Literatura fantástica

Literatura fantástica é um gênero literário em que narrativas ficcionais estão centradas em elementos não existentes ou não reconhecidos na realidade, pela ciência dos tempos em que a obra foi escrita.[1]

É aplicável a um objeto como a literatura, pois o universo da literatura, por mais que se tente aproximá-la do real, está limitado ao fantasioso e ao ficcional. Todo texto fantástico tem elementos inverossímeis, imaginários, distantes da realidade dos homens. Há, como defende Jorge Luis Borges, uma causalidade de caráter mágico ligando os acontecimentos ao decorrer de uma narrativa desse tipo.

Definição

Tanto no cinema quanto na literatura o gênero fantástico possui as mesmas características.

Mortos andando entre os vivos, monstros das mais variadas formas, árvores, pedras e animais que falam etc., são uns dos eventos que não pertencem à nossa realidade. Nossa lógica não entende e não aceita tais fatos. Tzvetan Todorov cita em seu livro “Introdução à Literatura Fantástica”, que dentro da nossa realidade regida por leis, ocorrências que não podem ser explicadas por essas leis incidem na incerteza de ser real ou imaginário. Para Todorov, um evento fantástico só ocorre quando há a dúvida se esse evento é real, explicado pela lógica, ou sobrenatural, ou seja, regido por outras leis que desconhecemos. “Há um fenômeno estranho que se pode explicar de duas maneiras, por meio de causas de tipo natural e sobrenatural. A possibilidade de se hesitar entre os dois criou o efeito fantástico.” (TODOROV, 1968, p. 31).

Porém, a história não pode parecer de forma alegórica, pois, se o leitor ou espectador interpretar o sobrenatural como uma metáfora, num primeiro momento, ele perde o sentido fantástico. Deve haver uma pré-disposição do leitor para negar a alegoria e hesitar quanto à realidade do fato.

Estudos

A literatura fantástica tornou-se, especialmente nas últimas décadas do século XX, um importante tópico da literatura contemporânea, sendo alvo de diversas análises literárias, nas quais se inclui a do livro O Fantástico (1988), de Selma Calasans Rodrigues, doutora em Letras e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na obra, Selma Rodrigues tenta introduzir o tema de uma maneira didática e sintetizada, devido às poucas páginas do livro (80 p.) e ao caráter da série à qual pertence, que é destinada principalmente ao público universitário que pretende ter uma visão geral sobre o tema.

A autora, logo no capítulo inicial, apóia-se em textos de dois autores consagrados da literatura fantástica, E. T. A. Hoffmann, Laura Esquível e Gabriel García Márquez, para conceituar e explicitar as semelhanças e as diferenças dos textos que, apesar de ambos pertencerem à literatura fantástica, apresentam características peculiares que os enquadram em diferentes concepções do gênero.

No segundo capítulo, Selma busca, ao longo da História, as relações entre literatura e realidade, apoiando-se desta vez em análises do escritor argentino Jorge Luis Borges e de Arvède Barine. Há também a seguinte distinção do gênero fantástico:

  • Fantástico lato sensu: refere-se a textos que fogem ao realismo estrito, tomando como referência o Realismo do século XIX. A partir desse ponto de vista, toma-se o Fantástico no seu sentido amplo, sendo assim possível afirmar que esta é a mais antiga forma de narrativa.
  • Fantástico stricto sensu: por se elaborar a partir da rejeição do pensamento teológico medieval e toda a metafísica, essa literatura teve suas origens no século XVIII, com o Iluminismo. Segundo o fantástico nasce daquilo que não pode ser explicado através da racionalidade e do pensamento crítico, como o complexo processo de formação dos indivíduos.

