Latim

A língua latina[1][2] ou latim é uma antiga língua indo-europeia do ramo itálico originalmente falada no Lácio, a região do entorno da cidade de Roma. Foi amplamente difundida, especialmente na Europa Ocidental, como a língua oficial da República Romana, do Império Romano e, após a conversão deste último ao cristianismo, da Igreja Católica Romana. Através da Igreja Católica, tornou-se a língua dos acadêmicos e filósofos europeus medievais. Por ser uma língua altamente flexiva e sintética, a sua sintaxe (ordem das palavras) é, em alguma medida, variável, se comparada com a de idiomas analíticos como o português, embora em prosa os romanos tendessem a preferir a ordem SOV. A sintaxe é indicada por uma estrutura de afixos ligados a temas. O alfabeto latino, derivado dos alfabetos etrusco e grego (por sua vez, derivados do alfabeto fenício), continua a ser o mais amplamente usado no mundo.

Embora o latim seja hoje uma língua morta, ou seja, uma língua que não mais possui falantes nativos, ele ainda é empregado pela Igreja Católica para fins rituais e burocráticos. Exerceu enorme influência sobre diversas línguas vivas, ao servir de fonte vocabular para a ciência, o mundo acadêmico e o direito. O latim vulgar, nome dado ao latim no seu uso popular inculto, é o ancestral das línguas neolatinas (italiano, francês, espanhol, português, romeno, catalão, romanche e outros idiomas e dialetos regionais da área); muitas palavras adaptadas do latim foram adotadas por outras línguas modernas, como o inglês. O fato de haver sido a lingua franca do mundo ocidental por mais de mil anos é prova de sua influência.

O latim ainda é a língua oficial da Cidade do Vaticano e do Rito Romano da Igreja Católica. Foi a principal língua litúrgica até o Concílio Vaticano Segundo nos anos 1960. O latim clássico, a língua literária do final da República e do início do Império Romano, ainda hoje é ensinado em muitas escolas primárias e secundárias, embora seu papel se tenha reduzido desde o início do século XX.

Iron Age Italy-pt
Região de origem do Latim (Latin), no centro da Itália.
Roman Empire map
Extensão territorial do Império Romano em 117. As áreas em verde claro indicam os estados clientes (vassalos) do Império Romano.
Roman Empire map

Diacronia

Duenos inscription
A inscrição Duenos, do século VI a.C., é um dos textos mais remotos em latim antigo, provavelmente da tribo dos latinos

O latim inclui-se entre as línguas itálicas, e seu alfabeto baseia-se no alfabeto itálico antigo, derivado do alfabeto grego. No século IX a.C. ou VIII a.C., o latim foi trazido para a península Itálica pelos migrantes latinos, que se fixaram numa região que recebeu o nome de Lácio, situada ao longo do rio Tibre, onde a civilização romana viria a desenvolver-se. Naqueles primeiros anos, o latim sofreu a influência da língua etrusca, proveniente do norte da península e que não era uma língua indo-europeia.

A importância do latim na península Itálica firmou-se gradativamente. A princípio, era apenas a língua de Roma, uma pequena cidade circundada por vários centros menores (Lanúvio, Preneste, Tívoli), nos quais se falavam dialetos latinos ou afins ao latim (o falisco, língua da antiga cidade de Falérios). Já a poucos quilômetros de Roma, eram faladas línguas muito diversas: o etrusco e sobretudo línguas do grupo indo-europeu - o umbro, no norte, e o osco, na porção mais ao sul, até a atual Calábria. Na Itália setentrional falavam-se outras línguas indo-europeias como o lígure, o gálico e o venético. O grego era difundido nas numerosas colônias gregas da Sicília e da Magna Grécia.[3] Ao longo de toda a era republicana, a situação linguística da Itália permaneceu muito variada: o plurilinguismo era uma condição comum, e os primeiros autores da literatura, como Ênio e Plauto dominavam o latim, o grego e o osco.

Além das variações regionais, mesmo o latim de Roma não foi uma língua sempre igual a si mesma, apresentando fortes diferenças diacrônicas e sociolinguísticas. Do ponto de vista diacrônico, deve-se distinguir:[4][5]

Embora a literatura romana sobrevivente seja composta quase inteiramente de obras em latim clássico, a língua falada no Império Romano do Ocidente na Antiguidade tardia (200 a 600 d.C)[5] era o latim vulgar, que diferia do primeiro em sua gramática, vocabulário e pronúncia.

O latim manteve-se por muito tempo como a língua jurídica e governamental do Império Romano, mas, com o tempo, o grego passou a predominar entre os membros da elite culta romana, já que grande parte da literatura e da filosofia estudada pela classe alta havia sido produzida por autores gregos, em geral atenienses. Na metade oriental do Império, que viria a tornar-se o Império Bizantino, o grego terminou por suplantar o latim como idioma governamental e era a lingua franca da maioria dos cidadãos orientais, de todas as classes.

A difusão do latim por um território cada vez mais vasto teve duas consequências:

  • o contato do latim com línguas diversas gerou um influxo mútuo mais ou menos considerável;
  • o latim foi se diferenciando nas diversas regiões, sendo que, enquanto os laços políticos com o centro eram fortes, as diferenças eram pequenas, mas, à medida em que esses laços foram enfraquecendo, até se romperem completamente, tais diferenças se acentuaram.

Geralmente, as populações submetidas desejavam elevar-se culturalmente adotando o latim, coisa que ocorre sempre que dois povos entram em contato: prevalece linguisticamente aquele que possui maior prestígio cultural. Dessa forma Roma conseguiu fazer prevalecer o latim sobre o etrusco, o osco e o umbro, mas não sobre o grego, cujo prestígio cultural era maior.

As populações submetidas e as federadas, antes de perder sua língua em favor do latim, atravessaram um período mais ou menos longo de bilinguismo; de fato, algumas das línguas pré-romanas tiveram, no território romanizado, considerável vitalidade durante muito tempo. E essas línguas originárias deram uma cor específica a cada língua neolatina (ou românica) surgente, permanecendo presentes em topônimos dessas regiões até hoje.

