Linguagem

Linguagem pode se referir tanto à capacidade especificamente humana para aquisição e utilização de sistemas complexos de comunicação, quanto a uma instância específica de um sistema de comunicação complexo[3]. O estudo científico da linguagem, em qualquer um de seus sentidos, é chamado linguística[4][3].

Atualmente, entre 3000 e 6000 línguas são usadas pela espécie humana, e um número muito maior era usado no passado. As línguas naturais são os exemplos mais marcantes que temos de linguagem. Outros tipos de linguagem se baseiam na observação visual e auditiva, como as línguas de sinais e a escrita. Os códigos e outros sistemas de comunicação construídos artificialmente, como aqueles usados ​​para programação de computadores, também podem ser chamados de linguagens – a linguagem, nesse sentido, é um sistema de sinais para codificação e decodificação de informações. A palavra portuguesa deriva do francês antigo langage[nota 1]. Quando usada como um conceito geral, a palavra "linguagem" refere-se a uma faculdade cognitiva que permite aos seres humanos aprender e usar sistemas de comunicação complexos.

A linguagem humana enquanto sistema de comunicação é fundamentalmente diferente e muito mais complexa do que as formas de comunicação das outras espécies. Ela se baseia em um diversificado sistema de regras relativas a símbolos para os seus significados, resultando em um número indefinido de possíveis expressões inovadoras a partir de um finito número de elementos. De acordo com os especialistas, a linguagem pode ter se originado quando os primeiros hominídeos começaram a cooperar, adaptando sistemas anteriores de comunicação baseados em sinais expressivos a fim de incluir a teoria da mente, compartilhando assim intencionalidade. Nessa linha, o desenvolvimento da linguagem pode ter coincidido com o aumento do volume do cérebro, e muitos linguistas acreditam que as estruturas da linguagem evoluíram a fim de servir a funções comunicativas específicas. A linguagem é processada em vários locais diferentes do cérebro humano, mas especialmente na área de Broca e na Área de Wernicke[5]. Os seres humanos adquirem a linguagem através da interação social na primeira infância. As crianças geralmente já falam fluentemente quando estão em torno dos três anos de idade[6].

O uso da linguagem tornou-se profundamente enraizado na cultura humana para comunicar e compartilhar informações, mas também como expressão de identidade e de estratificação social, para manutenção da unidade em uma comunidade e para o entretenimento. A palavra "linguagem" também pode ser usada para descrever o conjunto de regras que torna isso possível, ou o conjunto de enunciados que pode produzir essas regras.

Todas as línguas contam com o processo de semiose, que relaciona um sinal com um determinado significado. Línguas faladas e línguas de sinais contêm um sistema fonológico que rege a forma como os sons ou os símbolos visuais são articulados a fim de formar as sequências conhecidas como palavras ou morfemas; além de um sistema sintático para reger a forma como as palavras e os morfemas são utilizados a fim de formar frases e enunciados. Línguas escritas usam símbolos visuais para representar os sons das línguas faladas, mas elas ainda necessitam de regras sintáticas que governem a produção de sentido a partir da sequências das palavras. As línguas evoluem e se diversificam ao longo do tempo. Por isso, sendo a língua uma realidade essencialmente variável, não há formas de falar intrinsecamente erradas. A noção de certo e errado tem origem na sociedade, não na estrutura da língua[7][8][9].

A história de sua evolução pode ser reconstruída a partir de comparações com as línguas modernas, determinando assim quais características as línguas ancestrais devem ter tido para as etapas posteriores terem ocorrido. Um grupo de idiomas que descende de um ancestral comum é conhecido como família linguística. As línguas mais faladas no mundo atualmente são as pertencentes à família indo-europeia, que inclui o inglês, o espanhol, o português, o russo e o hindi; as  sino-tibetanas, que incluem o chinêsmandarimcantonês e outras; as  semíticas, que incluem o árabe, o amárico e o hebraico; e as  bantu, que incluem o suaíli, o zulu, o shona e centenas de outras línguas faladas em toda a África.

Lakhovsky Conversation
Arnold Lakhovsky, A conversação (1935)
Cuneiform script2
A escrita cuneiforme é o primeiro documento escrito de que se tem registro.[1] No entanto, acredita-se que a língua falada preceda a escrita em pelo menos dezenas de milhares de anos.[2]

Definições

A palavra linguagem tem pelo menos dois significados fundamentais: a linguagem como um conceito geral e a linguagem como um sistema linguístico específico (língua portuguesa, por exemplo). Em português, utiliza-se a palavra linguagem como um conceito geral e a palavra língua como um caso específico de linguagem. Em francês, o idioma utilizado pelo linguista Ferdinand de Saussure (o primeiro que explicitamente fez essa distinção), existe a mesma distinção entre as palavras langage e langue[10].

Quando se fala de linguagem como um conceito geral, várias definições podem ser utilizadas ​​para salientar diferentes aspectos do fenômeno[10]. Essas definições implicam também diferentes abordagens e entendimentos de linguagem, distinguindo as diversas escolas de teoria linguística.

Faculdades mentais, órgãos do corpo ou instintos

Uma das definições entende a linguagem, primordialmente, como a faculdade mental que permite aos seres humanos realizarem qualquer tipo de comportamento linguístico: aprender línguas, produzir e compreender enunciados. Tal definição destaca as bases biológicas para a linguagem como um desenvolvimento exclusivo do cérebro humano[11][12]. A linguagem é tida como uma propensão inata do ser humano. Exemplos dessa abordagem são a gramática universal de Noam Chomsky e a teoria inatista de Jerry Fodor. Essa definição é muitas vezes aplicada nos estudos da linguagem no quadro das ciências cognitivas e da neurolinguística. A língua também pode ser entendida como o órgão muscular relacionado ao sentido do paladar que fica localizado na parte ventral da boca da maior parte dos animais vertebrados e que serve para "processar" os alimentos.

