Livros de Crônicas

Os dois Livros de Crônicas, geralmente chamados de I Crônicas e II Crônicas, são livros do Antigo Testamento da Bíblia cristã. Eles geralmente aparecem depois dos dois Livros de Reis e antes do Livro de Esdras, concluindo a seção conhecida como "livros históricos do Antigo Testamento"[1], também conhecida como "história deuteronômica".

Na Bíblia hebraica, os livros de Crônicas aparecem num único livro, chamado "Diḇrê Hayyāmîm" (em hebraico: דִּבְרֵי־הַיָּמִים, "O Assunto dos Dias") e é o livro final do Ketuvim, a terceira e última parte do Tanakh. As Crônicas foram divididas em dois livros na Septuaginta, a tradução da Bíblia para o grego koiné realizada no século II a.C., chamados I e II Paralipoménōn (Παραλειπομένων, "coisas deixadas de lado") ou Paralipômenos[2]. O nome em português deriva do nome em latim destes livros, "chronikon", que foi dado por Jerônimo em sua tradução no século V.

Crônicas apresenta a narrativa bíblica começando no primeiro ser humano, Adão, e atravessando a história de Judá e Israel até a proclamação do rei persa Ciro, o Grande (c. 540 a.C.) libertando os israelitas do cativeiro na Babilônia.

Leaf of I Chronicles (recto) (8675415344)
Página de I Crônicas num códice francês do século XIII.

Resumo

A narrativa das Crônicas começa com Adão e segue, quase que exclusivamente através de listas genealógicas, até a fundação do primeiro Reino de Israel (I Crônicas 1-9). A restante de I Crônicas, depois de um breve relato sobre Saul, trata do reinado de David (I Crônicas 11-29). A longa seção seguinte narra o reinado de Salomão (II Crônicas 1-9), filho de David, e a parte final relata os eventos no Reino de Judá, com referências ocasionais ao segundo Reino de Israel (II Crônicas 10-36). No último capítulo, Judá é destruído e o povo é levado para o cativeiro na Babilônia. Nos versículos finais, o rei persa Ciro, o Grande, conquista o Império Neobabilônico, autoriza a reconstrução do Templo de Jerusalém e o retorno dos exilados[3].

Estrutura

Originalmente uma obra única, o livro de Crônicas foi dividido em dois na Septuaginta, a tradução para o grego realizada no século II a.C.[4]. O texto é dividido em três grandes seções: (i) as genealogias (I Crônicas 1-9), (ii) os reinados de Davi e Salomão (I Crônicas 10-29 até II Crônicas 1-9) e (iii) a história dos reinos divididos (II Crônicas 10-36). Nesta estrutura são evidentes sinais de que o autor utilizou vários recursos para estruturar sua obra, notavelmente o estabelecimento de paralelos entre David e Salomão: o primeiro tornou-se rei, estabeleceu a adoração do Deus de Israel em Jerusalém e travou as guerras que permitiram que o Templo fosse construído; o segundo tornou-se rei, construiu e dedicou o Templo e colheu os benefícios da paz e prosperidade no reino[5].

Composição

Domenico Gargiulo David bearing the ark of testament into Jerusalem
David levando a Arca da Aliança para a recém-conquistada Jerusalém.
Mendel II 150 v
Imagem da batalha contra os filisteus em I Crônicas 20.

Origem

Os últimos eventos em Crônicas ocorrem durante o reinado de Ciro, o Grande, o rei persa que conquistou o Império Neobabilônico em 539 a.C., a data mais antiga possível para a composição da obra. É provável que ela tenha sido escrita entre 400 e 250 a.C., mais provavelmente entre 350 e 300 a.C.[5]. A última pessoa mencionada em Crônicas é Anani, um descendente da oitava geração do rei Jeoaquim segundo o texto massorético. O nascimento de Anani provavelmente ocorreu em algum momento entre 425 e 400 a.C.[6] A Septuaginta apresenta mais cinco gerações na genealogia de Anani. Para os estudiosos que preferem esta leitura, a provável data de nascimento de Anani seria um século depois.[7]

Crônicas parece ter sido majoritariamente obra de um único indivíduo, com algumas poucas adições e edições posteriores. O autor era provavelmente um levita (sacerdote no templo) e provavelmente oriundo de Jerusalém. Ele era erudito, um editor habilidoso e um sofisticado teólogo. Sua intenção era usar o passado de Israel para passar mensagens religiosas aos seus pares, a elite política letrada de Jerusalém na época do Império Persa[5].

