Dante Alighieri

Dante Alighieri (Florença, entre 21 de maio e 20 de junho de 1265 d.C.Ravena, 13 ou 14 de setembro de 1321 d.C.)[1]foi um escritor, poeta e político florentino, nascido na atual Itália. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta ("o sumo poeta"). Disse o escritor e poeta francês Victor Hugo (1802-1885) que o pensamento humano atinge em certos homens a sua completa intensidade, e cita Dante como um dos que "marcam os cem graus de gênio". E tal é a sua grandeza que a literatura ocidental está impregnada de sua poderosa influência, sendo extraordinário o verdadeiro culto que lhe dedica a consciência literária ocidental.

Seu nome, segundo o testemunho do filho Jacopo Alighieri, era um hipocorístico de "Durante".[2] Nos documentos, era seguido do patronímico "Alagherii" ou do gentílico "de Alagheriis", enquanto a variante "Alighieri" afirmou-se com o advento de Boccaccio.

Foi muito mais do que literato: numa época onde apenas os escritos em latim eram valorizados, redigiu um poema, de viés épico e teológico, La Divina Commedia ("A Divina Comédia"), o grande poema de Dante, que é uma das obras-primas da literatura universal. A Commedia se tornou a base da língua italiana moderna e culmina a afirmação do modo medieval de entender o mundo.

Essa obra foi originalmente intitulada Comédia e mais tarde foi rebatizada com o adjetivo "Divina" por Giovanni Boccaccio. A primeira edição que adicionou o novo título foi a publicação do humanista veneziano Lodovicco Dolce,[3] publicado em 1555 por Gabriele Giolito de Ferrari.

Nasceu em Florença, onde viveu a primeira parte da sua vida até ser exilado. O exílio foi ainda maior do que uma simples separação física de sua terra natal: foi abandonado por seus parentes. Apesar dessa condição, seu amor incondicional e capacidade visionária o transformaram no mais importante pensador de sua época.

Dante Alighieri
Dante Alighieri
Dante Alighieri, por Sandro Botticelli
Nome completo Dante Alighiero degli Alighieri
Nascimento Entre 22 de maio e 13 de junho de 1265
Florença, República de Florença (atual Toscana
Morte 14 de setembro de 1321 (56 anos)
Ravena, Estados Papais (atual Emília-Romanha
Nacionalidade florentino
Ocupação Estadista, poeta, teoria da linguagem
Movimento literário Dolce Stil Novo
Magnum opus Divina Comédia

Vita Nuova

Vida

Primeiros anos de vida e família

Casa di dante 01
Casa de Dante em Florença

Não há registro oficial da data de nascimento de Dante. Ele informa ter nascido sob o signo de Gêmeos, entre fim de maio e meados de junho. A referência mais confiável é a data de 25 de maio de 1265. Dante, na verdade, é uma abreviação de seu real nome, Durante.

Nasceu numa importante família florentina (cujo apelido era, na realidade, Alaghieri) comprometida politicamente com o partido dos guelfos, uma aliança política envolvida em lutas com outra facção de florentinos: os gibelinos. Os guelfos estavam ainda divididos em "guelfos brancos" e "guelfos negros". Dante, no "Inferno" (XV, 76), pretende dizer que a sua família tem raízes na Roma Antiga, ainda que o familiar mais antigo que se lhe conhece citado pelo próprio Dante, no livro "Paraíso", (XV, 135), seja Cacciaguida do Eliseu, que terá vivido, quando muito, à volta do ano 1100 (o que, relativamente ao próprio Dante, não é muito antigo).

O seu pai, Alighiero di Bellincione, foi um "guelfo branco'. Não sofreu, porém, qualquer represália após a vitória do partido gibelino na Batalha da Montaperti. Essa consideração por parte dos próprios inimigos denota, com alguma segurança, o prestígio da família.

A mãe de Dante chamava-se Bella degli Abati, nome algo comentado por significar "a bela dos abades", ainda que Bella seja uma contracção de Gabriella. Morreu quando Dante contava apenas com cinco ou seis anos de idade. Alighiero rapidamente se casou com Lapa di Chiarissimo Cialuffi. Há alguma controvérsia quanto a esse casamento, propondo alguns autores que os dois se tenham unido sem contrair matrimónio, graças a dificuldades levantadas, na época, ao casamento de viúvos. Dela nasceram o irmão de Dante, Francesco, e Tana (Gaetana), sua irmã.

Com a idade de doze anos, em 1277, sua família impôs o casamento com Gemma, filha de Messe Manetto Donati, prática comum — tanto no arranjo quanto na idade — na época. Era dada uma importância excepcional à cerimónia que decorria num ambiente muito formal, com a presença de um notário. Dante teve vários filhos de Gemma. Como acontece, geralmente, com pessoas famosas, apareceram muitos supostos filhos do poeta. É provável, no entanto, que Jacopo, Pietro e Antonia fossem, realmente, seus filhos. Antonia tomou o hábito de freira, com o nome de Irmã Beatriz. Um outro homem, chamado Giovanni, reclamou também a filiação mas, apesar de ter estado com Dante no exílio, restam algumas dúvidas quanto à pretensão.

Educação e poesia

Dante Luca
Dante
Afresco de Luca Signorelli, na capela de San Brizio, Duomo, Orvieto
DanteFresco
Dante
Afresco transferido de madeira, por Andrea del Castagno, Galleria degli Uffizi

Pouco se sabe sobre a educação de Dante, presumindo-se que tivesse estudado em casa, de forma autodidata. Sabe-se que estudou a poesia toscana, talvez com a ajuda de Brunetto Latini (numa idade posterior, como se dirá de seguida). A poesia toscana centrava-se na Scuola poetica siciliana, um grupo cultural da Sicília que se dava a conhecer, na altura, na Toscânia. Esse interesse depressa se alargou a outros autores, dos quais se destacam os menestréis e poetas provençais, além dos autores da Antiguidade Clássica latina (de entre os quais elegia, preferencialmente, Virgílio, ainda que também tivesse conhecimento da obra de Horácio, Ovídio, Cícero e, de forma mais superficial, Tito Lívio, Séneca, Plínio, o Velho e outros de que encontramos bastantes referências na Divina Comédia.