Sistema simbólico formal

Outra definição vê a linguagem como um sistema formal de signos, regidos por regras gramaticais que, quando combinadas, geram significados. Essa definição enfatiza o fato de que as línguas humanas podem ser descritas como sistemas estruturais fechados, constituídos de regras que relacionam sinais específicos com significados específicos. A visão estruturalista foi introduzida por Ferdinand de Saussure, e tornou-se fundamental para a maioria das abordagens da linguística atual. Alguns adeptos dessa teoria têm defendido uma abordagem formal para estudar as estruturas da linguagem, privilegiando assim a formulação de regras abstratas subjacentes que podem ser entendidas para gerar ​estruturas linguísticas observáveis. Seu principal proponente é Noam Chomsky, que define a linguagem como um conjunto particular de frases que podem ser geradas a partir de um determinado conjunto de regras[13]. O ponto de vista estruturalista é comumente usado na lógica formal, na semiótica, e em teorias da gramática formal – mais comumente nos quadros teóricos da gramática descritiva. Na filosofia da linguagem, esse ponto de vista está associado a filósofos como Bertrand Russell, às primeiras obras de Ludwig WittgensteinAlfred Tarski e Gottlob Frege.

Ferramenta para comunicação

Um sistema de comunicação que permite aos seres humanos o compartilhamento de sentidos é outra definição para linguagem. Essa abordagem realça a função social da linguagem e o fato de que o homem a utiliza para se expressar e para manipular objetos em seu ambiente. As teorias da gramática funcional explicam as estruturas gramaticais por suas funções comunicativas, e as compreendem como o resultado de um processo adaptativo para atender às necessidades comunicativas de seus usuários. Essa visão está associada ao estudo da linguagem na pragmática, na linguística cognitiva e interacional, bem como na sociolinguística e na linguística antropológica. Ao entender a gramática como um fenômeno dinâmico, com estruturas que estão sempre em processo de mudança, as teorias funcionais levam ainda ao estudo da tipologia linguística. Na filosofia da linguagem esses pontos de vista são frequentemente associados com as obras posteriores de Ludwig Wittgenstein e com os filósofos da linguagem ordinária, como GE MoorePaul GriceJohn Searle e John Austin.

O que torna a linguagem humana única

linguagem humana é única quando comparada com outras formas de comunicação, como aquelas usadas ​​por animais. Ela permite aos seres humanos produzir um conjunto infinito de enunciados, a partir de um conjunto finito de elementos[3][14]. Os símbolos e as regras gramaticais de qualquer tipo de linguagem são, em grande parte, arbitrários. Por isso, o sistema só pode ser adquirido por meio da interação social. Os sistemas conhecidos de comunicação utilizados por animais, por outro lado, só podem expressar um número finito de enunciados, que são, na sua maioria, transmitidos geneticamente[15]. A linguagem humana é também a única que tem uma estrutura complexa, projetada para atender a uma grande quantidade de funções – bem mais do que qualquer outro tipo de sistema de comunicação.

Origem

Homo sapiens neanderthalensis
Crânio do Homo neanderthalensis, descoberto em La Chapelle-aux-Saints, na França.[4] Desconhece-se se o Neanderthal tinha língua
Serra da Capivara - Painting 8
Exemplos de pinturas encontradas no Parque Nacional Serra da Capivara. Uma das singularidades da linguagem humana baseia-se no seu referencial simbólico, desde o tempo pré-histórico

As teorias sobre a origem da linguagem podem ser divididas segundo algumas premissas básicas. Algumas sustentam a ideia de que a linguagem evoluiu a partir de um sistema pré-linguístico existente entre os nossos ancestrais pré-humanos. São as teorias baseadas na continuidade. O ponto de vista oposto afirma que a linguagem é um traço humano único, incomparável a qualquer outro encontrado entre os não humanos, e que deve, portanto, ter surgido repentinamente na transição entre os pré-hominídeos e o homem primitivo. É a teoria da descontinuidade. Outras teorias, ainda, veem a linguagem como uma faculdade inata, geneticamente codificada, ou como um sistema cultural, que se aprende por meio da interação social[17]. Atualmente, o único defensor proeminente da teoria da descontinuidade é Noam Chomsky[18]. De acordo com ele, "alguma mutação aleatória ocorreu, talvez depois de algum chuveiro de raios cósmicos estranhos. O cérebro foi reorganizado, implantando assim um órgão da linguagem num cérebro primata". Acautelando-se para que sua história não seja tomada literalmente, Chomsky insiste que ela "pode ​​estar mais próxima da realidade do que muitos outros contos de fadas que são contados sobre processos evolutivos, incluindo a linguagem"[19]. A maioria dos estudiosos, atualmente, toma como referências as teorias baseadas na continuidade, embora variem na forma como encaram o desenvolvimento da linguagem. Aqueles que entendem a linguagem como faculdade inata, como Steven Pinker, por exemplo, mantêm como precedente a cognição animal. Já os que veem a linguagem como uma ferramenta de comunicação socialmente aprendida, como Michael Tomasello, a consideram desenvolvida a partir da comunicação animal[5], gestual[20] ou vocal. Existem, ainda, outros modelos de continuidade, que acreditam que a linguagem se desenvolveu a partir da música[21].

