Otão

Marco Sálvio Otão (em latim Marcus Salvius Otho; Ferentino, 28 de abril de 32 d.C. — Bedríaco, 16 de abril de 69), foi imperador romano por cerca de três meses, de 15 de janeiro até o seu suicídio. Foi o segundo imperador do ano dos quatro imperadores.

Fora nomeado por Nero governador da Lusitânia em 58, permanecendo no cargo durante dez anos. Apoiou a ascensão de Galba ao trono, mas veio a promover o golpe de Estado que culminou no assassínio do idoso imperador. Teve de enfrentar a rebelião do exército de Vitélio, que derrotou as suas tropas na Primeira Batalha de Bedríaco. Perante a derrota, Otão cometeu suicídio.

Otão
Otão
Imperador Romano
Reinado 15 de janeiro de 69
a 16 de abril de 69
Predecessor Galba
Sucessor Vitélio
 
Esposa Popeia Sabina
Nome completo
Marco Sálvio Otão
Marco Otão César Augusto
Nascimento 28 de abril de 32
Ferento, Itália, Império Romano
Morte 16 de abril de 69 (36 anos)
Brescelo, Itália, Império Romano
Pai Lúcio Sálvio Otão
Mãe Terência Álbia

Família

Era filho de Lúcio Otão, cuja mãe era uma mulher pertencente ao patriciado e relacionada às famílias mais influentes da capital. O seu pai gozou do favor do imperador Tibério, ao qual se parecia muito fisicamente;[nota 1] desempenhou com rigidez diversos cargos dentro da administração imperial. Descendia de uma nobre e antiga família estabelecida em Ferentino, embora de origem etrusca. Os seus antepassados foram príncipes da Etrúria.

O seu avô, Marco Sálvio Otão, era um pretor que descendia de um cavaleiro romano e de uma mulher de origem humilde, provavelmente sem cidadania, que foi promovido ao ordem senatorial mercê da influência de Lívia.[1]

Ascensão ao trono

Apareceu pela primeira vez nos escritos dos historiadores clássicos quando entrou a fazer parte do círculo do imperador Nero, sendo qualificado como imprudente e extravagante.[2] Apesar disso, a amizade entre ambos quebrou-se quando a esposa Popeia Sabina foi conhecida por Nero numa ceia. A partir desse momento e após divorciarem-se, começou uma relação entre Nero e Popeia que terminaria com a morte dela. Antes de falecer, enviou o seu ex-marido para o exílio, ao que foi concedido por dez anos o governo da província da Lusitânia[nota 2] na qualidade de questor.[3]

Após dez anos de administração moderada, insólita nessa época, o destino ofereceu-lhe uma oportunidade de vingar-se de Nero. Galba, governador da Hispânia Tarraconense sublevou-se contra Nero em 68 d.C., tendo Otão como um dos seus fiéis adeptos; o ressentimento pelo trato recebido, bem como a ambição pessoal decidiram o governador da Lusitânia a unir-se ao seu vizinho; além disso, Galba não tinha descendência e estava numa idade muito avançada, pelo qual Otão aspirava a ser nomeado o seu sucessor.[4]

Embora a sua lealdade parecesse inquebrantável, Otão começou a negociar com a guarda pretoriana após a nomeação de Lúcio Calpúrnio Pisão Frúgio Liciano como sucessor do seu aliado. Apesar de ser o estado das suas finanças desesperado, encontrou dinheiro suficiente para comprar os serviços de todos os membros do corpo. Na manhã de 15 de janeiro, apenas cinco dias depois da adoção de Pisão, acudiu, como de costume, a apresentar os seus respeitos ao imperador. Após isso foi escoltado ao acampamento dos pretorianos, onde, após uns breves instantes de indecisão, foi aclamado imperator.[5]

Depois disso voltou para o Fórum com uma importante força e ali encontrou Galba, que, alarmado pelos rumores do ocorrido, dirigia-se através de uma confundida multidão para os quartéis dos pretorianos. A cohors que rondava pelo Palatino e que acompanhava o imperador, desertou. Indefensos, Galba, Pisão e outros homens foram brutalmente assassinados pela Guarda.[5] Após o término do breve combate, os senadores investiram Otão com o título de augusto, com o poder tribunício (tribunicia potestas) e com outras honras exclusivas do imperador. Otão devia o seu sucesso ao ódio que suscitava a figura de Galba entre os soldados como consequência da sua famosa recusa ao esbanjamento monetário. Os habitantes, também descontentes com tal gestão, concederam-lhe o seu apoio.

