Judaísmo

Judaísmo (em hebraico: יהדות, Yahadút) é uma das três principais religiões abraâmicas, definida como "religião, filosofia e modo de vida" do povo judeu.[1] Originário da Torá Escrita e da Bíblia Hebraica (também conhecida como Tanakh) e explorado em textos posteriores, como o Talmud, é considerado pelos judeus religiosos como a expressão do relacionamento e da aliança desenvolvida entre Deus com os Filhos de Israel. De acordo com o judaísmo rabínico tradicional, Deus revelou as suas leis e mandamentos a Moisés no Monte Sinai, na forma de uma Torá escrita e oral.[2] Esta foi historicamente desafiada pelo caraítas, um movimento que floresceu no período medieval que mantém milhares de seguidores atualmente e, que afirma que apenas a Torá escrita foi revelada.[3] Nos tempos modernos alguns movimentos liberais, tais como o judaísmo humanista, podem ser considerados não teístas.[4]

O judaísmo afirma uma continuidade histórica que abrange mais de três mil anos. É uma das mais antigas religiões monoteístas, que sobrevive até os dias atuais,[5] e a mais antiga das três grandes religiões abraâmicas.[6][7] Os hebreus/israelitas já foram referidos como judeus nos livros posteriores ao Tanakh, como o Livro de Ester, com o termo judeus substituindo a expressão Filhos de Israel.[8] Os textos, tradições e valores do judaísmo influenciaram mais tarde outras religiões monoteístas, tais como o cristianismo, o islamismo e a Fé Bahá'í.[9][10] Muitos aspectos do judaísmo também influenciaram, pela ética secular ocidental e pelo direito civil.[11]

Os judeus são um grupo etno-religioso[12] e incluem aqueles que nasceram judeus ou foram convertidos ao judaísmo. Em 2010, a população judaica mundial foi estimada em 13,4 milhões, ou aproximadamente 0,2% da população mundial total. Cerca de 42% de todos os judeus residem em Israel e cerca de 42% residem nos Estados Unidos e Canadá, com a maioria restante na Europa.[13]

Os judeus podem ser divididos em 3 grupos. O judaísmo ortodoxo (judaísmo haredi e o judaísmo ortodoxo moderno), o judaísmo conservador e o judaísmo reformista. A principal diferença entre esses grupos é a sua abordagem em relação à lei judaica.[14] O ortodoxo sustenta que a Torá e a lei judaica são de origem divina, eterna e imutável, e que devem ser rigorosamente seguidas. Os conservadores e reformistas são mais liberais, com o judaísmo conservador, geralmente promovendo uma interpretação mais "tradicional" de requisitos do judaísmo do que o judaísmo reformista. A posição reformista típica é de que a lei judaica deve ser vista como um conjunto de diretrizes gerais e não como um conjunto de restrições e obrigações cujo respeito é exigido dos judeus.[15][16] Historicamente, tribunais especiais aplicaram a lei judaica; hoje, estes tribunais ainda existem, mas a prática do judaísmo é voluntária.[17] A autoridade sobre assuntos teológicos e jurídicos não é investida em qualquer pessoa ou organização, mas nos textos sagrados e nos rabinos e estudiosos que interpretam esses textos.[18]

Etimologia

O termo "judaísmo" veio ao português pelo termo em grego: Ιουδαϊσμός (transl. Iudaïsmós), que designa algo ou alguém relacionado ao topônimo Judá - em grego: Ιούδα (transl. Iúda), em hebraico: יהודה (transl. Yehudá).

História

Origem

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As cenas do Livro de Ester que decoram a Sinagoga de Dura Europo datam do ano 244

Na sua essência, o Tanaque é um relato da relação dos israelitas com Deus desde sua história mais antiga até a construção do Segundo Templo (c. 535 a.C.). Abraão é saudado como o primeiro hebreu e o pai do povo judeu. Como recompensa por seu ato de fé em um Deus, foi prometido que Isaac, seu segundo filho, herdaria a Terra de Israel (então chamada Canaã). Mais tarde, os descendentes de Jacó (filho de Isaac) foram escravizados no Egito, que após séculos de escravidão Deus ordenou a Moisés que liderasse a libertação da escravidão do Egito, movimento conhecido por o Êxodo.

No Monte Sinai, eles receberam a Torá — os cinco livros de Moisés. Estes livros, juntos com Nevi'im e Ketuvim formam o Torah Shebikhtav em oposição à Torá Oral, que se refere a Mishná e ao Talmude. Deus em seguida levou-os para a terra de Israel, onde o tabernáculo foi implantado na cidade de Siló por mais de 300 anos para reunir a nação contra os ataques de inimigos. Conforme o tempo passava, o nível espiritual da nação recuou até o ponto em que Deus permitiu que os filisteus capturassem o tabernáculo.

O povo de Israel exigiu ao profeta Samuel um governo liderado por um rei permanente. Samuel então nomeou Saul para tal cargo. Quando o povo pressionou Saul em ir contra uma ordem transmitida a ele por Samuel, Deus disse a Samuel nomear Davi em seu lugar. Depois que o reinado de Davi foi estabelecido, ele informa ao profeta Natã seu desejo de construir um templo permanente. Como recompensa por seus atos, Deus prometeu a Davi que ele permitiria que seu filho, Salomão, construísse o Primeiro Templo e que o trono nunca seria afastado de seus filhos.

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O Muro das Lamentações em Jerusalém é um remanescente do muro que circunda o Segundo Templo. O monte do Templo é o local mais sagrado do judaísmo.

A tradição rabínica afirma que os detalhes e a interpretação da lei, que são chamados de Torá Oral ou lei oral, eram originalmente uma tradição não escrita com base no que Deus disse a Moisés no Monte Sinai. No entanto, conforme a perseguição contra os judeus aumentava e os detalhes da tradição oral estavam em perigo de serem esquecidos, o rabino Judah Hanasi (Judah o Príncipe) registrou as leis orais na Mishná, redigido por volta do ano 200. O Talmude é uma compilação da Mishná e Guemará, que são comentários rabínicos editados ao longo dos três séculos seguintes. A Guemará tem origem em dois grandes centros de estudos judaicos, Palestina e Babilônia. Do mesmo modo, dois corpos de análise desenvolveram-se e duas obras de Talmude foram criadas. A compilação mais velha é chamado o Talmude de Jerusalém. Foi compilado em algum momento durante o século IV, em Israel. O Talmude Babilônico foi compilado a partir de discussões nas casas de estudo por parte dos estudiosos Ravina I, Ravina II e Rav Ashi no ano 500, embora tenha continuado a ser editado posteriormente.

Alguns estudiosos críticos opõem-se à ideia de que os textos sagrados, incluindo a Bíblia Hebraica, foram divinamente inspirados. Muitos desses estudiosos aceitam os princípios gerais da hipótese documental e sugerem que a Torá é composta de textos incoerentes editados em conjunto de uma forma que chama a atenção para contos divergentes.[19][20][21] Muitos sugerem que, durante o período do Primeiro Templo, o povo de Israel acreditava que cada nação tinha seu próprio deus, mas que seu deus era superior aos outros deuses.[22][23] Alguns sugerem que o monoteísmo estrito desenvolveu-se durante o Exílio babilônico, talvez em reação ao dualismo do zoroastrismo.[24] De acordo com esse ponto de vista, foi apenas no período Helênico que a maioria dos judeus passou a acreditar que seu Deus era o único deus e que a noção de uma nação judaica floresceu com base na religião judaica.[25] John Day argumenta que as origens do Yahweh, El, Aserá e Baal, pode estar enraizada no início da religião cananeia, que era centrada em um panteão de deuses muito parecido com o panteão grego.[26]

Doutrinas

Judaica
Símbolos do judaísmo (em sentido horário): castiçais do Shabat, cálice de lavagem das mãos, Chumash e Tanakh, ponteiro da Torá, shofar e caixa de etrog.

