Livro de Josué

O Livro de Josué (em hebraico: ספר יהושע , Sefer Yĕhôshúa) é o sexto livro da Bíblia hebraica (e do Antigo Testamento cristão) e o primeiro livro da história deuteronômica, a história de Israel da conquista de Canaã até o exílio na Babilônia[1]. Ele narra as campanhas dos israelitas nas regiões norte, sul e central de Canaã, a destruição de seus inimigos e a divisão das terras conquistadas entre as doze tribos. O texto está emoldurado por dois discursos no começo e no fim, o primeiro de Deus ordenando a conquista da região e o segundo, de Josué alertando sobre a necessidade da observância fiel da lei revelada a Moisés.[2]

Quase todos os estudiosos concordam que o livro de Josué possui pouco valor histórico para os primeiros anos de Israel e provavelmente reflete eventos muito posteriores.[3] Embora a tradição rabínica defenda que o livro foi escrito por Josué, é provável que ele tenha tido múltiplos autores e editores, todos muito distantes no tempo dos eventos relatados.[4] As partes mais antigas do livro provavelmente são os capítulos 2 a 11, a história da conquista. Eles foram depois incorporados numa versão antiga escrita no final do governo do rei Josias (r. 640–609 a.C.). A versão final só foi completada depois da conquista de Jerusalém pelo Império Neobabilônico em 586 a.C., possivelmente só depois do final do exílio na Babilônia em 539 a.C.[5]

Na Antiguidade era conhecido também como Jesus Nave[6].

Prise de Jéricho
Captura de Jericó, um dos momentos mais marcantes do Livro de Josué (Josué 6:).
Iluminura de Jean Fouquet (séc. XV).

Conteúdo

Estrutura

I. Transferência da liderança de Moisés para Josué
A. Missão de Deus a Josué (1:1–9)
B. Instruções de Josué ao povo (1:10–18)
II. Invasão e conquista de Canaã
A. Invasão de Canaã
1. Reconhecimento de Jericó (2:1–24)
2. Travessia do rio Jordão (3:1–17)
3. Primeira conquista em Gilgal (4:1–5:1)
4. Circuncisão e Páscoa (5:2–15)
B. Vitória sobre Canaã (6:1–12:24)
1. Destruição de Jericó (6)
2. Fracasso e sucesso em Ai (7:1–8:29)
3. Renovação da aliança no monte Ebal (8:30–35)
4. Outras campanhas em Canaã central (9:1–27)
5. Campanhas em Canaã meridional (10:1–43)
6. Campanhas em Canaã setentrional (11:1–15)
7. Sumário das terras conquistadas (11:16-23)
8. Lista dos reis derrotados (12:1–24)
III. Divisão das terras entre as doze tribos
A. Instruções de Deus a Josué (13:1–7)
B. Porção de cada tribo (13:8–19:51)
1. Tribos orientais (13:8–33)
2. Tribos ocidentais (14:1–19:51)
C. Cidades-santuário e cidades levitas (20:1–21:42)
D. Sumário da conquista (21:43–45)
E. Debandada das tribos orientais (22:1–34)
IV. Conclusão
A. Discurso de adeus de Josué (23:1–16)
B. Aliança em Siquém (24:1–28)
C. Mortes de Josué e Eleazar; enterro dos ossos de José (24:29–33)[2]

Narrativa bíblica

Missão de Deus para Josué (capítulo 1)

O capítulo 1 começa «depois da morte de Moisés» (Josué 1:1) e apresenta o primeiro dos três momentos fundamentais em Josué marcados por grandes discursos e reflexões pelos personagens principais. Neste capítulo, primeiro Deus e depois Josué discursos sobre o objetivo da conquista de Canaã, a Terra Prometida. No capítulo 12, o narrador relembra a conquista e, no capítulo 23, Josué discursa sobre o que precisa ser feito para que Israel possa viver em paz na nova terra.[7]

Benjamin West - Joshua passing the River Jordan with the Ark of the Covenant - Google Art Project
Travessia do rio Jordão com a Arca da Aliança.
1800. Por Benjamin West, no Art Gallery of New South Wales, no Reino Unido.

O escrito metodista Joseph Benson sugere que a revelação de Deus a Josué ocorreu "ou imediatamente depois [da morte de Moisés] ou quando o luto pela morte dele acabou".[8]

Deus ordena que Josué conquista o território e alerta para que ele se mantenha fiel à aliança. O discurso de Deus já adianta os principais temas do livro: a travessia do Jordão e a conquista da terra, sua distribuição e a necessidade imperativa de obediência à lei; a obediência imediata do próprio Josué aparece em seus discursos aos comandantes israelitas e às tribos transjordanianas; a afirmação da liderança de Josué pelas tribos transjordanianas ecoa as garantias de vitórias prometidas por Deus.[9]

Invasão e conquista (capítulos 2–12)

Os israelitas atravessam o rio Jordão por intervenção de Deus e com a ajuda da Arca da Aliança e são circuncidados em Gibeath-Haaraloth (que significa "morro dos prepúcios"), rebatizado Gilgal ("círculo de pedras"). A conquista começa em Canaã com a Batalha de Jericó e a conquista de Ai, depois da qual Josué constrói um altar a Javé no monte Ebal e renova a aliança. Esta cerimônia revela elementos de uma cerimônia de concessão divina de terras similares às realizadas na época na Mesopotâmia.[10]

A narrativa então se volta para o sul. Os gibeonitas enganam os israelitas afirmando não ser cananeus, o que evita que eles sejam exterminados e somente escravizados. Uma aliança de reinos amoritas liderada pelo rei cananeu de Jerusalém é derrotada com a ajuda divina de Javé, que parou o sol e a lua no céu e fez chover enormes granizos (Josué 10:10-14). Os reis inimigos foram capturados e enforcados em árvores[nota 1].[11]

Com o sul conquistado, a narrativa volta para o norte. Uma poderosa coalização multi-étnica liderada pelo rei de Hazor, a mais importante cidade da região, é derrotada com a ajuda de Javé e a cidade é capturada e destruída. Josué 11:16-23 sumariza a conquista: Josué conquistou toda a terra, quase que inteiramente através de vitórias militares, com a única exceção da escravização dos gibeonitas. A conquista «levou muito tempo» (Josué 11:18), cinco anos segundo algumas versões da Bíblia.[12] O clérigo anglicano Charles Ellicott defende que "a guerra parece ter durado sete anos".[13]

O território então «cessou de ter guerra» (Josué 11:23), uma afirmação repetida em Josué 14:15. O capítulo 12 lista os reis derrotados em ambos os lados do Jordão: os dois reis a leste do Jordão que foram derrotados sob a liderança de Moisés (Josué 12:1-6 e Números 21:) e os 31 reis a oeste derrotados por Josué (Josué 12:7-24).

