Idade do Ferro

A Idade do Ferro se refere ao período em que ocorreu a metalurgia do ferro. Este metal é superior ao bronze em relação à dureza e abundância de jazidas.

A Idade do Ferro vem caracterizada pela utilização do ferro como metal, utilização importada do Oriente através da emigração de tribos indo-europeias (celtas), que a partir de 1 200 a.C. começaram a chegar a Europa Ocidental, e o seu período alcança até a época romana e na Escandinávia até a época dos viquingues (por volta do ano 1 000).

A Idade do Ferro é o último dos três principais períodos no Sistema de Três Idades, utilizado para classificar as sociedades pré-históricas, sendo precedido pela Idade do Bronze. A data de início, duração e contexto varia de acordo com a região estudada. O primeiro surgimento conhecido de sociedades com nível cultural e tecnológico correspondente à Idade do Ferro se dá no século XII a.C. em diversos locais: no Oriente Próximo, na Índia antiga, com a civilização védica, na Grécia antiga, durante a Idade das Trevas grega e na França pré-indo-européia/pré-romana.

Em outras regiões europeias, o início da Idade do Ferro foi bastante posterior, não tendo se desenvolvido na Europa central até século VIII a.C., até o século VI a.C. no norte de Europa. Na África o primeiro exponente conhecido do uso do ferro pela fundição e forja se dá na cultura Nok, na atual Nigéria, por volta do século XI a.C.[1][2][3] Porém se acredita que o ferro meteorítico, uma liga de ferro-níquel, fosse já usado por diversos povos antigos milhares de anos antes da Idade do Ferro,[4][5] já que sendo nativo no seu estado metálico, não necessitava a extração e fusão do mineral.

História
Pré-história Idade
da Pedra
Paleolítico 2.5 milhões - 10.000 a.C.
Mesolítico 13.000 - 9.000 a.C.
Neolítico 5.000 - 3.000 a.C.
Idade dos Metais Idade do Cobre 3.300 - 1.200 a.C.
Idade do Bronze 3.300 - 700 a.C.
Idade do Ferro 1.200 a.C. - 1.000
Idade Antiga Antiguidade Oriental 4.000 a.C. - 500 a.C.
Antiguidade Clássica 800 a.C. - 476
Antiguidade tardia 300 - 476
Idade Média Alta Idade Média 476 - 1000
Baixa Idade Média Idade Média Plena séc. XI - XIII
Idade Média Tardia séc. XIV - XV
Idade Moderna 1453 - 1789
Idade Contemporânea 1789 -

Cronologia

Axe of iron from Swedish Iron Age, found at Gotland, Sweden
Peça da idade do Ferro.

Ainda na Idade do Bronze, um crescente número de objetos de ferro fundido, distinguíveis do ferro meteorítico pela falta de níquel, começou a aparecer por toda Anatólia, Mesopotâmia, subcontinente Indiano, Levante, Mediterrâneo e Egito. Algumas fontes propõem que o ferro fosse um subproduto casual do refino do cobre, sem um processo reproduzível pela metalurgia da época.

A mais antiga produção sistemática e uso de utensílios de ferro começa na Anatólia. Também existe uma teoria que a produção africana de ferro iniciou mais ou menos ao mesmo tempo, possivelmente até antes que na Anatólia, porém descobertas recentes sugerem que o trabalho do ferro aparece na Anatólia desde 2 000 a.C.[6]. A atual pesquisa arqueológica no vale do Ganges, atesta a produção de ferro desde 1 800 a.C.[7] Desde 1 200 a.C., o ferro era amplamente utilizado no Oriente Médio, porém sem suplantar em nenhum momento o uso do bronze.

Já foi sugerido que a falta de estanho fosse o motivo colapso da Idade do Bronze, com a interrupção do comércio no Mediterrâneo por volta de 1 300 a.C. que levaram à busca de metais alternativos. [8][9] Existem evidências nesta época que vários objetos de bronze foram reciclados e transformados em armas. Com o uso mais difundido do ferro, foi desenvolvida a tecnologia necessária para fazer um aço maleável, fazendo com que os preços baixassem. Como resultado, quando houve estanho disponível novamente, o ferro já havia ganhado a preferência na produção de armas e ferramentas, sendo barato o suficiente para substituir o bronze. [10] O ferro sendo um material mais resistente e leve, trazia vantagens tecnológicas para as civilizações que o adotavam.