Uma vez que o surgimento da linguagem está localizado no início da pré-história do homem, os desenvolvimentos relevantes na língua não deixaram vestígios históricos diretos, e não existe a possibilidade de processos similares serem observados hoje. Teorias que dão ênfase à continuidade muitas vezes olham para os animais a fim de identificar, por exemplo, se os primatas mostram qualquer traço análogo a algum tipo de linguagem utilizada pelos pré-humanos. Alternativamente, os primeiros fósseis humanos são inspecionados à procura de vestígios de adaptação física para a linguagem. Atualmente, é indiscutível que, em sua maioria, os pré-humanos Australopithecus não tinham sistemas de comunicação significativamente diferentes daqueles encontrados nos símios em geral. As opiniões na academia variam, entretanto, quanto à evolução desses sistemas desde o aparecimento do Homo, cerca de 2,5 milhões de anos atrás. Alguns estudiosos assumem o desenvolvimento de sistemas primitivos de linguagem (proto-língua) tão cedo quanto o Homo habilis, enquanto outros associam o desenvolvimento da comunicação simbólica primitiva apenas com o Homo erectus (1,8 milhões de anos atrás) ou o Homo heidelbergensis (0,6 milhões de anos atrás). Há ainda linhas de conhecimento segundo a qual o desenvolvimento da linguagem como a conhecemos estaria ligado com o Homo sapiens sapiens, há menos de cem mil anos, na África[22]. Análises linguísticas usadas por Johanna Nichols , linguista da Universidade da CalifórniaBerkeley, baseadas no tempo necessário para atingir a atual difusão e diversidade nas línguas modernas, apontam que a linguagem vocal surgiu, pelo menos, cem mil anos atrás[23].

Aquisição da linguagem

Baby-global
Desde o nascimento, os recém-nascidos respondem mais prontamente à fala humana do que a outros sons

Todo ser humano saudável já nasce programado para falar, com uma propensão inata para a linguagem[24][25]. As crianças adquirem a língua ou as línguas que são empregadas pelas pessoas que convivem perto delas[3]. Esse processo de aprendizagem é algo complexo. Por isso, acredita-se que a aquisição da primeira língua é a maior façanha que podemos realizar durante toda a vida. Ao contrário de muitos outros tipos de aprendizagem, a aquisição da primeira língua não requer ensino direto ou estudo especializado[24]. Em A Descendência do Homem e Seleção em Relação ao Sexo, o naturalista Charles Darwin chamou esse processo de "tendência instintiva para adquirir uma arte"[11].

Desde o nascimento, os recém-nascidos respondem mais prontamente à fala humana do que a outros sons. Com cerca de um mês de idade, os bebês parecem ser capazes de distinguir entre diferentes sons da fala. Aos seis meses de idade, as crianças começam a balbuciar, produzindo ou os sons da fala ou as formas com as mãos das línguas utilizadas em torno delas. Desde muito cedo, qualquer criança sabe e fala muito além das frases que ela escutou dos adultos. Não repete simplesmente o que lhe dizem: com as regras que ela apreendeu das frases ouvidas, forma inúmeras outras. Ou seja, desde a primeira infância, a pessoa "cria" as suas frases. Essa criatividade é o traço característico da chamada gramática universal, internalizada pelas crianças[24]. Proposta por Noam Chomsky, ela parte do princípio de que há uma gramática inerente a todos os falantes, de qualquer língua, que faria com que ninguém optasse por uma estrutura altamente errada, entre as infinitas combinações possíveis de palavras[26]. As palavras aparecem entre 12 e 18 meses de idade. Uma criança de 18 meses emprega, em média, cerca de 50 palavras.

As primeiras declarações das crianças são holofrases, ou seja, expressões que utilizam apenas uma palavra para comunicar alguma ideia. Vários meses depois que uma criança começa a produzir palavras, ela produzirá discursos telegráficos e frases curtas que são menos complexas gramaticalmente do que a fala dos adultos, mas que mostram a estrutura sintática regular. Com dois anos a criança já domina o arcabouço fundamental de sua língua. Com aproximadamente três anos, a capacidade da criança de falar ou de fazer sinais é tão refinada que se assemelha à linguagem adulta[24][27].

Linguagem humana

Lascaux2
Pintura rupestre nas cavernas de Lascaux, França. A capacidade que os seres humanos têm de transferir conceitos e ideias através da fala e da escrita é incomparável com qualquer outra espécie conhecida

As línguas humanas são geralmente referidas como línguas naturais, tendo a linguística como a ciência responsável por estudá-las. Nas línguas naturais, a progressão comum é que as pessoas, primeiro, falem, depois inventem um sistema de escrita e, em seguida, gramaticalizem a língua, numa tentativa de entendê-la e explicá-la[27].

Línguas vivem, morrem, misturam-se, mudam de lugar , se alteram com o passar do tempo. Qualquer língua que deixa de mudar ou de se desenvolver é categorizada como uma língua morta[27]. Por outro lado, qualquer língua que está em estado contínuo de mudança é conhecida como uma língua viva ou linguagem moderna. Por essas razões, o maior desafio para o falante de uma língua estrangeira é permanecer imerso nela, a fim de acompanhar as mudanças que se processam.

Às vezes, a distinção entre um idioma e outro é quase impossível[28]. Por exemplo, há dialetos do alemão que são semelhantes a dialetos holandeses. A transição entre as línguas dentro de uma mesma família linguística é muitas vezes gradual (veja continuum dialetal). Alguns gostam de fazer paralelos com a biologia, na qual não é possível estabelecer uma distinção bem definida entre uma espécie e outra. Em ambos os casos, a dificuldade se dá em identificar os troncos a partir da interação entre as linguagens e as populações. (Veja dialeto ou August Schleicher para uma discussão mais longa). Os conceitos de Ausbausprache, Abstandsprache e Dachsprachesão são usados ​​para fazer distinções mais refinadas sobre os graus de diferença entre línguas e/ou dialetos.

língua de sinais é uma linguagem que, em vez de padrões sonoros acusticamente transmissíveis, utiliza padrões de sinal visuais (comunicação manual e/ou linguagem corporal) para transmitir um significado, combinando gestos manuais, orientação e movimentação das mãos, braços ou expressões corporais e faciais para expressar seus pensamentos com fluidez. Centenas de línguas de sinais estão em uso em todo o mundo, no interior das culturas locais de surdos[29].