Surgiram variadas formulações das crenças judaicas, a maioria das quais com muito em comum entre si, mas divergentes em vários aspectos. Uma comparação entre várias dessas formulações mostra um elevado grau de tolerância pelas diferentes perspectivas teológicas. O que se segue é um sumário das crenças judaicas. Uma discussão mais detalhada destas crenças, acompanhada por uma discussão sobre as suas origens, pode ser encontrada no artigo sobre os princípios de fé judaicos.

Monoteísmo

O princípio básico do judaísmo é a unicidade absoluta de Deus como criador, onipotente, onisciente, onipresente, que influencia todo o universo, mas que não pode ser limitado de forma alguma. A afirmação da crença no monoteísmo manifesta-se na profissão de fé judaica conhecida como Shemá. Assim qualquer tentativa de politeísmo é fortemente rechaçada pelo judaísmo, assim como é proibido seguir ou oferecer prece a outro que não seja Deus.

Conforme o relacionamento de Deus com Israel, o judaísmo enfatiza certos aspectos da divindade chamando-o por títulos diferenciados.

Revelação

O judaísmo defende uma relação especial entre Deus e o povo judeu, manifesta através de uma revelação contínua de geração a geração. O judaísmo crê que a Torá é a revelação eterna dada por Deus aos judeus. Os judeus rabinitas e caraítas também aceitam que homens através da história judaica foram inspirados pela profecia, sendo que muitas das quais estão explícitas nos Neviim e nos Kethuvim. O conjunto destas três partes formam as Escrituras Hebraicas conhecidas como Tanakh.

A profecia dentro do judaísmo não tem o caráter exclusivamente adivinhatório como assume em outras religiões, mas manifestava-se na mensagem da Divindade para com seu povo e o mundo, que poderia assumir o sentido de advertência, julgamento ou revelação quanto à Vontade da Divindade. Esta profecia tem um lugar especial desde o princípio do mosaísmo, seguindo pelas diversas escolas de profetas posteriores (que serviam como conselheiros dos reis) e tendo seu auge com a época dos dois reinos. Oficialmente se reconhece que a época dos profetas encerra-se na época do exílio babilônico e do retorno a Judá. No entanto o judaísmo reconheceu diversos profetas durante a época do Segundo Templo, e durante o posterior período rabínico.

Metafísica

Conceitos de vida e morte

O entendimento dos conceitos de corpo, alma e espírito no judaísmo varia conforme as épocas e as diversas seitas judaicas. O Tanach não faz uma distinção teológica destes, usando o termo que geralmente é traduzido como alma (néfesh) para se referir à vida e o termo geralmente traduzido como espírito (ruakh) para se referir a fôlego. Deste modo, as interpretações dos diversos grupos são muitas vezes conflitantes, e muitos estudiosos preferem não discorrer sobre o tema.

Ressurreição e a vida além-morte

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Lápide com a Estrela de Davi em um cemitério em Ramla, Israel.

O Tanach, excetuando alguns pontos poéticos e controversos, jamais faz referência a uma vida além da morte, nem a um céu ou inferno, pelo que os saduceus posteriormente rejeitavam estas doutrinas. Porém após o Cativeiro Babilónico, os judeus assimilaram as doutrinas da imortalidade da alma, da ressurreição e do juízo final, e constituíam em importante ensino por parte dos fariseus.

Nas atuais correntes do judaísmo, as afirmações sobre o que acontece após a morte são postulados e não afirmações, e varia-se a interpretação dada ao que ocorre na morte e se existe ou não ressurreição. A maioria das correntes crê em uma ressurreição no mundo vindouro (Olam Habá), incluindo os caraítas, enquanto outra parcela do judaísmo crê na reencarnação, e o sentido do que seja ressurreição ou reencarnação varia de acordo com a ramificação.

Cabalá

Cabalá é o nome dado ao conhecimento místico esotérico de algumas correntes do judaísmo, que defende a interpretação do universo, de Deus e das escrituras através de sua natureza divina.

Judeus

Maurycy Gottlieb - Jews Praying in the Synagogue on Yom Kippur
Judeus rezando no Yom Kipur, de Maurycy Gottlieb.

A lei judaica ortodoxa considera judeu todo aquele que nasce de mãe judia ou se converte de acordo com essa mesma lei, segundo o judaísmo rabínico. Algumas ramificações como o Reformismo e o Reconstrucionismo aceitam também a linhagem patrilinear, desde que o filho tenha sido criado e educado em meio judaico.

Um judeu que deixe de praticar o judaísmo e se transforme num judeu não praticante continua a ser considerado judeu. Um judeu que não aceite os princípios de fé judaicos e se torne agnóstico ou ateu também continua a ser considerado judeu.

No entanto, se um judeu se converte a uma outra religião, ou ainda, que se afirme "judeu messiânico" (ramificação que defende Jesus como o messias para os judeus) geralmente é visto como que perdido o lugar como membro da comunidade judaica tradicional e transforma-se num apóstata. Esta pessoa, caso pretenda retornar ao judaísmo, não precisa se converter, de acordo com a maior parte das autoridades em lei judaica, mas abjurar das antigas práticas relativas às outras fés.

As pessoas que desejam se converter ao judaísmo devem aderir aos princípios e tradições judaicas. Os homens têm de passar pelo ritual do brit milá (circuncisão). Qualquer converso tem de passar ainda pelo ritual da mikvá ou banho ritual. Os judeus ortodoxos reconhecem apenas conversões feitas por seus tribunais rabínicos, seja em Israel ou em outros locais. As comunidades reformistas e liberais também exigem a adesão aos princípios e tradições judaicos, o brit milá e a mikvá, de acordo com os critérios estipulados em cada movimento.

Enquanto as conversões autorizadas por tribunais rabínicos ortodoxos são aceitas como válidas por quase todas as correntes do judaísmo, aquelas feitas de acordo com as correntes Reformista ou Conservadora são aceitas pelo Estado de Israel e nas comunidades judaicas não ortodoxas no mundo inteiro — mais de 80% da população dos judeus do planeta, mas rejeitadas pelo movimento ortodoxo.

Ciclo de vida judaico

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Material usado em uma cerimônia de brit milá
Exibido no museu da cidade de Göttingen
  • Brit milá – As boas-vindas dos bebés do sexo masculino à aliança através do ritual da circuncisão.
  • Zeved habat – As boas-vindas dos bebés do sexo feminino na tradição sefardita.
  • B'nai Mitzvá – A celebração da chegada de uma criança à maioridade, e por se tornar responsável, daí em diante, por seguir uma vida judaica e por seguir a halakhá.
  • Casamento judaico
  • Shiv'á – O judaísmo tem práticas de luto em várias etapas. À primeira etapa (observada durante uma semana) chama-se shiv'á, à segunda (observada durante um mês) chama-se sheloshim e, para aqueles que perderam um dos progenitores, existe uma terceira etapa, a avelut yod bet chódesh, que é observada durante um ano.