Após a sua transformação nas línguas românicas, o latim continuou a fornecer um repertório de termos para muitos campos semânticos, especialmente culturais e técnicos, em uma ampla variedade de línguas.

Características

O latim é uma língua flexiva. No caso dos substantivos e adjetivos a flexão é denominada declinação; no caso dos verbos, conjugação.

No latim clássico cada substantivo ou adjetivo pode tomar seis formas ou casos:

Também existem resquícios de um sétimo caso de origem indo-europeia, o locativo, que indica localização (por exemplo: domī , "em casa"), no entanto, este é limitado a palavras específicas.

Outra característica distintiva do latim é o uso de formas simples para expressar a voz passiva dos verbos, além de uma forma verbo-nominal muito frequente chamada de supino. Ambas formas se perderam nas línguas românicas.

Ortografia

Hocgracili
Réplica da escrita cursiva romana inspirada pelos tabletes de Vindolana
Calligraphy.malmesbury.bible.arp
A língua dos antigos romanos teve um forte impacto em culturas posteriores, como demonstra esta Bíblia em latim eclesiástico, de 1407

Os romanos usavam o alfabeto latino, derivado do alfabeto itálico antigo, o qual por sua vez advinha do alfabeto grego. O alfabeto latino sobrevive atualmente como sistema de escrita das línguas românicas (como o português), célticas, germânicas (inclusive o inglês) e muitas outras.

Os antigos romanos não usavam pontuação, macros (mas empregavam ápices para distinguir entre vogais longas e breves), nem as letras j e u, letras minúsculas (embora usassem uma forma de escrita cursiva) ou sem

espaço entre palavras (mas por vezes empregavam-se pontos entre palavras para evitar confusões). Assim, um romano escreveria a frase "Lamentai, ó Vênus[10] e cupidos" da seguinte maneira:

LVGETEOVENERESCVPIDINESQVE

Esta frase seria escrita numa edição moderna como:

Lugete, O Veneres Cupidinesque

Ou, com macros:

Lūgēte, Ō Venerēs Cupīdinēsque

A escrita cursiva romana é encontrada nos diversos tabletes de cera escavados em sítios como fortes, como por exemplo os descobertos em Vindolanda, na Muralha de Adriano, na Grã-Bretanha.

Pronúncia

A chamada pronúncia reconstituída ou restaurada baseia-se em pesquisas recentes sobre os mais prováveis sons que os romanos antigos atribuíam a cada letra e, embora não haja uniformidade de opiniões em alguns pontos, vem sendo adotada em escolas de todo o mundo.

Há dois outros tipos de pronúncia: a pronúncia tradicional lusófona, também a mais usada em fórmulas jurídicas, e a pronúncia adotada pela Igreja Católica (latim eclesiástico). Quanto à ortografia, não há diferenças.

A seguir, as principais características da pronúncia restaurada (entre parênteses as pronúncia e a marcação do acento tônico): [11]

  1. æ e œ, ditongos, são pronunciados ái e ói: nautae (náutai)
  2. c soa sempre como k: Cicero (Kíkero), cetera (kétera)
  3. ch soa também como k: pulcher (púlker)
  4. g sempre como gue ou gui: angelus (ánguelus)
  5. h é levemente aspirado, quase como o h do inglês
  6. j soa sempre como i ; v sempre como u: vita (uíta), observando que as letras u e j só aparecem no alfabeto latino por volta do século XVI
  7. m em posição inicial ou intermediária é como em português magnífico; em posição final de palavra, é um mero sinal de nasalidade da vogal anterior[12], como em português mim, jovem, bom — exceto quando o primeiro som da palavra seguinte é consonantal, caso em que ocorre assimilação no ponto de articulação desta consoante, e.g. tam durum [tã(n)duː.rũː] — dental, aquam bibit [akwã(m)bɪbɪt] — bilabial, autem curo [autẽ(ŋ)ku:ro:] — velar.[13][14][15]
  8. r nunca como rr: Roma (róma, com o r pronunciado como em 'barato')
  9. s sempre como ss: rosa (róssa)
  10. u do grupo qu é sempre pronunciado: qui, quem (kuí, kuém)
  11. x como ks: maximus (máksimus)
  12. z como dz: Zeus (dzeus)
  13. as letras restantes (a, b, d, e, f, i, l, o, p, t,) são pronunciadas como em português.
  14. letras dobradas como ll, tt, mm, etc., devem ser pronunciadas separadamente, pois há diferentes significados envolvidos : coma e comma, por exemplo
  15. y como ü. Igual ao u do francês, ou o ü do alemão. ("abyssus")

Acentuação tônica

Os romanos antigos faziam distinção entre vogais breves e vogais longas, estas últimas com o dobro de duração das primeiras e, para efeitos de acentuação tônica, usavam a regra da penúltima, segundo a qual o critério de acentação tônica é a duração (longa ou breve) da penúltima vogal: se a penúltima vogal é longa, ela recebe o acento; se é curta, o acento recua para a antepenúltima vogal. Existem ainda alguns aspectos a notar, como, por exemplo:

1) vogal seguida de outra vogal é geralmente breve: filius (pronuncia-se 'fílius': o i antes do u é breve e, portanto, o acento recua).

2) vogal seguida de duas consoantes é geralmente longa: puella (o e vem antes de duas consoantes e, portanto, é longo e acentuado).

3) em latim não existem palavras com acento na última sílaba (oxítonas).

Todas as vogais de uma palavra têm sua duração bem definida e dessa duração depende a compreensão dos ritmos da poesia latina.

Gramática

O latim não possui artigos.

Os substantivos têm dois números (singular e plural) e seis casos (nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo e ablativo). Organizam-se em cinco declinações, que se distinguem pela terminação da forma de genitivo singular: 1ª: -ae, 2ª: -i, 3ª: -is, 4ª: -us e 5ª: -ei. Nem sempre a forma de nominativo correspondente é determinável a partir da forma de genitivo. Por exemplo, nominativo uerbum, genitivo uerbi ("palavra"); mas nominativo puer, genitivo pueri (menino). Assim, para se saber declinar um nome em todas as suas formas, é preciso saber a forma de nominativo e a de genitivo; tipicamente os dicionários fornecem ambas: uerbum, uerbi e puer, pueri.