Linguagem artificial

Unua Libro
O primeiro livro publicado sobre o esperanto, a língua construída artificialmente mais falada do mundo.[5]

língua artificial é um tipo de linguagem onde a fonologiagramática e/ou vocabulário foram conscientemente concebidos ou modificados por um indivíduo ou grupo, em vez de evoluído naturalmente[31]. Existem várias razões possíveis para a construção de uma língua: facilidade humana para a comunicação (veja língua auxiliar), adição de profundidade a uma obra de ficção ou a lugares imaginários, experimentação linguística, criação artística ou, ainda, realização de jogos de linguagem.

A expressão "língua planejada" é por vezes utilizada para conceituar línguas auxiliares internacionais e outras linguagens projetadas para uso real na comunicação humana. Fora da comunidade esperantista, o termo "língua planejada" designa as prescrições dadas a uma linguagem natural para padronizá-la. Nesse sentido, mesmo as línguas naturais podem ser artificiais em alguns aspectos. As gramáticas normativas, que são tão antigas quanto as línguas clássicas – como o latim, o sânscrito e o chinês –, são baseadas em regras codificadas das línguas naturais. Essas codificações são um meio termo entre a seleção natural da língua e o desenvolvimento da linguagem, sua construção e prescrição explícita[32].

ASCII-Table-wide
O ASCII Table, um esquema para cadeias de caracteres de codificação

matemática, a lógica e a ciência da computação utilizam entidades artificiais chamadas linguagens formais (incluindo a linguagem de programação e a linguagem de marcação). Muitas vezes, essas linguagens tomam a forma de cadeias de caracteres, produzidas por uma combinação de gramática formal e semântica de complexidades arbitrárias.

linguagem de programação é uma linguagem formal dotada de semântica, que pode ser utilizada para controlar o comportamento de uma máquina, particularmente um computador, a fim de executar tarefas específicas. As linguagens de programação são definidas usando regras sintáticas e semânticas para determinar a sua estrutura e o seu significado, respectivamente. As linguagens de programação são empregadas para facilitar a comunicação sobre a tarefa de organizar e manipular informações e para expressar algoritmos com precisão. Há ainda a linguística computacional, que pode ser entendida como a área de conhecimento que explora as relações entre linguística e informática, tornando possível a construção de sistemas com capacidade de reconhecer e produzir informações apresentadas em linguagem natural[33][34].

Linguagem de animais

Bee waggle dance
A Dança das abelhas promovida pelas Abelhas-europeias, indicando uma fonte de alimento à direita da direção do sol, fora da colmeia. O abdômen do dançarino aparece turvo por causa do rápido movimento lado a lado

O termo "linguagem animal" é frequentemente utilizado para os sistemas de comunicação não humanos. Linguistas e semióticos não a consideram uma linguagem verdadeira, descrevendo-a como sistemas de comunicação animal baseados em sinais não simbólicos[35], já que a interação entre animais nesse tipo de comunicação é fundamentalmente diferente dos princípios da linguagem humana. Segundo essa abordagem, uma vez que os animais não nascem com a capacidade de raciocinar em termos de cultura, a comunicação animal se refere a algo qualitativamente diferente do que é encontrado em comunidades humanas[36]Comunicaçãolíngua e cultura são mais complexas entre os seres humanos; um cão pode comunicar com sucesso um estado emocional agressivo com um rosnado, que pode ou não fazer com que um outro cão se afaste ou recue. Os cachorros também podem marcar seu território com o cheiro de sua urina ou de seu corpo. Da mesma forma, um grito humano de medo pode ou não alertar outros seres humanos do perigo iminente. Nesses exemplos há comunicação, mas não o que, geralmente, seria chamado de linguagem.

Em vários casos divulgados, os animais vêm sendo ensinados a entender certas características da linguagem humanaKarl von Frisch recebeu o Prêmio Nobel em 1973 por sua pesquisa sobre a comunicação sígnica entre as abelhas. Elas são capazes de, volteando, transmitir vibrações para as outras, dando direção de locais em que há abundância de pólen[37]. Foram ensinados aos chimpanzésgorilas e orangotangos, com cartões, cores e gestos, a língua de sinais baseada na linguagem de sinais americana, o que resultou em um número notável de frases. O papagaio-cinzento africanoAlex, possuía a capacidade de imitar a fala humana com um alto grau de precisão. Suspeita-se que ele tinha inteligência suficiente para compreender alguns dos discursos que imitou, além de entender o número zero, um conceito abstrato que as crianças só começam a compreender a partir dos 3 anos.[38][39][40][41]. Embora os animais possam ser ensinados a entender partes da linguagem humana, eles são incapazes de desenvolver essa linguagem.

E apesar dos debates, entre os defensores dos sistemas de comunicação animal, acerca  dos níveis de semântica dessa linguagem, nada ainda foi encontrado que possa se aproximar da sintaxe da linguagem humana[42].

Ver também

Referências

  1. Estadão (14 de julho de 2010). «Encontrado em Jerusalém o documento escrito mais velho da História»
  2. Maíra Valle e Alessandra Pancetti. A transformação do mundo pela escrita Arquivado em 25 de novembro de 2009, no Wayback Machine.. ComCiência: Revista Eletrônica de Jornalismo Científico (10/11/2009);
  3. «Linguagem». Arquivado do original em 26 de fevereiro de 2012
  4. Ciência na mão. Crânio Antropológico – La Chapelle-Aux-Saints. USP;
  5. "Construído a partir de palavras semelhantes em várias línguas, o esperanto foi criado para servir de idioma universal e promover a paz e a fraternidade entre as nações. Daí o nome, que significa esperançoso".Superinteressante. Quais os idiomas artificiais mais falados do mundo?. Setembro, 2009;

Ligações externas

Algoritmo

Em ciência da computação, um algoritmo é uma sequência finita de ações executáveis que visam obter uma solução para um determinado tipo de problema. Segundo Dasgupta, Papadimitriou e Vazirani, "algoritmos são procedimentos precisos, não ambíguos, mecânicos, eficientes e corretos".O conceito de algoritmo existe há séculos e o uso do conceito pode ser atribuído a matemáticos gregos, por exemplo a Peneira de Eratóstenes e o algoritmo de Euclides.

