Ibérica no ano 1000

O movimento de conquista da Península pelos reinos cristãos, também conhecido por Reconquista, inicia-se no século VIII,[39] com a expansão a partir das Astúrias e na zona da Marca de fronteira, ou Marca Hispânica, controlada pelos condados afetos ao Império Carolíngio até ao século X, e termina com a conquista do Reino nasrida de Granada em 1492.

A partir do ano 824 será levada a cabo pelo Reinos Navarra, por Leão a partir de 910, Castela a partir de 1065, pelo Condado de Ribagorça (que dará origem ao Reino de Aragão em 1035) e Condado de Barcelona, cujo Conde deixa de prestar vassalagem aos reis francos no século X.

Andorra na Idade Média está dependente do Condado de Urgel depois de ser cedida ao Conde Sunifredo de Narbona em 839. Em 1133 o Conde Ermengol VI transmite todos os direitos de propriedade do vale de Andorra ao catalão Bispo de Urgel (cuja soberania do Vale é partilhada a partir de 1610 com o Rei de França).[40]

Em 1137 forma-se a Coroa de Aragão liderada pelo Conde Raimundo Berengário IV de Barcelona, e o Condado Portucalense liderado pelo Conde Afonso Henriques proclama a Independência de Portugal em 1139, confirmada em 1143 pelo Tratado de Zamora e pelo papa Alexandre III pela emissão da bula Manifestis Probatum, tornando-se o primeiro Rei de Portugal. A Coroa de Castela forma-se no ano 1230, sob a liderança de Fernando III de Leão e Castela.[41]

Em outubro de 1469 o casamento de Isabel I de Castela e Fernando II de Aragão, ou seja, a união dinástica da Coroa de Castela e a Coroa de Aragão, funda a Monarquia Católica, ampliando as dificuldades ao Reino de Granada. O território rendeu-se no dia 2 de janeiro de 1492 e com uma Península totalmente cristianizada termina o período também conhecido como "Reconquista cristã".[42]

"Regnorum Hispaniae nova descriptio" (21637805344)
Mapa do início do século XVII intitulado originalmente em latim "Regnorum Hispaniae nova descriptio" (Reinos das Espanhas, nova descrição). [nota 6]

Após a conquista de Navarra em 1512, não sendo a primeira vez que se reivindicava o título Imperator totius Hispaniae (Imperador de toda a Hispânia), a Coroa de Castela consegue efetivamente em 1580 o controlo de todos os reinos da Península Ibérica, com Filipe II e I de Portugal (que passará a ostentar o título Philippus Dei Gracia Hispaniarum Utrius que Siciliae, Hierusalem, Indiarum, Insularum ac Terrae Firmae Maris Oceani Rex - Rei de todas as Espanhas, das Sicílias, Jerusalém, Índias, e das Terras Firmes e Insulares do Oceano - ) num período denominado União Ibérica. No trato com o "Novo Mundo" foram respeitadas as proibições de circulação entre as rotas marítimas dos dois impérios, sendo que a Coroa portuguesa tinha o seu monopólio na Casa da Índia em Lisboa, e os territórios peninsulares administrados pela Coroa de Castela tinham o monopólio fixado na Casa de Contratação das Índias em Sevilha.[43] Em junho de 1640 despoleta a Guerra dos Segadores no Principado da Catalunha e os nobres portugueses opõem-se à organização de tropas para lutar contra os revoltosos, culminando numa insurreição que leva a 1 de dezembro de 1640 à Restauração da Independência portuguesa.[44][45]

Abolição dos reinos medievais da Monarquia Católica

Europe, 1700—1714
A Península Ibérica e a sua relação de poderes no contexto europeu em 1700.