Há três géneros gramaticais: masculino, feminino e neutro. O género de um nome depende em certa medida da declinação que o nome segue, mas a associação não é completamente rígida. Os nomes da primeira declinação são quase todos femininos (p. ex., rosa, rosae "rosa"), mas os que têm referentes humanos geralmente respeitam o género natural e por isso alguns são masculinos (p. ex., nauta, nautae "marinheiro"). Os nomes da segunda declinação cujo nominativo singular termina em -um são todos neutros. Os restantes nomes desta declinação (com nominativo em -us or -r, como dominus, domini "senhor", ager, agri "campo", uir, uiri homem) são quase todos masculinos, mas há muitos nomes de árvores em -us, -i e estes são todos femininos: ficus, fici "figueira". Nas restantes declinações o género é mais arbitrário.

O adjetivo concorda com o nome que modifica ou de que é predicado em número, género e caso.

A numeração é: unus/una/unum, duo/duae/duo, tres/tria, quattuor, quinque, sex, septem, octo, novem, decem; 11 undecim, 12 duodecim, 13 tredecim, 20 viginti, 30 triginta, 100 centum.

Os verbos flexionam em pessoa, número, tempo, modo, aspeto e voz. Alguns verbos pertencem a uma de quatro conjugações, que se distinguem por exemplo pela forma de infinitivo presente ativo: 1ª: -are, 2ª: -ēre, 3ª: -ěre, 4ª: -ire. O lema de um verbo latino (isto é a forma de dicionário) não é contudo uma forma de infinitivo mas sim a forma de primeira pessoa singular do presente do indicativo ativo: p.ex., o verbo sum ("sou"), não esse ("ser").

O latim possui muito poucos nomes e verbos com flexão verdadeiramente irregular, mas contém muitíssimos verbos cujas formas se baseiam em radicais diferentes e que não são previsíveis entre si. Por exemplo, o verbo cano ("cantar"), tem formas como cano ("canto", radical can-), cecini ("cantei", radical cecin-) e cantum ("para cantar", radical cant-).

O pronome interrogativo é quis (masculino e feminino) "quem?", quid "quê?". Quis possui formas plurais qui/quae/qua. Os demonstrativos são is/ea/id, hic/haec/hoc, "este/esta/isto", iste, ista, istud "esse, essa, isso", ille/illa/illud "aquele/aquela/aquilo". Os pronomes pessoais são: singular ego "eu", tu "tu"; plural nos "nós", uos "vós". Para a terceira pessoa podem usar-se demonstrativos ou sobretudo sujeitos nulos.

A ordem canónica do latim clássico é SOV, mas é uma língua não configuracional: a ordem das palavras não está diretamente ligada a funções gramaticais, pois a flexão em caso é muitas vezes suficiente para determinar estas funções. Por exemplo, as seguintes frases latinas significam todas "Marco ama Cornélia", uma vez que a forma Marcus é nominativa e a forma Corneliam é acusativa:

  • Marcus Corneliam amat
  • Marcus amat Corneliam
  • Amat Marcus Corneliam
  • Amat Corneliam Marcus
  • Corneliam Marcus amat
  • Corneliam amat Marcus

A frase "Cornélia ama Marco" seria Cornelia Marcum amat.

Casos no Latim

  • Sujeito
  • Predicativo do sujeito

-a no singular Ex: "Bona discipula sum" ("Boa discípula sou", ou, "[Eu] sou [uma] boa discípula")

-ae no plural Ex: "Ideo servae sedulae sunt" ("Por isso, escravas aplicadas são", ou, "Por isso, [as] escravas são aplicadas")

  • Objeto direto

-am no singular Ex.: Staphyla Phaedram amat. "Estáfila ama Fedra"

-as no plural Ex.: Staphyla Phaedras amat. "Estáfila ama as Fedras".

  • Adjunto adnominal (indicando posse)
Ex.: Amica Staphylae etiam serva est. "A amiga de Estáfila ainda é escrava"
  • Objeto indireto
Ex.: Phaedra servae rosam dat. "Fedra dá a rosa à escrava"
  • Adjunto adverbial
Ex.: Cum amica ambulat. "Anda com a amiga"
  • Agente da Passiva
Ex.: Filius amatur a matre. "O filho é amado pela mãe"
  • Vocativo, como em português
Ex.: Domine, cur laudas discipulas? "Senhor, por que louvas as alunas?"

Casos e complementos

Em português, diferenciamos os complementos verbais por posição e por preposições. Em orações afirmativas, por exemplo, o sujeito vem tipicamente antes do verbo e os outros complementos vêm tipicamente depois do verbo. Abaixo temos os sujeitos em negrito e os outros complementos com a primeira letra em negrito.

Pedro ama Fabíola.
Fabíola ama Pedro.
Pedro adora chocolate.
Pedro gosta muito de chocolate.

Em latim, contudo, além da posição relativa dos complementos e das preposições, também se diferenciavam os complementos verbais pela escolha das terminações dos nomes.

Sujeitos

Os sujeitos, no latim, ocorrem tipicamente no caso nominativo e "denotativo"

Oc.: hic homō ex amōre insānit (esse homem enlouqueceu por amor)

Podem também ocorrer no caso acusativo quando uma oração complementar representa o que alguém imagina, deseja, percebe ou diz.

Ex.: ego hunc hominem ex amōre insānīre cupiō (quero que esse homem enlouqueça por amor)

Outros Complementos

Aquilo que se faz, imagina, deseja, percebe ou se diz ocorre tipicamente no caso acusativo.

Oc.: sed eccum lēōnem videō

Aquilo com que se atinge ou que se dá a alguém ocorre tipicamente no caso acusativo.

Oc.: […], ut ego hunc lēōnem perdam

Alguém a quem se dá ou se diz algo ocorre tipicamente no caso dativo.