O conceito de algoritmo é frequentemente ilustrado pelo exemplo de uma receita culinária, embora muitos algoritmos sejam mais complexos. Eles podem repetir passos (fazer iterações) ou necessitar de decisões (tais como comparações ou lógica) até que a tarefa seja completada. Um algoritmo corretamente executado não irá resolver um problema se estiver implementado incorretamente ou se não for apropriado ao problema. Jean Luc ChabertUm algoritmo não representa, necessariamente, um programa de computador, e sim os passos necessários para realizar uma tarefa. Sua implementação pode ser feita por um computador, por outro tipo de autômato ou mesmo por um ser humano. Diferentes algoritmos podem realizar a mesma tarefa usando um conjunto diferenciado de instruções em mais ou menos tempo, espaço ou esforço do que outros. Tal diferença pode ser reflexo da complexidade computacional aplicada, que depende de estruturas de dados adequadas ao algoritmo. Por exemplo, um algoritmo para se vestir pode especificar que você vista primeiro as meias e os sapatos antes de vestir a calça enquanto outro algoritmo especifica que você deve primeiro vestir a calça e depois as meias e os sapatos. Fica claro que o primeiro algoritmo é mais difícil de executar que o segundo apesar de ambos levarem ao mesmo resultado. AlgorithmicsO conceito de um algoritmo foi formalizado em 1936 pela Máquina de Turing de Alan Turing e pelo cálculo lambda de Alonzo Church, que formaram as primeiras fundações da Ciência da computação.

C

C (plural "cês") é a terceira letra do alfabeto latino. É pronunciado "cê". Tem aparência idêntica à décima nona letra do alfabeto cirílico, С, que equivale foneticamente ao S latino.

C (linguagem de programação)

C é uma linguagem de programação compilada de propósito geral, estruturada, imperativa, procedural, padronizada por Organização Internacional para Padronização (ISO), criada em 1972 por Dennis Ritchie na empresa AT&T Bell Labs para desenvolvimento do sistema operacional Unix (originalmente escrito em Assembly).C é uma das linguagens de programação mais populares e existem poucas arquiteturas para as quais não existem compiladores para C. C tem influenciado muitas outras linguagens de programação (por exemplo, a linguagem Java), mais notavelmente C++, que originalmente começou como uma extensão para C.

A linguagem C encontra-se na versão/padrão internacional C18 standard revision (ou ISO/IEC 9899:2018) lançada em junho de 2018, substituindo a versão C11 (standard ISO/IEC 9899:2011), disponível em ISO e IEC e com suporte para GCC8 e Clang LLVM6.

Compilador

Um compilador é um programa de computador (ou um grupo de programas) que, a partir de um código fonte escrito em uma linguagem compilada, cria um programa semanticamente equivalente, porém escrito em outra linguagem, código objeto. Classicamente, um compilador traduz um programa de uma linguagem textual

facilmente entendida por um ser humano para uma linguagem de máquina ,

específica para um processador e sistema operacional. Atualmente, porém,

são comuns compiladores que geram código para uma máquina virtual que

é, depois, interpretada por um interpretador. Ele é chamado compilador por razões históricas; nos primeiros anos da programação automática, existiam programas que percorriam bibliotecas de sub-rotinas e as reunia, ou compilava, as subrotinas necessárias para executar uma determinada tarefa.O nome "compilador" é usado principalmente para os programas que traduzem o código fonte de uma linguagem de programação de alto nível para uma linguagem de programação de baixo nível (por exemplo, Assembly ou código de máquina). Contudo alguns autores citam exemplos de compiladores que traduzem para linguagens de alto nível como C. Para alguns autores um programa que faz uma tradução entre linguagens de alto nível é normalmente chamado um tradutor, filtro ou conversor de linguagem. Um programa que traduz uma linguagem de programação de baixo nível para uma linguagem de programação de alto nível é um descompilador. Um programa que faz uma tradução entre uma linguagem de montagem e o código de máquina é denominado montador (assembler). Um programa que faz uma tradução entre o código de máquina e uma linguagem de montagem é denominado desmontador (disassembler). Se o programa compilado pode ser executado em um computador cuja CPU ou sistema operacional é diferente daquele em que o compilador é executado, o compilador é conhecido como um compilador cruzado.

Filologia

Filologia (do grego antigo Φιλολογία, "amor ao estudo, à instrução") é o estudo da linguagem em fontes históricas escritas, incluindo literatura, história e linguística. É mais comumente definida como o estudo de textos literários e registros escritos, o estabelecimento de sua autenticidade e sua forma original, e a determinação do seu significado.

Filologia clássica é a filologia do grego e latim clássico. Filologia clássica é historicamente primária, originária de Pérgamo e Alexandria em torno do século IV a.C., continuou pelos gregos e romanos em todo o Império Romano e Bizantino, e eventualmente assumida por estudiosos europeus da Era dos Descobrimentos, onde foi logo acompanhado por filólogos de outras línguas tanto a um nível europeu (germânico, celta, eslavos, etc) e não-europeus (em sânscrito, persa, árabe, chinês, etc.). Estudos indo-europeus envolvem a filologia comparativa de todas as línguas indo-europeias.

Qualquer linguagem clássica pode ser estudada filologicamente e, de facto, como uma linguagem de descrição "clássica" e que implica a existência de uma tradição filológica associada a ele.

Devido ao seu foco no desenvolvimento histórico (análise diacrônica), a filologia passou a ser usada como um termo que contrasta com a linguística. Isto é devido a um desenvolvimento do século XX desencadeada por insistência de Ferdinand de Saussure sobre a importância da análise sincrônica, e mais tarde o surgimento do estruturalismo e linguística Chomsky com sua ênfase na sintaxe.