Imperador

Administração

Ao ascender ao trono, aceitou ou pareceu aceitar acrescentar o cognome de Nero ao seu nome, conferido pelos gritos da plebe, pois sua juventude e pelo seu aspecto efeminado lembrava-os de Nero, que era favorito dos mesmos.[6] As estátuas de Nero foram erguidas novamente, seus libertos e oficiais foram reinstalados (incluindo Esporo a quem Nero havia se casado e com quem Otão também tornou-se íntimo), e foram finalizados certos projetos urbanísticos impulsionados durante o seu reinado, como a Casa Dourada.[6] Paralelamente, para acalmar os receios dos cidadãos mais respeitáveis, foi anunciada uma administração liberal e moderada, além de uma clemência criteriosa para Mário Celso, cônsul designado e um adepto dedicado de Galba. Otão logo percebeu que era muito mais fácil derrubar um imperador do que governar como um: de acordo com Suetônio, Otão durante uma cerimónia religiosa logo após o sacrifício murmurava "O que tenho eu a ver com tocar as tubas?".[nota 3]

Guerra contra Vitélio

O novo imperador compreendeu a verdadeira dimensão da revolução na Germânia após ler a correspondência privada de Galba; ali tinham-se rebelado várias legiões no comando de Vitélio e avançavam para a Itália.[7] Após uma vã tentativa de reconciliação preparou-se para a batalha com uma força inesperada.[7] Das províncias que se declararam ao seu favor pouca ajuda podia aguardar, exceto as legiões que avançavam desde a Dalmácia, Panônia e Mésia. Com estas tropas formou uma força formidável e, com a sua armada tomou o controle dos mares italianos.

Otão enviou de imediato a sua frota a fim de assegurar Ligúria. A 14 de março iniciou um avanço à cabeça das suas tropas visando a evitar a entrada do seu adversário na Itália.[nota 4] Apesar disso, não chegou a horas e enviou parte do seu exército a guarnecer Placência. Estes soldados defenderam a cidade com sucesso frente ao sítio ao que a impôs Aulo Cecina Alieno; após o combate, os efetivos do comandante viteliano foram forçados a mudarem-se para Cremona. Apesar desta vitória na chamada Batalha de Locus Castrorum, o avanço de Fábio Valente mudou o curso do conflito.

Os legados de Vitélio resolveram travar uma batalha decisiva em Bedríaco. Paralelamente, o alto comando de Otão era totalmente dividido: os comandantes mais experientes estimavam que era preferível aguardar pelas tropas que vinham da Dalmácia; porém, o seu irmão, Lúcio Sálvio Otão Ticiano, e o prefeito pretoriano, Licínio Próculo, impulsionaram o seu líder a avançar de imediato, invalidando assim qualquer oposição. Pela sua vez, Otão permaneceu à frente de um considerável exército de reserva em Brixelo, território situado à beira do . Quando se tomou a decisão, as suas tropas já tinham cruzado o rio e acampado em Bedríaco, uma pequena povoação localizada nas imediações da Via Postúmia, situada por onde os soldados dálmatas assistiriam.[8]

Queda

Abandonando a sua vantajosa posição, as suas forças avançaram através da Via Postúmia em direção a Cremona. No seu caminho, encontraram as forças do seu adversário, que forçaram a travar batalha desde uma situação desvantajosa. Após uma debâcle militar, as suas forças marcharam até Calvatone. As forças de Vitélio perseguiram-nos, porém, foi alcançado um acordo pelo qual foi permitido o acesso das tropas de Vitélio ao acampamento de Otão.