É importante referir que durante estes séculos escuros (em italiano Secoli Bui), expressão usada por alguns para referir-se à Idade Média, designando-a como "Idade das trevas" - noção que hoje em dia é rebatida por muitos historiadores que demonstram que essa época foi muito mais rica culturalmente do que aquilo que a tradição pretende demonstrar), a península Itálica era politicamente dividida em um complexo mosaico de pequenos estados, de modo que a Sicília estava tão longe, cultural e politicamente, de Florença quanto a Provença. As regiões do que hoje é a Itália ainda não compartilhavam a mesma língua nem a mesma cultura, também em virtude das vias de comunicação deficitárias. Não obstante, é notório o espírito curioso de Dante que, sem dúvida, pretendia estar a par das novidades culturais a um nível internacional.

Aos dezoito anos, com Guido Cavalcanti, Lapo Gianni, Cino da Pistoia e, pouco depois, Brunetto Latini, Dante lança o Dolce Stil Nuovo. Na Divina Comédia (Inferno, XV, 82), faz-se uma referência especial a Brunetto Latini, onde se diz que terá instruído Dante. Tanto na Divina Comédia como na Vita Nuova depreende-se que Dante se terá interessado por outros meios de expressão como a pintura e a música.

Ainda jovem (18 anos), conheceu Beatrice Portinari, a filha de Folco dei Portinari, ainda que, crendo no próprio Dante, a tenha fixado na memória quando a viu pela primeira vez, com nove anos (teria Beatriz, nessa altura, oito anos). Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o que é que seja.

É difícil interpretar no que consistiu essa paixão, mas, é certo, foi de importância fulcral para a cultura italiana. É sob o signo desse amor que Dante deixou a sua marca profunda no Dolce Stil Nuovo e em toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas e escritores que se lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado. O amor por Beatriz (tal como o amor que Petrarca demonstra por Laura, ainda que numa perspectiva diferente) aparece como a justificativa da poesia e da própria vida, quase se confundindo com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante.

Quando Beatriz morreu, em 1290, Dante procurou refúgio espiritual na filosofia da Literatura latina. Pelo Convívio, sabemos que leu a De consolatione philosophiae, de Boécio, e a De amicitia, de Cícero. Dedicou-se, pois, ao estudo da filosofia em escolas religiosas, como a Dominicana de Santa Maria Novella, tanto mais que ele próprio era membro da Ordem Terceira de São Domingos. Participou nas disputas entre místicos e dialécticos, que se travavam, então, em Florença nos meios académicos, e que se centravam em torno das duas ordens religiosas mais relevantes. Por um lado, os franciscanos, que defendiam a doutrina dos místicos (São Boaventura), e, por outro, os dominicanos, que se socorriam das teorias de Tomás de Aquino. A sua paixão "excessiva" pela filosofia é criticada por Beatriz (representando a Teologia), no "Purgatório".

Carreira política em Florença

Dante Alighieri01
Dante
Estátua na Galleria degli Uffizi

Dante participou, também, na vida militar da época. Em 1289, combateu ao lado dos cavaleiros florentinos, contra os de Arezzo, na batalha de Campaldino, em 11 de junho. Em 1294, estava com os soldados que escoltavam Carlos I, Conde de Anjou (também referido por vezes como Martel) quando este estava em Florença.

Foi, também, médico e farmacêutico; não pretendia exercer essas profissões mas, segundo uma lei de 1295, todo nobre que pretendesse tomar um cargo público devia pertencer a uma das guildas (Corporazioni di Arti e Mestieri - ou seja, "Corporação de Artes e Ofícios"). Ao entrar na guilda dos boticários, Dante podia, assim, aceder à vida política. Esta profissão não era, de todo, inadequada para Dante, já que, na época, os livros eram vendidos nos boticários. De 1295 a 1300, fez parte do "Conselho dos Cem" (o conselho da comuna de Florença), onde fez parte dos seis priores que governavam a cidade.

O envolvimento político de Dante acarretou-lhe vários problemas. O papa Bonifácio VIII tinha a intenção de ocupar militarmente Florença. Em 1300, Dante estava em San Gimignano, onde preparava a resistência dos guelfos toscanos contra as intrigas papais. Em 1301, o papa enviou Carlos de Valois, (irmão de Felipe o Belo, rei de França), como pacificador da Toscânia. O governo de Florença, no entanto, já recebera mal os embaixadores papais, semanas antes, de forma a repelir qualquer influência da Santa Sé. O Conselho da cidade enviou, então, uma delegação a Roma, com o fim de indagar ao certo as intenções do Sumo Pontífice. Dante chefiava essa delegação.

Exílio e morte

Bonifácio rapidamente enviou os outros representantes de Florença de volta, retendo apenas Dante em Roma. Entretanto, a 1 de novembro de 1301, Carlos de Valois entrava em Florença com os guelfos negros que, por seis dias, devastaram a cidade e massacraram grande número de partidários da facção branca. Instalou-se, então, um governo apoiante dos guelfos negros, e Cante dei Gabrielli di Gubbio foi nomeado Podestà (funcionário público designado pelas famílias mais influentes da cidade). Dante foi condenado, em Florença, ao exílio por dois anos, além de ser condenado a pagar uma elevada multa em dinheiro. Ainda em Roma, o papa "sugeriu-lhe" que aí se mantivesse, sendo considerado, a partir de então, um proscrito. Não tendo pago a multa, foi, por consequência, condenado ao exílio perpétuo. Se fosse, entretanto, capturado por soldados de Florença, seria sumariamente executado, queimado vivo.

O poeta participou em várias tentativas para repor os guelfos brancos no poder; em Florença, no entanto, devido a diversas traições, todas falharam. Dante, amargurado com o tratamento de que foi alvo por parte dos seus inimigos, afligia-se também com a inacção dos seus antigos aliados. Declarou solenemente, na altura, que pertencia a um partido com um único membro. Foi nesta altura que começou a fazer o esboço do que viria a ser a "Divina Comédia", poema constituído por 100 cantos, divididos em três livros ("Inferno", "Purgatório" e "Paraíso") com 33 cantos cada (exceptuando o primeiro livro que, dos seus 34 cantos, o primeiro é considerado apenas como Canto introdutório).