Já no terceiro capítulo, a autora passa a conceituar as diversas nomenclaturas utilizadas quando se refere à literatura fantástica, como o realismo mágico, o maravilhoso e o alegórico, que são posteriormente, no capítulo seguinte, utilizadas como apoio para comparar-se o Fantástico produzido na Europa com o Fantástico da “Hispano-América e Brasil”. De acordo com a autora, na literatura fantástica européia, ao contrário da produzida na América Latina, há uma preocupação em preservar o real quando algo sobrenatural ocorre, mesmo que a explicação apareça apenas no desfecho da obra. Visa-se, desta maneira, não se perder a verossimilhança, nem mesmo contestá-la. Já na literatura fantástica da América Latina, não há essa preocupação. Assim o verossímil funde-se com o inverossímil, o com o sonho, como ocorre no caso da obra de Gabriel García Márquez, citada no início do livro cem anos de solidão.

Subgêneros

Fantasia é um gênero que usa a magia e outras formas sobrenaturais como elemento principal do enredo, da temática e / ou da configuração. Muitos trabalhos dentro do gênero ocorrem em planos de ficção ou planetas onde a magia é comum. A fantasia é geralmente distinguida da ficção científica e horror pela expectativa de que ela fica longe de temas científicos e macabros, respectivamente, embora exista uma grande sobreposição entre os três gêneros (que são subgêneros da ficção especulativa).

Na cultura popular, o gênero da fantasia é dominado pela alta fantasia, especialmente desde o sucesso mundial de "O Senhor dos Anéis", de J.R.R. Tolkien, e de "As Crônicas de Nárnia", de C. S. Lewis. No entanto, a baixa fantasia tem ganhado espaço na literatura juvenil, em obras como Instrumentos Mortais e Vampire Academy.

A fantasia é uma vibrante área de estudo acadêmico em uma série de disciplinas (Inglês, estudos culturais, literatura comparada, estudos de história, medieval, teatral). Os trabalhos nesta área variam amplamente, a partir da teoria estruturalista de Tzvetan Todorov, que enfatiza o fantástico como um espaço liminar para se trabalhar sobre as conexões políticas, históricas e literárias entre o medievalismo e a cultura popular..

Mostras

Mostra Curta Fantástico

A Mostra Curta Fantástico é um evento voltado para o cinema fantástico, um gênero atraente para o público, mas pouco explorado pelos cineastas brasileiros. A Mostra exibe curtas-metragens, ficção e animação, cujos temas passam pela fantasia, ficção científica e horror mostrando a diversidade e versatilidade do gênero fantástico. A Mostra que acontece na cidade de São Paulo, tem caráter competitivo.

Já no Brasil o tema fantástico ainda é muito incipiente, por isso a realização da Mostra Curta Fantástico tem por objetivo mapear a produção existente, trazer a público essa produção e incentivar estudantes, escolas, aprendizes e profissionais do cinema brasileiro, fomentando a produção de curtas-metragens sobre o tema. Ao mesmo tempo divulgar os grupos, instituições publicas e privadas que trabalham, pesquisam e estudam o fantástico, o imaginário na linguagem cinematográfica fora do Brasil.

Mostra Curta Fantástico 2006/2007

Inscritos: 147 curtas-metragens vindos de vários estados brasileiros

A Mostra Curta Fantástico se tornou, desde 2008, o Festival Internacional de Cinema Fantástico CINEFANTASY. O Cinefantasy traz mostra competitiva de longas e curtas-metragens, mostra paralela onde exibe retrospectivas, homenagens, lançamentos, sessões temáticas e encontros com diretores e figuras do universo fantástico. Além disso, o festival paulista possui disputadas atividades de formação voltadas para a produção do gênero fantástico no Brasil. Além de divulgar a diversidade de gêneros no mercado de cinema brasileiro, o Cinefantasy busca apoiar e formar público para o cinema independente brasileiro e estrangeiro.

Referências

  1. CAUSO, Roberto de Sousa. Ficção científica, fantasia e horror no Brasil: 1875 a 1950. Editora UFMG, Belo Horizonte (MG), 2003.