Apesar de esta batalha não inclinar a balança do conflito para nenhuma direção, o efeito no acampamento de Brixelo após receber a informação relativa à batalha foi devastador. Otão estava ainda à frente de um exército formidável e as legiões procedentes da Dalmácia já atingiram Aquileia; assim mesmo, o moral dos soldados e oficiais deste destacamento era muito alto. Porém, é provável que o imperador optasse por aceitar o veredito de uma batalha provocada pela sua própria irreflexão. Num solene discurso despediu-se daqueles que se uniram a ele exclamando:

É muito mais justo falecer um por todos que todos por um.[9]

Após estas palavras retirou-se para a sua barraca de campanha a fim de descansar. Essa manhã decidiu suicidar-se cravando uma daga no coração; quando os seus assistentes entraram nos seus aposentos já tinha falecido. Após a sua morte, colocaram as suas cinzas num simples mausoléu. Um simples túmulo foi erguido na sua honra em Brixelo; em cima do monumento havia uma inscrição que rezava:

Diis Manibus Marci Othonis.

Muitos historiadores defenderam a teoria de o suicídio de Otão ter como objetivo evitar o conflito fratricida.

Otão regira o império por apenas três meses, porém, demonstrara muita mais sabedoria durante o desempenho deste cargo do que o esperado.

Aparência

O historiador Suetônio descreve-o assim:

O físico e as maneiras de Otão não correspondiam a tanto valor. É dito que era pequeno, que tinha os pés malfeitos e torcidas as pernas. Era cuidadoso do seu traje, quase tanto como uma mulher; mandou depilar todo o corpo, e levava na cabeça, quase calva, cabelos postiços, fixados e arranjados com tanta arte que ninguém o notava. Afeitava-se diariamente com sumo cuidado e esfregava-se com pão molhado, costume que adquirira na puberdade, com objeto de não ter nunca barba.[10]

Ver também

Cônsul do Império Romano
Vexilloid of the Roman Empire.svg
Precedido por:
'Tibério Cácio Ascônio Sílio Itálico

com Públio Galério Trácalo
com Nero V (suf.)
com Caio Belício Natal (suf.)
com Públio Cornélio Cipião Asiático (suf.)

Galba II
69

com Tito Vínio
com Ano dos quatro imperadores

Sucedido por:
'Vespasiano II

com Tito I
com Caio Licínio Muciano II (suf.)
com Quinto Petílio Cereal Césio Rufo (suf.)
com Quinto Júlio Cordino (suf.)
com Lúcio Ânio Basso (suf.)
com Caio Lecânio Basso Cecina Peto (suf.)

Notas

  1. Surgiram em Roma rumores de que Lúcio Otão era descendente de Tibério.
  2. Território correspondente ao atual Portugal e à Estremadura espanhola.
  3. Ou seja, algo além de capacidade para fazê-lo. O sentido seria algo do tipo: "porque estou eu a fazer cerimónias religiosas enquanto minhas mãos estão manchadas de sangue (do sacrifício)?"[6]
  4. As fontes clássicas afirmam que este avanço se iniciou com numerosos augúrios adversos

Referências

  1. Suet., cap. I.
  2. Suet., cap. II.
  3. Suet., cap. III.
  4. Suet., cap IV.
  5. a b Suet., cap.VI.
  6. a b c Suet., cap. VII.
  7. a b Suet., cap. VIII.
  8. Suet., cap. IX.
  9. Cásio, cap. 13
  10. Suet., cap. XII.

Bibliografia

Fontes primárias

Fontes secundárias

Precedido por
Galba
Imperador romano
69
Sucedido por
Vitélio
Ano dos quatro imperadores

Na história romana, o ano dos quatro imperadores refere-se ao perído aproximado de um ano, entre 68 e 69 no qual quatro homens sucederam-se como imperadores romanos.

Em 68, após o suicídio do imperador Nero, seguiu-se um breve período de guerra civil (a primeira guerra civil romana desde a morte de Marco António em 31 a.C.). Entre junho de 68 e dezembro de 69, Roma testemunhou a ascensão e queda de Galba, Otão e Vitélio e a ascensão final de Vespasiano, fundador da dinastia flaviana. Este período de guerra civil tornou-se emblemático pelos distúrbios políticos cíclicos na história do Império Romano. O caos político e militar criado por esta guerra civil teve sérias implicações, como o rebentamento da Revolta dos Batavos.

