Jesus histórico

O termo Jesus histórico refere-se a uma tentativa de reconstruções acadêmica do século I da figura de Jesus de Nazaré[1]. Estas reconstruções são baseadas em métodos históricos, incluindo a análise crítica dos evangelhos canônicos como a principal fonte para sua biografia, juntamente com a consideração do contexto histórico e cultural em que Jesus viveu[2].

A pesquisa sobre o Jesus histórico teve início no século XVIII e se desenvolveu, até os nossos dias, em três ondas, preocupadas em reconstruir os fatos históricos e a pessoa humana de Jesus, que ficavam como que escondidos atrás das afirmações dogmáticas e de fé das Igrejas.

Tal busca teve como premissa uma mentalidade racionalística, que acredita poder reconstruir a verdade histórica relacionada a Jesus por meio da razão, e foi impulsionada pela descoberta da estratificação e fragmentação dos textos bíblicos e sua consequente classificação. Um aspecto fundamental dessa busca é tentar inserir Jesus no contexto histórico-sociocultural do judaísmo do século I na Palestina, por meio do estudo de fontes canônicas, apócrifas e pseudepigráficas que lançaram novas luzes sobre a complexidade da religião e da sociedade judaica daquela época.

A busca pelo Jesus histórico se apoia na literatura bíblica e extra-bíblica do século I; nas descobertas arqueológicas; nos estudos sociológicos e historiográficos; para reconstruir e entender o contexto histórico, sociológico e religioso do tempo de Jesus, tentando entender e imaginar o impacto de sua pessoa e de sua mensagem dentro deste mesmo contexto, portanto, parte-se do pressuposto que Jesus deve ser lido dentro do contexto da Galileia daquela época[3].

Visão geral

Acredita-se que o Jesus histórico:

  1. foi um homem que viveu na Galileia na primeira metade do século I, que era filho de um carpinteiro, que provavelmente tinha outros irmãos (Mt 13,55);
  2. provavelmente foi um dos discípulos de João Batista, que o batizou;
  3. por um período menor que um ano como rabi na região do Mar da Galiléia até a sua crucificação, que provavelmente ocorreu na Páscoa do ano 30 por motivos políticos (conflito com a elite local ligada ao Templo de Jerusalém)[3];
  4. realizou pelo menos uma peregrinação a Jerusalém - então parte da província romana da Judeia - durante o tempo da expectativa messiânica e apocalíptica no final do Segundo Templo Judaico[4][5];
  5. foi um profeta e um professor de ética autônoma[6], que contava parábolas, muitas delas sobre a vinda de um Reino de Deus[7].

Alguns estudiosos creditam as declarações apocalípticas dos Evangelhos a Jesus, enquanto outros retratam o seu Reino de Deus como moral, e não de natureza apocalíptica[8]. Durante um tempo, Ele enviou seus apóstolos a fim curar as pessoas e pregarem sobre o Reino de Deus[9]. Mais tarde, Jesus viajou para Jerusalém, onde causou uma perturbação no Templo[4]. Era a época da Páscoa, quando as tensões políticas e religiosas eram altas em Jerusalém[4]. Os Evangelhos dizem que os guardas do templo (acredita-se serem saduceus) prenderam-no e entregaram-no ao governador romano Pôncio Pilatos para execução. O movimento inaugurado por Jesus sobreviveu à sua morte, sendo liderado por seu irmão Tiago, o Justo e pelos apóstolos que passaram a proclamar que Jesus havia ressuscitado[10]. Pouco depois, os seguidores de Jesus se dividiram do judaísmo rabínico, dando origem ao que conhecemos como cristianismo primitivo.

A busca pelo Jesus histórico parte do pressuposto que o Novo Testamento não dá necessariamente uma imagem histórica precisa da vida de Jesus. Nesse contexto, a descrição bíblica de Jesus é conhecida como a do Cristo da Fé[11]. Dessa forma, o Jesus histórico é baseado em materiais históricos antigos que podem falar alguma coisa sobre sua vida, como os fragmentos dos Evangelhos. A finalidade da pesquisa sobre o Jesus histórico é examinar as evidências a partir de fontes diversas, tratando-as criticamente e em conjunto para criar uma imagem composta de Jesus[12][13]. Para alguns, o uso do termo Jesus histórico implica que o Jesus reconstruído será diferente do que se apresentou no ensino dos concílios ecumênicos (o Cristo dogmático)[14]. Outros estudiosos afirmam que não há nenhuma contradição entre o Jesus histórico e o Cristo retratado no Novo Testamento[15][16][17].

História

Ao longo dos últimos 150 anos, alguns historiadores e estudiosos bíblicos como Albert Schweitzer, com seu trabalho revolucionário Von Reimarus zu Wrede (The Quest of the Historical Jesus) [18] em 1906, ou os participantes do controverso Jesus Seminar, têm feito progressos na busca do Jesus Histórico, examinando provas de diversas fontes a fim de trazê-las em conjunto para que se possa elaborar uma reconstrução completa de Jesus.[carece de fontes?]