Oc.: tuos servos aurum ipsī lēōnī dabit
Oc.: haec verba lēōnī dīcī

Alguém a quem algo pertence também ocorre tipicamente no caso dativo.

Oc.: servos est huic lēōnī Surus

Aquilo que se usa ocorre no caso ablativo.

Oc.: ego rectē meīs auribus ūtor

Conjugação verbal

  • Presente: descreve ações no presente.
Ex.: Lucius amphoram domum portat
  • Imperfeito: descreve ações contínuas no passado.
Ex.: Lucius ibi ambulabat
  • Futuro: descreve ações futuras.
Ex.: Lucius uinum bibet
  • Perfeito simples: descreve ações no pretérito.
Ex.: Lucius mane surrexit
  • Mais que perfeito: descreve ações no pretérito mais-que-perfeito.
Ex.: Lucius totam noctem peruigilauerat
  • Futuro perfeito: descreve ações planejadas antes de ocorrerem.
  • Indicativo
  • Infinitivo
  • Imperativo
  • Subjuntivo
  • 1ª do singular: Ego
  • 2ª do singular: Tu
  • 3ª do singular: Is / Ea / Id
  • 1ª do plural: Nos
  • 2ª do plural: Vos
  • 3ª do plural: Ei / Eae / Ea

(Em latim, não existem pronomes do caso reto para a 3ª pessoa do singular: faz-se o uso de pronomes demonstrativos para indicar essa ausência).

Numerais

Os numerais latinos podem ser Cardinais, Ordinais, Multiplicativos e Distributivos.

Cardinais

Os três primeiros cardinais declinam nos 3 gêneros (M, F, N), no singular / plural e nos 5 casos (Nom., Acu., Gen., Dat., Abl.). O cardinal 3 utiliza a mesma forma para os gêneros M e F. Os demais cardinais até 100 não declinam.

Os cardinais são:

  • primeira dezena: unus, duo, tres, (esses aqui Nom. Sing. Masc.), quattuor, quinque, sex, septem, octo, nouem, decem;
  • de 11 a 17 são formados por unidade + decim (dez): undecim, duodecim, tredecim, quattuordecim, quinquedecim, sedecim, septendecim;
  • 18 e 19 são formados pelo que falta para "viginte" (vinte): duodeviginte e undeviginte;
  • 20, 30, 40, etc. até 100 (dezenas): viginte, triginta, quadraginta, quinquaginta, sexaginta, septuaginta, octaginta, nonaginta, centum;
  • dezenas + unidades:
    • dezena + 1 a 7; ex.: 21 a 27 – viginte unus até viginte septum;
    • dezena + 8 e 9; ex.: 28 e 29 – similar a 18 e 19 – duodetriginta, unodetriginta;
      • Nota – isso vale até 99;
  • centenas – só existem no plural e declinam: ducenti, trecenti… até sexcenti, septigenti, octagenti, nongenti;
  • milhares: mille, duo milia, tria milia … viginte milia … centi milia, etc;
Ordinais

Os ordinais indicam em latim, além da sequência, as frações. São declináveis como adjetivos da primeira classe. Apresentam as formas como segue:

  • primus, secundus, tertius, quartus, quintus, sextus, septimus, octavus, nonus, decimus.
  • undecimus, duodecimus; de 13 a 19 temos: tertius decimus, quartus decimus, etc… até nonus decimus;
  • dezenas: vicesimus, trigesimus, quadragesimus, etc… até nonagesimus;
  • centenas: centesimus, ducentesimus, tricentesimus, etc.
Multiplicativos

Os adjetivos declinam conforme adjetivos de segunda classe e são: simplex, duplex, triplex, etc.

Os advérbios (uma vez, duas vezes, etc) não tem declinação e são: semer, bis, ter, quater, etc.

Distributivos

São também declináveis, indicam "de um em um", "de dois em dois" e assim por diante. Apresentam a forma: singuli, bini, terni, quaterni, etc.. até nuoeni, deni; dezenas: viceni, triceni, etc. [16]

Legado

Western and Eastern Romania
Romania submersa (em preto): territórios pertencentes ao Império onde as línguas românicas não desenvolveram-se ou desapareceram.

A expansão do Império Romano espalhou o latim por toda a Europa e o latim vulgar terminou por dialetar-se, com base no lugar em que se encontrava o falante. O latim vulgar evoluiu gradualmente de modo a tornar-se cada uma das distintas línguas românicas, um processo que continuou pelo menos até o século IX. Tais idiomas mantiveram-se por muitos séculos como línguas orais, apenas, pois o latim ainda era usado para escrever. Por exemplo, o latim foi a língua oficial de Portugal até 1296, quando foi substituído pelo português. Estas línguas derivadas, como o italiano, o francês, o espanhol, o português, o catalão e o romeno, floresceram e afastaram-se umas das outras com o tempo.

Dentre as línguas românicas, o italiano é a que mais conserva o latim em seu léxico,[17] enquanto que o sardo é o que mais preserva a fonologia latina.[18]

Algumas das diferenças entre o latim clássico e as línguas românicas têm sido estudadas na tentativa de se reconstruir o latim vulgar. Por exemplo, as línguas românicas apresentam um acento tônico distinto em certas sílabas, ao qual o latim acrescentava uma quantidade vocálica distinta. O italiano e o sardo logudorês possuem, além do acento tônico, uma ênfase consonantal distinta; o espanhol e o português, apenas o acento tônico; e no francês, a quantidade vocálica e o acento tônico já não são distintos. Outra grande diferença entre as línguas românicas e o latim é que as primeiras, com exceção do romeno, perderam os seus casos gramaticais para a maioria das palavras, afora alguns pronomes. A língua romena possui um caso direto (nominativo/acusativo), um indireto (dativo/genitivo), um vocativo e é o único idioma que preservou do latim o gênero neutro e parte da declinação.[19]

Embora não seja uma língua românica, o inglês sofreu forte influência do latim. Sessenta por cento do seu vocabulário são de origem latina, em geral por intermédio do francês. O mesmo ocorreu com o maltês, uma língua semítica falada na República de Malta, na costa sul da Itália, que fora influenciado por 50% de palavras italianas e sicilianas e, em menor grau, pelo francês em seu léxico, e que mais recentemente fora influenciado pelo inglês em 20% de seu léxico. Também herdou o alfabeto latino, sendo a única língua semítica a ser escrita neste alfabeto.