Porém trabalhos arqueológicos mais recentes, mudaram não somente a cronologia, mas também as causas da transição do bronze para o ferro. Além do ferro estar sendo produzido na Índia desde 1 800 a.C., vários sítios africanos possuem artefatos de ferro desde pelo menos 1 200 a.C.,[11][12][13] se opondo a ideia que houve uma descoberta única do ferro que depois se difundiu pelo mundo.

A Idade do Ferro pelo Mundo

Oriente próximo

Na Caldeia e Assíria, o ferro é usado desde de pelo menos 4 000 a.C..[14] Um dos primeiros artefatos de ferro conhecidos é uma adaga, com a lâmina de ferro encontrada numa tumba Hatita na Anatólia e datada de 2 500 a.C.[15] O uso de armas de ferro se difundiu rapidamente e substituiu o bronze por todo o Oriente Próximo no começo do primeiro milênio BC.

O desenvolvimento da fundição de ferro já foi atribuída aos Hititas. Se acreditava que eles mantiveram o monopólio da metalurgia do ferro e que seu império tinha se baseado nesta vantagem tecnológica.[16] Porém esta teoria não é mais aceita pela maioria dos especialistas, já que não existe evidência arqueológica desse monopólio. Enquanto existem objetos de ferro na idade do Bronze na Anatólia, o número é comparável aos objetos de ferro encontrados no Egito e outros locais no mesmo período, e somente um pequeno número deste objetos são armas. [17]

Europa

O período da Idade do Ferro é dividido em período da cultura de Hallstatt e período da cultura de La Tène.

Na Europa Central, a Idade do Ferro se divide em quatro períodos:

Na Alemanha, os historiadores diferenciam uma Idade do Ferro entre pré-romana e outra romana (cultura de Jastorf). Na Escandinávia, arqueólogos e historiadores dividem o período em Idade do Ferro pré-romana, Idade do Ferro romana, Era das Migrações, Era de Vendel e Era Viquingue.

Em Portugal, então parte da Hispânia, a Idade do Ferro é essencialmente dominada pela ocupação do território pelo Império Romano, embora possamos depender da divisão do período em Idade do Ferro I e Idade do Ferro II, como o fez Armando Coelho na sua obra Cultura Castreja.

Mitologia

No seu Os Trabalhos e os Dias, Hesíodo menciona as cinco idades dos homens: a Idade do Ouro, a época em que Cronos era rei dos deuses,[18] a Idade da Prata, criada pelos deuses do Olimpo e destruída por Zeus porque eles não queriam adorar os deuses,[19] a Idade do Bronze, criada por Zeus, quando usavam-se instrumentos de bronze e não se conhecia o ferro,[20] a Idade dos Herois, de homens chamados de semi-deuses,[21] e a quinta, a Idade do Ferro, que continuava até os dias de Hesíodo.[22]

Ver também

Referências

  1. Miller; Van Der Merwe, 1994; Stuiver; Van Der Merwe, 1968.
  2. Duncan E. Miller; N. J. Van Der Merwe: «Primeros trabajos en metal en el África subsahariana», Revista de Historia de África, 35, págs. 1-36, 1994.
  3. Stuiver Minze; N. J. Van Der Merwe: «Cronología de radiocarbono de la Edad del Hierro en África subsahariana», Current Anthropology, 1968.
  4. Archeomineralogia, p. 164, George Robert Rapp, Springer, 2002
  5. Understanding materials science, p. 125, Rolf E. Hummel, Springer, 2004.(em inglês)
  6. Ironware piece unearthed from Turkey found to be oldest steel Jornal The Hindu, 26 março de 2009.(em inglês)
  7. TEWARI, Rakesh. The origins of iron-working in India: new evidence from the Central Ganga Plain and the Eastern Vindhyas, 2003.(em inglês)
  8. A.M.Snodgrass (1967), "Arms and Armour of the Greeks". (Thames & Hudson, London)
  9. A. M. Snodgrass (1971), "The Dark Age of Greece" (Edinburgh University Press, Edinburgh).
  10. Theodore Wertime and J. D. Muhly, eds. The Coming of the Age of Iron (New Haven, 1980).
  11. Duncan E. Miller and N.J. Van Der Merwe, 'Early Metal Working in Sub Saharan Africa' Journal of African History 35 (1994) 1–36; Minze Stuiver and N.J. Van Der Merwe, 'Radiocarbon Chronology of the Iron Age in Sub-Saharan Africa' Current Anthropology 1968.(em inglês)
  12. McINTOSH, Roderick J. How Old is the Iron Age in Sub-Saharan Africa?, Archaeological Institute of America (1999)(em inglês)
  13. ALPERN, Stanley B., Iron in Sub-Saharan Africa, 2005.(em inglês)
  14. Chisholm, H. (1910). The Encyclopædia Britannica. New York: The Encyclopædia Britannica Co.(em inglês)
  15. COWEN, Richard. The Age of Iron Chapter 5, University of California at Davis. Versão online Arquivado em 14 de março de 2010, no Wayback Machine.. (em inglês)
  16. MUHLY, James D. 'Metalworking/Mining in the Levant' pp. 174-183 in Near Eastern Archaeology ed. Suzanne Richard (2003), pp. 179-180. (em inglês)
  17. WALDBAUM, Jane C. From Bronze to Iron. Göteburg: Paul Astöms Förlag (1978): 56-8.(em inglês)
  18. Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, Idades dos Homens, 109-120 [em linha]
  19. Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, Idades dos Homens, 121-139
  20. Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, Idades dos Homens, 140-155
  21. Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, Idades dos Homens, 156-169
  22. Hesíodo, Os Trabalhos e os Dias, Idades dos Homens, 170-201
Castro