Vida comunitária

Vida comunitária judaica é o nome dado à organização das diferentes comunidades judaicas no mundo. Há variações de locais e costumes mas geralmente as comunidades contam com um sistema de regras comunais e religiosas, um conselho para julgamento e um centro comunal com local para estudo. No entanto, a família é considerada o principal elemento da vida comunitária judaica, o que ao lado do mandamento de Crescei e multiplicai leva ao desestímulo de práticas ascéticas como o celibato apesar da existência através da história de algumas seitas judaicas que promovessem esta renúncia.

Sinagoga

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Sinagoga Kahal Zur Israel, a mais antiga sinagoga das Américas, localizada em Recife, Pernambuco.

A sinagoga é o local das reuniões religiosas da comunidade judaica, hábito adquirido após a conquista do Reino de Judá pela Babilônia e a destruição do Templo de Jerusalém. Com a inexistência de um local de culto, cada comunidade desenvolveu seu local de reuniões, que após a construção do Segundo Templo tornou-se os centros de vida comunitária das comunidades da Diáspora. Na estrutura da sinagoga destaca-se o rabino, líder espiritual dentro da comunidade judaica e o chazan (cantor litúrgico).

Cherem

O Chérem é a mais alta censura eclesiástica na comunidade judaica. É a exclusão total da pessoa da comunidade judaica. Excepto em casos raros que tiveram lugar entre os judeus ultraortodoxos, o cherem deixou de se praticar depois do Iluminismo, quando as comunidades judaicas locais perderam a autonomia de que dispunham anteriormente e os judeus foram integrados nas nações gentias em que viviam.

Cultura

Cultura judaica lida com os diversos aspectos culturais das comunidades judaicas, oriundos da prática do judaísmo, de sua integração aos diversos povos e culturas no mundo, assim como assimilação dos costumes destes. Entre os principais aspectos da cultura judaica podemos enfatizar os idiomas, as vestimentas e a alimentação (Cashrut).

Vestimentas

Casamento judeu1
Kipá, símbolo distintivo usado principalmente pelos judeus rabínicos como temor a Deus.

O judaísmo possui algumas tradições religiosas e culturais em relação à vestimentas, dentre as quais podemos destacar:

  • Kipá são os chapéus utilizado pelos judeus tanto como símbolo da religião como símbolo de "temor a Deus" são semelhantes ao solidéu usado por Bispos Católicos e pelo Papa.
  • Tefilin é o nome dado a duas caixinhas de couro, cada qual presa a uma tira de couro de animal kasher, dentro das quais está contido um pergaminho com os quatro trechos da Torá em que se baseia o uso dos filactérios (Shemá IsraelVehaiá Im ShamoaCadêsh Li e Vehayá Ki Yeviachá).
  • Tzitzit é o nome dado às franjas do talit, que servem como meio de lembrança dos mandamentos de Deus.

Calendário

Baseados na Torá a maior parte das ramificações judaicas segue o calendário lunar. O calendário judaico rabínico é contado desde 3761 a.C. O Ano Novo judaico, chamado Rosh Hashaná (em hebraico ראש השנה, literalmente "cabeça do ano") é o nome dado ao ano-novo no judaísmo)., acontece no primeiro ou no segundo dia do mês hebreu de Tishrei, que pode cair em setembro ou outubro. Os anos comuns, com doze meses, podem ter 353, 354 e 355 dias, enquanto os bissextos, de treze meses, 383, 384 ou 385 dias. o calendário judaico começa a ser contado em 7 de outubro de 3760 a.C.que para os judeus foi a data da criação do mundo.

Diversas festividades são baseados neste calendário: pode-se dar ênfase às festividades de Rosh Hashaná, Pessach, Shavuót, Yom Kipur e Sucót. As diversas comunidades também seguem datas festivas ou de jejum e oração conforme suas tradições. Com a criação do Estado de Israel diversas datas comemorativas de cunho nacional foram incorporadas às festividades da maioria das comunidades judaicas.

Língua hebraica

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Codex Aleppo, uma Bíblia Hebraica do século X com pontuação massorética.

O hebraico (também chamado לשון הקודש Lashon haKodesh ("A Língua Sagrada") ) é o principal idioma utilizado no judaísmo utilizado como língua litúrgica durante séculos. Foi revivido como um idioma de uso corrente no século XIX e utilizado atualmente como idioma oficial no Estado de Israel. No entanto diversas comunidades judaicas utilizam outros idiomas cuja origem em sua maioria surgem da mistura do hebraico com idiomas locais (ver Línguas judaicas).

Crença messiânica e escatologia

Escatologia judaica refere-se às diferentes interpretações judaicas dadas aos temas relacionados ao futuro: ainda que se acreditarmos na Torá este tema não seja tão desenvolvido no judaísmo primitivo após o retorno do Exílio em Babilônia desenvolveu-se baseado no profetismo e no nacionalismo judaico conceitos que iriam formar a base da escatologia judaica. Entre estes temas principais podemos nomear os conceitos sobre o Messias e o Olam Habá (mundo vindouro) no qual todas as nações submeter-se-iam a Deus e a Torá e na qual Israel ocuparia um lugar de proeminência.

Messias

Dentro do judaísmo, a doutrina do Messias é um assunto que pode variar de ramificação para ramificação. Historicamente diversos personagens foram chamados de Messias, do hebraico ungido, que não assume o mesmo sentido habitual do cristianismo como um "ser salvador e digno de adoração". Até mesmo o conceito do Messias não aparece na Torá, e por isto mesmo recebe interpretações diferentes de acordo com cada ramificação.

A maior parte dos judeus crê no Messias como um homem judeu, filho de um homem e de uma mulher, (em algumas ramificações é considerado que viria da tribo de Judá e da descendência do rei Davi, uma herança do sentimento nacionalista que regulou a vida judaica pós-exílio) que reinará sobre Israel, reconstruirá a nação fazendo com que todos os judeus retornem à Terra Santa e unirá os povos em uma era de paz e prosperidade sob o domínio de Deus.[carece de fontes?]

Algumas ramificações judaicas (reformistas) creem no entanto que a era messiânica não envolva necessariamente uma pessoa, mas sim que se trate de um período de paz, prosperidade e justiça na humanidade. Dão por isso particular importância ao conceito de "Tikun Olam", "reparar o mundo", ou seja, a prática de uma série de atos que conduzem a um mundo socialmente mais justo.

Literatura

Os diversos eventos da história judaica levaram a uma valorização do estudo e da alfabetização dos membros da comunidade judaica. Na Diáspora a busca de conexão com o judaísmo e a busca de não assimilação com os costumes gentílicos levaram a uma ênfase na necessidade da educação e alfabetização desde a infância, pelo que na maior parte das comunidades judaicas o analfabetismo é praticamente inexistente. Este pensamento levou à criação de uma vasta literatura principalmente de uso religioso.

Dentro do judaísmo, a escritura mais importante é a Torá, que seria o livro contendo o conjunto de histórias da origem do mundo, do homem e do povo de Israel, assim como os mandamentos de obediência a Deus. Para a maior parte das ramificações judaicas, acrescenta-se a história de Israel e as palavras dos profetas israelitas até a construção do Segundo Templo, com sua literatura relacionada, que compiladas na época do retorno de Babilônia, constituíram o que conhecemos como Tanakh, conhecido pelos não judeus como Antigo Testamento.

