Manuscritos do Mar Morto

Os Manuscritos do Mar Morto são uma coleção de centenas de textos e fragmentos de texto encontrados em cavernas de Qumran, no Mar Morto, no fim da década de 1940 e durante a década de 1950.[1] Foram compilados por uma doutrina de judeus conhecida como Essênios, que viveram em Qumran do século II a.C. até aproximadamente 70.[1] Porções de toda a Bíblia Hebraica foram encontradas, exceto do Livro de Ester e do Livro de Neemias.[1] Os manuscritos incluem também Livros apócrifos e livros de regras da própria seita.[1] Os Manuscritos do Mar Morto são de longe a versão mais antiga do texto bíblico, datando de mil anos antes do que o texto original da Bíblia Hebraica, usado pelos judeus atualmente.[1] Atualmente, estão guardados no Santuário do Livro do Museu de Israel, em Jerusalém.[1]

Histórico

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Fragmento dos manuscritos no Museu Arqueológico de Ammán

Os manuscritos do Mar Morto foram casualmente descobertos por um grupo de pastores de cabras (Beduinos), que em busca de um de seus animais localizou, em 1947, a primeira das cavernas com jarros cerâmicos contendo os rolos de papíro. Inicialmente os pastores tentaram sem sucesso vender o material em Belém. Mais tarde, foram finalmente vendidos para Athanasius Samuel, bispo do mosteiro ortodoxo sírio São Marcos em Jerusalém e para Eleazar Sukenik, da Universidade Hebraica, em dois lotes distintos.

A autenticidade dos documentos foi atestada em 1948. Em 1954, governo israelense, que já havia comprado o lote de Sukenik, comprou através de um representante, os documentos em posse do bispo, por 250 mil dólares.

Outra parte dos manuscritos, encontrada nas últimas dez cavernas, estavam no Museu Arqueológico da Palestina, em posse do governo da Jordânia, que então controlava o território de Qumram. O governo jordaniano autorizou apenas oito pesquisadores a trabalharem nos manuscritos. Em 1967, com a Guerra dos Seis Dias, Israel apropriou-se do acervo do museu, porém, mesmo com a entrada de pesquisadores judeus, o avanço nas pesquisas não foi significativo. Apenas em 1991, com a quebra de sigilo por parte da Biblioteca Hutington em relação aos microfilmes que Israel havia enviado para algumas instituições pelo mundo, um número maior de pesquisadores passou a ter acesso aos documentos, permitindo, enfim, que as pesquisas avançassem significativamente.

Os desdobramentos em relação aos resultados prosseguem e, recentemente, a Universidade da Califórnia apresentou o "The Visualization Qumram Project" (Projeto de Visualização de Qumram), recriando em três dimensões a região onde os manuscritos foram achados. O Museu de Israel já publicou na Internet parte do material sob seus cuidados e o Instituto de Antiguidades de Israel do Museu Rockefeller trabalha para fazer o mesmo com sua parte.

Em 2015, após 45 anos, os pesquisadores da Universidade de Kentucky decifraram versículos do Livro de Levítico a partir de um rolo de pergaminho encontrado carbonizado na Arca Sagrada da sinagoga de Ein Gedi[2].

No ano seguinte, 2016, arqueólogos ,da Universidade Hebraica de Jerusalém, descobriram evidências de uma décima segunda caverna. No local, foram desenterrados estilhaços de jarros que contiveram outros documentos. Infelizmente, os documentos haviam sido saqueados, acredita-se que por volta de 1950.[3]

Autoria

A autoria dos documentos é até hoje desconhecida. Com base em referências cruzadas com outros documentos históricos, ela é atribuída aos essênios, uma seita judaica que viveu na região da descoberta e guarda semelhanças com as práticas identificadas nos textos encontradas. O termo "essênio", no entanto, não é encontrado nenhuma vez em nenhum dos manuscritos.