Castro são as ruínas ou restos arqueológicos de um tipo de povoado da Idade do Cobre e da Idade do Ferro característico das montanhas do noroeste da Península Ibérica, na Europa. Os povoados eram construídos com estruturas predominantemente circulares, revelando desde cedo a implementação de uma «civilização da pedra», quer nas zonas de granito quer nas de xisto.

Uma cividade (substantivo feminino antigo de cidade) ou citânia é um castro de maiores dimensões e importância, habitado continuamente. A designação "citânia" é comparada com o Cytian dos povoados fortificados nas ilhas Britânicas.

Durante muito tempo consideraram-se os castros como "povoados fortificados", mas esta designação, consagrada pelo uso, é muito redutora, porque recobre realidades arqueológicas muito diversas e susceptíveis de variadas interpretações. Recentemente, tem-se vindo a perceber que estes sítios são de grande complexidade, que não se podem, de maneira alguma, apenas subsumir numa qualquer "cultura" local (ou várias), e muito menos numa "função" militar.

Celtas

Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo), organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do Oeste da Europa a partir do II milénio a.C.. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Mileto no século VI a.C.. Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até à conquista daqueles territórios pelo Império Romano; organizavam-se em tribos, que ocupavam o território desde a Península Ibérica até à Anatólia. A maioria dos povos celtas foi conquistada, e mais tarde integrada, pelos Romanos, embora o modo de vida celta tenha, sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização, sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado.

Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os bretões, os gauleses, os escotos, os eburões, os batavos, os belgas, os gálatas, os trinovantes e os caledónios. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa, as quais mais tarde baptizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa. Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa, dando origem naquele continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas). Tal como consta que traziam com eles um pequeno cavalo muito parecido com o português garrano, que nessa língua quer dizer "cavalo pequeno".Outras regiões europeias que também se identificam com a cultura celta são o País de Gales, uma entidade subnacional do Reino Unido, a Cornualha (Reino Unido), Escócia (Reino Unido), Irlanda, a Gália (França, e Norte da Itália), o Norte de Portugal e a Galiza (Noroeste da Espanha). Nestas regiões os traços linguísticos celtas sobrevivem nos topónimos, em algumas formas linguísticas, no folclore e tradições. A influência cultural celta, que jamais desapareceu, tem mesmo experimentado um ciclo de expansão em sua antiga zona de influência, com o aparecimento de música de inspiração celta e no reviver de muitos usos e costumes conhecidos atualmente como celtismo.

Colapso da Idade do Bronze

O colapso da Idade do Bronze foi uma período de transição na região do Mar Egeu, Sudoeste da Ásia e no Mediterrâneo Oriental desde a Idade do Bronze tardia até a Idade do Ferro caracterizado por uma idade das trevas que os historiadores acreditam ter sido violenta, repentina e culturalmente perturbadora. A economia do palácio da região do Egeu e da Anatolia, que caracterizou o final da Idade do Bronze, foi substituída, após um hiato, pelas culturas isoladas da vila da Idade das Trevas Grega.