Os judeus rabinitas creem que Moisés recebeu além da Torá escrita, uma tradição oral que serviria como um complemento da primeira, e que seria passada de geração à geração desde Moisés, e que viria a ser compilada no século IV como o Talmude. Os judeus caraítas recusam estes textos.

Cada ramificação tem seus próprios textos e livros.

Literatura rabínica

Ramificações

Nos dois últimos séculos, a comunidade judaica dividiu-se numa série de denominações; cada uma delas tem uma diferente visão sobre que princípios deve um judeu seguir e como deve um judeu viver a sua vida. Apesar das diferenças, existe uma certa unidade nas várias denominações.[27]

O judaísmo rabínico, surgido do movimento dos fariseus após a destruição do Segundo Templo, e que aceita a tradição oral além da Torá escrita, é o único que hoje em dia é reconhecido como judaísmo, e é comumente dividido nos seguintes movimentos:

  • Judaísmo ortodoxo: considera que a Torá foi escrita por Deus que a ditou a Moisés, sendo as suas leis imutáveis. Os judeus ortodoxos consideram o Shulkhan Arukh (compilação das leis do Talmude do século XVI, pelo rabino Yosef Karo) como a codificação definitiva da lei judaica.[28] O judaísmo ortodoxo exprime-se informalmente através de dois grupos, o judaísmo moderno ortodoxo e o judaísmo haredi.[29][30] Esta última forma é mais conhecida como "judaísmo ultraortodoxo", mas o termo é considerado ofensivo pelos seus adeptos. O judaísmo chassídico é um subgrupo do judaísmo haredi.[31][32]
  • Judaísmo conservador: fora dos Estados Unidos é conhecido por judaísmo Masorti. Desenvolveu-se na Europa e nos Estados Unidos no século XIX, em resultado das mudanças introduzidas pelo iluminismo e a Emancipação dos Judeus. Caracteriza-se por um compromisso em seguir as leis e práticas do judaísmo tradicional, como o Shabat e o cashrut, uma atitude positiva em relação à cultura moderna e uma aceitação dos métodos rabínicos tradicionais de estudo das escrituras, bem como o recurso a modernas práticas de crítica textual. Considera que o judaísmo não é uma fé estática, mas uma religião que se adapta a novas condições. Para o judaísmo conservador, a Torá foi escrita por profetas inspirados por Deus, mas considera não se tratar de um documento da sua autoria.[33][34][35]
  • Judaísmo reformista: formou-se na Alemanha em resposta ao iluminismo. Rejeita a visão de que a lei judaica deva ser seguida pelo indivíduo de forma obrigatória, afirmando a soberania individual sobre o que observar. De início este movimento rejeitou práticas como a circuncisão, dando ênfase aos ensinamentos éticos dos profetas; as orações eram realizadas na língua vernácula. Hoje em dia, algumas congregações reformistas voltaram a usar o hebraico como língua das orações; a brit milá é obrigatória e a cashrut, estimulada.[36][37]
  • Judaísmo reconstrucionista: formou-se entre as décadas de 20 e 40 do século XX por Mordecai Kaplan, um rabino inicialmente conservador que mais tarde deu ênfase à reinterpretação do judaísmo em termos contemporâneos. À semelhança do judaísmo reformista não considera que a lei judaica deva ser suprema, mas ao mesmo tempo considera que as práticas individuais devem ser tomadas no contexto do consenso comunal.[38][39]
  • Judaísmo humanístico: O judaísmo humanístico é um movimento no judaísmo que busca manter a identidade cultural e tradição judaicas ao mesmo tempo que deixa de enfatizar crenças teísticas, é um movimento no judaísmo, que oferece uma alternativa não teísta na vida judaica contemporânea. Ele define o judaísmo como a experiência cultural e histórica do povo judeu e incentiva humanistas e seculares judeus para celebrar a sua identidade judaica através da participação em festas judaicas e eventos do ciclo de vida (como casamentos, bar e bat mitzvah) com cerimônias inspiradoras que se apoiam, mas ir além da literatura tradicional.[40][41]

Para além destes grupos existem os judeus laicos, que não aderem à religião mas mantêm costumes judaicos.

O Muro Ocidental, em Jerusalém, Israel, é o que resta do Segundo Templo.
O Muro Ocidental, em Jerusalém, Israel, é o que resta do Segundo Templo.

Judaísmo e o mundo

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Porcentagem de judeus por país

Judeus e não judeus: as leis de Noé

O judaísmo não é atualmente uma religião proselitista, ainda que no passado já tenha efetuado missões deste tipo, especialmente durante o período do Segundo Templo.[42] Atualmente o judaísmo aceita a pluralidade religiosa, e prega a obrigação dos cumprimentos da Torá apenas ao povo judeu. No entanto defende que certos mandamentos (chamados de Leis de Noé, devido à terem sido entregues por Deus a Noé depois do Dilúvio), devem ser seguidas por cada ser humano.[43][44]

Judaísmo e cristianismo

Apesar do cristianismo defender uma origem judaica,[45][46] o judaísmo considera o cristianismo uma religião pagã[carece de fontes?]. Apesar da existência de judeus convertidos ao cristianismo e outras religiões, não existe nenhuma forma de judaísmo rabínico que aceite as doutrinas do cristianismo como a divindade de Jesus ou a crença em seu caráter messiânico. Há movimentos, como judaísmo messiânico que tentam conciliar a crença em Jesus como messias e a identidade judia. Algumas ramificações tentaram ver Jesus como um profeta ou um rabino famoso, mas hoje esta visão também é descartada pela maioria dos judeus.[carece de fontes?]

Existem diversos artigos sobre a relação entre o judaísmo e o cristianismo. Esses artigos incluem:

Desde o Holocausto, deram-se muitos passos no sentido da reconciliação entre alguns grupos cristãos e o povo judeu. O artigo sobre a reconciliação entre judeus e cristãos estuda este assunto.

Tentativas por parte de grupos religiosos cristãos (principalmente de origem evangélica) de conversão ao judaísmo são desprezadas e condenadas pelos grupos religiosos judaicos.

Judaísmo e islamismo

O islamismo toma diversas de suas doutrinas do judaísmo, sendo que as duas religiões mantêm seu intercâmbio religioso desde a época de Maomé, com períodos de tolerância e intolerância de ambas as partes. É especialmente significativo o período conhecido como Idade de Ouro da cultura judaica, entre 900 a 1200 na Espanha muçulmana. Na China imperial os judeus eram contados juntos com os muçulmanos sob a designação de Hui-hui e tanto as sinagogas e mesquitas chamadas pelo mesmo nome, Tsing-chin sze. Em algumas instâncias, grupos judeus adotaram o islão, como ocorreu entre os jehudi al-islami na pérsia.[47][48]

O recente conflito palestino-israelense, o que envolve entre parte da população muçulmana e dos judeus devido à questão do controle de Jerusalém e outros pontos políticos, históricos e culturais fomentou ainda mais a divergência entre judaísmo e islão.

