Palestina Salutar

Palestina Salutar, também chamada de Palestina III ou Palestina Tércia,[1][2] foi uma província bizantina que abrangia a região do deserto de Negueve (Edom), a península do Sinai (com exceção da costa ocidental) e o sudeste do território transjordânico ao sul do Mar Morto. Ela era parte da Diocese do Oriente da Prefeitura pretoriana do Oriente e foi separada da Arábia Pétrea no século VI e existiu até a conquista muçulmana na década de 630.

Provincia Palæstina III Salutaris
Província da Palestina Salutar
Província do(a) Império Bizantino
 
390636

Dioecesis Orientis 400 AD-pt

Palestina II num mapa da Diocese do Oriente c. 400
Capital Petra

Período Antiguidade Tardia
390 Divisão da Arábia Pétrea
614-628 Ocupação persa e Revolta judaica
636 Conquista muçulmana da Síria

Contexto

Em 105, os territórios a leste de Damasco e ao sul do Mar Vermelho foram conquistados do Reino Nabateu e organizados na nova província da Arábia, com capitais em Petra e Bostra (norte e sul). A nova província foi aumentada por Sétimo Severo em 195 e, acredita-se, dividida em duas novas: Arábia Menor ou Pétrea e Arábia Maior, ambas sujeitas aos legados imperiais chamados canadianos, cada um comandando uma legião.

Porém, Petra entrou em rápido declínio no final do período romano, principalmente por causa da revisão das rotas comerciais marítimas. Em 363, um terremoto destruiu muitos edifícios e danificou profundamente o sistema de fornecimento de água.[3]

O domínio bizantino no século IV introduziu o cristianismo à população[4] e cidades agrícolas foram fundadas, o que provocou um grande aumento populacional.[4] Desde o século III, os nabateus haviam deixado de escrever utilizando o aramaico e passaram a utilizar o grego e, com a chegada dos bizantinos, foram cristianizados.[5]

História

Relações comerciais existiam entre as cidades da Palestina Salutar e as tribos árabes do Hejaz (Arábia Maior), particularmente com as cidades mais meridionais de Petra e Gaza. Maomé, seu pai, Abdalá, e seu avô, Haxim (que morreu em Gaza), viajaram pelas rotas comerciais da região no século VI.[6]

Os invasores muçulmanos encontraram os nabateus remanescentes na Transjordânia e no Negueve transformados em camponeses. Suas terras haviam sido divididas entre os novos reinos tribais árabes catanitas dos gassânidas, vassalos dos bizantinos, e dos himiaritas, vassalos do Reino de Quinda, do norte da Arábia. Todos foram incorporados à nova província de Bilade Alxam do Califado Ortodoxo.

Sés episcopais

As sés episcopais da província e que aparecem no Anuário Pontifício como sés titulares são[7]:

  • Aila (Aqaba)
  • Arad
  • Areópolis (Rabba)
  • Arindela
  • Augustópolis na Palestina
  • Bacatha na Palaestina
  • Carac-Moba (Al Karak)
  • Elusa (Haluza)
  • Iotapa na Palaestina (Ilha de Et-Titan)
  • Pharan (Uâdi-Feiran)

Ver também

Referências

  1. Mariam Shahin. Palestine: A Guide: P8. (2005) Interlink Books. ISBN 156656557
  2. «Roman Arabia». Encyclopædia Britannica. Consultado em 11 de agosto de 2007
  3. Glueck, Grace (17 de outubro de 2003). «ART REVIEW; Rose-Red City Carved From the Rock». The New York Times. Consultado em 22 de maio de 2010
  4. a b Mariam Shahin. Palestine: A Guide: P459 (2005) Interlink Books. ISBN 156656557
  5. Rimon, Ofra. «The Nabateans in the Negev». Hecht Museum. Consultado em 7 de fevereiro de 2011. Arquivado do original em 20 de novembro de 2018
  6. A History of Palestine, 634–1099, Moshe Gil, pp. 16–17
  7. Annuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013

Bibliografia

Arábia Pétrea

Arábia Pétrea (em latim: Arabia Petraea, Província Arábia (Provincia Arabia) ou simplesmente Arábia era uma província fronteiriça do Império Romano, incorporada no início do século II.