Foi para Verona, onde foi hóspede de Bartolomeo Della Scala; mudou-se para Sarzana (Ligúria), e, depois, supõe-se que terá vivido algum tempo em Lucca com Madame Gentucca, que o acolheu de forma calorosa (o que, mais tarde, será referido de forma agradecida no Purgatório XXIV,37). Algumas fontes afirmam que teria estado em Paris, entre 1308 e 1310 [carece de fontes?]. Outras fontes, menos credíveis, porém, dizem que teria ido até Oxford[carece de fontes?].

Em 1310, Henrique VII do Luxemburgo invadiu a Itália. Dante viu nele a hipótese de se vingar. Escreveu-lhe, bem como a vários príncipes italianos, cartas abertas onde incitava violentamente à destruição do poderio dos guelfos negros. Misturando religião e assuntos privados, invocou a ira divina sobre a sua cidade, sugerindo como alvo principal do desagrado de Deus os seus mais tenazes inimigos pessoais.

Em Florença, Baldo d'Aguglione perdoou a maior parte dos guelfos brancos que estavam no exílio, permitindo-lhes o seu regresso. Dante, no entanto, tinha ultrapassado largamente os limites toleráveis para o partido negro nas suas cartas a Henrique VII, pelo que o seu regresso não foi permitido.

Dante exile
Dante no exílio
Autor desconhecido, Palácio Pitti

Em 1312, Henrique assaltou Florença, derrotando os "guelfos negros". Não há, no entanto, qualquer evidência de uma possível participação de Dante no evento. Há quem diga que Dante se recusou a participar num ataque à sua cidade ao lado de um estrangeiro. Outros, porém, sugerem que o seu nome se tinha tornado incómodo para os próprios "guelfos brancos", pelo que qualquer traço da sua passagem foi prontamente apagado para a posteridade. Em 1313, com a morte de Henrique, morreu também a esperança de Dante de rever a sua cidade. Voltou para Verona onde Cangrande I della Scala, o Senhor de Verona, lhe permite viver seguro, confortável e, presume-se, com alguma prosperidade. Cangrande é um dos personagens admitidos por Dante no seu Paraíso (XVII, 76).

Em 1315, Florença foi obrigada, por Uguccione della Faggiuola (oficial militar que controlava a cidade) a outorgar amnistia a todos os exilados. Dante constava na lista daqueles que deveriam receber o perdão. No entanto, era exigido que estes pagassem uma determinada multa e, acima de tudo, que aceitassem participar numa cerimónia de cariz religioso onde se retractariam como ofensores da ordem pública. Dante recusou-se a semelhante humilhação, preferindo o exílio.

Quando Uguccione derrotou, finalmente, Florença, a sentença de morte que recaía sobre Dante foi comutada numa pena de prisão, sob a única condição de que teria de ir a Florença jurar solenemente que jamais entraria na cidade. Dante não foi. Como resultado, a pena de morte estendeu-se aos seus filhos.

Dante ainda esperou, mais tarde que fosse possível ser convidado por Florença a um regresso honrado. O exílio era como que uma segunda morte, privando-o de muito do que formava a sua identidade. No Canto XVII, 55-60, do Paraíso, Dante refere o quanto era dolorosa para si a vida de exilado, quando o seu trisavô, Cacciaguida, lhe "profetiza" aquilo que o espera:

Paraíso
(Canto XVII)
Italiano
Paraíso
(Canto XVII)
Português *

"… Tu lascerai ogne cosa diletta
più caramente; e questo è quello strale
che l'arco de lo essilio pria saetta.

Tu proverai sì come sa di sale
lo pane altrui, e come è duro calle
lo scendere e 'l salir per l'altrui scale …"

"… Deixarás tudo aquilo que te agrada
mais profundamente; é esta seta a tal
logo no arco do exílio disparada.

E provarás como é falto de sal
o pão d' outros, e como é dura estrada
descer e subir pelas escadas de outros …"

* Tradução livre, feita pelo editor da primeira versão deste artigo na Wikipédia Lusófona

Quanto à esperança de um dia voltar a Florença, Dante descreve o seu sentimento melancólico, como se já estivesse resignado a essa impossibilidade, no Canto XXV, 1-9 do Paraíso:

Paraíso
(Canto XXV)
Italiano
Paraíso
(Canto XXV)
Português *

"Se mai continga che 'l poema sacro
al quale ha posto mano e cielo e terra,
sì che m'ha fatto per molti anni macro,

vinca la crudeltà che fuor mi serra
del bello ovile ov'io dormi' agnello,
nimico ai lupi che li danno guerra;

con altra voce omai, con altro vello
ritornerò poeta, e in sul fonte
del mio battesmo prenderò 'l cappello …"

"Se acontecer que o poema sagrado,
em que céu e terra puseram mão,
(magro me fez, de tanto ano passado)

Vencer a crueldade que em prisão
me exila do redil onde, cordeiro,
dormi, oposto aos lobos que o atacam;

Voz e pêlo distinto do primeiro
terei, chegando poeta, e me façam
a testa ornar com folha de loureiro …"

* Tradução livre, feita pelo editor da primeira versão deste artigo na Wikipédia Lusófona

Dante tomb
Cenotáfio de Dante
Esculpida por Pietro Lombardo, Florença

É claro que isto nunca aconteceu. Os seus restos mortais mantêm-se em Ravena, não em Florença.

Guido Novello da Polenta, príncipe de Ravena, convidou-o para aí morar, em 1318. Dante aceitou a oferta. Foi em Ravenna que terminou o "Paraíso" e, pouco depois, falecia, talvez de malária, em 1321, com 56 anos, sendo sepultado na Igreja de San Pier Maggiore (mais tarde chamada Igreja de San Francesco). Bernardo Bembo, pretor de Veneza, decidiu honrar os restos mortais do poeta, erigindo-lhe um monumento funerário de acordo com a dignidade de Dante Alighieri.