O islão reconhece os judeus como um dos povos do Livro, apesar de acreditarem que os judeus sigam uma Torá corrompida. Já o judaísmo rabínico não crê em Maomé como profeta e não aceitam diversos mandamentos do islão.[49][50]

Ver também

Portal A Wikipédia tem os portais:
  • Portal do Judaísmo
  • Portal de Israel

Referências

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  3. «Karaite Jewish University». Kjuonline.com. Consultado em 22 de agosto de 2010. Arquivado do original em 25 de agosto de 2010
  4. «Society for Humanistic Judaism». Shj.org. Consultado em 22 de agosto de 2010
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  9. Heribert Busse (1998). Islam, Judaism, and Christianity: Theological and Historical Affiliations. [S.l.]: Markus Wiener Publishers. pp. 63–112. ISBN 9781558761445
  10. Irving M. Zeitlin (2007). The Historical Muhammad. [S.l.]: Polity. pp. 92–93. ISBN 9780745639994
  11. Jewish Contributions to Civilization: An Estimate (book)
  12. See, for example, Deborah Dash Moore, American Jewish Identity Politics, University of Michigan Press, 2008, p. 303; Ewa Morawska, Insecure Prosperity: Small-Town Jews in Industrial America, 1890–1940, Princeton University Press, 1999. p. 217; Peter Y. Medding, Values, interests and identity: Jews and politics in a changing world, Volume 11 of Studies in contemporary Jewry, Oxford University Press, 1995, p. 64; Ezra Mendelsohn, People of the city: Jews and the urban challenge, Volume 15 of Studies in contemporary Jewry, Oxford University Press, 1999, p. 55; Louis Sandy Maisel, Ira N. Forman, Donald Altschiller, Charles Walker Bassett, Jews in American politics: essays, Rowman & Littlefield, 2004, p. 158; Seymour Martin Lipset, American Exceptionalism: A Double-Edged Sword, W. W. Norton & Company, 1997, p. 169.
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Ligações externas

Caraísmo

Caraísmo é uma religião abraâmica que defende a crença única e absoluta em Deus e que sua revelação única foi dada através de Moisés na Torá (que não admite adições ou subtrações) e nos profetas da Tanach. Confiam na Providência divina e esperam a vinda do Messias e a Ressurreição dos Mortos. Seguem um calendário baseado no Abib e com início de mês na lua nova vísivel.

A palavra caraíta (do hebraico קראים, qaraim ou bnei mikra, "Seguidores das Escrituras"), designa uma das ramificações do judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte de Revelação Divina.Rejeitam o judaísmo rabínico como por exemplo o Talmud e a Mishná (aceitos pelo judaísmo rabínico). Não seguem costumes judaicos rabínicos como o uso de peiot, tefilin e afins.

Deus, o Pai

Em muitas religiões, dá-se o título e as atribuições de Pai ao Deus supremo. No judaísmo, Deus é chamado Pai porque é o criador, o governador e o protetor. O cristianismo herdou esta concepção, dando ênfase à relação Pai-Filho revelada em Jesus Cristo.

Deus, como Primeira Pessoa da Trindade, é agente responsável pela Criação do Universo, mas a Bíblia diz que Ele não é o único, também tiveram parte o Divino Espírito Santo (Gênesis 1,2) e Cristo Jesus (João 1,1), os Três criando assim, por dizer, os reinos vegetal e animal. O segundo, tanto racional como irracional. Por ser o Primeiro, Ele é o Detentor de toda a Criação, e atualmente reina sobre toda ela, tendo participação (principalmente) na criação humana: "Façamos o homem à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança" (Gn 1,26).

Feminismo judaico

Feminismo judaico é um movimento que visa melhorar o cenário religioso, jurídico e social das mulheres dentro do judaísmo e abrir novas oportunidades para a experiência religiosa e a liderança para mulheres judias. Os movimentos feministas, com abordagens diferentes, abriram-se em todos os principais ramos do judaísmo. O feminismo judaico variou seu posicionamento político ao longo da história, deixando de ser uma doutrina de esquerda para se tornar nacionalista.Na sua forma moderna, o movimento feminista judaico pode ser rastreado até o início dos anos 1970 nos Estados Unidos. De acordo com a professora Judith Plaskow, que se concentrou na presença do feminismo no judaísmo reformista, as principais dificuldades das primeiras feministas judias eram a exclusão do grupo de oração conhecidos como minian, a impossibilidade das mulheres serem testemunhas e de pedir o divórcio.Segundo o historiadora Paula Hyman, dois artigos publicados na década de 1970 sobre o papel da mulher no judaísmo foram particularmente influentes: The Unfreedom of Jewish Women, publicado em 1970 no Jewish Spectator pelo sua editora, Trude Weiss-Rosmarin, que critica o tratamento das mulheres na lei judaica, e um artigo de Rachel Adler, chamado de The Jew Who Wasn't There: Halacha and the Jewish Woman, publicado em 1971 na Davka, uma revista contracultural.

Halacá

Halacá (הֲלָכָה‎; transl.: ălāḵā) ( /həˈlʌχə/) ( /həˈlɑːˈχɑː/) ou Halakah; Halachah (Halachá); Halacha (Halaca), no hebraico Sefardita ( /hɑlɑˈxɔt/); hebraico Asquenazi ( /hɑlɔˈxoʊs/) ou no plural (Halakot ou Halachot; Halacot; Halachots ou Halacas) é um substantivo derivado do radical Halak (הָלַך; transl.: álac - ir, andar), é conhecida por Lei judaica (mas, em uma tradução mais literal tem o significado de caminho).Na Torá, a vida boa é frequentemente mencionada como a maneira pela qual o Homem deve "ir", por exemplo Êxodo 18:20-'mostra-lhes o caminho para onde devem ir e a obra que devem fazer'.

Num sentido específico a palavra álacá é empregada, em contraposição à 'aggadá (material não-legal da literatura rabbínica), sendo assim referente a orientação, hábito, costume, modo de agir; práticas (que engloba o pessoal, social, nacional, relações exteriores e todas as observâncias) do judaísmo.Originalmente esse termo era empregado em uma decisão (lei), em particular num dado exemplo como na expressão "no Sinai" (halakhah le-mshá mi-sinai*). Com o uso continuo dessa referência o termo Halacá tornou-se genérico para todo o sistema legal de leis e observâncias no judaísmo. Às vezes é empregada pelos rabinos como "tradição", como por exemplo, quando diziam: "se isso é halacá (ou seja, tradição) nós acataremos, mas se for um din (ou seja, argumento) questionaremos.Uma apresentação ordenada, tópica da tradição rabbínica aparece em Mishná Torá (Repetição da lei) por Maimônides (também conhecido como o rabino Moshe ben Maimon, ou Rambam, 1135 - 1204). E o guia essencial para os mandamentos a serem seguidos na vida diária é o Shulkhan Arukh (Mesa preparada) por Yosef Karo (1488 - 1575).

Nas obras modernas também ocorre o termo "midrash halacá", cobrindo interpretações, discussões e controvérsias relacionadas com a parte legal do Escrituras.

História judaica

A história judaica é a história do povo, religião e cultura judaicos. Como boa parte da história antiga dos judeus baseia-se na tradição judaica não é possível determinar-se a veracidade das datas ou dos eventos que geralmente são apresentados sob ponto de vista judaico. Quando outras fontes extra-judaicas apresentam suas versões, também a inserimos para efeito de estudo e comparação.

