Musteriense

Musteriense ou musteriana é uma cultura englobada dentro do Paleolítico Médio, na qual domina o homem-de-neandertal, com umas datas compreendidas entre 300 000 e 40 000 ap.

O seu nome procede do abrigo rochoso de Le Moustier (na região da Dordonha, França), onde Gabriel de Mortillet descobriu em 1860 uma indústria lítica pré-histórica, associada com os fósseis de Homo neanderthalensis encontrados em 1907.

As ferramentas musterienses eram feitas pelos neandertais em datas compreendidas entre 300 000 a.C. e 40 000 a.C., antes dos humanos modernos chegarem à Europa entre 70 000 a.C. e 32 000 a.C.

Ferramentas de pedra similares têm sido encontradas em toda a Europa sub-ártica e também no Oriente Médio e norte da África.

Deste período aparecem os primeiros rituais funerários, o canibalismo ritual, o culto ao urso das cavernas.

Le Moustier sup
Abrigo de Le Moustier.

Características

Núcleo Atapuerca TD11
Um utensílio de começos de Musteriense: núcleo de Sílex procedente do nível TD-11 da jazida da "Gran Dolina" em Atapuerca.

Aparecem as primeiras cabanas ao ar livre nos lugares de clima mais cálido, enquanto nos de um clima mais frio (ou nos momentos de clima frio) o homem refugia-se ao abrigo de cavernas.

Aparecem os primeiros enterramentos relacionados com três tipos de ritos basicamente:

Levallois Preferencial-Animation
Técnica do talhe Levallois.

A indústria lítica é realizada basicamente sobre lascas e caracterizada pelo uso da técnica Levallois, que permite obter utensílios mais especializados.

O método da técnica de talhe levallois consiste em obter uma ou várias lascas de certa forma predeterminada a partir de uma preparação particular do núcleo, em forma facetada. Produzem-se lascas de formas aproximadamente triangulares ou de tartaruga, das quais podem surgir, com retoques marginais, raspadeiras, ou com um retoque maior, pontas de projétil.

Utensílios

Indústria lítica destacada:

  • Pontas musterienses, feitas sobre lasca, triangulares robustas, ligeiramente curvadas na base (estilo "forma de sapato") e com retoques fortes nos bordos (tipo "escadiforme".
  • Fendedores, realizados sobre lasca, normalmente grande, que se caracteriza pelo seu gume transversal.
  • Facas de dorso, lascas ou lâminas largas, nas quais um gume foi trabalhado com retoque abrupto.
  • Denticulados, realizado sobre lasca, onde o gume está trabalhado com uma série de entalhes.
  • Raspadores, utensílios nos quais a parte ativa é constituída por uma frente moderadamente arredondada.
  • Perfuradores, têm uma ponta fina e acerada.
  • Raspadeiras, são instrumentos realizados sobre lasca ou sobre lâmina, por retoque contínuo.
  • Buris, têm na sua parte ativa um fio reto ou em bisel.

São característicos as ferramentas com cabos.

Classificação

O Musteriense acostuma dividir-se em vários grupos. A seguinte divisão sistematizada foi realizada por François Bordes, baseando-se nas indústrias que há em abrigos e cavernas do sudoeste francês e algumas dos loess e terraços do norte da França. Os tipos de musteriense estabelecidos são os seguintes:

  • Musteriense de tradição Acheulense, subdividido em tipos A e B:
    • Musteriense de tradição Acheulense tipo A, caracterizado pela existência de um determinado tipo de bifaces.
    • Musteriense de tradição Acheulense tipo B, caracterizado pelo grande desenvolvimento das "facas de dorso" e a persistência escassa de bifaces.
  • Musteriense típico, carece de subdivisões claras e caracteriza-se pelo baixo percentagem de "facas de dorso" e a ausência de bifaces.
  • Musteriense de tipo Quina-Ferrassie, divide-se em dois grupos:
    • O tipo Quina caracteriza-se pela prática ausência de técnica Levallois com lascas curtas.
    • O tipo Ferrassie caracteriza-se pela aparição da técnica Levallois em conjuntos onde há forte proporção de raspadeiras.
  • Musteriense de denticulados, há uma proporção muito elevada de denticulados e entalhes.
  • Basconense ou Musteriense de tipo Ola, isolado como um tipo regional pelo próprio Bordes, para explicar as indústrias com fendedores no País Basco Francês.