Apesar das uniões dinásticas apenas com o final da Guerra da Sucessão Espanhola, que envolveu bélicamente toda a Península Ibérica, e os Decretos do Novo Plano no século XVIII se dá a dissolução dos reinos existentes dependentes da Coroa de Castela, fomentando a centralização do poder. Estes decretos foram o fim da polissinódia hispânica,[46][47] sistema de governo estabelecido pela fundação da Monarquia Católica e baseado no respeito das tradições jurídicas e de auto-governo de cada território da Coroa. O Conselho de Castela, coluna vertebral do governo, é dissolvido definitivamente em março de 1834 e nascem em sua substituição o Tribunal Supremo de Espanha e Índias, para as atribuições judiciais e o Conselho Real de Espanha e das Índias como órgão consultivo. [14] Ainda assim a predominância de Castela continuará a existir na representação da Bandeira da Espanha onde era retratado apenas o escudo histórico de Castela e Leão até 1931, momento em que foi implantada a Segunda República Espanhola.

Geografia

Peninsula Iberica - Iberian Peninsula
Mapa físico da Península Ibérica.

Principais rios

Principais serras

Entre as principais cordilheiras da Península Ibérica estão a Cordilheira Bética (subdivide-se na Cordilheira Penibética e Cordilheira Subbética), a Cordilheira Cantábrica, o Sistema Central, o Sistema Ibérico e a Cordilheira Pré-litoral.[48]

Algumas das serras mais representativas destas cordilheiras ou isoladas são: Serra Nevada, Serra de Guadarrama, Serra Morena, Picos de Europa, Serra de Gredos, La Serrota, Serra de Guadarrama, Serra da Estrela, Serra do Larouco, Serra da Peneda, Serra do Gerês, Serra do Soajo, Serra do Marão, Serra de Montesinho, Serra de Bornes, Serra da Nogueira, Serra de Leomil, Serra do Caramulo, Serra da Marofa, Serra de Gata, Serra da Gardunha, Serra da Lousã, Serra de Alvelos ou Serra de São Mamede.

Demografia

Iberian Peninsula at Night - NASA Earth Observatory
Península Ibérica à noite - vista do espaço (NASA)

Pólos urbanos

As capitais dos países situadas geograficamente na Península Ibérica são por ordem alfabética: Andorra-a-Velha (Andorra), Gibraltar (Reino Unido), Lisboa (Portugal) e Madrid (Espanha).

Além destas cidades, os outros centros urbanos mais importantes são: Barcelona (Catalunha), Porto (Portugal), Valência (Comunidade Valenciana), Bilbau (País Basco), Coimbra (Portugal), Sevilha (Andaluzia), Braga (Portugal), Faro (Portugal), e Saragoça (Aragão).

Outras cidade importantes são: Leiria, Alicante, Évora, Santarém, Pamplona, Vigo, Setúbal, Corunha, Málaga, Aveiro, Badajoz, Andorra-a-Velha, Vila Nova de Gaia, Sintra, Cascais, Almada, Amadora, San Sebastian, Múrcia, Valhadolid, Granada, Córdoba, Santiago de Compostela, Cádis, Oviedo, Almeria e Tarragona.

Ainda a ter em consideração importantes pólos regionais como: Reus, Sabadell, Terrassa, Mataró, El Prat de Llobregat, Cartagena, Elche, Alcoi, Burgos, Salamanca, Figueira da Foz, Gijón, Caldas da Rainha, Santander, Logroño, Girona, Algeciras, Huelva, Guimarães, Vila Real, Viseu, Elvas, Beja, Guarda, Castelo Branco, Covilhã, Portalegre e Portimão.

Línguas oficiais

Linguistic map Southwestern Europe-en
Cronologia do desenvolvimento das línguas da Península Ibérica

Na Península Ibérica são faladas sete línguas oficiais:

Como segunda língua oficial encontram-se o galego e o basco, nas respetivas comunidades, e na Catalunha também é segunda língua oficial o aranês, falada principalmente no Vale de Aran.

Além destas existem algumas línguas não oficiais (asturo-leonês, aragonês e o romani), e algumas com dialetos importantes (por exemplo o andaluz).

