Operação Carvalho

Operação Carvalho (em alemão Unternehmen Eiche, em italiano Operazione Quercia) foi o nome de código da operação militar para resgate do ditador italiano Benito Mussolini por paraquedistas alemães em 12 de setembro de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial. A ação foi ordenada pessoalmente por Adolf Hitler, planejada pelo major Mors Harald, aprovada pelo general Kurt Student e comandada pelo SS-Obersturmbannführer (tenente-coronel) Otto Skorzeny.

Operação Carvalho
Parte da(o) Segunda Guerra Mundial
Bundesarchiv Bild 101I-567-1503A-07, Gran Sasso, Mussolini mit deutschen Fallschirmjägern

Mussolini sendo resgatado pelos pára-quedistas.
Data 12 de setembro de 1943
Local Hotel Campo Imperatore, Reino de Itália Itália, Gran Sasso, Apeninos
Desfecho
Status libertação de Benito Mussolini
Líderes e comandantes
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Otto Skorzeny
Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Kurt Student

História

Em 25 de julho de 1943, algumas semanas após a invasão Aliada da Sicília e o bombardeio de Roma, o Grande Conselho do Fascismo italiano votou pela deposição de Mussolini e sua substituição pelo marechal Pietro Badoglio.[1] Mussolini foi preso por ordens do rei Vitor Emanuel.[2]

Depois de sua prisão, ele foi conduzido e detido em vários lugares da Itália por seus captores. Por ordens de Hitler, que queria uma missão de resgate, e escolhido pessoalmente pelo Führer e por Ernst Kaltenbrunner, Otto Skorzeny passou a rastreá-lo. Interceptando uma mensagem italiana em código, Skorzeny conseguiu identificar o local de sua última detenção como o Hotel Campo Imperatore, numa estação de esqui nos Apeninos, no maciço de Gran Sasso, bem no interior dos Apeninos.

Comandada no solo pelo tenente conde Otto von Berlepsch, os alemães pousaram seus dez planadores DFS 230 nas montanhas próximas ao hotel e dominaram os guardas sem que um único tiro fosse disparado. Os carabinieri italianos de guarda receberam ordens de não dispararem de um general italiano, Fernando Soleti, que os alemães haviam trazido consigo.[3] Skorzeny atacou os operadores de rádio e cumprimentou Mussolini com a frase "Duce, o Führer me mandou aqui para libertá-lo" ao que o ditador respondeu "Eu sabia que meu amigo não ia me abandonar!".[4]

O Duce foi embarcado num pequeno monomotor Fieseler Fi 156 Storch STOL[5] junto com Skorzeny e levado para Viena, na Áustria, onde foi instalado no Hotel Imperial e teve uma recepção de herói.

O sucesso da operação proporcionou aos nazistas uma rara oportunidade de relações públicas e propaganda positiva naquela altura da guerra, especialmente para Hermann Goering, o comandante da Luftwaffe. Otto Skorzeny recebeu pessoalmente uma grande parte da publicidade, foi promovido a Sturmbannführer (tenente-coronel), e condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro. Sua fama a partir daí lhe fez ter na imprensa nazista também o título de "O homem mais perigoso da Europa" [6] e de "Herói de guerra ariano".[7]

Benito Mussolini criou o governo de um Estado-fantoche fascista na região da Itália ocupada pelos nazistas, a República Social Italiana, que durou até sua captura e morte em abril de 1945.[8]

Imagens

Bundesarchiv Bild 101I-567-1503A-07, Gran Sasso, Mussolini mit deutschen Fallschirmjägern

Benito Mussolini encaminha-se ao avião após a libertação

Bundesarchiv Bild 101I-567-1503C-05, Gran Sasso, Fieseler Fi 156 "Storch"

O Fieseler Fi 156 Storch pronto para decolar

Bundesarchiv Bild 101I-567-1503A-33, Gran Sasso, Fallschirmjäger vor startendem Flugzeug