Expansão

Na Europa ocidental abundam os restos da cultura musteriense, cujo conhecimento aprofundou-se com os achados da Serra de Atapuerca. Na "Sima do Elefante" apareceram instrumentos líticos do tipo musteriense associados ao Homem-de-neandertal, com fósseis de cavalos e cervos; enquanto, na "gran Dolina" o nível TD10 assinala a transição entre o Acheulense e o Musteriense, há por volta de 350 000 anos. Mais em cima, nos níveis TD11 e TD12, com cerca de 300 000 anos de antiguidade, aparecem utensílios sobre lasca de tamanho pequeno e mediano, e núcleos de extrações centrípetas bastante padronizados. Do mesmo volume de pedra tirava-se maior quantidade de gume. Esta técnica é associada no restante da Europa aos Neandertalenses.

Encontraram-se em Navarra alguns utensílios na Serra de Urbasa, destacando-se os de Coscobilo, em Olazagutia, que apresenta com frequência o sílex em placas. Em Andaluzia apareceram restos na caverna de Carigüela. França amostra o maior número de vestígios musterienses. Na Itália registram-se vários achados e em Croácia, o de Krapina.

A prolongação para o oriente é clara: entre 1925 e 1932, no Monte Carmelo, Dorothy Garrod descobriu restos ósseos neandertaleses e modernos e abundante material cultural, incluídas peças musterienses, nas cavernas de Tabun, Wad e Skhul; outros achados musterienses produziram-se em Kiik Koba (Crimeia); na caverna de Shanidar da cordilheira de Zagros (Iraque) e em Teshik Tash, perto de Baisum (Uzbequistão).

Ver também

Bibliografia

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  • MAUREILLE, B. (2004) Les premières sépultures. Paris: Le Pommier.
Argélia

A Argélia (em árabe: الجزائر; transl.: al-Jazā’ir; em árabe argelino e tamazigue: الدزاير, transl.: Dzayer, الجازاير, transl.: Djazaïr ou لدزاير, transl.: Ldzayer; em tifinague: ⵍⵣⵣⴰⵢⴻⵔ, transl.: Lezzayer; em francês: Algérie, pronunciado: [al.ge.ʁi] (escutar )), oficialmente República Argelina Democrática e Popular, é um país da África do Norte que faz parte do Magrebe. Sua capital é Argel, no norte do país, sendo a cidade mais populosa na costa do Mediterrâneo. Com uma superfície de 2 381 741 km², é o maior país da bacia do Mediterrâneo e o mais extenso de todo continente africano, após a divisão entre o Sudão e o Sudão do Sul. Partilha suas fronteiras terrestres ao nordeste com a Tunísia, a leste com a Líbia, ao sul com o Níger e o Mali, a sudoeste com a Mauritânia e o território contestado do Saara Ocidental, e ao oeste com Marrocos.

A nação possui uma rica história, tendo conhecido muitos impérios e dinastias, incluindo os antigos númidas, fenícios, romanos, vândalos, bizantinos, omíadas, abássidas, idríssidas, aglábidas, rustamidas, fatímidas, ziridas, hamádidas, almorávidas, almóadas, otomanos e o império colonial francês. Berberes são geralmente considerados os primeiros habitantes da Argélia. Após a conquista árabe do Norte da África, a maioria dos habitantes nativos foram arabizados. Assim, embora a maioria dos argelinos são berberes na origem, se identificam na identidade árabe. No geral, argelinos são uma mistura de berberes com alguns elementos adicionais de árabes, turcos, africanos subsarianos e andaluzes (muçulmanos ibéricos emigraram após a Reconquista).