Entre c. 1200 e 1150 aC, o colapso cultural da Civilização Micênica, do Império Hitita na Anatolia e na Síria e do Império Novo do Egito na Síria e Canaã interromperam as rotas comerciais e reduziram gravemente a alfabetização. Na primeira fase deste período, quase todas as cidades entre Pylos e Gaza foram violentamente destruídas e muitas vezes deixadas desocupadas depois: exemplos incluem Hattusa, Micenas e Ugarit. De acordo com Robert Drews: "Em um período de 40 a 50 anos no final do século XIII e início do século XII, quase todas as cidades significativas do mundo do Mediterrâneo Oriental foram destruídas, sendo que muitas delas nunca mais foram reocupadas".O fim gradual da Idade das Trevas que se seguiu viu a eventual ascensão dos estados sírio-hititas estabelecidos na Cilícia e na Síria, reinos arameus de meados do século X aC no Levante, a eventual ascensão do Império Neoassírio e, depois do período de orientalização do Egeu, a Grécia Arcaica (800 a.C - 510 a.C).

Dinastia Chin

A dinastia Qin (em chinês, 秦朝), também conhecida como dinastia Chin, foi uma dinastia que governou a China entre 221 a.C. e 206 a.C., e que normalmente figura nos livros de História como a primeira dinastia burocrática ou protoburocrática da história da China. O período abrangido pelo governo da dinastia Qin pode, igualmente, corresponder a uma subdivisão da história chinesa. O primeiro rei dessa dinastia, Zheng, é reconhecido pela historiografia por seus grandes feitos, como a unificação violenta da China, e por seu governo cruel, tendo adotado o título de Shi Huangdi ("Primeiro Imperador") após conquistar os estados de Zhao, Wei, Chu, Yan e Qi. Muitos autores defendem que a reunificação da China sob um governo burocrático nessa ocasião se deveu em certa medida aos constantes ataques das tribos nômades do norte dirigidos para pilhar os bens da civilização chinesa, que aumentaram consideravelmente a partir do século III a. C.

Edom

Edom (em edomita: 𐤀𐤃𐤌; transl.: ’Edām; em hebraico: אֱדוֹם, ʾĔḏôm, "Vermelho"; em acádio: 𒌑𒁺𒈠𒀀𒀀 e 𒌑𒁺𒈪, Uduma e Udumi; em siríaco: ܐܕܘܡ; em grego clássico: Ἰδουμαία, Idoumaía; em latim: Idumæa ou Idumea) foi um país da Transjordânia na Idade do Ferro. Fazia fronteira com Moabe a nordeste, Arava a oeste e o deserto da Arábia a sul e leste.

Ferro

O ferro (do latim ferrum) é um elemento químico, símbolo Fe, de número atômico 26 (26 prótons e 26 elétrons) e massa atômica 56 u. À temperatura ambiente, o ferro encontra-se no estado sólido.

É extraído da natureza sob a forma de minério de ferro que, depois de passado para o estágio de ferro-gusa, através de processos de transformação, é usado na forma de lingotes. Controlando-se o teor de carbono (o carbono ocorre de forma natural no minério de ferro), dá-se origem a várias formas de aço.

Este metal de transição é encontrado no grupo 8 (anteriormente denominado como VIIIB) da Classificação Periódica dos Elementos. É o quarto elemento mais abundante da crosta terrestre (aproximadamente 5%) e, entre os metais, somente o alumínio é mais abundante.

É um dos elementos mais abundantes do Universo; o núcleo da Terra é formado principalmente por ferro e níquel (NiFe). Este ferro está em uma temperatura muito acima da temperatura de Curie do ferro, dessa forma, o núcleo da Terra não é ferromagnético.

O ferro tem sido historicamente importante, e um período da história recebeu o nome de Idade do Ferro. O ferro, atualmente, é utilizado extensivamente para a produção de aço, liga metálica para a produção de ferramentas, máquinas, veículos de transporte (automóveis, navios, etc), como elemento estrutural de pontes, edifícios, e uma infinidade de outras aplicações.

