Deuteronômio

Deuteronômio (do grego Δευτερονόμιον, "Deuteronómion", "Segunda lei""; em hebraico: דְּבָרִים, Devārīm, "palavras [ditas]") é o quinto livro da Torá, a primeira seção da Bíblia hebraica e parte do Antigo Testamento da Bíblia cristã. O título em hebraico é derivado do primeiro versículo, "Eleh ha-devarim", «Estas são as palavras que Moisés falou...» (Deuteronômio 1:1). O título em português deriva do grego, que significa "segunda lei", uma referência à frase da Septuaginta "to duteronomion touto", "uma segunda lei", em Deuteronômio 17:18. Esta frase é, por sua vez, uma tradução incorreta do hebreu "mishneh haTorah hazoth", "uma cópia desta lei".[1]

O livro está dividido em três sermões ou homilias proferidas aos israelitas por Moisés na planície de Moabe pouco antes da entrada na Terra Prometida. O primeiro recapitula os quarenta anos vagando pelo deserto que culminaram naquele momento e termina com uma exortação para que se observe a lei, mais tarde conhecida como Lei Mosaica. O segundo relembra os israelitas da necessidade do monoteísmo e da observância das leis que Deus lhes entregou no monte Sinai, da qual depende a posse da terra que irão conquistar. O terceiro oferece o consolo de que, mesmo que Israel se mostre infiel – e, por isso, perca a terra –, com o arrependimento, tudo poderá ser restaurado.[2]

Tradicionalmente visto como sendo uma transcrição das palavras de Moisés proferidas antes da conquista de Canaã, um amplo consenso entre os estudiosos modernos defende que o texto se originou no Reino de Israel (o reino do norte) e foi levado para o sul, para o Reino de Judá, na iminência da conquista assíria de Aram (século VIII a.C.) e depois adaptado para se conformar à reforma nacionalista na época de Josias (final do século VII). A forma final do texto como conhecemos hoje emergiu no contexto do retorno do cativeiro da Babilônia no final do século VI a.C.[3] Muitos estudiosos entendem que este livro é um reflexo das necessidades econômicas e do status social dos levitas, grupo a que o autor provavelmente pertencia.[4]

Um dos mais importantes versículos da Bíblia, conhecido como "Shemá Israel", está no Deuteronômio e se tornou com o tempo a afirmação definitiva da identidade judaica: «Ouve, ó Israel; Javé nosso Deus é o único Deus» (Deuteronômio 6:4). Este versículo e o seguinte ("Amarás, pois, a Javé teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.") foram citados por Jesus em Marcos 12:28-34 como parte do Grande Mandamento.

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Deuteronômio no Codex Aleppo.

Conteúdo

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Primeira página do Deuteronômio na Biblia de San Paulo, da Basílica de São Paulo Extramuros.

Estrutura

Patrick D. Miller sugere que diferentes pontos de vista sobre a estrutura do Deuteronômio levarão a diferentes conclusões sobre o que ele trata.[5] A estrutura é geralmente descrita como uma sequência de três discursos ou sermões (capítulos 1:1 a 4:43; 4:44 a 29:1 e 29:2 a 30:20) seguidos por vários apêndices curtos[6] — Miller chama isto de estrutura literária. Alternativamente, o livro é por vezes entendido como tendo uma estrutural circular, com um miolo central (capítulos 12-26, o chamado Código Deuteronômico) e duas molduras, uma interna (capítulos 4 a 11 e 27 a 30) e outra externa (capítulos 1 a 3 e 31 a 34)[6] — Miller chama isto de "estrutura da aliança".[5] Finalmente, há os que percebem uma estrutura teológica revelada no tema da adoração exclusiva de Javé estabelecida no primeiro dos Dez Mandamentos«Eu sou Javé teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de servidão. Não terás outros deuses diante de mim» (Êxodo 20:2-3) — e na Shemá Israel.[5]

Sumário

A estrutura literária seguinte é baseada na obra de John Van Seters[7] e pode ser comparada com a visão circular de Alexander Rofé[8]:

  • Capítulos 1–4: a jornada pelo deserto, do monte Sinai (Horeb) até Cades e depois até Moabe.
  • Capítulos 4–11: depois de uma segunda introdução em Êxodo 4:44-49, os eventos no Sinai são relembrados, incluindo o recebimento dos Dez Mandamentos. Os líderes de cada família são instruídos a educarem os seus nos ditames da lei, alertas são feitos em relação a outros deuses que não Javé, a terra prometida a Israel é louvada e reforça-se ao povo a necessidade da obediência;
  • Capítulos 12–26, o Código Deuteronômico: leis governando a religião dos israelitas (capítulos 12-16a), nomeação e regulamentação de líderes comunitários e religiosos (16b-18), regulamentos sociais (19-25) e confissão de identidade e lealdade (26).
  • Capítulos 27–28: bençãos e maldições aos que obedecem e desobedecem a lei.
  • Capítulos 29–30: discurso final sobre a aliança na terra de Moabe, incluindo todas as leis do Código Deuteronômico posteriores às recebidas no Sinai (Horeb); novamente a importância da obediência é reforçada;
  • Capítulos 31–34: Josué é definido como sucessor de Moisés, Moisés entrega a lei aos levitas (a casta sacerdotal) e escala o monte Nebo (Pisgah), onde morre e é sepultado por Deus. A narrativa destes eventos é interrompida por dois poemas, a "Canção de Moisés" e a "Benção de Moisés";

