Constantino

Constantino I, também conhecido como Constantino Magno ou Constantino, o Grande (em latim: Flavius Valerius Constantinus; Naísso, 27222 de maio de 337), foi um imperador romano, proclamado Augusto pelas suas tropas em 25 de julho de 306, que governou uma porção crescente do Império Romano até a sua morte.

Constantino derrotou os imperadores Magêncio e Licínio durante as guerras civis. Ele também lutou com sucesso contra os francos e alamanos, os visigodos e os sármatas durante boa parte de seu reinado, mesmo depois da reconquista da Dácia, que havia sido abandonada durante o século anterior. Constantino construiu uma nova residência imperial em Bizâncio, chamando-a de Nova Roma. No entanto, em honra de Constantino, as pessoas chamavam-na de Constantinopla, que viria a ser a capital do Império Romano do Oriente durante mais de mil anos. Devido a isso, ele é considerado como um dos fundadores do Império Romano do Oriente. Hoje, ela é nomeada 'Istambul' e foi também, capital do Império Turco-Otomano, de 1453 até o final deste em 1922.

Constantino I
Augusto
0 Constantinus I - Palazzo dei Conservatori (2)

Fragmento de uma estátua monumental de Constantino, que combinava partes em mármore com outras em bronze, representando-o sentado e vestido de couraça. Erguida na chamada Basílica de Constantino, em Roma, foi projetada por Magêncio e completada por Constantino; atualmente está nos Museus Capitolinos.
Reinado 25 de julho de 30629 de outubro de 312 (aclamado como Augusto no Ocidente, oficialmente nomeado César por Galério com Severo como Augusto, por acordo com Maximiano, recusou a relegação a César em 309)
29 de outubro de 312 — 19 de setembro de 324 (Augusto do Ocidente em disputa, principal Augusto no Império)
19 de setembro de 324 — 22 de maio de 337 (imperador do império unificado)[1]
Consorte Minervina, dissolvido por morte ou divórcio antes de 307,
Fausta
Antecessor(a) Constâncio Cloro
Sucessor(a) Constantino II
Constâncio II
Constante I
Dinastia Constantiniana
Nascimento 27 de fevereiro de 272[2]
  Naísso (moderna Niš, Sérvia)
Morte 22 de maio de 337 (65 anos)
  Nicomédia (atual Izmit, Turquia)
Enterro Igreja dos Santos Apóstolos, Constantinopla
Filho(s) Com Minervina:
Crispo
Com Fausta:
Constantina
Constantino II
Constâncio II
Constante
Helena
Fausta
Pai Constâncio Cloro
Mãe Helena

Fontes

Constantino era um governante de grande importância histórica e sempre foi uma figura controversa[3]. As flutuações na reputação de Constantino refletem a natureza das fontes antigas de seu reinado. Estas são abundantes e detalhadas[4], mas foram fortemente influenciadas pela propaganda oficial do período[5], e são muitas vezes unilaterais[6]. Não há histórias de sobreviventes ou biografias que lidaram com a vida de Constantino e do Estado[7]. Os mais próximos subsídios são a Vida de Constantino de Eusébio de Cesareia, uma obra que é uma mistura de elogio e hagiografia.[8] Escrito entre 335 e cerca de 339,[9] a Vita exalta virtudes morais e religiosas de Constantino[10]. A Vita cria uma imagem tendenciosamente positiva de Constantino[11], que os historiadores modernos vêm frequentemente contestando a sua fiabilidade[12]. A mais completa vita secular de Constantino é do anónimo Origo Constantini[13]. Uma obra de data incerta[14], o Origo concentra-se em acontecimentos militares e políticos, em detrimento de assuntos culturais e religiosos.[15]

Ascensão a Augusto do Ocidente

Nascido em Naísso, na Mésia Superior (actual Niš na Sérvia), filho de Constâncio Cloro (ou Constâncio I Cloro) e da filha de um casal de donos de uma albergaria na Bitínia, Helena de Constantinopla,[16] Constantino teve uma boa educação — especialmente por ser filho de uma mulher de língua grega e haver vivido no Oriente grego, o que facilitou-lhe o acesso à cultura bilíngue própria da elite romana — e serviu no tribunal de Diocleciano depois do seu pai ter sido nomeado um dos dois césares, na altura um imperador júnior, na Tetrarquia em 293. Embora a sua condição junto de Diocleciano fosse em parte a de um refém, Constantino serviu nas campanhas do césar Galério e de Diocleciano contra os sassânidas e os sármatas. Aquando da abdicação conjunta de Diocleciano e Maximiano em 305, Constâncio seria proclamado augusto, mas Constantino seria descartado como césar em proveito de Valério Severo (também conhecido modernamente como Severo II, título que jamais usou, para não ser confundido com o grande imperador do século anterior, Septímio Severo).

Pouco antes da morte do seu pai, em 25 de julho de 306, Constantino conseguiu a permissão de Galério para se reunir a ele no Ocidente, chegando a fazer uma campanha juntamente com Constâncio Cloro contra os pictos, estando junto do leito de morte do seu pai em Eburaco (atual Iorque) na Britânia,[17] o que lhe permitiu impor o princípio da hereditariedade em seu proveito, proclamando-se "césar" e sendo reconhecido como tal por Galério, então feito "augusto" do Oriente.[18] Desde o início de seu reinado, assim, Constantino tinha o controle da Britânia, Gália, Germânia e Hispânia, com sua capital em Augusta dos Tréveros, cidade que fez embelezar e fortificar.

Trier Kaiserthermen BW 1
Termas construídas por Constantino em Augusta dos Tréveros (Tréveris), capazes de atender milhares de pessoas

Nos dezoito anos seguintes, combateu uma série de batalhas e guerras que o fizeram o governador supremo do Império Romano. Como Maximiano desejava retomar a sua posição de augusto, da qual se havia afastado a contragosto juntamente com Diocleciano, Constantino recebeu-o na sua corte e aliou-se a ele por um casamento em 307 com a filha de sete anos de Maximiano, Fausta[a], o que lhe permitiu ser reconhecido tacitamente como Augusto em 308 por Galério numa conferência tetrárquica em Carnunto (atual Petronell-Carnuntum na Áustria). Em 309, no entanto, Constantino enfrentaria o seu sogro, que tentava recuperar abertamente o poder, capturando-o em Marselha e mandando assassiná-lo. Em 310, Constantino seria formalmente reconhecido como Augusto por Galério.[19] Severo havendo sido entrementes eliminado, em 307, por Magêncio, filho de Maximiano que se havia proclamado imperador em Roma, Constantino deveria acabar por enfrentar o seu cunhado para conseguir o domínio completo do Ocidente romano. Após uma série de mediações fracassadas e lutas confusas, Constantino, após apoiar o usurpador africano Lúcio Domício Alexandre, cortando o fornecimento de trigo de Roma, de 308 a 309, desceu em 312 até Itália para eliminar Magêncio.

