Epístola aos Romanos

A Epístola aos Romanos, geralmente referida apenas como Romanos, é o sexto livro do Novo Testamento. Os estudiosos da Bíblia concordam que ela foi escrita pelo apóstolo Paulo aos romanos para explicar como a salvação é oferecida por meio do Evangelho de Jesus Cristo. É a primeira e a mais longa das Epístolas Paulinas, e é considerada a epístola com o "mais importante legado teológico".[1][2]

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História

A epístola aos romanos foi escrita por Paulo, provavelmente na cidade de Corinto, Grécia, enquanto ele estava hospedado na casa de Gaio e transcrita por um dos Setenta Discípulos, o escriba chamado Tércio de Icônio.[3] Há uma série de razões que convergem para a teoria de que Paulo a escreveu em Corinto, uma vez que ele estava prestes a viajar para Jerusalém ao escrevê-la, o que corresponde com Atos 20:3, no qual é relatado que Paulo permaneceu durante três meses na Grécia. Isso provavelmente implica Corinto, pois era o local de maior sucesso missionário de Paulo, na Grécia.[4] Adicionalmente Febe, uma diaconisa da igreja em Cencréia, um porto a leste de Corinto, teria sido capaz de transmitir a carta a Roma depois de passar por Corinto. Erasto, mencionado em Romanos 16:23, também viveu em Corinto sendo comissário da cidade para obras públicas e tesoureiro da cidade em várias épocas, mais uma vez indicando que a carta foi escrita em Corinto.[5]

O momento exato em que foi escrito não é mencionado na carta, mas foi obviamente escrito quando a coleta de ofertas para Jerusalém tinha sido montada e Paulo estava prestes a ir a Jerusalém, ou seja, no final de sua segunda visita a Grécia, durante o inverno que precedeu a sua última visita a essa cidade. A maioria dos estudiosos propoem que a carta foi escrita no final de 55, 56 ou 57.[6] Outros propoem o início de 58 ou 55, enquanto Luedemann defende uma data anterior, como 51/52 (ou 54/55 ), na sequência de Knox, que propôe 53/54.[7] O teólogo Fábbio Xavier, em seu artigo Conhecendo os Romanos de Roma, deixa claro que a carta pode ter sido redigida por volta de 55 e 56.

Contexto de Romanos na vida de Paulo

File"-Saint Paul Writing His Epistles" by Valentin de Boulogne
Representação do século XVI de São Paulo escrevendo sua Epístola. Romanos 16:22 indica que Tércio atuou como seu copista.
Por Valentin de Boulogne, 1618-1620
Museu de Belas-Artes de Houston

Durante dez anos antes de escrever a carta (aproximadamente entre os anos 47 a 57 d.C.), Paulo tinha viajado ao redor do mar Egeu evangelizando. Igrejas foram implantadas nas províncias romanas da Galácia, Macedónia, Acaia e Ásia. Paulo, considerando a sua tarefa concluída, queria pregar o evangelho na Espanha.[8] Isso lhe permitiu visitar Roma no caminho, uma ambição de longa data dele. A carta aos Romanos, em parte, prepara a comunidade de Roma e dá motivos para sua visita.[8]

Além da localização geográfica de Paulo, suas opiniões religiosas são importantes. Primeiro, Paulo era um judeu helenístico com um fundo farisaico, integrante de sua identidade. Sua preocupação com o seu povo é uma parte do diálogo e é retratado ao longo da carta.

Hermenêutica

Interpretação católica

Os católicos aceitam a necessidade da para a salvação, mas apontam para Romanos 2:5-11 para a necessidade de viver uma vida virtuosa e praticar as boas obras, assim:[9]

Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber, a vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção, mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes a verdade e obedientes à iniquidade, tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego, glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego. Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.

Sobre este assunto, São Tiago diz também que

o homem é justificado pelas obras e pela fé (Tg 2, 24), ou então pelas obras que nascem da fé, porque a fé sem obras é morta (Tg 2, 17).

Interpretação protestante

Para argumentar a alegação de que a salvação é obtida somente pela fé em Cristo, os protestantes sustentam Romanos 4:2-5:

Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus, pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça, ora, àquele que faz qualquer obra não lhe é imputado o galardão segundo a graça, mas segundo a dívida, mas, àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça.

