Confúcio

Confúcio (chinês: pinyin: Kǒng ZǐWade-Giles: K'ung-tzŭ, ou chinês: 孔夫子, pinyin: Kǒng FūzǐWade-Giles: K'ung-fu-tzŭ, literalmente "Mestre Kong")[nota 1] (tradicionalmente 27 de agosto de 551 a.C. – 479 a.C.),[1] foi um pensador e filósofo chinês do Período das Primaveras e Outonos.

A filosofia de Confúcio sublinhava uma moralidade pessoal e governamental, os procedimentos corretos nas relações sociais, a justiça e a sinceridade. Estes valores ganharam predominância na China em relação a outras doutrinas, como o legalismo (法家) e o taoismo (道家), durante a Dinastia Han[2][3][4] (206 a.C. – 220). Os pensamentos de Confúcio foram desenvolvidos num sistema filosófico conhecido por confucionismo (儒家).

Por nenhum texto ser comprovadamente de autoria de Confúcio e as ideias mais comumente atribuídas a ele terem sido redigidas durante o período entre a sua morte e a fundação do primeiro império chinês em 221 a.C., muitos acadêmicos são muito cautelosos em atribuir asserções específicas ao próprio Confúcio. Os seus ensinamentos podem ser encontrados na obra Analectos de Confúcio (論語), uma coleção de aforismos que foi compilada muitos anos após a sua morte. Por cerca de dois mil anos, pensou-se ter sido Confúcio o autor ou editor de todos os Cinco Clássicos (五經),[5][6] como o Clássico dos Ritos (禮記) (editor) e Os Anais de Primavera e Outono (春秋) (autor).

Os princípios de Confúcio tinham base nas tradições e crenças chinesas comuns. Favoreciam uma lealdade familiar forte, veneração dos ancestrais, respeito com os idosos e a família como a base para um governo ideal.

Confúcio
Confúcio
Confúcio ensinando, retratado por Wu Daozi da Dinastia Tang
Nascimento 27 de agosto de 551 a.C.
Morte 479 a.C. (72 anos)
Escola/tradição Fundador do Confucionismo
Principais interesses Ética, Filosofia Social
Ideias notáveis Confucionismo

Nascimento e juventude

Confúcio, também conhecido como K'ung Ch'iu, K'ung Chung-ni ou Confucius,[7] nasceu em meados do século VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje Shantung. Segundo algumas fontes antigas, teria nascido em 27 de agosto de 552 a.C. (ou seja, no vigésimo primeiro ano do duque Hsiang).[8] Esse estado é denominado de "terra santa" pelos chineses. Confúcio estava longe de se originar de uma família abastada, embora seja dito que ele tinha ascendência aristocrática. Seu pai, Shu-Liang He, antes magistrado e guerreiro de certa fama, tinha setenta anos quando se casou com a mãe de Confúcio, uma jovem de quinze anos chamada Yen Cheng Tsai, que diziam ser descendente de Po Chi'in, o filho mais velho do Duque de Chou, cujo sobrenome era Chi.

Dos onze filhos, Confúcio era o mais novo. Seu pai morreu quando ele tinha três anos de idade, o que o obrigou a trabalhar desde muito jovem para ajudar no sustento da família. Aos quinze anos, resolveu dedicar suas energias em busca do aprendizado. Em vários estágios de sua vida, empregou suas habilidades como pastor, vaqueiro, funcionário público e guarda-livros. Aos dezenove anos, se casou com uma jovem chamada Chi-Kuan. Confúcio teve um filho chamado K'ung Li.

Viagens

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Ilustração de 1922 de Confúcio.

Aos 51 anos de idade, Confúcio obteve um posto oficial no estado de Lu. Mas, ele demitiu-se do cargo poucos anos depois, dizendo que não queria confundir-se com aqueles cujas ideias e conceitos de valor ele não podia compartilhar. Assim, ele começou a viajar por diversos reinos, pretendendo persuadir seus governadores a aceitar suas ideias políticas. mas não achou um lugar para realizar seus pensamentos e políticas. Viajando e conversando, atraiu muitos discípulos, impressionados com sua sabedoria e a elevação de seu caráter.

Confúcio viajou por diversos lugares, esteve em íntimo contato com o povo e pregou a necessidade de uma mudança total do sistema de governo por outro que se destinasse a assegurar o bem-estar dos súbditos, pondo, em prática, processos tão simples como a diminuição de contribuições o abrandamento das penalidades.

