Henrique Monteagudo

Xosé Henrique Monteagudo Romero, nascido em Muros, Galiza em 26 de Novembro de 1959, é um sociolinguista e escritor galego, professor na Universidade de Santiago de Compostela desde 1982 e membro permanente da Real Academia Galega.

Henrique Monteagudo
Henrique Monteagudo
Nascimento Xosé Henrique Monteagudo Romero
26 de novembro de 1959 (59 anos)
Esteiro, Muros, Corunha
Galiza
Nacionalidade Galiza galego
Ocupação Sociolinguista, Linguista, Escritor

Trajectória

Henrique Monteagudo licenciou-se em filologia hispânica (galego-português) pela Universidade de Santiago de Compostela (1981) e foi professor na mesma e investigador do ILG desde 1982. Em 1995 doutorou-se pela Universidade de Santiago de Compostela e desde esse momento foi professor titular de Filologia Galega em Santiago. Também foi professor nas universidades de Birmingham (como 'Assistant Lectores'), na City University of New York (1996) e na Universidade de Lisboa (1998). Actualmente é co-ordenador da Secção de Língua Galega do Conselho da Cultura Galega e director do Arquivo de Planificação e Normalização Lingüística. Monteagudo é co-coordenador do Informe sobre Política Lingüística e Normalização na Galiza da Secção de Língua Galega do CCG desde 1998 e forma parte do Conselho de Redacção da revista Grial desde 1989, e co-director da mesma desde 1993.

O 30 de abril de 2010 foi elegido acadêmico permanente da Real Academia Galega[1], para ocupar assim a vacância de Antonio Gil Merino.

É membro do partido político Compromiso por Galicia.

Precedido por
Secretário da RAG
Sucedido por

Publicações destacadas

Tem publicado trabalhos sobre literatura galega medieval, historia externa da língua, planificação linguística e gramática e lexicografia galegas e, entre as suas publicações destacam:

Ensaio

Edições

  • 1984: Cancionero de Payo Gómez Chariño, de Armando Cotarelo Valledor (Xunta de Galicia).
  • 1991: A romaría de Xelmírez, de Ramón Otero Pedrayo (Galaxia).
  • 1994: Antoloxía da prosa literaria galega medieval (Tórculo).
  • 1996: De viva voz Castelao: conferencias e discursos (Fundación Castelao).
  • 2001: Os dous de sempre, de Castelao (Galaxia).
  • 2002: Catálogo de algunos libros curiosos y selectos, para la librería de algún particular, de Martín Sarmiento, Toxosoutos.
  • 2003: Cantigas de Santa Maria, de Afonso X o Sabio (Consello da Cultura Galega).
  • 2008: De historia natural y de todo género de erudición: obra de 660 pliegos, de Martín Sarmiento (Consello da Cultura Galega).
  • 2009: O espertar da conciencia galega. Galeguismo, cultura e identidade: ensaios e artigos dispersos (1950-1990), de Ramón Piñeiro (Galaxia).
  • 2013: “En cadea sen prijon”. Cancioneiro de Afonso Paez (Xunta de Galicia).