Essas guerras civis constantes e prolongadas fizeram de Constantino, antes de mais nada, um reformador militar, que, para aumentar o número de tropas à sua disposição imediata, constituiu o cortejo militar do imperador (comitatus) num corpo de tropas de elite autossuficiente - um verdadeiro exército de campanha — principalmente pelo recrutamento de grande número de germanos que se apresentavam ao exército romano nos termos de diversos tratados de paz, a começar pelo rei alamano Croco II, que teve um papel decisivo na aclamação de Constantino como Augusto.[20]

Religião

Follis-Constantine-lyons RIC VI 309
Fólis de Constantino, cunhada em Lugduno, na Gália, por volta de 310, com o Deus Sol Invicto

O facto de Constantino ser um imperador de legitimidade duvidosa foi algo que sempre influiu nas suas preocupações religiosas e ideológicas: enquanto esteve diretamente ligado a Maximiano, ele apresentou-se como o protegido de Hércules, deus que havia sido apresentado como padroeiro de Maximiano na primeira tetrarquia. Ao romper com o seu sogro e após o ter eliminado, Constantino passou a colocar-se sob a proteção da divindade padroeira dos imperadores-soldados do século anterior, Deus Sol Invicto, ao mesmo tempo que fez circular uma ficção genealógica (um panegírico da época. Para disfarçar a óbvia invenção, dizia, dirigindo-se retoricamente ao próprio Constantino, que se tratava dum facto "ignorado pela multidão, mas perfeitamente conhecido pelos que te amam") pela qual ele seria o descendente do imperador Cláudio II — ou Cláudio Gótico — conhecido pelas suas grandes vitórias militares, por haver restabelecido a disciplina no exército romano, e por ter estimulado o culto ao Sol.[21]

Constantino acabou, no entanto, por entrar na História como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na sequência da sua vitória sobre Magêncio na Batalha da Ponte Mílvia, em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuiu ao Deus cristão. Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latim:

In hoc signo vinces”

De manhã, um pouco antes da batalha, mandou que pintassem uma cruz nos escudos dos soldados e conseguiu uma vitória esmagadora sobre o inimigo. Esta narrativa tradicional não é hoje considerada um facto histórico, tratando-se antes da fusão de duas narrativas de factos diversos encontrados na biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesareia.

No entanto, é certo que Constantino era atraído, enquanto homem de Estado, pela religiosidade e pelas práticas piedosas — ainda que se tratasse da piedade ritual do paganismo: o senado, ao erguer em honra a Constantino o seu arco do triunfo, o Arco de Constantino, fez inscrever sobre este que sua vitória se devia à "inspiração da divindade"(instinctu divinitatis mentis), o que certamente ia ao encontro das ideias do próprio imperador. Até um período muito tardio do seu reinado, no entanto, Constantino não abandonou claramente a sua adoração com relação ao deus imperial Sol, que manteve como símbolo principal nas suas moedas até 315.

Labarum
Cristograma de Constantino

Só após 317 é que ele passou a adotar clara e principalmente lemas e símbolos cristãos,[22] como o "chi-ró", emblema que combinava as duas primeiras letras gregas do nome de Cristo ("X" e "P" sobrepostos). No entanto, já quando da sua entrada solene em Roma em 312, Constantino se recusou a subir ao Capitólio para oferecer culto a Júpiter, atitude que repetiria nas suas duas outras visitas solenes à antiga capital para a comemoração dos jubileus do seu reinado, em 315 e 326.[23]

A sua adoção do cristianismo pode também ser resultado de influência familiar. Helena, com grande probabilidade, havia nascido cristã e demonstrou grande piedade no fim da sua vida, quando realizou uma peregrinação à Terra Santa, localizou em Jerusalém uma cruz que foi tida como a Vera Cruz e ordenou a construção da Igreja do Santo Sepulcro, substituindo o templo a Afrodite que havia sido instalado no local — tido como o do sepultamento de Cristo — pelo imperador Adriano.

Mas apesar do seu batismo, há dúvidas se realmente ele se tornou cristão. A Enciclopédia Católica afirma: "Constantino favoreceu de modo igual ambas as religiões. Como sumo pontífice ele velou pela adoração pagã e protegeu seus direitos." E a Enciclopédia Hídria observa: "Constantino nunca se tornou cristão". No dia anterior ao da sua morte, Constantino fizera um sacrifício a Zeus, e até o último dia usou o título pagão de pontífice máximo (pontifex maximus). E, de facto, Constantino, até ao dia da sua morte, não havendo sido batizado, não participou de qualquer ato litúrgico, como a missa ou a eucaristia. No entanto, era uma prática comum na época retardar o batismo, que era suposto oferecer a absolvição a todos os pecados anteriores — e Constantino, por força do seu ofício de imperador, pode ter percebido que as suas oportunidades de pecar eram grandes e não desejou "desperdiçar" a eficácia absolutória do batismo antes de haver chegado ao fim da vida.[24]

Qualquer que tenha sido a fé individual de Constantino, o facto é que ele educou os seus filhos no cristianismo, associou a sua dinastia a esta religião, e deu-lhe uma presença institucional no Estado romano (a partir de Constantino, o tribunal do bispo local, a episcopalis audientia, podia ser escolhida pelas partes de um processo como tribunal arbitral em lugar do tribunal da cidade[25]). E quanto às suas profissões de fé pública, num édito do início de seu reinado, em que garantia liberdade religiosa, ele tratava os pagãos com desdém, declarando que lhes era concedido celebrar "os ritos de uma velha superstição".[26]

Esta clara associação da casa imperial ao cristianismo criou uma situação equívoca, já que o cristianismo se tornou a religião "pessoal" dos imperadores, que, no entanto, ainda deveriam regular o exercício do paganismo — o que, para um cristão, significava transigir com a idolatria. O paganismo retinha ainda grande força política — especialmente entre as elites educadas do Ocidente do império — situação que só seria resolvida por um imperador posterior, Graciano, que renunciaria ao cargo de pontífice máximo em 379 — sendo assassinado quatro anos depois por um usurpador, Magno Máximo. Somente após a eliminação de Máximo e de outro usurpador pagão, Flávio Eugénio, por Teodósio I é que o cristianismo tornar-se-ia a única religião legal (395).

O imperador romano Constantino influenciou em grande parte na inclusão na igreja cristã de dogmas baseados em tradições. Uma das mais conhecidas foi o Édito de Constantino, promulgado em 321, que determinou oficialmente o domingo como dia de repouso, com exceção dos lavradores — medida tomada por Constantino utilizando-se da sua prerrogativa de, como Pontífice máximo, de fixar o calendário das festas religiosas, dos dias fastos e nefastos (o trabalho sendo proibido durante estes últimos).[27] Note-se que o domingo foi escolhido como dia de repouso, em função da tradição sabática judaico-cristã, o nome original em latim Dominicus, significa "dia do Senhor".