Millais - Christus im Hause seiner Eltern
Cristo na casa de seus pais, por John Everett Millais, 1850. Uma série de pinturas da Irmandade Pré-Rafaelita reflete o interesse do século XIX na realidade histórica da vida de Jesus

O uso do termo do Jesus Histórico implica que sua reconstrução será diferente daquela apresentada no ensino do Cristo da Fé pelo Cristianismo. Assim, a montagem do Jesus Histórico às vezes difere dos judeus, cristãos, muçulmanos ou crenças hindus.

Em geral, esses estudiosos argumentam que o Jesus histórico foi um judeu da Galileia que viveu numa época de expectativas messiânicas e apocalípticas. Ele foi batizado por João Batista e, depois que João foi executado, começou a sua própria pregação na Galileia. Jesus pregava a salvação, a vida eterna, a purificação dos pecados, a vinda do Reino de Deus, usando parábolas como imagens surpreendentes. Além disso, ele era conhecido como um professor e um homem que realizava milagres. Muitos estudiosos creditam as declarações apocalípticas dos Evangelhos a Jesus, enquanto outros defendem que o seu Reino de Deus era moral, e não de natureza apocalíptica.

A busca pelo Jesus histórico iniciou-se com o trabalho de Hermann Samuel Reimarus no século XVIII. Dois livros, ambos chamados "A Vida de Jesus", foram escritos por David Friedrich Strauss e publicados em alemão em 1835-1836. Ernest Renan publicou um livro em francês no ano de 1863. O Jesus histórico é conceptualmente diferente do Cristo da fé. Para os historiadores o primeiro é físico, enquanto o último é metafísico. O Jesus histórico é baseado em evidências históricas. Cada vez que um rolo de papel novo é descoberto ou fragmentos de um novo Evangelho são encontrados, o Jesus histórico é modificado.

Método

Codex Vaticanus B, 2Thess. 3,11-18, Hebr. 1,1-2,2
Página do Codex Vaticanus. Os evangelhos canônicos são a principal fonte de informação sobre o Jesus histórico

Acredita-se que o Jesus histórico tenha sido uma figura real que deva ser entendida no contexto de sua própria vida, na província romana da Judeia do século I, e não o Cristo da doutrina cristã de séculos mais tarde[19]. A pesquisa histórica reconstrói Jesus em relação aos seus contemporâneos do primeiro século, enquanto as interpretações teológicas relacionam Jesus com aqueles que se reúnem em seu nome. Assim, o historiador interpretaria o passado enquanto o teólogo interpretaria a tradição cristã[20]. No entanto, quando se considera o estado fragmentário das fontes e a natureza muitas vezes indireta dos argumentos utilizados, esse Jesus histórico será sempre um constructor científico, uma abstração teórica que não coincide, nem pode coincidir, com o Jesus de Nazaré que supostamente viveu e trabalhou na Palestina no século I de nossa era[19]. Os historiadores[21] e estudiosos da Bíblia analisam os Evangelhos canônicos[22], o Talmud, o Evangelho segundo os hebreus, os Evangelhos Gnósticos, os escritos de Flávio Josefo, os Manuscritos do Mar Morto[23], entre outros documentos antigos a fim de encontrar o Jesus histórico. Uma série de métodos foram desenvolvidos para analisar criticamente essas fontes:

  • Fontes mais antigas: muitos historiadores preferem as fontes mais antigas sobre Jesus, desconsiderando, como regra geral, as fontes que foram escritas mais de um século após sua morte[24]
  • Critério do constrangimento: enfoca atos ou palavras de Jesus que poderiam ter constrangido ou criado dificuldades para a igreja primitiva ou para o autor do evangelho. Por exemplo, se a crucificação foi motivo de embaraço para os primeiros cristãos, seria bastante improvável que os evangelhos afirmassem que Jesus havia sido crucificado, a menos que ele realmente tenha sido crucificado[25].
  • Atestação Múltipla: quando duas ou mais fontes independentes contam histórias semelhantes ou consistente. Esse critério faz bastante uso dos caso de relatos orais anteriores às fontes escritas. A atestação múltipla não é o mesmo que a atestação independente. Se um relato utilizou outro relato como fonte, então essa história estará presente em todos os relatos, mas com apenas uma fonte independente. O ponto de vista dominante é que o relato de Marcos foi usado como fonte de Mateus e Lucas[24][26].
  • Contexto histórico: a fonte é mais credível se relato fizer sentido dentro do contexto e da cultura em que o fato possivelmente aconteceu[27][28]. Por exemplo, alguns ditos da língua copta do Evangelho de Tomé fazem sentido dentro de um contexto gnóstico do século II, mas não no contexto do século I cristãos, uma vez que o gnosticismo apareceu no segundo século.
  • Análise linguística: há algumas conclusões que podem ser extraídas da análise linguística dos Evangelhos. Por exemplo, se um diálogo só faz sentido em grego, é possível que ele tenha sido redigido e que o texto seja de certa forma diferente do original aramaico. Alguns consideram, por exemplo, o diálogo entre Jesus e Nicodemos no capítulo 3 de João como algo que só faz sentido em grego, mas não em aramaico. De acordo com Bart Ehrman, este critério é incluído na análise de credibilidade contextual, porque ele acredita que Jesus e Nicodemos estavam falando em aramaico.
  • Objetivo do autor: este critério é o outro lado do critério de dissimilaridade. Quando o material apresentado serve aos propósitos do autor ou do editor, ele é suspeito[29]. Várias seções nas narrativas do Evangelho, como o Massacre dos Inocentes por exemplo, retratam a vida de Jesus como o cumprimento de profecias do Antigo Testamento. Na visão de alguns estudiosos, isso pode apenas refletir o objetivos literário do autor, e não acontecimentos históricos.