JavaScript

JavaScript (frequentemente abreviado como JS) é uma linguagem de programação interpretada estruturada, de script em alto nível com tipagem dinâmica fraca e multi-paradigma (protótipos, orientado a objeto, imperativo e, funcional). Juntamente com HTML e CSS, o JavaScript é uma das três principais tecnologias da World Wide Web. JavaScript permite páginas da Web interativas e, portanto, é uma parte essencial dos aplicativos da web. A grande maioria dos sites usa, e todos os principais navegadores têm um mecanismo JavaScript dedicado para executá-lo.

É atualmente a principal linguagem para programação client-side em navegadores web. É também bastante utilizada do lado do servidor através de ambientes como o node.js.

Como uma linguagem multi-paradigma, o JavaScript suporta estilos de programação orientados a eventos, funcionais e imperativos (incluindo orientado a objetos e prototype-based), apresentando recursos como fechamentos (closures) e funções de alta ordem comumente indisponíveis em linguagens populares como Java e C++. Possuí APIs para trabalhar com texto, matrizes, datas, expressões regulares e o DOM, mas a linguagem em si não inclui nenhuma E/S, como instalações de rede, armazenamento ou gráficos, contando com isso no ambiente host em que está embutido.

Foi originalmente implementada como parte dos navegadores web para que scripts pudessem ser executados do lado do cliente e interagissem com o usuário sem a necessidade deste script passar pelo servidor, controlando o navegador, realizando comunicação assíncrona e alterando o conteúdo do documento exibido, porém os mecanismos JavaScript agora estão incorporados em muitos outros tipos de software host, incluindo servidores em servidores e bancos de dados da Web e em programas que não são da Web, como processadores de texto e PDF, e em tempo de execução ambientes que disponibilizam JavaScript para escrever aplicativos móveis e de desktop, incluindo widgets de área de trabalho.

Os termos Vanilla JavaScript e Vanilla JS se referem ao JavaScript não estendido por qualquer estrutura ou biblioteca adicional. Scripts escritos em Vanilla JS são códigos JavaScript simples.Embora existam semelhanças entre JavaScript e Java, incluindo o nome da linguagem, a sintaxe e as respectivas bibliotecas padrão, as duas linguagens são distintas e diferem muito no design; JavaScript foi influenciado por linguagens de programação como Self e Scheme.É baseada em ECMAScript, padronizada pela Ecma international nas especificações ECMA-262 e ISO/IEC 16262.

Java (linguagem de programação)

Java é uma linguagem de programação orientada a objetos desenvolvida na década de 90 por uma equipe de programadores chefiada por James Gosling, na empresa Sun Microsystems. Em 2008 o Java foi adquirido pela empresa Oracle Corporation. Diferente das linguagens de programação modernas, que são compiladas para código nativo, a linguagem Java é compilada para um bytecode que é interpretado por uma máquina virtual (Java Virtual Machine, mais conhecida pela sua abreviação JVM). A linguagem de programação Java é a linguagem convencional da Plataforma Java, mas não é a sua única linguagem.

J2ME Para programas e jogos de computador, celular, calculadoras, ou até mesmo o rádio do carro.

Linguagem de programação

A linguagem de programação é um método padronizado para comunicar instruções para um computador. É um conjunto de regras sintáticas e semânticas usadas para definir um programa de computador. Permite que um programador especifique precisamente sobre quais dados um computador vai atuar, como estes dados serão armazenados ou transmitidos e quais ações devem ser tomadas sob várias circunstâncias. Linguagens de programação podem ser usadas para expressar algoritmos com precisão.

O conjunto de palavras (lexemas classificados em tokens), compostos de acordo com essas regras, constituem o código fonte de um software. Esse código fonte é depois traduzido para código de máquina, que é executado pelo microprocessador.Uma das principais metas das linguagens de programação é que programadores tenham uma maior produtividade, permitindo expressar suas intenções mais facilmente do que quando comparado com a linguagem que um computador entende nativamente (código de máquina). Assim, linguagens de programação são projetadas para adotar uma sintaxe de nível mais alto, que pode ser mais facilmente entendida por programadores humanos. Linguagens de programação são ferramentas importantes para que programadores e engenheiros de software possam escrever programas mais organizados e com maior rapidez.

Linguagens de programação também tornam os programas menos dependentes de computadores ou ambientes computacionais específicos (propriedade chamada de portabilidade). Isto acontece porque programas escritos em linguagens de programação são traduzidos para o código de máquina do computador no qual será executado em vez de ser diretamente executado. Uma meta ambiciosa do Fortran, uma das primeiras linguagens de programação, era esta independência da máquina onde seria executada.

Linguística

Linguística é a área de estudo científico da linguagem. É considerado linguista o cientista que se dedica aos estudos a respeito da língua, fala e linguagem. A pesquisa linguística é feita por filósofos e cientistas da linguagem que se preocupam em investigar quais são os desdobramentos e nuances envolvidos na linguagem humana. O jornalista norte-americano Russ Rymer certa vez a definiu ironicamente da seguinte maneira:

Alternativamente, alguns chamam informalmente de linguista a uma pessoa versada ou conhecedora de muitas línguas, embora um termo mais adequado para este fim seja poliglota.

Lua (linguagem de programação)

Lua é uma linguagem de script de multiparadigma, pequena, reflexiva e leve, projetada para expandir aplicações em geral, por ser uma linguagem extensível (que une partes de um programa feitas em mais de uma linguagem), para prototipagem e para ser embarcada em softwares complexos, como jogos. Assemelha-se com Python, Ruby e Icon, entre outras.Lua foi criada por um time de desenvolvedores do Tecgraf da PUC-Rio, a princípio, para ser usada em um projeto da Petrobras. Devido à sua eficiência, clareza e facilidade de aprendizado, passou a ser usada em diversos ramos da programação, como no desenvolvimento de jogos (a Blizzard Entertainment, por exemplo, usou a linguagem no jogo World of Warcraft), controle de robôs, processamento de texto, etc. Também é frequentemente usada como uma linguagem de propósito geral.