Reformas religiosas, militares e administrativas

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Constantino: mosaico em Santa Sofia

Constantino legalizou e apoiou fortemente a cristandade por volta do tempo em que se tornou imperador, com o Édito de Milão, mas também não tornou o paganismo ilegal ou fez do cristianismo a religião estatal única. Na sua posição de pontífice máximo — cargo tradicionalmente ocupado por todos os imperadores romanos, e que tinha a ver com a regulação de toda e qualquer prática religiosa no império — estabeleceu as condições do seu exercício público e interferiu na organização da hierarquia quando convocado, seguindo uma prática, no que diz respeito aos cristãos, que já havia sido inaugurada por um imperador pagão, Aureliano, que fora chamado a arbitrar uma querela entre o bispado de Antioquia e o bispado de Roma, que excomungara Paulo de Samósata, bispo de Antioquia, por heresia. O imperador reafirmara o que já era do direito circunscricional da Igreja Romana — ou seja, que as igrejas cristãs locais, no que diz respeito a sua organização administrativa — inclusive quanto a eleição dos bispos — deveriam reportar-se à igreja de Roma, a capital.

A sua vitória em 312 sobre Magêncio resultou na ascensão ao título de augusto ocidental, ou soberano da totalidade da metade ocidental do império, reconhecida pelo pagão Licínio, único augusto do Oriente após a eliminação de Maximino Daia. A vitória de Constantino teve uma consequência militar imediata: Constantino aboliu definitivamente a guarda pretoriana, que havia sustentado Magêncio e, com ela, os interesses políticos da aristocracia italiana, substituindo-a por um corpo de tropas de elite ligadas à pessoa do imperador, as escolas palatinas, que, a partir daí, seriam o núcleo do sistema militar romano, enquanto os velhos corpos de tropa territoriais eram negligenciados.[28] As escolas eram principalmente regimentos de cavalaria, que serviam como uma força-tarefa ligada à pessoa do imperador, e seu principal objetivo era garantir uma capacidade de ação imediata em caso de guerra civil ou externa; quanto às forças de defesa territorial, os limítanes, estas acabaram por se reduzir a uma mera força policial de fronteira, entrando em declínio imediato na sua capacidade combativa.[29] O objetivo destas reformas militares era principalmente político, colocando a quase totalidade das forças militares móveis à disposição imediata do imperador — com a exceção de certas unidades territoriais que eram equiparadas às forças móveis e chamadas pseudocomitatenses — concentradas em áreas urbanas onde pudessem ser mantidas abastecidas pelos fornecimentos que eram agora a maior parte do soldo militar (os pagamentos em dinheiro, tornando-se recompensas esporádicas pagas aquando da ascensão ou dos jubileus de ascensão do imperador ao trono).[30]

Quando Licínio expulsou os funcionários cristãos da sua corte, Constantino encontrou um pretexto para enfrentar o seu colega e, tendo negada permissão para entrar no Império do Oriente durante uma campanha contra os sármatas, fez disto a razão para derrotar e eliminar Licínio em 324, tornando-se imperador único.

Apesar da Igreja ter prosperado sob o auspício de Constantino, ela própria caiu no primeiro de muitos cismas públicos. Constantino, após ter unificado o mundo romano, convocou o Primeiro Concílio de Niceia, um grande centro urbano da parte oriental do império, em 325, um ano depois da queda de Licínio, a fim de unificar a Igreja cristã, pois com as divergências desta, o seu trono poderia estar ameaçado pela falta de unidade espiritual entre os romanos. Duas questões principais foram discutidas em Niceia (atual İznik): a questão da Heresia Ariana que dizia que Cristo não era divino, mas o mais perfeito das criaturas, e também a data da Páscoa, pois até então não havia um consenso sobre isto.

Constantino só foi batizado e cristianizado no final da vida. Ironicamente, Constantino poderá ter favorecido o lado perdedor da questão ariana, uma vez que ele foi batizado por um bispo ariano, Eusébio de Nicomédia (que não deve ser confundido com o biógrafo do imperador, Eusébio de Cesareia). A inclinação que Constantino e seu filho e sucessor na condição de augusto único, Constâncio II, demonstraram pelo arianismo, é bastante explicável, na medida em que ambos tentaram apresentar a figura do imperador como um análogo do Cristo ariano: uma emanação divina, reflexo terreno do Verbo.[31] A tempestuosa relação de Constantino com a Igreja da época dá conta dos limites da sua atuação no estabelecimento da Ortodoxia: pouco antes de sua morte, em 335, ele mandou exilar, na capital imperial de Augusta dos Tréveros (Tréveris, o patriarca de Alexandria Atanásio, campeão da ortodoxia, por suas violentas atitudes antiarianas, e apesar do facto de que Atanásio continuou a ser perseguido pelos sucessores de Constantino, o abertamente ariano Constâncio II e o pagão Juliano, o Apóstata, foi a sua visão teológica que acabou por prevalecer.

Constantine (272-337)
Estátua de Constantino em Iorque, onde foi aclamado augusto

Ao mesmo tempo que velava pela unidade religiosa do império, Constantino quis resolver o problema da divisão da elite dirigente numa aristocracia senatorial com acesso exclusivo às "dignidades" (as velhas magistraturas republicanas, sem poderes ou responsabilidades, e transformadas numa mera hierarquia de status) e numa hierarquia burocrática de funcionários imperiais com funções administrativas efetivas e pertencentes à ordem equestre: após 326, os altos funcionários passam à pertencer à ordem senatorial (os clarissimi) e o número de senadores passa de 600 a 2.000, com os requisitos de entrada elevados (em Roma, os ex-questores deixam de ser senadores, e a entrada no senado passa a depender da pretura; na nova capital de Constantinopla, o acesso ao senado seria garantido aos ex-titulares do posto de tribuno da plebe, velha magistratura ressuscitada). Com a entrada do alto pessoal administrativo na ordem senatorial, quaisquer pretensões de independência política da velha aristocracia ficaram eliminadas; a escolha de todos os imperadores subsequentes seria feita exclusivamente na família do imperador ou através do exército.[32] Em contrapartida, no entanto, Constantino parece haver cedido aos senadores no final do seu reinado o direito de elegerem, eles mesmos, questores e pretores e assim determinarem que pessoas queriam fazer ingressar na sua ordem, abandonando a prática da nomeação imperial de novos senadores, a adlectio. O senado, assim, se continuou sem o poder de fazer uma política própria, passou a ter o poder de estabelecer um "cadastro de reserva" da administração imperial. Por outro lado, paralelamente à carreira senatorial "padrão", a qual se chegava pela eleição às magistraturas, forma-se uma carreira alternativa, pela qual indivíduos não oriundos da aristocracia tradicional se tornam automaticamente senadores ao serem nomeados pelo imperador para cargos de hierarquia senatorial.[33] Por outras palavras: o título de senador passou a significar uma posição na hierarquia administrativa, e não uma função pública (excetuando-se, aí, o governo local de Roma). O que aconteceu com os senadores romanos foi apenas o exemplo mais notável do que aconteceu em todo o império com sua cristianização: as identidades culturais e políticas locais deixaram de contar diante da hierarquia burocrática central.[34]