As tradições judaica e cristã identificam o autor como sendo Esdras, uma figura do século V a.C. que emprestou seu nome ao Livro de Esdras. Acredita-se que ele seja o autor de Crônicas e de Esdras-Neemias, mas a crítica textual posterior abandonou esta tese e passou a chamar o autor anônimo de "Cronista". Uma das mais notáveis características de Crônicas, apesar de inconclusiva, é que sua sentença final é repetida na abertura de Esdras-Neemias[5]. Na segunda metade do século XX houve uma radical reavaliação e muitos estudiosos atualmente consideram improvável que o autor de Crônicas seja também o autor das porções narrativas de Esdras-Neemias[8].

Fontes

Muito do conteúdo de Crônicas é uma repetição do material de outros livros da Bíblia, do Gênesis até os Livros de Reis, e, por isso, o consenso acadêmico é que estes livros (ou uma versão mais antiga deles) serviram de base para o autor de Crônicas. Contudo, é possível que o contexto tenha sido bem mais complexo e que livros como o Gênesis e os Livros de Samuel sejam contemporâneos a Crônicas, ou seja, todos eles se basearam nas mesmas fontes. Há também dúvidas sobre se o autor de Crônicas teria utilizado outras fontes além da Bíblia: se estas fontes existiram, seria um reforço à tese da Bíblia como uma fonte histórica confiável. Apesar de muitas discussões sobre o tema, não há consenso entre os estudiosos[9].

Gênero

Os tradutores responsáveis pela Septuaginta chamaram este livro de "coisas deixadas de lado", indicando que eles acreditavam tratar-se de material suplementar de outra obra, provavelmente de Gênesis-Reis, mas a ideia não parece se sustentar, uma vez que a maior parte deste material foi copiado quase que integralmente. Alguns estudiosos modernos propuseram que Crônicas seriam um midrash (um comentário tradicional judaico) sobre Gênesis-Reis, mas, novamente, esta hipótese parece não se sustentar, pois o autor (ou autores) não comentam sobre livros anteriores. Sugestões mais recentes indicam que Crônicas teria servido para clarificar a história de Gênesis-Reis ou como substituição ou alternativa a ela[10].

Temas

A mensagem que o autor desejava passar para sua audiência era a seguinte:

  • Deus está presente na história, especialmente na história de Israel. A fidelidade ou os pecados de reis individuais são imediatamente recompensados ou punidos por Deus — um contraste com a teologia dos Livros dos Reis, nos quais a fidelidade dos reis foi punida em gerações posteriores através do cativeiro na Babilônia[11];
  • Deus convoca Israel para uma relação especial. O chamado começa com as genealogias e gradualmente muda seu foco de toda a humanidade para a história de uma única família, a dos israelitas, os descendentes de Jacó. Israel "verdadeiro" é o que continua a adorar Javé no Templo de Jerusalém, o que implica que a história do histórico Reino de Israel é quase completamente ignorada em prol da história do Reino de Judá[12].
  • Deus escolheu Davi e sua linhagem como agentes de sua vontade. Segundo o autor de Crônicas, os três grandes eventos do reinado de Davi foram (i) o transporte da Arca da Aliança para Jerusalém, (ii) a fundação de uma dinastia real e (iii) os preparativos para a construção do Templo (que seria finalizado pelo seu filho)[12];
  • Deus escolheu o Templo de Jerusalém como local onde de adoração. Mais tempo e espaço para foram investidos na construção do templo e na criação de seus rituais do que em qualquer outro assunto. Ao enfatizar o papel central do Templo no Reino de Judá pré-cativeiro, o autor também enfatiza a importância do recém-reconstruído Segundo Templo na era persa para seus próprios leitores;
  • Deus permaneceu ativo em Israel. O passado é utilizado para legitimar o presente do autor: este artifício é claro na atenção aos detalhes que ele reserva ao templo construído por Salomão e também na genealogia e linhagens, elementos que ligam sua própria geração ao passado distante e, desta forma, reforçam que o presente é uma continuação do passado[13].