Ademais do português, outras línguas românicas surgidas a partir do latim incluem o espanhol, o francês, o sardo, o italiano, o romeno, o galego, o occitano, o rético, o catalão e o dalmático - este, já extinto. As áreas onde as línguas românicas extintas eram faladas, são denominadas Romania submersa.

Como o contato com o latim escrito se manteve ao longo dos tempos, mesmo muito depois de o latim deixar de ter falantes nativos, muitas palavras latinas foram sendo introduzidas em muitas línguas. Este fenómeno acentuou-se desde o Renascimento, altura em que a cultura clássica foi revalorizada. Sobretudo o inglês e as línguas românicas receberam (e continuam a receber) muitas palavras de origem latina, mas bastantes outras línguas também o fizeram. Em especial, muitos novos termos dos domínios técnicos e científicos têm na sua base palavras latinas.

Uso atual

Wallsend platfom 2 02
A sinalização da estação de metrô de Wallsend, na Inglaterra, está em inglês e latim como uma homenagem ao papel de Wallsend como um dos postos avançados do império romano

O latim vive sob a forma do latim eclesiástico usado para éditos e bulas emitidos pela Igreja Católica, e sob a forma de uma pequena quantidade esparsa de artigos científicos ou sociais escritos utilizando a língua, bem como em inúmeros clubes latinos. O vocabulário latino é usado na ciência, na universidade e no direito. O latim clássico é ensinado em muitas escolas, muitas vezes combinado com o grego, no estudo de clássicos, embora o seu papel tenha diminuído desde o início do século XX. O alfabeto latino, juntamente com suas variantes modernas, como os alfabetos inglês, espanhol, francês, português e alemão, é o alfabeto mais utilizado no mundo. Terminologia decorrente de palavras e conceitos em latim é amplamente utilizada, entre outros domínios, na filosofia, medicina, biologia e direito, em termos e abreviações como subpoena duces tecum, lato sensu, etc., i.e., q.i.d. (quater in die: "quatro vezes por dia") e inter alia (entre outras coisas). Estes termos em latim são utilizados isoladamente, como termos técnicos. Em nomes científicos para organismos, o latim é geralmente o idioma preferido, seguido pelo grego.

A maior organização que ainda usa o latim em contextos oficiais e semioficiais é a Igreja Católica (principalmente na Igreja Católica de Rito Latino). A Missa tridentina usa o latim, apesar do rito romano costumar utilizar o vernáculo local; no entanto, pode ser e muitas vezes é rezado em latim, particularmente no Vaticano. Na verdade, o latim ainda é a língua padrão oficial do rito romano da Igreja Católica e o Concílio Vaticano II apenas autorizou que os livros litúrgicos fossem traduzidos e, opcionalmente, usados nas línguas vernáculas. O latim é a língua oficial da Santa Sé e do Vaticano. A Cidade do Vaticano é também onde está instalado o único caixa eletrônico onde as instruções são dadas em latim.[20]

Nos casos em que é importante empregar uma língua neutra, como em nomes científicos de organismos, costuma-se usar o latim.

Alguns filmes, como A Paixão de Cristo, apresentam diálogos em latim. A música 'Nirvana' do Grupo El Bosco é cantada, parte em latim, e em seguida em inglês.

Muitas instituições ainda hoje ostentam lemas em latim, a exemplo do estado brasileiro de Minas Gerais (libertas quæ sera tamen).

Ver também

Referências

  1. Martins, Maria Cristina (2006). «A Língua Latina: sua origem, variedades e desdobramentos». Círculo Fluminense de Estudos Filológicos e Linguísticos (CiFEFiL). Revista Philologus (36). ISSN 1413-6457. Consultado em 31 de janeiro de 2015. Arquivado do original em 24 de setembro de 2015
  2. Viaro, Mário Eduardo (1999). «A Importância do Latim na Atualidade» (PDF). São Paulo: Unisa. Revista de Ciências Humanas e Sociais. 1 (1): 7–12. Consultado em 31 de janeiro de 2015
  3. Há divergências, entre os historiadores, quanto à inclusão da Sicília na Magna Grécia. Ver Lomas, Kathryn; Rome and the Western Greeks, 350 BC - AD 200: Conquest and Acculturation in Southern Italy. Routledge, 2005, p.9.
  4. La storia della lingua latina. BETTINI, Maurizio (cur.), Letteratura e antropologia di Roma antica, vol. I, Firenze: La Nuova Italia, 2005.
  5. a b FISCHER, S. R. 'Uma breve História da Linguagem. São Paulo: Novo Século, 2009.
  6. Miotti, Charlene M. Ridentem dicere vervm : o humor retórico de Quintiliano e seu diálogo com Cícero, Catulo e Horácio . Campinas: Unicamp, 2010
  7. A gramática do pobre Arquivado em 24 de setembro de 2015, no Wayback Machine.. Por Salatiel Ferreira Rodrigues.
  8. Burney, Charles A General History Of Music: From The Earliest Ages to the Present Period. Volume 2, p.226.
  9. Apontamentos sobre a história da evolução da língua Arquivado em 3 de maio de 2015, no Wayback Machine.. Por Guilherme Ribeiro
  10. A palavra Vênus aqui é plural.
  11. Curso de Latim. Introdução. Por Frederico José Andries Lopes.
  12. WHEELOCK, Frederic M. (2011). Wheelock's Latin. New York: Collins Reference. pp. XXXVII e XXXVIII
  13. Allen, W. Sidney (William Sidney), 1918- (1989). Vox Latina : a guide to the pronunciation of classical Latin 2nd ed., 1st pbk. ed ed. Cambridge [England]: Cambridge University Press. ISBN 0521379369. OCLC 28513359
  14. Jones & Sidwell, Peter V. & Keith C. (2012). Aprendendo Latim. São Paulo: Odysseus. pp. p. xx
  15. LOURENÇO, Frederico (2019). Nova Gramática do Latim. Lisboa: Quetzal. pp. pp. 51 &52
  16. Iniciação ao latim - Zélia de Almeida Cardoso– Editora Ática SP – 6a Edição 2006
  17. Grimes, Barbara F. (1996). Barbara F. Grimes, ed. Ethnologue: Languages of the World thirteenth edition ed. Dallas, Texas: Summer Institute of Linguistics, Academic Pub. ISBN 1-55671-026-7
  18. Foreign Languages: Italian, especificamente: "Sardo conserva muitas características arcaicas do latim que desapareceram no italiano, como o som k duro em palavras como chelu, correspondente ao italiano cielo."
  19. Columbia University Language Resource Center
  20. Moore, Malcom (28 de janeiro de 2007). «Pope's Latinist pronounces death of a language». The Daily Telegraph. Consultado em 16 de setembro de 2009