Biblioteca Central Irmão José Otão

A Biblioteca Central Irmão José Otão é uma biblioteca universitária vinculada à Diretoria Acadêmico-Administrativa da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Continuada (PROGRAD) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Localizada no prédio 16 do Campus Central da Universidade, no bairro Partenon, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, a Biblioteca atende à comunidade universitária nos setores de ensino, pesquisa e extensão. O acervo é composto por materiais de múltiplas áreas do conhecimento, disponíveis para pesquisa através da ferramenta de busca OMNIS.

A Biblioteca da Escola de Medicina é uma extensão da Biblioteca Central, situada dentro do Hospital São Lucas da PUCRS.

Os serviços e os recursos oferecidos encontram-se detalhados em Serviços e Pesquisa no website da Biblioteca. A Biblioteca adota o programa COMUT, integrante do Centro Cooperante da Bireme e do LigDoc. Além disso, possui representante na Comissão de Documentação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Dinastia otoniana

A dinastia otoniana, ou Casa de Liudolfinga, foi uma dinastia de reis da Germânia que governou entre 919 e 1024. Recebeu esse nome devido ao nome do seu primeiro imperador (Otão I), mas também é conhecida como dinastia saxônica devido à origem da família. A própria família também é, às vezes, conhecida como os Liudolfingas, devido ao nome do seu membro mais antigo conhecido e um de seus principais líderes, Liudolfo. Os governantes otonianos também são consideradas como a primeira dinastia do Sacro Império Romano-Germânico e como sucessores da dinastia carolíngia e de Carlos Magno, que é normalmente visto como o fundador original de um novo Império Romano.

Galba

Sérvio Sulpício Galba (em latim: Servius Sulpicius Galba; Terracina, 24 de dezembro de 3 a.C. - Roma, 15 de janeiro de 69) foi imperador romano de 8 de junho de 68 até a sua morte. Foi o primeiro dos quatro imperadores do ano de 69, conhecido como ano dos quatro imperadores.

Teve uma brilhante carreira política, atingindo o consulado em 33, sendo posteriormente governador da Germânia e procônsul da África (45-60). Em 60 passou a governar a Tarraconense, onde iniciou a rebelião contra Nero incitado por Caio Júlio Víndice. Proclamado imperador, marchou sobre Roma com o apoio de Otão, obtendo o reconhecimento tanto do senado quanto dos pretorianos.

Contudo, logo perdeu os seus apoios devido à sua política de austeridade. Otão, desiludido por não ter sido nomeado como sucessor, organizou um complô contra o imperador. Após uns escassos sete meses de governo, Galba foi assassinado no Fórum, ficando o Império mergulhado na guerra civil.

Henrique II do Sacro Império Romano-Germânico

Henrique II (Bad Abbach, 6 de maio de 973 – Gotinga, 13 de julho de 1024), também chamado de Santo Henrique, foi o Imperador Romano-Germânico de 1014 até sua morte e o último monarca da dinastia otoniana. Ele tornou-se Duque da Baviera em 995 depois da morte de seu pai, foi eleito Rei da Germânia em 1002 depois da morte repentina de seu primo Otão III e mais tarde eleito Rei da Itália em 1004. Era filho de Henrique II, Duque da Baviera, e Gisela da Borgonha.

Lista de governantes da Baviera

Esta é uma lista de governantes durante a história da Baviera. A Baviera foi governada por vários duques e reis, dividida e reunificada, sob o controle de várias dinastias. Desde 1949, a Baviera é um estado democrático da República Federal da Alemanha.

Lista de imperadores do Sacro Império Romano-Germânico

O Imperador era o soberano do Sacro Império Romano-Germânico (962 - 1806), antecessor de diversos países, quase todos na Europa Central.

Considera-se que o título imperial passou dos romanos para o Reino Franco quando, em 800 d.C., o papa Leão III coroou o rei dos francos, Carlos Magno, imperador e este, por proteção à Igreja Católica, na qualidade de patrício dos romanos e por força de sua dignidade imperial, condenou os perseguidores do pontífice à morte, condenação que foi retirada por intervenção do próprio papa.