Referências

  1. Japhet 1993, p. 1-2.
  2. Japhet 1993, p. 1.
  3. Coggins 2003, p. 282.
  4. Japhet 1993, p. 2.
  5. a b c d McKenzie 2004.
  6. New Spirit-Filled Life Bible, Thomas Nelson, 2002, p. 519
  7. Isaac Kalimi. An Ancient Israelite Historian: Studies in the Chronicler, His Time, Place and Writing (em inglês). [S.l.]: Uitgeverij Van Gorcum. pp. 61–64. ISBN 978-90-232-4071-6
  8. Beentjes 2008, p. 3.
  9. Coggins 2003, p. 283.
  10. Beentjes 2008, p. 4-6.
  11. Hooker 2001, p. 6.
  12. a b Hooker 2001, p. 7-8.
  13. Hooker 2001, p. 6-10.

Bibliografia

Beentjes, Pancratius C. (2008). Tradition and Transformation in the Book of Chronicles (em inglês). [S.l.]: Brill. ISBN 9789004170445
Coggins, Richard J. (2003). «1 and 2 Chronicles». In: Dunn, James D. G.; Rogerson, John William. Eerdmans Commentary on the Bible (em inglês). [S.l.]: Eerdmans. ISBN 9780802837110
Hooker, Paul K. (2001). First and Second Chronicles (em inglês). [S.l.]: Westminster John Knox Press. ISBN 9780664255916
Japhet, Sara (1993). I and II Chronicles: A Commentary (em inglês). [S.l.]: SCM Press. ISBN 9780664226411
Kalimi, Isaac (2005). The Reshaping of Ancient Israelite History in Chronicles (em inglês). [S.l.]: Eisenbrauns. ISBN 9781575060583
Kelly, Brian E. (1996). Retribution and Eschatology in Chronicles (em inglês). [S.l.]: Sheffield Academic Press. ISBN 9780567637796
Klein, Ralph W. (2006). 1 Chronicles: A Commentary (em inglês). [S.l.]: Fortress Press
Knoppers, Gary N. (2004). 1 Chronicles: A New Translation with Introduction and Commentary (em inglês). [S.l.]: Doubleday
McKenzie, Steven L. (2004). 1–2 Chronicles (em inglês). [S.l.]: Abingdon. ISBN 9781426759802

Ligações externas

Versões em português

Texto massorético

A Cadeira do Dentista e Outras Crônicas

A Cadeira do Dentista e Outras Crônicas é um livro de crônica de Carlos Eduardo Novaes, publicado pela primeira vez em 1994. Faz parte da série Para Gostar de Ler (vol. 15), da Editora Ática.

A Garota da Terra do Vento

A Garota da Terra do Vento (em italiano Nihal della terra del vento) é o primeiro livro da Saga Crônicas do Mundo Emerso da escritora italiana Licia Troisi. Este livro conta o início das aventuras de Nihal, a garota de "cabelos azuis e orelhas pontudas" na busca para se tornar um cavaleiro de Dragão do mundo Emerso durante a guerra contra o Tirano e seu exército do mal.

Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1946) é um compositor e escritor brasileiro. Em 1966, ingressou na Faculdade de Medicina, especializando-se em Psiquiatria. Em 1973, abandonou a Medicina, passando a se dedicar exclusivamente à música.

Notabilizou-se como letrista a partir de suas parcerias com João Bosco, criando músicas como Bala com Bala (sucesso na voz de Elis Regina), O Mestre-Sala dos Mares, De Frente Pro Crime e Caça à Raposa.Uma de suas canções mais conhecidas, em parceria com João Bosco, é O Bêbado e a Equilibrista, lançada em 1979, que se tornou um hino contra a ditadura militar, também tendo sido gravada por Elis Regina. Em um de seus versos, "sonha com a volta do irmão do Henfil", faz-se referência ao cartunista Henrique de Sousa Filho, o qual na época tinha um irmão, o sociólogo Betinho, em exílio político no exterior.