Bibliografia

  • SCHOEREDER, Gilberto. "Ficção Científica". Coleção Mundos da Ficção Científica #39, Livraria Francisco Alves Editora, Rio de Janeiro (RJ), 1986.
  • TAVARES, Bráulio. "O que é Ficção Científica". Coleção Primeiros Passos #169, Editora Brasiliense, São Paulo (SP), 1986
  • BELLEMIN-NOEL, Jean. "Notes sur le fantastique". In: Littérature, nº 8, dez., 1972, p. 3-23
  • CAILLOIS, Roger. “Prefácio”. In: Antología del cuento fantástico. Buenos Aires: Sudamericana, 1970.
  • CASTEX, P. G. Anthologie du conte fantastique français. Paris: José Corti, 1963.
  • CESERANI, Remo. O fantástico. Curitiba: UFPR, 2006.
  • ECO, Umberto. Obra aberta. São Paulo: Perspectiva, 1976.
  • FREUD, Sigmund. “O estranho”. In: Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
  • FURTADO, Filipe. A construção do fantástico na narrativa. Lisboa: Livros Horizonte, 1980.
  • GOTLIB, Nádia B. Teoria do conto. São Paulo: Ática, 2002.
  • JOLLES, André. Formas simples. São Paulo: Cultrix, 1976, p. 181-204
  • LOVECRAFT, Howard Philips. O horror sobrenatural na literatura. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1987.
  • MAGALHÃES JÚNIOR, R. A arte do conto. Rio de Janeiro: Edições Bloch, 1972.
  • PAES, José Paulo. “As dimensões do fantástico”. In: Gregos & Baianos. São Paulo: Brasiliense, 1985.
  • PROPP, Vladimir. Morfologia do conto. Lisboa: Editorial Vega, 1978.
  • SÁ, Marcio Cícero. Da literatura fantástica: teoria e contos, 2003. 144 p. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária e Literatura Comparada). USP. São Paulo.
  • SANDERS, Ronald. Praxis of the fantastic. Syracuse-New York: Syracuse University, 1989.
  • SARTRE, Jean-Paul. “Aminadab”. In: Situações I. São Paulo: Publicações Europa-América, 1968.
  • TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica. São Paulo: Perspectiva, 1992.

Ligações externas

Bráulio Tavares

Bráulio Tavares (Campina Grande, 1950) é um escritor, compositor, letrista, poeta, dramaturgo e pesquisador de literatura fantástica.

Christopher Paolini

Christopher James Paolini (Los Angeles, Califórnia, 17 de novembro de 1983) é um escritor americano de ascendência italiana de literatura fantástica e ficção. Ficou mundialmente famoso pela série Ciclo da Herança, dividida em quatro volumes, que já vendeu cerca de 25 milhões de exemplares mundialmente, em cerca de 41 países em que a obra foi publicada.

Crónicas de Allaryia

Crónicas de Allaryia é uma série literária composta por sete livros, escrita pelo português Filipe Faria. Trata-se de uma obra de literatura fantástica, abarcando os subgéneros da fantasia épica e heroica, mas com notáveis elementos de romance medieval, humor, amizade, provas de fidelidade, etc. A série foi publicada pela Editorial Presença, inserida na coleção "Via Láctea".

A história, retrata a vida de Aewyre Thoryn, o filho mais novo do rei Aezrel Thoryn, e seus companheiros: o mago Allumno, a princesa Lhiannah e respetivo protetor, Worick, um eahan, Quenestil, uma eahanoir, Slayra, um pequeno burrik, Taislin e um antroleo, Babaki, num continente fantástico chamado Allaryia.

Dieselpunk

Dieselpunk é um subgênero da ficção científica retrofuturista, tal qual o steampunk, porém com veículos movidos a [[diesel

ou qualquer outro tipo de combustível (no steampunk são movidos a vapor). O estilo foi muito utilizado nas histórias de ficção científica das décadas de 30 a 40 referenciando ao que seria o futuro baseado na tecnologia existente naquela época.