Suas ideias expandiram-se pelo país e por toda a China. Durante 14 anos, ele viajou por 7 reinos.

Ao completar 68 anos, Confúcio voltou a sua terra natal, Qufu, no estado de Lu, onde ensinava seus estudantes, coligia e ordenava os livros clássicos até sua morte em 479 a. C., aos 73 anos.

Ideias

A sua ideologia de organização da sociedade procurava recuperar os valores antigos, perdidos pelos homens de sua época. No entanto, em sua busca pelo Tao, ele usava uma abordagem diferente da noção de desprendimento proposta pelos taoistas. A sua teoria baseava-se num critério mais realístico, onde a prática do comportamento ritual daria uma possibilidade real aos praticantes de sua doutrina de viverem em harmonia.

Confúcio não pregava a aceitação plena de um papel definido para os elementos da sociedade, mas sim que cada um cumprisse com seu dever de forma correta. Já o condicionamento dos hábitos serviria para temperar os espíritos e evitar os excessos. Logo, a sua doutrina apregoava a criação de uma sociedade capaz, culturalmente instruída e disposta ao bem-estar comum. A sua escola foi sistematizada nos seguintes princípios:

Cada um desses princípios ligar-se-ia às características que, para ele, se encontravam ausentes ou decadentes na sociedade.

Confúcio não procurou uma definição aprofundada sobre a natureza humana, mas parece ter acreditado sempre no valor da educação para a condicionar. Sua bibliografia consta de três livros básicos, sendo que os dois últimos são atribuídos aos seus discípulos:

  • Lun yu (Diálogos, Analectos), no qual se encontra a síntese de sua doutrina.
  • Dà Xué (大學) (Grande Ensinamento) e
  • Zhong Yong (Jung Yung), ou a "Doutrina do Meio".

Após sua morte, Confúcio recebeu o título de "Senhor Propagador da Cultura, Sábio Supremo e Grande Realizador" (大成至聖文宣王), nome que se encontra registado em seu túmulo.

Ao contrário de profetas de religiões monoteístas, Confúcio não pregava uma teologia que conduzisse a humanidade a uma redenção pessoal. Pregava uma filosofia que buscava a redenção do Estado mediante a correção do comportamento individual. Tratava-se de uma doutrina orientada para esse mundo, pregando um código de conduta social e não um caminho para a vida após a morte.[9]

Discípulos e legado

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Fotografia do túmulo de Confúcio em Qufu, na Província de Shandong, na República Popular da China.

Discípulos de Confúcio e seu único neto, Zisi, continuaram a sua escola filosófica após sua morte. Estes esforços espalharam os ideais de Confúcio para os estudantes, que, depois, se tornaram funcionários em muitas das cortes reais chinesas, dando, assim, ao confucionismo, o primeiro teste em grande escala de seus dogmas. Apesar de confiar fortemente no sistema ético-político de Confúcio, dois de seus mais famosos seguidores enfatizaram aspectos radicalmente diferentes de seus ensinamentos. Mêncio (século IV a.C.) articulou a bondade inata no ser humano como uma fonte das intuições éticas que guiam as pessoas para rén, , e , enquanto Xun Zi (século III) ressaltou os aspectos realista e materialista do pensamento de Confúcio, salientando que a moralidade é incutida na sociedade através da tradição e, nos indivíduos, através da formação.

Este realinhamento no pensamento de Confúcio foi paralelo ao desenvolvimento do legalismo, que viu a piedade filial como interesse e não como um instrumento útil para um governante criar um Estado eficiente. A divergência entre estas duas filosofias políticas veio à tona em 223 a.C., quando o estado de Qin conquistou toda a China. Li Ssu, o primeiro-ministro da Dinastia Qin, convenceu Qin Shi Huang a abandonar as recomendações confucionistas de distribuir feudos a parentes (o que correspondia a uma volta ao sistema anterior da Dinastia Zhou), que ele via como contrárias à ideia legalista de centralização do Estado em torno do governante. Quando os conselheiros de Confúcio defenderam sua posição, Li Ssu executou muitos estudiosos confucionistas e seus livros foram queimados, o que foi considerado um duro golpe para a filosofia e a sabedoria chinesas.