As pesquisas contemporâneas do Jesus histórico geralmente levam o critério histórico de plausibilidade como sua base, em vez de o critério de dissimilaridade. As narrativas, portanto, que se encaixam no contexto judaico e dão sentido a ascensão do cristianismo podem ser históricas.

Documentos sobre o Jesus histórico

Existem cinco documentos falando da pessoa de Jesus direta ou indiretamente, como é o caso de Públio Cornélio Tácito, Flávio Josefo, Plínio, o Jovem e outros.

Uma boa referência do Jesus histórico foi escrita por Tácito no Analles, conforme ele cita abaixo:

Por conseguinte, para se livrar do relatório, Nero colocou a culpa e infligiu as mais requintadas torturas em uma classe odiada por suas abominações, chamados cristãos pela população. "Christus", de quem o nome teve sua origem, sofreu a penalidade extrema durante o reinado de Tibério às mãos de um de nossos procuradores, Pontius Pilatus, e uma superstição mais perniciosa, portanto, marcada para o momento, mais uma vez surgiu não só na Judeia, a primeira fonte do mal, mas mesmo Roma, onde todas as coisas horríveis e vergonhosas de toda parte do mundo encontram o seu centro e se tornam populares. Assim, a prisão pela primeira vez feita de todos os que se declararam culpados, em seguida, sobre as suas informações, uma imensa multidão foi condenada, não tanto do crime de incendiar a cidade, mas como de ódio contra a humanidade. [30]

Ver também

Referências

  1. D. G. Dunn. Jesus Remembered. Vol. 1 of Christianity in the Making. Eerdmans Publishing, 2003 (p. 125-127);
  2. Bart D. Ehrman. The New Testament: A Historical Introduction to the Early Christian Writings. New York: Oxford University Press, 2003;
  3. a b A BUSCA PELAS PALAVRAS E ATOS DE JESUS: O JESUS SEMINAR Arquivado em 22 de dezembro de 2015, no Wayback Machine., acesso em 27 de abril de 2013
  4. a b c Sanders, EP. The historical figure of Jesus. Penguin, 1993;
  5. John Dickson. Jesus: A Short Life. Lion Hudson, 2009 (p. 138-9);
  6. Jesus Christ. In: Encyclopædia Britannica Online, 2011;
  7. Robert Funk, Roy Hoover e Jesus Seminar. The five gospels. Harper: SanFrancisco, 1993 (Introduction, p. 1-30);
  8. Theissen, Gerd e Annette Merz. The historical Jesus: a comprehensive guide. Fortress Press, 1998;
  9. John Dominic Crossan. The essential Jesus. Edison: Castle Books, 1998;
  10. E.P. Sanders. The Historical Figure of Jesus. p.280;
  11. Trata-se do Jesus da teologia dogmática, ou seja, o Jesus das afirmações dogmáticas da Igreja, sobretudo aquelas definidas nos quatro primeiros Concílios (de Niceia em 325, de Constantinopla em 381, de Eféso em 431 e da Calcedônia em 451) que definiram os elementos fundamentais da cristologia, trata-se de um Jesus que seria diferente do Jesus Histórico, e que é a base da unidade da fé das Igrejas que a ele se referem. É o Jesus considerado o Filho de Deus, o Senhor da História, o Salvador, o Messias, sob essa perspectiva, o Jesus real, como ele era, o contexto em que vivia, o que realmente disse e fez, tem menor importância, pois prepondera o Jesus imaginado, representado, sonhado, na maioria das vezes relacionado com os próprios desejos e necessidades, trata-se de um verdadeiro símbolo, que tem o poder de orientar a vida e se tornar a referência ética fundamental de grupos e pessoas (A BUSCA PELAS PALAVRAS E ATOS DE JESUS: O JESUS SEMINAR Arquivado em 22 de dezembro de 2015, no Wayback Machine., acesso em 27 de abril de 2013).
  12. Gary R. Habermas. The historical Jesus. College Press, 1996 (p. 219);
  13. Howard Marshall. I Believe in the Historical Jesus. Regent College Publishing, 2004 (p. 214);
  14. "Quest of the Historical Jesus". Oxford Dictionary of the Christian Church, p. 775;
  15. Craig Blomberg. Jesus e os Evangelhos. São Paulo: Vida Nova, 2009;
  16. DA Carson, Douglas Moo, Leon Morris. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997;
  17. F F Bruce. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 2010. Os escritos de Lucas (p. 105-120);
  18. The Quest of the Historical Jesus. ISBN 0-8018-5934-4
  19. a b John P. Meier. Um Judeu Marginal: repensando o Jesus Histórico. Rio de Janeiro: Imago, 1992;
  20. Paula Fredriksen. From Jesus to Christ: the origins of the New Testament images of Christ. Yale University Press, 2000 (p. 14);
  21. Marvin Meyer; Rodolphe Kasser; Gregor Wurst. The Gospel of Judas. National Geographic Books, p. 107;
  22. Markus NA Bockmuehl. The Cambridge companion to Jesus. Cambridge University Press, p. 160;
  23. Geza Vermes. Jesus the Jew: a historian's reading of the Gospels. Fortress Press, p. 12;
  24. a b Bart D. Ehrman. Historical Jesus: Historical Criterial Arquivado em 7 de fevereiro de 2012, no Wayback Machine.. The Teaching Company, 2000, Lecture 9;
  25. Jesus Christ. The Oxford dictionary of the Christian church. New York: Oxford University Press, 2005;
  26. Bart D. Ehrman. 7 False Attributions, Fabrications, and Falsifications: Phenomena Related to Forgery. Fabrications Within the Canon. Plagiarism Arquivado em 26 de maio de 2013, no Wayback Machine.. . "Na verdade, reconhece-se atualmente que um dos evangelhos foi utilizado como fonte para os outros dois. Quase todos os estudiosos pensam que Marcos utilizou por Mateus e Lucas. Alguns estudiosos continuam a manter a visão tradicional de que Mateus foi a fonte para Marcos e Lucas, mas essa é uma posição minoritária. Em ambos os casos, temos um documento que é assumido por outros, muitas vezes literalmente".
  27. Bart D. Ehrman. Jesus, apocalyptic prophet of the new millennium. New York: Oxford University Press, 1999 (p. 75-78);
  28. Bart D. Ehrman. How We Got the Bible. Some Noncanoncial Scriptures. The Coptic Gospel of Thomas Arquivado em 25 de agosto de 2011, no Wayback Machine.;
  29. Funk, Robert W., Roy W. Hoover, e o Jesus Seminar. The five gospels. Harper San Francisco. 1993. page 21.
  30. Classics Mit XV Livro dos Analles: Publius Cornellius Tacito (em inglês)