Política

Os seguintes países ocupam a Península Ibérica:

Países/Territórios Área na Península Fração Descrição
Flag of Spain.svg Espanha 493 519 km² 85% ocupa a maior parte da Península.
Portugal Portugal 89 261 km² 15% ocupa a maior parte do oeste da Península.
 França 540 km² <1% Alta Cerdanha está localizada no lado sul dos Pirenéus entre a Espanha e a França, por isso tecnicamente está localizada na Península Ibérica.[nota 7]
 Andorra 468 km² <1% localizada ao nordeste da Península sendo rodeada pela Espanha e França
Gibraltar 7 km² <<1% um pequeno território ultramarino britânico localizado ao sul da Península.

Contenciosos territoriais na Península Ibérica

Existem atualmente dois contenciosos territoriais na Península:

Gibraltar é conquistada em 1462 pela Coroa de Castela, feito que continua a ser relembrado na sua bandeira atual representando o escudo castelhano. Em 1704 é tomada pelos britânicos no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola, sendo ratificada a possessão em 1713 mediante o Tratado de Utrecht que confirma a cessão do território para sempre, sem qualquer exceção ou impedimento.[50] O território é reclamado por Espanha, apesar da vontade contrária dos gibraltinos expressada em referendo por duas vezes (1967 e 2002).[51]

Olivença encontrava-se em posse portuguesa desde a ratificação do Tratado de Alcanizes em 1297. Foi cedida por Portugal a Espanha pelo Tratado de Badajoz assinado em 1801 como uma das condições para colocar fim à Guerra das Laranjas. Após a Guerra Peninsular, no Congresso de Viena, Espanha comprometeu-se com a restituição do território, o que até hoje não aconteceu, mantendo-se atualmente a Questão de Olivença. Desde há alguns anos que o governo de Portugal tem vindo a conceder a nacionalidade portuguesa aos oliventinos que a requerem.[52][53]

Ver também

Notas

  1. Tecnicamente, é o istmo que define o limite de uma península. No caso da Península Ibérica o istmo situa-se a norte dos Pirenéus, pelo que uma parte do território francês pertence geograficamente à Península Ibérica
  2. O dicionário "Tesoro de la Lengua Castellana" (1611), de Sebastián de Covarrubias Orozco, define Lisboa como "cidade famosa e popular em Espanha, cabeça do Reino de Portugal".
  3. O Tratado de Paz de 1668 indica na sua primeira página: "Tratado de pazes, entre os serenissimos e poderosissimos Principes D. Carlos II, Rey Catholico, e D. Afonso VI, Rey de Portugal, (...) sendo mediator o serenissimo, e poderosissimo Principe Carlos II, Rey da Gram Bretanha. Já no corpo do Tratado refere D. Carlos II como "Rey Catholico das Espanhas, seus successores & seus Reynos".
  4. «Se han reunido las leyes fundamentales de la Monarquía separadas en los diferentes cuerpos de la Legislación de los Reynos de Castilla para hacer conocer cuál ha sido desde su origen la índole del Gobierno. Al cabo se viene a entender que este Gobierno era una Monarquía templada como lo era con caracteres más marcados la de los Reynos que componían la Corona de Aragón, y lo es todavía hoy la del Reyno de Navarra, que ha conservado su constitución propia; mas como esto es tan sabido de todos, no se ha tenido por conveniente agregar a esta reunión sus leyes y fueros particulares, además de que hubiera sido obra inmensa». Reunión de las leyes fundamentales de la Monarquía Española clasificadas por el método que prescribe la Instrucción formada por la Comisión de Cortes para arreglar y dirigir los trabajos de la Junta de Legislación en los párrafos 7.o y 9.o», apud Tomás y Valiente, Génesis, pp. 113- 118
  5. Indica o decreto: "el Estado español, al celebrar el IV Centenario del Descubrimiento, manifestaba de modo explícito su propósito de instituir como Fiesta Nacional el aniversario del día en que las carabelas de Palos de Moguer arribaron a las costas de Guanahaní, con el pendón de Castilla en la proa, y en la vela del trinquete, la Cruz. Con los años, este sentimiento se difundió por toda la anchura de las tierras hispánicas. (...) La Comunidad hispánica de naciones que convive fraternalmente en la Península y en el Nuevo Continente con la comunidad Luso-Brasileña tiene el ineludible deber de interpretar la Hispanidad como un sistema de principios y de normas destinado a la mejor defensa de la civilización cristiana y al ordenamiento de la vida internacional en servicio de la paz."
  6. O ideário da Monarquia Católica como única Coroa de toda a Península Ibérica iniciou-se, de facto, com Filipe II e I de Portugal, rei de "todas as Espanhas" (derivado do nome em latim Hispania), ou seja, de todos os reinos da Península Ibérica.
  7. por exemplo, o rio Segre, que corre para o oeste e depois para o sul até desaguar no rio Ebro, tem sua nascente na França.