O que se sabe é que a comunidade de Qumram era formada provavelmente por homens, que viviam voluntariamente no deserto, em uma rotina de rigorosos hábitos, opunham-se à religiosidade sacerdotal e esperavam a vinda de um messias.

Importância para o cânone bíblico

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Nesta caverna, em Qumran, na Cisjordânia, foram encontrados os manuscritos do Mar Morto.

Antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, os manuscritos mais antigos das Escrituras Hebraicas datavam da época do nono e do décimo século da era cristã. Havia muitas dúvidas sobre a confiabilidade dessas cópias. A análise dos textos encontrados mostra que os textos hebraicos eram bastante fluidos antes de sua canonização. Há textos que são quase idênticos ao texto massorético embora haja fragmentos do livro do Êxodo e de Samuel com diferenças significativas das cópias modernas.

Mas o Professor Julio Trebolle Barrera, membro da equipe internacional de editores dos Rolos do Mar Morto, declarou: "O Rolo de Isaías [de Qumran] fornece prova irrefutável de que a transmissão do texto bíblico, durante um período de mais de mil anos pelas mãos de copistas judeus, foi extremamente fiel e cuidadosa."

O rolo mencionado por Barrera trata-se de uma peça com 7 metros de comprimento, em aramaico, contendo o inteiro livro de Isaías. Diferentemente deste rolo, a maioria deles é constituída apenas por fragmentos, com menos de um décimo de qualquer dos livros. Os livros bíblicos mais populares em Qumran eram os Salmos (36 exemplares), Deuteronômio (29 exemplares) e Isaías (21 exemplares). Estes são também os livros mais frequentemente citados nas Escrituras Gregas Cristãs.

Embora os rolos demonstrem que a Bíblia não sofreu mudanças fundamentais, eles também revelam, até certo ponto, que havia versões diferentes dos textos bíblicos hebraicos usadas pelos judeus no período do Segundo Templo, cada uma com as suas próprias variações. Nem todos os rolos são idênticos ao texto massorético na grafia e na fraseologia. Alguns se aproximam mais da Septuaginta grega.

Anteriormente, os eruditos achavam que as diferenças na Septuaginta talvez resultassem de erros ou mesmo de invenções deliberadas do tradutor. Agora, os rolos revelam que muitas das diferenças realmente se deviam a variações no texto hebraico. Isto talvez explique alguns dos casos em que os primeiros cristãos citavam textos das Escrituras Hebraicas usando fraseologia diferente do texto massorético. — Êxodo 1:5; Atos 7:14. Assim, este tesouro de rolos e fragmentos bíblicos fornece uma excelente base para o estudo da transmissão do texto bíblico hebraico. Os Rolos do Mar Morto confirmaram o valor tanto da Septuaginta como do Pentateuco samaritano para a comparação textual.

Os rolos que descrevem as normas e as crenças da seita de Qumran tornam bem claro que não havia apenas uma forma de judaísmo no tempo de Jesus. A seita de Qumran tinha tradições diferentes daquelas dos fariseus e dos saduceus. É provável que essas diferenças tenham levado a seita a se retirar para o ermo. Eles se encaravam como cumprindo Isaías 40:3 a respeito duma voz no ermo para tornar reta a estrada de YHWH. Diversos fragmentos de rolos mencionam o Messias, cuja vinda era encarada como iminente pelos autores deles. Isso é de interesse especial por causa do comentário de Lucas, de que “o povo estava em expectativa” da vinda do Messias. — Lucas 3:15.[carece de fontes?]

Os Rolos do Mar Morto ajudam até certo ponto a compreender o contexto da vida judaica no tempo em que Jesus pregava. Fornecem informações comparativas para o estudo do hebraico antigo e do texto da Bíblia. Mas o texto de muitos dos Rolos do Mar Morto ainda exige uma análise mais profunda.