As ideias de Confúcio foram adotadas como filosofia oficial do Estado durante a Dinastia Han (206 AC - 220 DC)ː o conhecimento dessas ideias passou a ser uma das principais qualificações exigidas de funcionários públicos, que eram selecionados por meio de concorridos exames e que eram encarregados de manter a harmonia no Império.[9]

Ver também

Notas

  1. Normalmente abreviado para chinês: 孔子, pinyin: Kǒngzǐ.

Referências

  1. «Confucius (Stanford Encyclopedia of Philosophy)». Plato.stanford.edu. Consultado em 7 de novembro de 2010
  2. Ban 111, vol.56
  3. Gao 2003
  4. Chen 2003
  5. The Analects 479 BC - 221 BC, VII.1
  6. Kang 1958
  7. Os Analectos, Confúcio, trad. de D. C. Lau, ISBN 85-254-1563-4, p. 12.
  8. Os Analectos, Confúcio, trad. de D. C. Lau, ISBN 85-254-1563-4, p. 167.
  9. a b KISSINGER, Henry, Sobre a China, pp. 32-33

Bibliografia

  • Avril Price-Budgen, Martin Folly, People in History, Mitchel Beazley Publishers, 1988 - Dispositivo legal - 27 543/89
  • Roberts, John A. G., History of China (título original), Palgrave MacMillan, 1999 (primeira edição), 2006 (segunda edição), ISBN 978-989-8285-39-3, págs - 46-51

Ligações externas

Analectos de Confúcio

Os Analectos (em chinês: 論語 ou 论语; pinyin: Lún Yǔ) de Confúcio, também conhecidos como Diálogos de Confúcio, constituem o livro doutrinal mais importante do confucionismo e é constituído por uma selecção de textos atribuídos a este pensador chinês e aos seus discípulos.

Ao longo do tempo, a obra foi tão lida na China quanto a Bíblia no Ocidente, sendo considerado o único registro confiável dos ensinamentos de Confúcio.Confúcio viveu na China, entre 551 e 479 a.C., e exerceu e ainda exerce profunda influência na cultura chinesa, e em especial no que diz respeito à educação e à moral, tendo, como centro, o homem. Como muitos outros grandes homens do passado, nada escreveu. Os Analectos são uma coletânea de aforismos feita por seus discípulos. É difícil de ser interpretada, tanto devido ao aspecto pictórica da linguagem chinesa quanto por seu simbolismo. Com certeza, ao longo das sucessivas traduções, a obra teve alguns significados alterados.

British Council

O British Council (lit. Conselho Britânico) é uma instituição pública do Reino Unido, um instituto cultural cuja missão é difundir o conhecimento da língua inglesa e sua cultura mediante a formação e outras atividades educativas. Além disso, esta entidade pública cumpre uma função relevante para melhorar as relações exteriores do Reino Unido. As suas sedes principais estão localizadas em Manchester e Londres. Foi fundada em 1934 com o nome de British Committee for Relations with Other Countries.

Este instituto é equivalente ao Instituto Camões português, ao Instituto Cervantes espanhol, ao Instituto Goethe alemão, à Sociedade Dante Alighieri italiana, à Aliança Francesa e ao Instituto Confúcio da China. Todos eles trabalham para divulgar suas respectivas culturas por todo o mundo, favorecendo deste modo o conhecimento de algumas das principais línguas mundiais.

No Brasil, foi um dos responsáveis pela criação do Colégio Técnico da Universidade Federal de Minas Gerais. Internacionalmente, é responsável pelo Sistema de avaliação na língua inglesa internacional, exame de proficiência conhecido como IELTS.

Caracteres chineses

Os caracteres chineses ou caracteres Han (汉字 / 漢字, Hanzi) são logogramas (e não ideogramas) utilizados como sistema de escrita do chinês, japonês, coreano (apenas na Coreia do Sul, e com importância unicamente histórica e/ou cultural) e outros idiomas, como por exemplo o dong. Foram usados na Coreia do Norte até 1949 e no Vietname até o século XVII. Também denominados sinogramas, as suas origens são remotas, possivelmente anteriores à dinastia Shang, no século XIII a.C., quando aparecem os primeiros registros desta escrita, em ossos de animais. Confúcio, por exemplo, faz referência a existência de um sistema de escrita na China anterior a 2000 a.C. É, contudo, difícil traçar a sua história e a sua origem pertencente ao domínio da mitologia chinesa.

Os sinogramas são chamados hànzì em mandarim, kanji em japonês, hanja ou hanmun em coreano e hán tư em vietnamita.