Pára-quedistas alemães e, ao fundo, o pequeno avião com o qual Mussolini foi levado

Bundesarchiv Bild 101I-567-1503A-05, Gran Sasso, Hotel Campo Imperatore

O hotel Campo Imperatore, onde Mussolini era prisioneiro, fotografado pelos alemães no dia de sua libertação

Campo Imperatore Hotel

O hotel Campo Imperatore, em 2007

Referências

  1. Whittam, John (2005). Fascist Italy. [S.l.]: Manchester University Press. ISBN 0-7190-4004-3
  2. Annussek, Greg (2005). Hitler's Raid to Save Mussolini. [S.l.]: Da Capo Press. ISBN 978-0-306-81396-2
  3. Williamson, D. G., The age of the dictators: a study of the European dictatorships, 1918-53 ISBN 978-0-582-50580-3, p. 440, url [1]
  4. «Operation Eiche». World War II Database. Consultado em 1 de setembro de 2012
  5. «stamm Sx+xx». Luftwaffe Experten Message Board. Consultado em 22 de outubro de 2011. Arquivado do original em 10 de outubro de 2014
  6. «Otto Skorzeny - The Nazi Hero». auschwitz.dk. Consultado em 1 de setembro de 2012
  7. «Otto Skorzeny - Hitler's Scarface» (PDF). interspot.at. Consultado em 1 de setembro de 2012[ligação inativa]
  8. Palla, M. (2000) Mussolini and fascism, p. 137. ISBN 1-56656-340-2
12 de setembro

12 de setembro é o 255.º dia do ano no calendário gregoriano (256.º em anos bissextos). Faltam 110 para acabar o ano.

Benito Mussolini

Benito Amilcare Andrea Mussolini (Predappio, 29 de julho de 1883 — Mezzegra, 28 de abril de 1945) foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do fascismo.

Tornou-se o primeiro-ministro da Itália em 1922 e começou a usar o título Il Duce desde 1925. Após 1936, seu título oficial era "Sua Excelência Benito Mussolini, Chefe de Governo, Duce do Fascismo e Fundador do Império". Mussolini também criou e sustentou a patente militar suprema de Primeiro Marechal do Império, junto com o rei Vítor Emanuel III da Itália, quem deu-lhe o título, tendo controle supremo sobre as forças armadas da Itália. Mussolini permaneceu no poder até ser substituído em 1943; por um curto período, até a sua morte, ele foi o líder da República Social Italiana.

Mussolini foi um dos fundadores do fascismo, que incluía elementos de nacionalismo, corporativismo, sindicalismo nacional, expansionismo, progresso social e anticomunismo, combinado com a censura de subversivos e propaganda do Estado. Nos anos seguintes à criação da ideologia fascista, Mussolini conquistou a admiração de uma grande variedade de figuras políticas.Entre suas realizações nacionais de 1924 a 1939 destacam-se os seus programas de obras públicas como a drenagem das áreas pantanosas da região do Agro Pontino e o melhoramento das oportunidades de trabalho e transporte público. Mussolini também resolveu a Questão Romana ao concluir o Tratado de Latrão entre o Reino de Itália e a Santa Sé. Ele também é creditado por garantir o sucesso econômico nas colônias italianas e dependências comerciais. Embora inicialmente tenha favorecido o lado da França contra a Alemanha no início da década de 1930, Mussolini tornou-se uma das figuras principais das potências do Eixo e, em 10 de junho de 1940, inseriu a Itália na Segunda Guerra Mundial ao lado dos alemães. Três anos depois, foi deposto pelo Grande Conselho do Fascismo, motivado pela invasão aliada. Logo depois de preso, Mussolini foi resgatado da prisão no Gran Sasso por forças especiais alemãs.