Referências

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Ligações externas

Al-Andalus

Al-Andalus ou al-Ândalus (em árabe: الأندلس; transl.: al-ʼAndalus; alåndɑlʋs) foi o nome dado à Península Ibérica (com a Septimânia) no século VIII, a partir do domínio do Califado Omíada, tendo o nome sido utilizado para se referir à Península independentemente do território politicamente controlado pelas forças islâmicas. Contudo, hoje utiliza-se o termo para referir os territórios que se diferenciam dos reinos cristãos.

Al-Andalus foi o único território europeu continental a participar na Idade de Ouro Islâmica, passando por vários períodos políticos. Era inicialmente um emirado integrado na província norte-africana do Califado Omíada, tendo sido também Califado de Córdova, diversas Taifas, província Almorávida, Califado Almóada e na sua última fase Reino Nasrida de Granada.

A região ocidental da Península era denominada Gharb al-Andalus ("o ocidente do al-Andalus") e incluía o atual território português. De uma maneira geral, o Gharb al-Andalus foi uma região periférica em relação à vida econômica, social e cultural de Córdova e Granada.

Bárbaros

Bárbaro é um termo utilizado para se referir a uma pessoa tida como não-civilizada. A palavra é frequentemente utilizada para se referir a um membro de uma determinada nação ou grupo étnico, geralmente uma sociedade tribal, vista por integrantes de uma civilização urbana como inferiores, ou admirados como nobres selvagens. De maneira idiomática ou figurativa, o termo também pode se referir individualmente a uma pessoa bruta, cruel, belicosa e insensível.O termo se originou da palavra βάρβαρος (barbaros), do grego; os gregos antigos tinham uma expressão, "πας μη Ελλην βαρβαρος", que significa literalmente "quem não é grego é um bárbaro". Na Antiguidade, os gregos utilizavam-no para se referir aos povos do Império Aquemênida; em períodos posteriores, passaram a utilizá-lo para se referir aos turcos, de uma maneira claramente pejorativa. Conceitos semelhantes podem ser encontrados em diversas civilizações não-europeias. No Império Romano, os romanos utilizavam o termo para se referir aos povos germânicos, celtas, iberos, trácios e persas.

Conquista romana da Península Ibérica

A conquista romana da Península Ibérica iniciou-se no contexto da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), quando as legiões romanas, sob o comando do cônsul Cneu Cornélio Cipião Calvo, para ali se movimentaram taticamente, a fim de atacar pela retaguarda os domínios de Cartago na região.

De facto, a influência cartaginesa na Península Ibérica permitia um expressivo reforço, tanto de suprimentos quanto de homens, a Cartago. A estratégia do senado romano visava, assim, enfraquecer as forças cartaginesas, afastando os seus exércitos da península Itálica.

A derrota dos cartagineses, no entanto, não garantiu a ocupação pacífica da Península. A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acesa pelos territórios mais prósperos, especialmente na região da atual Andaluzia.

Ao iniciar-se a fase imperial romana, a Pax Romana de Augusto também se fez sentir na Hispânia: com o fim das Guerras Cantábricas, a partir de 19 a.C., as legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos cântabros e ástures. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras e pacificava-se a região, de modo a que não constituísse ameaça para as populações do vale do rio Ebro e da chamada Meseta, já em plena romanização.

