Levítico

Levítico (do grego Λευιτικόν, "Leuitikon", do original hebraico "torat kohanim"[1]) é o terceiro livro da Bíblia hebraica (em hebraico: וַיִּקְרָא, "Vaicrá" - "Chamado por Deus"[1]) e do Antigo Testamento cristão. O termo em português é derivado do latim "Leviticus", emprestado do grego, e é uma referência aos levitas, a tribo de Aarão, os primeiros sacerdotes judaicos ("kohanim"). Endereçado a todo o povo de Israel (Levítico 1:2), o livro contém algumas passagens específicas para os sacerdotes (Levítico 6:8, por exemplo). A maioria de seus capítulos (1-7; 11-27) são discursos de Deus no monte Sinai a Moisés, que recebeu a missão de repeti-las aos israelitas, durante o Êxodo (Êxodo 19:1). O Livro do Êxodo narra como Moisés liderou os israelitas na construção do Tabernáculo (caps. 35-40), que era uma tenda que servia como "templo" móvel dos judeus durante a jornada pelo deserto, com base nas instruções de Deus (25-31). Seguindo a narrativa no Levítico, Deus conta aos israelitas e a seus sacerdotes como realizar as ofertas no Tabernáculo e como se portar enquanto estavam acampados à volta da tenda do santuário. Os eventos no Levítico ocorreram durante o período de trinta a quarenta e cinco dias entre o fim da construção do Tabernáculo (Êxodo 40:17) e a despedida dos israelitas do Sinai (Números 1:1, Números 10:11).

As instruções no Levítico enfatizam práticas rituais, legais e morais ao invés de crenças. Mesmo assim, elas refletem a visão de mundo da história da criação em Gênesis 1, quando Deus revela o desejo de viver entre os homens. O livro ensina que a realização fiel dos rituais no santuário tem o poder de tornar isto possível se o povo se mantiver longe do pecado e das impurezas sempre que possível. Os rituais, especialmente os relativos ao pecado e as oferendas decorrentes, são formas de se obter o perdão (caps. 4-5) e a purificação das impurezas (11-16) para que Deus possa continuar a viver no Tabernáculo.[2]

Tabernakel overzicht
Diagrama esquemático

Autoria

A visão tradicional é que o Levítico foi escrito por Moisés — ou que o material nele remonta à sua época —, mas pistas internas sugerem que o livro foi escrito muito mais tarde na história de Israel e se completo ou no final do Reino de Judá, no fim do século VII a.C., ou no período do cativeiro na Babilônia e logo depois, nos séculos VI e V a.C.. Os estudiosos debatem se ele foi escrito primordialmente para a liturgia judaica no exílio, centrada na leitura e na pregação,[3][4] ou se para instruir os fieis nos templos de Jerusalém e da Samaria.[5] Seja como for, eles são praticamente unânimes ao afirmar que o livro levou um período longo de tempo para se desenvolver e, embora ele contenha material de considerável antiguidade, o Levítico atingiu seu formato atual durante o período persa (538–332 a.C.).[6]

Sumário

Os capítulos um a cinco descrevem os vários sacrifícios do ponto de vista dos ofertantes, destacando o papel dos sacerdotes na lida do sangue. Os capítulos seis e sete tratam do mesmo tema, mas do ponto de vista do sacerdote, que, como o responsável pelo sacrifício de fato e por dividi-los em pedaços, precisa saber como o procedimento deve ser realizado. Os sacrifícios devem ser divididos entre Deus, o sacerdote e os ofertantes, embora, em alguns casos, o sacrifício todo deva ser entregue a Deus em uma única parte — a porção de Deus era queimada até virar cinzas.[7]

Os capítulos oito a dez descrevem a consagração de Aarão e seus filhos por Moisés como os primeiros sacerdotes ("kohanim"), os primeiros sacrifícios e a destruição de dois dos filhos de Aarão (Nadabe e Abiú) por Deus por ofensas rituais. O objetivo destes capítulos é sublinhar o sacerdócio no altar (os responsáveis pelo sacrifício) como um privilégio aaronita e também os perigos e responsabilidades inerentes à posição.[8]

Com o sacerdócio e os rituais de oferta estabelecidos, os capítulos onze a quinze instruem os leigos sobre a pureza (ou "limpeza"). Comer certos animais resulta em impureza assim como dar a luz; certas doenças de pele (não todas) são impuras, assim como são certas condições de construções e roupas (como mofo e similares); líquidos genitais, incluindo o sangue menstrual e a gonorreia masculina, são impuros. O racional por detrás das regras alimentares é obscuro, mas o princípio central inerente a todas essas condições envolve a perda de uma "força vital", geralmente (mas não sempre) através do sangue.[9]

O capítulo dezesseis do Levítico é sobre o Dia do Perdão ("Yom Kipur"), o único dia no qual o sumo-sacerdote pode entrar na parte mais sagrada do santuário, o Santo dos Santos. Ele deve sacrificar um touro pelos pecados dos sacerdotes e um bode pelos pecados dos leigos. Um segundo bode deve ser enviado para o deserto (para "Azazel") levando os pecados de todo o povo. É possível que Azazel seja um demônio do deserto, mas sua identidade é obscura.[10]