Obras colectivas

  • 1984: Lingua galega: 1 BUP (Xerais).
  • 1986: Aspectos sociolingüísticos do bilingüismo en Galicia (Xunta de Galicia).
  • 1986: Gramática galega (Galaxia). Con Rosario Álvarez e Xosé Luís Regueira.
  • 1986: A poesía lírica galego-portuguesa, de Giuseppe Tavani (Galaxia). Co-tradutor com Rosario Álvarez.
  • 1988: Diccionario galego-castelán (Galaxia).
  • 1991: Contos da xustiza (Ir Indo).
  • 1991: Escritores galegos contemporáneos. Participantes no encontro de escritores galegos e portugueses en Compostela, (setembro 1991) (Xunta de Galicia). Co-ordenação com Pilar Vázquez Cuesta e Fernando Dacosta.
  • 1992: A vida e o tempo de Diego Xelmírez, de R. A. Fletcher (Galaxia). Tradução com María Xesús Lama López.
  • 1993: Follas novas, de Rosalía de Castro (Galaxia). Editor, com Dolores Vilavedra.
  • 1993: Nivel soleira: versión provisional (Xunta de Galicia).
  • 1995: Dicionario da literatura galega. I. Autores, Galaxia.
  • 1995: Estudios de sociolingüística galega (Galaxia).
  • 1996: Día das Letras Galegas 1996: Xesús Ferro Couselo (Universidade de Santiago de Compostela).
  • 1996: Xesús Ferro Couselo. 1906-1975: unha fotobiografía (Xerais). Com Marcos Valcárcel, Xesús Alonso Montero e Ramón Villares.
  • 1997: Dicionario da literatura galega. II. Publicacións periódicas (Galaxia).
  • 1998: Galego, 2 BUP (Xerais).
  • 1998: A lagarada. O desengano do prioiro, de Ramón Otero Pedrayo (Galaxia).
  • 1998: Tres poetas medievais da Ría de Vigo: Martín Codax, Mendiño e Johán de Cangas (Galaxia).
  • 1999: Lingua COU (Xerais).
  • 2000: Novas voces da poesía galega: recital (Conselho da Cultura Galega).
  • 2000: Para ler a Castelao. I. II (Galaxia).
  • 2001: Galicia: unha luz no Atlántico (Xerais).
  • 2002: Elaboración e difusión da lingua (Conselho da Cultura Galega). Co-ordenador, com Xan Bouzada.
  • 2002: A normalización lingüística a debate (Xerais).
  • 2002: O proceso de normalización do idioma galego 1980-2000. Volume I, II, III (Conselho da Cultura Galega). Co-ordenador com Xan Bouzada.
  • 2002: Sobre a lingua galega: antoloxía, de Martín Sarmiento (Galaxia).
  • 2003: Homenaxe a don Paco del Riego, fillo adoptivo de Nigrán, Edicións do Cumio.
  • 2004: Actas do I Congreso Internacional "Curros Enríquez e o seu tempo" (Celanova, 2001) (Conselho da Cultura Galega).
  • 2005: Norma lingüística e variación: unha perspectiva desde o idioma galego (ILG/Conselho da Cultura Galega).
  • 2005: A sociedade galega e o idioma. A evolución sociolingüística de Galicia (1992-2003) (Conselho da Cultura Galega).
  • 2008: A edición da Poesía Trobadoresca en Galiza (Baía Edicións).
  • 2009: De verbo a verbo: documentos en galego anteriores a 1260 (Universidade de Santiago de Compostela). Com Ana Isabel Boullón Agrelo.
  • 2009: Sociedades plurilingües: da identidade á diversidade (Conselho da Cultura Galega).
  • 2010: Fermín Penzol. Unha obra para un país (Galaxia).

Além do mais, tem editado textos de Rosalía de Castro, Castelao e Ramón Otero Pedrayo e os seus trabalhos publicam-se em revistas especializadas como Grial, Verba, Coloquio/Letras (de Lisboa), Signo y Seña (de Buenos Aires), Portuguese Studies (de Cambridge), entre outras.

Prêmios e reconhecimentos

  • 1º Premio de "Ensayo sobre las lenguas y literaturas gallega, vasca y catalana", da Universidade Nacional de Educação a Distância (Madrid), 1998.
  • Prêmio Losada Diéguez de investigação (2000).
  • Prêmio da Crítica Galicia, na secção de Investigação, em 2009, pela obra Letras primeiras. O Foral de Caldelas. A emerxencia da escrita en galego e os primordios da lírica trobadoresca..

Referências

  1. "Henrique Monteagudo ingresará na Real Academia Galega" Arquivado em 14 de março de 2011, no Wayback Machine., artigo no Xornal de Galicia do 1 de maio de 2010.