Em 1968, compôs com Sílvio da Silva Júnior "A noite, a maré e o amor", música classificada no "III Festival Internacional da Canção" (TV Globo).No ano seguinte, classificou mais três músicas no "II Festival Universitário da Música Popular Brasileira": "De esquina em esquina" (com César Costa Filho), interpretada por Clara Nunes; "Nada sei de eterno" (com Sílvio da Silva Júnior), defendida por Taiguara; e "Mirante" (com César Costa Filho), interpretada por Maria Creuza.Em 1970, no "V Festival Internacional da Canção" classificou-se com a composição "Diva" (com César Costa Filho). Neste mesmo ano, despontou seu primeiro grande sucesso, "Amigo é pra essas coisas" em parceria com Sílvio da Silva Júnior, interpretado pelo grupo MPB-4, com o qual participou do "III Festival Universitário de Música Popular Brasileira".

Sua canção "Nação" (com João Bosco e Paulo Emílio), gravada em 1982 no disco de mesmo nome. foi grande sucesso na voz de Clara Nunes.Blanc também é autor, com Cleberson Horsth, da canção A Viagem, sucesso gravado pela banda Roupa Nova e tema da novela com o mesmo nome, sucesso em 1994.

Em 1996 foi gravado o disco comemorativo Aldir Blanc - 50 Anos, com a participação de Betinho ao lado do MPB-4 em O Bêbado e a Equilibrista no disco comemorativo. Esse disco apresenta diversas outras participações especiais, como Edu Lobo, Paulinho da Viola, Danilo Caymmi e Nana Caymmi. O álbum demonstra, também, a variedade de parceiros nas composições de Aldir, ao unir suas letras às melodias de Guinga, Moacyr Luz, Cristóvão Bastos, Ivan Lins e outros.

Outro parceiro notável é o compositor Guinga, com quem fez, dentre muitas outras, "Catavento e Girassol", "Nítido e Obscuro" e "Baião de Lacan".

Também em 1996, Leila Pinheiro lançou o disco Catavento e Girassol, exclusivamente com canções da parceria de Aldir Blanc com Guinga. No disco há uma homenagem a Hermeto Pascoal, com a música Chá de Panela, que diz que "foi Hermeto Pascoal que, magistral, me deu o dom de entender que, do riso ao avião, em tudo há som".

Em 2000, participou como convidado especial do disco do compositor Casquinha da Portela, interpretando a faixa "Tantos recados" (Casquinha e Candeia).

Publicou, em 2006 o livro "Rua dos Artistas e transversais" (Editora Agir), que reúne seus livros de crônicas "Rua dos Artistas e arredores" (1978) e "Porta de tinturaria" (1981), e ainda traz outras 14 crônicas escritas para a revista "Bundas" e para o "Jornal do Brasil".

Azarias (profeta)

Filho de Odede, profetizou positivamente para o Rei Asa.

Baal-Hanã

Baal-Hanã (em hebraico: בַּעַל חָנָן / בָּעַל חָנָן, hebraico padrão: Báʿal ḥanan, hebraico tiberiano: Báʿal ḥānān / Bāʿal ḥānān) significa "Baal é gracioso". Há dois homens por este nome na Bíblia hebraica. Em Gênesis 36:38-39, Baal-Hanã, é um rei de Edom. Ele também é mencionado na lista de Reis, em 1 Crônicas 1:49-50. Ele sucedeu Saul e foi sucedido por si Hadade. Era o filho de Acbor, e sua mulher Meetabel, filha de Matrede e neta de Mezaabe.

Ele é chamado o filho de Acbor, mas o nome de sua cidade natal não é dado. Por essa e outras razões, Marquart ("Fundamente Israelitischer und Jüdischer Gesch." 1896, pp 10 e segs.) supõe que "filho de Acbor" é uma duplicata de "filho de Beor" , e que "Baal-Hanã", no texto original é dado como o nome do pai do rei seguinte, Hadar.

A historicidade e até mesmo a data de seu reinado são desconhecidas, já que ele não é mencionado em nenhuma outra fonte de sobrevivência.

Nos livros de Crônicas há também um segundo homem com esse nome, da cidade de Geder. Em 1 Crônicas 27:28 ele é descrito como sendo responsável ao rei Davi para o cuidado das oliveiras e sicômoros.