Fimbulwinter

Fimbulvetr (em nórdico antigo), fimbulvetur (em islandês) ou fimbulvinter (em dinamarquês, norueguês e sueco), na Mitologia Nórdica, é o prelúdio imediato para os eventos do Ragnarök (o "fim do Mundo"). O termo inglês "fimbulwinter" designa um período de "três invernos sucessivos, sem nenhum intervalo de verão", durante os quais a neve cai incessantemente, vinda de todas as direções, e uma série de inúmeras guerras assola a humanidade, levando irmãos a matar irmãos. Na Dinamarca, Noruega, Suécia e outros países nórdicos, o termo também é usado para se referir a um frio incomum e/ou um inverno rigoroso.A palavra islandesa fimbulvetr significa "inverno terrível durante vários anos, antecedendo o fim do Mundo", e deriva de fimbul (longo) e vetr (inverno). Segundo o terceiro poema da Edda poética de Esnorro Esturleu, teria durado três anos. Na discussão e debate sobre este mito nórdico antigo, há a assinalar que hoje em dia geólogos e geógrafos confirmam ter havido uma mudança climática, por volta de 536-540. Duas enormes erupções vulcânicas levaram enormes quantidades de partículas de enxofre até à alta atmosfera, refletindo os raios de sol e causando trevas durante vários anos. Um período muito frio atingiu a Europa e a Ásia, e com especial severidade a Península da Escandinávia durante uns 100 anos, causando aí más colheitas e fome generalizada, e provocando possivelmente a morte de metade da população e o abandono de inúmeros povoados.

Isto faz pensar na possibilidade de o mito ser um eco longínquo de uma catástrofe climática, ocorrida na Idade do Ferro, alterando o clima dos países nórdicos, até aí consideravelmente mais quentes.

Gauleses

O termo gauleses designa um conjunto de populações celtas que habitava a Gália (em latim: Gallia), isto é, o território que corresponde hoje, grosso modo, à França, à Bélgica e à Itália setentrional proto-históricas, provavelmente a partir da Primeira Idade do Ferro (cerca de 800 a.C.). Os gauleses dividiam-se em diversas tribos ou povos, por vezes federados, cada um com cultura e tradições originais. Os arqueólogos ligam as civilizações gaulesas à civilização celta de La Tène (chamada assim a partir do nome do sítio descoberto no lago Neuchâtel, Suíça). A civilização de La Tène expandiu-se no continente na Segunda Idade do Ferro e desapareceu na Irlanda, durante a Idade Média. Os gauleses foram conquistados por Júlio César, nas Guerras da Gália e durante o período romano foram assimilados em uma cultura galo-romana. Durante a crise do terceiro século (século III), houve um breve Império das Gálias. Com a chegada dos francos, durante o período das migrações (século V), a língua gaulesa foi substituída pelo latim vulgar.

Idade do Bronze

A Idade do Bronze é um período da civilização no qual ocorreu o desenvolvimento desta liga metálica, resultante da mistura de cobre com estanho. Iniciou-se no Oriente Médio em torno de 3300 a.C. substituindo o Calcolítico, embora noutras regiões esta última idade seja desconhecida e a do bronze tenha substituído diretamente o período neolítico. Na África subsaariana, o neolítico é seguido da idade do ferro.

Idade do Ferro germânica

Idade do Ferro germânica é o nome que se dá ao período que vai de 400 a 800 no Norte da Europa.

Faz parte da Era das Migrações ocorrida naquele continente.

A Idade do Ferro germânica seguiu-se à Idade do Ferro romana (1-400), e teve o seu início com a queda do Império Romano e a ascensão dos reinos célticos e germânicos na Europa Ocidental.

Foi sucedida, no Norte da Europa pela Idade Média e na Escandinávia pela Era Viquingue.

Costuma ser dividida em duas fases:

A Idade do Ferro germânica Inicial (375-550)

A Idade do Ferro germânica Tardia (550-750)Na Escandinávia, a Idade do Ferro Germânica é composta por três períodos:

A Era das Migrações Nórdicas (375-550)

A Era de Vendel (550-800) na Suécia, a Era Merovíngia na Noruega e Idade do Ferro Germânica Tardia na Dinamarca.

A Era Viquingue (793-1066) Durante o declínio do Império Romano, uma quantidade abundante de ouro chegou à Escandinávia; existem belíssimos exemplos de artefatos de ouro que datam deste período. Entre estes artefatos estavam bainhas e bracteados.

Após a queda do Império Romano o ouro tornou-se escasso, e os escandinavos passaram a fazer objetos de bronze revestido de ouro, com figuras decorativas de animais entrelaçados. Na Idade do Ferro inicial, as decorações tendiam a ser representativas - as figuras que representavam os animais eram relativamente fieis, anatomicamente, enquanto na Idade do Ferro tardia elas passaram a ser mais abstratas ou simbólicas, com membros e formas complexas entrelaçadas, semelhantes àquelas características da Era Viquingue que viria a sucedê-la.