A Argélia é tida como uma potência regional e média. O país fornece grandes quantidades de gás natural para a Europa, e as exportações de energia são um dos principais contribuintes na economia argelina. De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), a Argélia tem a 17ª maior reserva de petróleo do mundo e a segunda maior da África, ao mesmo tempo que tem a 9ª maior reserva de gás natural no mundo. Sonatrach, a empresa nacional de petróleo, é a maior empresa na África. A Argélia tem uma das maiores forças armadas na África e um dos maiores orçamentos de defesa no continente. A maioria das armas da Argélia são importadas da Rússia, com quem eles mantém uma aliança próxima.O país é membro da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Africana (UA) e da Liga Árabe praticamente depois de sua independência, em 1962, e integra a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) desde 1969. Em fevereiro de 1989, a Argélia participou com os outros estados magrebinos, para a criação da União do Maghreb Árabe. A Constituição argelina define "o islã, os árabes e os berberes" como "componentes fundamentais" da identidade do povo argelino, e o país como "terra do islã, parte integrante do Grande Magreb, do Mediterrâneo e da África".

Badajoz

Badajoz é uma cidade e município raiano da Espanha na província homónima, da qual é capital. Faz parte da comunidade autónoma da Estremadura e da comarca da Terra de Badajoz. Tem 1 470 km² de área e em 2016 tinha 149 946 habitantes (densidade: 102 hab./km²), que representa aproximadamente 20% da população da província e 7% da Estremadura.Batizada pelos seus fundadores muçulmanos Batalyaws (em árabe: ﺑﻂﻠﻴﻮﺱ), a sua designação em português vernáculo era Badalhouce até ao período da dinastia filipina, um termo que persiste ainda hoje em galego. Além de ser a maior cidade da Estremadura, é também o principal centro económico da região. Situa-se a um par de quilómetros da fronteira com a cidade portuguesa de Elvas, à beira do rio Guadiana, um dos rios mais importantes da Península Ibérica, que atravessa a cidade de leste para oeste, virando em seguida para sul. Apesar da dimensão do município ser bastante menor do que no passado, Badajoz é o terceiro maior município de Espanha em área, a seguir a Cáceres e Lorca. Tem 10 núcleos populacionais, dentre os quais se destacam, além da cidade, Gévora, Valdebótoa e Villafranco del Guadiana, todos com mais de mil habitantes.

A cidade foi fundada em 892 por Ibne Maruane, durante a ocupação muçulmana da Península Ibérica, num local habitado desde os tempos pré-históricos mais remotos e sobre um povoado visigodo já então desaparecido ou pelo menos muito degradado, no cimo de uma das duas colinas que dominam a cidade: o Cabeço da Muela ou o Cabeço do Montúrio. Em frente, na margem direita do Guadiana, situam-se as Cuestas (encostas) de Orinaza ou Cerro de San Cristóbal, também conhecidas antigamente como Baxernal ou Baxarnal. A fundação da cidade é comemorada pelos seus habitantes, denominados pacenses, na festa Almossasa Batalyaws, realizada em finais de setembro.

A parte mais antiga da cidade é chamada Casco Antigo ou bairro histórico. Aí se encontram vários edifícios classificados como "Bem de Interesse Cultural", nomeadamente a catedral, a alcáçova, as muralhas de estilo Vauban, a Igreja de São Domingos e o Real Mosteiro de Santa Ana. Na década de 2000, a Praça Alta (Plaza Alta) e a Praça de Espanha, dois dos locais mais emblemáticos de Badajoz, foram restauradas em larga escala. A última é onde se encontra o ayuntamiento, a catedral, o Arquivo Histórico Municipal, o Museu Catedralício, a Casa del Cordón e a Casa Buiza. Outra praça importante em termos de património é a da Soledad, onde se encontram edifícios como a La Giralda, Las Tres Campnas e o Conservatório de Música. A quarta praça monumental da cidade é a de San Andrés, onde se situam a igreja homónima, o Hotel Cervantes a Casa Regionalista e a Casa Puebla. A cidade dispõe de vários parques e jardins.