Judaísmo chassídico

O judaísmo chassídico, chassidismo, judaísmo hassídico ou hassidismo (do hebraico חסידים, Chasidut para os sefardim; Chasidus para os asquenazes: "piedosos" ou "devotos") é um movimento surgido no interior do judaísmo ortodoxo que promove a espiritualidade, através da popularização e internalização do misticismo judaico, como um aspecto fundamental da fé judaica. Essa vertente não deixou de existir ao longo de praticamente toda a história judaica. Hoje, no entanto, o uso do termo "chassidismo" ou "hassidismo" que é aplicado se restringe à tendência desenvolvida na primeira metade do século XVIII, na Europa Oriental - com o rabino Israel Ben Eliezer, mais conhecido como Baal Shem Tov - em reação ao judaísmo legalista ou talmúdico, mais intelectualizado.

Atribuem-se ao Baal Shem Tov o poder da cura e vários milagres, sobretudo no confronto com espíritos malignos, os quais ele teria vencido usando como arma a fé e a alegria de viver. O rabino ia de aldeia em aldeia levando o alívio aos doentes e divulgando seus ensinamentos. Afinal reuniu seus seguidores em torno de um corpo doutrinário sistematizado, constituindo o hassidismo como uma disciplina de natureza religiosa.

O elemento central do hassidismo é a devekut, isto é, a união mística com Deus - uma metodologia espiritual que tem como meta libertar o ser humano dos reveses da vida terrena. Seus discípulos pregam que o Homem tem o poder de se desligar dos bens materiais e de tudo o que está relacionado ao mundo, por meio da prece meditativa, o daven, o qual pode conectar o indivíduo a Deus. O Baal Shem Tov admite a Shekhiná, ou seja, a presença divina em cada vida, como uma prova da compaixão divina pelo ser humano e por todas as suas criaturas.

Por outro lado, uma das lideranças mais significativas do hassidismo no século XIX, Menahem Mendel de Kotzk, representa a polaridade oposta, pois destaca a revolta diante das imperfeições do Homem e de seus sofrimentos. Sua ira o conduz ao conceito do tikun olam, a redenção do Cosmos.

As ideias opostas destes dois ícones do movimento hassídico imprimem nesta corrente a piedade alegre e compadecida, de um lado, e a busca implacável da justiça austera, do outro. O hassid, seguidor dessa esfera mística, está constantemente imbuído da presença do Criador, pois se encontra quase sempre em estado de meditação, a qual não traz em si apenas os típicos lamentos judeus, mas igualmente as melodias que se repetem por um longo tempo e a coreografia hassídica.

A comunidade judaica se beneficiou amplamente do hassidismo, uma vez que ele provocou uma reestruturação extrema da sociedade judaica, reforçando o senso comunitário com base no conceito de uma vivência mística na vida cotidiana. A doutrina hassídica é um tanto complexa, pois se fundamenta no panenteísmo, segundo o qual Deus é a existência de fato, a essência de tudo que há. Em sua versão mais radical, afirma que nada existe a não ser o Criador, e tudo o mais é ilusão.

Não se deve confundir o panenteísmo com o panteísmo, movimento que prega a imanência divina ao Universo e à natureza. Na concepção panenteísta, Deus se revela em cada evento universal, constituindo a realidade última, a única existência consistente. O mundo estaria encoberto por um manto que, uma vez removido, manifestaria tão somente a presença do Criador. Assim sendo, Ele está no interior de cada ser, mas também transcende a criatura, a qual nada mais seria que uma dissimulação do Ser Divino. Portanto, a Divindade atua como uma conexão entre todos os seres, os quais estão interligados em uma alteridade consagrada.

Desta forma, todos podem ser recuperados e alteados, aprimorados de tal forma que podem, assim, voltar ao seio divino. Cada indivíduo tem como papel principal na existência promover esse resgate do outro. Eis porque o hassid não acredita no mal e o vê apenas como uma máscara deturpada do que ainda não foi salvo.

Judaísmo conservador

Judaísmo conservador ou Conservativo é o segundo maior movimentos judaicos nos EUA. com adesão à Torá e Talmud, mas, flexivo em relação a tempos e circunstância, quando comparado com movimento judaico reformista, é considerado tradicional sem fundamentalismo. Esse nome utilizado primariamente nos Estados Unidos da América e no Canadá, sendo conhecido em outros países, incluindo o Brasil, Reino Unido e Israel, como Movimento Masorti, é norteado por princípios, são eles:

O estudo da Torá, no sentido mais amplo, e a transmissão de seus princípios de geração em geração;

A unidade do povo judeu, fomentando os laços entre judeus onde quer que vivam;

A centralidade da sinagoga na vida do povo judeu;

A importância de manter uma prática judaica comprometida com a Halachá e as Mitzvot, mas ao mesmo tempo dinâmica, refletindo o amor pela tradição e abraçando a modernidade e os aspectos positivos da mudança;

A centralidade de Medinat Israel junto com o conhecimento e o uso da língua hebraica na vida do povo judeu,

Os valores de igualdade, pluralismo e democracia no desenvolvimento da tradição judaica.

Judaísmo e cristianismo

Comparação entre judaísmo e cristianismo.

Judaísmo humanístico

Judaísmo humanístico (em hebraico: יהדות הומניסטית ,Yahdut Humanistit) é um movimento judaico que oferece uma alternativa não-teísta na vida judaica contemporânea. Ele define o judaísmo como a experiência cultural e histórica do povo judeu e encoraja judeus humanistas seculares a celebrarem sua identidade judaica através da participação em festas judaicas e eventos de ciclo de vida (como casamentos, bar e bat mitzvahs) com cerimônias inspiradas que se apoiam, mas vão para além da literatura tradicional.

Sua fundação filosófica inclui as seguintes ideias:

Um judeu é alguém que se identifica com a história, cultura, e o futuro do povo judeu;

Judaísmo é a cultura histórica do povo judeu, e a religião é apenas uma parte dessa cultura;

A identidade judaica está melhor preservada em um ambiente livre, pluralista;

As pessoas têm o poder e a responsabilidade de moldar suas próprias vidas independentes da autoridade sobrenatural;

Ética e moral deve servir as necessidades humanas, e as escolhas devem ser baseadas em consideração as conseqüências das ações ao invés de regras ou mandamentos pré-ordenados;

História judaica, como toda a história, é uma saga humana, uma prova da importância do poder humano e da responsabilidade humana. Textos tradicionais bíblicos e outros são os produtos da atividade humana e são mais bem compreendidas pela arqueologia e outras análises científicas.

A liberdade e dignidade do povo judeu deve ir de mãos dadas com a liberdade e a dignidade de cada ser humano.

Judaísmo messiânico

O auto-intitulado "Judaísmo Messiânico" é o nome pelo qual é conhecido a vertente que crê em Yeshua (Jesus).

São comunidades religiosas formadas por não judeus, descendentes de judeus e judeus que tem por característica principal a crença em Yeshua (Jesus), como o Mashiach (Messias) prometido ao povo judeu. Como não há uma organização que centralize essas comunidades, comumente acontecem divergências de opiniões que acabam por fazer com que isolem-se uma das outras. Não possuem nenhum vinculo com o Estado de Israel, e nenhuma ligação com as Associações, Federações ou Confederações Israelitas porque de fato, não são judeus.