Correspondia ao território do antigo Reino Nabateu, o sul do Levante, a península do Sinai e o noroeste da península Arábica. Sua capital era Petra e era limitada, ao norte, pela Síria, a oeste, pela Judeia (que foi fundida na Síria em 135 para formar a Síria Palestina) e o Egito; ao sul e a leste, pela Arábia Deserta e pela Arábia Feliz.

A região foi anexada pelo imperador Trajano, como muitas outras províncias na fronteiras orientais, mas continuou depois que ele morreu, ao contrário da Armênia, Mesopotâmia e Assíria. A fronteira que ela defendia era conhecida como Fronteira da Arábia e a região se mostrou muito tranquila, sem produzir nenhum usurpador ou imperador (Filipe, embora fosse de fato árabe, nasceu em Chaba, uma cidade síria anexada à província da Arábia em algum momento entre 193 e 225 - ele nasceu em 204). Como província de fronteira, ela incluía um deserto ocupado pelos sarracenos, um povo nômade, e estava ao lado da região interior do Império Parta.

Embora sujeita a eventuais ataques e dificuldades provocadas pelos raides partas e palmirenses, a situação ali não se compara com as frequentes invasões enfrentadas por outras províncias de fronteira romanas, como as da Germânia e do norte da África, e nem uma presença cultural profundamente enraizada, fator determinante em diversas outras províncias orientais mais helenizadas.

Conquista muçulmana da Síria

A conquista muçulmana da Síria refere-se à invasão por parte dos exércitos dos seguidores de Maomé da região conhecida como Bilade Alxam, Levante ou Grande Síria, então parte do Império Bizantino, ocorrida na primeira metade do século VII. As primeiras tropas árabes muçulmanas chegaram às fronteiras do sul da região ainda antes da morte do Profeta em 632, resultando na batalha de Mu'tah em 629, mas a verdadeira invasão começou em 634 durante os governos dos califas ortodoxos Abu Baquir e Omar, com Calide ibne Ualide como o mais importante comandante militar.

Diocese do Oriente

A Diocese do Oriente ou Diocese do Leste foi uma diocese do Império Romano Tardio que incorporava as províncias do Oriente Médio Ocidental, entre o mar Mediterrâneo e a Mesopotâmia. Durante a Antiguidade Tardia, foi uma das principais áreas comerciais, agrícolas, religiosas e intelectuais do império, e sua localização estratégica frente o Império Sassânida e as indisciplinadas tribos do deserto deu importância militar excepcional. Sua capital foi Antioquia, e seu governador tinha o título especial de conde do Oriente (em latim: comes Orientis , da classe homem espetacular (vir spectabilis) e mais tarde homem glorioso (vir gloriosus)) ao invés do ordinário vigário. A diocese foi criada após as reformas de Diocleciano (r. 284–305) e foi subordinada à Prefeitura pretoriana do Oriente.A diocese incluía originalmente todas as províncias do Médio Oriente do império: Isáuria, Cilícia, Chipre, Eufratense, Mesopotâmia, Osroena, Síria, Celessíria, Fenícia, Palestina Prima, Palestina Secunda, Arábia e as províncias egípcias de Egito, Augustâmica, Tebaida, Líbia Superior e Líbia Inferior, que foram posteriormente destacadas e agrupadas na nova Diocese do Egito no reinado de Valente (r. 364–378). Durante o curso do século IV, várias províncias foram divididas, resultando nas novas províncias de Cilícia I e Cilícia II, Síria Prima e Síria Salutar, Fenícia Prima e Fenícia Libanense (leste do Monte Líbano), Palestina I, Palestina II e Palestina Salutar (ou Palestina III). A última criação da nova província data do reinado do imperador Justiniano (r. 527–565), quando Teodória, a região em torno de Laodiceia, foi separada da Síria I (538). Por volta do mesmo período, Chipre foi separado e tornou-se parte de uma nova super província, o Questorado do exército.Em 535, como parte de suas reformas administrativas, Justiniano aboliu a diocese, e o conde do Oriente tornou-se o governador provincial da Síria I, enquanto manteve seu antigo título de homem espetacular e seu salário. A área inteira da antiga diocese ficou sob ocupação sassânida nos anos 610 e 620, durante a guerra bizantino-sassânida de 602-628. Logo após a vitória bizantino na guerra e a recuperação da região, foi novamente perdida, desta vez permanentemente, para os conquistadores muçulmanos: pelos anos 640, Cilícia formou a fronteira entre o Império Bizantino e o novo Califado Ortodoxo, enquanto o Chipre tornou-se um território disputado. Das antigas províncias da Diocese do Oriente, apenas Isáuria e partes das duas Cilícias permaneceram sob controle bizantino, agrupadas sob o novo Tema Anatólico.