Ligações externas

Ab urbe condita

Ab urbe condita (normalmente abreviado AUC ou a.u.c.) é uma expressão latina que significa 'desde a fundação da cidade'. Refere-se principalmente na numeração dos anos desde a fundação de Roma, tradicionalmente fundada no ano 753 a.C..

Afélio

Afélio (do latim "aphelium", derivado do latim "apos", que quer dizer longínquo), é o ponto da órbita em que um planeta ou um corpo menor do sistema solar está mais afastado do Sol. Quando se trata de um objeto que orbita uma estrela que não o Sol, esse ponto é denominado apoastro. As órbitas de todos os planetas são sempre elípticas, tendo sempre um ponto mais afastado (afélio) e um ponto mais próximo (periélio). A distância entre a Terra e o Sol no afélio é de aproximadamente 152,1 milhões de quilômetros. Quando um astro se encontra no afélio, ele tem a menor velocidade de translação de toda a sua órbita. O planeta Terra passa no afélio por volta do dia 4 de Julho de cada ano .

Alfabeto latino

O alfabeto latino, também conhecido como alfabeto romano, é o sistema de escrita alfabética mais utilizado no mundo, e é o alfabeto utilizado para escrever a língua portuguesa e a maioria das línguas da Europa ocidental e central e das áreas colonizadas por europeus. A sua origem remonta ao século VII a.C. na região do Lácio (atual Lazio, na Itália), daí a sua designação como "latino". Ao longo dos séculos XIX e XX, o alfabeto latino tornou-se também o alfabeto preferencialmente adotado por um número considerável de outras línguas, em especial pelas línguas indígenas de zonas colonizadas por europeus que não tinham sistemas de escrita próprios.

Alma mater

Alma mater é uma expressão de origem latina que pode ser traduzida como a mãe que alimenta ou nutre.

O termo era usado na Roma Antiga como um título à deusa mãe e, durante o cristianismo medieval, para aludir à Virgem Maria. É igualmente uma expressão empregada muitas vezes pelos poetas latinos para designar a pátria.Nos tempos modernos, o termo é usado para referir-se às universidades ou instituições de ensino superior em geral, realçando a função da instituição como fornecedora alimentar à faculdade intelectual.

Circa

Circa é uma palavra (advérbio) em latim que é usada em datação e que significa "aproximadamente", "por volta de". É, frequentemente, abreviada como c., ca., ca ou cca. É amplamente utilizada em genealogia e relatos históricos quando as datas de eventos são estimadas.

Quando usado em intervalos de datas, o termo "circa" é aplicado antes de cada data aproximada, enquanto as datas sem "circa" imediatamente precedentes são geralmente assumidas como sendo conhecidas com certeza.

Exemplo: A data de falecimento de Fernão Lopes está historiada como

c.1460, o que significa que é incerto se ele morreu ou não nessa data.

Condado

Condado (do provençal comtat, por sua vez do latim tardio comitatus -us) era, na Idade Média, um território governado por um conde. Um condado era dado pelo rei numa prova de mérito à nobreza e ao clero. Mais tarde evoluiu para um título nobiliárquico ao qual não estava necessariamente associada a jurisdição de um território.

Corpus Inscriptionum Latinarum

O Corpus Inscriptionum Latinarum (CIL) é uma compilação exaustiva das inscrições epigráficas latinas da antiguidade.

O CIL inclui todos os tipos de inscrições latinas de todo o Império Romano, organizadas geográfica e tematicamente.

Os primeiros volumes compilaram e publicaram versões autorizadas de todas as inscrições previamente publicadas.

O Corpus, escrito inteiramente em latim, continua a ser actualizado com novas edições e suplementos.

De facto

De facto (pronúncia: [deː ˈfaktoː]) é uma expressão latina que significa "na prática", tendo como expressão antónima a de jure, que significa "pela lei" ou "na teoria". Esta difere do advérbio comum corrente do português e espanhol "de facto/de fato" pelo seu significado jurídico.

Família (biologia)

Na Biologia, família (em latim: familia, plural familiae) é uma clado integrada no sistema taxonómico criado por Lineu no século XVIII. A família agrupa um conjunto de géneros, ou de sub-famílias, e está incluída em ordens.

Família linguística

Uma família linguística é um grupo de línguas rigorosamente identificado e é uma unidade filogenética, isto é, todos os seus membros derivam de um ancestral comum. Este ancestral é geralmente muito pouco conhecido, uma vez que a maior parte das línguas têm uma história escrita muito reduzida. Apesar disso, é possível recuperar muitas das suas características aplicando o método comparativo - um procedimento reconstrutivo desenvolvido no século XIX pelo linguista August Schleicher. Isto pode demonstrar a validade de muitas das famílias propostas listadas abaixo.