Confucionismo

O confucionismo (儒學, ? Rúxué) ou confucianismo é um sistema filosófico chinês criado por Confúcio, (孔夫子). Entre as preocupações do confucionismo estão a moral, a política, a pedagogia e a religião. Conhecida pelos chineses como "ensinamentos dos sábios". Fundamentada nos ensinamentos de seu mestre, o confucionismo encontrou uma continuidade histórica única. O confucionismo é considerado uma filosofia, ética social, ideologia política, tradição literária e um modo de vida. Confúcio, forma latina de Kǒng Fūzǐ (孔夫子), filósofo chinês do século VI a.C, compila e organiza antigas tradições da sabedoria chinesa e elabora uma doutrina assumida como oficial na China por mais de 25 séculos. Combatido como reacionário durante a Revolução Cultural chinesa (1966-1976), o confucionismo toma novo impulso após as recentes mudanças políticas no país. Atualmente, 24% da população chinesa declara-se adepta do confucionismo. De particular importância Confúcio deu caráter moral a funcionários-apoiar o governo e seus representantes.

Confúcio Moura

Confúcio Aires Moura (Dianópolis, Tocantins, 16 de maio de 1948) é um médico e político brasileiro, foi por duas vezes governador. Atualmente, exerce a função de senador por Rondônia.

Médico formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1975, é casado com Maria Alice Moura e tem duas filhas, Bárbara e Débora. Foi sargento pela polícia militar de Goiás.

Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), elegeu-se deputado federal por Rondônia por três vezes consecutivas, 1994, 1998 e 2002. Em 2004, foi eleito prefeito de Ariquemes, renunciando ao mandato de deputado. Foi reeleito para a prefeitura em 2008.

Nas eleições estaduais de Rondônia em 2010 foi eleito, no segundo turno, governador do estado. Na eleição de 2014, foi reeleito para um segundo mandato como governador, onde ficou até 5 de abril de 2018, quando renunciou para se candidatar ao Senado, na eleição de 2018. Foi eleito senador com 230.361 votos, o equivalente a 17,06% dos votos válidos.

== Referências ==

Dinastia Tang

A Dinastia Tang ou Tangue (chinês: 唐朝; 618-906) foi uma dinastia chinesa fundada pelo oficial Li Yuan, pertencente à dinastia que havia reunificado a China entre 581 e 618, após três séculos de fragmentação. A família que fundou a dinastia foi a família Li.

Costuma-se dizer que com a breve dinastia Sui e com a longa dinastia Tang ficaram soldadas as estruturas da formidável burocracia do Império Chinês. Yang Chien, fundador da dinastia Sui, aplicou uma profunda reforma institucional inspirada em Confúcio, que compilou no código Kaihuang. Fundou bibliotecas e universidades para o funcionalismo, centralizou a administração e simplificou a estrutura local, para homogeneizar o serviço civil e facilitar o controle do governo imperial. O período Tang é considerado a época de ouro da China medieval. Houve grande expansão territorial (Oeste: atual Irã, Leste: Coreia), teve a reconstrução de importantes cidades: Chang´na e Luoyang, teve o fortalecimento do exército. O poder era centralizado e o rei governava por meio de decretos.

Eleições estaduais em Rondônia em 2014

As eleições estaduais em Rondônia, em 2014, foram realizadas em 05 de outubro (1º turno) e 26 de outubro (2º turno), como parte das eleições gerais no Brasil. Os eleitores aptos a votar elegerão o Presidente da República, Governador do Estado e um Senador da República, além de 8 Deputados Federais e 24 Deputados Estaduais. Se nenhum dos candidatos a governador obtiver mais da metade dos votos válidos, um segundo turno será realizado. Os principais candidatos a governador são Expedito Júnior (PSDB), Confúcio Moura (PMDB), Jaqueline Cassol (PR) e Padre Ton (PT). Para o Senado os principais candidatos são Moreira Mendes (PSD), Acir Gurgacz (PDT) e Ivone Cassol (PP).

Filosofia chinesa

A filosofia chinesa corresponde ao pensamento filosófico que foi desenvolvido na China ao longo de milhares de anos. Se caracteriza pelo aspecto prático, procurando orientar o ser humano sobre como se portar com harmonia em sua vida cotidiana, em oposição à especulação teórica pura típica da filosofia grega. O conceito de união com a natureza e o conceito de forças opostas Yin Yang do taoismo também são elementos capitais na filosofia chinesa, bem como a ênfase na benevolência, justiça, retidão e respeito à autoridade. Como uma de suas obras fundamentais, cita-se o "Livro das Mutações", ou I Ching.

