Exército bizantino

O exército bizantino, ou seja, o exército do Império Bizantino ou Império Romano do Oriente, começou como uma versão renovada do exército romano, mantendo uns níveis similares de disciplina, valor e organização, e foi evoluindo para um exército medieval baseado na cavalaria.

Byzantyne attack Preslav
Bizantinos atacando Preslav

História

Transformações do exército romano

Do mesmo modo que o Império Bizantino foi uma continuação do Império Romano, o exército bizantino evoluiu a partir do exército romano. Este era composto de umas trinta legiões aquarteladas nas fronteiras do Império, e baseava-se na força da infantaria.

Entre os séculos III e VII, entre os reinados de Diocleciano e de Heráclio, tem lugar uma profunda reestruturação do exército romano. Os câmbios mais destacados são os seguintes:

  1. Desenvolvimento da cavalaria. A força das legiões romanas residia na infantaria, e apenas concedia-se importância à cavalaria, formada por pequenos corpos (os auxilia) recrutados entre os aliados de Roma. No século IV as coisas começam a cambiar. Após o seu uso ocasional por parte dos persas, os catafractários foram adotados (já na etapa baixo-imperial) como tropas de elite pelo Império Romano, sendo antecessores da cavalaria pesada medieval.

Nas guerras que o império trava com a Pérsia ao longo do mencionado século, narradas na obra de Amiano Marcelino, põe-se em evidência a grande importância da cavalaria. A batalha de Adrianópolis foi o último encontro armado em que intervieram as legiões convencionais. Dois séculos depois, no relato que faz Procópio das guerras de Justiniano, as tropas romanas são quase exclusivamente de cavalaria, sendo a infantaria um mero acompanhamento.

Este desenvolvimento da cavalaria parece é relacionado à invenção e desenvolvimento da sela e o estribo, bem como pela aparição, na planície irânia, de uma nova raça de cavalos capazes de transportarem o homem com armadura completa.

  1. limítanes e comitatenses
  • Os limítanes eram as unidades que defendiam as fortificações fronteiriças (em latim: limes). Sua função era adiar o invasor do momento, dando tempo aos exércitos móveis do império para se movimentarem até a zona de conflito.
  • Os comitatenses eram mantidos atrás das fronteiras, e podiam deslocar-se depressa caso necessidade, tanto para a defesa quanto para o ataque, e eram com frequência utilizados contra os usurpadores. Estas tropas eram melhor pagas, treinadas e equipadas do que os limítanes

Um terço de cada unidade era constituída por soldados de cavalaria. Aproximadamente a metade era cavalaria pesada, denominada de diferentes formas: escútaros (scutarii), prómotos (promoti) e establesianos (stablesiani), por exemplo.

A organização do exército: os temas

Os temas (em grego: θηματα; transl.: thémata) foram estabelecidos no século VII (é discutido se o seu criador foi Heráclio ou Constante II) sobre o modelo dos exarcados de Ravena e Cartago. Eram ao mesmo tempo distritos militares e circunscrições administrativas, sob o comando de um estratego. O nome temas significa, segundo Treadgold, "locais".

Ostrogorsky, na sua História do estado bizantino, atribui a Heráclio a criação dos primeiros temas na Ásia Menor. Outros autores, porém, como Pertusi, Baynes, Lemerle, Ahrweiler, Mango e Kaegi, opinam que foi um processo paulatino ao longo do século VII.

Os cinco primeiros temas estavam na Ásia Menor, e a sua missão principal era conter a invasão árabe, que despojara o império das províncias da Síria e do Egito. Eram os seguintes:

  • Tema Armeníaco: compreendia o leste da Anatólia, da Capadócia até o Mar Negro e o Eufrates. O seu núcleo original era o exército da Armênia estabelecido por Justiniano I. Sua existência está documentada ao menos desde 668.
  • Tema Anatólico: no centro e sul da Ásia Menor. Formado em torno do Exército de Oriente.
  • Tema Opsiciano: compreendia a Bitínia e a Paflagônia, e defendia a costa meridional do mar de Mármara. Formou-se em torno do Obséquio (em latim: Obsequium , lit. comitiva", uma força comitatense.
  • Tema Tracesiano: a sudoeste da Ásia Menor.