Emirado de Córdova

O Emirado de Córdova ([em árabe: أمير قرطبة; transl.: Imārat Qurṭuba) foi um emirado independente que existiu na Península Ibérica entre 756 e 929. Sua capital era Córdova.

Após a conquista pelos muçulmanos, entre 711 e 718, o território ibérico foi transformado em província do Califado Omíada, cuja sede era Damasco. Em 750, os omíadas caíram numa revolta e foram sucedidos pelos abássidas, que massacraram os membros da dinastia anterior. Um dos omíadas — Abderramão I — escapou do massacre e em 756 chegou a Alandalus (a Península Ibérica muçulmana). Após conquistar Córdova, Abderramão fundou o emirado e conseguiu a independência de Bagdade — sede do Califado Abássida — em 773.

O Emirado durou até 929, quando o emir Abderramão III se auto-proclamou califa, fundando o Califado de Córdova.

Guerras Púnicas

As Guerras Púnicas consistiram numa série de três conflitos que opuseram a República Romana e a República de Cartago, cidade-estado fenícia, no período entre 264 a.C. e 146 a.C.. Depois de um século de lutas, ao fim das Guerras Púnicas, Cartago foi totalmente destruída e Roma passou a dominar o mar Mediterrâneo.

O adjetivo "Púnico" deriva do nome dado aos cartagineses pelos romanos (Punici) (de Poenici, ou seja, fenícia)

Localizada no norte da África, por volta do século III a.C. Cartago dominava o comércio do Mediterrâneo. Os ricos comerciantes cartagineses possuíam diversas colônias na Sardenha, Córsega e a oeste da Sicília (ilhas ricas na produção de cereal

), no sul da Península Ibérica (onde exploravam minérios como a prata) e em toda costa setentrional da África.

Invasão muçulmana da Península Ibérica

A invasão islâmica da Península Ibérica, também referida como invasão muçulmana, conquista árabe ou expansão muçulmana, refere-se a uma série de deslocamentos militares e populacionais ocorridos a partir de 711 , e até 726, quando tropas islâmicas oriundas do Norte de África, sob o comando do general berbere Tárique, cruzaram o estreito de Gibraltar, penetraram na península Ibérica, e venceram Rodrigo, o último rei dos Visigodos da Hispânia, na batalha de Guadalete. Após a vitória, termina o Reino Visigótico.

Nos anos seguintes, os muçulmanos foram alargando as suas conquistas na Península, assenhoreando-se do território designado em língua árabe como Al-Andalus, que governaram por quase oitocentos anos.

A conquista Omíada da Hispânia foi a expansão inicial do Califado Omíada sobre a Hispânia, estendendo-se em grande parte de 711 a 788. A conquista resultou na destruição do Reino visigótico e no estabelecimento do Emirado independente de Córdoba Abd ar-Rahman I, que completou a unificação da Iberia governada por muçulmanos, ou Al-Andalus (711 – 1492). A conquista marca a expansão ocidental tanto do Califado Omíada como do governo muçulmano na Europa.

Invasões bárbaras da Península Ibérica

Dá-se o nome de invasões bárbaras à série de migrações de vários povos distintos, exteriores ao Império Romano, para a Península Ibérica, que viriam a alterar radicalmente a organização da região até então denominada Hispânia sob o Império Romano.

O termo "bárbaro" deriva do latim “barbarus” e do grego “βάρβαρος” , palavras usadas por gregos e romanos para se referir ao estrangeiro cuja língua era incompreensível e cujos costumes consideravam diferentes. Com o tempo, este termo vai adquirir o sentido de selvagem, grosseiro, algo do qual é necessário se proteger. Esta concepção acirrará o antagonismo entre “civilizados” e "bárbaros", e os indivíduos às margens das fronteiras do Império Romano, vistos como inferiores, passarão a representar uma ameaça à integridade do Império.

Para alguns pesquisadores, como Maria Sonsoles Guerras e Jacques Le Goff, estes movimentos migratórios ocorridos entre os anos de 300 e 800 teriam marcado a passagem da Antiguidade para a Idade Média na Península Ibérica, porém, há grupos de estudiosos que afirmam que esta mudança só viria a ocorrer, de fato, com a tomada de Roma por Alarico I em 410, e há ainda outros que atribuem esta passagem de eras ao início da Dinastia Carolíngia, em 751.