Nos versículos finais (Deuteronômio 34:10-12), a frase "não se levantou mais em Israel profeta algum como Moisés" é uma reivindicação da autoridade da visão teológica deuteronomística e revela sua insistência que a adoração de Javé, o Deus único de Israel, é a única religião permitida por ter recebido a aprovação do maior dos profetas.[9]

Código Deuteronômico

Deuteronômio 12-16, o chamado "Código Deuteronômico", é a parte mais antiga do livro e o miolo à volta do qual o restante se desenvolveu.[10] Ele consiste de uma série de mandamentos ("mitzvot") aos israelitas sobre como eles deveriam se portar em Canaã, a terra prometida por Javé, o Deus de Israel. A lista seguinte organiza a maior parte destas leis grupos temáticos:

A. Observância religiosa

  • A adoração dos deuses cananeus é proibida e seus ídolos e locais de adoração devem ser destruídos (12:29-31);
  • Práticas de luto nativas, como a desfiguração proposital, são proibidas (14:1–2);
  • A adoração nos bosques de Aserá e o erguimento de pilares rituais são proibidos (16:21–22);
  • Todos os sacrifícios e todos os juramentos deverão ser feitos no santuário central (12:1–28);
  • Animais sacrificados devem ser imaculados (15:21, 17:1);
  • A primeira cria do sexo masculino do gado deve ser sacrificada (15:19–23);
  • Regras para o pagamento do dízimo ou a doação do valor equivalente (14:22–29);
  • Instituição dos festivais da Páscoa, das Semanas (Shavuot) e dos Tabernáculos (Sukkot) (16:1–17);
  • Lista de animais cujo consumo da carne é permitido ou proibido (14:3–20);
  • O consumo de animais encontrados mortos (não abatidos) é proibido (14:21).

B. Leis sobre os oficiais do governo

  • Juízes serão nomeados em todas as cidades (16:18);
  • Juízes devem ser imparcial e o suborno é proibido (16:19–20);
  • Instituição de um tribunal central (17:8–13);
  • Regras para o caso de os israelitas decidirem ser governados por um rei (17:14–20);
  • Regras sobre os direitos dos levitas, incluindo as receitas que lhe são devidas (18:1–8);
  • Versículos sobre um futuro profeta (18:9–22);
  • Regras para o sacerdócio (23:1–8).

C. Direito civil

  • Débitos devem ser perdoados no sétimo ano (15:1–11);
  • Regras sobre a escravidão e o procedimento para a libertação dos escravos (15:12–18);
  • Regras para captura de escravos e de espólios durante a guerra (20:14);
  • Regras sobre o tratamento de escravos sexuais durante a guerra (21:10-14);
  • Posses perdidas, uma vez encontradas, devem ser devolvidas ao proprietário (22:1–4);
  • Proibição da mistura de povos (22:9-11)
  • "Tzitzit" (uma espécie de franja usada nas vestes) são obrigatórias (22:12);
  • Casamentos entre mulheres e seus enteados são proibidos (22:30);
  • O acampamento deve ser mantido limpo (23:9–14);
  • A cobrança de juros (usura) é proibida, exceto para estrangeiros (23:19–20);
  • Regras para a lida das diversas "tzaraat" (doenças desfigurativas) (24:8–9);
  • Empregados devem receber um pagamento justo (24:14–15);
  • Justiça deve ser aplicada aos estrangeiros, viúvas e órfãos (24:17–18);
  • Parte da colheita deve ser dada aos pobres (24:19–22).

D. Direito penal

  • Regras para testemunhas (19:15–21);
  • Procedimento em relação à noiva que foi difamada (22:13–21);
  • Leis sobre o adultério e o estupro (22:22–29);
  • Rapto e sequestro são proibidos (24:7);
  • Pesos e medidas justos são obrigatórios (25:13–16).

Seções segundo as porções semanais da Torá no judaísmo

As subdivisões são as seguintes:

  • Devarim, sobre Deuteronômio 1–3: líderes, batedores, Edom, amonitas, Siom, Ogue e as terras para duas tribos e meia;
  • Va'etchanan, sobre Deuteronômio 3–7: cidades-santuário, Dez Mandamentos, exortação, instruções para conquista;
  • Eikev, sobre Deuteronômio 7–11: obediência, conquista da terra, bezerro de ouro, morte de Aarão, deveres dos levitas;
  • Re'eh, sobre Deuteronômio 11–16: adoração centralizada, alimentação, dízimos, ano sabático, festivais peregrinos;
  • Shofetim, sobre Deuteronômio 16–21: estrutura social básica para os israelitas;
  • Ki Teitzei, sobre Deuteronômio 21–25: leis variadas sobre a vida civil e doméstica;
  • Ki Tavo, sobre Deuteronômio 26–29: primeiros frutos, dízimos, bençãos e maldições, exortação;
  • Nitzavim, sobre Deuteronômio 29–30: aliança, violação, escolha entre a benção e a maldição;
  • Vayelech, sobre Deuteronômio 31: encorajamento, leitura e escrita da lei;
  • Haazinu, sobre Deuteronômio 32: punição, punição contida, despedidas;
  • V'Zot HaBerachah, sobre Deuteronômio 33–34: benção final e morte de Moisés.