As tropas dos temas eram formadas pelos chamados estratiota (stratiotas), que serviam ao império no regime denominado pronoia (πρωνοια): eram concedidas parcelas (stratiotika ktemata) que deviam trabalhar e, em troca disto e uma pequena compensação monetária, ficavam ligados ao exército durante toda a vida, e até mesmo transmitiam esta obrigação aos seus filhos. Este sistema permitia o império formar um exército forte baseado na população autóctone, evitando ter de recrutar mercenários.

Nos séculos seguintes, para evitar o poder excessivo dos estratego, devido ao grande tamanho dos temas, os imperadores Leão III, o Isauro, Teófilo e Leão VI, o Sábio dividiram os temas em áreas menores. No século X, sob o reinado de Constantino é documentada a existência de 28 temas:

Na Ásia:

Na Europa:

Nesta época já se perdera definitivamente a Sicília. Chipre era um condomínio administrado junto com o califa de Bagdá, e continuaria sendo-o até ser reconquistado em 965 para o império por Nicéforo II Focas. A capital, Constantinopla, estava sob a autoridade de um eparca e protegida pelos numerosos tagmas e forças de polícia.

Composição

Catafractários

Denomina-se assim à cavalaria pesada na que tanto o ginete quanto o cavalo portavam armadura. O seu poder de choque era bem significativo e a sua invulnerabilidade quase total, como a dos cavaleiros medievais. Eram uma tradição em Oriente, onde serviram nos exércitos persas, armênios e sassânidas, antes de ser adotados pelos Romanos. A evolução desta cavalaria, precursora do modelo militar ocidental foi decisiva durante séculos, até o seu desaparecimento após ser derrotada na Batalha de Manziquerta.

Armada

O Império Bizantino foi famoso pela sua superioridade naval. A sua frota, após a queda do Império Romano do Ocidente controlou o mar Mediterrâneo, especialmente durante a idade de Ouro de Justiniano I. Também fazia parte da sua armada a frota fluvial que patrulhava o Danúbio. A retirada posterior, implicou o seu lento declínio como primeira potência do mesmo, embora no mar fosse uma potência a levar em conta durante bastante tempo. A expansão islâmica expulsou-a da zona oriental (Egito, Síria) e chegou a ser problema com as conquistas temporárias da Sicília e Creta.

Com o renascimento do século XI, a frota voltou a recuperar o seu papel predominante no Mediterrâneo Oriental, embora não alcançasse o seu anterior poder. Nos últimos estertores do império, já reduzido a umas poucas cidades portuárias, os vestígios do seu poder naval foram chave para manter essas posições até o último sítio de Constantinopla.

O navio modelo da frota bizantina era o dromon, evolução dos trirremes clássicos. É um barco de remo, similar à galé, de um só mastro. O velame era latino (de vela quadrada) como herança das técnicas de navegação precedentes.

É preciso mencionar o fogo grego, uma arma segreda incendiária, que durante séculos foi uma vantagem para Bizâncio. A sua composição era transmitida em tal segredo, que até o nossos tempos não foi desvelada, embora seja sabido que era uma mistura de nafta, piche, cal, enxofre, salitre e petróleo.

Os Tagmas

Os tagmas (τάγματα, “batalhões”) eram as forças de elite do império, e estavam acantonadas na capital e nas suas cercanias, se bem que nos últimos tempos fossem enviados alguns destacamentos para as províncias. Embora muitos dos corpos de exército se remontassem à época proto-bizantina, sofreram uma importante reestruturação na época de Constantino V.

A segurança do imperador e do palácio imperial era confiada à Heteria e aos tagmas, estes últimos formando também o núcleo das expedições de campanha. Eram as tropas mais preparadas e melhor pagas do exército bizantino.

No século X existiam cinco regimentos de tagmas: escola palatina, excubitores, Heteria, Vigla (também chamado Arítmnos) e Números. Escolas, Excubitores e Números ficavam no comando de domésticos; os oficiais dos regimentos Vigla e Heteria eram dirigidos, respectivamente, por um drungário e por um grande heteriarca. Os destacamentos provinciais dos tagmas eram sob comando dos turmarcas, tenentes dos domésticos e drungários. Os tagmas mais importantes eram os seguintes:

  • Os Escolas (gr. Σχολαί, "as Escolas"), herdeiros da guarda imperial fundada por Constantino I. Eram dirigidos por um doméstico.
  • Os Arítmos (gr. Αριθμός, "os Números") ou Vigla (gr. Βίγλα, a Vigilância), fundados possivelmente no século VI. Seu comandante era um drungário.