Ligações externas

Albert Schweitzer

Albert Schweitzer OM (Kaysersberg, 14 de janeiro de 1875 — Lambaréné, 4 de setembro de 1965) foi um teólogo, organista, filósofo e médico alemão, nascido na Alsácia, então parte do Império Alemão (atualmente, uma região administrativa francesa). Descendente de uma linhagem de importantes políticos locais, Albert Schweitzer foi filho de Louis Schweitzer, cujo pai era Philippe-Chrétien Schweitzer, prefeito de Pfaffenhoffen, na Alsácia. Louis era irmão de Charles Schweitzer, pai de Anne-Marie Schweitzer, mãe do filósofo francês Jean-Paul Sartre. Sobre as obras do primo, Albert diria mais tarde, segundo Cohen-Solal (biógrafa de J.P. Sartre), que "todas as opiniões são respeitáveis quando são sinceras, e por conta disso Deus seguramente o perdoará".

Ben Witherington

Ben Witherington III (30 de dezembro de 1951 (67 anos)) é um académico norte-americano dedicado à investigação sobre o Novo Testamento. É professor no Seminário Teológico Asbury, nos Estados Unidos e no programa de doutoramento na Universidade de St Andrews, na Escócia. É autor de mais de trinta livros de investigação sobre Jesus histórico e convidado frequente em programas nas principais redes de rádio e televisão, entre as quais o History Channel, NBC, ABC, CBS, CNN, Discovery Channel, A&E e ION.

== Referências ==

Burton L. Mack

Burton L. Mack foi professor da disciplina "Origens do Cristianismo" na Escola de Teologia de Claremont (Califórnia), e membro do Jesus Seminar. Escreveu livros como: "O Evangelho Perdido: o Livro de Q e as Origens Cristãs", publicado em 1993.

Censo de Quirino

Censo de Quirino denomina o censo realizado durante os anos 6-7 nas províncias romanas de Síria e Judeia. O inquérito decorreu durante o reinado de Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.), quando Públio Sulpício Quirino foi nomeado governador da Síria após a expulsão de Herodes Arquelau da Tetrarquia da Judeia e da imposição da administração direta romana. O relato da Natividade de Jesus no Evangelho segundo Lucas refere-se a este censo.

Confiabilidade histórica dos evangelhos

A fiabilidade histórica dos evangelhos se refere à confiabilidade e relevo histórico dos quatro evangelhos do Novo Testamento como documentos históricos. Os evangelhos do Novo Testamento foram escritos em grego para comunidades falantes de grego, e foram mais tardes traduzidos para o sírio, latim e cóptico.Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João recontam a vida, ministério, crucificação e ressurreição de Jesus. De acordo com a visão predominante atualmente, os evangelhos sinópticos são fontes primárias de informação histórica a respeito de Jesus e o movimento religiosos que ele fundou, embora nem tudo contido nos evangelhos seja considerado historicamente confiável. Entre os relatos cuja confiabilidade histórica é questionada encontram-se dois relatos do nascimento de Jesus, bem como da ressurreição e certos detalhes a respeito da crucificação. O Evangelho de Marcos, tido como o primeiro dos quatro evangelhos, narra o batismo de Jesus, suas pregações e sua crucificação. Mateus e Lucas seguem a narrativa de Marcos, com algumas mudanças, e acrescentam alguns ensinamentos éticos de Jesus. O quarto evangelho, o de João, difere consideravelmente dos outros três evangelhos. Os evangelhos sinóticos são considerados historicamente mais confiáveis que o de João.