Fundação de Constantinopla

Para resolver definitivamente o problema logístico da distância entre a capital e as principais frentes militares da época, sem recorrer ao expediente de uma residência imperial "interina", Constantino reconstruiu a antiga cidade grega de Bizâncio, que dedicou em 11 de maio de 330 chamando-a de Nova Roma, dotando-a de um senado e instituições cívicas (catorze regiões, um fórum, distribuições de trigo, um prefeito urbano) semelhantes aos da antiga Roma. Tratava-se, no entanto, de uma cidade puramente cristã, dominada pela Igreja dos Santos Apóstolos, junto à qual se encontrava o mausoléu onde Constantino seria sepultado.[35] Os templos pagãos de Bizâncio foram nela preservados, mas neles foram proibidos os sacrifícios e o culto das imagens dos deuses.[36] Após a morte de Constantino, Bizâncio foi renomeada Constantinopla, tendo-se gradualmente tornado a capital permanente do império. A fundação de Constantinopla foi complementada pelo tratado (foedus) realizado entre Constantino e seus descendentes com os godos, que, a partir de 332, passaram a defender a fronteira do Danúbio e fornecer homens ao exército romano, em troca de abastecimentos.[37] A mudança da capital imperial enfraqueceu a influência do papado de Roma e fortaleceu a influência do bispo de Constantinopla sobre o Oriente, um dos eventos notáveis que provocariam futuramente o Grande Cisma do Oriente.

Sucessão

Um ano depois do Primeiro Concílio de Niceia, em (326), portanto, durante uma viagem solene a Roma para a comemoração dos seus vinte anos de reinado, Constantino mandou matar o seu próprio filho e sucessor designado Crispo, um general competente que provavelmente foi suspeito de intrigar para derrubar o pai. Pouco depois, sufocaria a sua segunda mulher Fausta num banho sobreaquecido, provavelmente por suspeitar que ela tivesse intrigado contra o seu enteado Crispo. Mandou também estrangular o cunhado Licínio, que se havia rendido em troca da vida e chicotear até à morte o seu filho (e sobrinho do próprio Constantino). Foi sucedido pelos seus três filhos com Fausta: Constantino II, Constante I e Constâncio II, os quais dividiram entre si a administração do império até que, depois de uma série de lutas confusas, Constâncio II emergiu como augusto único.

Morte

Na Páscoa de 337 Constantino havia percebido que a sua morte chegaria em breve. Dessa forma chamou Eusébio de Nicomédia e pediu-lhe os sacramentos.[38] Morreu em Ancirona, nos subúrbios de Nicomédia (atual cidade turca de Izmit), ao sul do Mar de Mármara.[39]

Apreciações póstumas

Constantino foi uma figura controversa já na sua época: o último imperador pagão, seu sobrinho Juliano, dizia que ele era atraído pelo dinheiro e que buscou acima de tudo, enriquecer-se e aos seus partidários[40] — traço este (de saber enriquecer os seus amigos) que também foi reconhecido pelo historiador Eutrópio e pelo próprio Eusébio de Cesareia.[41] O historiador pagão Zósimo criticou severamente as suas reformas militares.[42] Mas como primeiro imperador «cristão», Constantino foi reverenciado durante toda a Idade Média, seja pela cristandade oriental, que o tinha como fundador do Império Bizantino — e a Igreja Ortodoxa acabou por canonizá-lo — seja pela ocidental, que, sem lhe atribuir o status de santo, considerava haver ele criado os Estados Papais, territórios doados ao Papa pela chamada Doação de Constantino. Só com o Iluminismo o seu legado começou a ser pesadamente criticado, e o historiador inglês Edward Gibbon, no seu livro clássico sobre a "A História do Declínio e Queda do Império Romano" caracteriza-o como um general romano de velha cepa a quem o poder absoluto (e, por extensão, o cristianismo) havia convertido num déspota oriental.[43] Com a secularização da sociedade moderna, a apreciação de Constantino em função exclusivamente das suas reformas religiosas perdeu acuidade - e ele passou a ser analisado em termos da sua própria época, como um dos fundadores, juntamente com Diocleciano, do Baixo-Império (ou Dominato), do qual ele estabeleceu as estruturas políticas e sociais básicas.[35]

Costantino nord-limes png
A limes danubiana e oriental no tempo de Constantino, com os territórios conquistados no curso das campanhas germano-sarmáticas (de 306 a 337). O mapa representa também o Império Romano pouco depois da morte de Constantino (337), com os territórios "repartidos" entre os seus três filhos (Constante I, Constantino II e Constâncio II)

Ver também

Notas

[a] ^ Constantino já era casado com Minervina e afastou-se dela para poder casar-se com Fausta.