Bionicle Chronicles

Crônicas Bionicle é o primeiro livro da série baseada no universo Bionicle. Abrange os acontecimentos que estão ocorrendo no enredo de 2001 - 2002 arco da história - 2003. A maioria dos livros de Crônicas foram escritas por Cathy Hapka (excepto para Tales of the Masks que foi escrito por Greg Farshtey).

Cláudio Moreno

Cláudio Moreno (Rio Grande (Rio Grande do Sul), 31 de agosto de 1946) é um professor, escritor, colunista e ensaísta brasileiro. Formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1968, Moreno obteve o título de mestre em 1977 e concluiu em 1997 seu doutorado em Letras.

É autor de livros na área de gramática e redação, tendo também escrito um romance e dois livros de crônicas.

II Crônicas

II Crônicas é um dos livros históricos do Antigo Testamento da Bíblia, vem depois de I Crônicas e antes do Livro de Esdras. Possui 36 capítulos e foi desmembrado de I Crônicas com o qual formava originalmente um único livro. Narra acontecimentos de um período da história dos judeus, desde o reinado de Salomão, por volta de 970 a.C., até a destruição do Reino de Judá por Nabucodonosor, imperador da Babilônia, fato ocorrido em torno de 586 a.C.

Embora seja incerta a sua autoria, a tradição judaica afirma que o livro de II Crônicas teria sido escrito por Esdras, por volta de 430 a.C., o qual tinha o propósito de resgatar os padrões de culto e de adoração ao Deus de Israel, no período após o exílio babilônico, resgatando assim a história do seu povo.

A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias, formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do século IV AC, trata-se de um grande conjunto narrativo, que vai desde Adão até a organização da comunidade judaica depois do Exílio na Babilônia (por volta de 400 AC).

A Bíblia de Jerusalém sustenta que o autor das Crônicas é um levita de Jerusalém, que escreveu numa época sensivelmente posterior a Esdras e Neemias, pois parece combinar as fontes que se referem a eles, portanto, pouco antes do ano 300 AC, parece ser a data mais verossímil. A obra teria recebido algumas adições posteriores, especialmente em: I Cr 2-9, I Cr 12, I Cr 15 e uma longa adição em I Cr 23,3-I Cr 27, 34.

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que originalmente Crônicas I e II eram um único livro, sendo artificial sua divisão em dois livros, e que haveria um único autor para Crônicas, Esdras e Neemias, e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC. Esta edição também considera viável a hipótese do autor das Crônicas ser um levita.

Os nove primeiros capítulos deste segundo livro II Cr 1-II Cr 9 contam a história do reinado de Salomão, contendo um detalhado registro da construção do templo, cumprindo a promessa feita a seu pai, David, trata-se de um relato que omite aspectos negativos como o luxo e a idolatria no final daquele reinado.

Os capítulos seguintes II Cr 10-II Cr 36 relatam a partir do cisma ocorrido após a morte de Salomão, em torno de 930 a.C., no reinado de Roboão, e prossegue com a história dos outros reis que governaram Judá, os quais muitas das vezes afastaram-se dos mandamentos divinos, tolerando ou introduzindo a idolatria entre o povo, o que importava em castigos, sofrimentos e derrotas militares para as nações vizinhas.

A partir de então, os principais pontos de destaque do livro seriam os reinados de Asa e de Josafá, a morte de Acabe, o reinado de Uzias, a destruição do Reino de Israel pelos assírios, o reinado de Ezequias e a resistência de Jerusalém ao cerco de Senaqueribe, a idolatria de Manassés, o reinado de Josias, o achado do livro da lei mosaica e a derrota de Judá pela Babilônia.

I Crônicas

I Crônicas é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, vem depois de II Reis e antes de II Crônicas . Possui 29 capítulos.

De autoria incerta, a tradição judaica afirma que o livro de I Crônicas teria sido escrito por Esdras, por volta de 430 a.C., o qual tinha o propósito de resgatar os padrões de culto e de adoração a Deus no período após o cativeiro babilônico, resgatando assim a história do seu povo.

A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias, formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do século IV AC, trata-se de um grande conjunto narrativo, que vai desde Adão até a organização da comunidade judaica depois do Exílio na Babilônia (por volta de 400 AC).