Os auto-intitulados "rabinos messiânicos" não tem formação rabínica, tampouco passam por um Beit Din (Tribunal Rabínico). Os judeus messiânicos tem uma visão mais liberal do que os judeus ortodoxos. Ao contrário do judaísmo ortodoxo e Judaismo Conservador, que só aceita judeus filhos de mães judias, no judaísmo messiânico aceita qualquer pessoa que esteja disposta.. No entanto, salvo exceções de algumas comunidades, os judeus messiânicos guardam algumas mitzvot de Israel, as 613 mitzvot (obviamente, aqueles que são passíveis de serem cumpridos atualmente), observando as festas tradicionais e a Kashrut, professam os treze princípios da fé judaica, formulados por Maimônides, no século XII, podem também atender ao Tzahal (quando vivendo em Israel).Pode-se distinguir dois tipos de messianismo deste tipo:

Nos primeiros séculos na seita dos nazarenos, conforme o Livro de Atos, e na dos ebionitas, mais posteriormente, eram onde se concentravam a maioria dos judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias. Os Ebionitas, diferentemente dos Nazarenos, não criam na divindade de Jesus. Criam que os gentios (não judeus) que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas. Porém, a entrada cada vez maior de prosélitos de origem não judaica acabou por desencadear o processo que separaria de vez a seita dos nazarenos do judaísmo, separação esta concretizada definitivamente com o Primeiro Concílio de Niceia (325).

O moderno judaísmo messiânico é um movimento surgido no século XX nos Estados Unidos, originado do hebreu-cristianismo nascido na Inglaterra no século XIX. A grande maioria dos modernos judeus messiânicos aceita as diversas tradições do judaísmo, julgando-as, no entanto, incompletas em seu significado, de certa maneira. O significado completo, segundo eles, só pode ser obtido a partir do entendimento e aceitação de Jesus como sendo o Messias.O judaísmo em geral rejeita o judaísmo messiânico/nazareno como sendo um ramo do judaísmo - muito embora, em sua origem no século I, tenha sido considerado como tal. Visto que são comunidades originadas por judeus com o propósito de agregar gentios à visão judaica, formando assim um só corpo, entre judeus e gentios crentes em Yeshua, - como por exemplo a organização Ministério Ensinando de Sião a CINA Congregação Israelita da Nova Aliança e diversas outras comunidades existentes tanto no Brasil quanto no restante do mundo, até mesmo em Israel, onde essas comunidades estão ganhando cada vez mais força-, os convertidos ao judaísmo messiânico, não usufruem da Aliá (Lei de Retorno). A posição oficial do Estado de Israel atualmente reconhece para a Lei do Retorno apenas judeus que possam comprovar sua ascendência judaica.

Judaísmo no Brasil

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados no Censo de 2010, havia nesse ano 107.329 judeus no Brasil, a segunda maior comunidade judaica da América Latina (atrás apenas da Argentina) e a 11ª no mundo.A imigração judaica no Brasil foi um movimento migratório que teve início com a colonização do Brasil, quando judeus sefarditas e cristãos-novos se estabeleceram na colônia. Nos séculos XIX e XX, a imigração de judeus para o Brasil aumentou, e era composta sobretudo por judeus asquenazes do leste europeu.

Mais de 100 mil pessoas são de religião judaica no Brasil, mas o número de descendentes que não praticam mais o judaísmo é incerto. Segundo pesquisa de 1999, do sociólogo Simon Schwartzman, 0,2% dos brasileiros entrevistados afirmaram ter ancestralidade judaica, percentual que, numa população de cerca de 200 milhões de brasileiros, representaria cerca de 400 mil pessoas.

Judaísmo ortodoxo

O judaísmo ortodoxo é um dos três grandes ramos do judaísmo, uma vertente que se caracteriza pela observação relativamente rigorosa dos costumes e rituais em sua forma mais primitiva e tradicional, segundo as regras estabelecidas pela Torá e pelo Talmud, e imediatamente desenvolvido e aplicado pelas autoridades posteriores conhecidas como Gueonim, Rishonim e Arraronim. Geralmente o Judaísmo Ortodoxo consiste em duas vertentes diferentes, a Ortodoxa Moderna e a Ultra Ortodoxa.

Os ortodoxos representam cerca de 15% da comunidade internacional.

Os ortodoxos defendem os hábitos tradicionais. Defendem posições religiosas e políticas radicais como não reconhecer sinagogas e rabinos não ortodoxos.

Judaísmo reformista

Judaísmo reformista (também chamado judaísmo reformado, judaísmo liberal ou judaísmo progressista) é um movimento surgido na Alemanha dentro do judaísmo que defende a introdução de novos conceitos e ideias nas práticas judaicas, com o fim de adaptá-las ao momento atual.Para o judaísmo reformista, é contraproducente separar judeus de não judeus, encontrado-se seu objetivo comum na espiritualização de toda a Humanidade, independentemente de crenças, nações ou etnias.

Destaca-se, portanto neste movimento a tolerância, a autonomia individual, a flexibilidade nos modos comportamentais (como vestimentas) e uma maior igualdade de gênero.

Judeus

Um judeu (em hebraico: ְהוּדִי; transl.: Yehudi; no singular; יְהוּדִים, Yehudim, no plural; em ladino: ג׳ודיו, Djudio, sing.; ג׳ודיוס, Djudios, pl.; em iídiche: ייִד, Yid, sing.; ייִדן, Yidn, pl.) é um membro do grupo étnico e religioso originado nas Tribos de Israel ou hebreus do Antigo Oriente. O grupo étnico e a religião judaica, a fé tradicional da nação judia, são fortemente inter-relacionados, sendo que as pessoas convertidas ao judaísmo são incluídas neste grupo, enquanto judeus convertidos para outras religiões são excluídos deste conceito.

Os judeus ao longo dos séculos foram alvo de uma longa história de perseguições em várias terras, resultando numa população que teve frequentemente sua distribuição demográfica alterada ao longo dos séculos. A maioria das autoridades coloca o número de judeus entre 12 e 14 milhões, representando 0,2% da atual população mundial estimada. De acordo com a Agência Judia para Israel, no ano de 2007 havia 13,2 milhões de judeus mundialmente; 5,4 milhões (40,9%) em Israel, 5,3 milhões (40,2%) nos Estados Unidos, e o resto distribuído em comunidades de vários tamanhos no mundo inteiro. Esses números incluem todos aqueles que se consideram judeus se afiliados ou não e, com a exceção da população judia de Israel, não inclui aqueles que não se consideram judeus ou que não são judeus por halachá. A população total mundial judia, entretanto, é difícil de medir. Além das considerações haláhicas, há fatores seculares, políticos e identificações ancestrais definindo quem é judeu e que aumentam o quadro consideravelmente. Mais precisamente, segundo os censos divulgados nas enciclopédias Britannica e Mirador (Barsa) (edições 1957, 1960, 1967), logo após a segunda grande guerra, de sua totalidade, restaram apenas 200.000 indivíduos.

Rabino

Rabino ou rabi (do hebraico clássico: רִבִּי, ribbī; no hebraico moderno: רַבִּי, rabbī), dentro do judaísmo, significa " professor, mestre " ou literalmente "grande". A palavra "Rabbi" ("Meu Mestre") deriva da raiz hebraica Rav, que no hebraico bíblico significa "grande" ou "distinto" (em conhecimento).