Divisão do território (capítulos 13–22)

12 Tribes of Israel Map-pt
Mapa da recém-conquistada Canaã e o território destinado a cada uma das doze tribos de Israel. A leste (direita na imagem) do Jordão, as chamadas "tribos transjordanianas".

Estando «Josué já velho e mui avançado em anos» (Josué 13:1) — "cerca de noventa anos de idade" na estimativa da Cambridge Bible for Schools and Colleges.[14] Joseph Benson estima que ele tinha 83 anos,[15] enquanto Jamieson-Fausset-Brown defende que ele tinha "provavelmente mais de cem anos".[16]

Esta distribuição é a "concessão de terras da aliança": Javé, como rei, está entregando a cada uma das tribos de Israel seu território.[17] As "cidades-santuário" e as cidades levitas estão no final, pois é necessário que cada tribo receba sua concessão antes que cada uma delas destaque uma porção de seu território para elas. As tribos transjordanianas são dispensadas depois de reafirmarem sua lealdade a Javé. O livro reafirma a alocação de Moisés de terras a leste do Jordão ("transjordão") para as tribos de Rúben, Gade e metade de Manassés (Josué 13:8-32, seguindo Números 32:1-42) e depois descreve como Josué dividiu a recém-conquistada terra de Canaã em partes sorteadas entre tribos numa loteria.[18] Josué 14:1 também faz referência ao papel do sacerdote Eleazar, filho de Aarão, à frente de Josué no processo de distribuição[nota 2]. A descrição serve à função teológica de mostrar como a Terra Prometida se torna realidade na narrativa bíblica; sua origem é incerta, mas estas descrições podem ser o reflexo de relações geográficas entre os locais citados[20]:5.

A escolha de palavras em Josué 18:1-4 sugere que as tribos de Rúben, Gade, Judá, Efraim e Manassés receberam seus lotes de terra algum tempo antes das "sete tribos que ainda não haviam repartido a sua herança" e uma expedição de 21 membros (três de cada tribo) foi enviada para avaliar o restante da terra com o objetivo de organizar a divisão entre as tribos de Simeão, Benjamim, Aser, Naftali, Zebulom, Issacar e Dan. Logo depois, 48 cidades levitas e suas zonas rurais foram alocadas à tribo de Levi (Josué 21:1-41, seguindo Números 35:7).

Ausente no texto massorético hebraico, mas presente na Septuaginta grega, está a seguinte afirmação:

Josué completou a divisão do território em suas fronteiras e os filhos deram uma porção a Josué a mando do Senhor. Eles deram-lhe a cidade que ele pediu, Timnate-Sera lhes deram no monte Efraim, e Josué construiu a cidade e habitou nela. E Josué tomou as facas de pedra com as quais ele havia circuncidado os filhos de Israel, que estavam no caminho no deserto, e ele as depositou em Timnate-Sera"
 

No final do capítulo 21, a narrativa relata que o cumprimento da promessa de terras, descanso e supremacia sobre seus inimigos feita por Deus aos israelitas estava completa. O autor da Epístola aos Hebreus cita Josué e a promessa de descanso em Hebreus 4:8 ("Pois se Josué lhes houvesse dado descanso, não teria depois falado de outro dia"). As tribos as quais Moisés concedeu terras a leste do Jordão receberam permissão para voltar para casa em Gileade (utilizada no sentido mais amplo, significando toda a Transjordânia)[22] depois de terem mantido sua promessa de ajudarem na conquista de Canaã. Como recompensa, levaram consigo «muitíssimo gado, prata, ouro, cobre, ferro e muitíssimos vestidos» (Josué 22:8).

Discursos de despedida de Josué (capítulos 23–24)

Josué, já idoso e ciente de que está «indo pelo caminho de toda a terra» (Josué 23:14) reúne os líderes dos israelitas, "talvez em Timnate-Sera ou, possivelmente, em Siló"[23] e relembra as grandes obras que Javé realizou por eles e reforça a necessidade de se amar Javé. Os israelitas são informados — exatamente como o próprio Josué havia sido informado em Josué 1:7 — de que devem «guardar e cumprir tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés, para que dela não vos desvieis nem para a direita nem para a esquerda» (Josué 23:6), ou seja, se nada acrescentar ou remover da lei.[24] O povo deverá permanecer fiel a Javé e à aliança e Josué alerta que o julgamento virá se (ou quando) Israel deixá-lo para seguir outros deuses.

No capítulo 24, Josué se encontra novamente com os israelitas, desta vez em Siquém, e discursa novamente. Ele reconta a história da formação da nação israelita por Deus, começando com «Terá, pai de Abraão, e pai de Naor» (Josué 24:2), que viveram além do Eufrates e serviam a outros deuses. Ele convida os israelitas a escolherem entre servirem ao Senhor, que os libertou do Egito, ou aos deuses de seus ancestrais, ou aos deuses dos amoritas, em cujas terras eles viviam. O povo escolheu servir ao Senhor, uma decisão que Josué registou no «livro da lei de Deus» (Josué 24:26). Ele então mandou erigir um memorial de pedra "debaixo do carvalho que estava no santuário de Javé", geralmente ligado ao carvalho de Moré, onde Abraão acampou em suas viagens pela região (Gênesis 12:6). Assim, "Josué fez uma aliança com o povo, literalmente 'cortou uma aliança', uma frase comum ao hebraico, grego e latim e derivada do costume do sacrifício, no qual as vítimas eram cortadas em pedações e oferecidas à divindade invocada para ratificar a aliança".[25]

Conclusão do livro

O livro de Josué acaba com três pontos finais (referidos na Bíblia de Jerusalém como "Duas Adições"): The Book of Joshua closes with three concluding items (referred to in the Jerusalem Bible as "Two Additions"):

  • A morte de Josué e seu sepultamento em Timnate-Sera (24:29-31);
  • O sepultamento dos ossos de José em Siquém (24:32);
  • A morte de Eleazar e seu sepultamento na terra de Fineias, nas montanhas de Efraim (24:33).
Washington Manuscript I - Deuteronomy and Joshua (Codex Washingtonensis)
Manuscrito do Deuteronômio e Josué no Codex Washingtonensis (início do século V).