Idade do Ferro pré-romana

A Idade do Ferro pré-romana (em sueco: Romersk järnålder é um período arqueológico da Escandinávia decorrido aproximadamente nos anos 500-1 a.C.. O período – também chamado de Idade do Ferro céltica – marca o início da Idade do Ferro na Escandinávia, sucedendo à Idade do Bronze e precedendo a Idade do Ferro romana. A dominância dos Celtas na Europa Continental atingiu a vida dos países nórdicos, influenciados pela Cultura de La Tène. O clima tornou-se mais frio e húmido, obrigando as populações locais a fazer modificações no seu modo de vida. A criação de gado teve um avanço tecnológico e os objetos de ferro substituem os objetos de bronze. Nos campos funerários aparecem com maior frequência vestígios de cremação.

Ilírios

Os ilírios eram um povo indo-europeu que habitou o oeste dos Bálcãs (do Epiro à Panônia) e partes do sul da Itália no início da Era Cristã. Eles falavam línguas que estão agrupadas como línguas ilíricas, um ramo separado do indo-europeu.

Os ilírios devem ter aparecido na parte ocidental da península Balcânica por volta de 1000 a.C., no período que coincide com o fim da Idade do Bronze e o começo da Idade do Ferro. Os ilírios não eram um corpo unificado mas um grupo de várias tribos diferentes. Essas tribos, contudo, possuiam uma cultura comum e línguas faladas relacionadas.

Se a língua albanesa descende de uma língua ilíria é um ponto de disputa entre os acadêmicos. A única língua ilíria atestada é o messápico, que não é proximo do albanês.

Israelita

Israelita pode referir-se a:

Israel — país do Médio Oriente

Israelenses — cidadãos de Israel (país da atualidade)

Judeus — povo

Tribos de Israel

Israelitas — confederação de tribos de língua semítica do período da Idade do Ferro

Lovendegem

Lovendegem é um município belga da província de Flandres Oriental. O município é constituído pelas vilas de Lovendegem e Vinderhoute.

Em 1 de Janeiro de 2006, o município tinha uma população de 9.538 habitantes, uma área de 19,48 km² correspondendo a uma densidade populacional de 480 habitantes por km².

O nome da vila foi pela vez registado como Lovendenghiem em 1150 ,mas existem vestígios da presença humana desde a Idade do Ferro.

Mitologia céltica

Mitologia celta era o conjunto de mitos da religião politeísta praticada pelos celtas na Idade do Ferro.

Povos ibéricos pré-romanos

Povos ibéricos pré-romanos descreve os povos que habitavam a Península Ibérica (actual Andorra, Portugal e Espanha) pouco antes da invasão romana iniciada em 218 a.C., quando se dá a Segunda Guerra Púnica. Embora a pré-história registe a presença de neandertais e do homem moderno desde há pelo menos quinhentos mil anos, os povos pré-romanos incluem-se na proto-História, decorrida essencialmente durante a Idade do Ferro.

Pensa-se que a Península Ibérica era habitada inicialmente por povos autóctones, que vieram a ser conhecidos como iberos. Posteriormente, desde o oitavo ao sexto século antes de Cristo, chegaram à região povos Indo-Europeus de origem celta, portadores da cultura de Hallstatt da Idade do Ferro, deixando os povos ibéricos (ainda culturalmente na Idade do Bronze) praticamente intactos no sul e no oeste. Havia, contudo, zonas de contacto entre esses dois povos, como na Meseta Central e na Catalunha e em Aragão.Os geógrafos gregos deram o nome da Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro (Iberus), a todas as tribos instaladas na costa sueste. Avieno no poema Ora Maritima (século IV d.C.) descreve a existência de várias etnias na costa meridional atlântica, provavelmente, os responsáveis pelo comércio com o atlântico norte — os estrímnios e os cinetes (ou cónios).

Gregos e fenícios-cartagineses também habitaram a Península, onde estabeleceram pequenas colónias-feitorias comerciais costeiras semi-permanentes de grande importância estratégica.

Reino de Urartu

Urartu (na língua nativa Biai, Biainili; Assírio: māt Urarṭu (ma-at U-ra-ar-ṭu), correspondendo ao Ararate, ou Reino de Van foi um reino da Idade do Ferro centrado ao redor do lago Van no planalto Armênio.