Composição

Knesset Menorah Shema Inscription
Shemá Israel ("Ouve, ó Israel; Javé nosso Deus é o único Deus"), o credo fundacional do judaísmo, presente em Deuteronômio 6:4-5.

História

Desde que as evidências foram apresentadas pela primeira vez por W.M.L de Wette em 1805, os estudiosos aceitam que a porção central do Deuteronômio foi composta em Jerusalém no século VII a.C., no contexto das reformas religiosas propostas pelo rei Josias (r. 641-609 a.C.).[11] Um amplo consenso existe para a seguinte estrutura cronológica geral[3]:

  • No final do século VIII a.C., tanto o Reino de Judá quanto Reino de Israel eram vassalos da Assíria. Israel se revoltou e foi destruído por volta de 722 a.C.. Refugiados fugiram para Judá levando consigo diversas novas tradições. Uma delas era que o deus Javé, já conhecido e adorado em Judá, não era apenas o mais importante dos deuses, mas o único deus a ser adorado. Este contexto influenciou fortemente a elite proprietária de terras de Judá, que se tornou extremamente poderosa na corte real depois de terem apoiado a elevação do jovem Josias, de apenas oito anos, ao trono depois do assassinato de seu pai, Amom;
  • Pelo décimo-oitavo ano do reinado de Josias, o poderio assírio estava em franco declínio e um movimento pró-independência ganhou força na corte. Este movimento se expressou através teologia de lealdade a Javé como o único deus de Israel. Com o apoio de Josias, estes rebeldes deram início a uma ampla reforma da religião no reino com base numa versão primitiva do Código Deuteronômico (caps. 5-26), o que se materializou na forma de uma aliança (um "tratado") entre Javé e Judá para substituir o tratado existente entre Judá e a Assíria. Esta aliança foi formulada como sendo um discurso de Moisés aos israelitas (iniciando Deuteronômio 5:1);
  • O próximo estágio da evolução do texto ocorreu durante o cativeiro na Babilônia. A destruição do Reino de Judá pelo Império Neobabilônico em 586 a.C. e o fim da monarquia provocou muitas reflexões e especulações teológicas entre a elite deuteronomística, exilada na Babilônia. A explicação encontrada para o desastre foi uma punição de Javé pelo fracasso dos israelitas em seguir a lei; a partir esta elite criou uma história de Israel (os livros de Josué e Reis) para ilustrar esse fracasso;
  • No final do exílio, quando os persas concordaram que os judeus poderiam retornar e reconstruir o Templo de Jerusalém, os capítulos 1 a 4 e 29 a 30 foram acrescentados e o Deuteronômio foi transformado no livro introdutório desta história: a história de um povo prestes a entrar na Terra Prometida se tornou a história de um povo prestes a retornar para ela. Os capítulos legislativos (19-25) foram ampliados para abranger novas situações e os capítulos 31 a 34 foram acrescentados para prover uma nova conclusão.

Fontes

O profeta Isaías, ativo em Jerusalém cerca de um século antes de Josias, não menciona o Êxodo, alianças com Deus ou consequências da desobediência às leis de Deus. Por outro lado, Oseias, contemporâneo de Isaías e ativo no reino do norte, faz frequentes referências ao Êxodo, às andanças pelo deserto, a uma aliança, ao perigo da idolatria a deuses estrangeiros e à necessidade da fidelidade apenas a Javé. Este contraste levou os estudiosos a concluírem que as tradições por detrás do Deuteronômio tiveram origem no norte.[12] Se o Código Deuteronômico (caps. 12-26), o coração original deste livro, foi escrito durante a época de Josias (final do século VII a.C.) ou antes é tema de debates, mas muitas das leis ali explicitadas são mais antigas que o livro em si.[13] Os dois poemas nos capítulos 32-33 (a "Canção de Moisés" e a "Benção de Moisés") provavelmente são de origem independente.[12]

Lugar na Bíblia hebraica

O Deuteronômio ocupa um local estranho na Bíblia, a ligação entre a história das andanças dos israelitas no deserto e a história da conquista de Canaã, sem pertencer totalmente a nenhuma delas. A história do deserto poderia facilmente ter se encerrado em Números e a história das conquistas de Josué poderia existir sem o Deuteronômio se fosse apenas pela narrativa. Porém, em ambos os casos ficaria faltando um elemento temático (teológico) faltando. Os estudiosos já deram várias respostas a este problema. A teoria da história deuteronômica é atualmente a mais popular, mas há uma teoria mais antiga que defende que o Deuteronômio era parte de Números e Josias era uma espécie de suplemento dele. Esta tese ainda recebe apoio, mas o consenso majoritário é que o Deuteronômio, depois de se tornar a introdução da história, foi, mais tarde, destacado dela e incluído no conjunto dos quatro primeiros livros (Gênesis-Êxodo-Levítico-Números) por que neles Moisés já era o personagem central. Segundo esta hipótese, a morte dele seria originalmente o final de Números e, depois desta redação, foi simplesmente movimentada para o final do Deuteronômio.[14]

Temas

Eventos do Deuteronômio
Tissot The Death of Aaron
Morte de Aarão
Tissot Moses Sees the Promised Land from Afar
Moisés avalia a Terra Prometida à distância.
Ambas por James Tissot (1896-1902), no Jewish Museum de Nova Iorque.
Tissot Moses Sees the Promised Land from Afar

O Deuteronômio sublinha a singularidade de Deus, a necessidade de uma drástica centralização de sua adoração e a preocupação com a posição dos pobres.[15] Seus muitos temas podem ser organizados à volta de três pilares principais: Israel, o Deus de Israel e a aliança que os une.