Referências

  1. John H. Rosser (2012). Historical Dictionary of Byzantium. Scarecrow Press. p. 512. ISBN 978-0-8108-7567-8.
  2. A data de nascimento varia mas a maior parte dos historiadores modernos usam circa 272. Lenski, "Reign of Constantine" (CC), 59.
  3. Barnes, Constantine and Eusebius, 272.
  4. Bleckmann, "Sources for the History of Constantine" (CC), 14; Cameron, 90–91; Lenski, "Introduction" (CC), 2–3.
  5. Bleckmann, "Sources for the History of Constantine" (CC), 23–25; Cameron, 90–91; Southern, 169.
  6. Cameron, 90; Southern, 169.
  7. Bleckmann, "Sources for the History of Constantine" (CC), 14; Corcoran, Empire of the Tetrarchs, 1; Lenski, "Introduction" (CC), 2–3.
  8. Barnes, Constantine and Eusebius, 265–68.
  9. Drake, "What Eusebius Knew," 21.
  10. Eusebius, Vita Constantini 1.11; Odahl, 3.
  11. Lenski, "Introduction" (CC), 5; Storch, 145–55.
  12. Barnes, Constantine and Eusebius, 265–71; Cameron, 90–92; Cameron and Hall, 4–6; Elliott, "Eusebian Frauds in the "Vita Constantini"", 162–71.
  13. Lieu and Montserrat, 39; Odahl, 3.
  14. Bleckmann, "Sources for the History of Constantine" (CC), 26; Lieu and Montserrat, 40; Odahl, 3.
  15. Lieu and Montserrat, 40; Odahl, 3.
  16. Cf. Jean-Michel Carrié & Aline Roussele, L'Empire romain en mutation: des Sévéres à Constantin, 192-337, Paris Seuil,1999, ISBN 2.02.025819.6, pgs.219/220
  17. Cf. Carrié & Roussele, ibid., pg.220
  18. Carrié & Roussele, ibid., pg.743
  19. Carrié & Roussele, ibid., pgs. 221/222 e 744; M. Christol & D. Nony, Rome et son Empire, Paris, Hachette, 2003,pg.236
  20. M. Christol & D. Nony, ibid.,pgs.235/236
  21. Christol e Nony, op.cit., pg.236
  22. Christol e Nony, op.cit., pg.237
  23. Carrié & Roussele, op.cit., pgs.254/255
  24. Cf. Paul Veyne, Quand notre monde est devenu chrétien, Paris, Albin Michel, 2007, pgs.111/114
  25. Brown, Peter. Power and Persuasion in Late Antiquity, Madison, The University of Wisconsin Press, 1992, pg. 100
  26. Código Teodosiano, 9.16.2, citado por Peter Brown, Rise of Christendom 2a. edição,Oxford, Blackwell Publishing, 2003, pg. 74
  27. Carrié & Rousselle, op.cit., pg.258
  28. Ramsey MacMullen, Le Declin de Rome et la Corruption du Pouvoir, Paris, Les Belles Lettres,1991, pg.308
  29. Arther Ferrill, A Queda do Império Romano, Rio de Janeiro,Jorge Zahar Editor, 1989, pg.43
  30. Edward N. Luttwak, The Grand Strategy of the Roman Empire, Baltimore, The Johns Hopkins University Press,1979, pgs.178/179
  31. Christol & Nony, op.cit., pg.259
  32. Christol & Nony, op.cit., pg.247
  33. Carrié & Roussele, op.cit., pgs.659/660 e 658
  34. Brown, Peter. op.cit., pg. 19
  35. a b Christol & Nony, op.cit., pg.240
  36. Carrié & Roussele, op.cit., pg.257
  37. Christol e Nony, op.cit., pg.267
  38. MONTANELLI, Indro. História de Roma. 2ª ed. Trad. Luís de Moura Barbosa. São Paulo: Imbrasa, 1966, pág. 325.
  39. http://operamundi.uol.com.br/conteudo/historia/29016/hoje+na+historia+337+-+morre+o+imperador+constantino+i+a+tempo+de+receber+o+batismo.shtml#. Página acedida em 23 de dezembro de 2015.
  40. Long, Jacqueline. "Julian Augustus' Julius Caesar", IN Maria Wyke, ed., Julius Caesar in Western Culture, Blackwell, Malden, MA,2006, pg.76
  41. Apud Paul Veyne, Le Pain et le Cirque, Paris, Seuil, 1976, pg.760, nota263
  42. Luttwak, Edward. op.cit., pg.188
  43. Gibbon, Decline and Fall of the Roman Empire, Chicago, Encyclopaedia Britannica, 1952, V.1, pg.256
Precedido por
Constâncio Cloro
SPQRomani
Imperador romano

306 - 337
Sucedido por
Constâncio II
Arco de Constantino

Arco de Constantino é um arco triunfal de Roma construído por ordem do Senado Romano para comemorar a vitória do imperador Constantino sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvia em 312. Localizado entre o Coliseu e o monte Palatino, o arco foi inaugurado em 315. Sob ele passava a Via Triunfal, a rota seguida pelos grandes generais e imperadores romanos em seus triunfos.

Foi o último e o maior dos arcos triunfais construídos em Roma e é também o único a fazer extensivo uso de spolia, reutilizando diversas grandes esculturas retiradas de outros monumentos imperiais da época dos imperadores Trajano (r. 98–117), Adriano (r. 117–138) e Marco Aurélio (r. 161–180) em notável contraste estilístico com as esculturas recém-criadas para o arco. Esta mistura lhe valeu o jocoso apelido de "Cornacchia di Esopo" ("O Corvo de Esopo").

O arco tem 21 metros de altura, 25,9 de largura e 7,4 de profundidade. Há três arcos de passagem, o central com 11,5 metros de altura e 6,5 de largura e os laterais com 7,4 metros de altura e 3,4 metros de largura cada um. Sobre as passagens está o ático, construído em tijolos e revestido de mármore. Uma escadaria dentro do arco pode ser acedida a partir de uma porta que abre a certa altura do chão, no lado oeste (do monte Palatino). O projeto geral, com uma parte principal estruturada por colunas destacadas e um ático com a inscrição principal acima foi baseado no Arco de Sétimo Severo, no Fórum Romano.

Basílio II Bulgaróctono

Basílio II (958 - 15 de dezembro de 1025) foi imperador bizantino em 963 e outra vez entre 976 e 1025. Devido à sua luta contra os Búlgaros recebeu o nome de Bulgaróctono, "assassino de búlgaros" (em grego: Basileios Bulgaroktonos — Βασίλειος Β΄ Βουλγαροκτόνος).

Durante o seu reinado, o Império Bizantino atingiu o seu apogeu territorial, dominando a península Balcânica, a Ásia Menor, o norte da Síria, a alta Mesopotâmia, a Arménia e o sul da península Itálica. O seu reinado de 49 anos foi o mais longo de toda a história bizantina.

Constantino IX Monômaco

Constantino IX Monómaco (c. 1000 — 11 de janeiro de 1055) reinou como imperador bizantino de 11 de junho de 1042 a 11 de janeiro de 1055. Foi eleito por Zoé Porfirogênita como marido e co-imperador em 1042, ainda que se encontrasse no exílio por conspirar contra o seu anterior marido Miguel IV, o Paflagônio. Governaram conjuntamente até a morte de Zoé em 1050.

Em 1043 relevou ao general Jorge Maniaces do seu comando militar na Itália, e em consequência Maniaces declarou a si mesmo imperador. Quando as suas tropas estavam a pique de derrotar a Constantino numa batalha, Maniaces foi ferido e morreu no campo de batalha, dando fim à crise. Logo após a vitória, Constantino foi atacado por uma frota dos Rus de Kiev, que seguramente fora contratada por Maniaces. Também essa frota foi derrotada graças ao uso do fogo grego.

Em 1046, os bizantinos tiveram um primeiro contato com os turcos seljúcidas. Lutaram numa batalha na Armênia em 1048 e estabeleceram uma trégua para o ano seguinte. Contudo, em 1053 Constantino viu-se obrigado a licenciar as suas tropas armênias por razões econômicas, deixando a fronteira oriental do império mal defendida.