Línguas ibero-românicas

As línguas latinas da Península Ibérica, ou línguas ibero-românicas, são o português, o galego, o espanhol, o asturo-leonês e o aragonés. Alguns linguistas incluem o catalão dentro do grupo ibero-românico, mas a inclusão deste último é problemática.

Mouros

Mouros, mauritanos, mauros ou sarracenos são considerados, originalmente, os povos oriundos do Norte de África, praticantes do Islão, nomeadamente Marrocos, Argélia, Mauritânia e Saara Ocidental, invasores da região da Península Ibérica, Sicília, Malta e parte de França, durante a Idade Média. Estes povos consistiam fundamentalmente nos grupos étnicos berberes e árabes, que constituem o âmago de etnicidade da África setentrional. O período da Reconquista marca a expulsão destes povos da Península Ibérica, consubstanciando-se também numa cruzada histórica entre a religião dos mouros, o islão, e a religião dos povos da Península Ibérica, o catolicismo.

Nota-se que a maior parte dos mouros da Península Ibérica eram descendentes de ibéricos convertidos ao islamismo. Portanto, não havia significativa diferença fenótipa entre mouros e cristãos da Ibéria.

Península

Península (do latim pæne, quase e insula, ilha) é uma formação geológica consistindo de uma extensão de terra que se encontra cercada de água por quase todos os lados, com exceção da porção de terra que a liga com a região maior, designada por istmo. Por exemplo, diz-se Península Ibérica para designar a região constituída pela Espanha e por Portugal, ligada à Europa pelos Pirenéus. Também se pode dizer que uma península é um braço de terra que avança pelo mar, ligando-se ao resto do continente pelo istmo.

Perdiz-vermelha

A perdiz-vermelha ou perdiz-comum (Alectoris rufa) é uma ave cinegética da família Phasianidae (faisões), da ordem Galliformes, ou galináceos. A perdiz-vermelha ocupa habitats algo variados, incluindo searas. É uma ave gregária que vive em grupos.

Habita em toda a Península Ibérica, sobretudo a sul, e encontra-se no sul da França e no médio oriente.

É uma espécie muito caçada, principalmente na Península Ibérica.

Alectoris rufa rufa

Alectoris rufa hispanica

Alectoris rufa intercedens

Portugal Continental

Portugal Continental é a designação atribuída ao território continental português, situado na Península Ibérica. É uma das três NUTS 1 de Portugal.

A designação é usada para diferenciar o território continental (o Continente) dos arquipélagos atlânticos dos Açores e da Madeira (as ilhas ou regiões autónomas).

É a 85.ª subdivisão de um país mais populosa do mundo.

Portugal Continental compreende 278 dos 308 concelhos, 4 050 das 4 260 freguesias, 89 015 km² dos 92 145 km² do território nacional (96,6%), e 10 144 940 dos 10 637 713 habitantes que nele habitam (segundo os censos de 2011), ou seja, 95,1%.

Portugueses

Portugueses são um povo e grupo étnico da Península Ibérica, no sudoeste da Europa. O português é a sua língua, e o catolicismo a religião nominalmente predominante.

Geneticamente, os dados apontam para uma fraca diferenciação interna dos portugueses, cuja base é essencialmente continental europeia de origem paleolítica. A base genética da população do território português mantém-se aproximadamente a mesma nos últimos quarenta milénios, apesar da presença de inúmeros povos no território português que também contribuíram para o património genético dos seus habitantes.

Culturalmente, as presenças celta, romana, germânica e moura foram significativas, tal como foram decisivas a vizinhança e as relações com os restantes países europeus e as relações coloniais com África, o Brasil e o Índico a partir dos séculos XV e XVI (ver Cultura de Portugal).