As famílias podem ser divididas em unidades filogenéticas menores, referidas convencionalmente como ramos da família, porque a história de uma família linguística é muitas vezes representada por um diagrama em árvore. Contudo, o termo "família" não se restringe a nenhum nível desta "árvore"; a família germânica, por exemplo, é um ramo da família indo-europeia. Alguns taxonomistas restringem o termo "família" até certo nível, mas há pouco consenso acerca de como o fazer. Aqueles que o fazem normalmente também subdividem os ramos em grupos e os grupos em subgrupos, etc. Além disso também agregam famílias em filos (também conhecidos como superfamílias). As super famílias são frequentemente usadas para agregar as famílias de línguas índias americanas. Um modo de fazer toda esta classificação é chamado glotocronologia.

O ancestral comum de uma família é conhecido como proto-língua. Por exemplo, a proto-língua reconstruível da bem conhecida família indo-europeia é chamada proto-indo-europeu. Esta língua não é conhecida a partir de registos escritos, uma vez que era falada antes da invenção da escrita, mas por vezes uma proto-língua pode ser assemelhada a uma língua histórica conhecida. Deste modo, dialectos provinciais do latim (o chamado latim vulgar) deram origem às línguas latinas, o que faz com que a língua ancestral às línguas latinas fosse bastante semelhante ao latim (embora menos semelhante ao latim literário dos escritores clássicos); do mesmo modo, os dialectos do nórdico antigo são considerados a proto-língua do norueguês, do sueco, do dinamarquês, do faroês e do islândico.

As línguas que não podem ser fiavelmente classificadas em nenhuma família são conhecidas como línguas isoladas. Uma língua isolada no seu próprio ramo dentro de uma família, como o grego dentro da família indo-europeia, é normalmente chamada também de língua isolada mas casos como estes são usualmente clarificados. Por exemplo, o grego pode ser considerado uma língua indo-europeia isolada.

Lema

Um lema, também chamado divisa, mote ou moto (do provençal e do francês mot: 'palavra, sentença breve', do latim vulgar mŭttum, no sentido de 'som' ), é uma ideia expressa por uma frase que serve de guia ou de motivação para uma pessoa, grupo, seita, país ou nação. Os lemas, quando adaptados por países ou organizações da sociedade condensam valores comuns que justificam uma ação comum.

A palavra "lema" vem do grego λήμμα (lémma), no sentido de 'proposição'.

Literatura

A Literatura é a técnica de compor e expor textos escritos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos e práticos; o exercício dessa técnica ou da eloquência e poesia.A palavra Literatura vem do latim "litteris" que significa "Letras", e possivelmente uma tradução do grego "grammatikee". Em latim, literatura significa uma instrução ou um conjunto de saberes ou habilidades de escrever e ler bem, e se relaciona com as técnicas da gramática, da retórica e da poética. Por extensão, se refere especificamente à arte ou ofício de escrever. O termo Literatura também é usado como referência a um conjunto escolhido de textos como, por exemplo a literatura portuguesa, a literatura espanhola, a literatura inglesa, a literatura brasileira, a literatura japonesa, etc.

Livro

Livro (do latim liber) é um objeto transportável, composto por páginas encadernadas, contendo texto manuscrito ou impresso e/ou imagens e que forma uma publicação unitária (ou foi concebido como tal) ou a parte principal de um trabalho literário, científico ou outro, formando um volume.

Em ciência da informação, o livro é chamado monografia, para distingui-lo de outros tipos de publicações como revistas, periódicos, teses, tesauros, artigos e etc..

O livro é um produto intelectual e, como tal, encerra conhecimento e expressões individuais ou coletivas. Mas também é nos dias de hoje um produto de consumo, um bem. Portanto, a parte final de sua produção é realizada por meios industriais (impressão e distribuição), envolvendo também o design de livros. A tarefa de criar um conteúdo passível de ser transformado em livro é tarefa do autor. Já a produção dos livros, no que concerne a transformar os originais num produto comercializável, é tarefa do editor, em geral contratado por uma editora. A coleta, a organização e a indexação de coleções de livros, por outro lado, é típica do bibliotecário. Finalmente, destaca-se também o livreiro, cuja função principal é disponibilizar os livros editados ao público em geral, vendendo-os nas livrarias generalistas ou de especialidade. Compete também ao livreiro todo o trabalho de pesquisa que vá ao encontro da vontade dos leitores.

Língua castelhana

O castelhano (castellano) ou espanhol (español) é uma língua românica ocidental do grupo ibero-românico que evoluiu a partir de vários dialetos do latim falados no centro-norte da Península Ibérica por volta do século IX. originada na Península Ibérica, tem centenas de milhões de falantes nativos nas Américas e na Espanha. É uma língua mundial e a segunda língua mais falada no mundo, depois do chinês mandarim.O espanhol faz parte do grupo de línguas ibero-românicas, que evoluiu de vários dialetos do latim vulgar na Ibéria após o colapso do Império Romano do Ocidente no século V. Os textos latinos mais antigos com vestígios de espanhol vêm do norte da Península Ibérica no século IX, e o primeiro uso sistemático da língua aconteceu em Toledo, uma proeminente cidade do Reino de Castela, no Século XIII. A partir de 1492, a língua espanhola foi levada para os vice-reinados do Império Espanhol, principalmente para as Américas, além de territórios na África, Oceania e as Filipinas.Um estudo de 1949 do linguista ítalo-americano Mário Pei, analisando o grau de diferença do pai de uma língua (Latim, no caso das línguas românicas ) comparando fonologia, flexão, sintaxe, vocabulário e entonação, indicou os seguintes percentuais (quanto maior a percentagem, quanto maior a distância do latim): No caso do espanhol, é uma das línguas românicas mais próximas do latim (20% de distância), atrás apenas da Sardenha (8% de distância) e italiana (12% de distância). Cerca de 75% do vocabulário moderno espanhol é derivado do latim, através do latim, grego antigo. O vocabulário espanhol tem estado em contato com o árabe desde cedo, tendo se desenvolvido durante a era Al-Andalus na Península Ibérica. Com cerca de 8% do seu vocabulário sendo de origem árabe, esta língua constitui a segunda maior fonte de vocabulário após o próprio latim. Também foi influenciado pelo Basco, Ibérica, Celtibérica, Visigótico e pelas línguas ibero-românicas vizinhas. Além disso, ele absorveu o vocabulário de outras línguas, particularmente outras línguas românicas - Francês, Italiano, Português, Galego, Catalão, Occitano, e Sardo- assim como de Quíchua, Náuatle e outras línguas indígenas das Américas.O espanhol é uma das seis línguas oficiais das Nações Unidas. Também é usado como língua oficial pela União Européia, a Organização dos Estados Americanos, a União de Nações Sul-Americanas, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a União Africana, Mercado Comum do Sul e muitas outras organizações internacionais.Apesar do grande número de falantes, a língua espanhola não aparece com destaque na escrita científica, com exceção das humanidades. 75% da produção científica em espanhol é dividida em três áreas temáticas: ciências sociais, ciências médicas e artes / humanidades. É a terceira língua mais usada na internet depois de inglês e chinês.