Os capítulos dezessete a vinte e seis compõem o "Código da Santidade". Ele começa com a proibição de todo o abate de animais fora do Templo, mesmo para comer, e em seguida proíbe uma longa lista de contatos sexuais e, especialmente, o sacrifício de crianças. Os mandamentos de "santidade" que emprestam seu nome ao código começam na seção seguinte: penalidades são impostas para a adoração a Moloque, a consulta a médiuns e magos, o amaldiçoamento dos pais e as relações sexuais ilegais. Os sacerdotes são instruídos sobre os rituais de luto e os defeitos corporais aceitáveis. A blasfêmia deve ser punida com a morte e regras são impostas sobre o que se pode comer dos sacrifícios; o calendário e as regras para os anos de Jubileu e Sabáticos são explicados; além disso, há regras para as lâmpadas de óleo e o pão no santuário; e regras sobre a escravidão.[11] O código termina alertando os israelitas que eles precisam escolher entre a lei e a prosperidade por um lado ou, por outro, punições horríveis, incluindo o banimento, a pior delas.[12]

O capítulo vinte e sete é muito diferente dos demais e provavelmente é uma adição posterior. Ele trata de pessoas e coisas dedicadas a Deus e como juramentos podem ser redimidos se não puderem ser cumpridos.[13]

Estrutura

Scheits Death of Nadab and Abihu
Morte de Nadabe e Abiú, narrada em Levítico 10:.

A estrutura apresentada pelos comentários de diversos autores são similares, mas não idênticas. Compare as de Wenham, Hartley, Milgrom e Watts.[14][15][16][17]

I. Leis sobre sacríficio (1:1–7:38):

A. Instruções para os leigos e suas oferendas (1:1–6:7);
1–5. Os tipos de oferta: imoladas, cereal, paz, purificação, ofertas de reparação (caps. 1–5);
B. Instruções aos sacerdotes (6:1–7:38):
1–6. As várias oferendas incluindo a oferta de cereais dos sacerdotes (6:1–7:36);
7. Sumário (7:37–38);

II. Instituição do sacerdócio (8:1–10:20):

A. Ordenação de Aarão e seus filhos (cap. 8);
B. Aarão realiza os primeiros sacrifícios (cap. 9);
C. Julgamento de Nadabe e Abiú (cap. 10);

III. Impurezas e seu tratamento (11:1–15:33):

A. Animais impuros (cap. 11);
B. Impurezas provocadas pelo parto (cap. 12);
C. Doenças impuras (cap. 13);
D. Purificação das doenças (cap. 14);
E. Líquidos corporais impuros (cap. 15);

IV. Dia do Perdão: purificação do Tabernáculo dos efeitos do pecado e das impurezas (cap. 16);

V. Prescrições para a santidade prática (o Código da Santidade), caps. 17–26):

A. Sacrifícios e comida (cap. 17);
B. Comportamento sexual (cap. 18);
C. Boa vizinhança (cap. 19);
D. Crimes graves (cap. 20);
E. Regras para sacerdotes (cap. 21);
F. Regras para refeições sacrificadas (cap. 22);
G. Festivais (cap. 23);
H. Regras para o Tabernáculo (cap. 24:1–9);
I. Blasfêmia (cap. 24:10–23);
J. Anos de Júbilo e Sabáticos (cap. 25);
K. Exortação à obediência da lei: benção e maldição (cap. 26).

V. Redenção de juramentos (cap. 27).

Composição

Ein Gedi Scroll Fragment 2-Shai Halevi-IAA
Fragmento queimado de Ein Gedi, identificado como sendo parte de Levítico 2:, o mais antigo fragmento da Torá fora dos manuscritos do Mar Morto.

A maioria dos estudiosos aceita que o Pentateuco recebeu sua forma final durante o período persa (538–332 a.C.),[18] depois de um longo período de desenvolvimento.[6]

O livro inteiro é composto de literatura sacerdotal.[19] Os estudiosos avaliam os capítulos 1 a 16 (o "Código Sacerdotal") e os capítulos 17 a 26 (o "Código da Santidade") como sendo obra de duas escolas relacionadas, mas, apesar de empregar os mesmos termos técnicos do Código Sacerdotal, o Código da Santidade amplia seu significado de puramente ritual para um material teológico e moral, transformando-o num modelo para a relação de Israel com Deus. O Tabernáculo é santificado pela presença de Deus e é mantido longe das impurezas e do pecado para que Deus possa viver no meio de Israel enquanto Israel estiver purificado (santificado) e se mantiver separado de outros povos.[20] As instruções rituais do Código Sacerdotal aparentemente tiveram origem nas instruções e respostas práticas sobre assuntos rituais. O Código da Santidade era considerado um documento separado posteriormente incorporado no Levítico, mas aparentemente seus autores foram editores que trabalharam com base no Código Sacerdotal e produziram o Levítico como conhecemos hoje.[21]

Um texto queimado foi escavado numa antiga sinagoga em Ein Gedi em 1970 e foi datado por radiocarbono no final do século V. Estudos recentes identificaram versículos do segundo capítulo do Levítico, o que o torna o mais antigo trecho da Torá já descoberto além dos manuscritos do Mar Morto. O texto estava ilegível até ser analisado com um micro tomógrafo computadorizado, que produziu imagens em 3D do rolo. Foi também a primeira vez que um rolo da Torá foi encontrado numa antiga sinagoga.[22]