Biface

Um biface é um instrumento lítico pré-histórico que caracteriza, sobretudo, o período Acheulense, embora tenha uma cronologia muito mais longa, tendo-se também datado no Paleolítico Médio e ainda com posterioridade. O seu nome vem de que o modelo arquetípico seria uma peça de talhe, geralmente, bifacial. A morfologia é amendoada e tendente à simetria segundo um eixo longitudinal e segundo um plano de esmagamento. Os bifaces mais comuns têm a base arredondada e terminam em ponta.

Os bifaces foram as primeiras ferramentas pré-históricas reconhecidas como tais: em 1800 aparece a primeira representação de um biface, numa publicação inglesa de John Frere. Até então era-lhes atribuída uma origem natural e supersticiosa (eram chamadas de "pedras do raio"—ou ceráunias—, porque a tradição popular sustinha serem formadas no interior da terra ao cair um raio, e que depois saíam à superfície; de fato, ainda são usadas em certas regiões rurais como amuletos contra as tormentas).

A palavra biface foi utilizada pela primeira vez em 1920 pelo antiquário francês André Vayson de Pradenne, convivendo este termo com a expressão "machado de mão" ("coup de poing"), proposta por Gabriel de Mortillet muito tempo antes, podendo dizer-se que, somente devido à autoridade científica de François Bordes e Lionel Balout, impôs-se o vocábulo definitivo.Porém, dado que estas primeiras definições do biface eram baseadas somente em "peças ideais" (ou "clássicas"), de talhe perfeito, durante anos houve uma noção encaixotada demais sobre este objeto. Com o tempo, a aprofundação no conhecimento deste tipo lítico distinguiu-se entre um biface propriamente dito e uma peça lítica bifacial; de fato, na atualidade, um biface nem sempre é uma peça bifacial, e há múltiplas peças bifaciais que não são em absoluto bifaces. Alguns autores preferem reservar o termo "biface" para as peças antigas, anteriores ao interestadial Würm II-III", embora certos objetos posteriores pudessem "excepcionalmente" ser denominados bifaces.Também não deve ser identificado biface com machado; infelizmente o vocábulo machado foi, durante muito tempo, uma palavra "curinga" em tipologia lítica para uma grande diversidade de instrumentos líticos; sobretudo numa época na que se ignorava a verdadeira utilidade de muitos deles. No caso concreto do biface paleolítico, "machado" é um termo inadequado. Já foi indicado na década de 1960 que esses objetos não são "machados". Argumento corroborado por posteriores pesquisas, sobretudo sobre as marcas de uso.

Caverna Tabun

A Caverna Tabun (em árabe: مغارة الطابون ou em hebraico: מערת תנור) é um sítio de escavação localizado na Reserva natural Nahal Me'arot, em Israel, e é um dos sítios sobre evolução humana no Monte Carmelo, que foram proclamadas como tendo valor universal pela UNESCO em 2012. A caverna foi ocupada de forma intermitente durante os períodos do Paleolítico inferior e Médio (500.000 para cerca de 40.000 anos atrás). No decorrer deste período, depósitos de areia, silte e argila de até 25 m (82 pé) acumularam na caverna. Escavações arqueológicas sugerem que a caverna possui uma das mais longas sequências de ocupação humana, no Levante.

Cultura ateriana

A indústria ateriana é o nome dado pelos arqueólogos para um tipo de fabrico de ferramentas de pedra que datam da Idade da Pedra Média (Paleolítico Médio) na região das montanhas do Atlas e do Saara setentrional.