Após a divisão do Reino Franco em três partes pelo Tratado de Verdun em 843, o título ficou vinculado, em princípio, ao reino central lotaríngio, mas terminou por passar para o do leste quando Otão I, duque dos saxôes, rei franco oriental, foi coroado imperador em 962. A transferência do título foi justificada pela teoria política medieval de translatio imperii.

Os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico buscaram com muitos modos fazer-se aceitar pelos bizantinos como seus pares: com relações diplomáticas, matrimônios políticos ou ameaças. Algumas vezes porém não obtiveram os resultados esperados, porque de Constantinopla eram sempre chamados como "rei dos germanos", jamais de "imperador".

De início, o imperador se autointitulava Imperator Augustus, empregando títulos do antigo Império Romano. O título "Imperador Romano", bem como o nome do Sacro Império Romano, surgiu apenas nos séculos seguintes (e os historiadores acrescentam a qualificação "-Germânico" ao título e ao império, acusando o caráter predominantemente germânico da entidade política e do território que esta controlava).

O imperador era escolhido por um grupo de príncipes posteriormente conhecidos como príncipes-eleitores, mas, até a sua coroação pelo Papa em Roma, ostentava apenas o título de Rei dos Romanos (Rex Romanorum). Ao receber a coroa imperial, o imperador mantinha o título de rei (título este com funções dadas pelo direito feudal). A partir de 1508, dispensou-se a obrigação da coroação pelo papa para que o eleito pudesse envergar o título imperial (ou, formalmente, de "imperador-eleito").

O título de imperador tinha conotações religiosas, o que sugeria uma obrigação de proteger a Igreja Católica (o próprio Carlos Magno se arrogava a suprema chefia da Igreja, recebida com o título imperial). O imperador também era ordenado como sub-diácono, o que excluía não católicos e mulheres do trono. A relação precisa entre as funções temporal e religiosa do título nunca ficou muito clara e causou conflitos sérios entre os duques germânicos e o papa, como, por exemplo, na Questão das Investiduras no século XI.

A seleção do rei/imperador era influenciada por diversos fatores. Como o título era formalmente eletivo, a sucessão era apenas até um certo ponto hereditária, embora em geral ocorresse dentro de uma mesma dinastia até que se esgotassem os sucessores. O processo exigia que o candidato fizesse concessões aos eleitores, o que contribuía para o declínio do poder central (do imperador) em favor dos príncipes territoriais do império. O colégio dos eleitores foi fixado em sete membros pela Bula Dourada de 1356. Em 1623, durante a Guerra dos Trinta Anos, acrescentaram-se outros eleitores.

Após 1438, o título permaneceu nas mãos da Casa de Habsburgo, com a breve exceção de Carlos VII, da Casa de Wittelsbach. O título foi finalmente abolido em 1806.

Otto von Bismarck

Otto Eduard Leopold von Bismarck-Schönhausen, Príncipe de Bismarck, Duque de Lauenburg (Schönhausen, 1 de abril de 1815 — Aumühle, 30 de julho de 1898) foi um nobre, diplomata e político prussiano e uma personalidade internacional de destaque do século XIX.

Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele lançar as bases do Segundo Império, ou 2º Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecer pela primeira vez na sua história a existência de um Estado nacional único. Para formar a unidade alemã, Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força, assim como tomou firmes atitudes anticlericais contra a Igreja católica numa política que ficou conhecida por Kulturkampf (luta pela cultura).

Otão III do Sacro Império Romano-Germânico

Otão III (junho/julho de 980 – 23 de janeiro de 1002) foi o Imperador Romano-Germânico e Rei da Itália de 996 até sua morte, além de Rei da Germânia a partir de 983. Era filho do imperador Otão II e sua esposa Teofânia Escleraina.

Otão II do Sacro Império Romano-Germânico

Otão II (955 – 7 de dezembro de 983), apelidado de "o Vermelho", foi o Imperador Romano-Germânico de 973 até sua morte, além de Rei da Itália a partir de 980 e Rei da Germânia começando em 961. Era filho do imperador Otão I e Adelaide da Itália.