Na sepultura, constam alguns versos de Bernardo Canaccio, amigo de Dante, onde se refere a Florença com os seguintes termos:

parvi Florentia mater amoris
"Florença, mãe de pequeno amor"

Posteriormente, Florença chegou a lamentar o exílio de Dante e fez repetidos pedidos para o retorno de seus restos mortais. Os responsáveis pela guarda de seu corpo em Ravenna se recusaram a cumprir, chegando ao ponto de esconder os ossos em uma parede falsa do mosteiro. No entanto, em 1829, um túmulo foi construído para ele em Florença, na basílica de Santa Cruz. Esse cenotáfio está vazio desde então, com o corpo de Dante remanescendo em Ravenna, longe da terra que ele amava tão ternamente. Em frente do seu túmulo em Florença lê-se Onorate l'altissimo poeta - que pode ser traduzido como "Honra ao poeta mais exaltado". A frase é uma citação do quarto canto do Inferno, representando as boas-vindas de Virgílio quando ele volta entre os grandes poetas antigos passando a eternidade no limbo. A continuação da linha, L'ombra sua torna, ch'era dipartita ("seu espírito, que tinha nos deixado, volta"), é uma lamúria ao túmulo vazio.

Em 2007, a reconstrução do rosto de Dante foi concluída em um projeto colaborativo. Artistas da Universidade de Pisa e engenheiros da Universidade de Bolonha em Forli completaram o modelo revelador, que indicou que as características de Dante eram um pouco diferentes do que se pensava.[4][5]

Obras

De vulgari eloquentia
De vulgari eloquentia, 1577

A Divina Comédia escreve uma viagem de Dante através do Inferno, Purgatório, e Paraíso, primeiramente guiado pelo poeta romano Virgílio (símbolo da razão humana), autor do poema épico Eneida, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz – símbolo da graça divina – com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes).

Em termos gerais, os leitores modernos preferem a descrição vívida e psicologicamente interessante para a sensibilidade contemporânea do "Inferno", onde as paixões se agitam de forma angustiada num ambiente quase cinematográfico. Os outros dois livros, o Purgatório e o Paraíso, já exigem outra abordagem por parte do leitor: contêm subtilezas ao nível filosófico e teológico, metáforas dificilmente compreensíveis para a nossa época, requerendo alguma pesquisa e paciência. O Purgatório é considerado, dos três livros, o mais lírico e humano. É interessante verificar que é, também, aquele onde aparecem mais poetas. O Paraíso, o mais pesadamente teológico de todos, está repleto de visões místicas, raiando o êxtase, onde Dante tenta descrever aquilo que, confessa, é incapaz de exprimir (como acontece, aliás, com muitos textos místicos que fazem a história da literatura religiosa). O poema apresenta-se, como se pode ver num dos excertos acima, como "poema sagrado" o que demonstra que Dante leva muito a sério o lado teológico e, quiçá, profético, da sua obra. As crenças populares cristãs adaptaram muito do conceito de Dante sobre o inferno, o purgatório e o paraíso, como por exemplo o fato de cada pecado merecer uma punição distinta no inferno. A Comédia é o maior símbolo literário e síntese do pensamento medieval, vivido pelo autor.

O poema chama-se "Comédia" não por ser engraçado mas porque termina bem (no Paraíso). Era esse o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens.

Dante escreveu a "Comédia" no seu dialeto local. Ao criar um poema de estrutura épica e com propósitos filosóficos, Dante demonstrava que a língua toscana (muito aproximada do que hoje é conhecido como língua italiana, ou língua vulgar, em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios) era adequada para o mais elevado tipo de expressão, ao mesmo tempo que estabelecia o Toscano como dialecto padrão para o italiano.

Outras obras importantes do autor são:

Dante Nápoles
Dante
Estátua na Piazza Dante, Nápoles
  • De vulgari eloquentia ("Sobre a Língua vulgar", escrita, curiosamente, em latim);
  • Vita Nuova ("Vida Nova"), onde insere sonetos, comentados, onde narra a história do seu amor por Beatriz. A língua utilizada é a toscana, tanto para os poemas (o que não é grande novidade, já que muitas obras líricas tinham sido escritas em língua vulgar) como para os comentários que, pelo seu carácter mais teórico, já inovam ao prescindir do latim.
  • Le Rime - "As rimas", também chamadas de "Canzoniere", onde aparecem vários textos de cariz lírico (sonetos, canções, baladas, sextinas…), onde, novamente, canta o amor idealizado (amor platónico), Beatriz, bem como a Ciência, a Filosofia, a Moral (num sentido alargado do termo);
  • Il Convivio - "O Convívio", de carácter filosófico, é apresentado pelo poeta como um banquete com 14 pratos (simbolizando as canções), acompanhados do pão (os comentários). Faz parte das obras que pretendem dignificar a língua vulgar, tanto mais que Dante chega aqui a citar autores tão importantes como Aristóteles ou São Tomás de Aquino;
  • De Monarchia - "Monarquia", onde expõe as suas ideias políticas. O livro, escrito em latim possivelmente entre 1310 e 1314, defende a supremacia do poder temporal sobre o poder papal, lembrando que até Jesus Cristo ressaltou que não desejava o poder temporal. Ao final, recomenda que ambos respeitem-se um ao outro, obedecendo àquele "que é o único governador de todas as coisas, espirituais e temporais";[6]
  • Outras obras, consideradas menores, como "As Epístolas", "Éclogas" e "Quaestio de aqua et terra".

Nota: Quando nos referimos a excertos da Divina Comédia, indicamos primeiro o livro (por exemplo, "Inferno"), depois o Canto, em numeração romana; e, finalmente, em algarismos indo-arábicos, os versos (que aparecem numerados na maior parte das edições da obra).