Eemiano

O Eemiano (também chamado de Sangamoniano, Ipswichiano, Mikulin, Kaydaky, Valdivia, Riss-Würm) foi o período interglacial que teve início há cerca de 130 000 anos atrás e acabou há cerca de 115 000 anos atrás. Corresponde ao Estádio Isotópico Marinho 5, Foi a transição do segundo para o último período glacial da corrente Idade do Gelo, sendo o mais recente o Holoceno, que se estende até aos dias de hoje. Pensa-se que o clima do Eemiano tenha sido em média mais quente que o do Holoceno. Foi neste período interglacial que decorreu na Europa a indústria lítica Musteriense, com a ocupação do Homem de Neanderthal.O Eemiano é conhecido como Ipswichiano no Reino Unido, como o interglacial Mikulin na Rússia, o interglacial Valdivia no Chile e o interglacial Riss-Würm nos Alpes. Dependendo da forma como uma específica publicação define cada um destes estádios, o Eemiano equivale parcial ou totalmente a este.

François Bordes

François Bordes (Rives, Lot e Garona, 30 de dezembro de 1919—Tucson, Arizona, 30 de abril de 1981) foi um importante pré-historiador francês. Também escreveu romances de ficção científica com o pseudônimo de "Francis Carsac".

Cursou estudos em Toulouse, em Bordéus e em Paris, obtendo o doutoramento em Ciências Naturais com uma tese intitulada: "Les limons quaternaires du Bassin de la Seine - Stratigraphie archéologie paléolithique" (Os limões quaternários do vale do Sena. Estratigrafia e arqueologia paleolítica), publicada em 1954 pelo Instituto de Paleontologia Humana de Paris.Fez parte do CNRS entre 1945 e 1955, antes de se tornar em professor nas matérias de Geologia do Quaternário e Pré-História, na Faculdade de Ciências da Universidade de Bordéus, em 1956. Nesta cidade fundou o Instituto do Quaternário (hoje denominado Instituto de Pré-História e Geologia do Quaternário).

Entre 1957 e 1975 foi diretor do organismo Antiquités Préhistoriques d'Aquitaine, atualmente equivalente a Conservador do Patrimônio do Ministério de Cultura francês.

Há dirigido inumeráveis escavações arqueológicas em sítios arqueológicos de primeira ordem, sobretudo ao sudoeste da França, destacando-se Pech-de-l'Azé, Combe-Grenal ou Corbiac, entre outros.

A sua contribuição mais aplaudida foi a de descrever a diversidade de indústrias líticas do Paleolítico Inferior e Médio com uma metodologia empírica ajudada por meio de cálculos estatísticos e matemáticos simples e acessíveis. Apesar da sua simplicidade, a inclusão das matemáticas foi uma inovação tão grande nos anos 50 que se chegou a falar do "Método de Bordes". Realmente, o seu sistema criou uma grande escola de pré-historiadores, com uma influência decisiva que provocou a aparição de tendências opostas que reagiam contra ela (na mesma França destaca-se a tipologia analítica e estrutural de G. Laplace e nos países anglo-saxões a New Archaeology ou Arqueologia processual).

Os principais tópicos da escola de François Bordes são a tipologia lítica do Paleolítico Inferior e Médio de Europa Ocidental (depois estendida pelos seus discípulos ao Paleolítico Superior, ao Epipaleolítico e a outros períodos e culturas pré-históricas) e a determinação de diferentes variantes culturais do Mousteriense, (chamadas fácies de Mousteriense típico, fácies de Mousteriense tipo Ferrassie, fácies de Mousteriense tipo Quina, fácies de Mousteriense de Denticulados e fácies de Mousteriense de Tradição Acheulense). Apesar das fortes críticas por parte de paradigmas científicos opostos e, apesar da contínua inovação da ciência pré-histórica, ambas as contribuições continuam sendo, hoje em dia, referências obrigadas em qualquer estudo sobre o tema.

Foi, igualmente, um dos primeiros em fazer experimentos de talhe de rochas duras de fratura conchoide, visando reconstruir as técnicas de fabricação pré-históricas.