Controvérsias

A associação de Jesus Cristo com a seita dos essênios ou sua influência sobre estes é controversa. Os essênios, que viviam em comunidades isoladas, tinham conceitos muito diferentes dos das outras seitas judaicas (Saduceus, Fariseus) sobre a Lei de Moisés. Preocupavam-se em especial com a purificação pessoal, eram geralmente celibatários e vestígios encontrados nas cavernas de Qumran indicam que se vestiam apenas com túnicas brancas e acessórios simples. Havia uma interpretação muito rígida da guarda do sábado, pois segundo suas regras, até fazer suas necessidades fisiológicas era considerado violação ao sábado. A seita dos essênios mantinha uma estrita postura com o sábado devido a lei de Moisés estar vigente durante aquele periodo.

Israel Knohl

O acadêmico judeu Dr. Israel Knohl, presidente do Departamento Bíblico da Universidade Hebraica de Jerusalém e professor convidado nas universidades de Berkeley e de Stanford, apresenta no seu livro: "The Messiah Before Jesus" (O Messias antes de Jesus), com base nestes pergaminhos, a tese de que por volta do ano do nascimento de Jesus Cristo falecera um suposto Messias, chamado Menahem, o essénio, em circunstâncias semelhantes àquelas em que o próprio Jesus mais tarde viria a morrer, e supõe o autor que Jesus poderia ter tido conhecimento desta história. Outra interpretação possível é que Jesus seria um personagem baseado nesta obra anterior.

Menahem (ou Menachem), líder de uma seita judaica de Qumran, tentou liderar uma revolta contra os Romanos, mas acabou morto por estes, que proibiram que o seu corpo fosse enterrado. Este grupo de discípulos, ao contrário dos cristãos, logo se dissipou. Este Menahem teria, segundo Knohl, falecido por volta de 4 a.C.

Michael Wise

Outro académico, o cristão Michael Wise, professor nos Estados Unidos, afirma que o messias dos pergaminhos se chamava Judah e morreu de forma violenta por volta de 72 a.C. Wise publicou o livro "The First Messiah" em 1999.

Referências

  1. a b c d e f «The Weirdo Cult That Saved the Bible» (em inglês). Slate. 17 de janeiro de 2008. Consultado em 19 de julho de 2011. [...] I didn't know exactly what the Dead Sea Scrolls were. [...] But since I have come to Israel to get as close as I can to the Bible, I make a visit to the scrolls at the Shrine of the Book. [...] Housed at the Israel Museum in Jerusalem, the shrine consists of [...]. [...] The scrolls, as I have now learned, are a collection of hundreds of texts and fragments of text found in caves at Qumran, on the Dead Sea, during the late 1940s and '50s. (Famously, the first were discovered when Bedouin shepherds chanced on one of the caves.) The scrolls were compiled by an apocalyptic Jewish sect known as the Essenes (or Yahad), which lived in Qumran from the second century B.C. until around A.D. 70. Portions of every Hebrew Bible book except Esther and Nehemiah were found—the glory is a complete copy of the Book of Isaiah. The scrolls also include apocrypha and the sect's own rule books. The Dead Sea Scrolls are by far the earliest versions of biblical text, dating a full 1,000 years earlier than the original Hebrew Bible text used by Jews today. (In other words, the biblical writings in the Dead Sea Scrolls are twice as old as the next oldest Hebrew Bible text. There are Greek translations of the Bible that date from the fourth century A.D., several hundred years after the scrolls.)
  2. Scientists decipher ancient scrolls damaged by fire Arquivado em 23 de julho de 2015, no Wayback Machine. pela Equipe de pesquisa Seales em 21 de julho de 2015
  3. «Nova caverna dos Pergaminhos do Mar Morto, mas onde estão os documentos?». Scientia. 11 de fevereiro de 2017

Bibliografia

  • Revista Aventuras na História. Edição 65, dezembro de 2008. Editora Abril, São Paulo ISSN 180624156

Ligações externas

22 de setembro

22 de setembro é o 265.º dia do ano no calendário gregoriano (266.º em anos bissextos). Faltam 100 para acabar o ano. É o dia do equinócio de setembro, quando começa a primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte.