Hipótese documental

A maioria dos estudiosos bíblicos modernos acreditam que a Torá (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento) chegaram à sua forma presente no período pós-exílio (depois de 520 a.C.), quando tradições mais antigas, orais e escritas, "detalhes geográficos e demográficos contemporâneos, mas, ainda mais importante, as realidades políticas da época" foram levados em consideração[23].[24] Os cinco livros são geralmente descritos na hipótese documental como se baseando em quatro "fontes" (entendidas como escolas literárias e não indivíduos): a javista e a eloista (frequentemente entendidas como uma única fonte), a fonte sacerdotal e a deuteronomista[25]. Ainda há discussões sobre a origem das fontes não-sacerdotais, mas há consenso que esta é pós-exílio;[26]

  • Gênesis: composto principalmente de material sacerdotal e não-sacerdotal;[26]
  • Êxodo: uma antologia baseada em fontes de quase todos os períodos da história de Israel;[27]
  • Levítico: inteiramente sacerdotal e do período do exílio ou posterior;[28]
  • Números: uma edição sacerdotal de um original não-sacerdotalMcDermott, John J (2002). Reading the Pentateuch: a historical introduction. [S.l.]: Pauline Press. p. 21. ISBN 9780809140824</ref>;
  • Deuteronômio: originalmente um conjunto de leis religiosas, foi ampliado no início do século VI para servir de introdução para a história deuteromística (os livros de Josué e Reis) e, posteriormente, foi separado desta história, ampliado e editado novamente e anexado à Torá.[29]

Seções segundo as porções semanais da Torá no judaísmo

As subdivisões são as seguintes:

  • Vayikra, sobre Levítico 1–5: Leis dos sacrifícios;
  • Tzav, sobre Levítico 6–8: sacrifícios, ordenação dos sacerdotes;
  • Shemini, sobre Levítico 9–11: Tabernáculo consagrado, fogo estrangeiro, leis alimentícias;
  • Tazria, sobre Levítico 12–13: parto, doenças de pele, roupas;
  • Metzora, sobre Levítico 14–15: doenças de pele, casas infectadas, líquidos genitais;
  • Acharei Mot, sobre Levítico 16–18: Yom Kipur, ofertas centralizadas, práticas sexuais;
  • Kedoshim, sobre Levítico 19–20: santidade, penalidades pelas transgressões;
  • Emor, sobre Levítico 21–24: regras para sacerdotes, dias santos, iluminação e pão, o blasfemo;
  • Behar, sobre Levítico 25–25: ano sabático, limites à escravidão por dívida
  • Bechukotai, sobre Levítico 26–27: bençãos e maldições, remissão de juramentos

Temas

The Phillip Medhurst Picture Torah 549. The scapegoat. Leviticus cap 16 v 21. Marillier
Bode expiatório, o animal libertado anualmente pelos judeus no Dia do Perdão segundo Levítico 16:.

Sacrifício e ritual

Muitos estudiosos defendem que os rituais do Levítico tem um significado teológico sobre a relação de Israel com Deus, especialmente Jacob Milgrom. Ele defende que as regras sacerdotais no Levítico expressam um sistema racional de pensamento teológico. Seus autores esperavam que estas regras fossem postas em prática no Templo de Israel, o que implicaria que os rituais também expressariam essa teologia além de expressarem uma preocupação ética com relação aos pobres.[30] Ele também argumenta que as regras de pureza no Levítico (caps. 11-15) foram baseadas num racional ético.[31] Muitos estudiosos seguiram esta tese(como Balentine[32] e Marx[33]), apesar de alguns, como Watts,[34] terem levantado dúvidas sobre o quão sistemáticas essas regras de fato são. A conclusão é que os rituais não eram entendidos como uma sequência de ações realizadas sem sentido, mas meios pelos quais era mantida a relação entre Deus, o mundo e a humanidade.[32]

Kehuna (sacerdócio judaico)

A principal função dos sacerdotes é o serviço litúrgico no altar e apenas os filhos de Aarão são sacerdotes no sentido amplo[35]Ezequiel também faz uma distinção entre os sacerdotes do altar e os levitas de nível mais baixo, mas, em Ezequiel, os primeiros são chamados de "filhos de Zadoque" ao invés de filhos de Aarão. Muitos estudiosos vêem nesta discrepância um resquício de conflitos entre as diferentes facções sacerdotais da época do Primeiro Templo já resolvidas na época do Segundo Templo na forma de uma hierarquia de sacerdotes do altar aaronitas e levitas de nível menor (incluindo cantores, guardas do Templo e similares).[36]

No capítulo 10, Deus fulmina Nadabe e Abiú, os filhos mais velhos de Aarão, por ofertarem "incenso estranho". Comentaristas já propuseram várias mensagens sobre este incidente: um reflexo de conflitos entre facções sacerdotais no período pós-exílio (Gerstenberger) ou um alerta contra a oferta de incenso no Templo, o que poderia trazer o risco de invocar deuses estranhos (Milgrom). Seja como for, o santuário foi poluído pelos corpos dos dois sacerdotes mortos, o que deu início à narrativa sobre o tema seguinte, a santidade.[37]