A defesa de que a salvação é obtida somente pela fé defendida no livro de Romanos pelos protestantes, está fortemente fundamentada na epístola escrita ao Efésios, também escrito pelo apóstolo Paulo, que se encontrava aprisionado em Roma, onde no segundo capítulo, vesículos 8 a 10 ele aponta que:

Efésios 2:8-10:

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Por que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obas, as quais Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos.

Eles também apontam que, para os escritos de Romanos 2:21-25:

Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei? Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós, porque a circuncisão é, na verdade, proveitosa, se tu guardares a lei; mas, se tu és transgressor da lei, a tua circuncisão se torna em incircuncisão.

Martinho Lutero qualificou a carta de Paulo aos romanos como a "mais importante peça do Novo Testamento. É o mais puro Evangelho. Vale a pena para um Cristão não somente memorizar palavra por palavra, mas também ocupar-se com ela diariamente, como se fosse o pão diário da alma".[10]

Romanos têm estado na vanguarda de vários movimentos importantes no protestantismo. As palestras de Martinho Lutero sobre Romanos em 1515-1516, provavelmente coincidiram com o desenvolvimento de sua crítica ao Catolicismo que levou às 95 Teses de 1517. Em 1738, na audiência do "Prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos" lido na Igreja de St. Botolph em Aldersgate Street, Londres, John Wesley disse que sentiu seu coração "estranhamente aquecido", uma experiência de conversão, que é muitas vezes vista como o início de Metodismo.

Respeito às autoridades e pagamento de impostos

No capítulo 13 a epístola evoca que os cristãos devem interiorizar um respeito cívico para com as autoridades por sustentar que toda autoridade é antes de tudo determinada por Deus; no versículo 6 registra que os cristãos também devem pagar os tributos, pagar impostos.[11]

Referências

  1. http://www.catholicregister.org/content/view/2051/858/
  2. http://www.tc.umn.edu/~parkx032/RM.html
  3. Dunn, xliv; Stuhlmacher, 5; Romanos 16:22-31.
  4. Dunn, xliv
  5. Bruce, 280-281; Dunn, xliv
  6. Bruce, 12; Dunn, xliii
  7. Dunn, xliii-xliv
  8. a b Bruce, 11-12
  9. Catholic Encyclopedia, s.v. "Epistle to the Romans"
  10. Martin Luther's Preface to the Letter of St. Paul to the Romans cf. Luther's comments in his treatise on The Adoration of the Sacrament (1523) in which he refers to the words of institution of the Eucharist as being "the sum and substance of the whole gospel". Luther's Works, American Edition, St. Louis and Philadelphia: Concordia Publishing House and Fortress (Muhlenberg) Press, vol. 36 (Word and Sacrament II (1959)) , [1], p.277.
  11. Bíblia Sagrada, edição luxo, traduzida em portuguêsa da vulgata latina pelo padre Antonio Pereira de Figueredo. São Paulo; DCL, 2010. Página. 912. ISNB 978-85-368-1571-8

Bibliografia

  • Bruce, F. F. (1983). The Epistle of Paul to the Romans: An Introduction and Commentary. Col: Tyndale New Testament Commentaries. Leicester, England: Inter-Varsity Press
  • Dunn, J. D. G. (1988b). Romans 9-16. Col: Word Bible Commentary. Dallas, Texas: Word Books, Publisher
  • Dunn, J. D. G. (1988a). Romans 1-8. Col: Word Bible Commentary. Dallas, Texas: Word Books, Publisher
  • Stuhlmacher, P. (1994). Paul's Letter to the Romans: A Commentary. Westminster: John Knox Press
  • Fitzmyer, J. A. (1992). Romans. Col: Anchor Bible Commentary. New York: Doubleday

Ligações externas

Febe (Bíblia)

Febe (grego koiné Φοίβη) foi uma cristã mencionada por Paulo de Tarso em sua Epístola aos Romanos (Romanos 16:1).