Israel

Os temas em relação a Israel são a sua escolha (como povo de Deus), a fidelidade, a obediência e a promessa de Deus de benesses futuras, todos expressados através da aliança: "a obediência não é primordialmente um dever imposto por uma parte à outra, mas a expressão de relação de aliança".[16] Javé escolheu ("elegeu") Israel como sua propriedade especial (Deuteronômio 7:6-7, por exemplo)[17] e Moisés reforça aos israelitas a necessidade de obediência à Deus e à aliança, realçando as consequências da falta de fé e da desobediência.[18] Apesar disto, os primeiros capítulos são uma longa rememoração da desobediência passada de Israel. Mas é também a história do cuidado da graça de Deus que leva ao pedido para que Israel escolha a vida sobre a morte e a benção sobre a maldição (caps. 7-11).[19]

Deus

O conceito de Deus no Deuteronômio se alterou ao longo do tempo. A camada mais antiga, do século VII a.C. ou antes, é monólatra, ou seja, não nega a realidade de outros deuses, mas obriga a adoração de apenas Javé em Jerusalém. Nas camadas posteriores, do período do exílio (meados do século VI a.C.), especialmente o capítulo 4, o conceito se tornou monoteísta, negando a existência de qualquer outro deus.[20] Deus está simultaneamente presente no Templo e no céu, um conceito importante e inovador conhecido como "teologia do nome".[21]

Depois da revisão da história de Israel nos primeiros quatro capítulos, o capítulo cinco reafirma os Dez Mandamentos. Este arranjo sublinha a relação soberana de Deus com Israel antes do estabelecimento da lei.[22] Os Dez Mandamentos, por sua vez, propiciam os princípios fundacionais para as leis seguintes, mais detalhadas. Alguns estudiosos chegam ao ponto de propor uma correlação entre cada um dos mandamentos e cada uma das leis mais detalhadas mais adiante.[23] Este aspecto fundacional dos Dez Mandamentos está demonstrado pela ênfase na lembrança perene da lei de Deus (Deuteronômio 6:4-9) imediatamente depois. A lei, como amplamente apresentada por todo o Deuteronômio, define Israel como uma comunidade e define sua relação com Javé. Há por toda a lei um senso de justiça, por exemplo, a necessidade de múltiplas testemunhas (Deuteronômio 17:6-7), cidades-santuário (Deuteronômio 19:1-10) ou a provisão de juízes (Deuteronômio 17:8-13).

Aliança

O coração do Deuteronômio é a aliança que une Javé e Israel através de juramentos de fidelidade mútua e obediência de Israel a Javé.[24] Deus irá entregar a Israel as bençãos de terra, fertilidade e prosperidade enquanto Israel permanecer fiel aos ensinamentos de Deus; a desobediência irá levar a maldições e castigos.[25] Mas, segundo os deuteronomistas, o principal pecado de Israel é a falta de fé (apostasia). Desobedecendo o primeiro e mais fundamental mandamento ("Não terás outros deuses diante de mim"), os israelitas passaram a adorar outros deuses.[26]

A aliança é baseada nos tratados entre suseranos e vassalos assírios do século VII a.C., através dos quais o "grande rei" (o suserano assírio) regulava sua relação com monarcas vassalos. O Deuteronômio está, desta forma, reivindicando Javé no papel do grande rei a quem Israel deve sua lealdade.[27] Os termos do tratado são que Israel ocupará uma terra de Javé, mas esta posse é condicional à manutenção da aliança, que, por sua vez, requer um governo justo pelo estado e pelos líderes locais responsáveis pela aliança: "Estas crenças", afirma Norman Gottwald, "conhecidas como Javismo bíblico, são amplamente reconhecidas pelos estudiosos bíblicos como consagradas no Deuteronômio e na história deuteronômica (de Josué a Reis)".[28]

Dillard & Longman reforçam a natureza viva da aliança entre Javé e Israel como nação: Moisés endereça o povo de Israel como um corpo único e sua lealdade à aliança não é de reverência, mas nascida de uma relação pré-existente entre Deus e Israel estabelecida por Abraão e atestada pelo evento do Êxodo, de forma que as leis do Deuteronômio singularizam Israel assinalando o status único da nação judaica.[29] A terra é o presente de Deus a Israel e muitas das leis, festivais e mandamentos no Deuteronômio são apresentados sob a luz da ocupação desta terra pelos israelitas. Eles notam ainda que "em 131 das 167 vezes que o verbo 'dar' ocorre no livro, o sujeito da ação é Javé".[30] Finalmente, o Deuteronômio torna a Torá a autoridade máxima para Israel, à qual até o mesmo os reis estão sujeitos.[31]

Influência no judaísmo e no cristianismo

Judaísmo

Deuteronômio 6:4-5 ("Ouve, ó Israel; Javé nosso Deus é o único Deus") se tornou o credo básico do judaísmo, conhecido como Shemá Israel, e sua recitação duas vezes por dia é um mitzvá (mandamento religioso). Ele continua ("Amarás, pois, a Javé teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças"), que reforça o conceito judaico central de amor a Deus.