Cristo

Cristo é o termo usado em português para traduzir a palavra grega Χριστός (Khristós) que significa "Ungido". O termo grego, por sua vez, é uma tradução do termo hebraico מָשִׁיחַ (Māšîaḥ), transliterado para o português como Messias.A palavra geralmente é interpretada como o sobrenome de Jesus por causa das várias menções a "Jesus Cristo" na Bíblia. A palavra é, na verdade, um título, daí o seu uso tanto em ordem direta "Jesus Cristo" como em ordem inversa "Cristo Jesus", significando neste último O Ungido, Jesus. Os seguidores de Jesus são chamados de cristãos porque acreditam na doutrina de Jesus, o Cristo, ou Messias, sobre quem falam as profecias da Tanakh (que os cristãos conhecem como Antigo Testamento). A maioria dos judeus rejeita essa reivindicação e ainda espera a vinda do Cristo (ver Messianismo judaico). A maioria dos cristãos espera pela Segunda vinda de Cristo quando acreditam que Ele cumprirá o resto das profecias messiânicas.

A expressão "Jesus Cristo" surge várias vezes nos escritos gregos da Bíblia, no Novo Testamento, e veio a tornar-se a forma respeitosa como os cristãos se referem a Jesus, Homem Judeu que, segundo os evangelhos, nasceu em Belém da Judeia e passou a maior parte da sua vida em Nazaré, na Galileia, sendo por isso chamado, às vezes, de Jesus de Nazaré ou Nazareno. O título Cristo, portanto, confere uma perspectiva religiosa à figura histórica de Jesus.

A área da teologia cujo foco é a identidade, vida, e ensinamentos de Jesus é conhecida como Cristologia.

Khristós no grego clássico poderá significar coberto em óleo, sendo assim uma translação literal de Messias.

Crítica bíblica

Crítica bíblica é o estudo e a investigação das escrituras bíblicas que procura discernir e discriminar julgamentos sobre essas escrituras. Basicamente, a crítica bíblica trata de responder a questões tais como: quando e onde um texto particular se originou; como, por quais razões, por quem, para quem e em que circunstâncias foi produzido; que influências se expressam em sua produção; que fontes foram usadas em sua composição e qual a mensagem que o texto procura passar.

A crítica também se interessa pelo próprio texto, incluindo a investigação do significado das palavras e a forma como são usadas, sua preservação, história e integridade. Para isso, a crítica bíblica se vale de uma ampla gama de disciplinas acadêmicas, incluindo a arqueologia, antropologia, linguística etc.

Eclipse da crucificação

O eclipse da crucificação, também referido como escuridão da crucificação ou trevas da crucificação, é um episódio descrito em três dos evangelhos canônicos em que o céu se torna escuro durante o dia no momento da crucificação de Jesus.

Os escritores cristãos primitivos e medievais trataram isso como um milagre e acreditavam que fosse um dos poucos episódios do Novo Testamento confirmados por fontes não-cristãs; os estudiosos modernos, no entanto, não encontraram referências contemporâneas a ele fora do Novo Testamento.Os acadêmicos mais recentes, observando o modo como os acontecimentos semelhantes foram associados nos tempos antigos com a morte de figuras notáveis, vêem o fenômeno como uma criação literária que, segundo eles, tenta transmitir um senso do poder de Jesus diante da morte ou um sinal de desagrado de Deus com o povo judeu. Os estudiosos também observaram as maneiras pelas quais este episódio parece se basear em relatos bíblicos anteriores de eclipses do Antigo Testamento.

Evangelho segundo Marcos

O Evangelho Segundo Marcos (em grego: κατὰ Μᾶρκον εὐαγγέλιον, τὸ εὐαγγέλιον κατὰ Μᾶρκον - transl. euangelion kata Markon) é o segundo livro do Novo Testamento. Sendo o evangelho mais curto da Bíblia cristã, com apenas 16 capítulos, ele conta a historia de Jesus de Nazaré. É considerado pelos eruditos um dos três evangelhos sinópticos. De acordo com a tradição, Marcos foi pensado para ser um epítome, o que representaria sua atual posição na Bíblia, como um resumo de Mateus e Lucas. No entanto, a maioria dos estudiosos contemporâneos considera essa obra como a mais antiga dos evangelhos canônicos - uma posição conhecida como prioridade de Marcos - embora a obra contenha 31 versículos relativos a outros milagres não relatados nos outros evangelhos.

O Evangelho de Marcos narra o ministério de Jesus, desde Seu batismo por João Batista até Sua Ascensão. A obra concentra-se particularmente na última semana de Sua vida (capítulos 11-16, a viagem até Jerusalém). Sua narrativa rápida retrata Jesus como um homem de ação heróica, um exorcista, um curandeiro e um milagreiro.

Um tema importante de Marcos é o Segredo Messiânico. Jesus pede silêncio sobre sua identidade messiânica aos endemoninhados que Ele cura, além de esconder sua mensagem com parábolas. Os discípulos também não conseguem entender as implicações dos milagres de Cristo.