O estilo de arte dieselpunk é reconhecido atualmente como baseado na estética popular do Período entreguerras até meados dos anos 1950 (fato pelo qual o estilo musical ao qual o dieselpunk é relacionado é o jazz, que estava no auge de sua popularidade durante o período). A palavra "dieselpunk" foi usada pela primeira vez por Lewis Pollak para descrever seu jogo de RPG de mesa Children of the Sun em 2001, e sua definição cresceu em anos recentes para incorporar as formas características da arte visual, música, ficção e tecnologia dos tempos de guerra, servindo de termo para descrever seriados da época, film noir e outros.Existe uma variação de dieselpunk conhecida como decopunk, que se popularizou em 2008, e cujo nome vem de "deco", forma inglesa de se referir ao movimento art déco. Decopunk é inspirado nos anos 1920-50, e é, de acordo com Sara M. Harvey (artista steampunk) em uma entrevista no site CoyoteCon, "... mais brilhante que o dieselpunk, é mais como decopunk. E dieselpunk é uma versão suja (gritty) do steampunk... Decopunk é a versão mais leve e art decó; mesmo período, mas tudo é cromado!"A HQ Rocketeer e o filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã são classificados como dieselpunk.

E. T. A. Hoffmann

Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann (Königsberg, 24 de janeiro de 1776 — Berlim, 25 de junho de 1822), mais conhecido por E. T. A. Hoffman, foi um escritor romântico, compositor, desenhista e jurista alemão, sendo sobretudo conhecido como um dos maiores nomes da literatura fantástica mundial.

Suas histórias foram a base da famosa ópera de Jacques Offenbach, Os Contos de Hoffmann, em que Hoffman aparece como personagem. O balé O Quebra-Nozes foi baseado no seu conto "O Quebra-Nozes e o Rei dos Camundongos", o bale Coppélia foi baseado em outros contos seus e a Kreisleriana de Robert Schumann é baseada no personagem Johannes Kreisler, criado por Hoffmann.

Editora Draco

Editora Draco é uma editora brasileira especializada autores nacionais de literatura fantástica, ficção científica, ficção especulativa e histórias em quadrinhos. Especialmente voltada para antologias literárias e de HQs, a Draco recebeu o Troféu HQ Mix de 2016 nas categorias "especial mangá" (com a obra Quack - Patadas Voadoras) e "publicação mix" (com a coletânea O Rei Amarelo em quadrinhos). Desde 2013, o escritor Raphael Fernandes assumiu o cargo de editor da Draco (cargo que exerceu em paralelo com o de editor da versão brasileira da revista Mad).

== Notas ==

== Referências ==

Elevação biológica

Elevação biológica é o conceito, comum na ficção científica, de que uma espécie sentiente pode utilizar uma espécie não-sentiente e, através de técnicas de evolução forçada ou engenharia genética, dotá-la de inteligência.Uma das obras de ficção científica que tratou deste tema foi O Planeta dos Macacos. Nesta série, macacos antropoides foram elevados e passaram a ter inteligência comparável à humana. De acordo com David Brin, os vários exemplos de elevação na ficção científica - O Planeta dos Macacos de Pierre Boulle ou The Food of the Gods e The Island of Dr. Moreau de H. G. Wells - tratavam a elevação como uma obra de algum cientista louco, cujas criaturas eram oprimidas e tratadas como escravas; em sua série Elevação, o programa é realizado com boas intensões, com o objetivo de tornar as criaturas nossas companheiras, pessoas interessantes e, de certa forma, até mesmo melhor que nós.De certa forma, a elevação de não-humanos pode ser comparada, eticamente, à elevação cultural, o fenômeno que ocorre quando uma civilização tecnologicamente mais avançada encontra uma civilização mais primitiva. A questão é controversa: assim como Kyle Munkittrik e George Dvorsky são favoráveis a este procedimento, Paul Raven e Dale Carrico são contrários.