4Q120

4Q120 (pap4QLXXLevb) manuscrito da Septuaginta (LXX) de papiro encontrado na Caverna n.º 4 de Qumran, datado como sendo do Século I AEC onde o Tetragrama YHWH é representado em letras gregas ΙΑΩ (IAO, IAW) em Levítico 3:12, frg. 6; 4:27, frg. 20.

O manuscrito está atualmente em Museu Rockefeller em Jerusalém.

Allegro (desambiguação)

Allegro pode referir-se a:

Alegro — andamento musical

Allegro (biblioteca) — biblioteca de programação de jogos

Austin Allegro — modelo de automóvel

John Marco Allegro (1923-1988) — arqueólogo, estudioso controverso dos manuscritos do Mar Morto

== Ver também ==

Allegro ma non troppo (desambiguação)

Todas as páginas cujo título começa por "Allegro"

Busca por "allegro"

Bíblia King James Atualizada

A Bíblia King James Atualizada (BKJA), em português, foi lançada no Brasil em 2011, em decorrência da comemoração dos 400 anos da Bíblia King James em inglês. No entanto, em português, a BKJA lançada pela editora Abba Press não é a mesma tradução da original em inglês.

Com as descobertas e avanços científicos das últimas décadas, têm-se colocado em evidência numerosas diferenças entre os vários manuscritos, denominadas “variantes textuais”, de maneira que quando se compara as mais reconhecidas traduções do mundo moderno: “King James de 1611” (em inglês); a “Reina-Valera de 1862” (em espanhol); e a estimada Almeida Revista e Corrigida (em português), publicada pela primeira vez no Brasil pela Imprensa Bíblica Brasileira, em 1943; com com cópias de manuscritos mais antigos e fidedignos que aqueles que serviram de base para essas excelentes traduções, se manifestam algumas discrepâncias e erros textuais importantes, os quais a tradução da Bíblia King James Atualizada procura corrigir, caracterizando o seu Novo Testamento como base o Texto Crítico ao invés do tradicional Textus Receptus.

Esse foi o motivo da formação da Sociedade Bíblica Ibero-Americana, e muito especialmente do seu Comitê Internacional de Tradução, dirigido inicialmente por seus fundadores: Dr. Carlos W. Fushan, Dr. Bruce M. Metzger, Dr. Francisco Lacueva, e presidido no Brasil pelo Pr. Oswaldo Paião, membro da Igreja Batista do Morumbi e diretor editorial da Abba Press, responsável pela tradução dessa obra para a língua portuguesa.

A Bíblia King James Atualizada, em português, não constitui uma tradução direta da Authorized King James Version, mas sim uma tradução dos mais antigos e fiéis manuscritos das línguas originais (hebraico, aramaico, e grego). Suas bases textuais foram: os Manuscritos do Mar Morto (os documentos mais antigos das Escrituras descobertos no séc. XX); Texto Crítico, "Textus Receptus"; a Septuaginta (a mais antiga tradução grega do Antigo Testamento); a Vulgata (a mais antiga tradução em latim dos originais em hebraico, aramaico e grego); os diversos documentos bíblicos fundamentais (como os Códices: Leningrado, Profetas do Cairo, Papiro Nash, Severi, Hillel, Muga, Jericho, Yerushalmi, etc); O Pentateuco (a Torá) Samaritano (séc. 4 a.C.); a Bíblia Hebraica Stuttgartensia; e o Novum Testamentum Graece (exegeses do Instituto Nestle-Aland). Além de contribuições de inúmeros exegetas, linguistas, filólogos, biblistas, arqueólogos, teólogos; eruditos de diversas áreas do saber.