Todos eles eram unidades de cavalaria formadas por entre 1 000 e 6 000 homens (4 000 parece ter sido o número predominante).

Muralhas de Constantinopla

As quase inexpugnáveis muralhas de Constantinopla foram edificadas durante o reinado de Teodósio II por necessidades defensivas e necessidades urbanísticas foram levantadas estas grandes muralhas, embora antigamente já existissem outras muralhas. A construção das muralhas começou em 412 e terminou em 447. Como eram quase inexpugnáveis, não era estranho que os imperadores investissem grandes somas de dinheiro para a sua conservação.

Era uma tripla muralha e o seu lanço atingia mais de seis quilômetros. A muralha tinha varias entradas destacando-se a Porta Áurea (Porta Dourada) que era o lugar por onde entravam os imperadores vitoriosos. Esta entrada era formada por uma tripla arcada, um arco do triunfo edificado em 388 e que, quando Teodósio II construiu a nova muralha, foi absorvida por esta. Era coroada por uma imagem de Teodósio II sobre quatro elefantes em bronze. Foi utilizada pela última vez quando a cidade foi reconquistada por Miguel VIII Paleólogo das mãos dos latinos. Com o tempo, a magnífica entrada foi taipada até hoje que é uma pequena entrada.

As Muralhas de Constantinopla somente foram superadas em duas ocasiões: Em 1204 pelos cruzados e em 1453, ano em que o Império Bizantino caiu nas mãos dos turcos otomanos.

Bibliografia

  • Treadgold, Warren: "Notes on the Number and Organization ot the Ninth Century Byzantine Army", in Greek, Roman and Byzantine Studies , 21 (1980); pp. 269-288. [1]
  • Haldon, John : "Strategies of Defence, Problems of Security : the Garrisons of Constantinople in the Middle Byzantine Period", in Constantinople and its Hinterland : Papers from the Twenty-Seventh Spring Symposium of Byzantine Studies , Oxford, 1993. [2]

Referências

Armênia bizantina

Armênia bizantina (português brasileiro) ou Arménia bizantina (português europeu), às vezes chamada Armênia Ocidental, é a porção armênia do Império Bizantino. O tamanho do território variou com o tempo, dependendo do grau de controle que os bizantinos tinham sobre a Armênia. Os impérios Bizantino e Sassânida dividiram a Armênia em 387 e em 428. A Armênia Ocidental manteve-se sob controle bizantino, e a Oriental sob controle sassânida. Mesmo após o estabelecimento do Reino da Armênia sob a dinastia Bagratuni, partes da Armênia história e áreas habitadas por armênios ainda estavam sob controle bizantino.

Os armênios não tiveram representação do Concílio Ecumênico da Calcedônia em 451, porque eles estavam lutando contra os sassânidas em uma rebelião armada. Por esta razão, surgiu um desvio teológico entre a Cristandade Bizantina e Armênia. Independentemente disso, muitos armênios tornaram-se bem sucedidos no Império Bizantino. A proximidade da capital oriental com a Armênia atraiu para as margens do Bósforo um grande número de armênios, e por três séculos eles desempenharam uma parte distinta na história do Império Bizantino. Cerca de 10 imperadores bizantinos eram etnicamente armênios, meio-armênios, parte-armênios ou possivelmente armênios; embora culturalmente gregos. O melhor exemplo disto é o imperador Heráclio (r. 610-641), cujo pai foi armênio e a mãe capadócia. O imperador Heráclio iniciou a dinastia heracliana (610-717). Basílio I, o Macedônio (r. 867-886) é outro exemplo de um armênio começando uma dinastia; a dinastia macedônica. Outros grandes imperadores foram Romano I Lecapeno (r. 920-944), Nicéforo II Focas (r. 963-969) e João I Tzimisces (r. 969-976).

Bando (exército)

O bando (em grego: βάνδον; transl.: bándon; plu: banda; em latim: bandum; transl.: lit. "bandeira") foi uma unidade militar e administrativa básica do Império Bizantino Médio. Seu nome deriva do latim bandum, "insignia, bandeira", que por dua vez tem uma origem germânica. O termo foi usado já no século VI como um termo para um estandarte de batalha, e logo veio a ser aplicado para a unidade de transporte como o próprio estandarte. No exército bizantino dos séculos VIII-XI, o bando formou a unidade básica, com cinco ou sete bandos formando um turma, a principal subdivisão de um tema, uma província civil-militar. Cada bando foi comandado por um conde (komes) com 200–400 soldados e 50–100 cavaleiros. Ao contrário de outros termos militares e administrativos do bizantino médio, o bando sobreviveu até o período bizantino tardio, e permaneceu a unidade territorial básica do Império de Trebizonda até sua queda.