Ligações externas

Cancioneiro da Vaticana

O Cancioneiro da Biblioteca Vaticana é uma colectânea medieval de 1200 cantigas trovadorescas (cantigas de amigo, de amor e de escárnio e mal-dizer) escritas em galaico-português .

Compilado em Itália no final do século XV ou começo do século XVI, encontra-se depositado na Biblioteca do Vaticano, donde deriva o nome por que é conhecido. Em 1847 o Visconde da Carreira financiou a primeira edição que foi feita, impressa, desse manuscrito medieval, com enquadramento histórico de D. Caetano Lopes de Moura, editado pela J.P. Ailaud em Paris, e depois e, 1875 houve outra edição diplomática desse cancioneiro por Ernesto Monaci.

Este cancioneiro, como o Cancioneiro da Biblioteca Nacional em Portugal, foi compilado depois do século XIII e abarca um espaço de tempo bem maior. Compreende não apenas obras dos poetas de Afonso III de Portugal e anteriores, como ainda os contemporâneos de Dinis de Portugal e seus filhos.

Dicionário galego

O Diccionario gallego (em português: Dicionário galego) é um dicionário bilíngue galego-castelhano de 10.943 vozes com as definições em espanhol. Foi elaborado por Xoán Cuveiro Piñol e publicado em Barcelona no ano de 1876. Este constitui o primeiro dicionário galego pancrónico.

Galego-português

O termo galego-português designa a língua românica falada durante a Idade Média nas regiões de Portugal e da Galiza e o atual sistema linguístico que ocupa toda a faixa ocidental da Península Ibérica, incluindo os diversos dialetos das línguas portuguesa e galega, assim como as variedades próprias das Astúrias, Bierzo, Portelas, de Xálima, das Terras de Alcântara, de Olivença e de Barrancos. Para além destes territórios, as aldeias de Rio de Onor e Guadramil também podem ser incluidas nesta faixa, tendo sido até meados do século XX de fala leonesa.

O idioma galego-português é o idioma ancestral comum às línguas galaico-portuguesas. Destacou-se pela sua utilização como idioma próprio da poesia trovadoresca não só nos reinos onde era nativa (Portugal, Galiza e Leão) mas também em Castela e, pontualmente, noutros locais da Europa.

Grial

Grial é uma revista de publicação trimestal editada pela Editorial Galaxia (Vigo), desde 1963. Pode considerar-se como um das melhores referências da revistas culturais galegas.

Como antecedente da revista cabe lembrar a Colección Grial, publicada também pela Editorial Galaxia em 1951 mas que foi fechada pela censura franquista depois da publicação de apenas quatro números.

Na revista Grial aparecem trabalhos que obedecem a um nobre propósito: informar sobre a realidade da Galiza, e informar e reflexionar sobre os mais diversos aspectos da cultura universal. Inicialmente, os diretores da revista foram Ramón Piñeiro e Francisco Fernández del Riego. Em 1989 assumiu a direção Carlos Casares Mouriño e, depois da morte deste em 2003, os diretores são Víctor Freixanes e Henrique Monteagudo.

Manuel Rivas

Manuel Rivas Barrós (Corunha, 26 de Outubro de 1957) é um escritor, poeta, ensaísta e jornalista galego. Assim mesmo, desde o 31 de julho de 2009 é acadêmico da RAG.

Séculos Escuros

Denominam-se Séculos Escuros os anos que vão entre fins do século XV e fins do XVIII, durante os que a literatura galega entrou num período de decadência e o galego perdeu o seu uso nos registos oficiais.