Fantasia (gênero)

Fantasia é um gênero da ficção em que se usa geralmente fenômenos sobrenaturais, mágicos e outros como um elemento primário do enredo, tema ou configuração. Muitas obras dentro do gênero ocorrem em mundos imaginários onde há criaturas mágicas e itens mágicos. Geralmente a fantasia distingue-se dos gêneros ficção científica e horror pela expectativa de que ele dirige claramente de temas científicos e macabros, respectivamente, embora haja uma grande sobreposição entre os três, todos os quais são subgêneros da ficção especulativa.Uma vantagem do gênero fantástico é que o mesmo não se prende apenas à literatura, mas também ao cinema e música (Blind Guardian, por exemplo, possui um álbum inspirado em O Silmarillion). Também pode-se misturar fantasia com realidade, um exemplo claro que se vê em Harry Potter, que se passa em Londres, mesmo tendo todo um universo mágico por trás.

Como noutras formas de ficção, os acontecimentos e ações na literatura fantástica muitas vezes diferem daqueles possíveis na realidade, embora não seja regra. Em muitos casos, especialmente em trabalhos mais antigos, mas também em muitos modernos, isto é explicado por uma intervenção divina, mágica, ou de outras forças sobrenaturais. Noutros casos, como na chamada high fantasy, a história pode acontecer num mundo completamente fantástico, diferente do nosso, onde nele existe a magia, e as leis do mundo real nem sempre regem o mundo imaginário.

Ficção científica cristã

Ficção científica cristã (ou FCC) é a denominação dada a um subgênero da ficção científica que ou retrata positivamente pontos-de-vista da cristandade (tanto católica quanto protestante) ou na qual o cristianismo desempenha um papel importante no desenvolvimento da trama. Em obras desse sub-estilo, que existem temas fortemente cristãos, ou as histórias são escritas do ponto de vista cristão. Esses temas podem ser sutis, expressos por analogia ou mais explícitos.

Filipe Faria

Filipe Faria (Lisboa, 11 de fevereiro de 1982) é um escritor português de literatura fantástica.

Gustav Meyrink

Gustav Meyrink, pseudônimo de G. Meyer, (Viena, 19 de janeiro de 1868 - Stanberg, 4 de dezembro de 1932) foi um escritor do gênero literatura fantástica. Aos dezesseis anos de idade, mudou-se para Praga a fim de iniciar seus estudos de administração e lá permaneceu algum tempo. Meyrink desenvolveu seu gosto pela literatura fantástica nesta época, quando influenciado pelo ambiente citadino em que se inseria. No início, suas obras eram como sátiras não muito sublimes a respeito da sociedade; depois, suas obras sofreram um aperfeiçoamento com toques de ocultismo e misticismo.

Jorge Luis Borges

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Genebra, 14 de junho de 1986) foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino.Em 1914, sua família mudou-se para Suíça, onde estudou e de onde viajou para a Espanha. Quando regressou à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio internacional de editores, o Premio Formentor de las Letras Internacional, compartilhado com o dramaturgo Samuel Beckett. No mesmo ano, recebeu do então presidente da Itália, Giovanni Gronchi, a condecoração da Ordem do Comendador.

Suas obras abrangem o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios, livros fictícios, religião e Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas do seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio.

Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente nos Estados Unidos e Europa. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "Boom Latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. Para homenagear Borges, em seu romance O Nome da Rosa Umberto Eco criou o personagem "Jorge de Burgos", que além da semelhança no nome, é cego — assim como Borges foi ficando ao longo da vida. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges "A Biblioteca de Babel" (uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo). O escritor e ensaísta J.M. Coetzee disse que "Borges, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

La fille aux yeux d'or

La fille aux yeux d'or (br: A Menina dos Olhos de Ouro e em Portugal: A rapariga dos olhos de ouro) é um romance em língua francesa de Honoré de Balzac publicado em 1835. É uma das partes da História dos Treze que reúne Ferragus, A Duquesa de Langeais e A garota dos olhos de ouro. Uma das histórias de Cenas da vida parisiense, Estudos de costumes da Comédia Humana.

Balzac primeiramente dedicou o romance a Eugène Delacroix e depois a Albert Béguin, pintores com quem ele pretendia rivalizar, exprimindo em palavras o que eles diziam em pinturas.