Batalha de Anquíalo (917)

A Batalha de Anquíalo ou Aqueloo (em latim: Anchialus; em búlgaro: Битката при Ахелой; em grego: Μάχη του Αχελώου), foi travada em 20 de agosto de 917 às margens do rio Anquíalo perto da costa búlgara do mar Negro e da fortaleza de Tutom (atual Pomorie) entre o Império Bizantino e o Búlgaro. O resultado foi uma vitória decisiva dos búlgaros, que não apenas asseguraram os sucessos anteriores de Simão I, como fizeram dele o governante de facto de toda a península Balcânica, com exceção da bem-protegida capital bizantina, Constantinopla, e a região do Peloponeso.

A batalha de Anquíalo foi um dos piores desastres da história do exército bizantino e também um dos maiores triunfos militares da Bulgária. Entre as mais importantes consequências estava o reconhecimento oficial do título de imperador para os monarcas da Bulgária e a consequente afirmação da igualdade entre Bizâncio e a Bulgária.

Batalha de Jarmuque

A batalha de Jarmuque (em árabe: معركة اليرموك; transl.: maerakat al-Yarmuk/Yarmuq), também citada em grego como Hieromiax (Ἱερομύαξ) ou Iermucas (Ιερμουχάς), foi uma grande batalha entre as tropas árabes do Califado Ortodoxo e os exércitos do Império Bizantino. Envolveu uma série de combates que duraram seis dias, de 15 a 20 de agosto de 636, travados perto do rio Jarmuque, a sudeste do mar da Galileia, no que é atualmente a fronteira entre a Síria e a Jordânia e não muito longe das fronteiras do Líbano e Israel.

O resultado da batalha foi uma vitória total muçulmana que acabou com o domínio bizantino na província romana da Síria. É considerada uma das batalhas mais decisivas da história militar e foi o ponto mais alto da primeira vaga das conquistas islâmicas que se seguiram à morte de Maomé, prenunciando o rápido avanço muçulmano no Levante, que na altura era cristão.O imperador bizantino Heráclio tinha enviado uma expedição numerosa para o Levante em maio de 636, com o objetivo de travar o avanço muçulmano iniciado dois anos antes e de recuperar os territórios perdidos. À medida que o exército bizantino se aproximava, os Árabes retiraram da Síria e reagruparam todas as suas forças nas planícies de Jarmuque perto da Arábia, onde, depois de terem recebido reforços, derrotaram as tropas bizantinas numericamente superiores. A batalha é considerada uma das maiores vitórias de Calide ibne Ualide e cimentou a sua reputação como um dos maiores estrategos e comandantes de cavalaria da história.

Batalha de Manziquerta

A Batalha de Manziquerta (ou de Manzikert; em turco: Malazgirt Muharebesi) foi travada entre os impérios Bizantino e Seljúcida em 26 de agosto de 1071 perto de Manziquerta (atual Malazgirt, na província de Muş, Turquia), algumas dezenas de quilómetros a norte do lago de Vã. O confronto terminou com uma pesada pesada derrota do exército bizantino, que contribuiu decisivamente para minar a autoridade bizantina na Anatólia e abriu o caminho para a invasão turca e progressiva "turquificação" da Anatólia.O exército seljúcida foi comandado pelo sultão Alparslano e o exército bizantino pelo imperador Romano IV Diógenes, que foi capturado durante os combates. No lado bizantino, os principais combatentes foram os soldados profissionais das tagmata orientais e ocidentais, pois grande parte dos mercenários e recrutas anatólios fugiram no início do combate e sobreviveram à batalha.A debandada de Manziquerta foi desastrosa para os bizantinos, tendo resultado em conflitos civis e crise económica que debilitaram severamente a capacidade do império para defender as suas fronteiras. Isso possibilitou um movimento massivo de turcos para a Anatólia Central e em 1080 os turcos seljúcidas tinham tomado uma área de 78 000 km². Só após 30 anos de guerras civis é que o império voltou a ter estabilidade, sob o governo de Aleixo I Comneno (r. 1081–1118). Embora os historiadores mais recentes rejeitem a opinião dos seus antecessores que consideravam a derrota em Manziquerta como um revés catastrófico para os bizantinos, continuam a considerá-la como um acontecimento com consequências muito dolorosas.