Otão IV do Sacro Império Romano-Germânico

Otão IV (Brunsvique, 1175 – Bad Harzburg, 19 de maio de 1218), também chamado de Otão de Brunsvique, foi o Imperador Romano-Germânico de 1209 até sua abdicação forçada em 1215, além de Rei dos Romanos, Rei de Arles e Rei da Itália. Era filho de Henrique, o Leão e Matilde da Inglaterra, tendo sido o único imperador da Casa de Guelfo. O reinado de Otão foi marcado por conflitos contra Filipe da Suábia e o papa Inocêncio III, que o excomungou em 1210.

Otão I do Sacro Império Romano-Germânico

Otão I (Wallhausen, 23 de novembro de 912 – Memleben, 7 de maio de 973), comumente chamado de Otão, o Grande, foi o primeiro Imperador Romano-Germânico de 962 até sua morte, além de Rei da Itália, Rei da Germânia e Duque da Saxônia. Era filho do rei Henrique I da Germânia e Matilde de Ringelheim.

Otão da Grécia

Otão (pt) ou Oto (pt-BR) da Grécia (Salzburgo, 1 de junho de 1815 – Bamberga, 26 de julho de 1867) foi o Rei da Grécia de 1832 até sua deposição em 1862. Filho do rei Luís I da Baviera, ele ascendeu ao recém criado trono grego enquanto ainda era menor de idade. Seu governo foi inicialmente administrado por um conselho regencial de três homens composto por oficiais bávaros. Otão retirou os regentes ao alcançar a maioridade quando eles ficaram impopulares com o povo, governando então como um monarca absoluto. Eventualmente as exigências de seus súditos foram grandes o bastante e Otão acabou assinando em 1843 uma constitução, tendo enfrentado uma insurreição armada mas pacífica. Entretanto, ele armou as eleições através de fraudes e terror.

Otão não conseguiu resolver a fraqueza econômica da Grécia durante seu reinado. As políticas gregas da época eram baseadas na aliança com as grandes potências, e a habilidade do rei de manter o apoio das potências foi importante para manter seu poder. Para se manter forte, Otão teve de jogar com os interesses de cada uma das potências e usá-los contra eles sem agravar a situação dos mesmos. Quando a Marinha Real Britânica bloqueou a Grécia em 1850 e em 1854 para impedir que estes atacassem o Império Otomano durante a Guerra da Crimeia, a opinião que os gregos tinham do rei piorou. Como resultado houve uma tentativa de assassinato da rainha e por fim, em 1862, Otão foi deposto quando estava no interior. Morreu no exílio na Baviera em 1867.

Papa Bento V

O Papa Bento V foi o 131º Papa. Sucedeu ao Papa João XII. Natural de Roma, foi escolhido em 22 de Maio de 964, durante a desordem do pontificado de João XII, para suceder a este. Foi exilado em Hamburgo, por Otão I, que forçou-o a renunciar em favor de Leão VIII, em 23 de Junho de 964. Com a morte do Papa Leão VIII, o imperador Otão I, sob pressão dos francos e romanos, reconheceu-lhe a investidura. Morreu em Hamburgo, antes de regressar a Roma com fama de santidade, a 4 de Julho de 965. Otão III mandou transladar seus restos mortais para a Cidade Eterna, onde jazem na Cripta Vaticana.[carece de fontes?]

Papa Bento VII

Bento VII (Roma (talvez em 930) - 10 de julho de 983), conde de Túsculo e bispo de Sutri, foi eleito em outubro de 974 como 136º papa. Sucedeu Bento VI que tinha sido assassinado numa revolta provocada por Crescentius I, um nobre romano, e que logo guindou ao trono Francone, que se intitulou "Bonifácio VII" – alguns especulam que ele esteve envolvido com o assassinato, pois era financiado pelo conde Crescentius e adversário de Otão II, imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Benedito VII foi escolhido por Otão II, tornando-se papa quando o conde Sicco, um representante de Otão vetou a eleição de Bonifácio, em 974, e numa operação militar expulsou-o de Roma.