Em 1054, as diferenças seculares entre a Igreja Ortodoxa grega e a Igreja Católica romana deram lugar à sua separação definitiva. Os legados do papa Leão IX excomungaram ao patriarca de Constantinopla Miguel Cerulário, ao não estar este de acordo com a adoção de certas práticas eclesiais ocidentais; e Cerulário replicou, excomungando aos legados. Esse feito anulou as possibilidades de uma aliança entre Constantino e o papa contra os normandos do sul da Itália.

Constantino quis intervir, mas caiu enfermo e morreu em 11 de janeiro do ano seguinte. Teodora, a filha mais velha de Constantino VIII, que já reinara junto com a sua irmã Zoé, foi nomeada imperatriz.

Constantino foi também o patrono do erudito Miguel Pselo, cuja Cronografia recolhe a história do reinado de Constantino e muitos anteriores.

O sobrenome de Constantino, Monómaco (o que luta suas próprias batalhas) seria herdado pelo seu neto, Vladimir II Monômaco.

Constantino I da Grécia

Constantino I (Atenas, 2 de agosto de 1868 – Palermo, 11 de janeiro de 1923) foi o Rei da Grécia de 1913 até sua abdicação em 1917 e depois de 1920 até sua segunda abdicação em 1922. Era filho do rei Jorge I e de Olga Constantinovna da Rússia. Foi comandante chefe do Exército da Grécia, liderando as forças nacionais na derrota na Guerra Greco-Turca de 1897 e para a vitória na Guerras dos Balcãs de 1912–13, em que conseguiu conquistar a Salonica e dobrar a área e população do país.

Seu desacordo com o primeiro-ministro Elefthérios Venizélos sobre a questão da Grécia entrar na Primeira Guerra Mundial levaram ao Cisma Nacional. Constantino forçou a renúncia de Venizélos em duas ocasiões, porém abdicou do trono e deixou o país em 1917 depois dos Aliados ameaçarem bombardear Atenas. Seu segundo filho, Alexandre, tornou-se o novo rei. Constantino voltou ao trono após a morte de Alexandre, a derrota de Venizélos nas eleições de 1920 e um plebiscito em seu favor. Ele abdicou novamente dois anos depois quando a Grécia perdeu a Guerra Greco-Turca de 1919-22, sendo sucedido por seu filho mais velho Jorge II. Ele morreu quatro meses depois em exílio em Palermo, Itália.

Constantino VII Porfirogênito

Constantino VII Porfirogênito (pt-BR) ou Constantino VII Porfirogénito (pt) ("o Nascido na Púrpura"; 905 — 9 de novembro de 959) foi um imperador bizantino da dinastia macedônica, reinou de 913 a 959.

Constantino V Coprônimo

Constantino V, dito Coprónimo ("o esterco"), foi imperador bizantino de 741 a 775. Ele era filho e sucessor do imperador Leão III, o Isauro e sua esposa Maria.

Constantino XI Paleólogo

Constantino XI Paleólogo (algumas vezes numerado como Constantino XII ou Constantino XIII), também conhecido como Constantino Dragases (em grego Κωνσταντίνος ΧΙ Δραγάσης Παλαιολόγος; 8 de fevereiro de 1404 — 29 de maio de 1453) membro da dinastia Paleólogo, foi o último imperador bizantino, desde 1449 até sua morte.

O reinado de Constantino XI representa a agonia do Império Romano do Oriente. Esta agonia se traduziu nos revezes sofridos, tanto internamente quanto externamente. Internamente, equívocos nas relações eclesiásticas. Externamente, o ataque cada vez mais evidente dos turcos otomanos. Sua morte marcou o fim definitivo do Império Romano, que continuou no leste 977 anos após a queda do Império Romano do Ocidente.

Constantino de Bragança

Dom Constantino de Bragança (1528 — 14 de julho de 1575) foi o 20.º governador da Índia Portuguesa (o 7.º com o título de vice-rei) e o 9.º capitão da Ribeira Grande (Ribeira Grande é um concelho de Cabo Verde, tendo Cabo Verde sido fundado pelos portugueses e sido uma colónia do Ultramar Português de 1460 a 1975). Dom Constantino foi indicado, em 1548, para ser o embaixador especial do então rei de Portugal, Dom João III, para o batizado de um filho do então rei de França, Henrique II.

Era filho de Dom Jaime de Bragança, IV duque de Bragança, e de D. Joana de Mendonça, filha do fidalgo Diogo de Mendonça, 1.° alcaide-mor de Mourão (cargo hereditário) e fidalgo do Conselho. Sendo Dom Constantino, portanto, tetraneto do rei D. João I, além de membro da Sereníssima Casa de Bragança e, como tal, membro da alta nobreza portuguesa.

O triénio que passou em Goa foi um governo prodigioso. Conquistou Damão ao rei de Cambaia, que fugiu da cidade; e tomou também a fortaleza vizinha de Balasar (fortaleza, esta, localizada no atual estado indiano de Gujarate).

Quando vice-rei da Índia Portuguesa, Dom Constantino de Bragança protegeu o poeta Luís Vaz de Camões, aquando da estadia de Camões na Índia Portuguesa.

É considerado pelo grande historiador C. R. Boxer como um dos mais fanáticos governadores portugueses na Índia, como Dom Francisco Barreto (1555-1558).

Diz Boxer em «O Império colonial português (1415-1825)», 2ª edição, página 89, que a «posição da Igreja católica romana em Portugal e no seu império ultramarino era já poderosa em 1550 e foi ainda mais reforçada pela Contra-Reforma, a que Portugal aderiu imediata e incondicionalmente.»

Continua ele: Os padres tinham geralmente imunidade; as Ordens religiosas e a Igreja possuíam cerca de 1/3 da terra disponível em Portugal e muitas das melhores terras da Índia portuguesa. Os «padres e os prelados passavam muitas vezes a vida inteira na Ásia, tendo assim uma influência contínua que contrastava com os períodos trienais de permanência dos vice-reis e governadores (…).» «(…) numa época profundamente religiosa, o império marítimo português na Ásia pode ser descrito como uma empresa militar e marítima moldada numa forma eclesiástica.» «Quando alguns oficiais da Coroa protestaram junto do vice-rei, D. Constantino de Bragança, contra seus esforços para converter, de uma maneira ou de outra, os banianos locais, salientando que desse modo a colecta dos impostos da Coroa seria dificultada, ele replicou, como príncipe muito cristão, que preferia, para honra da Fazenda Real e glória de Sua Alteza, a conversão do canarim mais pobre daquela ilha a todos os lucros obtidos sobre aquelas terras e das carracas carregadas com pimenta, e que arriscaria tudo para a salvação duma só alma. E não eram palavras sem fundamento», continua Boxer: «porque foi o mesmo vice-rei que rejeitou a oferta do rei de Pegu para pagar um resgate real pela relíquia sagrada do dente de Buda, de que ele se tinha apoderado em Jafanapatão, e que foi publicamente reduzida a pó, com o auxílio de um almofariz e de um pilão, pelo arcebispo de Goa.»