Cristianismo

No Evangelho de Mateus, Jesus cita a Shemá Israel no contexto do Grande Mandamento. Os primeiros autores cristãos interpretaram a profecia deuteronômica de restauração de Israel como tendo sido cumprida (ou substituída) na pessoa de Jesus Cristo e na fundação da Igreja cristã (Lucas 1-2, Atos 2-5); e Jesus foi interpretado como sendo o "profeta semelhante a mim" (Atos 3:22-23), uma referência a Deuteronômio 18:15 ("Javé teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti, dentre os teus irmãos, semelhante a mim; a este ouvirás"). Apesar de o significado das palavras de Paulo ainda ser tema de debates, uma visão comum é que, no lugar de um elaborado código de leis (mitzvá) explicitado no Deuteronômio, Paulo, com base em Deuteronômio 30:11-14, alegou que a manutenção da aliança de Moisés foi substituída pela fé em Jesus e no evangelho (a nova aliança).[32]

Ver também

Referências

  1. Miller, pp.1–2
  2. Phillips, pp.1–2
  3. a b Rogerson, pp.153–154
  4. Sommer, Benjamin D. (30 de junho de 2015). Revelation and Authority: Sinai in Jewish Scripture and Tradition (em inglês). [S.l.]: The Anchor Yale Bible Reference Library. p. 18
  5. a b c Miller, p.10
  6. a b Christensen, p.211
  7. Van Seters, pp.15–17
  8. Rofé, pp.1–4
  9. Tigay, pp.137ff.
  10. Van Seters, p.16
  11. Rofé, pp.4–5
  12. a b Van Seters, p.17
  13. Knight, p.66
  14. Bandstra, pp.190–191
  15. McConville
  16. Block, p.172
  17. McKenzie, p.266
  18. Bultman, p.135
  19. Millar, 'Deuteronomy', 161.
  20. Romer (1994), p.200-201
  21. McKenzie, p.265
  22. Thompson, Deuteronomy, 112.
  23. Braulik (sem página)
  24. Breuggemann, p.53
  25. Laffey, p.337
  26. Phillips, p.8
  27. Vogt, p.28
  28. Gottwald
  29. Dillard & Longman, p.102.
  30. Dillard & Longman, p.104.
  31. Vogt, p.31
  32. McConville, p.24
Aarão

Na bíblia hebraica e no alcorão, Aarão, ou Arão (אַהֲרֹן, palavra que significa "progenitor de mártires" em hebraico possivelmente relacionado com o egípcio "Aha Rw," "Leão Guerreiro"), foi o irmão mais velho de Moisés (Êxodo 6:20), e um profeta do Deus de Israel servindo como o primeiro sumo sacerdote dos hebreus.

Anrão

Anrão (em hebraivo: עַמְרָם, hebraico transliterado:Amram, cujo significado é Amigo do mais alto/ou "amigo do Altíssimo". Conforme Ex.6:20 Anrão é o pai de Moisés (da tribo de Levi, descendente dos Coatitas). Parece que seu nome é citado em Mt. 1:3, como Esrom (pai de Arão), mas esse Esrom vai ser outro homem, lendo o livro de Rute 4:19.20, vemos que Esrom é Avô do sogro de Arão(filho de Anrão,irmão de Moisés); sendo assim Anrão e Esrom dois homens diferentes.

Bezerro de ouro

Bezerro de ouro (no hebraico עגל הזהב) é o ídolo que, de acordo com a tradição judaico-cristã, foi criado por Arão quando Moisés havia subido o monte Sinai para receber os mandamentos de Deus. O povo de Israel então forçara Arão a criar um ídolo que os reconduzisse ao Egito onde haviam sido escravos. Este incidente é conhecido em hebraico como Khet ha'Egel (חטא העגל) ou O pecado do bezerro [carece de fontes?] e é descrito na Bíblia, no livro de Shemot (Êxodo 32:1-8)

O bezerro de ouro também é referido em outra passagem bíblica, em I Reis 12:28-32 quando o reino de Israel é dividido e o rei Jeroboão I, que fica com uma parte do reino sem ser de descendência real, cria dois bezerros para o povo adorar, e esquecer do Deus da linhagem Real.

Na linguagem corrente, a expressão "bezerro de ouro" tornou-se sinônimo de um falso ídolo, ou de um falso "deus" por exemplo, simbolicamente, o dinheiro.

Lendas antigas, confirmados por descobertas arqueológicas de 1929, confirmou que o bezerro de ouro foi trazido do leste, na cidade de Lierna, Lago de Como, onde foi enterrado.

== Referências ==

Cananeus

Cananeus ou canaanitas (em hebraico: כנענים, transl. Kna'anim, hebraico tiberiano Kənaʻănîm), segundo a Bíblia, teriam sido uma das sete divisões étnicas ou "nações" expulsas pelos israelitas após o Êxodo (outras destas nações foram os hititas, girgaseus, amoritas, perisitas, hivitas e os jebusitas (Deuteronômio, 7:1). Eram os habitantes do reino antigo de Canaã, situado no Oriente Médio, correspondendo aproximadamente ao território de Israel nos dias de hoje.