Todos os quatro evangelhos canônicos são anônimos, mas a tradição cristã primitiva identifica autor deste evangelho como Marcos, o Evangelista, de quem se diz ter baseado este trabalho sobre o testemunho de Pedro. Alguns estudiosos modernos consideram essa tradição essencialmente credível, enquanto outros a põe em xeque. No entanto, mesmo os estudiosos que duvidam da autoria de Marcos reconhecem que muito do material deste Evangelho remonta um longo caminho, representando informações importantes sobre o Jesus histórico. Por isso, o Evangelho de Marcos é muitas vezes considerado a fonte primária de informações sobre o ministério de Jesus.

Jesus

Jesus (em hebraico: ישוע/ יֵשׁוּעַ; transl.: Yeshua; em grego: Ἰησοῦς; transl.: Iesous), também chamado Jesus de Nazaré (n. 7–2 a.C. – m. 30–33 d.C.) é a figura central do cristianismo e aquele que os ensinamentos de maior parte das denominações cristãs, além dos judeus messiânicos, consideram ser o Filho de Deus. O cristianismo e o judaísmo messiânico consideram Jesus como o Messias aguardado no Antigo Testamento e referem-se a ele como Jesus Cristo, um nome também usado fora do contexto cristão.

Praticamente todos os académicos contemporâneos concordam que Jesus existiu realmente, embora não haja consenso sobre a confiabilidade histórica dos evangelhos e de quão perto o Jesus bíblico está do Jesus histórico. A maior parte dos académicos concorda que Jesus foi um pregador judeu da Galileia, foi batizado por João Batista e crucificado por ordem do governador romano Pôncio Pilatos. Os académicos construíram vários perfis do Jesus histórico, que geralmente o retratam em um ou mais dos seguintes papéis: o líder de um movimento apocalíptico, o Messias, um curandeiro carismático, um sábio e filósofo, ou um reformista igualitário. A investigação tem vindo a comparar os testemunhos do Novo Testamento com os registos históricos fora do contexto cristão de modo a determinar a cronologia da vida de Jesus.

Quase todas as linhas cristãs acreditam que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo, nasceu de uma virgem, praticou milagres, fundou a Igreja, morreu crucificado como forma de expiação, ressuscitou dos mortos e ascendeu ao Céu, do qual regressará. A grande maioria dos cristãos venera Jesus como a encarnação de Deus, o Filho, a segunda das três pessoas na Santíssima Trindade. Alguns grupos cristãos rejeitam a Trindade, no todo ou em parte.

No contexto islâmico, Jesus (transliterado como Isa) é considerado um dos mais importantes profetas de Deus e o Messias. Para os muçulmanos, Jesus foi aquele que trouxe as escrituras e é filho de uma virgem, mas não é divino, nem foi vítima de crucificação. O judaísmo rejeita a crença de que Jesus seja o Messias aguardado, argumentando que não corresponde às profecias messiânicas do Tanakh.

Jesus Seminar

O Jesus Seminar (Seminário sobre Jesus) é um projeto de reflexões cristológicas fundado em março 1985 por Robert Funk, com o apoio do Instituto Westar, que inicialmente reunia cerca de 30 seguidores (fellows), número que, posteriormente, chegou a superar a marca de 200 seminaristas. Trata-se de um dos mais destacados grupos de Crítica Bíblica, que utiliza métodos históricos para determinar, com base no critério da plausibilidade histórica, aquilo que Jesus, como uma figura histórica, pode ou não ter dito ou feito. Além disso, o seminário popularizou as investigações sobre o Jesus histórico. Seus seguidores se reuniam duas vezes por ano.

O Jesus Seminar foi uma forma de organizar estudiosos da Bíblia no meio acadêmico contra o dogmatismo das Congregações Religiosas, que, principalmente nos Estados Unidos, criavam um clima inquisitorial, que fazia com que os estudiosos não dogmáticos ficassem retraídos. O novo clima intelectual surgido no pós-guerra, contagiou também a crítica bíblica, que aos poucos foi ganhando espaços e disciplinas nas universidades norte-americanas, levando os adeptos da teologia dogmática a refugiar-se em seus próprios seminários e faculdades, foi a terceira onda de estudiosos do Jesus Histórico, que se distinguia das demais por buscar o Jesus Histórico a partir do princípio de continuidade com o judaísmo daquela época.Dentre seus seguidores, merecem destaque: John Dominic Crossan, Marcus Borg, Bruce Chilton, Don Cupitt, Marvin Meyer, Lloyd Geering, Karen Leigh King, John S. Kloppenborg, Gerd Lüdemann, Burton L. Mack, Vernon K. Robbins, James M. Robinson, John Shelby Spong, Walter Wink, Stephen L. Harris, Edward F. Beutner, Robert T. Fortna, Roy Hoover, Mahlon H. Smith, Bernard Brandon Scott, Robert J. Miller, Daryl D. Schmidt, W. Barnes Tatum, William E. Arnal, Marvin F. Cain, Ronald D. Cameron, Kathleen E. Corley, Charles W. Hedrick, Julian Victor Hills, Arland D. Jacobson, Milton C. Moreland, Stephen J. Patterson, Jonathan L. Reed e John J. Rousseau.Alguns seguidores do Jesus Seminar perderam seus empregos como professores universitários, outros foram perseguidos, e nesse contexto alguns seguidores preferiram participar dos estudos em sigilo.