A Bíblia de Jerusalém sustenta que o autor das Crônicas é um levita de Jerusalém, que escreveu numa época sensivelmente posterior a Esdras e Neemias, pois parece combinar as fontes que se referem a eles, portanto, pouco antes do ano 300 AC, parece ser a data mais verossímil. A obra teria recebido algumas adições posteriores, especialmente em: I Cr 2-9, I Cr 12, I Cr 15 e uma longa adição em I Cr 23, 3-I Cr 27, 34.

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que originalmente Crônicas I e II eram um único livro, sendo artificial sua divisão em dois livros, e que haveria um único autor para Crônicas, Esdras e Neemias, e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC. Esta edição também considera viável a hipótese do autor das Crônicas ser um levita.

Os primeiros nove capítulos (I Cr 1-I Cr 9) contém uma longa lista de genealogias dos israelitas, desde Adão até os descendentes de Saul, os capítulos seguintes (I Cr 10-I Cr 29) narram a história do reinado de David, num relato que omite aspectos negativos como o pecado com Betsabeia e a revolta de Absalão.

Com a morte de Saul, em torno de 1010 a.C., Davi torna-se rei sobre todo o Israel e conquista a cidade de Jerusalém (1000 a.C.) que até então era uma fortaleza ocupada pelos jebuseus e se torna a capital de seu governo. Resolve então trazer a Arca da Aliança para Jerusalém e decide construir um templo para Deus na cidade, mas recebe uma mensagem do profeta Natã dizendo que o santuário seria edificado após sua morte por seu filho.

No entanto, Davi começa a fazer os preparativos para a edificação do templo de Jerusalém, reunindo o material que seria necessário para a futura obra. Faz de seu filho Salomão rei e lhe dá todas as orientações para que o templo viesse a ser construído por seu sucessor dentro de certos padrões.

O livro termina, em seus últimos versos, informando sobre o falecimento de Davi (970 a.C.) que teria reinado sobre Israel por quarenta anos e morreu, numa "boa velhice, cheio de dias, riquezas e glória", sucedido no trono por seu filho Salomão. A história continua no livro II Crônicas.

José Olívio Paranhos Lima

José Olívio Paranhos Lima (Catu, 2 de setembro de 1955) é um escritor brasileiro, autor de livros de crônicas e poesia e, sobretudo, em cordel, membro da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel, entidade sediada no Mercado Modelo, em Salvador, considerado um dos grandes nomes nesta modalidade literária.

O Homem Nu

O Homem Nu é um livro de crônicas e contos do escritor brasileiro Fernando Sabino, publicado em 1960 pela Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta.Quarenta crônicas e pequenos contos formam o livro, que traz reflexões sobre o cotidiano. Uma das crônicas, a que dá o título ao livro - O Homem Nu -, fala sobre um homem que, ao ir apanhar o pão, se vê do lado de fora do apartamento completamente nu, sem conseguir entrar. Outra crônica é sobre um delegado às voltas com um crime de morte em que não há nem assassinos nem assassinados.

O conto teve duas adaptações para o cinema, uma em 1968, dirigida por Roberto Santos e protagonizada por Paulo José, e outra em 1997, dirigida por Hugo Carvana com Cláudio Marzo no papel-título.

Para Viver um Grande Amor (livro)

Para Viver um Grande Amor é um livro de Vinícius de Moraes lançado em 1962, contendo crônicas e poemas..

Este livro tem o mesmo título de uma das mais celebradas canções de Vinicius.

Prece de Manassés

A prece de Manassés é um texto religioso que se refere à oração pronunciada por ocasião da conversão do ímpio rei Manassés, quando ele foi levado cativo para a Babilônia e, se encontrando angustiado, orou diante de Deus arrependendo-se de seus pecados (II Crônicas 33:11-13)

O texto encontra-se em algumas traduções da Bíblias nos idiomas grego e eslavo, mas não faz parte do cânon católico, razão porque foi colocada - tardiamente - em separado, em apêndice, na Vulgata latina.

A oração é certamente de origem judaica e imita os salmos penitenciais. O autor, desconhecido, utilizou-se do grego e escreveu a oração provavelmente entre os séculos II ou I a.C., possivelmente no Egito. Existem antigas traduções também em siríaco, armênio e árabe. Entretanto, no livro de II Crônicas do Antigo Testamento bíblico há uma referência de que a oração possa ter sido registrada por algum dos profetas e que tenha sido anterior ao texto originário do século II a. C.