Constantinopla

Constantinopla (em grego: Κωνσταντινούπολις; transl.: Konstantinoúpolis , lit. "cidade de Constantino", em latim: Constantinopolis, em turco otomano formal: قسطنطينيه , Kostantiniyye), atual Istambul, foi a capital do Império Romano (330–395), do Império Bizantino (ou Império Romano do Oriente) (395–1204 e 1261–1453), do Império Latino (1204–1261) e, após a tomada pelos turcos, do Império Otomano (1453–1922). Estrategicamente localizada entre o Corno de Ouro e o Mar de Mármara no ponto em que a Europa encontra a Ásia, a Constantinopla Bizantina havia sido a capital da Cristandade, sucessora das antigas Grécia e Roma. No decorrer da Idade Média, Constantinopla foi a maior e mais rica cidade da Europa.Desde meados do século V até o início do XIII, Constantinopla era a maior e mais rica cidade da Europa e foi fundamental no avanço do cristianismo durante os tempos romanos e bizantinos como o lar do patriarca ecumênico de Constantinopla e como o Guardião das relíquias mais sagradas da cristandade, como a Coroa de Espinhos e a Verdadeira Cruz.

A cidade também era famosa por suas obras-primas arquitetônicas, como a catedral ortodoxa grega de Santa Sofia, que servia de sede do Patriarcado Ecumênico, o Palácio Imperial sagrado onde moravam os Imperadores, a Torre de Gálata, o Hipódromo, o Portão de Ouro das Muralhas de Constantinopla e os opulentos palácios aristocráticos que alinhavam-se entre avenidas. A Universidade de Constantinopla foi fundada no século V e continha inúmeros tesouros artísticos e literários antes de ser saqueada em 1204 e 1453, incluindo a sua vasta Biblioteca Imperial que continha os restos da Biblioteca de Alexandria e tinha mais de 100 mil volumes de textos da Antiguidade.Constantinopla era famosa por suas defesas maciças e complexas. O primeiro muro da cidade foi erguido por Constantino e cercava a cidade por todos os lados. Mais tarde, no século V, o prefeito pretoriano Antêmio, sob o imperador Teodósio II (r. 408–450), empreendeu a construção das muralhas teodosianas, que consistiam em uma parede dupla a cerca de 2 km ao oeste da primeira muralha e um fosso com estacas na frente. Este formidável complexo de defesas foi um dos mais sofisticados da Antiguidade e a posição da cidade, construída intencionalmente em sete colinas, bem como na justaposição entre o Chifre de Ouro e o Mar de Mármara, a tornava uma fortaleza inexpugnável que protegia magníficos palácios, cúpulas e torres entre dois continentes (Europa e Ásia) e dois mares (o Mediterrâneo e o Mar Negro).

Constâncio II

Flávio Júlio Constâncio (em latim: Flavius Iulius Constantius; 7 de agosto de 317 — 3 de novembro de 361), segundo filho de Constantino, o Grande (r. 306–337), com sua segunda esposa, Fausta, governou o Império Romano do Oriente, em Constantinopla, de 337 a 361. Após a morte de Constantino I, o Império Romano foi dividido em três regiões administrativas diferentes e governado por seus três filhos. O mais velho, Constantino II, governou a parte Ocidental, que abrangia a Hispânia e a Gália, com capital em Augusta dos Tréveros (atual Tréveris). Constante I, o terceiro filho, governou a parte central (Itália e Ilíria), com capital em Mediolano (atual Milão).

Estádio Paulo Constantino

O Estádio Paulo Constantino, nome mais conhecido como Prudentão é um estádio localizado na cidade de Presidente Prudente no estado de São Paulo.

Foi inaugurado em 12 de outubro de 1982, com a partida entre Santos e Corinthians de Presidente Prudente (Corintinha). O placar foi 1 a 0 para o time santista, com gol de Paulinho, aos 43 minutos do 1º tempo. A partida teve um público de 20.240 pessoas.

Com as diversas reformas sofridas ao longo dos anos, o estádio comporta 45.954 torcedores. Fora das capitais, o Prudentão é o segundo maior estádio do País, o Parque do Sabiá em Uberlândia é maior, comportando mais de 50 mil torcedores. As dimensões do campo (110 x 75m) eram as mesmas do antigo Estádio Mário Filho (Maracanã), e poucos maiores que o Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), que mede 108,25 x 72,70 m.

No momento a pedido do Grêmio Prudente, as dimensões do estádio foram diminuídas para 104 x 70 m, para a disputa do Campeonato Paulista. As dimensões novas são 105 x 68 m atualmente.

As arquibancadas são divididas nos setores verde A e B, amarela e azul, também possui setores com cadeiras que são as cadeiras marrons cobertas e cadeiras verde descobertas. O estádio possui estacionamento, vestiários amplos e modernos para arbitragem e equipes, banheiros, iluminação moderna, camarotes vip, cabines para imprensa, placar eletrônico, lanchonete, câmeras de vigilância espalhadas por todo o estádio, postos policiais e de atendimento médico.

Em 2010, o Grêmio Recreativo Barueri mudou sua sede de Barueri para Presidente Prudente e mandará todos os seus jogos do Campeonato Paulista no Prudentão. O clube mudou seu nome para Grêmio Prudente durante o Paulistão.

A partir de 2012, o Estádio Prudentão foi a casa do Grêmio Recreativo Barueri, . O estádio foi também utilizado pelo Palmeiras durante as obras do estádio Parque Antártica. Em dezembro de 2012 o Fluminense conquistou seu quarto título brasileiro nesse estádio, em partida que acabou por também sacramentar o rebaixamento do tradicional clube paulista, sendo até hoje uma das partidas mais importantes da história do estádio.

Heráclio

Flávio Heráclio Augusto (ca. 575 — 11 de fevereiro de 641), conhecido como Heráclio, o Jovem, reinou como imperador bizantino de 5 de outubro de 610 a 11 de fevereiro de 641.

Heráclio ascendeu à dignidade imperial após rebelar-se, juntamente com o seu pai, Heráclio, o Velho, contra o imperador Focas. Foi aclamado imperador após tomar Constantinopla (com o auxílio da aristocracia local) e executar pessoalmente Focas. Foi coroado novamente naquela cidade em 5 de outubro de 610.

Por volta de 620, fez do grego a língua oficial do império, em detrimento do latim.

O novo imperador enfrentou sérios problemas nas fronteiras, com os ávaros ao longo do Danúbio e o Império Sassânida a leste. Após a Batalha de Antioquia, o exército sassânida tomou Damasco, Jerusalém e o Egito e chegou até Calcedônia, à margem do Bósforo.