Gruta de Taforalt

A gruta de Taforalt ou de Tafoughalt, também conhecida como gruta dos Pombos (em francês: grotte des Pigeons; em árabe: مغارة تافوغالت), é um importante sítio arqueológico do Paleolítico situado no nordeste de Marrocos. Situa-se 55 km a noroeste de Oujda, no nordeste de Marrocos, perto da pequena aldeia de Taforalt (ou Tafoughalt), no maciço montanhoso dos Beni-Snassen, a 720 metros de altitude a a cerca de 40 km na costa do mar Mediterrâneo.

O sítio arqueológico foi assinalado pela primeira vez em 1908, mas só em 1944-1947 teve escavações relevantes, lideradas por Armand Ruhlmann. A estas seguiram-se as escavações do abade Jean Roche (1950–1955, 1969–1977, 1980 em colaboração com Jean-Paul Raynal). Por fim, foi escavado em 2003 por Abdeljalil Bouzouggar, do Instituto Nacional das Ciências de Arqueologia e do Património de Rabat) e Nick Barton da Universidade de Oxford. Nenhuma das escavações revelou até agora vestígios do Neolítico. Só estão reportadas ocupações paleolíticas, tanto pelos trabalhos mais antigos como pelas investigações mais recentes.Desde 1995 que o sítio arqueológico é candidato a Património Mundial.

Grutas decoradas do vale do Vézère

Os sítios pré-históricos e cavernas decoradas do vale do Vézère é um conjunto de sítios arqueológicos distribuídos ao longo de quarenta quilômetros no vale do Vézère, entre Eyzies-de-Tayac-Sireuil e Montignac, no departamento francês da Dordonha.

Homem de Neandertal

O homem de Neandertal (Homo neanderthalensis na nomenclatura binomial) é uma espécie ancestral humana extinta com o qual o homem moderno conviveu. Surgiram há cerca de 400 mil anos na Europa e no Médio Oriente e, na Península Ibérica, extinguiram-se há 28 mil anos.Compartilha com os humanos atuais em 99,7 % do seu DNA. Revela no entanto diferenças morfológicas significativas. Prevalece como fóssil do género Homo enquanto habitante remoto da Europa e de territórios da Ásia ocidental desde há cerca de 350 000 até há 29 000 anos aproximadamente (Paleolítico Médio e Paleolítico Inferior, no Pleistoceno).A cultura material do homem de Neandertal, chamada cultura musteriense, era sofisticada em vários aspectos. Além de ferramentas, também usavam o fogo, eram bons caçadores e já cuidariam dos doentes.

Há inclusivamente quem nele reconheça capacidades estéticas e espirituais semelhantes às do homem atual, como as reveladas nas suas sepulturas, malgrado ser visto no imaginário popular como um ser grosseiro e pouco inteligente. Era de maior robustez física que o homem atual e tinha um cérebro ligeiramente mais volumoso.O cérebro do Homo sapiens sapiens tem um tamanho médio de 1400 cm³, enquanto o dos neandertais chegava a ter cerca de 1600 cm³. Progressos relativos da arqueologia pré-histórica e da paleoantropologia, posteriores à década de 1960, descrevem-no como um ser de considerável cultura, eventualmente sobrestimada por alguns autores. Muitas questões carecem de uma resposta conclusiva, sobretudo as relacionadas com a sua extinção.

Hugo Obermaier

Hugo Obermaier (Ratisbona, Alemanha, 29 de Janeiro de 1877 — Friburgo, Suíça, 12 de Novembro de 1946) foi um paleontólogo alemão.

Joseph Maillard

O abade Joseph Maillard (Houssay, 1 de Abril de 1822? - Gennes-sur-Glaize, 23 de Janeiro de 1897), foi um religioso, arqueólogo e historiador francês.

José María Soler García

José María Soler García (Villena, 30 de setembro de 1905 — 25 de agosto de 1996) foi um arqueólogo, historiador, investigador, lingüista e folclorista espanhol. É a pessoa que estudou Villena e sua região em maior profundidade e em um maior número de áreas, já que todas as pesquisas foram sempre no sentido de escrutar o que concernia a sua cidade natal.