Clisura

Clisura (em grego: κλεισούρα; transl.: Kleisoura, "gabinete, desfiladeiro"; plural kleisourai) era um termo usado no Império Bizantino para designar uma passagem de montanha fortificada e o distrito militar que a guarnecia. No final do século VII passou a designar distritos fronteiriços mais extensos, principalmente na fronteira oriental do Império com os Califados Omíada e Abássida, ao longo da linha das montanhas do Tauro e Antitauro. A ocidente, só Estrimão foi inicialmente chamado clisura.Um clisura ou clisurarquia (kleisourarchia) era um comando autónomo, menor que um tema, comandado por um clisurarca (em grego: κλεισουράρχης; transl.: kleisourarches). A maioria dos clisuras acabaram por ser promovidos aos temas e o termo caiu em desuso a partir do século X. No final da era bizantina, o termo drungo tinha um significado similar. O equivalente dos clisuras nos territórios muçulmanos da Cilícia e da Mesopotâmia eram os al-'Awasim.

Drungo

Drungo (em grego: δρούγγος; transl.: droúngos; do germânico thrunga) foi um termo grego que teve ao longo do tempo três significados. Antes do século XII, um drungo foi uma subdivisão do exército de um tema, comandada por por drungário, que foi maior que um bando e menor que uma turma. A partir do fim do século XII, o termo designou certas áreas montanhosas da Ática, Lacônia e Epiro e foi sinônimo de zigo (zygos; "serra" ou "passo") e durante os séculos XIII-XIV foi aplicado unidades militares ou paramilitares atribuídas a estas áreas montanhosas.

Excubitores

Excubitores ou Excúbitos (em grego: ἐξκουβίτορες ou ἐξκούβιτοι; transl.: Exkoubítores ou Exkoúbitoi; em latim: Excubitores ou Excubiti; literalmente: "aqueles fora da cama", ou seja, "sentinelas") foram uma unidade de guardas imperiais dos imperadores bizantinos fundada cerca de 460 por Leão I, o Trácio (r. 457–474). Originalmente criada como meio de contrabalancear a influência do efetivo germânico do exército bizantino, bem como do oficial Áspar, com o tempo seus comandantes adquiriram grande influência e alguns chegaram a ser imperadores no século VI.

Os excubitores desapareceram dos registros no final do século VII, mas em meados do século VIII foram convertidos numa das tagmas de Constantino V Coprônimo (r. 741–775), ou seja, numa das unidades militares de elite que formavam o núcleo profissional do exército bizantino, deixando de ser uma unidade de guarda. Pelo século IX, o comandante dos excubitores Miguel II, o Amoriano (r. 820–829) tornou-se imperador e pelo século X, Romano II (r. 959–963) dividiu o regimento em dois. Os últimos excubitores são atestados no ano 1081.

A composição original dos excubitores atualmente é desconhecida, sendo possível determinar apenas que eram uma unidade de cavalaria que contava com oficiais chamados escrivães, porém de função incerta. Durante os primeiros séculos de sua existência, seu comandante era um conde, que seria substituído no século VIII pelo doméstico. Como tagma, sua estrutura seguiu os padrões dos demais regimentos de elite, sendo divididos em pelo menos 18 bandos, cada qual comandado por um escrivão, que por sua vez eram subdivididos em unidades menores chefiadas pelo draconário. Seu tamanho e de suas subdivisões é incerto, com os autores variadamente estipulando valores.

Exército comneno

O exército comneno ou exército bizantino comneno foi a força estabelecida pelo imperador bizantino Aleixo I Comneno (r. 1081–1118) durante o final do século XI e começo do século XII, e aperfeiçoada por seus sucessores João II Comneno (r. 1118–1143) e Manuel I Comneno (r. 1143–1180) durante o século XII. Aleixo construiu um novo exército de baixo para cima, substituindo completamente as formas anteriores do exército bizantino. O exército comneno foi instrumental para a Restauração Comnena do Império Bizantino durante seu período de existência, e foi implantado nos Bálcãs, Itália, Hungria, Rússia, Anatólia, Síria, Levante e Egito.

Jovianos e Herculianos

Jovianos e Herculianos (em latim: Ioviani et Herculiani) eram duas unidades seniores da guarda palatina na época do imperador Diocleciano (r. 284–305) e que continuaram a existir depois de seu reinado como unidades seniores nos exércitos do Império Romano do Ocidente e do Império Romano do Oriente.