Reabilitação

Em julho de 2008, o Comitê Cultural de Florença revogou o exílio e concedeu a seus herdeiros, como forma de compensação a mais alta honraria da cidade, Il Fiorino D'Oro. A proposta, aprovada na câmara de vereadores da cidade,foi apresentada pelo vereador Enrico Bosi, do Partido Povo da Liberdade, tendo sido aprovada por apenas um voto acima do quórum mínimo, uma vez que recebeu oposição de muitos vereadores da esquerda, que a consideraram apenas uma forma de beneficiar o único herdeiro vivo de Dante, Peralvise Serego Alighieri, um produtor de vinho da região de Valpolicella.[7]

Imagens de Dante

Dante foi homenageado por grandes artistas ao longo dos séculos. Em 2007, cientistas italianos da Universidade de Bologna recriaram a face de Dante. Crê-se que o modelo[8] seja o mais próximo possível de sua verdadeira aparência. Seu retrato, feito por Sandro Botticelli, foi usado como base junto ao crânio.[9]Neste retrato de Botticelli, Dante esta usando cappuccio, um gorro vermelho trançado com abas nas orelhas. Nesta representação Botticelli acrescentou uma coroa de louros por expertise em artes poéticas. Um símbolo tradicional emprestado da Grécia Antiga e até hoje usando em cerimônias de premiação de poetas laureados e ganhadores do prêmio Nobel.  

Dante Doré

Dante
por Gustave Doré

Dante

Dante
Galeria de Retratos da Universidade do Texas

Dante-alighieri

Dante
Capela Bargello, por Giotto di Bondone

Referências

  1. «Dante Alighieri» (em inglês). Encyclopædia Britannica. Consultado em 10 de janeiro de 2016
  2. Durante, olim vocatus Dante.
  3. Ronnie H. Terpening, Lodovico Dolce, Renaissance Man of Letters (Toronto, Buffalo, London: University of Toronto Press, 1997), p. 166. - em inglês
  4. Pullella, Philip (12 de janeiro de 2007). «Dante gets posthumous nose job - 700 years on». statesman. Reuters. Consultado em 5 de novembro de 2007
  5. Benazzi S. (2009). "The face of the poet Dante Alighieri reconstructed by virtual modelling and forensic anthropology techniques". Journal of archaeological science 36 (2):278–283. doi:10.1016/j.jas.2008.09.006
  6. Schilling, Voltaire. «Dante Alighieri como político». Educaterra – Cultura e Pensamento. Consultado em 30 de abril de 2010
  7. O Globo, 5 de julho de 2008, página 35.
  8. BBC.com. A face de Dante.
  9. Cientistas italianos recriam face de Dante Alighieri BBCBrasil.com, acessado em 9 de fevereiro de 2007.

Bibliografia

  • Étienne Gilson, Dante et la philosophie, Paris, 2002
  • René Guénon, O Esoterismo de Dante, Lisboa, 1990.
  • Titus Burckhardt, Because Dante is right, in: The Essential Titus Burckhardt, Bloomington, EUA, 2004.

Ver também

Ligações externas

1321

1321 (MCCCXXI, na numeração romana) foi um ano comum do século XIV do Calendário Juliano, da Era de Cristo, e a sua letra dominical foi D (53 semanas), teve início a uma quinta-feira e terminou também a uma quinta-feira.

Beatriz Portinari

Beatriz Portinari, em italiano Beatrice (Bice) Portinari, (1266 — 8 de junho de 1290) foi, segundo alguns críticos literários, a figura histórica que inspirou o personagem Beatriz, de Dante.

Beatriz era uma jovem muito bela, que era musa de Dante Alighieri, sendo que o autor a usa como símbolo fé personificada. Foi a musa de Dante no seu grande poema "A Divina Comédia".

Embora não seja unânime, a tradição identifica-a como filha do banqueiro Folco Portinari.

A documentação sobre sua vida sempre foi muito escassa, a ponto de se duvidar da sua real existência. Até pouco tempo atrás, a única prova era o testamento de Folco Portinari, datado de 1287. Ali se lê: ...item d. Bici filie sue et uxoris d. Simonis del Bardis reliquite [...]. Trata-se de uma soma em dinheiro, deixada à filha Bice, esposa de Simone de' Bardi. Folco Portinari fora um banqueiro muito rico e conhecido na sua cidade, Portico di Romagna.

Transferindo-se para Florença, vivia em uma casa vizinha à de Dante e tinha seis filhas. Fundou aquele que é até hoje o principal hospital do centro de Florença, o Ospedale di Santa Maria Nuova.

A data de nascimento de Beatrice foi obtida por analogia com a data presumida do nascimento de Dante (1265), já que ela era da mesma idade ou um ano mais nova que o poeta. A data de sua morte foi obtida na Vita Nuova, obra do próprio Dante, e talvez não passe de uma data simbólica. Muitas outras informações biográficas provêm unicamente da Vita Nuova, tais como o único encontro com Dante, a saudação, o fato de os dois nunca terem trocado palavras, etc.

Muito jovem, Dante conheceu Beatriz, e, crendo no próprio Dante, fixou-a na memória quando a viu pela primeira vez, aos nove anos (teria Beatriz, nessa altura, 8 anos). Não há, entretanto, elementos biográficos que comprovem o quer que seja.

Dante sentia um amor espiritual pela sua querida Beatriz, porém nunca chegou a tê-la em seus braços. Mesmo assim, Beatriz nunca abandonou os pensamentos e inspirações de Dante, sendo que em todas as obras do poeta, a sua relação de amor platónico com a Beatriz está muito enraizada. O próprio Giovanni Boccaccio, no comentário à Divina Comédia, faz explicitamente referência à jovem. Tanto que mesmo depois de morrer, com apenas 24 anos devido a uma doença, Beatriz continua a ser cantada por Dante até ao fim dos seus dias.

Centro de Divulgação Científica e Cultural

O Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), instalado no prédio da antiga Società Dante Alighieri e localizado na cidade de São Carlos-SP, foi criado em 1980 e tem como principal objetivo estabelecer um sistema de apoio didático-pedagógico às escolas, seus professores e alunos, bem como promover e fomentar atividades de divulgação científica e cultural.