Não há cidades levitas entregues aos descendentes de Aarão em Efraim e, por isso, os teólogos Keil & Delitzsch supõem que este local pode ter sido Geba, no território de Benjamim: "a situação, 'nas montanhas de Efraim', não está em discordância com esta tese, pois estas montanhas se estendiam, segundo Juízes 4:5 etc., até bem o interior do território de Benjamim".[26]

Em alguns manuscritos e edições da Septuaginta, existe um versículo adicional citando a apostasia dos israelitas depois da morte de Josué.[27]

Composição

O Livro de Josué é anônimo. O Talmude Babilônico, escrito entre os séculos III e V, foi o primeiro a atribuir autores a vários dos livros da Bíblia hebraica: cada livro, segundo ele, foi escrito por um profeta e cada profeta foi testemunha dos eventos descritos no livro que leva seu nome, incluindo Josué. A ideia foi rejeitada como impossível por João Calvino (1509-1564) e, já na época de Thomas Hobbes (1588-1679), se reconhecia que o livro deve ter sido escrito muito depois dos eventos relatados.[28] Atualmente concorda-se que Josué foi composto como parte de uma obra maior, a história deuteronômica, que começa no Deuteronômio e vai até os Livros de Reis.[29] Em 1943, o estudioso bíblico alemão Martin Noth sugeriu que esta história foi composta por um único autor (ou editor) da época do cativeiro na Babilônia (século VI a.C.).[30] Uma importante alteração na teoria de Noth foi proposta em 1973 pelo estudiosos americano Frank M. Cross, que propôs que duas edições da história são perceptíveis, a primeira e mais importante da época da corte do rei Josias, no final do século VII a.C., e a segunda correspondente à versão de Noth.[31] Estudiosos posteriores detectaram mais autores ou editores que os dois.[32]

Temas e gênero

Achanstoned
Acã apedrejado por desobedecer a ordem de Javé de herem (a expulsão total dos cananeus) em Josué 7:
046.The Walls of Jericho Fall Down
Desmoronamento da muralha de Jericó (Josué 5:16, Josué 6:1-10, 13-19).

Evidências históricas e arqueológicas

A visão acadêmica predominante atualmente é que o Livro de Josué não é um relato factual de eventos históricos.[33] O período histórico relatado é, provavelmente, o século XIII a.C.,[33] um período no qual diversas cidades foram destruídas na região. Porém, com umas poucas exceções (Hazor, Laquis), as cidades destruídas não são as relacionadas pela Bíblia a Josué. Estas, por sua vez, mostram poucos ou nenhum sinal de terem sido ocupadas ou destruídas nesta época.[34] Dada esta falta de historicidade, Carolyn Pressler, em seu comentário sobre o livro, sugere que os leitores de Josué devem priorizar sua mensagem teológica e atentar para o que ela significaria para as audiências dos séculos VII e VI a.C.[35] Richard Nelson explica: as necessidades da monarquia centralizada favoreciam uma história fundacional combinando antigas tradições de um êxodo do Egito, de um deus nacional como "guerreiro divino", explicações para cidades destruídas, estratificações sociais, grupos étnicos e tribos contemporâneas.[36]

Temas

O tema teológico mais amplo da história deuteronômica é a manutenção da fé e a misericórdia de Deus (e seus opostos, a apostasia e a ira divina). Em Juízes e Reis, Israel perde a fé e Deus acaba revelando sua fúria ao enviar seu próprio povo para o exílio,[37] mas, em Josué, Israel é obediente, o próprio Josué é fiel e Deus cumpre sua promessa entregando-lhes a terra.[38] A campanha militar de Javé em Canaã valida a reivindicação de Israel à terra[39] e provê um paradigma de como Israel deve viver nela: doze tribos, cada uma com líder, unidas por uma aliança na guerra e na adoração apenas de Javé num santuário único, tudo conforme os mandamentos de Moisés detalhados no Deuteronômio.[40]

Deus e Israel

O Livro de Josué avança o tema do Deuteronômio de Israel como um único povo adorando Javé no território que Ele lhes deu.[41] Javé, como personagem principal do livro, toma a iniciativa na conquista do território e o Seu poder vence batalhas (como, por exemplo, quando a muralha de Jericó desaba por que Javé luta por Israel e não pela perícia dos israelitas).[42] A potencial desunião de Israel é um tema constante, a grande ameaça vindo das tribos a leste do Jordão (Rúben, Gade e metade de Manassés). Josué 22:19 sugere que estas terras são impuras e que as tribos que vivem lá tem um status secundário.[43]

Território

Território é o tema central de Josué.[44] A introdução do Deuteronômio reconta como Javé concedeu o território aos israelitas, mas depois retirou a dádiva quando Israel hesitou em conquistá-la depois que dos doze espiões, apenas Josué e Calebe confiaram em Deus.[45] O território é de Javé para dar ou retirar e o fato de Ele o ter prometido a Israel dá aos israelitas um direito inalienável de tomá-lo. Para os leitores do período do exílio em diante, o território era tanto um sinal da fidelidade de Javé e da falta de fé de Israel, mas também o centro de sua identidade étnica. Na teologia deuteronomista, "descanso" significa a posse sem conflitos do território, uma promessa que começa a se realizar com as conquistas de Josué.[46]