Justino I

Flávio Justino (em latim: Flavius Justinus Augustus; c. 450 — 1 de agosto de 527) foi um imperador romano do Oriente (r. 518–527). Originalmente um soldado do exército bizantino e, posteriormente, general e comandante da guarda palaciana em Constantinopla durante o reinado de Anastácio I Dicoro, foi elevado à dignidade imperial apesar de ser analfabeto e contar quase 70 anos.

Miguel VI, o Estratiótico

Miguel VI, o Estratiótico foi um imperador bizantino que reinou por apenas um ano, de 1056 a 1057.O seu nome era Miguel Bringas, e era descendente colateral de José Bringas, ministro de Romano II. Seu apelido procede do cargo que desempenhava na burocracia bizantina: encarregado da administração militar. Foi nomeado herdeiro pela imperatriz Teodora, pouco antes da sua morte. No momento da sua ascensão ao trono, Miguel era já um ancião.

Durante o seu breve mandato, favoreceu a burocracia em detrimento da aristocracia militar. Após desairar os principais chefes militares do Império na Primavera de 1057, houve uma conspiração para o derrocar, e a 8 de junho de 1057 foi proclamado imperador o comandante-em-chefe do exército bizantino, Isaac Comneno. O exército rebelde derrotou os partidários de Miguel VI a 20 de agosto desse mesmo ano, entre as cidades de Niceia e Nicomédia. O imperador enviou uma embaixada a Isaac Comneno, encabeçada pelo historiador Miguel Pselo, propondo a coroação de Isaac como césar e futuro sucessor. Embora Isaac aceitasse, o patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário instigou um golpe de estado que depôs Miguel VI. A 1 de setembro, Isaac Comneno entrou triunfalmente em Constantinopla. Ao contrário do que costumava ocorrer com os imperadores bizantinos depostos, Miguel não foi assassinado nem cegado, nem teve de exilar-se. Continuou vivendo como cidadão particular, e faleceu pouco depois, por volta de 1059.

Pronoia

Pronoia (em grego: πρωνοια , lit. "previsão"; plural pronoiai) foi um sistema de doação e propriedade da terra no Império Bizantino, que alguns compararam com o feudalismo ocidental.

Tema Armeníaco

O Tema Armeníaco (em grego: Άρμενιακόν [θέμα]; transl.: [thema] Armeniakon), chamado também de Tema dos armeníacos, foi um tema (uma província civil-militar) bizantino localizado na parte nordeste da Ásia Menor. Foi um dos quatro temas originais fundados no século VII, agrupando os efetivos remanescentes do exército bizantino após o começo da expansão islâmica. Tornou-se um dos temas mais importantes do império, e seus generais encabeçaram uma série de revoltas durante o século VIII, o que levou o poder imperial a subdividi-lo. Ele permaneceu sob controle bizantino até o século XI, quando foi conquistado pelos turcos seljúcidas.

Tema da Anatólia

O Tema Anatólico (em grego: Άνατολικόν [θέμα]; transl.: Anatolikon [thema]), também conhecido como Tema dos Anatólicos (θέμα Άνατολικῶν; thema Anatolikōn), foi um tema (província militar-civil) do Império Bizantino, na região central da Ásia Menor (atual Turquia). Abrigou o exército bizantino do Oriente remanescente após os revezes provocados pela expansão islâmica, vindo a tornar-se, a partir da separação do Tema Opsiciano c. 750, o mais importante tema imperial. Foi sede de importantes generais como o futuro imperador Leão III, o Isauro (r. 717–741) e Bardanes, o Turco , bem como serviu de abrigo para Constantino V Coprônimo (r. 741–775). Existiu até o século XI, quando é conquistado pelos invasores turcos seljúcidas.

Tibério II

Flávio Tibério Constantino Augusto ou Tibério II Constantino (em latim: Flavius Tiberius Constantinus Augustus; ca. 540 — 14 de agosto de 582) foi imperador bizantino de 574 a 582. Era amigo de Justino II, que o nomeou conde dos excubitores (guardas romanos). Assumiu o controle do Império quando Justino enlouqueceu em 574 e, de modo a aumentar sua popularidade, começou imediatamente a gastar os recursos do tesouro. Com Justino ainda vivo, o general armênio Maurício derrotou, a mando de Tibério, os persas na Armênia.