Após seu resgate, Mussolini chefiou a República Social Italiana nas partes da Itália que não haviam sido ocupadas por forças aliadas. Ao final de abril de 1945, com a derrota total aparente, tentou fugir para a Suíça, porém, foi rapidamente capturado e sumariamente executado próximo ao lago de Como por guerrilheiros italianos. Seu corpo foi então trazido para Milão onde foi pendurado de cabeça para baixo em uma estação petrolífera para exibição pública e a confirmação de sua morte.

DFS 230

DFS 230 — foi um planador de assalto usado pela Luftwaffe durante a Segunda Guerra Mundial.

Sua função era transportar carga e soldados com segurança. Foi projetado por Hans Jacobs. Inspirou a criação do planador britânico Hotspur.

Além do piloto, o planador DFS-230 tinha espaço para mais nove homens que ficavam sentados juntos em um estreito banco localizado no meio da fuselagem (metade virada para bordo e a outra metade virada para estibordo). A entrada e a saída era realizada por uma única porta lateral. O passageiro da frente era o responsável por operar o armamento defensivo de uso manual, que era uma metralhadora 7,92 mm MG 15. Era fabricado como um planador de assalto projetado para pousar diretamente em cima de seu alvo, então ele também estava equipado com um freio de pára-quedas. Ele carregava uma carga de cerca de 1.200 kg.

Os pilotos do avião de reboque e do planador podiam comunicar entre si através de um cabo que se estendia pela corda de reboque, o que possibilitava o voo cego, sendo que durante o reboque a velocidade do DFS-230 era de aproximadamente 180 km / h.

Esteve presente em várias ações militares alemãs bem sucedidas: a invasão da Bélgica (tomada do forte Eben-Emael), a invasão de Creta, no norte da África e no resgate de Benito Mussolini (Operação Carvalho) liderada por Otto Skorzeny. Embora a produção tenha cessado em 1941, foi usado até o final da guerra, tendo como último papéis o fornecimento de cargas em Berlim e Breslau até maio de 1945.

Já nas fases finais da guerra foi testado como Mistel ( "avião bomba" ).

Fieseler Fi 156 Storch

Fieseler Fi 156 "Storch" - foi um avião de combate utilizado na Segunda Guerra Mundial pela Alemanha.

Por ser um avião "para ir a qualquer lugar", o Storch esteve em todas as zonas de combate, desde o Ártico e a Frente Oriental até o Deserto Ocidental.

Galeazzo Ciano

Gian Galeazzo Ciano (Livorno, 18 de março de 1903 — Verona, 11 de janeiro de 1944) foi um político italiano, 2.º Conde de Cortellazzo e Buccari, genro do ditador Benito Mussolini, ministro de Assuntos Exteriores da Itália, de 1936 a 1943.

Morte de Benito Mussolini

A morte de Benito Mussolini, o ditador fascista italiano aconteceu em 28 de abril de 1945, nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial na Europa, quando foi executado sumariamente por partisans anti-fascistas no vilarejo de Giulino di Mezzegra no Norte da Itália. A versão "oficial" dos eventos é que Mussolini foi alvejado por Walter Audisio, um partisan comunista que usava o nome de guerra de "Coronel Valerio". Entretanto, desde o fim da guerra, as circunstâncias da morte de Mussolini e a identidade do assassino fazem parte de constantes confusões, disputas e controvérsias na Itália.

Em 1940 Mussolini levou a Itália para a Segunda Guerra Mundial, lutando ao lado da Alemanha Nazista. Em 1945, foi reduzido a um líder de um estado fantoche alemão no norte da Itália, tendo confrontado o avanço dos Ingleses e americanos a partir do sul, e o crescente aumento nos conflitos internos com os partisans. Em abril de 1945, com os Franceses rompendo as últimas defesas alemãs no norte da Itália, e com o aumento nas revoltas tomando conta das cidades, a posição de Mussolini logo tornou-se insustentável. Em 25 de abril fugiu de Milão onde mantinha uma base e tentou escapar pela fronteira com a Suíça. Junto com sua amante Claretta Petacci, foram capturados em 27 de abril por partisans da região próximos ao vilarejo de Dongo no Lago Como. Mussolini e Petacci foram executados a tiros na tarde seguinte, dois dias antes do suicídio de Hitler.