Impurezas e pureza

A pureza ritual era essencial para que um israelita pudesse se aproximar de Javé e para que pudesse permanecer como parte da comunidade.[8] As impurezas ameaçavam a santidade[38][39] e a pureza devia ser mantida pela observância de inúmeras regras sobre os mais diversos assuntos da vida cotidiana e religiosa.[40][41]

Perdão

Através do sacrifício, o sacerdote "expia" um pecado e o ofensor é perdoado (apenas se Deus aceitar o sacrifício, pois o perdão só vem de Deus).[42] Os rituais de expiação envolvem sempre o sangue, derramado ou aspergido, como símbolo da "força vital" da vítima: o sangue tem o poder de limpar ou absorver o pecado.[43] O papel do perdão é refletido estruturalmente na divisão em duas partes do livro: os capítulos 1 a 16 tratam do estabelecimento dos rituais e locais de expiação e os capítulos 17 a 27 tratam da vida da comunidade expiada em santidade.[44]

Santidade

O tema principal dos capítulos 17 a 26 é uma frase repetida várias vezes: «Sereis santos; pois eu, Javé, vosso Deus, sou santo» (Levítico 19:2).[40] Santidade em Israel na época tinha um significado diferente do que o moderno: é possível que ela fosse considerada como a "divindade" de Deus, uma força que, apesar de invisível, era física e potencialmente perigosa.[45] Objetos específicos ou dias da semana podiam ser santos, mas sua santidade era derivada de sua relação com Deus: o sétimo dia (sabá, o Tabernáculo e os sacerdotes derivavam sua santidade de Deus.[46] Por causa disto, Israel tinha que manter sua própria santidade para que pudesse viver seguramente ao lado de Deus.[47]

A necessidade de santidade estava também relacionada à posse da Terra Prometida (Canaã), onde os judeus tornar-se-iam um povo santo: «Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes; não fareis segundo as obras da terra de Canaã, na qual eu vos hei de introduzir; nem andareis segundo os seus estatutos» (Levítico 18:3).[48]

Tradições posteriores

Tissot Moses and Aaron Speak to the People
Moisés e Aarão falam aos israelitas.
1896 a 1902. Por James Tissot, atualmente no Jewish Museum de Nova Iorque.

Levítico, como parte da Torá, tornou-se o livro legal do Segundo Templo de Jerusalém e também do templo samaritano. Evidências de sua influência foram encontrados entre os manuscritos do Mar Morto, incluindo fragmentos de dezessete manuscritos do Levítico datando dos séculos III a I a.C.[49] Muitos outros manuscritos citam o livro, especialmente o Rolo do Templo e 4QMMT.

As instruções do Levítico sobre os sacrifícios animais não são mais observadas por judeus ou cristãos deste o século I. Por causa da destruição do Templo, em 70 a.C., a adoração judaica se focou na oração e no estudo da Torá. Ainda assim, o Levítico ainda é uma importante fonte do direito judaico e é tradicionalmente o primeiro livro ensinado às crianças no sistema rabínico de educação. Há duas principais Midrashim sobre o Levítico: uma halaquica (Sifra) e outra mais agádica ("Vaicrá Rabá").

O Novo Testamento, particularmente a Epístola aos Hebreus, utiliza ideias e imagens do Levítico para descrever Cristo como o sumo-sacerdote que oferece seu próprio sangue como oferta pela remissão dos pecados.[43] Com base nesta doutrina, os cristãos também não realizam sacrifícios animais, como sumariza Gordon Wenham: "Com a morte de Cristo, a única e suficiente 'oferta imolada' foi oferecida de uma vez por todas".[50] O nacionalismo também passou a ser interpretado a posteriori pela tradição bíblica quando se afirma que a terra é apenas uma concessão divina ao seu povo, não podendo então ser vendida. [51]

Alguns cristãos defendem a justificativa que a Nova Aliança superou (ou substituiu) as leis rituais do Antigo Testamento, o que inclui muitas das regras no Levítico. Mas as diversas denominações cristãs diferem, porém, sobre quais regras e regulações morais devem ou não ser cumpridas.[52]