E a sua oração, como Deus se aplacou para com ele, e todo o seu pecado, e a sua transgressão, e os lugares onde edificou altos e pôs bosques e imagens de escultura, antes que se humilhasse, eis que está tudo escrito nos livros dos videntes. (II Cr 33:19)

Considerando que os dois livros de Crônicas teriam sido escritos por Esdras, por volta de 430 a.C., após o cativeiro babilônico, é certo que as cópias do texto do século II a.C. seriam reproduções parciais de algum outro manuscrito antigo.

Reino de Israel

O Reino de Israel de acordo com a Bíblia, foi a nação formada pelas 12 Tribos de Israel, um povo descendente de Jacó, Isaque e Abraão.

Segundo a história narrada na bíblia, após o Êxodo do Egito, sob a liderança de Moisés, os israelitas que eram nômadas/nómadas vaguearam pelo médio oriente durante décadas até que no final do século XIII a.C. sob a liderança de Josué os israelitas conquistam a terra de Canaã, abandonam o nomadismo e estabelecem-se nas terras conquistadas, dividindo o território entre as 12 tribos. O reino surge em meados do século XI a.C. na sequência da unificação das 12 tribos sob a chefia de Saul, seu primeiro rei.

Contudo não existia um verdadeiro poder central pois cada tribo governava a si própria. Os líderes nacionais, que se designavam "Juízes" tinham um poder muito frágil e só conseguiam unir as várias tribos em caso de guerra com os povos inimigos. A união entre as tribos era tão frágil que por vezes se guerreavam entre si. A Confederação Israelita, da era anterior ao Reino de Israel, também tem sido considerada uma espécie de república.

Cansados destas situações as tribos israelitas resolveram unir-se e instaurar uma monarquia. O profeta Samuel, último dos Juízes, designou Saul, da Tribo de Benjamim, como o primeiro Rei de Israel. O reino abrangia a região montanhosa de Judá e de Efraim, cuja capital era Gibeal.

Estudiosos modernos, incluindo crítica textual e arqueológica, tem contestado a versão bíblica da história do Reino, incluindo a história de como o reino do norte de Israel se desvinculou de uma monarquia unida com o reino sulista de Judá, afirmando que a civilização israelita nortenha se desenvolveu independentemente de Judá, uma área rural comparativamente menor, e só atingiu um nível de sofisticação política, econômica, arquitetural e militar quando o reino foi absorvido pela dinastia Omride, por volta de 884 EC.

Reino de Judá

O Reino de Judá (em hebraico: מַמְלֶכֶת יְהוּדָה, Mamlekhet Yehuda), limitava-se ao norte com o Reino de Israel, a oeste com a inquieta região costeira da Filístia, ao sul com o deserto de Negueve, e a leste com o rio Jordão e o mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região alta, geograficamente isolada por colinas de montanhas ao oeste, o mar Morto a leste e pelo deserto de Negueve ao sul. Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo de Jerusalém, o qual segundo a Bíblia, teria sido erigido por ordem do rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança (ou Arca do Pacto).

Após a divisão do reino, no quinto ano do reinado do rei Roboão, o faraó Sisaque I invadiu o território dos hebreus e transformou o Reino de Judá num estado tributário. Esse fato evidenciado no relato bíblico (II Crônicas 12.2) e comprovado por inscrições egípcias. (Inscrição mural sobre Sisaque I no Templo de Carnaque e a estela de Megido). Devido à sua posição estratégica às portas da península do [Sinai] e acesso ao Baixo Egito, foi utilizada pelo faraó como um Estado tampão, o que lhe pouparia de usar seus próprios exércitos para defender esta fronteira.

O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filisteus. A Bíblia afirma que o Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em Deus (Javé ou Jeová), enquanto que Israel setentrional tornara-se fortemente influenciado pela cultura cananeia e pela religião fenícia. O culto a Hashem e preservação da linhagem real davídica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Antigo Testamento, a justificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino de Judá, ao passo que o politeísmo do Reino de Israel teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes (enquanto o Reino de Judá permaneceu sob a dinastia dos descendentes do rei David, o Reino de Israel passou por várias dinastias e golpes de Estado).