Colégio Dante Alighieri

O Colégio Dante Alighieri é uma instituição de ensino básico e médio da cidade de São Paulo, Brasil, fundada no ano de 1911 por imigrantes italianos. Localiza-se no bairro de Cerqueira César.

Atualmente, o colégio é reputado como um dos mais tradicionais colégios paulistanos.

Dante's Inferno (filme)

Dante's Inferno é um filme norte-americano de drama de 1935 dirigido por Harry Lachman, estrelado por Spencer Tracy e vagamente baseado no livro de Dante Alighieri, A Divina Comédia. O filme continua a ser lembrado por uma descrição de 10 minutos do inferno na visão do diretor Harry Lachman, ele próprio sendo um pintor pós-impressionista. Este foi o último filme da Fox Film Corporation antes de se fundir com a Twentieth Century Pictures formando a 20th Century Fox.

De vulgari eloquentia

De vulgari eloquentia (traduzido livremente para o português, Sobre a eloquência vernácula) é o título de um ensaio de Dante Alighieri, escrito em latim, inicialmente pensando com quatro livros, mas abandonado no meio do segundo. Provavelmente foi composto pouco depois de Dante ter sido exilado; evidência interna aponta para uma data entre 1302 e 1305. O primeiro livro lida com a relação entre o latim e o vernáculo, e a busca por um vernáculo ilustre no território italiano, enquanto o segundo é uma análise do "canto", ou canção (também dito "canzone" em italiano), um gênero literário.

Ensaios em latim eram muito populares na Idade Média, mas Dante faz algumas inovações em seu trabalho: primeiramente, o assunto, que é o vernáculo, era uma escola incomum à época. Em segundo, a forma com que Dante aborda o assunto,isto é, concedendo ao vernáculo a mesma dignidade que era apenas reservada ao latim. Dante escreveu este ensaio a fim de analisar a origem e a filosofia do vernáculo, porque, em sua opinião, a língua não é algo estático, mas algo que evolui e precisa de contextualização histórica.

Dialeto toscano

O dialeto toscano constitui-se num grupo de falas românicas da área geográfica que hoje corresponde à região italiana da Toscana, com exceção da província de Massa-Carrara e da zona da Alta Garfagnana, onde se falam dialetos galo-itálicos.

O toscano constitui a base da língua italiana padrão devido sobretudo às obras de Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio, sem esquecer as de Niccolò Machiavelli e Francesco Guicciardini, que conferiram ao dialeto toscano a dignidade de "língua literária" da península Itálica.

Divina Comédia

A Divina Comédia (em italiano: Divina Commedia, originalmente Comedìa e, mais tarde, denominada Divina Comédia por Giovanni Boccaccio) é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso.

Florença

Florença (em italiano: Firenze e em latim: Florentina) é um munícipio italiano, sub-capital e maior cidade da região da Toscana e da província homônima, com cerca de 377 207 habitantes (1.007.252 a cidade metropolitana). Estende-se por uma área de 102,41 km², tendo uma densidade populacional de 3683 hab/km². Faz fronteira com Bagno a Ripoli, Campi Bisenzio, Fiesole, Impruneta, Scandicci, Sesto Fiorentino. Florença foi durante muito tempo considerada a capital da moda.

A cidade é considerada o berço do Renascimento italiano, e uma das cidades mais belas do mundo. Tornou-se célebre também por ser a cidade natal de Dante Alighieri, autor da Divina Comédia, que é um marco da literatura universal e de onde a língua italiana moderna tem várias influências. Nesse poema ele descreve a cidade de Florença em muitas passagens, assim como alguns de seus contemporâneos florentinos célebres, como Guido Cavalcanti, amigo que também era poeta e ativo na vida política da cidade, que também são personagens da obra. Também é florentino Cimabue, o último grande pintor italiano a seguir a tradição bizantina, e responsável pela "descoberta" de Giotto.

Florença tem origem num antigo povoado etrusco, e foi governada pela família Médici desde o início do século XV até meados do século XVIII. O primeiro líder da cidade pertencente à família Médici foi Cosme de Médici, que chegou ao poder em 1437. Foi um protector dos judeus na cidade, iniciando uma longa relação da família com a comunidade judaica. A Grande Sinagoga de Florença, também conhecida como Tempio Maggiore ("Templo Principal"), é considerada uma das mais belas da Europa. Destacam-se as diversas e belíssimas catedrais de épocas e estilos diferentes. A cidade também é cenário de obras de artistas do Renascimento, como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Giotto di Bondone, Sandro Botticelli, Rafael, Donatello, entre outros. Nesta cidade nasceram os papas Leão X, Clemente VII, Clemente VIII, Leão XI, Urbano VIII e Clemente XII.

Giovanni Boccaccio

Giovanni Boccaccio (pronúncia italiana: d͡ʒoˈvanni bokˈkatt͡ʃo; Florença ou Certaldo, 16 de junho de 1313 — Certaldo, 21 de dezembro de 1375) foi um poeta e crítico literário italiano, especializado na obra de Dante Alighieri.

Filho de um mercador,Giovanni Boccaccio não se dedicou ao comércio como era o desejo de seu pai, preferindo cultivar o talento literário que se manifestou desde muito cedo. Foi um importante humanista, autor de um número notável de obras, incluindo Decamerão, o poema alegórico Visão Amorosa (Amorosa visione) e De claris mulieribus, uma série de biografias de mulheres ilustres. O "Decamerão" fez de Boccaccio o primeiro grande realista da literatura universal.

Ao ler "A Comédia", de Dante Alighieri, ficou tão fascinado que a renomeou de "A Divina Comédia", título com que a obra seria imortalizada. Considerado pelos seus contemporâneos florentinos uma autoridade sobre Dante, o governo da cidade convidou-o, em 1373, a fazer uma leitura pública da Divina Comédia. Se bem que haja poucos registos, crê-se que Boccaccio fez apenas cerca de 65 palestras, pois a doença obrigava-o a interromper a apresentação no Canto XVII do Inferno. Nunca conseguiria terminar o projecto, mas o texto com os seus comentários ficou para a posteridade: Esposizioni sopra la Comedia di Dante. Boccacio foi autor de uma das primeiras biografias de Dante, o Trattatello in laude di Dante, também conhecido como Vita di Dante. Encontra-se sepultado na Igreja de São Jacó e Filipe na Toscana, Itália.