Essa tradução bíblica conta com 66 livros, notas explicativas, devocionais de rodapé, e os nomes pessoais transliterados do original seguido dos respectivos em português; por exemplo: Isaías 1.1 "Visão sobre Judá e Jerusalém, entregue a Ieshaiáhu ben Amóts, Isaías, filho de Amoz, nos dias de Uziáhu, Uzias,Iotam, Jotão, Ahaz, Acaz e Iehizkiáhu, Ezequias, reis de Judá."

Essênios

Os Essênios (pt-BR) ou Essénios (pt) (Issi'im) constituíam um grupo asceta, apocalíptico messiânico do movimento judaico antigo que foi fundado em meados do 2º século a.C. e foram dizimados no ano 68, com a destruição de seus assentamentos em Qumran. O movimento já foi mencionado por autores antigos. Atualmente, tem-se redespertado o interesse pelo grupo após a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e do levantamento arqueológico de Qumran.

Frank Moore Cross

Frank Moore Cross, Jr. (Ross, Califórnia, 13 de julho de 1921 — Rochester, Nova Iorque, 17 de outubro de 2012) foi um professor e estudioso norte-americano.

Foi mais conhecido pelo seu estudo e trabalho na interpretação dos Manuscritos do Mar Morto.

Génesis Apócrifo

O Gênesis Apócrifo é um dos manuscritos do Mar Morto, descobertos em Qumram, era pertencente à antiga sociedade Nazarita de Engedi. Este manuscrito foi catalogado como 1QapGen, 1Q20 por ter sido encontrado na Gruta 1. É um manuscrito incompleto do qual sobreviveram apenas vinte e duas colunas de texto em aramaico.

James Tabor

James D. Tabor - nascido no Texas (EUA) - é um professor do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, onde leciona desde 1989. Possui doutorado em Estudos Bíblicos, conferido pela Universidade de Chicago, e é especialista nos Manuscritos do Mar Morto.

John Marco Allegro

John Marco Allegro (17 de fevereiro de 1923 — 17 de fevereiro de 1988) foi um arqueólogo e estudioso dos manuscritos do Mar Morto controverso. Ele era conhecido como um divulgador dos Manuscritos através de seus livros e transmissões de rádio. Ele foi o editor de um dos mais famosos e controversos Manuscritos publicado, o Pesharim. Alguns de seus livros posteriores, incluindo O Sagrado Cogumelo e a Cruz, lhe trouxeram fama e popularidade, mas também destruiram sua carreira.

Literatura Heikalot e Merkavá

Literatura dos Palácios e Carruagem (em hebraico: ספרות ההיכלות והמרכבה) é um nome que abrange cerca de 25 trabalhos místicos que se acredita terem sidos compostos entre o século II ao V na Terra de Israel. Essa é a datação habitual; Mas, embora a tradição sobre o assunto seja realmente antiga, as composições escritas foram feitas a partir do século VII ao VIII.Muitos dos motivos da Cabalá posterior são baseados nos textos Heikalot, e a própria literatura Heikalot é baseada em fontes anteriores, incluindo tradições sobre as ascensões celestes de Hanok encontradas entre os Manuscritos do Mar Morto e a pseudepígrafe da Bíblia Hebraica.

Livro de Habacuque

Habacuque ou Habacuc é o livro bíblico cuja autoria é atribuída ao profeta de mesmo nome.

Se discute a data em que o livro foi escrito, havendo duas hipóteses:

o livro foi escrito pouco antes da queda de Nínive em 612 AC, nessa hipótese os opressores seriam os Assírios;

o livro foi escrito entre a Batalha de Carquemis em 605 AC e o primeiro cerco a Jerusalém em 597 a.C., nessa hipótese os opressores seriam os caldeus.Habacuque significa "abraço", e está incluso na subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Menores, sendo um livro de apenas três capítulos. Provavelmente tenha sido escrito no século V a.C..