Canaã

Canaã é a antiga denominação da região correspondente à área do atual Estado de Israel (inclusive as Colinas de Golã), da Faixa de Gaza, da Cisjordânia, de parte da Jordânia (uma faixa na margem oriental do Rio Jordão), do Líbano e de parte da Síria (uma faixa junto ao Mar Mediterrâneo, na parte sul do litoral da Síria) (Números 34:1-15 e Deuteronômio 3:8).

A cidade canaanita de Ugarit foi redescoberta em 1928 e muito do conhecimento moderno sobre os cananeus advém das escavações arqueológicas naquela área. Ugarit era uma cidade-estado, anteriormente vista como uma cidade fenícia pelos historiadores. Esta certeza já não existe. A partir da descoberta naquelas ruínas do primeiro alfabeto que se tem notícia e da vasta literatura de Ugarit, descobriu-se que esta era de origem cananeia e foi vassala do Egito durante longo período, apesar de ter tido influência de vários povos, principalmente mesopotâmicos. Um de seus deuses foi Baal, muito citado na Bíblia.

Comparada aos desertos circundantes, a terra de Canaã era uma terra de fartura, onde havia uvas e outras frutas, azeitonas e mel, daí ter sido vista por Abraão - originário da região do actual Iraque - como a "terra prometida", "onde corre leite e mel".[carece de fontes?]

Segundo a Bíblia, Canaã era a terra prometida por Deus ao seu povo, desde o chamado de Abrão (ou Abraão), que habitava a cidade caldeia de Ur, no sul da Mesopotâmia. De acordo com a tradição, Deus chamou Abrão e lhe ordenou que fosse para a terra chamada Canaã, o que teria motivado o longo êxodo dos hebreus, que teria durado muitas décadas, até que os descendentes de Abraão a alcançaram. Canaã passou então a ser por eles denominada terra de Israel.[carece de fontes?]

Chumash

Chumash ou Humash (do hebraico חומש vindo do termo chamesh (fem.)/ chamisha (mas.), cinco. E também Pentateuco (do grego Πεντάτευχος (Pentáteuchos - de penta, cinco + teûchos, livro), faz alusão aos cinco livros atribuídos a Moisés), ou seja, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio que fazem parte do Antigo Testamento. Chumash é um dos nomes dados à Torah dentro do judaísmo. Geralmente é usado em relação aos "livros" da Torá, enquanto, os rolos são chamados Sefer Torá.

Cohen

Cohen ou Kohen (em hebraico כהן, sacerdote, pl. כהנים kohanim) é o nome dado aos sacerdotes na Torá, cujo líder era o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote de Israel),[carece de fontes?] sendo que todos deveriam ser descendentes de Aarão.Hoje, dentro do judaísmo, Cohen é uma classe de pessoas que possuem a tradição e reconhecimento da comunidade judaica, de que sejam descendentes da casta sacerdotal. Realizam alguns serviços especiais nas sinagogas, e devem obedecer certos preceitos para garantir que estejam aptos a exercerem novamente o sacerdócio quando ocorrer a reconstrução do Templo de Jerusalém. Segundo as escrituras, e profecia de Ezequiel, somente os Cohenim da semente de Zadoque serão selecionados para o ministério sacerdotal.

Colinas de Golã

As colinas de Golã ou montes Golã (em árabe: هضبة الجولان, Hadhbat al-Jaulan, Haḍbatu 'l-Jawlān ou مرتفعات الجولان, Murtafaʕātu 'l-Jawlān; em hebraico: רמת הגולן Ramat HaGolan), antes conhecidas como colinas Sírias,

são uma região localizada no Levante.

A área exata definida como o território das colinas de Golã muda de acordo com a disciplina abordada:

Como região geopolítica, as colinas de Golã são a área conquistada por Israel da Síria durante a Guerra dos Seis Dias, e posteriormente anexada pelo governo israelense em 1981. Esta região inclui os dois terços ocidentais das colinas de Golã geológicas, assim como a parte do monte Hérmon sob ocupação israelense. Internacionalmente reconhecida como território sírio, as colinas de Golã estão sob ocupação e administração de Israel desde 1967, quando a área foi capturada durante a Guerra dos Seis Dias. Após o cessar-fogo entre Israel e Síria, a chamada Linha Roxa passou a funcionar como limite entre os dois países.Como região geológica e biogeográfica, as colinas de Golã são um planalto basáltico que tem suas fronteiras definidas pelo rio Yarmouk, no sul, o mar da Galileia e o vale de Hula, no oeste, o monte Hérmon, no norte, e o uádi Raqqad no leste. Os dois terços ocidentais da região são atualmente ocupados por Israel, enquanto que a parte oriental é controlada pela Síria.

Eleazar (sumo sacerdote)

Eleazar (ou Elazar), (no hebraico אֶלְעָזָר " Deus me tem ajudado"), foi o terceiro filho de Aarão com Eliseba, levita, sacerdote e Sumo Sacerdote de Israel. Com sua esposa, filha de Putiel, teve um filho Finéias. Ele se tornou o chefe da família dos levitas. Com a morte de seus irmãos Nadabe e Abiú, ele foi nomeado para assumir o oficio do seu pai. Os seus irmãos não tiveram filhos, ele e seu irmão mais novo Itamar deram descendência aos sacerdotes no santuário. De acordo com a tradição bíblica, apenas os descendentes de Aarão, poderiam ser elevados ao cargo de Sumo sacerdote.