No período moderno, os processos migratórios mais relevantes em Portugal deram-se nas últimas três décadas do século XX e até ao presente, com a notável exceção da entrada de grupos ciganos ainda no século XV. Após 1974, o país torna-se um recetor significativo de populações migrantes, quer como resultado direto ou indireto da descolonização de África, quer como resultado da participação de Portugal na União Europeia. Portugal tem vindo a receber em número crescente populações migrantes oriundas do Brasil (ex-colónia portuguesa), África (com maior relevância das ex-colónias), Ucrânia (e países do Leste Europeu em geral), além duma multiplicidade demograficamente menos significativa doutras origens, entre as quais avoluma a chinesa.

Portugal foi tradicionalmente uma terra de emigração, desde o período da expansão imperial e colonial, passando, por exemplo, pela emigração económica para o Brasil no século XIX e pela emigração económica, a partir de 1960, para alguns países da Europa Ocidental. Além dos cerca de dez milhões de portugueses residentes em Portugal, estima-se existirem cerca de cinco milhões mais espalhados pelo mundo (incluindo os lusodescendentes recentes) num total de cerca de quinze milhões de portugueses.

Pré-história da Península Ibérica

A pré-história da Península Ibérica iniciou-se com a chegada dos primeiros hominídeos à Península há cerca de 1,2 milhões de anos e durou até o início das guerras Púnicas, quando o território entrou no domínio da história escrita. Neste período alguns dos marcos notáveis são:

Ter sido o último reduto do homem de Neandertal antes da sua extinção;[carece de fontes?]

Registar alguns dos mais impressionantes exemplos de arte paleolítica a par da França;

Acolher as mais antigas civilizações da Europa ocidental [carece de fontes?], sendo um apetecível território a que afluíram vários povos, pela posição estratégica e as muitas riquezas minerais.

No estudo da pré-história existe o problema fundamental que dificulta sua investigação: estabelecer a cronologia exata, principalmente das datas referentes aos primeiros habitantes, sua procedência, relação étnica com os diferentes tipos pré-históricos e sua localização.

Reconquista

Reconquista é o processo histórico em que os reinos cristãos da Península Ibérica procuraram dominar a região durante o período do Alandalus. Este processo decorreu entre 718 ou 722 (data provável da Batalha de Covadonga, liderada por Pelágio das Astúrias) e 1492, com a conquista do Reino de Granada pelos reinos cristãos. O controlo progressivo da península ganhou destaque por ter possibilitado a fundação de novos reinos cristãos como o Reino de Portugal e o Reino de Castela, precursores de Portugal e de Espanha.

Houve resistência em várias partes da Península e os muçulmanos não conseguiram ocupar o norte da península Ibérica, onde resistiram muitos refugiados cristãos; aí surgiria Pelágio, que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido. Houve avanços e retrocessos. Portugal quase terminou sua Reconquista em 1187, mas o sul foi invadido pelo Califado Almóada do Norte da África ou no século X devido as constantes invasões islâmicas e entre outros, a desunião ibérica favoreceu bastante os muçulmanos.

Os reinos ibéricos eram monarquias feudais, era eficiente para combater incursões muçulmanas e razias mas dificultava o processo de Reconquista devido a desunião dinástica e as guerras feudais. A ocupação das terras conquistadas fazia-se com um cerimonial: cum cornu et albende de rege, isto é, com o toque das trombetas e o estandarte desfraldado.

A ideia de guerra santa, pela cruz cristã, só veio a surgir na época das Cruzadas (1096) e já em 1085, os reinos cristãos já haviam reconquistado mais da metade da Península Ibérica. A reconquista de todo o território peninsular durou cerca de cinco séculos, só ficando concluída em 1491 com a tomada do reino muçulmano de Granada pelos reis Católicos.

Em Portugal, a reconquista terminou antes com a conquista definitiva da cidade de Faro pelas forças de D. Afonso III, em 1249, o extremo sul do país estava completamente despovoado, a população encontrava-se no centro-norte até ao sul de Évora e Santiago do Cacém. O Algarve foi repovoado na segunda metade do século XIII.