Ver também

Referências

  1. a b Berlin, Adele; Brettler, Marc Zvi (2014). Jewish study bible (em inglês) 2 Rev ed. (11/2014) ed. [S.l.]: Oxford University Press. 193 páginas. ISBN 978-0199978465
  2. Gorman, pp.4–5, 14–16
  3. Wenham, p.8 ff.
  4. Gerstenberger, p.4
  5. Watts (2013), pp.104–107
  6. a b Grabbe (1998), p.92
  7. Grabbe (2006), p.208
  8. a b Kugler, Hartin, p.82
  9. Kugler, Hartin, pp.82–83
  10. Kugler, Hartin, p.83
  11. «Leviticus 25 NIV» (em inglês). niv.scripturetext.com
  12. Kugler, Hartin, pp.83–84
  13. Kugler, Hartin, p.84
  14. Wenham, pp.3–4
  15. Hartley, pp.vii-viii
  16. Milgrom (1991), pp.v-x
  17. Watts (2013), pp.12-20
  18. Newsom, p.26
  19. Levine (2006), p.11
  20. Houston, p.102
  21. Houston, pp.102–103
  22. «The Most Ancient Hebrew Scroll since the Dead Sea Scrolls has been Deciphered». Israel Antiquities Authority
  23. Enns 2012, p. 5.
  24. Finkelstein, I., Silberman, NA., The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts, p.68-69
  25. Coogan, Brettler & Newsom 2007, p. 6.
  26. a b Carr, David (2000). «Genesis, Book of». In: Freedman, David Noel; Myers, Allen C. Eerdmans Dictionary of the Bible. [S.l.]: Eerdmans. p. 492. ISBN 9789053565032
  27. Dozeman, Thomas (2000). «Exodus, Book of». In: Freedman, David Noel; Myers, Allen C. Eerdmans Dictionary of the Bible. [S.l.]: Eerdmans. p. 443. ISBN 9789053565032
  28. *Houston, Walter J (2003). «Leviticus». In: Dunn, James D. G.; Rogerson, John William. Eerdmans Bible Commentary. [S.l.]: Eerdmans. p. 102. ISBN 9780802837110
  29. Van Seters, John (2004). The Pentateuch: a social-science commentary. [S.l.]: Continuum International Publishing Group. p. 93. ISBN 9780567080882
  30. Milgrom (2004), pp.8-16.
  31. Milgrom (1991), pp.704-41.
  32. a b Balentine (1999) p.150
  33. Marx (2006)
  34. Watts (2013), pp.40-54.
  35. Grabbe (2006), p.211
  36. Grabbe (2006), p.211 (fn.11)
  37. Houston, p.110
  38. Davies, Rogerson, p.101
  39. Marx, p.104
  40. a b Balentine (2002), p.8
  41. Gorman, pp.10–11
  42. Houston, p.106
  43. a b Houston, p.107
  44. Knierim, p.114
  45. Rodd, p.7
  46. Brueggemann, p.99
  47. Rodd, p.8
  48. Clines, p.56
  49. Watts (2013), p.10
  50. Wenham, p.65
  51. «"A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.» (Levítico 25:23-"A terra não poderá ser vendida definitivamente, porque ela é minha, e vocês são apenas estrangeiros e imigrantes.)
  52. Watts (2013), p. 77–86

Bibliografia

Ligações externas

Azeite

Azeite é um produto alimentar extraído da azeitona, o fruto da oliveira. plantado em pleno calor. Trata-se de um alimento antigo, clássico da culinária contemporânea, regular na dieta mediterrânea e nos dias atuais presente em grande parte das cozinhas. Além dos benefícios para a saúde o azeite adiciona à comida um sabor e aroma peculiares.

A região mediterrânea, atualmente, é responsável por 95% da produção mundial de azeite, favorecida pelas suas condições climáticas, propícias ao cultivo das oliveiras, com bastante sol e clima seco.

Bode expiatório

O bode expiatório é um animal que era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como parte das cerimônias hebraicas do Yom Kippur, o Dia da Expiação, na época do Templo de Jerusalém. Este rito é descrito na Bíblia no livro do Levítico.

Bom samaritano

A Parábola do Bom Samaritano é uma famosa parábola do Novo Testamento que aparece unicamente em Lucas 10:25-37. O ponto de vista majoritário indica que esta parábola foi contada por Jesus a fim de ilustrar que a compaixão deveria ser aplicada a todas as pessoas, e que o cumprimento do espírito e da Lei é tão importante quanto o cumprimento da letra da Lei. Jesus coloca a definição de próximo num contexto mais amplo, além daquilo que as pessoas geralmente consideravam como tal.

Cashrut

Cashrut ou kashrut (em hebraico: כַּשְרוּת), também conhecido como kashruth ou kashrus na tradição asquenazita, é o termo que se refere às leis dietéticas do judaísmo. A comida, de acordo com a halachá (lei judaica), é chamada de kasher (kosher em Yidishe), do termo hebraico כשר (kashér), que significa "próprio" (neste caso, próprio para consumo pelos judeus, de acordo com a lei judaica). Entre as numerosas leis kashrut estão proibições sobre o consumo de certos animais (como carne de porco e frutos do mar), misturas de carne e leite, e o mandamento de abater mamíferos e aves de acordo com um processo conhecido como shechita. Existem também leis referentes a produtos agrícolas que podem afetar a adequação de alimentos para consumo.

A maioria das leis básicas kashrut é derivada dos livros de Levítico e Deuteronômio da Torá. Seus detalhes e aplicação prática, no entanto, estão estabelecidos na lei oral (eventualmente codificada na Mishná e no Talmude) e elaborados na literatura rabínica posterior. Embora a Torá não apresente a justificativa para a maioria das leis kashrut, alguns sugerem que são apenas testes para a obediência do homem, enquanto outros sugerem razões filosóficas, práticas e higiênicas.No último século, muitas organizações rabínicas começaram a certificar produtos, fabricantes e restaurantes como kosher, geralmente usando um símbolo (chamado hechsher) para indicar seu apoio. Atualmente, cerca de um sexto dos judeus americanos ou 0,3% da população norte-americana mantém o kosher, e há muitos outros que não seguem estritamente todas as regras, mas ainda se abstêm de alguns alimentos proibidos (especialmente carne de porco). O islamismo também tem um sistema relacionado, embora diferente, chamado de halal, e os dois possuem um sistema comparável de sacrifício ritual (chamado de dhabihah no islã). A Igreja Adventista do Sétimo Dia, uma denominação cristã protestante, também divulga em sua doutrina uma mensagem de saúde que espera adesão às leis dietéticas kosher.