Jesus na mitologia comparada

O estudo de Jesus do ponto de vista mitográfico é a examinação das narrativas de Jesus, o Cristo (“o Ungido”) das escrituras, da teologia e do povo cristão como parte central da mitologia cristã. Tal estudo também pode envolver comparações entre crenças cristãs sobre Jesus e sobre outros deuses ou personagens mitológicos. A relevância do “mito” no estudo sobre Jesus e as Escrituras é normalmente rejeitado pelo sistema educacional moderno.

Ao invés disso, o estudo de Jesus Cristo como um mito é popularmente associado a uma posição cética em relação ao “Jesus histórico”. Proponentes da teoria da origem mitológica do Cristianismo sugerem que uma parte dos evangelhos tenha sido criado por um ou mais pregadores históricos, mas que de nenhuma maneira esses pregadores tenham sido “fundadores do Cristianismo”; ao contrário, esses proponentes alegam que o cristianismo tenha surgido organicamente das culturas Helenística e Judaica. Contudo, o estudo dos paralelos entre as narrativas de Cristo e outras figuras mitológicas não prejudica o entendimento sobre o “Jesus histórico”, e este está aberto a várias interpretações.

A influência do Cristianismo nas religiões do Mistério (para Agostinho de Hipona)

A interpretação dos paralelos mitológicos como uma “imitação diabólica” de Cristo (para Justino Mártir)

A interpretação do mito pré-Cristão como um Urmonotheismus degradado

A interpretação da narrativa de Cristo como um “mito verdadeiro” (para C. S. Lewis)

A admissão de um Jesus histórico, que, no entanto, é de menor interesse para o Cristianismo do que para o Mito de Cristo (para Carl G. Jung)

Jesuísmo

O jesuísmo é uma visão filosófica diferente da visão do cristianismo ortodoxo sobre Jesus, mas que aprecia os ensinamentos dele e a sua forma de viver como sendo a de um "homem bom e inteligente", mas rejeita a sua divindade.

Para alguns teólogos o termo "jesuísmo" é uma forma de opor ao paulinismo que, segundo estes filósofos, teria alterado as doutrinas e ensinamentos de Jesus e de verdadeiros apóstolos. De acordo com o escritor estadunidense Owen Flanagan, o "jesuísmo é uma forma de filosofia naturalista e racionalista" evitando o conflito entre a ciência e a fé.

John Dominic Crossan

John Dominic Crossan (nascido em Nenagh, Condado de Tipperary, Irlanda em 1934) é um teólogo conhecido por ser o co-fundador do controverso Jesus Seminar. Crossan é uma figura importante no campo da arqueologia bíblica, antropologia, Novo Testamento e Alta Crítica. Ele é também conhecido por ter aparecido na televisão em documentários sobre Jesus e a Bíblia. Ele é especialmente influente no campo dos estudos sobre o Jesus histórico, embora receba muitas críticas por parte de outros estudiosos por causa de sua metodologia.

Ele é casado com Sarah, mas não possui filhos biológicos. Ela teve dois filhos e 5 netos.

Entre 1950 e 1969, foi membro da Ordem dos Servos de Maria (servitas), uma ordem religiosa da Igreja Católica. Largou o ofício religioso por querer se casar e devidos aos constantes conflitos que tinha com o arcebispo cardeal de Chicago.

John P. Meier

John Paul Meier (nascido em 1942) é um padre católico e estudioso bíblico norte-americano. É o autor da obra monumental A Marginal Jew: Rethinking the Historical Jesus (Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico) (1991-2016), em 5 volumes. É autor de mais seis livros e de mais de 80 artigos para revistas e livros.

Maria (mãe de Jesus)

Maria (hebraico: מִרְיָם, Miriam; aramaico: Maryām; árabe: مريم, Maryam; grego koiné: Μαριας ou Μαριαμ,), também conhecida como Maria de Nazaré e chamada pelos católicos e ortodoxos de Virgem Maria, de Santíssima Virgem e de Nossa Senhora, foi a mulher israelita de Nazaré, identificada no Novo Testamento e no Alcorão como a mãe de Jesus através da intervenção divina (Mateus 1:16-25, Lucas 1:26-56, Lucas 2:1-7). Jesus é visto como o messias — o Cristo — em ambas as tradições, dando origem ao nome comum de Jesus Cristo. Maria teria vivido na Galileia no final do século I a.C. e início do século I d.C., é considerada pelos cristãos como a primeira adepta ao cristianismo.

Os evangelhos canônicos de São Mateus e São Lucas descrevem Maria como uma virgem (grego: παρθένος, parthenos). Tradicionalmente, os cristãos acreditam que ela concebeu seu filho milagrosamente pela ação do Espírito Santo. Os muçulmanos acreditam que ela concebeu pelo comando de Deus. Isso ocorreu quando ela estava noiva de José e aguardava o rito do casamento, que tornaria a união formal. Ela se casou com José e o acompanhou a Belém, onde Jesus nasceu. De acordo com o costume judaico, o noivado teria ocorrido quando ela tinha cerca de 12 anos, o nascimento de Jesus aconteceu cerca de um ano depois.O Novo Testamento começa o seu relato da vida de Maria com a anunciação, quando o anjo Gabriel apareceu a ela anunciando que Deus a escolheu para ser a mãe de Jesus. A tradição da Igreja e os escritos apócrifos afirmam que os pais de Maria eram um casal de idosos, São Joaquim e Santa Ana. A Bíblia registra o papel de Maria em eventos importantes da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua ascensão. Escritos apócrifos falam de sua morte e posterior assunção ao céu. Os cristãos da Igreja Católica, da Igreja Ortodoxa, da Igreja Ortodoxa Oriental, da Igreja Anglicana e da Igreja Luterana acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus (Μήτηρ Θεοῦ) e a Teótoco, literalmente Portadora de Deus. Maria foi venerada desde o início do cristianismo. Ao longo dos séculos ela tem sido um dos assuntos favoritos da arte, da música e da literatura cristã.