Línguas românicas

As chamadas línguas românicas, também conhecidas como línguas neolatinas ou línguas latinas são idiomas que integram o vasto conjunto das línguas indo-europeias que se originaram da evolução do latim, principalmente do latim vulgar, falado pelas classes mais populares.

Atualmente, essas línguas são representadas pelos seguintes idiomas mais conhecidos e mais falados no mundo: o português, o espanhol (também conhecido como castelhano), o italiano, o francês e o romeno. Há, também, uma grande quantidade de idiomas usados por grupos minoritários de falantes, como:

nas diferentes regiões da Espanha, onde são falados o catalão (que tem o valenciano como dialeto), o aragonês, o galego, o asturiano e o leonês;

em Portugal, onde é falado o mirandês;

nas diferentes regiões da Itália, onde são falados o lombardo, o vêneto, o lígure, o siciliano, o piemontês, o napolitano (com as suas variações dialetais) e o sardo;

no sul da França, onde são falados o occitano (que tem o provençal e o gascão como dialetos), o franco-provençal e outras línguas dialetais derivadas do próprio idioma, como o picardo, o Pictavo-sântone e o normando;

e na Suíça, onde é falado o romanche.No extremo norte da França e no sul da Bélgica, são falados dois idiomas também românicos: o valão e o picardo. O dalmático, falado na antiga Dalmácia, na região dos Bálcãs, e o rético, falado na Récia, antiga província do Império Romano localizada ao norte da Itália, são línguas românicas atualmente extintas (ver: Romania submersa). O rético derivou as chamadas línguas reto-românicas (dentre as quais se inclui o romanche) faladas na Suíça e no norte da Itália.

Magnum opus

Magnum opus (plural: magna opera, também opus magnum / opera magna), em latim, significa "grande obra". Refere-se à melhor, mais popular ou renomada obra de um artista ou pensador.

Numa alusão à obra divina da criação e ao projeto de redenção nela contido, o processo social foi designado por "Grande Obra". Nesse processo, uma matéria inicial, misteriosa e caótica, chamada matéria prima, em que os opostos se encontram ainda inconciliáveis num conflito violento, deve ser transformada progressivamente num estado de libertação de harmonia perfeita, a "Pedra Filosofal" redentora ou o lapis philosophorum: «Primeiro, combinamos, em seguida decompomos, dissolvemos o decomposto, depuramos o dividido, juntamos o purificado e solidificamo-lo. Deste modo, o homem e a mulher transformam-se num só.

Monarca

Monarca (do latim monarcha, do grego monárches) é o soberano chefe de Estado vitalício de uma monarquia. Os monarcas, como tais, possuem uma variedade de títulos - rei ou rainha, príncipe ou princesa, imperador ou imperatriz, arquiduque ou arquiduquesa, duque ou duquesa, grão-duque ou grã-duquesa, emir, sultão, etc. Príncipe é às vezes usado como um termo genérico para se referir a qualquer monarca, independentemente do título, especialmente em textos mais antigos.

== Referências ==

Quarta-feira

A quarta-feira é um dia útil considerado o quarto dia da semana, seguindo a terça-feira e precedendo a quinta-feira.

Por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO, a quarta-feira é considerada o terceiro dia da semana, sendo assim na maioria dos calendários em todo o mundo.

A palavra é originária do latim Quarta Feria, que significa "quarta feira", e de mesma acepção existe em galego (corta feira / cuarta feira), mirandês (quarta) e tétum (loron-kuarta).

Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses dedicando este dia ao astro Mercúrio o que originou outras denominações, em português antigo mércores, em espanhol diz-se miércoles, no italiano mercoledì e em francês mercredi, com os significados de "Mercúrio" e "dia de Mercúrio". Em inglês diz-se Wednesday, "dia de Woden" e em sueco onsdag, "dia de Odin".

Para a Igreja Católica, a quarta-feira é o dia para se rezar pelos enfermos.

Soldo (moeda)

O soldo ou sólido (em latim: solidus , lit. "sólido"), uma antiga moeda romana de ouro criada por Constantino em 309, circulou longamente no Império Romano, estendendo-se até ao século X no Império Romano do Oriente. Substituiu o áureo como a mais importante moeda de ouro do império.

A denominação soldo já havia sido empregada por Diocleciano, mas era diferente da moeda emitida por Constantino. A moeda era cunhada com uma proporção de 1/72 da libra romana (c. 4,5 gramas). Os soldos eram mais largos e finos que o áureo. Também foram produzidas moedas fracionárias do soldo, chamadas semisse (em latim: semissis meio soldo) e tremisse (em latim: tremissis, um terço do soldo).

As palavras "soldo" ("remuneração por serviços militares") e "soldado" ("homem de guerra") têm sua origem no nome da moeda romana, com a qual os soldados romanos eram pagos. Soldo não tem a característica de contra prestação pelo trabalho prestado, por isso há a possibilidade do "soldo" ser menor do que o salário mínimo.

== Referências ==

Latino-falisco
Osco-úmbrico
Desconhecido
Línguas antigas
Línguas mortas
Língua extinta
Outras línguas

Noutras línguas

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