O antipapa fugiu com alguns partidários para Constantinopla levando parte do tesouro papal. Na capital imperial, Bonifácio conseguiu o apoio de Basílio II Bulgaróctono, o imperador bizantino, que derrubou dois patriarcas por apoiarem Bento na disputa (Basílio I e Antônio III Estudita). Quatro anos mais tarde Bonifácio retornou usurpando o trono de Bento VII, que foi aprisionado no Castelo de Santo Ângelo e precisou novamente da ajuda de Otão para reassumir o trono papal.

Otão outorgou-lhe privilégios para a Mogúncia e Tréveris, nomeou um bispo para Praga e fechou o episcopado de Mersebourg. Combateu os abusos e a ignorância que reinavam na Itália e no mundo cristão e também firmemente a simonia, ou seja, o tráfico de objetos sagrados: sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos. Em 981 redigiu uma encíclica. Colaborou nas reformas da Igreja em conjunto com as ordens monásticas, fundou um monastério no Monte Aventino. O restante de seu pontificado até a sua morte em 983 foi pacífico. Enviou ajuda à Cartago, quando houve fome naquela cidade. Morreu em 10 de julho de 983, em Roma, e foi sucedido por João XIV (983-984), que era bispo de Pávia também apontado por Otão II.

Papa Gregório V

Gregório V, nascido Bruno da Caríntia, foi papa de 996 a 999. Governou a Igreja com energia, cercado de inúmeros inimigos.

Papa João XIII

O Papa João XIII exerceu o papado de 1 de outubro de 965 a 6 de setembro de 972, por exatos 6 anos, 11 meses e 5 dias. Nasceu em Roma. Foi imposto pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico e, por isso, não era bem aceite pelos romanos.[carece de fontes?]A data do seu nascimento é desconhecida. Depois da morte do Papa João XII, em 964, Grammaticus Benedictus foi eleito seu sucessor com o nome de Bento V. Mas o imperador Otão I trouxe de volta a Roma o antipapa Leão VIII, nomeado por ele em 963, depois de ter banido a Bento para Hamburgo. Leão morreu em março de 965, pelo que os romanos pediram a Otão que enviasse de volta a Bento. Mas Otão recusou e Bento morreu pouco depois, em julho de 965.Na presença dos enviados imperiais, João, Bispo de Narni, foi eleito papa e consagrado a 1 de Outubro de 965 como João XIII. Pertencia à família de Teodora, que pelo seu casamento com o senador e conde de Túsculo, Teofilato I, teve, além de Marózia, outra filha conhecida por Teodora, a Jovem, que se casou com o cônsul João. Este João entrou posteriormente na carreira eclesiástica e tornou-se bispo. Da união com Teodora teve duas filhas e três filhos, entre eles João que, ainda jovem, se tornou sacerdote e mais tarde bispo de Narni. Foi neste descendente da nobreza romana que caiu a escolha dos eleitores.Mas alguns nobres eram hostis ao novo papa, por ser o candidato imperial e, quando o papa tentou reprimi-los, eles contra-atacaram e, em dezembro de 965 conseguiram capturá-lo e aprisioná-lo, primeiro no Castelo de Santo Ângelo e depois numa fortaleza na Campânia. João, no entanto, conseguiu escapar e encontrou protecção no príncipe Pandulfo I de Cápua, príncipe de Benevento. Em Roma mantinha-se a oposição ao novo papa, mas quando, em 966, o imperador Otão realizou uma expedição a Itália, os romanos, aterrorizados, permitiram que João XIII regressa-se à cidade a 14 de novembro. O papa não perdeu tempo em castigar os conspiradores, alguns dos quais foram enforcados e os outros expulsos.João XIII aliou-se intimamente com o imperador. Em Abril de 967, viajou com Otão até Ravena, onde num sínodo, confirmou a elevação de Magdeburgo à dignidade metropolitana, resolveu várias disputas sobre os privilégios concedidos a igrejas e conventos e, restaurou Ravena como parte do território dos Estados Pontifícios. As relações entre João e o imperador continuaram cordiais e no dia de Natal de 967, João coroou Otão II, de treze anos, como imperador em conjunto com o seu pai. João também participou nas negociações para o casamento de Otão II com a princesa bizantina Teofânia Escleraina. O casamento teve lugar em Roma e foi abençoado pelo próprio papa a 14 de abril de 972.O papa João XIII trabalhou intensamente nos assuntos da Igreja. No início do seu pontificado elevou Cápua ao estatuto de metropolitana, em sinal de gratidão pela ajuda prestada pelo príncipe Pandulfo. Em 969 Benevento recebeu a mesma dignidade. Confirmou decretos de sínodos realizados em Inglaterra e França. Concedeu muitos privilégios a igrejas e conventos, principalmente da Ordem de Cluny e decidiu várias questões de direito eclesiástico de vários países que a ele apelaram.