Habacuque nos sugere que observava a sociedade judaica a partir do Templo, onde possivelmente servia como levita, isto é cantor, ornamentador, prontificador do templo ver Nm 3. 6-10, podemos notar o capítulo três de seu livro é uma canção, sendo que os últimos versos são considerados uma das maiores expressões de fé do Antigo Testamento.

O livro de Habacuque é diferente dos demais livros dos profetas em seu estilo literário, pois em momento algum há profecias contra esta ou aquela nação ou pessoa em particular, porém o que se pode ver é um diálogo entre o profeta e Deus. Entre seu texto há no capítulo dois a expressão: "O justo viverá da fé", que mais tarde inspiraria o apóstolo Paulo a escrever a mais teológica de suas cartas, a Carta aos Romanos, que posteriormente inspirou também Martinho Lutero na elaboração das 95 Teses "gatilho" da Reforma Protestante.

O profeta Habacuc inicia o livro interrogando a Deus e pedindo socorro, pois está cansado de ver o seu país sofrer opressão violenta, onde a Lei enfraquece e o direito está distorcido (1:2-4). A resposta de Deus é a intervenção de um grande império, que deveria corrigir os desmandos (1:5-10). Isso, porém, não satisfaz o profeta, pois o invasor não vem para fazer justiça, mas para substituir uma opressão por outra pior (1:12-17).

Habacuc continua esperando uma resposta satisfatória de Deus. A resposta definitiva é dada, agora, com mais clareza Deus expõe ao profeta seu plano. Que exige paciência, mas que não falha: "O justo viverá por sua fidelidade" (2:4). Com isso, os que sofrem as consequências da violência são chamados a ser agentes na história, opondo-se firmemente aos que não são corretos. Tal acontecerá somente se esse grupo for fiel ao projeto de Deus; se estiver permanentemente vigilante na realização da justiça.

No momento em que os injustiçados se descobrem não só como vítimas, mas principalmente como agentes de uma transformação na história, surgem a possibilidade e a coragem de desmascarar os opressores. Esse desmascaramento se realiza através da desmistificação de sua potência, até chegar ao cerne de sua fraqueza: são adoradores de ídolos mudos e inertes, que não podem vir socorrê-los no momento crucial.

A segunda profecia (2:5-20) contém cinco imprecações contra a opressão iníqua.

Descobrindo a fraqueza do opressor, é possível celebrar a sua queda e o surgimento de uma nova era, de um mundo novo. É a celebração do justo, em tom de lamentação, cheia de estremecimentos e temores, porém com uma certeza: a justiça um dia se tornará realidade, porque o Deus dos justos é o Deus vivo que age na história (3:1-19).

No quadro da doutrina Habacuque inova ao questionar por que Deus escolhe os bárbaros caldeus para exercer sua vingança.

Livro de Tobias

O livro de Tobias (em grego: τωβιτ; do hebraico: טובי, Tobih, "meu Deus"), é um dos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento da Bíblia católica e possui 14 capítulos e 297 versículos. Vem depois do livro de Neemias e antes do livro de Judite. Consiste numa narração antiga de origem judaica.

O livro de Tobias foi considerado canônico pelo Concílio de Cartago em 397 e reconfirmado por todos os concílios. E reconfirmado pela Igreja Católica Apostólica Romana no Concílio de Trento em 1546, depois da negação protestante. Assim como os outros livros deuterocanônicos, o livro de Tobias não foi incluído na Bíblia Hebraica, ou Tanakh como também é conhecida. Apesar de não estarem na Bíblia Hebraica, tanto o livro de Tobias quanto os outros livros deuterocanônicos sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo eles estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel.

A Bíblia de Jerusalém relata que numa gruta em Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) foram encontrados restos de quatro manuscritos em aramaico e de um manuscritos em hebraico do Livro de Tobias, e que ele figura no Cânon, no ocidente a partir do Sínodo de Roma de 382, e no oriente a partir do Concílio de Constantinopla, denominado "in Trullo", em 692.