Eauze

Eauze é uma atual freguesia (comuna) pertencente ao departamento de Gers, no sudoeste de França. A comuna tem 69,86 km² de área e em 2010 tinha 4 092 habitantes (densidade: 58,6 hab./km²).

Estrada Romana de Petra

A Estrada de Petra era a principal estrada da antiga cidade de Petra na Jordânia, construída pelos romanos no século I. A estrada é caracterizada pelos grandes portões que serviram de entrada para a cidade antiga. Tumbas grandes e ornamentadas construídas pelos nabateus deram lugar a igrejas cristãs construídas pelos bizantinos, que consideravam Petra a capital da província de Palestina Salutar. Durante essa evolução, enquanto os romanos governavam a cidade depois dos nabateus e antes dos bizantinos, a estrada romana de Petra foi construída. Isso serviu como a principal via de Petra, e portões ornamentados foram construídos, em estilo romano, para marcar a entrada da cidade. No entanto, a influência dos nabateus sobre o design e a estrutura da cidade não foi completamente eliminada por seus governantes subsequentes.

Jordânia

Jordânia (em árabe: الأردن‎‎; transl.: al-Urdunn), oficialmente o Reino Haxemita da Jordânia (em árabe: المملكة الأردنّيّة الهاشميّة; transl.: al-Mamlakah al-Urduniyah al-Hashimiyah), é um país do Sudoeste Asiático localizado na margem leste do rio Jordão. Faz fronteira com a Arábia Saudita ao leste e sul, Iraque ao nordeste, Síria ao norte, Israel e Palestina ao oeste e o mar Vermelho ao extremo sul. A Jordânia está estrategicamente localizada no cruzamento da Ásia, África e Europa. Sua capital e cidade mais populosa é Amã, que também é o centro econômico e cultural do país.A área da Jordânia atual é habitada por humanos desde o período Paleolítico. Três reinos estáveis surgiram ao final da Idade do Bronze: Amom, Moabe e Edom. Governantes posteriores incluíram o Reino Nabateu, o Império Romano e o Império Otomano. A partilha do Império Otomano ocorreu depois da Revolta Árabe durante a Primeira Guerra Mundial. O Emirado da Transjordânia foi estabelecido em 1921 pelo então emir Abdulá I e tornou-se um protetorado do Reino Unido. A Jordânia virou um estado independente em 1946 oficialmente conhecido como o Reino Haxemita da Transjordânia. O país conquistou a Cisjordânia na Guerra Árabe-Israelense de 1948 e o nome do estado foi alterado para Reino Haxemita da Jordânia no ano seguinte. A Jordânia foi um membro fundador da Liga Árabe e da Organização para a Cooperação Islâmica, além de um de apenas dois países a terem assinado um acordo de paz com Israel. Seu governo é uma monarquia constitucional, porém o rei mantém amplos poderes executivos e legislativos.A Jordânia é um país semi-árido quase sem litoral e relativamente pequeno com uma população de pouco mais de 9,5 milhões de pessoas. O sunismo é praticado por aproximadamente 92% dos habitantes, sendo a religião predominante. Há também uma minoria cristã. O país é considerado um dos lugares mais seguros do Oriente Médio, tendo conseguido evitar terrorismo e instabilidade duradouros. A Jordânia tem sido muito hospitaleira mesmo em meio ao tumulto de seus vizinhos, aceitando refugiados de praticamente todos os conflitos da região desde 1948, com estimativas dizendo que 2,1 milhões de refugiados palestinos e 1,4 milhões de sírios vivem no país. O reino também recebeu milhares de refugiados cristãos iraquianos que fugiram do Estado Islâmico. Apesar da Jordânia continuar a aceitar refugiados, o grande fluxo recente vindo da Síria colocou uma pressão considerável nos recursos e infraestrutura nacionais.A Jordânia é classificada como um país de "elevado desenvolvimento humano" com uma economia de "renda média alta". A economia jordaniana é atrativa para investimentos estrangeiros devido à mão de obra qualificada. O país é um grande destino turístico, especialmente para viajantes europeus. A falta de recursos naturais, grande fluxo de refugiados e tumulto regional afetaram o crescimento econômico.