Há uma diversidade significativa nas crenças e práticas devocionais marianas entre as grandes tradições cristãs. A Igreja Católica tem uma série de dogmas marianos, como a Imaculada Conceição de Maria e Assunção de Maria. Os católicos referem-se a ela como Nossa Senhora e a veneram como a Rainha do Céu e Mãe da Igreja, baseados no fato dela ter sido a mãe de Jesus que, segundo os Dogmas do Cristianismo, é Deus. Contudo, outros grupos que acreditam na divindade de Cristo, como a maioria dos protestantes, não compartilhem dessas crenças, atribuindo a ela um papel mínimo dentro do cristianismo por conta das poucas referências bíblicas sobre sua vida.

Rejeição de Jesus

Os evangelhos canônicos do Novo Testamento incluem alguns relatos de rejeição a Jesus durante o seu ministério. Jesus no judaísmo, Jesus no Islã e o ponto de vista do Jesus histórico são formas diferentes de abordar o assunto e diferem de Jesus no cristianismo. Este artigo trata da rejeição nos evangelhos.

Robert Funk

Robert W. Funk (18 de Julho de 1926 - 3 de setembro de 2005), um estudioso bíblico nascido nos Estados Unidos da América, foi o fundador do controverso Jesus Seminar e do Instituto Westar, localizado na Califórnia.

Funk, como acadêmico, tentou promover a investigação e educação sobre o que ele chamou de

"alfabetização bíblica". Sua abordagem da hermenêutica foi histórico-crítica, com um forte ceticismo em relação a fé cristã ortodoxa, em especial sobre a historicidade de Jesus.Funk era Bacharel em teologia e mestre pela Butler University e suas filiadas Christian Theological Seminary em 1950 e 1951, foi PhD em 1953 pela Vanderbilt University. Ele ensinou no American School of Oriental Research, em Jerusalém, foi presidente do departamento de teologia da Vanderbilt University e secretário executivo da Sociedade Bíblica de Literatura dos EUA. Ele também foi fundador e primeiro diretor executivo da Scholars Press (1974-1980).

Em março de 1985, por ocasião da fundação do Jesus Seminar, proferiu as seguintes palavras:

"Nós estamos entrando numa importante empreitada. Vamos procurar simplesmente e rigorosamente a voz de Jesus, o que ele realmente disse. Neste processo, iremos formular uma questão que chega aos limites do sagrado, ou também da basfêmia, para muitos em nossa sociedade. Como consequência, o caminho que seguiremos poderá trazer riscos. Poderemos provocar hostilidades. Mas, vamos começar, apesar dos perigos, porque somos profissionais e porque a questão de Jesus deve ser encarada, da mesma forma que o monte Everest por um grupo de escaladores" .

Teoria do mito de Jesus

A teoria do mito de Cristo (também conhecida como a teoria do mito de Jesus, Jesus mítico ou a teoria da não-historicidade de Jesus, ou ainda a hipótese da inexistência de Jesus) é "a visão de que a pessoa conhecida como Jesus de Nazaré não teve existência histórica". Alguns defensores da teoria alegam que os eventos ou frases associados com a figura de Jesus no Novo Testamento podem ter sido elaborados a partir de uma ou mais pessoas que realmente existiram, mas que nenhuma delas era, em nenhum sentido, o fundador do cristianismo. Alternativamente, nos termos dados por Bart Ehrman em sua crítica a Cristo, declara: "O Jesus histórico não existiu. Ou, se existiu, não teve praticamente nada a ver com as origens do cristianismo." Praticamente todos os estudiosos envolvidos com a pesquisa do Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida usando documentos e outras evidências, embora a maioria sustente que muito do material sobre ele no Novo Testamento não deve ser tomado ao pé da letra.A teoria do mito de Cristo é uma teoria marginal, apoiada por poucos acadêmicos ou especialistas eméritos em credibilidade bíblica ou disciplinas cognatas. A teoria se afasta da visão histórica de Jesus que — embora os evangelhos incluíssem muitos elementos míticos —, são elaborações religiosas adicionadas aos relatos do Jesus histórico que foi crucificado no século I, na província romana da Judeia.Os antecedentes da teoria podem ser remontados até os pensadores do Iluminismo francês Constantin-François Volney e Charles François Dupuis, na década de 1790. O primeiro acadêmico a defender tal tese foi o historiador do século XIX e teólogo Bruno Bauer e outros defensores como Arthur Drews foram notáveis nos estudos bíblicos durante o início do século XX. Autores como George Albert Wells, Robert M. Price e Earl Doherty recentemente repopularizaram a teoria entre o público leigo.

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