Chumash

Chumash ou Humash (do hebraico חומש vindo do termo chamesh (fem.)/ chamisha (mas.), cinco. E também Pentateuco (do grego Πεντάτευχος (Pentáteuchos - de penta, cinco + teûchos, livro), faz alusão aos cinco livros atribuídos a Moisés), ou seja, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio que fazem parte do Antigo Testamento. Chumash é um dos nomes dados à Torah dentro do judaísmo. Geralmente é usado em relação aos "livros" da Torá, enquanto, os rolos são chamados Sefer Torá.

Dízimo

Dízimo significa a décima parte de algo, paga voluntariamente ou através de taxa ou imposto, normalmente para ajudar organizações religiosas judaicas e algumas denominações cristãs. Apesar de atualmente estar associada à religião, muitos reis na Antiguidade exigiam o dízimo de seus povos.

Etimologicamente dízimo (latim decimus), significa a décima parte de algo. Historicamente eram pagos na forma de bens, e encontra suas origens no Sacerdócio Levítico judaico (Lv 27, 30-34). Por ser Cristo sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque, ab-rogou o sacerdócio levítico com todas as suas as leis, dízimos e costumes, conforme é narrado na Carta endereçada aos Hebreus (Hebr 7, 1 - 28). Citando consecutivamente a questão do dízimo nos versículos precedentes,o autor arremata: "Com efeito, mudado que seja o sacerdócio, é necessário que se mude também a lei" (Hebr 7, 12). E ainda: "O mandamento precedente é, na verdade, ab-rogado pela sua fraqueza e inutilidade" (Hebr 7, 18).

Atualmente, os dízimos cobrados por algumas denominações e seitas religiosas, são normalmente voluntários, embora seja prática comum por parte dos líderes religiosos, o ensino de que a sua não observação poderia incorrer em menor favorecimento divino, sendo por isso pagos em dinheiro, cheque ou ações, enquanto historicamente eram pagos na forma de bens, como com produtos agrícolas.

Em alguns países da Europa, principalmente em regiões de língua alemã, existe um imposto (Kirchensteuer, em alemão) formal e obrigatório para os professantes de uma fé. Este imposto é retido na fonte e posteriormente encaminhado à unidade religiosa de direito. Para quem se declara sem religião, não há a cobrança do referido imposto ou esse é encaminhado aos cofres públicos..

Grande mandamento

Grande mandamento é um termo utilizado no Novo Testamento para descrever o primeiro dos dois mandamentos citados por Jesus em Mateus 22 (Mateus 22:35-40) e Marcos 12 (Marcos 12:28-34). Os dois são paráfrases de passagens do Antigo Testamento e são considerados muito importantes para o desenvolvimento da moderna ética cristã.

Em Mateus, quando perguntado «qual é o grande mandamento da Lei?» (Mateus 22:36), a resposta de Jesus foi: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento", uma referência à Shemá Israel («Ouve, ó Israel; Jeová nosso Deus é o único Deus. Amarás, pois, a Jeová teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças» (Deuteronômio 6:4-5)), antes de proclamar também o segundo mandamento, «Amarás ao teu próximo como a ti mesmo» (Mateus 22:39) (uma referência a «amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Levítico 19:18)). A maior parte das denominações cristãs considera estes dois mandamentos como o ponto central da religião cristã.

Igreja Remanescente Dualista dos Primogênitos

A Igreja Remanescente Dualista dos Primogênitos é uma igreja brasileira fundada em 1952, na cidade de São José do Rio Preto. Seus fundadores são José Leitão Duarte Filho e Antonio Garcia Heredia, que eram ministros atuantes na Igreja Adventista da Promessa, analisando os textos presentes em Mateus 28:19 e Atos 2:38, chegaram à conclusão de que o batismo apostólico, difundido por Jesus e seus apóstolos, era realizado em nome de Jesus Cristo para perdão e remissão de pecados.

Esse acontecimento foi o determinante para o surgimento da "UNIVERSAL ASSEMBLÉIA REMANESCENTE DOS PRIMOGÊNITOS" - Hebreus 12:23.

Livro de Malaquias

O Livro de Malaquias é um livro profético que faz descrições que mostram a necessidade de reformas antes da vinda do Messias. Por ser um livro curto e de acordo com a catalogação, Malaquias é o último dos profetas menores, tendo sido escrito por volta do ano 430 a.C., sendo que o seu nome não é citado em mais nenhum livro da Bíblia.

O profeta Malaquias foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio do povo judeu na Babilônia em que os muros de Jerusalém tinham sido já reconstruídos em 445 a.C., sendo necessário conduzir os israelitas da apatia religiosa aos princípios da lei mosaica.

Os temas tratados na obra seriam o amor de Deus, o pecado dos sacerdotes, o pecado do povo e a vinda do Senhor.

Nas últimas linhas deste livro do Antigo Testamento bíblico, vemos uma exortação de Deus às famílias: "converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais". No término do livro de Malaquias convida-se ao arrependimento da família como alicerce da sociedade.

Outro tema tratado no livro de Malaquias refere-se às ofertas e aos dízimos, nos versos de 7 a 12 do capítulo 3, passagem esta que é muito utilizada com o objetivo de se justificar com amparo bíblico a contribuição da suas primicias (1/10)[ligação inativa], Provérbios 3 : 9-10, a primeira parte da renda dos fiéis de uma organização religiosa.