Dentre os factores que provocaram o progressivo declínio, destacam:

O assentamento na Galiza de nobreza castelhana, que não usava o galego e que substituiu a nobreza galega derrotada após apoiar os perdedores nas lutas dinásticas pela coroa de Castela, primeiro a Pedro I contra Henrique de Trastámara (século XIV) e mais tarde (1475-1479) a Joana a Beltraneja frente à futura Isabel a Católica

a ausência de uma burguesia capaz de defender os seus interesses e os do país

a perda de autonomia da Igreja galega.No entanto, todos estes factores confluem, e são compreendidos à vez, por outra clave decisiva: apesar de que durante toda a Idade Média a Galiza vivera num estado de prática semi-independência, quando se achegou o sol-pôr medieval, o país galego carecia de um monarca próprio -após a definitiva união de Galiza-Leão e Castela em 1230- ou de instituições próprias. Ou seja, a Galiza aparece nessa altura como um reino mais dos que conformam a coroa de Castela. Assim, a ausência de um poder central galego organizado que pudesse servir de contrapeso num momento no que, pelo contrário, a monarquia avançava para o absolutismo ao mesmo tempo que se centralizava no território castelhano, determinou o afastamento dos locais de decisão e, portanto, uma decisiva perda na capacidade de influência. A Galiza ficava assim como um reino cada vez mais afastado e decididamente marginal nos projetos duma monarquia que, centrada em Castela, vivia momentos de expansão imperial.

A língua galega, durante o longo período de três séculos - XVI, XVII e XVIII - esteve ausente dos usos escritos, frente ao espanhol e ao português que entraram num processo de fixação e codificação, o qual lhes conferia a categoria de línguas de cultura. Porém, seguiu a ser a via normal de comunicação de quase a totalidade da população. O exclusivo uso oral levou à sua consideração como língua aliterária, incapacitada para a ciência e a cultura.

O estudioso galego Xosé Ramón Freixeiro Mato fala de três grupos sociais na Galiza quanto ao seu comportamento linguístico: um reduzido grupo monolíngüe em espanhol no cume do poder político-religioso, um grupo bilíngue autóctone integrado no aparelho do poder e uma maioria monolíngüe em galego. Henrique Monteagudo assinala que o primeiro grupo atraia para o espanhol as camadas sociais que procuravam o ascenso, e esta extensão horizontal continuaria até o século XVIII, convertendo-se em descendente só a partir do XIX e ainda mais no XX.

A literatura galega ficou assim à margem do Renascimento e do Barroco, coincidindo esta sua etapa mais obscura com o Século de Ouro da literatura espanhola. Contudo, conservaram-se algumas cartas, documentos e escassas mostras literárias que deixam ver a língua da época. De fins do século XVI e primeiros do XVII conhecem-se várias cartas dirigidas a Diego Sarmiento de Acuña, conde de Gondomar, como por exemplo a que lhe enviou D. Diego Sarmiento de Sotomayor, dizendo-lhe em 1605: e mais que fixese ysto nesta lingoaxe pois é de v. m. tan estimada. E também através do estudo das cartas sabe-se que uma parte da aristocracia galega conhecia mal o espanhol e vivia instalada no galego como língua familiar e habitual.

Paralelamente a este vazio de literatura erudita, sobreviveu a veia da lírica popular em forma de cantigas de berce, de cego, entrudos, adivinhações, lendas, romances, contos, farsas, etc. Muitos destes textos chegaram até a atualidade por transmissão oral. No século XVIII, surgiram as vozes de denúncia dos chamados "iluminados", que demonstram a sua inquietação pelo subdesenvolvimento da Galiza e oferecem propostas renovadoras da vida econômica, social e cultural. Criam-se organismos como as Sociedades Económicas de Amigos do País e a Academia de Agricultura do Reino de Galiza.

Entre este minoritário grupo de intelectuais desponta a figura do padre Frei Martiño Sarmiento, personagem polifacético –naturalista, linguista, bibliófilo…— que defendeu o uso do galego no ensino, na administração e na Igreja, ou seja, a oficialização como língua própria dos galegos. Participam também o Padre Feixoo, o primeiro a rejeitar a condição de dialecto para o galego, e o padre Sobreira, continuador do trabalho lexicográfico de Sarmiento. A sua obra constituiu a primeira chamada de atenção sobre uma problemática linguística que se há manifestar com toda a sua força na segunda metade do século XIX.

Noutras línguas

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