Karl Barth

Karl Barth (/bɑːrt/; Alemão:[baʀt]; 10 de maio de 1886 - 10 de dezembro de 1968) foi um teólogo reformado suíço que é muitas vezes considerado o maior teólogo protestante do século 20. Sua influência expandiu-se muito além do domínio acadêmico, chegando a incorporar a cultura, o que levou a Barth ser apresentado na capa da revista Time em 20 de abril de 1962.Começando com sua experiência como pastor, Barth rejeitou sua formação na teologia liberal predominante típica do protestantismo europeu do século XIX. Ele também rejeitou formas mais conservadoras do cristianismo. Em vez disso, ele embarcou em um novo caminho teológico inicialmente chamado de teologia dialética devido ao seu estresse na natureza paradoxal da verdade divina (por exemplo, a relação de Deus com a humanidade incorpora graça e julgamento). Muitos críticos se referiram a Barth como o pai da neo-ortodoxia - um termo que Barth rejeitou enfaticamente. Uma descrição mais caritativa de seu trabalho pode ser "uma teologia da Palavra" O trabalho de Barth teve um impacto profundo na teologia do século XX e em influenciou figuras como Dietrich Bonhoeffer - que queria que Barth se tornasse líder da Igreja Confessante - Thomas F. Torrance, Reinhold Niebuhr, Jacques Ellul, Stanley Hauerwas, o seu amigo pessoal Hans Urs von Balthasar, Jürgen Moltmann e romancistas como John Updike e Miklós Szentkuthy.

A inquietação de Barth com a teologia dominante que caracterizou a Europa levou-o a se tornar um líder na Igreja Confessante na Alemanha, que se opôs ativamente a Adolf Hitler e ao regime nazista. Em particular, Barth e outros membros do movimento tentaram vigorosamente impedir que os nazistas assumissem a igreja existente e estabelecessem uma igreja estadual controlada pelo regime. Isso culminou com a autoria de Barth na Declaração de Barmen, que criticou ferozmente os cristãos que apoiaram os nazistas.Um dos mais prolíficos e influentes teólogos do século 20, Barth enfatizou a soberania de Deus, particularmente através da reinterpretação da doutrina calvinista das eleições, do pecado da humanidade e da "distinção qualitativa infinita entre Deus e a humanidade". Suas obras mais famosas são a Sua Epístola aos Romanos, que marcou um recorte claro de seu pensamento anterior, e seu enorme trabalho de treze volumes, a Igreja Dogmática, uma das maiores obras de teologia sistemática já escritas.

Romanos

Romano ou Romanos pode referir-se a:

Roma — a cidade, atual capital de Itália

Roma Antiga

Reino de Roma (753-509 a.C.)

República Romana (509-31 a.C.)

República Romana (1798-1799)

República Romana (1849)

Império Romano (27 a.C.-476 d.C.)

Rei dos Romanos — um dos títulos utilizados pelos imperadores do Sacro Império Romano Germânico

Epístola aos Romanos — livro do Novo Testamento da Bíblia

Romanos (Saragoça) — município espanhol da província de Saragoça, na comunidade autónoma de Aragão.

Romanos 1

Romanos 1 é o primeiro capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 10

Romanos 10 é o décimo capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 11

Romanos 11 é o décimo-primeiro capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 12

Romanos 12 é o décimo-segundo capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 13

Romanos 13 é o décimo-terceiro capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 14

Romanos 14 é o décimo-quarto capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 15

Romanos 15 é o décimo-quinto capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 16

Romanos 16 é o décimo-sexto e último capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 2

Romanos 2 é o segundo capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 3

Romanos 3 é o terceiro capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 4

Romanos 4 é o quarto capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 5

Romanos 5 é o quinto capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 6

Romanos 6 é o sexto capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 7

Romanos 7 é o sétimo capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 8

Romanos 8 é o oitavo capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Romanos 9

Romanos 9 é o nono capítulo da Epístola aos Romanos, de autoria do Apóstolo Paulo, no Novo Testamento da Bíblia.

Principais
divisões
Subdivisões
Desenvolvimento
Manuscritos
Listas
Ver também
Terceira Viagem Missionária de Paulo
Viagem até Éfeso — (ca. 54 A.D.)
Atos 18 e 19
3 anos em Éfeso — (ca. 54-57 A.D.)
Atos 19
Viagem até a Macedônia — (ca. 57 A.D.)
Atos 20
Na Macedônia — (ca. 57 A.D.)
Atos 20
Viagem até Corinto — (ca. 57 A.D.)
Atos 20
3 meses em Corinto — (ca. 57-58 A.D.)
Atos 20
Retorno até Jerusalém — (ca. 58 A.D.)
Atos 20 e 21

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