Livro dos Jubileus

O Livro dos Jubileus (ou Pequeno Gênesis) é um texto apócrifo que relata a história da criação do mundo e de Adão e Eva até logo após a queda. Também narra a história dos personagens bíblicos encontrados em Gênesis, com detalhes adicionais, principalmente com relação aos três patriarcas de Israel, até o nascimento de Moisés. É um antigo trabalho judaico religioso, de 50 capítulos, considerados canônicos pela Igreja etíope ortodoxa, bem como os Beta Israel (judeus etíopes), onde é conhecido como o Livro de Divisão ( Ge'ez:. መጽሃፈ ኩፋሌ Mets'hafe Kufale) jubileus é considerado um livro pseudepígrafe pelas igrejas Protestante, Católica Romana, e Ortodoxa Oriental.

Ele era bem conhecido pelos primeiros cristãos, como evidenciado pelos escritos de Epifânio, Justino Mártir, Orígenes, Diodoro de Tarso, Isidoro de Alexandria, Isidoro de Sevilha, Eutychius de Alexandria, João Malalas, Eutímio I de Constantinopla, e George Kedrenos. O texto também foi utilizado pelo essênios comunidade que teria inicialmente recolhidos a Manuscritos do Mar Morto.

Nenhuma versão completa hebraico, grego ou o latim parece ter sobrevivido. A cronologia datada em jubileus é baseado em múltiplos de sete; os jubileus são períodos de 49 anos, sete "anos-semanas", no qual todo o tempo foi dividido.

Miguel (arcanjo)

Miguel (em hebraico: מִיכָאֵל (Micha'el ou Mîkhā'ēl; em grego: Μιχαήλ, Mikhaḗl; em latim: Michael ou Míchaël; em árabe: ميخائيل, Mīkhā'īl) é um arcanjo nas doutrinas religiosas judaicas, cristãs e islâmicas. Os católicos, anglicanos e luteranos se referem a ele como São Miguel Arcanjo ou simplesmente como São Miguel. Os ortodoxos se referem a ele como Texiarca Arcanjo Miguel [carece de fontes?] ou simplesmente como Arcanjo Miguel. É sincretizado nas religiões afro-brasileiras com o orixá Exu. Em Pernambuco, é sincretizado com o orixá Oxóssi.Em hebraico, Miguel significa "aquele que é similar a Deus" (mi-"quem", ka-"como", El-"deus"), o que é tradicionalmente interpretado como uma pergunta retórica: "Quem como Deus?" (em latim: Quis ut Deus?), para a qual se espera uma resposta negativa, e que implica que ninguém é como Deus. Assim, Miguel é reinterpretado como um símbolo de humildade perante Deus.Na Bíblia Hebraica, Miguel é mencionado três vezes no Livro de Daniel, uma como um "grande príncipe que defende as crianças do seu povo". A ideia de Miguel como um advogado de defesa dos judeus se tornou tão prevalente que, a despeito da proibição rabínica contra se apelar aos anjos como intermediários entre Deus e seu povo, Miguel acabou tomando um lugar importante na liturgia judaica.

Em Apocalipse 12:7-9, Miguel lidera os exércitos de Deus contra as forças de Satã e seus anjos e os derrota durante a guerra no céu.

Na Epístola de Judas, Miguel é citado especificamente como "arcanjo". Os santuários cristãos em honra a Miguel começaram a aparecer no século IV, quando ele era percebido como um anjo de cura, e, com o tempo, como protetor e líder do exército de Deus contra as forças do mal. Já no século VI, a devoção a São Miguel já havia se espalhado tanto no oriente quanto no ocidente. Com o passar dos anos, as doutrinas sobre ele começaram a se diferenciar.