No monte Hor, ele subiu junto com seu pai Aarão e seu tio Moisés, quando então as vestes de Sumo sacerdote foram transferidas de Aarão para Eleazar e então Aarão morreu e Eleazar passou a exercer as funções de Sumo Sacerdote de Israel, que era de seu pai.

Junto com Moisés fizeram o recenseamento dos israelitas nas capinas de Moabe, próximo do rio Jordão, em frente a Jericó.

Eleazar morreu e foi sepultado em Gibeá, nos montes de Efraim.

Gileade

Na Bíblia, "Gileade" significa o "monte de testemunho" ou "monte de testemunha", (Gênesis 31:21), uma região montanhosa a leste do rio Jordão, situado no Reino da Jordânia. Também é referido pelo nome aramaico Jegar-Saaduta, que carrega o mesmo significado que o hebraico (Gênesis 31:47). Devido a sua característica montanhosa é chamada de "o monte de Gileade" (Gênesis 31:25). É também chamada de "a terra de Gileade" (Números 32:1), e às vezes simplesmente de "Gileade" (Salmos 60:7, Gênesis 37:25). Como um todo, incluiu os territórios da tribo de Gade, Rúben e a metade oriental de Manassés (Deuteronômio 3:13; Números 32:40). Foi delimitada a norte por Basã e ao sul por Moabe e Amom (Gênesis 31:21; Deuteronômio 3:12-17).

Joquebede

Joquebede "O Senhor é glória", hebraico: Yoḫéved / Yoḫáved) foi a esposa de Anrão e a mãe de Aarão, Moisés e Miriam. Joquebede e Anrão eram da Tribo de Levi.

Joquebede ao ver que o rei do Egito vinha para matar os recém nascidos, jogou seu filho num cesto de junco ao rio Nilo. O menino cresceu e se tornou grande profeta. Seu nome era Moisés.

O Testamento de Levi conta-nos que Joquebede nasceu de Levi e Melcha no Egito quando Levi tinha 64 anos de idade pelas contas de Jerônimo de Estridão, Levi nasceu em 1772 a.C. e Moisés em 1592 a.C.Ela está sepultada no Túmulo das Matriarcas em Tiberíades.

Livro de Josué

O Livro de Josué (em hebraico: ספר יהושע, Sefer Yĕhôshúa) é o sexto livro da Bíblia hebraica (e do Antigo Testamento cristão) e o primeiro livro da história deuteronômica, a história de Israel da conquista de Canaã até o exílio na Babilônia. Ele narra as campanhas dos israelitas nas regiões norte, sul e central de Canaã, a destruição de seus inimigos e a divisão das terras conquistadas entre as doze tribos. O texto está emoldurado por dois discursos no começo e no fim, o primeiro de Deus ordenando a conquista da região e o segundo, de Josué alertando sobre a necessidade da observância fiel da lei revelada a Moisés.Quase todos os estudiosos concordam que o livro de Josué possui pouco valor histórico para os primeiros anos de Israel e provavelmente reflete eventos muito posteriores. Embora a tradição rabínica defenda que o livro foi escrito por Josué, é provável que ele tenha tido múltiplos autores e editores, todos muito distantes no tempo dos eventos relatados. As partes mais antigas do livro provavelmente são os capítulos 2 a 11, a história da conquista. Eles foram depois incorporados numa versão antiga escrita no final do governo do rei Josias (r. 640–609 a.C.). A versão final só foi completada depois da conquista de Jerusalém pelo Império Neobabilônico em 586 a.C., possivelmente só depois do final do exílio na Babilônia em 539 a.C.Na Antiguidade era conhecido também como Jesus Nave.

Mezuzá

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Mezuzá (do hebraico מזוזה "umbral") é o nome de um mandamento da Torá que ordena que seja afixado no umbral das portas um pequeno rolo de pergaminho (klaf) que contém as duas passagens da Torá que ordenam este mandamento, "Shemá" e "Vehaiá" (Deuteronômio 6:4-9 e 11:13-21). A mezuzá deve ser afixado no umbral direito de cada dependência do lar, sinagoga ou estabelecimento judaico como lembrança do criador. Deve ser posto a sete palmos de altura do chão, apontando para dentro do estabelecimento com a extremidade de cima. Os judeus costumam beijar a mezuzá toda a vez que se passa pela porta, para lembrar das orações que estão contidas ali dentro e os princípios do judaísmo que elas carregam.

Na tradição, as mezuzot (plural de mezuzá) dos judeus asquenzitas são posicionadas a um ângulo, enquanto os judeus sefarditas posicionam as suas mezuzot verticalmente.

Moisés

Moisés (em hebraico: מֹשֶׁה; moderno: Moshe tiberiano: Mōšé; em grego: Mωϋσῆς, Mōüsēs; em árabe: موسىٰ, Mūsa); tradicionalmente traduzido como "tirado das águas", embora um estudo linguístico aponte que o nome tenha origem egípcia e signifique simplesmente "filho", já que o fonema "séis" é a representação de "filho de" em egípcio, assim como Ramessés; é tido como um líder religioso, o segundo juíz de Israel, legislador e profeta, a quem a autoria da Torá é tradicionalmente atribuída. É um dos profetas mais importantes do Judaísmo e do cristianismo, e igualmente reconhecido pelo Islamismo, assim como em outras religiões.