Lua combina programação procedural com poderosas construções para descrição de dados, baseadas em tabelas associativas e semântica extensível. É tipada dinamicamente, interpretada a partir de bytecodes, e tem gerenciamento automático de memória com coleta de lixo. Essas características fazem de Lua uma linguagem ideal para configuração, automação (scripting) e prototipagem rápida.

Língua de sinais

Uma língua de sinais (português brasileiro) ou língua gestual (português europeu) é uma língua visual, que surge nas comunidades de pessoas surdas ou se deriva de outras línguas de sinais. Assim como as línguas orais-auditivas, uma língua de sinais é considerada pela linguística como língua natural, pois atende a todos os critérios linguísticos como qualquer língua. Por seu canal comunicativo ser diferente das línguas orais-auditivas, as línguas de sinais são denominadas como línguas de modalidade visuoespacial.Os sinais, ou seja, as palavras, são articulados essencialmente pelas mãos e percebidos através da visão. Em uma língua de sinais, os sinais não são gestos. Os sinais são símbolos arbitrários, legitimados e convencionados pelos falantes de uma língua de sinais, assim como as palavras são em uma língua oral. Por meio de uma língua de sinais, o surdo ou pessoa com deficiência auditiva têm acesso à informação e à comunicação. Há no mundo muitas línguas de sinais e em muitos países línguas de sinais têm recebido o status de língua oficial.

Língua dinamarquesa

O dinamarquês (dansk) é uma língua germânica do norte falada por cerca de seis milhões de pessoas, principalmente na Dinamarca e na região de Schleswig-Holstein, no norte da Alemanha, onde tem status de língua minoritária. Além disso, pequenas comunidades de língua dinamarquesa são encontradas na Noruega, Suécia, Espanha, Estados Unidos, Canadá, Brasil e Argentina. Devido à migração e mudança de idioma em áreas urbanas, cerca de 15 a 20% da população da Gronelândia fala o dinamarquês como sua primeira língua.

Juntamente com as outras línguas germânicas setentrionais, o dinamarquês é um descendente do nórdico antigo, a língua comum dos povos germânicos que viviam na Escandinávia durante a Era Viking. O dinamarquês, juntamente com o sueco, deriva do grupo de dialetos nórdicos orientais, enquanto o idioma norueguês médio, antes da influência do dinamarquês e do norueguês Bokmål, são classificados como nórdicos ocidentais, juntamente com o feroês e o islandês. Uma classificação mais recente baseada na inteligibilidade mútua separa os dinamarqueses, noruegueses e suecos modernos como "escandinavos do continente", enquanto os islandeses e faroenses são classificados como "escandinavos insulares".

Até o século 16, o dinamarquês era um continuum de dialetos falados de Schleswig a Scania sem variedade padrão ou convenções de ortografia. Com a Reforma Protestante e a introdução da impressão, foi desenvolvida uma linguagem padrão baseada no dialeto educado de Copenhague, que se espalhou através do uso no sistema de ensino e administração, embora o alemão e o latim continuassem a ser as línguas escritas mais importantes até o século XVII. Após a perda de território para a Alemanha e a Suécia, um movimento nacionalista adotou a linguagem como um símbolo da identidade dinamarquesa, e a língua experimentou um forte aumento no uso e popularidade, com grandes obras da literatura produzidas nos séculos XVIII e XIX. Hoje, os dialetos dinamarqueses tradicionais praticamente desapareceram, embora existam variantes regionais da linguagem padrão. As principais diferenças na linguagem são entre gerações, sendo a linguagem dos jovens particularmente inovadora.

O dinamarquês possui um inventário vocálico muito grande, compreendendo 27 vogais fonemicamente distintas, e sua prosódia é caracterizada pelo fenômeno distintivo stød, uma espécie de tipo de fonação laríngea. Devido às muitas diferenças de pronúncia que separam o dinamarquês de seus idiomas vizinhos, particularmente as vogais, prosódia difícil e consoantes "fracamente" pronunciadas, às vezes é considerada uma linguagem difícil de aprender e entender, e algumas evidências mostram que crianças pequenas são mais lentas para adquirir as distinções fonológicas do dinamarquês. A gramática é moderadamente inflectida com conjugações fortes (irregulares) e fracas (regulares) e inflexões. Substantivos e pronomes demonstrativos distinguem gênero comum e neutro. Como o inglês, o dinamarquês só tem remanescentes de um antigo sistema de casos, particularmente nos pronomes. Ao contrário do inglês, o dinamarquês perdeu toda a marcação de pessoa nos verbos. Sua sintaxe é a ordem das palavras V2, com o verbo finito sempre ocupando o segundo espaço na frase.

Língua natural

Língua natural (língua humana, língua idiomática, ou somente língua ou idioma) é qualquer linguagem desenvolvida naturalmente pelo ser humano, de forma não premeditada, como resultado da facilidade inata para a linguagem possuída pelo intelecto humano. Vários exemplos podem ser dados como as línguas faladas e as línguas de sinais. A linguagem natural é normalmente utilizada para a comunicação. As línguas naturais são diferentes das línguas construídas e das línguas formais, tais como a linguística computacional, a língua escrita, a linguagem animal e as linguagens usadas no estudo formal da lógica, especialmente da lógica matemática.

As línguas de sinais ou línguas gestuais são também línguas naturais, visto possuírem as mesmas propriedades características: gramática e sintaxe com dependências não locais, infinidade discreta, generatividade e criatividade. Línguas de sinais ou gestuais como a estadunidense, a francesa, a brasileira ou a portuguesa estão devidamente documentadas na literatura científica.

Metáfora

Metáfora é uma figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações. Também é um recurso expressivo.

O termo fogo mantém seu sentido próprio - desenvolvimento simultâneo de calor e luz, que é produto da combustão de matérias inflamáveis, como, por exemplo, o carvão - e possui sentidos figurados - fervor, paixão, excitação, sofrimento etc.