Sacro Império Romano-Germânico

Sacro Império Romano-Germânico (em latim: Sacrum Imperium Romanum; em alemão: Heiliges Römisches Reich) foi um complexo de territórios multi-étnico localizado na Europa Central que se desenvolveu durante a Alta Idade Média e continuou até sua dissolução em 1806. O maior território do império depois de 962 foi o Reino da Alemanha, embora também incluísse o Reino da Boêmia, o Reino da Borgonha, o Reino Itálico e muitos outros territórios.Em 25 de dezembro de 800, o Papa Leão III coroou o rei franco Carlos Magno como imperador, revivendo o título na Europa Ocidental, mais de três séculos após a queda do Império Romano do Ocidente. O título continuou na dinastia carolíngia até 888 e de 896 a 899, após ser contestado pelos governantes da Itália em uma série de guerras civis até a morte do último requerente italiano, Berengário, em 924.

O título foi revivido em 962, quando Otão I foi coroado imperador, formando-se como o sucessor de Carlos Magno e dando início a uma existência contínua do império durante mais de 800 anos. Alguns historiadores referem-se à coroação de Carlos Magno como a origem do império em si, enquanto outros preferem a coroação de Otão I como seu início. Os estudiosos geralmente concordam, no entanto, em relacionar uma evolução das instituições e princípios que constituem o império, descrevendo uma assunção gradual do título e do papel imperial.O termo exato "Sacro Império Romano" não foi usado até o século XIII, mas o conceito de translatio imperii, a noção de que ele exerceu o poder supremo herdado dos imperadores romanos, foi fundamental para o prestígio do Imperador Romano-Germânico. O cargo de imperador romano sagrado era tradicionalmente eletivo, embora frequentemente controlado por dinastias. Os príncipes-eleitores alemães, os nobres mais altos do império, geralmente elegiam um dos seus pares como "Rei dos Romanos" e mais tarde ele seria coroado como "imperador" pelo Papa por meio da Romzug; a tradição das coroações papais foi interrompida no século XVI. O império nunca alcançou a extensão da unificação política formada na França, evoluindo, em vez disso, para uma monarquia eletiva descentralizada e limitada, composta por centenas de subunidades: principados, ducados, condados, cidades imperiais livres e outros domínios. O poder do imperador era limitado e, apesar dos vários príncipes, senhores, bispos e cidades do império serem vassalos que deviam a obediência ao imperador, eles possuíam também uma extensão de privilégios que lhes conferiam independência de facto em seus territórios. O imperador Francisco II terminou o império em 6 de agosto de 1806, após a criação da Confederação do Reno por Napoleão.

Vidas Paralelas

Vidas Paralelas (em grego: Βίοι Παράλληλοι, transcrito: Bioi paralleloi) é uma compilação de várias biografias de homens ilustres da Roma Antiga e da Grécia Antiga escritas por Plutarco.

A obra, tal como a conhecemos hoje em dia, tem 23 pares de biografias, contendo cada par a biografia de um homem ilustre grego e outro romano. O primeiro par conhecido, Epaminondas - Cipião, o Africano, foi perdido.

Contém ainda mais 4 biografias sem par: Artaxerxes, Arato, Otão e Galba.

O seu trabalho foi de elevada importância, não só pela informação sobre os homens da sua época, mas também pelos dados acerca do seu tempo.

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Árvore genealógica da dinastia júlio-claudiana
Legenda
descende
adoção
casamento 1, 2 ordem das esposas
MAIÚSCULO imperadores (ou ditador perpétuo, no caso de Júlio César)
Principado
(27 a.C.–235 d.C.)
Crise
(235–284)
Dominato
(284–395)

Noutras línguas

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