No judaísmo Rabino é um título usado para distinguir aquele que ensina, aquele que tem a autoridade dos doutores da Torá ou aquele apontado pelos líderes religiosos da comunidade. Hoje os rabinos são os responsáveis pelo ensino e aplicação dos ensinamentos do judaísmo. Ao contrário de outras religiões, o rabino não é um sacerdote, não sendo estritamente necessário para a realização da maioria dos atos do ciclo de vida judaico, como o casamento, bar-mitzvá, sepultamentos e outros. Os únicos atos que exigem a participação de um rabino são o get (divórcio), conversões e litígios que exijam a decisão de um tribunal rabínico.

No entanto, em nossos dias, em grande parte pela laicização da comunidade judaica, os rabinos assumiram o papel de condutores da maior parte das cerimônias religiosas. Ainda assim, no judaísmo clássico pré-diáspora há a figura dos "representantes de Deus" - a classe sacerdotal - pessoas com um contato especial com a divindade.

Sobre o exercício do sacerdócio no judaísmo pré-rabínico, veja Cohanim.

Religiões abraâmicas

Religiões abraâmicas são as religiões monoteístas cuja origem comum é reconhecida em Abraão ou o reconhecimento de uma tradição espiritual identificada com ele. Essa é uma das três divisões principais em religião comparada, junto com as religiões indianas (Darma) e as religiões da Ásia Oriental.

As três principais religiões abraâmicas são, em ordem cronológica de fundação, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. O judaísmo considera-se como a religião dos descendentes de Jacó, um neto de Abraão. Ele tem uma visão estritamente unitária de Deus e o seu livro sagrado central para quase todos os ramos é a Bíblia Hebraica, como elucidado na lei oral. O cristianismo começou como uma seita do judaísmo no século I d.C. e evoluiu para uma religião separada, a Igreja Cristã, com crenças e práticas distintas. Jesus é a figura central do cristianismo, considerado por quase todas as denominações como de origem divina, tipicamente como a personificação de um Deus Trino. A Bíblia Cristã é geralmente considerada a autoridade máxima, juntamente com a Sagrada Tradição em algumas denominações apostólicas, tais como o protestantismo, o catolicismo romano e a ortodoxia oriental. O islã surgiu na Arábia no século VII d.C., com uma visão estritamente unitária de Deus. Os muçulmanos (seguidores do islã) tipicamente apontam o Alcorão como a autoridade máxima de sua religião, como revelado e esclarecido através dos ensinamentos e práticas de um central, mas não divino, profeta, Maomé. A fé muçulmana abarcou elementos tanto do Judaísmo quanto do Cristianismo, mas nunca foi considerado uma ramificação de nenhum deles. Fora destas três religiões bem conhecidas, há uma série de entes relativamente menores, como a Fé Bahá'í e os drusos, ambos originalmente ramificações do islamismo xiita.

As três principais religiões abraâmicas têm certas semelhanças. Todas são monoteístas e concebem Deus como uma figura de um criador transcendente e a fonte da lei moral, e as características de suas narrativas sagradas partilham muitos dos mesmos valores, histórias e lugares, embora muitas vezes apresente-os com diferentes funções, perspectivas e significados. Elas também têm muitas diferenças internas com base em detalhes de doutrina e prática. O cristianismo é dividido em três ramos principais (católico, ortodoxo e protestante), além de dezenas de denominações significativas e pequenas. O islã tem dois ramos principais (sunitas e xiitas), cada uma tendo várias denominações. O judaísmo também tem um pequeno número de denominações, das quais as mais significativas são os ortodoxos, conservadores e reformistas. Às vezes e em vários locais as diferentes religiões, e alguns dos ramos dentro da mesma religião básica, têm estado em um conflito amargo com o outro na medida de guerra e derramamento de sangue.

No início do século XXI havia 3,8 bilhões de seguidores das três principais religiões abraâmicas e estima-se que 54% da população mundial se considere adepta de uma dessas religiões, cerca de 30% de outras religiões e 16% é não religiosa.

Sacerdote

Sacerdote (do latim Sacerdos – sagrado; e otis – representante, portando "representante do sagrado") é uma autoridade ou ministro religioso, habilitado para dirigir ou participar em rituais sagrados de uma religião em particular. Eles também têm a autoridade ou o poder de administrar os ritos religiosos, em especial, os ritos de sacrifício e expiação de uma divindade ou divindades. Seu cargo ou posição é chamado de Sacerdócio, um termo que pode também se aplicar a essas pessoas coletivamente.

Sacerdotes são conhecidos desde os primórdios dos tempos e mesmo em sociedades mais primitivas. Eles existem em todos ou alguns ramos do judaísmo, cristianismo, xintoísmo, hinduísmo, e muitas outras religiões, como também, são geralmente considerados como tendo um bom contato com a divindade ou divindades da religião e muitas vezes os outros crentes pedem conselhos sobre questões espirituais a eles.

Em muitas religiões, o ofício de sacerdote é um trabalho de tempo integral, exigindo total dedicação. Em outros casos, no entanto, é um trabalho ocasional. Por exemplo, no início da história da Islândia, os chefes eram também goði, uma palavra equivalente a "sacerdote". Mas, como visto na saga de Hrafnkell, o trabalho de um sacerdote consistia apenas de oferecer sacrifícios periódicos para deuses e deusas do Norte, não sendo um trabalho de tempo integral, nem envolvendo ordenação.

Sinagoga

Sinagoga ou esnoga (do grego antigo συναγωγή, transl. synagoguē: 'assembleia', 'reunião') é o local de culto da religião judaica. Tem como objeto central a Arca da Torá. Os serviços religiosos da sinagoga são realizados todos os dias, desde que se forme um quórum, sendo que algumas vezes o culto envolve leituras da Torá, cujos rolos são retirados da Arca (heikhal) e transportados até o púlpito (Tebá).

Yeshivá

Yeshivá (do hebraico ישיבה, "assento (subst.)" pl. yeshivot, em português: Jessibá), é o nome dado às instituições que incidem sobre o estudo de textos religiosos tradicionais , principalmente o Talmud e a Torá. O estudo geralmente é feito através de shiurim diária (palestras ou aulas) e em pares de estudo chamados chavrutas (aramaico para "amizade" ou "companhia"). O estilo de aprendizagem Chavruta é uma das características únicas da yeshiva.

Nos Estados Unidos e Israel, os diferentes níveis de ensino yeshiva tem nomes diferentes. Nos Estados Unidos, os alunos da escola primária estão matriculados em uma yeshiva, pós-Bar Mitzvah - estudantes de idade ginasial em um mesivta , e estudantes de nível de graduação estudam em um Beit midrash ou gedola yeshiva ( em hebraico: ישיבה גדולה , lit. "grande yeshiva" ou "grande yeshiva"). Em Israel, os alunos da escola primária estão matriculados em uma Talmud Torá ou cheder, pós-bar mitzvah em um Ketana yeshiva (em hebraico: ישיבה קטנה, lit. "pequena yeshiva"), e em nível superior estudam em uma yeshiva gedola.As yeshivot geralmente são instituições judaicas ortodoxas, e geralmente abrigam rapazes ou homens. A instituição equivalente para mulheres é a midrashá, embora o termo yeshivá possa ser usado também para uma instituição.

Uma yeshivá com um enfoque para estudo independente e que fornece sustento para estudantes do sexo masculino casados é conhecida como kolel.

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