Inimigos

Josué "realiza uma campanha sistemática contra os civis de Canaã — homens, mulheres e crianças — que chega a ser um genocídio".[47] Ao fazê-lo, ele está realizando um herem como ordenado por Javé em Deuteronômio 20:16: "nada que tem fôlego deixarás com vida". O objetivo é expulsar os cananeus e tomar suas posses, com a implicação de que não deve haver tratados com o inimigo, misericórdia depois das batalhas ou casamentos com suas mulheres.[9] "O extermínio das nações glorifica Javé como guerreiro e promove a reivindicação de Israel ao território" enquanto que a sobrevivência continuada do inimigo "explora os temas da desobediência e punições e antecipa a história contada em Juízes e Reis".[48] O chamado divino pelo massacre na Batalha de Jericó e em outras pode ser explicado pelas normas culturais (Israel certamente não era o único estado da Idade do Ferro a praticar o herem) e teológicas (uma medida pensada para assegurar a pureza de Israel e também o cumprimento da promessa de Deus),[9] mas Patrick D. Miller, em seu comentário sobre o Deuteronômio, afirma que "não há nenhuma forma real de tornar um relato deste tipo mais palatável aos corações e mentes de leitores e fieis contemporâneos".[49]

Obediência

O conflito entre obediência e desobediência é um tema constante.[50] A obediência é revelada na travessia do Jordão, na derrota de Jericó e Ai, na circuncisão e na celebração da Páscoa, e nas leituras públicas da lei. A desobediência aparece na história de Acã (apedrejado por violar a ordem de herem), os gibeonitas e o altar construído pelas tribos transjordanianas. Os dois discursos finais de Josué tratam do desafio dos futuros israelitas (leitores da história) que é obedecer o mais importante mandamento de todos, adorar somente Javé ("Shemá Israel"). Ele ilustra desta forma também a mensagem central deuteronomista, de que a obediência leva ao sucesso e a desobediência, à ruína.[51]

Moisés, Josué e Josias

A história deuteronômica traça paralelos sobre o que seria a boa liderança entre Moisés, Josué e Josias.[52] A missão de Deus a Josué no capítulo 1 aparece como uma coroação real, com o povo jurando lealdade a Josué como sucessor de Moisés, o que relembra práticas monárquicas, a cerimônia de renovação da aliança liderada por Josué era a prerrogativa dos reis de Judá e a ordem de Deus a Josué para que ele meditasse sobre o "livro da lei" dia e noite antecipa a descrição de Josias em II Reis 23:25 como um rei preocupado apenas com o estudo da lei — além dos idênticos objetivos territoriais (Josias morreu em 609 a.C. enquanto tentava anexar o antigo Reino de Israel ao seu próprio Reino de Judá).[53]

Alguns dos paralelos com Moisés[29]:

  • Josué envia espiões para conhecer o território perto de Jericó (2:1) exatamente como Moisés enviou espiões para conhecer a Terra Prometida (Números 13:, Deuteronômio 1:19-25);
  • Josué lidera os israelitas saindo do deserto para a Terra Prometida atravessando o rio Jordão com a ajuda de Deus (3:16) exatamente como Moisés lidera os israelitas saindo do Egito atravessando o mar Vermelho também com a ajuda de Deus (Êxodo 14:22);
  • Depois de atravessar o rio Jordão, os israelitas celebraram a Páscoa (5:10-12) exatamente como fizeram imediatamente antes do êxodo (Êxodo 12:);
  • A visão de Josué como «capitão do exército de Javé» (Josué 5:14) é reminiscente da revelação divina a Moisés na sarça ardente (Êxodo 3:1-6);
  • Josué intercede com sucesso em favor dos israelitas quando Javé está furioso por seu fracasso em observar o herem, exatamente como Moisés frequentemente fazia quando convencia Deus a não punir o povo (Êxodo 32:11-14, Números 11:2, Números 14:13-19);
  • Josué e os israelitas conseguem derrotar o povo em Ai por que Josué seguiu as instruções divinas de manter sua espada erguida (8:18), exatamente como os israelitas derrotaram os amalequitas enquanto Moisés manteve erguida a «vara de Deus» (Êxodo 17:9);
  • Josué estava «velho e mui avançado em anos» (Josué 13:1) quando os israelitas começaram a se assentar na Terra Prometida exatamente como Moisés já estava velho quando morreu, tendo visto de longe a Terra Prometida sem jamais pisar nela (Deuteronômio 34:7);
  • Josué serviu como mediador da aliança renovada entre Javé e Israel em Siquém (8:30–35; 24) exatamente como Moisés foi mediador da aliança com Javé no monte Sinai;
  • Antes de sua morte, Josué deu um discurso de adeus aos israelitas (23-24) exatamente como Moisés (Deuteronômio 32-33);
  • Moisés viveu até os 120 anos (Deuteronômio 34:7) e Josué viveu até os 110 (24:29).

Notas

  1. É possível que o autor deuteronomista tenha utilizado a então recente campanha de 701 a.C. do rei assírio Senaqueribe, no Reino de Judá, como modelo. O enforcamento dos reis capturados era prática comum assíria no século VIII a.C.
  2. O teólogo Carl Friedrich Keil sugeriu que ele é mencionado antes de Josué por que "a divisão por sorteio era presidida pelo sumo-sacerdote como representante do governo do Senhor em Israel".[19]