A arqueologia vem demonstrando que, durante os séculos IX e VIII a.C., Judá não passava de uma região atrasada, predominantemente rural, prejudicado pelo isolamento geográfico e com uma população politeísta formada principalmente por pastores nômades e mencionado por fontes estrangeiras pela primeira vez apenas em 750 a.C., dois séculos após a formação do Reino de Israel. Este, por outro lado, localizado numa região mais privilegiada para a agricultura e rota de comércio entre os portos fenícios e os estados mesopotâmicos, gozou de grande desenvolvimento anterior, durante os séculos IX e VIII a.C., estendendo suas fronteiras entre os territórios arameus ao norte da Galileia, instalando palácios em diversas partes do reino e formando um poderoso exército. O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão II, em 722 a.C., o que o levou a buscar prestar vassalagem junto à Assíria. Ironicamente, a destruição do reino do norte pelos assírios causou um grande florescimento do reino de Judá, ao sul. A população cresceu enormemente, alimentada pelos refugiados hebreus do norte e Jerusalém, antes uma pequena cidade de um reino pobre e isolado no sul, tornou-se o grande centro de influência entre todos os hebreus. Mais tarde, devido à recusa do rei Ezequias em continuar pagando tributos à Assíria, o rei Senaqueribe invadiu o Reino de Judá e sitiou Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi "subitamente destruído por obra de Deus". Os registros assírios em Nínive e os trabalhos arqueológicos realizados na região apontam para uma situação diferente. Embora Jerusalém tenha sido apenas saqueada e poupada da devastação e do terrorismo de estado praticados pelos assírios contra populações rebeldes, outras cidades do reino de Judá, como a rica Laquis, na região oeste do reino, não contaram com a mesma sorte e foram pilhadas, com seus moradores assassinados ou escravizados. O rei Senaqueribe, ao encerrar sua campanha na Palestina, concedeu ao reino de Judá um saldo considerado como desastroso, incluindo a redução de um terço da população do reino e a perda da rica região do Sefelá, produtora de cereais, transferida pelos assírios aos seus vassalos filisteus.

Renato Maurício Prado

Renato Maurício do Prado Silva (Rio de Janeiro) é um jornalista esportivo brasileiro.

Schifaizfavoire - Dicionário de Português

Schifaizfavoire: Dicionário de Português é um livro de Mário Prata publicado em 1994, que aborda as diferenças linguísticas entre o português brasileiro e o português europeu. A obra, retrata com ironia o que diferencia em termos a língua que dois países tem em comum. Este livro foi escrito com base na vivência solitária do autor em Lisboa por dois anos.

Muitos interpretaram este livro como uma sutil crítica aos intelectuais e acadêmicos que pretendem unificar o idioma.

Viagem (livro)

Viagem é o um livro de crônicas de Graciliano Ramos. Publicado postumamente em 1954 narra a viagem que Graciliano fez em 1952 à Tchecoslováquia e à URSS.

Apesar de ser filiado ao Partido Comunista, a convite de Luís Carlos Prestes, sua narrativa se pretende neutra. Apesar do tom neutro, o livro não é isento de críticas ao pensamento político soviético; ao falar de seu culto à imagem de Stalin, Graciliano provoca: "Realmente não compreendemos, homens do Ocidente, o apoio incondicional ao dirigente político; seria ridículo tributarmos veneração a um presidente da república na América do Sul" (RAMOS:2007,54)

Viventes das Alagoas

Viventes das Alagoas é um livro reunindo crônicas, ensaios e outros textos de Graciliano Ramos, publicado em 1962.

A maior parte dos textos foi escrita por Graciliano para diversos jornais e revistas a partir de 1937, logo depois de sua experiência como preso político do Estado Novo. Já morando no Rio de Janeiro, colaborou com O Cruzeiro, Cultura Política (na seção Quadros e costumes do Nordeste, da qual foi retirado o maior volume de crônicas de Viventes), Diário de Notícias e A Tarde.

Completam o livro relatórios que Graciliano Ramos redigiu quando era prefeito de Palmeira dos Índios, substituindo a linguagem burocrática por uma observação irônica da administração pública.

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