Com a morte de Justino em 578, Tibério ascendeu plenamente à dignidade imperial e desencadeou ações militares no território do antigo Império Romano do Ocidente, onde negociou a paz com os visigodos na Hispânia e derrotou os mouros na África do Norte. Os eslavos começaram a migrar para os Bálcãs em 579, mas o exército bizantino estava ocupado com os persas e não pôde impedir as migrações eslavas.

Em 582, Tibério adoeceu e Maurício foi nomeado seu herdeiro. Tibério morreu em agosto de 582, entre rumores de envenenamento.

Sua filha Constantina foi casada com Maurício I; seus netos foram massacrados após a deposição de Maurício I, exceto uma neta, Maria, que escapou para a Pérsia e se tornou esposa de Cosroes II da Armênia.

Totila

Totila (? — 1 de julho de 552), conhecido também com o nome "Baduila", nascido em Treviso, foi rei dos ostrogodos de 541 a 552, depois da morte de seu tio Ildibaldo e do assassinato de seu primo Erarico. Morreu na Batalha de Tagina em 552.Depois dos conflitos contra o general bizantino Belisário e depois da consequente captura de Vitige em 540, os ostrogodos passaram a ter um Estado ao norte do rio Pó. Totila era o comandante da tropa gótica sob Tarvisio, e foi provavelmente nomeado rei por volta da metade de 541.

O seu objetivo foi a de contrapor-se à política do imperador bizantino Justiniano (r. 527–565), que visava a posse da Itália. Totila teve inicialmente muito sucesso, aproveitando-se do fato que as tropas de Justiniano no Império Romano do Oriente estavam empenhadas desde 540 em uma guerra contra o Império Sassânida. Conseguiu notáveis sucessos no campo de batalha assediando e saqueando Alatri em 543, recrutando camponeses para reforçar o exército, e conseguiu conquistar a cidade de Roma por duas vezes (ao fim de 546 e ao início de 550), embora não conseguisse mantê-la por muito tempo.

A primeira vez Totila assediou Roma em 544. Em 17 de dezembro de 546, os guardiões se depararam com o exército ostrogodo e abriram as portas da cidade, consentindo com a invasão. Roma foi depredada e os seus muros destruídos, enquanto os seus habitantes foram perseguidos.

Na primavera de 547, Belisário conseguiu libertá-la, e um segundo assédio de Totila em maio do mesmo ano não teve sucesso. No outono de 549, Totila assediou Roma pela terceira vez, e conseguiu conquistá-la graças a uma nova traição dos guardiões que abriram as portas ao seu exército. A cidade teve poucos sobreviventes e o senado romano se transferiu quase completamente a Constantinopla. Foi o período mais sangrento da Guerra Gótica.

Depois da segunda conquista de Roma, Totila fez uma campanha de propaganda, na qual pôs em confronto o estilo de vida dos ostrogodos no tempo de Teodorico, o Grande, com os anos de sofrimento, da guerra e da política fiscal de Justiniano. Teve menos sucesso com a política exterior, uma vez que não conseguiu fazer aliança com os francos.

Em 551, Justiniano entregou o comando do exército bizantino ao general Narses, e o mandou a libertar a Itália: as suas tropas entraram na Itália do norte através dos Bálcãs, evitando as linhas defensivas góticas.

Totila então abandonou Roma, levando consigo 300 jovens reféns escolhidos entre as famílias mais importantes da cidade.

Em 30 de junho ou 1° de julho de 552, o exército ostrogodo foi derrotado na Úmbria sob as flechas dos arqueiros do exército de Narses, na Batalha de Tagina entre Gúbio e Gualdo Tadino. Totila morreu em batalha ou durante a fuga, e os ostrogodos se reuniram sob o seu último rei na Itália, Teia: este matou os 300 jovens reféns de Totila, e o mesmo fim tiveram todos os prisioneiros e as famílias senatoriais. Porém, devido à perda da maior parte da cavalaria, que não pôde oferecer uma resistência adequada, o sonho dos ostrogodos de um reino na península Itálica teve fim.

Turma

A turma (latim: "enxame", plural: turmae) era uma unidade militar de cavalaria do exército da Roma antiga. Era constituída por 30 cavaleiros, incluindo três decuriões, um dos quais comandava a turma.

O termo "turma" acabou por utilizar-se para designar agrupamentos de certos tipos de pessoas, com um número aproximado de elementos que os das antigas turmas militares romanas. Modernamente, é especialmente aplicado a cada um dos grupos de alunos de uma escola que partilham os mesmos horários, as mesmas disciplinas e as mesmas salas de aula.