Referências

  1. McNutt 1999, p. 42.
  2. a b Achtemeier and Boraas
  3. Killebrew, pp.152
  4. Creach, pp.9–10
  5. Creach, pp.10–11
  6. Albert C. Sundberg, Jr, 'The Old Testament of the Early Church' Revisited (em inglês), Department of Classics – Monmouth College
  7. De Pury, p.49
  8. «Joshua 1» (em inglês). Benson Commentary
  9. a b c Younger, p.175
  10. Younger, p.180
  11. Na'aman, p.378
  12. «Joshua 11» (em inglês). Cambridge Bible for Schools and Colleges
  13. «Joshua 11» (em inglês). Ellicott's Commentary for English Readers
  14. «Joshua 13» (em inglês). Cambridge Bible for Schools and Colleges
  15. «Joshua 13» (em inglês). Benson Commentary
  16. «Joshua 13» (em inglês)
  17. Younger, p.183
  18. Este artigo incorpora texto da Enciclopédia Judaica (Jewish Encyclopedia) (em inglês) de 1901–1906 (artigo "JOSHUA, BOOK OF"), uma publicação agora em domínio público.
  19. «Joshua 14» (em inglês)
  20. Dorsey, David A. (1991). The Roads and Highways of Ancient Israel (em inglês). [S.l.]: Johns Hopkins University Press. ISBN 0-8018-3898-3
  21. «Septuaginta em Joshua 21:42» (em inglês). Pulpit Commentary
  22. «Joshua 22» (em inglês). Barnes' Notes on the Bible
  23. «Joshua 23» (em inglês). Cambridge Bible for Schools and Colleges
  24. «Joshua 23» (em inglês). Matthew Poole's Commentary
  25. «Joshua 24» (em inglês). Pulpit Commentary
  26. «Joshua 24» (em inglês). Keil and Delitzsch OT Commentary
  27. «Joshua 24» (em inglês). Pulpit Commentary
  28. De Pury, pp.26–30
  29. a b Younger, p.174
  30. Klein, p.317
  31. De Pury, p.63
  32. Knoppers, p.6
  33. a b McConville (2010), p.4
  34. Miller&Hayes, pp. 71–2.
  35. Pressler, pp.5–6
  36. Nelson, p.5
  37. Laffer, p.337
  38. Pressler, pp.3–4
  39. McConville (2001), pp.158–159
  40. Coogan 2009, p. 162.
  41. McConville (2001), p.159
  42. Creach, pp.7–8
  43. Creach, p.9
  44. McConville (2010), p.11
  45. Miller (Patrick), p.33
  46. Nelson, pp.15–16
  47. Dever, p.38
  48. Nelson, pp.18–19
  49. Miller (Patrick), pp.40–41
  50. Curtis, p.79
  51. Nelson, p.20
  52. Nelson, p.102
  53. Finkelstein, p.95
Aarão Ben Chain

Aarão Ben Chain (Fez, Marrocos, século XVI —?) foi um Célebre Rabino Marrocos|marroquino, chegou a Presidente da sinagoga de Zempheiburgo, na Polónia.

Para tratar pessoalmente das impressões das obras que escreveu foi à cidade de Veneza em 1609, onde as mesmas estavam a ser impressas. Morreu pouco depois do trabalho concluído.

Escreveu um comentário sobre o livro de Josué, uma obra sobre as cerimônias dos judeus, Oferenda de Aarão, e uma colecção de máximas judaicas, com o título de Agada (Narrativas), O Coração de Araão, Observações sobre o Livro de Siphra e um tratado sobre treze maneiras de explicar a lei.

Abimeleque

Abimeleque foi um rei de Siquém, filho de Gideão através de uma concubina (Juízes 8:31). Esta relação envolveu um casamento matrilinear, segundo o qual a esposa vive na casa de seus pais, e os filhos ficam pertencendo ao clã materno. Quando Gideão morreu, este homem quis tornar-se rei, primeiramente através dos chefes de seu clã, e depois por aclamação popular. Para consolidar sua autoridade, mandou matar os setenta filhos de seu pai.

Apenas Jotão, entre os filhos de seu pai, sobreviveu ao massacre. Este postou-se no monte Gerizim, com seus seguidores armados e pronunciou sua famosa fábula de rei-espinheiro, que não possuía capacidade para governar. Esta fábula também predizia a destruição de Abimeleque e de seus súditos (Juízes 9:7-11).

Abimeleque Destruiu a cidade de Siquém após uma revolta de Gaal, e foi atingido por uma pedra de moinho atirada por uma mulher que quebrou a cabeça do mesmo. Após disso Abimeleque pediu ao rapaz que segurava suas armas para o matar para não parecer que tinha sido morto por uma mulher. (Juízes 9:50-54)

Ai (Bíblia)

Ai é uma cidade bíblica que situava-se na terra de Canaã. Cidade real dos cananeus, a segunda cidade tomada durante a invasão israelita. Ai situava-se “perto de Bete-Áven, ao oriente de Betel”, tendo um vale ao Norte. (Josué Capítulo 7 versículo 2 e Capítulo 8 versículos 11 e 12) Pelo visto, Micmás encontrava-se ao Sul.

O livro de Gênesis diz que o segundo lugar de Canaã onde Abraão edificou um altar a Deus na Terra Prometida teria sido entre Ai e Betel. Ali construiu um altar e revisitou o lugar depois da sua peregrinação no Egito. (Gênesis Capítulo 12 versículo 8 e Capítulo 13 versículo 3)

Em 1473 AC, depois da vitória sobre Jericó, Ai foi atacada por uma pequena força de cerca de 3.000 soldados israelitas, visto que os espias disseram sobre os habitantes de Ai: “São poucos.” (Josué Capítulo 7 versículos 2 e 3) Entretanto não foi uma conquista fácil, devido à desobediência dos israelitas aos preceitos divinos, o que impôs uma derrota inicial. Anteriormente no decorrer da invasão de Jericó, Deus ordenou que tudo em Jericó, seria anátema e que somente Raabe e sua família seriam salvos, pelo fato de ter ocultado os espias de Josué. E assim o foi, mas Acã, filho de Carmi tomou para si uma capa Babilônica e artefatos em ouro e prata e os escondeu sob a sua tenda em clara discordância às ordens de Deus. E com isso caiu em desgraça. Mas após terem se desfeito dos despojos escondidos por Acã e o mesmo ter recebido a morte por punição e com o arrependimento do povo, Josué recebe orientações e estratégia de Deus para atacar a cidade, Josué utilizou um estratagema contra Ai, armando uma emboscada por trás da cidade, de seu lado Oeste. A força principal foi disposta diante da cidade, ao Norte, onde havia um vale ou baixada desértica, e, dali, Josué preparou um ataque frontal contra Ai. Tendo atraído o rei de Ai e um grupo de homens para fora de Ai, a força de Josué fingiu recuar, até que os perseguidores estavam longe da sua fortaleza. Daí, fez-se o sinal para os da emboscada entrarem em ação, e a cidade foi capturada e incendiada. (Josué Capítulo 8 versículos 1 a 27) O rei de Ai foi executado, e a cidade foi reduzida a “um monte de ruínas”. (Josué Capítulo 8 versículo 28).