O romance possui um conteúdo de literatura fantástica (como são os escritos da História dos Treze). Mas é um espelho, mesmo que distorcido, de uma sociedade em que o dinheiro dá o direito a seus detentores de comprarem mulheres como se fossem escravas e mantê-las aprisionadas à mercê das respectivas boas vontades. A história é sobre uma mulher mantida por outra. Balzac foi audacioso ao descrever uma paixão entre duas mulheres, numa época em que o tema do lesbianismo não era muito explorado ou mesmo admitido na literatura.

Necronomicon

O Necronomicon ("Al Azif", no original árabe) é um livro fictício criado por H.P.Lovecraft, autor americano de ficção científica, horror e literatura fantástica. Segundo o próprio, o Necronomicon teria sido escrito em Damasco por volta de 730 d.C. por Abdul Alhazred, um poeta árabe louco originário de Sanaa, no Iémen.

O "Necronomicon" é o mais famoso livro fictício dos "Mitos de Cthulhu", nome dado pelo escritor August Derleth à mitologia criada por Lovecraft, e aparece em grande parte das suas obras. Um dos exemplares da obra estaria guardado na biblioteca da Universidade de Miskatonic, sediada em Arkhan. O grimório conteria fórmulas mágicas ligadas à magia negra e aos Antigos, seres descritos especialmente em dois contos, Nas montanhas da loucura e A sombra perdida no tempo. Usando esta fórmula de atribuição a um autor antigo de um livro, cuja cópia em seu poder seria a última existente, e usando um contexto fantástico, o autor desenvolve a ideia de um livro mágico, creditando possíveis excessos à alma de poeta do "autor" original. Esta fórmula literária foi também utilizada por Jorge Luis Borges e Umberto Eco nas suas obras.

Realismo mágico

O realismo mágico é uma escola literária surgida no início do século XX. Também é conhecida como realismo fantástico ou realismo maravilhoso, sendo este último nome utilizado principalmente em espanhol. É considerada a resposta latino-americana à literatura fantástica européia.

O realismo mágico se desenvolveu fortemente nas décadas de 1960 e 1970, como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição. Surgiu também como forma de reação, através da palavra, contra os regimes ditatoriais deste período.

Apesar de aparentemente desatento à realidade, o realismo mágico compartilha algumas características com o realismo épico, como a intenção de dar verossimilhança interna ao fantástico e ao irreal, diferenciando-se assim da atitude niilista assumida originalmente pelas vanguardas do início do século XX, como o surrealismo.

Ricardo Pinto

Ricardo Pinto (nascido em Lisboa, Portugal, em 1961) é programador informático e escritor de literatura fantástica.

Saída de Emergência (editora)

"Somos a Saída de Emergência, uma editora independente e 100% nacional, nascida em 2003. Conquistámos um lugar no mercado com capas fortes e apelativas, pelo marketing original e bem direcionado, e pela capacidade de antecipar tendências e crescer num mercado cada vez mais competitivo. Desde sempre que foi uma prioridade para nós cultivar uma relação de proximidade com os leitores. Para isso, criámos uma rede canais que se tornou gradualmente numa comunidade com vida própria e com objetivo de partilhar, responder e conviver com todos os nossos leitores.

Publicando praticamente em todos os géneros, incluindo a não ficção, destacamo-nos pela Colecção Bang!, onde publicamos a melhor literatura fantástica portuguesa e estrangeira. Em 2006 criámos a chancela Chá das Cinco direcionada ao público feminino.E agora com a publicação de não ficção nasceu a Desassossego.

Apesar do mercado editorial português estar cada vez mais entregue a grandes grupos, onde a necessidade de faturação rápida esmaga qualquer critério editorial, a Saída de Emergência pretende continuar a crescer sem nunca esquecer que o amor aos livros é o nosso maior trunfo. Publicar com a cabeça nas nuvens e os pés bem assentes na terra, esse é o nosso objetivo. Com a sua ajuda sabemos que é possível."