Embora o dízimo tenha sido reconhecido desde a época de Moisés, nos dias de Malaquias os sacerdotes do templo recolhiam as ofertas e não repassavam para os levitas, para que eles pudessem utilizá-las para cuidar dos próprios levitas, dos órfãos, das viúvas e viajantes. E isso fez com que o profeta (Malaquias) iniciasse uma advertência a todos sobre o roubo do dízimo: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda." (Malaquias 3:9)

Tempo de Malaquias período de grandes provações vividas por uma sociedade ou povo.

Livro dos Números

Livro dos Números (do grego Ἀριθμοί, "Arithmoi"; em hebraico: בְּמִדְבַּר, Bəmiḏbar, "No deserto [de]") é o quarto dos cinco livros da Torá, a primeira seção da Bíblia hebraica, e do Antigo Testamento cristão. O nome em português é derivado do latim "Numeri" e é uma referência aos dois censos dos israelitas citados no texto. Este livro tem uma longa e complexa história, mas sua forma final provavelmente é resultado de uma edição sacerdotal de uma fonte javeísta realizada em algum momento no início do período persa (século V a.C.).

Números começa no monte Sinai, onde os israelitas haviam recebido suas leis e renovado sua aliança com Deus, que passou a habitar entre eles no Tabernáculo. A próxima missão era tomar posse da Terra Prometida. A população é contada e preparativos são realizados para reassumir a marcha até lá. Os israelitas reassumem a jornada, mas logo aparece um rumor sobre as dificuldades da viagem e questionamentos sobre a autoridade de Moisés e Aarão. Por causa disto, Deus destrói aproximadamente 15 000 deles através de formas variadas. Eles chegam até a fronteira de Canaã e enviam espiões para reconhecer o terreno. Ao ouvir o temeroso relato deles sobre as condições encontradas, os israelitas se apavoram e desistem de se apoderar do território. Deus condena-os todos à morte no deserto até que uma nova geração possa crescer para assumir a tarefa. O livro termina com a nova geração na planície de Moab pronta para cruzar o rio Jordão.

Este livro marca o final da história do êxodo de Israel da opressão no Egito Antigo e sua viagem para conquistar a terra prometida por Deus a Abraão. Por isso, Números conclui narrativas iniciadas no Gênesis e elaboradas no Livro do Êxodo e no Levítico: Deus havia prometido que os israelitas que eles seriam grandes (ou seja, seriam numerosos), que eles teriam uma relação especial com Javé, seu Deus, que eles conquistariam a terra de Canaã. Números também demonstra a importância da santidade (tema fundamental do Levítico), fé e confiança: apesar da presença de Deus e de seus sacerdotes, Israel ainda não tem fé suficiente e, por isso, a conquista da terra prometida fica para uma nova geração.

Milca

Este artigo é sobre a filha de Harã. Para Milca, filha de Zelofeade, veja Filhas de Zelofeade.Milca (relacionada com a palavra hebraica para "rainha") foi a filha de Harã e esposa de Naor em Gênesis.

Milca foi uma mulher da antiga Mesopotâmia e uma antepassada do patriarca Jacó. Ela nasceu de Harã, que também tinha outra filha, Iscá, e um filho Ló (Gênesis 11:27, 29). O pai de Milca morreu em Ur antes de seu pai Terá (Gênesis 11:28). Ela se casou com seu tio Naor, irmão de Harã e Abraão (Gênesis 11:29).

Apesar de Levítico posteriormente proibir casamentos entre tia e sobrinho (Levítico 18:14, 20:19), ele não descartou o casamento entre tio e sobrinha (veja, por exemplo, Gunther Plaut, A Torá: Um Comentário Moderno, 881. Nova York: UAHC, 1981.). O Talmude relata um homem que casou-se com a filha de sua irmã (Yevamot 62b-63a). No Talmude, o rabino Isaac iguala a irmã de Milca Iscá com Sara (até então Sarai), que casou-se com Abraão (até então Abrão), que também era seu tio (Sanhedrin 69b). Assim, de acordo com o rabino Isaac, as duas irmãs, Milca e Iscá, casaram-se com os dois irmãos Naor e Abraão.

Milca e Naor tiveram oito filhos, Uz, Buz, Quemuel, Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel (Gênesis 22:21). Targum Jonatã diz que o Providência concedeu a concepção no mérito de sua irmã Sara (Targum Jonathan para Gênesis 22:20). Naor também teve quatro filhos com sua concubina, Reumá (Gênesis 22:24).

O filho de Milca, Betuel, mudou-se para Padã-arã e gerou Rebeca (Gênesis 22:23; 24:15, 24, 47). A neta de Milca, Rebeca, casou-se então com seu sobrinho Isaque (Gênesis 24:67; 25:20) e teve Jacó (Gênesis 25:21-26), que se tornou Israel (Genesis 32:28; 35:10). De acordo com um midrash, Milca foi a antecessora de todos os profetas do mundo (Yalkut Shimoni Balak 22:20).

Moloch

Moloch, Moloc ou Moloque é o nome do deus ao qual os amonitas, uma etnia de Canaã (povos presentes na península arábica e na região do Oriente Médio), cultuavam. Também é o nome de um demônio na tradição cristã e cabalística.