Por volta do tempo do profeta Isaías, no oitavo século AC, a cidade, ou talvez um lugar adjacente, era habitada, e profetizou-se que ela seria a primeira a ser tomada pelo rei da Assíria em sua marcha contra Jerusalém. (Isaías Capítulo 10 versículo 28) Após o exílio babilônico, benjamitas de Ai voltaram com a caravana de Zorobabel. (Esdras Capítulo 2 versículo 28; Neemias Capítulo 7 versículo 32 e Capítulo 11 versículo 31).

Ai tem sido geralmente identificada com o lugar Khirbet et-Tell (Horvat et-Tel), que preserva o significado do nome antigo (et-Tell significa “A Colina; O Montão de Ruínas”). Encontra-se a 2,3 km a Sudeste de Betel (a moderna Beitin). No entanto, escavações feitas nesse lugar em 1933-1935 e em 1964-1972 indicam que se tratava duma grande cidade, devastada por volta de 2000 AC e depois desabitada até cerca de 1050 AC (segundo os métodos arqueológicos de fixar datas). Por causa disso, os arqueólogos fizeram diversas tentativas de alterar o sentido das referências bíblicas a Ai. Entretanto, o arqueólogo J. Simons considera inaceitável a identificação com Khirbet et-Tell à base do tamanho da cidade (Josué Capítulo 7 versículo 3), de não haver um amplo vale ao Norte de Khirbet et-Tell (Josué Capítulo 8 versículo 11) e de outros motivos. (American Journal of Archaeology, julho-setembro de 1947, p. 311) Se a datação arqueológica for correta, então o lugar deve encontrar-se em outra parte. O nome em si não identificaria, necessariamente, esse lugar, visto que, como declara Sir Frederic Kenyon: “A transferência do nome de um sítio arruinado ou abandonado para outro próximo é fenômeno comum na Palestina.” — The Bible and Archaeology (A Bíblia e a Arqueologia), 1940, p. 190.

Amor de Perdição (desambiguação)

Amor de Perdição pode se referir a:

Amor de Perdição, a obra de Camilo Castelo Branco

Amor de Perdição, telenovela brasileira baseada no romance (1965)

Amor de Perdição, filme de 1914

Amor de Perdição, filme de 1918

Amor de Perdição, filme de 1921

Amor de Perdição, filme de 1943

Amor de Perdição, filme de 1978

Amor de Perdição, livro de Josué Guimarães (1986)

Um Amor de Perdição, filme de Mário Barroso (2008)

Aser

Aser (em hebraico: אָשֵׁר, hebraico moderno Ašer, hebraico tiberiano ʾĀšēr), segundo a Bíblia, é o um dos 12 filhos de Jacó, resultado de sua união com Zilpa, criada de Lia. Aser também é o ancestral de uma das 12 Tribos de Israel, de mesmo nome.

O personagem de Aser não possui grande destaque no livro de Gênesis, exceto por ter tomado parte na conspiração junto a seus irmãos que levou José a ser vendido como escravo para uma caravana em direção ao Egito, e também ter estado junto com seus irmãos no momento da reconciliação. Em I Crônicas 7:30-40 é traçada a descendência de Aser e seus filhos Imna, Isvá, Isvi, Berias e Sera.

Aser, junto com seus irmãos, tomou residência na parte leste do delta do rio Nilo, onde sua descendência multiplicou-se e originou a tribo de Aser. Segundo os livros do Pentateuco, Aser seguiu Moisés para a Terra Prometida, embora alguns estudiosos afirmem que Aser já era uma tribo localizada provavelmente na costa sul da Palestina antes do Êxodo, a região que, segundo o livro de Josué, ela teria conquistado quando da tomada de Canaã.

A região original de Aser coincidia com a terra da Filístia. Antes da ascensão do rei David, a terra de Aser já pertencia aos filisteus, de modo que a tribo pode ter continuado a existir apenas como indivíduos ou famílias vivendo em territórios de outras tribos, não mais como uma entidade individual e identificável entre as outras tribos de Israel. Os aseritas teriam se unido a Jeroboão quando este reivindicou para si o trono de Israel, e Aser teria feito parte das 10 tribos do norte que permaneceram independentes do governo de Jerusalém. A tribo desapareceu definitivamente dos registros quando Samaria foi tomada pela Assíria.

Batalha das Águas de Merom

De acordo com a Bíblia, a Batalha das Águas de Merom foi uma batalha entre os israelitas e uma coalizão de cidades-estados cananéias.

Cerca de 40 anos antes da batalha, os israelitas escaparam da escravidão no Egito, o Êxodo, liderados por Moisés. Eles entraram em Canaã, onde uma aliança de cidades-estados no norte de Canaã enviou uma força para deter a invasão israelita. Os israelitas contra-atacaram, reunindo as suas tropas inconscientes e derrotando-os com um espantoso assalto frontal. A batalha é descrita em Josué capítulo 11.

Batalha de Jericó

A Batalha de Jericó, representa uma das mais gloriosas vitórias dos israelitas quando conquistaram a terra de Canaã. A cidade de Jericó, localizada na margem oeste do rio Jordão, era uma cidade fortificada com altos e largos muros.

Na Bíblia, no Antigo Testamento, no livro de Josué 5:13-6:27, é relatado que após os israelitas atravessarem o rio Jordão, cercaram a cidade por 7 dias, e as muralhas desmoronaram com o poder divino e então a cidade foi invadida e totalmente destruída, sob a liderança de Josué. Segundo o livro judaico que narra a história da campanha, a população de Jericó foi completamente chacinada (homens, mulheres, crianças e animais). Apenas a família de Raabe foi poupada. Seguindo ordens de Deus, Josué amaldiçoou qualquer homem que tentasse reconstruir a cidade e depois partiu para novas conquistas.Pesquisas arqueológicas recentes tentam localizar a cidade e as evidências da existência dos muros; entretanto, não se encontrou nenhum vestígio de muros, e cerâmicas são muito escassas, tornando difícil determinar, com precisão, sua queda. Por certo, apenas que a batalha foi possivelmente em 1315 a.C. ou 1210 a.C.Há evidências arqueológicas de que Josué não lutou na Batalha de Jericó e de que não houve muros sendo derrubados.Em 2000, uma equipe de escavação italiana, sob a supervisão de Lorenzo Nigro, datou duas amostras que foram tomadas de um edifício de Jericó onde havia restos da destruição final da Idade do Bronze. As datas indicadas para as duas amostras foram 1.347 BC + / -85 e 1597 aC + / -91 , dando um quadro total entre 1688 e 1262 aC. Estas datas permitem matematicamente uma possível destruição em 1400 aC, como evidencia a cronologia bíblica.