Ácritas

Ácritas (em grego: ἀκρίται; transl.: Akritai; singular: em grego: ἀκρίτης; transl.: akritēs) é um termo usado no Império Bizantino para denotar as unidades do exércitos que guarneciam a fronteira imperial oriental, enfrentando os estados muçulmanos do Oriente Médio; por extensão pode ser aplicado para denotar os habitantes imperiais que habitaram as proximidades da fronteira. Suas façanhas, embelezadas, inspiraram o "épico nacional" bizantino Digenis Acritas e o ciclo de canções acríticas.

O termo é derivado da palavra grega akron/akra que significa fronteira; guardas das fronteiras similares, conhecidos como limítanes, foram empregados no período romano tardio e começo do período bizantino (até século VII) para defender as fronteiras (limes). Em uso bizantino o termo não é técnico, e era usado de forma descritiva, sendo geralmente aplicado aos defensores, bem como os habitantes da zona fronteiriça oriental, incluindo seus colegas muçulmanos. A imagem popular dos ácritas tem sido pesadamente influenciada pelo seu retrato nas canções acríticas, e refere-se às tropas militares estacionadas ao longo da fronteira do império. Na realidade, as tropas bizantinas, estacionadas ao longo das fronteiras eram uma mistura de tropas profissionais e milícias temáticas locais, bem como unidades irregulares que constituíam os ácritas ou apélatas (apelatai) adequado.

Eles eram recrutados de infantaria leve armênia, búlgara e da população bizantina nativa. Pelo século X, a reconquista de muitos territórios no oriente significou que estes últimos eram ética e religiosamente mistos, um fato simbolizado pelo legendário Digenes Akritas: "digenes" significa "as duas raças", ou seja "romana" (bizantina/grega) e "sarracena". Os apélatas, cujo papel e táticas são descritas no De velitatione bellica de Nicéforo II Focas, atuaram como atacantes, batedores e guardas fronteiriços na guerra perene entre bizantinos e os vizinhos orientais, caracterizada por conflitos e invasões. Além da infantaria leve, as forças de fronteira foram complementadas por cavalaria leve chamada trapézitas (trapezitai) ou tasinários (tasinarioi). No caso de um ataque árabe principal (razia), eles deveriam dar o alarme, ajudar na evacuação da população para diferentes fortalezas, encobrir e assediar a força inimiga até reforços chegarem.Frequentemente, eles eram ativos com bandidos também - eles foram conhecidos como consários (chonsarioi), do búlgaro para "ladrões", no Bálcãs, e no épico de Digenes, os apélatas são bandidos. Se a estes homens também era dada propriedades militares como os outros soldados temáticos para cultivar ou viver das rendas dos minifúndios enquanto se concentravam em seus deveres militares ainda é uma questão de debate. Seus oficiais, contudo, eram retirados da aristocracia local.

Os ácritas declinaram em importância pelo século X, pois as conquistas bizantinas empurraram as fronteiras para leste, e a defesa radicalmente foi restruturara, com pequenos temas agrupados em cinco grandes regiões (Edessa, Antioquia, Mesopotâmia, Vaspracânia e Cáldia) comandadas por um duque e uma presença pesada de tropas profissionais (tagmas). Durante a primeira metade do século XI, os bizantinos enfrentaram pouco perigo no oriente, o que permitiu que sua força militar enfraquecesse. Como resultado, eles não foram capazes de deter o rápido avanço dos turcos seljúcidas na Ásia Menor.A instituição, na forma de uma força criada por habitantes locais em troca de terras e isenções fiscais, foi restabelecida sob Manuel I Comneno (r. 1143–1180), quando ele reorganizou os temas na reconquista ocidental da Ásia Menor. É também atestado durante o Império de Niceia, guardando a fronteira anatólia, especialmente em torno do vale Meandro, contra as incursões dos nômades turcos. Seu apego à dinastia dos Láscaris, contudo, levou os a revolta contra o imperador usurpador Miguel VIII Paleólogo (r. 1259–1282) em 1262. Após a revolta ser suprimida, os ácritas foram então inscritos para o exército regular, e suas isenções foram anuladas. Como resultado, dentro de uma geração, eles tinham efetivamente deixado de existir, abrindo caminho para a completa perda das possessões bizantina na Ásia Menor durante a primeira metade do século XIV.

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