Museu de Israel

O Museu de Israel (em hebraico מוזיאון ישראל,ירושלים, transl. Muze'on Yisrael) é o museu nacional do Estado de Israel, fundado em 1965 e localizado na região central de Jerusalém. O então prefeito Teddy Kollek foi quem dirigiu todo o desenvolvimento do museu, que até os dias de hoje é um dos maiores do mundo em arqueologia bíblica, tendo abrigado artefatos provenientes da África, América e Oceania.

O museu possui várias alas, incluindo o Santuário do Livro, onde estão depositados os Manuscritos do Mar Morto.

Papiro Nash

O Papiro Nash é uma coleção de quatro fragmentos de papiro adquirido no Egito em 1898 por W.L. Nash, o secretário da Sociedade de Arqueologia Bíblica de Londres. Ele apresentou-os à biblioteca da Universidade de Cambridge. Eles compreendem uma única folha e não fazem parte de um pergaminho. O papiro é de proveniência desconhecida, embora supostamente da cidade egípcia de Faium. O texto foi primeiramente descrita por Stanley A. Cook, em 1903. Embora datado por Cook como do Século II d.C, reavaliações posteriores levaram à data dos fragmentos por volta para cerca de 150-100 a.C. O papiro foi de longe o fragmento mais antigo manuscrito hebraico conhecido na época, antes da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947.

Qumran

Qumran, Khirbet Qumran, “ruína da mancha cinzenta”, é um sítio arqueológico localizado na Cisjordânia, a uma milha da margem noroeste do Mar Morto, a 12 km de Jericó e a cerca de 22 quilômetros a leste de Jerusalém. É administrado pelo Parque Nacional de Qumran, em Israel.Situado na fissura do Mar Morto entre dois barrancos profundos, em uma área onde atividades tectônicas são frequentes e a precipitação média anual é muito

baixa.

O meio ambiente atual é árduo e difícil para o cultivo; mas foi precisamente o clima árido e a inacessibilidade do local que contribuiu significativamente para preservação de estruturas e de materiais arqueológicos encontrados na região.

Nessa região há aproximadamente 330 dias de sol por ano e praticamente não há precipitações.

O ar é tão seco e quente que a água das evaporações é seca imediatamente no ar, criando uma névoa e resultando em um cheiro de enxofre.

Qumran tornou-se célebre em 1947 com a descoberta de manuscritos antigos que ficaram conhecidos como os Manuscritos do Mar Morto.

Em 1947, os primeiros manuscritos foram encontrados em uma caverna às margens do Mar Morto por um jovem beduíno que cuidava de um rebanho de ovelhas. A notícia do achado espalhou-se rapidamente após a venda e aquisição dos primeiros manuscritos. De imediato a comunidade científica interessou-se pelo achado.

A École Biblique et Archéologique Française de Jerusalém desenvolveu pesquisas em Qumran e arredores desde o final da década de 40 até 1956. O chefe da equipe, no período de 1951 a 1956 foi o frei francês Roland Guérin de Vaux (1899-1971).

Aproximadamente 930 fragmentos de manuscritos hebraicos, aramaicos e gregos foram encontrados em onze cavernas em Qumran, datando de 250 a.C. ao século I da Era Cristã. Mais de mil corpos estão enterrados no cemitério de Qumran.

Santuário do Livro

O Santuário do Livro (em hebraico: היכל הספר Heikhal HaSefer) é uma ala do Museu de Israel perto de Givat Ram no nordeste de Jerusalém, hospeda os Pergaminhos do Mar Morto.

Sheol

Sheol, Xeol ou Seol, (pronunciado "Sheh-ól"), em Hebraico שאול (She'ol), é retratado originalmente como a "região dos mortos" ou "mundo dos mortos" de maneira genérica para toda a humanidade. É importante não se deve confundir com a ideia do purgatório católica ou com inferno de fogo.

Descobertas documentadas
Origem Discutida ou Reprovada

Noutras línguas

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