Palestina (região)

Palestina (em árabe: فلسطين, translit. Filasṭīn; em hebraico: פלשתינה; em grego: Παλαιστίνη, transl. Palaistinē, e em latim: Palæstina), é a denominação histórica dada pelo Império Romano a partir de um nome hebraico bíblico, a uma região do Oriente Médio situada entre a costa oriental do Mediterrâneo e as atuais fronteiras ocidentais do Iraque e Arábia Saudita, hoje compondo os territórios da Jordânia e Israel, além do sul do Líbano e os territórios da Faixa de Gaza e Cisjordânia.

A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; outra a atual Jordânia e duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria de árabes palestinos, deveriam integrar um estado palestino a ser criado - de acordo com a lei internacional, bem como as determinações das Nações Unidas, o Reino Unido. Em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram conquistadas por Israel ao Egito e à Jordânia respetivamente, após a Guerra dos Seis Dias. E posteriormente Gaza em 2005 foi entregue à Autoridade Palestina, já a Cisjordânia (Judeia e Samaria) possui partes de territórios soberanos palestinos e parte de territórios com habitantes israelenses estabelecidos na conquista do território.

Há alguns anos, porções dispersas dessas duas áreas foram oferecidas por Israel e passaram a ser administradas pela Autoridade Palestina, mas, devido aos ataques violentos dos palestinos, esses territórios e sua população estão sob constante observação. A população palestina dispersa pelos países árabes em campos de refugiados, ou situados nos territórios de Gaza e Cisjordânia, é estimada em 5 milhões de pessoas.

Palestina Prima

Palestina Prima ou Palestina I foi uma província do Império Bizantino que durou de 390 até a década de 630 abrangendo as regiões da antiga Judeia, Samaria, o litoral e a Pereia, com capital em Cesareia. Ela foi perdida durante a Guerra bizantino-sassânida de 602-628 e foi transformada na Comunidade Judaico-Sassânida em 614, mas acabou sendo reanexada em 628 apenas para ser perdida novamente, desta vez de forma definitiva, durante a conquista muçulmana da Síria em 636.

Palestina Secunda

Palestina Secunda ou Palestina II foi uma província do Império Bizantino que durou de 390 até a década de 630. Ela compreendia, a grosso modo, a Galileia, o baixo vale de Jezreel, vale de Bete Seã, a região para leste da Galileia ao sul das colinas de Golã e a porção ocidental da antiga Decápole, com capital em Citópolis. Ela foi perdida durante a Guerra bizantino-sassânida de 602-628 e foi transformada na Comunidade Judaico-Sassânida em 614, mas acabou sendo reanexada em 628 apenas para ser perdida novamente, desta vez de forma definitiva, durante a conquista muçulmana da Síria em 636.

Prefeitura pretoriana do Oriente

A Prefeitura pretoriana do Oriente foi uma das quatro prefeituras pretorianas nas quais estava dividido o Império Romano na Antiguidade Tardia. Como ela abrangia a maior parte do Império Romano do Oriente e sua capital era Constantinopla, o prefeito pretoriano do oriente era a segunda pessoa mais poderosa no oriente, depois apenas do imperador, a quem ele servia como uma espécie de primeiro ministro.

Presidente (Roma Antiga)

Presidente ou protetor (em latim: Praeses; pl. praesides) é um antigo cargo político da Roma Antiga. Seu significado em latim é "[aquele] que está na frente de [algo], ou seja, à sua cabeça".

Províncias romanas tardias (séculos IV-VII)

Noutras línguas

This page is based on a Wikipedia article written by authors (here).
Text is available under the CC BY-SA 3.0 license; additional terms may apply.
Images, videos and audio are available under their respective licenses.