Henrique VII do Sacro Império Romano-Germânico

Henrique VII (Valenciennes, 1275 – Buonconvento, 24 de agosto de 1313) foi Imperador Romano-Germânico de 1312 até sua morte, Rei da Itália a partir de 1311, Rei da Germânia (ou Rex Romanorum) a partir de 1308 e também Conde de Luxemburgo e Arlon começando em 1288. Ele foi o primeiro imperador da Casa de Luxemburgo. Durante seu breve mandato ele revigorou a causa imperial na Itália e inspirou elogios de Dino Compagni e Dante Alighieri.

Ele era filho do Conde Henrique VI de Luxemburgo e Beatriz de Avesnes. Seu filho, João de Luxemburgo, foi eleito rei Boêmia em 1310. Em 15 de agosto de 1309, Henrique VII anunciou sua intenção de viajar a Roma e esperava que suas tropas estivessem prontas em 1º de outubro de 1310. Ele então viajou para Roma para ser coroado emperador, o título estava vago desde a morte de Frederico II. Sua coroação foi em 29 de Junho de 1312.

Como imperador, ele planejou restaurar a glória do Sacro Império Romano-Germânico, e assim restaurou o poder imperial em parte do norte da Itália, lutando contra a comuna anti-imperial de Florença. Entretanto ele disputou com os guelfos e guibelinos, especialmente nas cidades livres da Toscana, e o rei Roberto I de Nápoles e o papa Clemente V estavam ambos preocupados sobre as políticas do império. Henrique quis punir Roberto de Nápoles por usa ações desleais (Roberto era tecnicamente vassalo de Henrique), mas ele morreu em 24 de agosto de 1313, próximo a Siena.

Henrique o famoso alto Arrigo no Paraíso de Dante Alighieri, no qual o poeta descreve o trono de honra que espera por Henrique no paraíso. Dante também faz alusão a ele várias vezes no Purgatório como o salvador que iria trazer o governo imperial de volta à Itália, e acabar o controle temporal da Igreja Católica sediada em Avinhão. O sucesso de Henrique VII na Itália não durou muito, e depois de sua morte as forças anti-imperiais reganharam o controle.

Depois da morte de Henrique VII, dois rivais, o imperador Luís IV da Baviera da casa de Wittelsbach e Frederico I de Habsburgo da casa de Habsburgo, disputaram a coroa. A disputa culminou na Batalha de Mühldorf em 28 de setembro de 1322, vencida por Luís.

Inferno (Divina Comédia)

O Inferno é a primeira parte da "Divina Comédia" de Dante Alighieri, sendo as outras duas o Purgatório e o Paraíso. Está dividido em trinta e quatro cantos (uma divisão de longas poesias), possuindo um canto a mais que as outras duas partes, que serve de introdução ao poema. A viagem de Dante é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio. No poema, o inferno é descrito com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra. Foi escrito no início do século XIV. Os mais variados pintores de todos os tempos criaram ilustrações sobre esta obra, se destacando Botticelli, Gustave Doré e Dalí.

Instituto Camões

O Instituto Camões, I. P. (IC, I. P.) foi criado para a promoção da língua portuguesa e da cultura portuguesa no exterior. A sua Lei Orgânica define-o como pessoa colectiva de direito público, dotada de autonomia administrativa e patrimonial, sob a superintendência do Ministério dos Negócios Estrangeiros para assegurar a orientação, coordenação e execução da política cultural externa de Portugal, nomeadamente da difusão da língua portuguesa, em coordenação com outras instâncias competentes do Estado, em especial os Ministérios da Educação e da Cultura.

Em 2005 na cidade de Oviedo, o Instituto Camões foi galardoado com o Prémio Princesa das Astúrias de Comunicação e Humanidades, juntamente com Aliança Francesa, Sociedade Dante Alighieri, Conselho Britânico, Instituto Goethe e Instituto Cervantes.

Pagão virtuoso

Pagão virtuoso é um conceito da teologia cristã análogo ao conceito do "gentil virtuoso" (Ger toshav) do judaísmo dos "Ḥanīf" no islã. Ele endereça a questão dos pagãos que jamais foram evangelizados e, por isso, não tiveram, em vida, oportunidade de reconhecer Cristo, mas ainda assim levaram vidas tão virtuosas que seria questionável considerá-los condenados ao inferno. Exemplos famosos são Sócrates, Cícero, Trajano e Virgílio. O Catecismo Romano do Concílio de Trento (séc. XVI), com base na opinião de São Tomás de Aquino, afirmou que estas almas estavam esperando num limbo entre o céu e o inferno e foram libertadas por Jesus em sua descida ao inferno.

Uma versão católica moderna deste conceito é conhecido como cristão anônimo na teologia de Karl Rahner. Dante Alighieri, em sua Divina Comédia, colocou diversos pagãos virtuosos no primeiro círculo do Inferno (análogo ao limbo), incluindo Homero, Horácio, Ovídio e Lucano. Notavelmente, ele colocou também Saladino, um muçulmano, mesmo os muçulmanos sendo monoteístas e não pagãos, além de conhecer o cristianismo.

Pecado capital

Os conceitos incorporados no que se conhece hoje como os sete pecados capitais tratam de uma classificação de condições humanas conhecidas atualmente como vícios, que precedem o surgimento do cristianismo, mas que foram usadas mais tarde pelo catolicismo com o intuito de educar os seguidores, de forma a compreender e controlar os instintos básicos do ser humano e assim se aproximar de Deus.

A lista final, apresentada no Século XIII, é a versão aprimorada de uma primeira versão, datada do Século IV. Todo esse esforço em descrever defeitos de conduta tinha um motivo: facilitar o cumprimento dos Dez Mandamentos. Assim, a Igreja Católica classificou e selecionou os pecados da seguinte forma: a tríplice concupiscência que é a raiz dos pecados capitais; pecados capitais que são os pais dos outros vícios; pecados veniais que são perdoáveis sem a necessidade do sacramento da confissão e os pecados mortais que são merecedores de condenação por ferirem os dez mandamentos de Deus. A partir de inícios do século XIV a popularidade dos sete pecados capitais entre artistas da época resultou numa popularização e mistura com a cultura humana no mundo inteiro.