Reino de Navarra

O Reino de Navarra foi um dos reinos medievais da Europa, com território no norte da Península Ibérica e nos Pirenéus ocidentais. O seu território foi diminuindo paulatinamente na fase final, a Navarra peninsular (conhecida como Alta Navarra), foi invadida por Fernando, o Católico, com o apoio de uma das duas facções locais da nobreza, e anexada à Coroa de Castela, evoluindo com outros reinos da Península Ibérica no Reino de Espanha, e conservando instituições próprias até 1841, enquanto que a Navarra continental (Baixa Navarra), coexistiu com a coroa francesa e terminou dissolvendo-se na República Francesa aquando da Revolução Francesa.

Navarra foi um dos núcleos de montanha da resistência cristã que se formaram no norte, frente ao domínio islâmico da Península Ibérica, tal como sucedeu com o Reino de Aragão e a Catalunha, também pirenaicos, e as Astúrias e Cantábria na Cordilheira Cantábrica.

Inicialmente foi também conhecido como Reino dos Pamploneses, Reino de Pamplona e Reino de Pamplona-Nájera em referência à importância da cidade riojana. Actualmente, o seu território histórico está dividido entre a Comunidade Foral de Navarra, que forma parte de Espanha, e o departamento de Pirenéus-Atlânticos, em França, a que pertence o território da antiga Baixa Navarra. Na época da maior expansão territorial deste reino, durante a Idade Média, abarcou territórios atlânticos e expandiu-se para além do rio Ebro, até zonas situadas nas actuais comunidades autónomas de Aragão, Cantábria, Castela e Leão, La Rioja, País Basco e as regiões administrativas francesas de Aquitânia e Midi-Pirenéus, nas antigas províncias de Gasconha e Occitânia. As capitais bascas de Vitória e San Sebastián foram fundadas pelo rei navarro Sancho VI, o Sábio.

Tabela cronológica dos reinos da Península Ibérica

Esta tabela cronológica dos reinos da Península Ibérica é meramente orientativa. Faltam sobretudo os governantes portugueses, árabes e muçulmanos desde 711 até 1492

Embora a configuração geográfica da Espanha moderna tenha-se delineado no final da Reconquista, e a unificação dos distintos reinos cristãos sob uma coroa comum, os mesmos que viriam a conformar-se após a invasão árabe de 711, a história e cronologia dos reinos que se criaram após a queda do Império Romano do Ocidente e invasões bárbaras dos distintos povos germânicos podem datar-se a partir do ano 400.

Visigodos

Os visigodos foram um de dois ramos em que se dividiram os godos, um povo germânico originário do leste europeu, sendo o outro os ostrogodos. Ambos pontuaram entre os bárbaros que penetraram o Império Romano tardio no período das migrações. Após a queda do Império Romano do Ocidente, os visigodos tiveram um papel importante na Europa nos 250 anos que se seguiram, particularmente na Península Ibérica, onde substituíram o domínio romano na Hispânia, reinando de 418 até 711, data da invasão muçulmana.

Alguns autores defendem a origem do nome "visigodo" na palavra Visi ou Wesa ("bom") e do nome Ostro, de astra (resplandescente). Mas a opinião mais consagrada considera a origem da palavra na denominação de "godos do oeste", do alemão "Westgoten", "Wisigoten" ou "Terwingen", por comparação com os ostrogodos ou "godos do leste" — em alemão "Greutungen", "Ostrogoten" ou "Ostgoten".Os vestígios visigóticos em Portugal e Espanha incluem várias igrejas e descobertas arqueológicas crescentes, mas destaca-se também a notável quantidade de nomes próprios e apelidos que deixaram nestas e noutras línguas românicas. Os visigodos foram o único povo a fundar cidades na Europa ocidental após a queda do Império Romano e antes do pontuar dos carolíngios. Contudo o maior legado dos visigodos foi o direito visigótico, com o Código Visigótico, código legal que formou a base da legislação usada na generalidade da Ibéria cristã medieval durante séculos após o seu reinado, até ao século XV, já no fim da Idade Média.

Noutras línguas

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