Eli (juiz de Israel)

Eli, na Bíblia, foi um Sumo Sacerdote e Juiz de Israel. Foi ele quem criou Samuel.

Eli aparece na Bíblia descrito como pai de Hofni e Finéias, a observar a oração de Ana (mãe do profeta Samuel). Morreu aos 98 anos quebrando o pescoço ao cair da cadeira após receber a notícia que os filisteus haviam tomado a arca da aliança e matado seus filhos.

Julgou a Israel por 40 anos (I Samuel 4:18).

Segundo as Crônicas Samaritanas Eli era filho de Jafné da família de Itamar filho de Aarão. Por questões políticas ele usurpou o sacerdócio pois era um ancião com grande influencia entre os governantes do povo. Uzi era o verdadeiro sumo-sacerdote que haveria de suceder Buqui. Uzi era jovem e por este motivo Eli não aceitava estar sob a autoridade dele. Eli por sua falta de zelo executou um sacrifício incorreto (faltando sal), o que fez com que a presença de Deus sobre o tabernáculo desaparecesse (Deuteronômio 31:17-18, 32:20). Eli abandonou o monte Gerizim e então partiu para Siló e lá montou um novo tabernáculo com utensílios falsos, o que incluía uma outra arca (a qual atraia maldições). E com o livro de Balaão passou a praticar bruxarias e encantamentos e a sacrificar aos ídolos sobre o monte Ebal, dessa forma levando muitos ao caminho do erro. Foi por esta causa que veio a fome a as guerras contra Israel nos anos seguintes conforme já havia sido profetizado por Moisés (Deuteronômio 32:15-25).

Gilgal

Gilgal (em hebraico: ) é o nome de um ou mais lugares na bíblia hebraica. É mencionado 39 vezes, em particular no Livro de Josué como o lugar onde os israelitas acamparam após atravessar o Rio Jordão (Josué 4:19 - 5:12).

Na bíblia, está intimamente associado com a ideia da relação especial de Israel com Deus.

Hivi (filho de Canaã)

Hivi, em hebraico: הליוח (pronuncia-se Chivvîy), significa "vilarejo", foi um dos filhos de Canaã, filho de Cam e, posteriormente, filho de Noé. Seus descendentes foram conhecidos como heveus.

Ibsã

Ibsã ou Ibzã foi um dos juízes de Israel, pertenceu a tribo de Judá.

Ibsã foi o 9º Juiz sobre Israel, julgou a Israel sete anos (1103 a 1096 AC). Pouco se sabe a respeito de Ibsã, a não ser que morava em Belém, pertencia a tribo de Judá, e que ele tinha trinta filhos, e trinta filhas que casou fora; e trinta filhas que trouxe de fora para seus filhos.

Sua História é contada na Bíblia no livro de Juízes 12:8,9.

Jair

Jair (em hebraico: יָאִיר) foi um dos juízes de Israel, um gileadita, sucedendo a Tola.Jair julgou Israel por vinte e dois anos (1219 - 1197 a.C., pelos cálculos de Jerônimo de Estridão ). Ele tinha trinta filhos, que montavam em trinta jumentos, e tinham trinta cidades que, à época da composição do livro de Juízes, se chamavam Havote-Jair, na terra de Gileade.

Ao morrer, ele foi sepultado em Camom. Após sua morte, Israel voltou a pecar contra Jeová, adorando aos baalins, a Astarote e aos deuses da Síria, Sidon, Moabe, Amom e dos filisteus; Jeová os entregou nas mãos dos filisteus e dos filhos de Amom, por dezoito anos, até que surgiu o novo juiz, Jefté.

Josué

Josué, também chamado Oseias (Nm 13, 8 - 14, 6) (ou Joshua, do hebraico יהושוע בן נון, Yehoshua ou Yeshua, significa "Javé Salva" ou "Javé é Salvação", Iesous na transliteração para o grego, e na forma latina, Jesus), Josué era chamado originalmente de Oseias, entretanto, seu nome fora mudado por Moisés, em Cades.Oseias significa “salvação”, todavia, seguindo a prática hebreia e semítica de mudar o nome a fim de ratificar a mudança de posição ou destino, Moisés, influenciado pelo Espírito de Deus, muda o nome do primogênito da tribo de Efraim para Yehōshuāh. Com a mudança do nome, altera-se também a função e a responsabilidade dele diante de Deus e do povo de Israel.

No cânon hebraico, o livro de Josué é o primeiro rolo dos “Livros dos Profetas”; de acordo com a tradição judaico-cristã, é o nome do líder de Israel, sucessor do profeta Moisés. Filho de Num, da Tribo de Efraim, Josué foi ajudante de Moisés durante o êxodo dos israelitas do Egito e os 40 anos pelo deserto do Sinai. Quando Eldade e Medade estavam cheios do Espírito de Deus e profetizando, Josué rogou a Moisés que os proibisse, mas Moisés não o atendeu dizendo: "Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor pusesse o seu Espírito sobre eles!". Depois da morte de Moisés, Josué liderou o povo de Israel na conquista das cidades-estados da terra de Canaã. E foi responsável por conduzir os israelitas à Terra Prometida. A narrativa bíblica deixa claro que Josué foi um dos maiores estrategistas da História da Humanidade, tendo liderado o povo de Israel em conflito com cerca de trinta cidades da terra de Canaã, durante a campanha militar de invasão do seu povo. Nota-se sua inteligência como estrategista de guerra do numeroso exército que comandava em obediência ao mandado de Deus de fazer juízo contra os povos de Canaã, que dentre outras barbaridades faziam sacrifícios humanos, inclusive de crianças, às suas divindades de barro. Diferente de outros povos que invadiam e dominavam territórios na Antiguidade, escravizando parte daqueles que eram derrotados e/ou exigindo o pagamento periódico de tributos, a campanha liderada por Josué era para conquistar a Terra Prometida e para isso em muitos momentos precisou executar pessoas. No entanto, para aqueles que voluntariamente declaravam adoração ao Deus dos hebreus, como fez Raabe (de Jericó) e sua família, poderiam conviver com o povo hebreu sem serem molestados.