Os corpos de Mussolini e Petacci foram levados para Milão onde ficaram expostos em uma praça, a Piazzale Loreto, para um multidão enfurecida que gritava insultos e atirava objetos nos corpos, que ficaram pendurados de cabeça para baixo em uma viga de metal. Mussolini foi enterrado em uma cova sem nome, porém em 1946 seu corpo foi desenterrado e roubado por apoiantes fascistas. Quatro meses mais tarde o corpo foi recuperado e mantido em um esconderijo pelos próximos onze anos. Em 1957, seus restos mortais foram disponibilizados para serem enterrados na cripta da família Mussolini na sua cidade-natal, Predappio. Seu mausoléu tornou-se um lugar de peregrinação para os simpatizantes de sua ideologia e o aniversário de sua morte é marcado por encontros de neofascistas .

Nos anos pós-guerra, a versão oficial da morte de Mussolini tem sido questionada na Itália (porém, no geral, não internacionalmente) onde se traça uma comparação com as teorias da conspiração do assassinato de John F. Kennedy. Jornalistas, políticos e historiadores duvidam da veracidade da versão de Audisio, levantando uma grande variedade de teorias e especulações sobre o modo que ocorreu a morte de Mussolini e quem é o responsável. Pelo menos doze pessoas em diferentes épocas assumiram a culpa do assassinato. Entre essas pessoas estão Luigi Longo e Sandro Pertini que se tornaram em seguida, Secretário Geral do Partido Comunista Italiano e Presidente da Itália, respectivamente. Diversos escritores também acreditam que a morte de Mussolini foi parte de uma missão das forças especiais britânica. O objetivo da missão seria recuperar acordos secretos e correspondências entre Winston Churchill e Mussolini. Entretanto a versão de Audisio permanece como a versão oficial e a mais credível de todas.

Otto Skorzeny

Otto Skorzeny (Viena, 12 de junho de 1908 - Madri, 6 de julho de 1975) foi um oficial da Schutzstaffel, especialista em operações especiais durante a Segunda Guerra Mundial. Era considerado pelos Aliados como "o homem mais perigoso da Europa". Tal fama era devida às várias operações de sabotagem, espionagem e resgate comandadas por ele, como a Operação Greif, durante a Batalha das Ardenas e a Operação Carvalho, a libertação de Benito Mussolini após a capitulação da Itália.

Potências do Eixo

As Potências do Eixo (em alemão: Achsenmächte, em italiano: Potenze dell'Asse, em japonês: 枢軸国 Sūjikukoku), também conhecidas como Aliança do Eixo, Nações do Eixo ou apenas Eixo, foram um dos beligerantes da Segunda Guerra Mundial. Seus inimigos eram as forças Aliadas. O Eixo dizia-se parte de um processo revolucionário que visava quebrar a hegemonia plutocrática-capitalista do ocidente e defender a civilização contra o comunismo.O Eixo surgiu no Pacto Anticomintern, um tratado anticomunista assinado pela Alemanha e Japão em 1936. A Itália aderiu ao pacto em 1937. O "Eixo Roma–Berlim" tornou-se uma aliança militar em 1939 com o Pacto de Aço e integrou seus objetivos militares em 1940, com o Pacto Tripartite.

O Eixo atingiu o seu auge durante a Segunda Guerra Mundial, ocupando grande parte da Europa, África, Ásia e ilhas do oceano Pacífico. A guerra terminou em 1945, com a derrota do Eixo e dissolução da aliança. Assim como no caso dos Aliados, a constituição do Eixo foi fluída durante a guerra, com nações lutando ou não lutando ao longo das batalhas.

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