Especificamente, Urartu é um termo assírio para uma região geográfica, enquanto que ‘’Reino de Urartu’’ ou as ‘’terras de Biainili" designam o estado da Idade do Ferro que surgiu naquela região. As razões pelas quais a distinção entre a região geográfica e a entidade política foram assinaladas por König (1955).

A região corresponde ao planalto montanhoso entre a Ásia Menor, a Mesopotâmia e o Cáucaso, conhecida atualmente como planalto Armênio.

Terceiro Período Intermediário

O Terceiro Período Intermediário do Antigo Egito começou com a morte do Faraó Ramessés XI em 1070 AC, terminando o Novo Reino, e foi eventualmente seguido pela Época Baixa. Vários pontos são oferecidos como o início para a segunda era, embora seja mais frequentemente considerado como datando da fundação da Vigésima Sexta Dinastia por Psamético I em 664 AC, após a expulsão dos governantes Núbios da Vigésima Quinta Dinastia pelos Assírios sob o Rei Assurbanípal.

O período foi de declínio e instabilidade política, coincidindo com o colapso final da Idade do Bronze das civilizações no Oriente Médio e no Mediterrâneo Oriental (incluindo a Idade das Trevas Grega). Foi marcado pela divisão do estado durante grande parte do período e conquista e domínio por estrangeiros. Mas muitos aspectos da vida dos egípcios comuns mudaram relativamente muito pouco.

Velho Mundo

Velho Mundo é um termo generalizado e relativamente recente que define o mundo conhecido pelos europeus no século XV, ou seja, a Eurásia e África: os continentes europeu, africano, asiático e os quatro arquipélagos da Macaronésia.É um termo usado geralmente em oposição a Novo Mundo (que inclui as Américas). A Eurásia e África recebem o nome de Velho Mundo porque foi neste lugar que surgiram as mais antigas civilizações de que se tem conhecimento. Foi em áreas do norte da África e em partes da Ásia que se desenvolveram, por volta de 7 000 a 3 000 anos atrás, sociedades como a fenícia, a suméria, a assíria e a egípcia. Também fósseis ou esqueletos mais antigos do gênero Homo, da qual pertence a espécie Homo sapiens (o ser humano moderno), foram encontrados em certas regiões do Velho Mundo, como a África, o Oriente Médio, a Europa e a China.

Dessa forma, tanto o Homo sapiens (há cerca de 200 mil anos) como a civilizações mais antigas (a cerca de 4.000 anos) parecem ter se dado no Velho Mundo, em regiões asiáticas e africanas. No contexto da arqueologia e da história do mundo, o termo "Velho Mundo" inclui as partes do mundo que estavam em contato cultural (indireto) a partir da Idade do Bronze, resultando no desenvolvimento paralelo das primeiras civilizações, principalmente na zona temperada entre aproximadamente os paralelos 45 e 25, na região do Mediterrâneo, da Mesopotâmia, o planalto iraniano, o subcontinente indiano e atual China.

Essas regiões foram conectadas pela rota comercial da Rota da Seda e tiveram um período pronunciado da Idade do Ferro após a Idade do Bronze. Em termos culturais, a Idade do Ferro foi acompanhada pela chamada Era Axial, referindo-se a desenvolvimentos culturais, filosóficos e religiosos, levando eventualmente ao surgimento na Europa da filosofia de Parmenides, Platão, Heráclito, Arquimedes e Tucídides; no planalto iraniano o surgimento do zoroastrismo a partir dos ensinamentos de Zoroastro; na Judéia o surgimento da primeira religião abraâmica: o judaísmo, com seus profetas Elias, Isaías e Jeremias (entre outros); No subcontinente indiano o Mahavira fundaria o jainismo e

o Buda fundaria o budismo; no Extremo Oriente tem se a filosofia de Lao-Tsé, de Confúcio, Mozi e Chuang-Tzu, entre outros. O filósofo alemão Karl Jaspers argumenta que "os fundamentos espirituais da humanidade foram lançados simultaneamente e independentemente na China, Índia, Pérsia, Judeia e Grécia. E esses são os fundamentos sobre os quais a humanidade ainda subsiste hoje".Existe também o Novíssimo Mundo, referente a Oceania, que é constituída pela Austrália, Nova Guiné, Nova Zelândia, entre outras ilhas.

Noutras línguas

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