Heráclio dedicou-se então a reorganizar o exército bizantino. Desenvolveu o conceito de outorgar terras a indivíduos em troca de serviço militar hereditário. As terras concedidas foram organizadas em temas, unidades de terra agrícola pertencentes ao Estado, entregues a soldados, administradas por governadores militares (estratego) e fornecedoras de recrutas por meio do serviço militar hereditário. Este sistema garantiu a sobrevivência do Império Bizantino por séculos e permitiu a Heráclio reconquistar o território tomado pelos persas.

Heráclio abandonou o uso do antigo título augusto, adotando o de "Rei dos Reis", à moda persa. Mais tarde, passou a empregar o título de basileu, termo grego que significa "rei" e que foi aplicado aos imperadores bizantinos por 800 anos.

No final de seu reinado, as províncias da Síria, Judeia e Egito foram perdidas para os árabes, unificados por Maomé e professando o islamismo.

Império Romano do Ocidente

O Império Romano do Ocidente constituía a metade ocidental do Império Romano após a sua divisão por Diocleciano em 286 e existiu intermitentemente em diversos períodos entre os séculos III e V, após a Tetrarquia de Diocleciano e as reunificações associadas a Constantino e seus sucessores. Considera-se que o Império Romano do Ocidente terminou com a abdicação de Rômulo Augusto em 4 de setembro de 476, forçada pelo chefe germânico Odoacro. Sua contraparte, o Império Romano do Oriente, sobreviveria por mais 1 000 anos, até 1453.

Embora unido linguisticamente e, mais tarde, sob o cristianismo romano -, o Império Romano do Ocidente englobava, na verdade, grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas de maneira incompleta pelos romanos, diferentemente do Império Romano do Oriente, que falava o grego e era culturalmente unificado desde as conquistas de Alexandre, o Grande no século IV a.C.

Portanto, o Império Romano de fato era dividido em termos culturais, religiosos e linguísticos. Se o Oriente helenístico sustentava-se em torno da cultura grega e do cristianismo oriental, a unidade cultural do Ocidente foi gravemente afetada pelo influxo dos bárbaros. Em 410, a cidade de Roma foi saqueada pela primeira vez em mais de 800 anos, pelos visigodos comandados por Alarico I, e aos poucos a parte Ocidental do império passou a ser administrada pelas tribos invasoras. Apesar de breves períodos de reconquista pelo Império Romano do Oriente, o Império do Ocidente não conseguiu restabelecer o território e influências que os bárbaros germânicos tinham adquirido ao aproveitarem-se da desunião e enfraquecimento do império.

Lista de imperadores bizantinos

Esta é uma lista de imperadores do antigo Império Romano do Oriente, chamado de "bizantino" pelos historiadores modernos.

É difícil determinar com exactidão o momento em que o Império Romano do Oriente se transforma no Império Bizantino. O Império Romano foi dividido para fins administrativos em duas metades, leste e oeste, por Diocleciano, em 285. Os historiadores apontam alternativamente como "primeiro" imperador bizantino um dos seguintes:

Constantino (r.306-337) - o primeiro imperador cristão, que mudou a capital do império para Constantinopla;

Valente (r.364-378) - a batalha de Adrianópolis, de 378, é uma das formas tradicionais de marcar o início do período medieval;

Arcádio (r.395-408) - visto que seu antecessor, Teodósio I, é frequentemente considerado o último imperador de um Império Romano unificado;

Zenão I (r. 474–475; 476–491) - porque o último imperador ocidental, Rómulo Augusto, foi deposto durante o seu reinado;

Anastácio I Dicoro (r.491-518) - apontado pelos numismatas responsável pelas reformas monetárias (498), passando a adotar o sistema de numeração grego.

Heráclio (r.610 a 641) - fez do grego a língua oficial, em lugar do latim.De qualquer modo, os próprios bizantinos continuaram a considerar o seu império como romano durante mais de um milénio.

Papa Constantino

O Papa Constantino foi eleito em 25 de março de 708. Morreu em 9 de abril de 715.

A primeira parte do seu pontificado foi marcada por uma fome cruel em Roma. A segunda por uma extraordinária abundância.Era sírio e falava fluentemente o Grego. Fez uma viagem ao Oriente, onde ordenou 12 bispos. Foi bem recebido pelos membros do governo e saudado por um grande número de cristãos em todos os lugares em que se encontrava. Visitou 62 comunidades cristãs. Conseguiu impor uma certa paz entre a Igreja e o imperador.

Rico Constantino

Amarico Sebastiano Constantino (nascido em 1 de Outubro de 1961), mais conhecido pelos seus ring names Rico Constantino ou simplesmente Rico, é um ex-lutador de wrestling estadunidense e atual manager. Constantino, que tem descendência italiana, trabalhou para a WWE entre 2002 e 2004.

Soldo (moeda)

O soldo ou sólido (em latim: solidus , lit. "sólido"), uma antiga moeda romana de ouro criada por Constantino em 309, circulou longamente no Império Romano, estendendo-se até ao século X no Império Romano do Oriente. Substituiu o áureo como a mais importante moeda de ouro do império.

A denominação soldo já havia sido empregada por Diocleciano, mas era diferente da moeda emitida por Constantino. A moeda era cunhada com uma proporção de 1/72 da libra romana (c. 4,5 gramas). Os soldos eram mais largos e finos que o áureo. Também foram produzidas moedas fracionárias do soldo, chamadas semisse (em latim: semissis meio soldo) e tremisse (em latim: tremissis, um terço do soldo).

As palavras "soldo" ("remuneração por serviços militares") e "soldado" ("homem de guerra") têm sua origem no nome da moeda romana, com a qual os soldados romanos eram pagos. Soldo não tem a característica de contra prestação pelo trabalho prestado, por isso há a possibilidade do "soldo" ser menor do que o salário mínimo.

== Referências ==

Édito de Milão

O Édito de Milão ou Mediolano (em latim: Edictum mediolanense) promulgado em 13 de junho de 313 foi um documento proclamatório para no qual se determina que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente aos cristãos. Tal documento, publicado em forma de carta, transcreveu o acordo entre os tetrarcas Constantino (imperador do Ocidente) e Licínio (imperador do Oriente).Além da liberdade religiosa, a aplicação do Édito fez devolver os lugares de culto e as propriedades que tinham sido confiscadas aos cristãos e vendidas em hasta pública: "o mesmo será devolvido aos cristãos sem pagamento de qualquer indenização e sem qualquer fraude ou decepção". Deu ao cristianismo, e a todas as outras religiões, o estatuto de legitimidade (latim: religio licita), comparável com o paganismo e com efeito destituiu o paganismo como religião oficial do Império Romano e dos seus exércitos.Antes da emissão do Édito de Milão, Galério, em 30 de abril de 311, promulgou o Édito de Tolerância, também chamado de Decreto da Indulgência, no qual, buscando harmonia política, reconhece o cristianismo e dá fim à perseguição anticristã.

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