Foi o grande instrumento de Deus para libertar os Hebreus, tido por eles como seu principal legislador e um dos mais importantes lideres religiosos. A Bíblia o denomina o «mais humilde do que todos os homens que havia sobre a face da terra» (Números 12:3).

De acordo com a Bíblia e a tradição judaico-cristã, Deus realizou diversos milagres através de Moisés pós uma Teofania. Libertou o povo de Israel da escravidão no Antigo Egito, tendo instituído a Páscoa Judaica. Depois guiou o seu povo através de um êxodo pelo deserto durante quarenta anos, que se iniciou através da famosa passagem em que Deus abre o Mar Vermelho, através de seu servo Moisés para possibilitar a travessia segura dos filhos de Israel. Ainda segundo a Bíblia, recebeu no alto do Monte Sinai as Tábuas da Lei de Deus, contendo os Dez Mandamentos.

Moisés era filho de Anrão e Joquebede, da Tribo de Levi. O seu irmão mais velho era Aarão e a sua irmã chamava-se Miriam conforme a Bíblia.

Pentateuco

O Pentateuco, do grego, "os cinco rolos", é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instrução, ou literalmente Lei, uma referência à primeira secção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia hebraica, cuja autoria é atribuída a Moisés. Os judeus também usam a palavra Torá num sentido mais amplo, para referir o ensinamento judeu através da história como um todo. Neste sentido, o termo abrange todo o Tanakh, o Mishná, o Talmude e a literatura midrash. Em seu sentido mais amplo, os judeus usam a palavra Torá para referir-se a todo e qualquer tipo de ensino ou filosofia.

Pentecostes

Pentecostes ("quinquagésimo" em hebraico) é uma das celebrações mais importantes do calendário cristão e comemora a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, sua mãe Maria e outros seguidores. O Pentecostes é celebrado 50 dias depois do domingo de Páscoa, e ocorre no sétimo dia depois da celebração da Ascensão de Jesus. Isto porque ele ficou quarenta dias, após Sua ressurreição, dando os últimos ensinamentos a seus discípulos. Se somados os três dias em que ficou na sepultura, são quarenta e três dias. E para os cinquenta dias que se completam da Páscoa até o último dia da grande festa de Pentecostes, sobram sete dias. Foram estes os dias em que os discípulos permaneceram no cenáculo até a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes.

Pentecostes é historicamente e simbolicamente ligado ao festival judaico da colheita (Shavuot), que comemora a entrega dos Dez Mandamentos no Monte Sinai cinquenta dias depois do Êxodo. Para os cristãos, o Pentecostes celebra a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e seguidores de Cristo, através do dom de línguas, como descrito no Novo Testamento, durante aquela celebração judaica do quinquagésimo dia em Jerusalém. Por esta razão o dia de Pentecostes é, às vezes, considerado o dia do nascimento da igreja cristã. O movimento pentecostal tem seu nome derivado desse evento.

A ocasião (o Domingo de Pentecostes) é o último dia da Festa do Divino Espírito Santo, muito difundida no catolicismo popular brasileiro e de outros países.

Shemá Israel

Shemá Israel (em hebraico שמע ישראל; "Ouça Israel") são as duas primeiras palavras da seção da Torá que constitui a profissão de fé central do monoteísmo judaico (Devarim / Deuteronómio 6:4-9) no qual se diz שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יְהוָה אֱלֹהֵינוּ יְהוָה אֶחָד: (Shemá Yisrael Ado-nai Elohênu Ado-nai Echad - Ouve Israel, ADO-NAI nosso Deus ADO-NAI é Um).

Íbis

Threskiornithinae é uma subfamília de aves pelecaniformes(tradiconalmente ciconiformes) que inclui aves conhecidas como íbis, curicaca ou tresquiórnis, sendo que as espécies brasileiras têm nomes locais muito variados.

Os íbis são aves pernaltas com pescoço longo e bico comprido e encurvado para baixo. São na maioria dos casos animais gregários, que vivem e se alimentam em grupo. Vivem em zonas costeiras ou perto de água, ricas nos seus alimentos preferenciais: crustáceos e moluscos. O grupo está distribuído pelas regiões quentes de todos os continentes.

De acordo com a tradição popular em alguns países, o íbis é a última ave a desaparecer antes de um furacão e a primeira a surgir depois da tempestade passar. No Antigo Egito, o íbis era objeto de veneração religiosa e associado ao deus Tote.

Na bíblia, nos livros de Levítico e Deuteronômio, o íbis é mencionado como um animal imundo, não adequado para alimentação.

O íbis foi citado na Bíblia Católica e na Nova Tradução na Linguagem de Hoje no Livro de Jó como sendo uma ave que anuncia as enchentes do Rio Nilo.

"Quem deu sabedoria às aves, como o íbis, que anuncia as enchentes do rio Nilo, ou como o galo, que canta antes da chuva?"

Livro de Jó 38:36

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Ver também

Noutras línguas

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