As destruições das cidades de Jericó e de Ai são contadas minuciosamente na Bíblia, e relatam a liderança de Josué na conquista daquelas cidades-estado. No caso da cidade de Ai (a segunda a ser invadida), como a cidade também era murada e apresentou uma resistência melhor no primeiro ataque, Josué armou uma emboscada atrás da cidade. Quando instigou o Rei de Ai a sair da cidade com seu exército para persegui-lo com os israelitas, Josué tinha deixado um grupo de cinco mil homens escondidos atrás da cidade, que a invadiram nesse momento, e a incendiaram. Em seguida cercaram o Rei de Ai com seu exército, que só nesse momento viu que tinham caído em uma armadilha e estavam cercados de ambos os lados pelos inimigos. O exército de Ai foi inteiramente derrotado pelos israelitas mas o Rei de Ai foi capturado vivo e conduzido a Josué. Em seguida, os israelitas voltaram a cidade de Ai e mataram toda a população, não parando até que foram mortos todos os habitantes de Ai. Segundo a Bíblia, o total de mortos da cidade foi de doze mil pessoas. Em seguida, Josué ordenou que a cidade fosse incendiada, transformando-a em um montão de cinzas. O Rei de Ai foi executado após a total destruição de sua cidade, sendo enforcado em uma árvore.

Nevi'im

Nevi'im (do hebraico נביאים) ou Profetas é uma das três seções do Tanakh, estando entre a Torá e Kethuvim.

Otniel

Otniel ou Otoniel ( /ˈɔːθniəl/ ou /ˈɒθniəl/; em hebraico עָתְנִיאֵל בֶּן קְנַז Otniel Ben Knaz / ʻOṯnîʼēl Ben Qənáz, "Leão / poder de Deus") é o quarto dos juízes bíblicos.

Raabe

Raabe, (em hebraico: רָחָב, Hebraico moderno: Raẖav, Hebraico tiberiano: Rāḥāḇ; "amplo", "grande"; em grego: Ῥαάβ) era, de acordo com o Livro de Josué, uma mulher que vivia em Jericó, na Terra Prometida e que ajudou os israelitas na captura da cidade. Quase todas as traduções do livro de Josué para o Português a descrevem como uma meretriz ou [prostituta]

Segundo a Bíblia, seu filho Boaz foi bisavô do rei Davi, linhagem da qual, veio Jesus Cristo.

Sangar

Sangar, filho de Anate, foi o sexto juiz de Israel, sucedendo a Eúde (segundo o capítulo 3 do livro de Juízes).

Sangar matou seiscentos filisteus com uma aguilhada de boi.No capítulo 4 do livro de Juízes, o juiz que sucede a Eúde é Débora.Esta aparente contradição é explicada como se Sangar fosse juiz ao mesmo tempo que outro juiz.

Eusébio de Cesareia junta Sangar com Eúde, fazendo-os juízes ao mesmo tempo, e atribuindo o período de 80 anos (mencionado em Juízes 3:30) que a terra de Israel ficou livre da opressão ao período em que ambos foram juízes. Pelos cálculos de Jerônimo de Estridão, o período atribuído a Eúde foi de 1404 a 1324 a.C..Adam Clarke, citando Calmet, interpreta esta aparente contradição como se Sangar fosse o juiz na região de Judá e Débora fosse a juíza na região de Efraim.Já John Gill interpreta o texto que dá Débora como sucessora de Eúde como se o período em que Sangar foi juiz tivesse sido muito curto, e o povo de Israel não teria sido reformado no seu período.

Tiberíades

Tiberíades ou Tiberíade (em hebraico: טְבֶרְיָה‎, transl. Tveryah; em árabe: طبرية‎, transl. Ṭabariyyah) é uma cidade no norte de Israel e conta com cerca de 39.900 habitantes. Está situada às margens do mar da Galileia, o qual é conhecido também por mar ou lago de Tiberíades (em hebraico כנרת, Kinneret). Foi denominada em honra ao imperador romano Tibério.

É uma das quatro cidades sagradas no judaísmo, junto com Jerusalém, Hebrom e Safed. Na tradição judaica, está associada ao elemento "água". Durante a época das cruzadas foi sede de um principado homónimo, também chamado de Principado da Galileia.

Tribo de Dã

A Tribo de Dã (דָּן "Juiz", Dan em hebraico standard, Dān em hebraico tiberiano) é uma das Tribos de Israel que segundo a Bíblia e a Torá foi fundada por Dã, filho de Jacó e de Bila, sua concubina (Genesis 30:4). É uma tribo segundo o livro de Números Capítulo 1, versículo de 38 à 39, tem 62.700 homens com idade para guerra e segundo o livro de Josué capitúlo 19, versículo do 40 ao 48, continha ao todo 17 cidades chamadas Zora, Estaol, Ir-Semes, Saalabim, Aijalom, Itla, Elom, Timma, Ecrom, Elteque, Gibetom, Baalate, Jeúde,Benê-Beraque, Gate-Rimom, Me-Jarcom, Racom e as terras que ficam em frente a cidade de Jope.

O símbolo de Dã é uma serpente, o que a diferencia das outra tribos de Israel. Visto que este animal é considerado um símbolo do mal na tipologia bíblica, é aparentemente estranho que esteja como estandarte em uma tribo hebraica.

Diz antigo adágio popular: A pior cunha é aquela que sai da mesma madeira. Evidentemente a expressão "da mesma madeira" indica uma boa madeira, utilizada para boa construção, e dela é que sai a "pior cunha".

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