Pentateuco

O Pentateuco, do grego, "os cinco rolos", é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica, cuja autoria é atribuída a Moisés. Os judeus também usam a palavra Torá num sentido mais amplo, para referir o ensinamento judeu através da história como um todo. Neste sentido, o termo abrange todo o Tanakh, o Mishná, o Talmude e a literatura midrash. Em seu sentido mais amplo, os judeus usam a palavra Torá para referir-se a todo e qualquer tipo de ensino ou filosofia.

Pentecostes

Pentecostes ("quinquagésimo" em hebraico) é uma das celebrações mais importantes do calendário cristão e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, sua mãe Maria e outros seguidores. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa, e ocorre no sétimo dia depois da celebração da Ascensão de Jesus. Isto porque ele ficou quarenta dias, após Sua ressurreição, dando os últimos ensinamentos a seus discípulos. Se somados os três dias em que ficou na sepultura, são quarenta e três dias. E para os cinquenta dias que se completam da Páscoa até o último dia da grande festa de Pentecostes, sobram sete dias. Foram estes os dias em que os discípulos permaneceram no cenáculo até a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Pentecostes é historicamente e simbolicamente ligado ao festival judaico da colheita (Shavuot), que comemora a entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai cinquenta dias depois do Êxodo. Para os cristãos, o Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores de Cristo, através do dom de línguas, como descrito no Novo Testamento, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Por esta razão o dia de Pentecostes é, às vezes, considerado o dia do nascimento da igreja cristã. O movimento pentecostal tem seu nome derivado desse evento.

A ocasião (o Domingo de Pentecostes) é o último dia da Festa do Divino Espírito Santo, muito difundida no catolicismo popular brasileiro e de outros países.

Shemitá

Shemitá (hebraico): שמיטה, literalmente "libertação"), também chamado de Ano Sabático, é o sétimo ano do ciclo de sete anos da agricultura ordenado pela Torá para o povo de Israel.

Assim como o sábado é o descanso semanal das pessoas e dos animais, a terra também tem o seu sábado: seis anos são para a semeadura, mas o sétimo ano é de descanso.Neste sétimo ano, é proibido semear o campo, podar a vinha, segar o que nascer da seara e colher as uvas da vinha não podada.Apenas o produto do descanso da terra servirá como alimento, inclusive o gado e os animais da terra.Após sete períodos de sete anos, o quinquagésimo ano é santificado - este é o ano do jubileu.

Tatuagem

A tatuagem é uma das formas de modificação do corpo mais conhecidas e cultuadas do mundo. Trata-se de uma arte permanente feita na pele humana que, tecnicamente, consiste em uma aplicação subcutânea obtida através da introdução de pigmentos por agulhas. Esse procedimento, durante muitos séculos, foi completamente irreversível (embora, dependendo do caso, as técnicas de remoção atuais possam deixar cicatrizes e variações de cor sobre a pele).

A motivação para os cultuadores dessa prática é ser uma obra de arte viva e temporal tanto quanto a vida.

Vayikrá

Vaicrá ou Vayikrá (do hebraico ויקרא E chamou da primeira palavra do texto) é o nome da terceira parte da Torá. Vayikrá é chamado comumente de Levítico pela tradição ocidental e trata-se do terceiro livro da Torá (ou Pentateuco), que contém diversas instruções divinas atribuídas a Moisés e dadas aos israelitas, especialmente aos da tribo de Levi, encarregados dos serviços religiosos, quanto a praticas legais, morais e cerimoniais, como sacrifícios e ofertas a serem oferecidos.

Yom Kipur

O Yom Kipur ou Ioum Quipúr é o Dia da Expiação, sendo uma das datas mais importantes do judaísmo.

No calendário judaico começa no crepúsculo que inicia o décimo dia do mês hebreu de Tishrei (que coincide com Setembro, Outubro ou Novembro), continuando até ao seguinte pôr do sol. Os judeus tradicionalmente observam esse feriado com um período de jejum de 25 horas e oração intensa. Levítico 23:27 "Ora, o décimo dia desse sétimo mês será o dia da expiação; tereis santa convocação, e afligireis o vosso espírito; e oferecereis oferta queimada ao SENHOR."

– Almeida Atualizada

Íbis

Threskiornithinae é uma subfamília de aves pelecaniformes(tradiconalmente ciconiformes) que inclui aves conhecidas como íbis, curicaca ou tresquiórnis, sendo que as espécies brasileiras têm nomes locais muito variados.

Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido e encurvado para baixo. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais: crustáceos e moluscos. O grupo está distribuído pelas regiões quentes de todos os continentes.

De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passar. No Antigo Egito, o íbis era objeto de veneração religiosa e associado ao deus Tote.

Na bíblia, nos livros de Levítico e Deuteronômio, o íbis é mencionado como um animal imundo, não adequado para alimentação.

O íbis foi citado na Bíblia Católica e na Nova Tradução na Linguagem de Hoje no Livro de Jó como sendo uma ave que anuncia as enchentes do Rio Nilo.

"Quem deu sabedoria às aves, como o íbis, que anuncia as enchentes do rio Nilo, ou como o galo, que canta antes da chuva?"

Livro de Jó 38:36

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