Didaticamente, pode-se considerá-la uma comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

Poesia

A poesia, ou texto lírico, é uma das sete artes tradicionais, pela qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos ou críticos, ou seja, ela retrata algo em que tudo pode acontecer dependendo da imaginação do autor como a do leitor. Poesia, segundo o modo de falar comum, quer dizer duas coisas. A arte, que a ensina, e a obra feita com a arte; a arte é a poesia, a obra poema, o poeta o artífice. O sentido da mensagem poética também pode ser, ainda que seja a forma estética a definir um texto como poético. A poesia compreende aspectos metafísicos e a possibilidade desses elementos transcenderem ao mundo fático. Esse é o terreno que compete verdadeiramente ao poeta.Num contexto mais alargado, a poesia aparece também identificada com a própria arte, o que tem razão de ser já que qualquer arte é, também, uma forma de linguagem (ainda que, não necessariamente, verbal). É a arte de poetizar que nos permite exprimir aquilo que está dentro de nós. Também pode ser encarado, como o modo de uma pessoa se expressar usando recursos linguísticos e estéticos.

Prosa

Prosa é um gênero de texto escrito em parágrafos. O termo deriva do latim prosa, que significa discurso direto, livre, em linha reta. Trata-se da expressão do "não eu" (ou do objeto), por meio de metáforas univalentes. Em um texto em prosa, as metáforas são exploradas com parcimônia, visando criar uma imagem objetiva e concreta da realidade, o que o diferencia do texto poético. Porém, a linguagem da prosa não é pura denotação. Quando a obra chega ao seu epílogo, e termina a narrativa, a conotação se manifesta fortemente. Portanto, a prosa faz uso da linguagem denotativa conotativa, ao contrário da linguagem poética, que é predominantemente conotativa."Prosa" pode designar uma forma (um texto escrito sem divisões rítmicas intencionais -- alheias à sintaxe, e sem grandes preocupações com ritmo, métrica, rimas, aliterações e outros elementos sonoros), e pode designar também um tipo de conteúdo (um texto cuja função linguística predominante não é a poética, como por exemplo, um livro técnico, um romance, uma lei, etc...). Na acepção relativa à forma, "prosa" contrapõe-se a "verso"; na acepção relativa ao conteúdo, "prosa" contrapõe-se a "poesia".

Aristóteles já observava, em sua "Poética", que nem todo texto escrito em verso é "poesia", pois na época era comum se usar os versos até em textos de natureza científica ou filosófica, que nada tinham a ver com poesia. Da mesma forma, nem tudo que é escrito em forma de prosa tem conteúdo de prosa.

Python

Python é uma linguagem de programação de alto nível, interpretada, de script, imperativa, orientada a objetos, funcional, de tipagem dinâmica e forte. Foi lançada por Guido van Rossum em 1991. Atualmente possui um modelo de desenvolvimento comunitário, aberto e gerenciado pela organização sem fins lucrativos Python Software Foundation. Apesar de várias partes da linguagem possuírem padrões e especificações formais, a linguagem como um todo não é formalmente especificada. O padrão de facto é a implementação CPython.

A linguagem foi projetada com a filosofia de enfatizar a importância do esforço do programador sobre o esforço computacional. Prioriza a legibilidade do código sobre a velocidade ou expressividade. Combina uma sintaxe concisa e clara com os recursos poderosos de sua biblioteca padrão e por módulos e frameworks desenvolvidos por terceiros.

Python é uma linguagem de propósito geral de alto nível, multiparadigma, suporta o paradigma orientado a objetos, imperativo, funcional e procedural. Possui tipagem dinâmica e uma de suas principais características é permitir a fácil leitura do código e exigir poucas linhas de código se comparado ao mesmo programa em outras linguagens. Devido às suas características, ela é principalmente utilizada para processamento de textos, dados científicos e criação de CGIs para páginas dinâmicas para a web. Foi considerada pelo público a 3ª linguagem "mais amada", de acordo com uma pesquisa conduzida pelo site Stack Overflow em 2018, e está entre as 5 linguagens mais populares, de acordo com uma pesquisa conduzida pela RedMonk.O nome Python teve a sua origem no grupo humorístico britânico Monty Python, criador do programa Monty Python's Flying Circus, embora muitas pessoas façam associação com o réptil do mesmo nome (em português, píton ou pitão).

Símbolo

O termo símbolo, com origem no grego symbolon (σύμβολον), designa um tipo de signo em que o significante (realidade concreta) representa algo abstrato (religiões, nações, quantidades de tempo ou matéria etc.) por força de convenção, semelhança ou contiguidade semântica (como no caso da cruz que representa o cristianismo, porque ela é uma parte do todo que é imagem do Cristo morto). Charles Sanders Pierce desenvolveu uma classificação geral dos signos. Sendo um signo, "símbolo" é sempre algo que representa outra coisa (para alguém).

O "símbolo" é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo cotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que sejam reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural etc.), pode ser também um objeto que substitui, representa, ou sugere algo.

A representação específica para cada símbolo pode surgir como resultado de um processo natural ou pode ser convencionada de modo que o receptor (uma pessoa ou grupo específico de pessoas) consiga fazer a interpretação do seu significado implícito e atribuir-lhe determinada conotação. Pode, também, estar mais ou menos relacionada fisicamente com o objeto ou ideia que representa, podendo não só ter uma representação gráfica ou tridimensional como também sonora ou mesmo gestual.

Símbolos gravados há mais de 60 mil anos na casca de ovos de avestruz podem evidenciar o mais antigo sistema de representação simbólica usado por humanos modernos. Os sinais repetitivos e padronizados foram encontrados em Howiesons Poort, na África do Sul, e foram destacados em artigo na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).A semiótica é a disciplina que se ocupa do estudo dos símbolos, do seu processo e sistema em geral. Outras disciplinas especificam metodologias de estudo consoante à área, como a semântica, que se ocupa do simbolismo na linguagem, ou seja, das palavras, ou a psicanálise, que, entre outros, se debruça sobre a interpretação do simbolismo nos sonhos.

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