Fundou o museu arqueológico da cidade, ao qual se deu o nome em sua homenagem depois de descoberto o Tesouro do cabeça redonda e de Vilhena. A Fundação municipal José María Soler,, constituída após a sua morte, tem como missão manter o seu legado cultural e convoca todos os anos Prémios de Investigação em vários níveis sobre a cidade e a área circundante.

Le Moustier

Le Moustier é um sítio arqueológico de época paleolítica situado no município de Peyzac-le-Moustier no departamento da Dordonha, a sudoeste da França. Foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1979, fazendo parte do lugar "Grutas decoradas do vale do Vézère" com o código 85-014.

É composto por um abrigo rochoso dividido em duas partes: o abrigo superior, que é o que dá nome à indústria lítica musteriense, e o inferior, que se abre uma quinzena de metros mais embaixo na mesma falésia, no nível atual do vale do Vézère.

Paleolítico

O Paleolítico (παλαιός, palaiós="antigo", λίθος, lithos="pedra", "pedra antiga") ou Idade da Pedra Lascada, refere-se ao período da pré-história que começou há cerca de 2,5 milhões de anos, quando os antepassados do Homem começaram a produzir os primeiros artefatos em pedra lascada, destacando-se de todos os outros animais, e que durou até cerca de 10000 a.C., quando houve a chamada Revolução Neolítica, em que começou a fazer agricultura, tornando o homem não mais dependente apenas da coleta e da caça.

Neste período os humanos eram essencialmente nômades caçadores-coletores, tendo que se deslocar constantemente em busca de alimentos. Desenvolveram os primeiros instrumentos de caça feitos em madeira, osso ou pedra lascada.

Este longo período histórico subdivide-se em Paleolítico Inferior (até há aproximadamente 300 mil anos) e Paleolítico Superior (até 10 mil a.C.). Há certa discordância entre estudiosos quanto a essa divisão, sendo que alguns intercalam um Paleolítico Médio entre o Inferior e o Superior. O Paleolítico coincide com o final da época geológica Plioceno do período geológico Neogeno.

O termo Paleolítico foi empregado pela primeira vez pelo historiador John Lubbock. Foi precedido pelo período pré-histórico que alguns historiadores chamam de Eolítico, e sucedido pelo Neolítico. Na Europa e em outros locais onde ocorreram glaciações, intercala-se o período chamado Mesolítico entre o Paleolítico e o Neolítico.

Ponta lítica

Uma ponta lítica é um instrumento talhado em pedra (quase sempre sobre lasca ou lâmina lítica) com forma alongada, com um ápice terminal muito agudo aproximadamente paralelo ao seu eixo de simetria. A forma de obter uma ponta lítica é extremamente variada, bem como a sua função, embora esta última seja, em quase todos os casos, a de servir como extremidade de uma lança, dardo, flecha ou outra arma de caça ou combate (embora haja vários casos nos quais se pôde determinar que as denominadas pontas eram, realmente, facas).

Pré-história da França

A Pré-história da França é o período da ocupação humana da região atualmente conhecida como França que durou do Paleolítico até meados da Idade do Ferro, terminando aproximadamente com o surgimento da cultura La Tène.

Serra de Atapuerca

A serra de Atapuerca é um pequeno conjunto montanhoso situado ao norte de Ibeas de Juarros, na província de Burgos, em Castela e Leão, Espanha, que se estende de noroeste a sudeste, entre os sistemas montanhosos da Cordilheira Cantábrica e do Sistema Ibérico. Foi declarado "espaço de interesse natural", bem de interesse cultural e Património da Humanidade como consequência dos excepcionais achados arqueológicos e paleontológicos que se situam em seu interior, entre os quais se destacam os testemunhos fósseis de pelo menos quatro espécies distintas de hominídeos: Homo sp. da Sima del Elefante, Homo antecessor, Homo heidelbergensis e Homo sapiens.

Noutras línguas

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