Praça Dante Alighieri

A Praça Dante Alighieri é o logradouro público mais antigo e tradicional de Caxias do Sul, no Brasil, estando localizada no coração da cidade. Foi definida na planta da colônia desde os primórdios da ocupação do território e foi o cenário de inúmeros eventos importantes, possuindo em seu entorno diversos edifícios históricos de grande relevo.

Purgatório (Divina Comédia)

Purgatório é a segunda parte da Divina Comédia de Dante Alighieri. Está dividido em trinta e três cantos.

É a criação mais original de Dante, pois ao contrário do Inferno e do Paraíso, conceções imaginadas por diversas religiões, o Purgatório, na época em que A Divina Comédia foi escrita, era um novo dogma da Igreja Católica.

Segundo Dante, o Purgatório é um espaço intermediário, que se encontra na porção austral do planeta, onde existe uma única ilha com uma grande montanha no centro, que sobe até alcançar os céus: o Monte Purgatório. O Purgatório seria uma montanha composta por círculos ascendentes (as cornijas), reservados àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação dos mesmos. No Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais "intensamente" foram para o Inferno. Antes das Sete Cornijas onde as almas expiam seus pecados, está o Ante-Purgatório, onde ficam as almas que se arrependeram no último instante. O Ante-Purgatório é dividido em três degraus.

O Purgatório, geograficamente, se divide em 6 partes:

1. O Rio Tibre, onde um anjo em uma barca leva as almas até o Purgatório.

2. O Ante-Purgatório, onde estão as almas dos que se arrependeram no último instante.

3. O Baixo Purgatório, onde estão as almas daqueles que perverteram o amor.

4. O Médio Purgatório, onde estão as almas daqueles que não conseguiram amar.

5. O Alto Purgatório, onde ficam aqueles que amaram em excesso.

6. O Paraíso Terrestre, ou o Jardim do Éden.

Ao contrário do Inferno, onde os pecados que aparecem no início são os mais leves e quanto mais se desce, mais graves eles ficam, no Purgatório, os piores pecados aparecem no Baixo Purgatório e os menores, no Alto.

No início da subida da montanha estão esperando arrependidos tardios, que têm de aguardar a permissão para passarem pela Porta de São Pedro antes de iniciarem sua ansiada subida. Cada um dos sete círculos correspondem a um dos Sete pecados capitais, na seguinte ordem: Orgulho, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza junto ao Pródigo, Gula e Luxúria. Os Avarentos e Pródigos estão juntos no mesmo círculo, pois são os dois extremos, onde o avarento super valoriza o dinheiro e o Pródigo o desperdiça.

No fim do Purgatório, Dante se despede de Virgílio, pois este não pode ter acesso ao Paraíso. Lá encontra Beatriz, sua amada quando estava na Terra. Esta o leva até o rio Lete. Quando Dante bebe a água do Lete, esta apaga a sua memória, seus pecados, é como se Dante tivesse renascido. Existe uma lenda que diz que o Paraíso fica entre o rio Tigre e o Eufrates. Quando Dante vê o rio ele julga ser o Tigre no atual Iraque. Finalmente Dante chega ao Paraíso.

Sociedade Dante Alighieri

A Sociedade Dante Alighieri foi fundada em 1889 por um grupo de intelectuais liderados por Giosuè Carducci e foi erigida como Ente Moral com o Decreto Régio de 18 de Julho de 1893, nº 347; com Decreto Lei nº 186 de 27 de Julho de 2004 foi assimilada, para estrutura e finalidades, às ONLUS (Organização Social sem Fins Lucrativos italiana). O seu principal objetivo, como se afirma no artigo 1 do Estatuto Social, é "tutelar e difundir a língua e a cultura italiana no mundo, reavivando as ligações espirituais dos compatriotas no exterior com a pátria mãe e alimentando entre os estrangeiros o amor e o culto à civilização italiana".

Para atingir estes objetivos, a "Dante Alighieri" confiou e ainda confia na generosa ajuda de mais de 500 comitês, dos quais mais de 400 são ativos em países fora da Itália distribuídos em todos os continentes. Cada continente hoje pode contar com a incansável e voluntária sede da "Dante", que não só oferece cursos de língua italiana, mas também eventos culturais de vários tipos para os milhares de estudantes e membros de nossa amada Itália e curiosos por conhecê-la em todas as suas características, da arte figurativa à música, dos esportes ao cinema, do teatro à moda, além da literatura. Através dos Comitês estrangeiros, além disso, a "Dante Alighieri" estabelece e apoia as escolas, bibliotecas, clubes e cursos de língua e cultura italiana, divulga livros e publicações, promove conferências, passeios culturais e artísticas e eventos musicais, distribui prêmios e bolsas de estudo; por meio dos Comitês na Itália participa de atividades destinadas a melhorar e ampliar a cultura da nação e promove todo tipo de eventos destinados a destacar a importância da disseminação da língua, da cultura e de criações do gênio e do trabalho italianos.

O ponto de referência para os Comitês da Itália e do estrangeiro é a Sede Central, situada em Roma, no Palácio de Florença, presidido pelo Embaixador Bruno Bottai. O Conselho é composto pelos Vices-Presidentes Marella Agnelli, Alberto Arbasino, Gianni Letta e Paul Peluffo; os Assuntos Gerais são tratados pelo Secretário-Geral Alessandro Masi e a Administração pelo Superintendente de Contas Walter Mauro.

Vita Nuova

Vita Nuova (em português Vida Nova) é a obra de juventude do escritor italiano Dante Alighieri, escrita provavelmente entre 1292 e 1293, na qual ele narra a história de seu amor por Beatrice Portinari, a filha de Folco Portinari, um nobre da cidade de Florença.

Noutras línguas

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