Unicórnio

Unicórnio, também conhecido como licórnio ou licorne, é um animal mitológico que tem a forma de um cavalo, geralmente branco, com um único chifre em espiral. O nome "unicórnio" deriva do latino unicornis: do prefixo uni- e do substantivo cornu, "um só chifre". Sua imagem está associada à pureza e à força. Segundo as narrativas são seres dóceis; porém são as mulheres virgens que têm mais facilidade para tocá-los.

Tema de notável recorrência nas artes medievais e renascentistas, o unicórnio, assim como todos os outros animais fantásticos, não possui um significado único.

Considerado um equino fabuloso benéfico, com um grande corno na cabeça, o unicórnio entra nos bestiários em associação à virgindade, já que o mito compreende que o único ser capaz de domar um unicórnio é uma donzela pura.

Leonardo da Vinci escreveu o seguinte sobre o unicórnio:

"O unicórnio, através da sua intemperança e incapacidade de se dominar, e devido ao deleite que as donzelas lhe proporcionam, esquece a sua ferocidade e selvajaria. Ele põe de parte a desconfiança, aproxima-se da donzela sentada e adormece no seu regaço. Assim os caçadores conseguem caçá-lo."

A origem do tema do unicórnio é incerta e se perde nos tempos. Presente nos pavilhões de imperadores chineses e na narrativa da vida de Confúcio, no Ocidente faz parte do grande número de monstros e animais fantásticos conhecidos e compilados na era de Alexandre e nas bibliotecas e obras helenísticas.

É citado no livro grego Physiologus, do século V d.C., como uma correspondência do milagre da Encarnação. Centro de calorosos debates, ao longo do tempo, o milagre da Encarnação de Deus em Maria passou a ser entendido como o dogma da virgindade da mãe de Cristo: nessa operação teológica, o unicórnio tornou-se um dos atributos recorrentes da Virgem.

Representações profanas do unicórnio encontram-se em tapeçarias do Norte da Europa e nos cassoni (grandes caixas de madeira decoradas, parte do enxoval das noivas) italianos dos séculos XV e XVI. O unicórnio também aparece em emblemas e em cenas alegóricas, como o Triunfo da Castidade ou da Virgindade.

A figura do unicórnio está presente também na heráldica, como no brasão de armas do Canadá, da Escócia e do Reino Unido.

Na astronomia, o unicórnio é o nome de uma constelação chamada Monoceros.

O unicórnio tem sido uma presença frequente na literatura fantástica, surgindo em obras de Lewis Carroll, C.S. Lewis e Peter S. Beagle. Anteriormente, na sua novela A Princesa de Babilônia, Voltaire inclui um unicórnio como montada do herói Amazan.

Modernamente, na obra de J. K. Rowling, a série Harry Potter, o sangue do unicórnio era necessário para Voldemort manter-se vivo, porém o ato de matar uma criatura tão pura para beber-lhe o sangue dava ao praticante de tal ação apenas uma semivida — uma vida amaldiçoada. No livro diz-se que o unicórnio bebê é dourado, adolescente prateado e adulto branco-puro. Também é interessante observar, ainda na obra de Rowling, que a varinha do personagem Ronald Weasley possui o núcleo de pelo de unicórnio.

Em outro livro, "Memórias de Idhún", de Laura Gallego García, o unicórnio é um dos personagens principais da história, sendo parte de uma profecia que salva Idhún dos sheks. Em Memórias de Idhún, o unicórnio está no corpo de Victoria.

Em 2008, um "unicórnio" nasceu na Itália. O animal, obviamente não é parte de uma nova espécie. Mas sim uma corça (pequena espécie de cervídeo europeu), que nasceu com somente um chifre. Pesquisadores atribuem o ocorrido a um "defeito genético".Alguns relatos dizem também, que esses seres mágicos são capazes alimentar-se de nuvens do entardecer e raios de sol. Isso só ocorre pelo fato de essas serem as únicas substâncias puras o suficiente para esse animal fantástico ingerir. Além disso, os unicórnios, devido a sua origem mágica, conseguem transformar quaisquer tipos de substâncias impuras e putrefatas em substâncias brilhantes, cheias de luz e vida.

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