Kokugaku

Kokugaku (Kyūjitai: 國學 Shinjitai: 国学; literalmente, "estudo do nosso país") foi uma corrente intelectual japonesa que rejeitou o estudo de textos budistas e chineses, favorecendo, ao invés disso, pesquisas filosóficas dos clássicos japoneses. A palavra "Kokugaku" foi traduzida como "estudos nativos" e foi uma resposta ao neoconfucionismo sinocêntrico. Rejeitou o estoicismo do confucionismo e valorizou a cultura japonesa anterior à filosofia de Confúcio.

Literatura da China

A base da literatura chinesa é constituída de um cânon de quatro livros e cinco clássicos.

Monte Wuyi

Situado no norte da província de Fujian, China, o Monte Wuyi atinge 650 metros de altitude. Esta região é muito conhecida pelo chá Wuyi Yancha.

O budismo foi introduzido no século XVIII e, a partir do século XI, entrou numa fase muito próspera.

Além disso, foi na Montanha Wuyi que nasceu o "Pensamento Zhuzi", desenvolvido a partir do pensamento de Confúcio e conhecido mundialmente como pós-confucionismo. Entre o século XIII e o início do século XX, o Pensamento Zhuzi prevaleceu nas cortes imperiais e penetrou na vida social chinesa e na Ásia Oriental e no Sudeste Asiático. O autor do pensamento Zhu Xi passou a viver na Montanha Wuyi aos 14 anos onde ficou por mais de uma década, tendo escrito muitos poemas e formado outros discípulos.

A Montanha Wuyi foi incluída pela Unesco na lista dos Patrimónios Mundiais em Dezembro de 1999.

Mozi

Mozi (chinês: 墨子, pinyin: Mòzǐ, Wade-Giles: Mo Tzu), também latinizado como Micius (do original Mo Di, 墨翟) (cerca de 470 a.C. - cerca de 391 a.C.), foi um filósofo chinês do período das cem escolas de pensamento, durante o período dos Reinos Combatentes, antes da unificação da China.Nascido no que hoje é Tengzhou, na província de Shandong, foi o fundador do moísmo, que se contrapunha ao confucionismo e ao taoismo. Sua filosofia enfatizava a autocontenção, a autorreflexão e autenticidade ao invés de obediência aos rituais. Durante o período dos Reinos Combatentes, o moísmo foi ativamente desenvolvido e praticado em muitos estados, mas caiu em desgraça com a ascensão do legalismo, promovido pela Dinastia Qin, que chegara ao poder. Neste período, os clássicos moístas foram destruídos por ordem do imperador Qin Shi Huang, supostamente queimando centenas de livros e enterrando vivos os estudiosos da filosofia moísta. A importância desta filosofia caiu em favorecimento ao confucionismo, que se tornou a escola filosófica dominante durante a Dinastia Han, quando o moísmo quase desapareceu.

Mêncio

Mêncio (chinês tradicional: 孟子; pinyin: Mèngzǐ; Wade-Giles: Meng Tzŭ; literalmente "Mestre Meng"), pseudônimo de Ji Mèngkē (chinês tradicional: 姬孟軻; 370 a.C. - 289 a.C.), foi um filósofo chinês, o mais eminente seguidor do confucionismo depois de Confúcio e verdadeiro sábio. O termo também pode ser uma referência ao livro que reúne seus pensamentos.

Neoconfucionismo

O neoconfucionismo (chinês tradicional: 宋明理學, chinês simplificado: 宋明理学, pinyin: Song-Ming Lǐxué por vezes abreviado 理學) é uma filosofia ética e metafísica chinesa influenciada por Confúcio, que foi primeiramente desenvolvida durante a Dinastia Song e Ming, mas que pode ser referenciada até Han Yu e Li Ao (772-841) na Dinastia Tang.

O neoconfucionismo foi uma tentativa para criar uma forma mais racionalista e secular de confucionismo, rejeitando elementos místicos e supersticiosos do budismo e taoismo, que influenciou o confucionismo durante e depois da Dinastia Han.Apesar de os neoconfucionistas serem críticos da taoismo e budismo, estes dois sistemas tiveram uma influência na sua filosofia, emprestando conceitos e termos. No entanto, ao contrário dos budismo e taoismo, que viam a metafísica como catalisador do desenvolvimento espiritual, esclarecimento religioso e imortalidade, o neoconfucionismo usavam a metafísica como guia para desenvolver uma filosofia ética racionalista.

Período das Primaveras e Outonos

O período das Primaveras e Outonos (Chūnqiū Shídài) representou uma era na história da China entre 722 a.C. e 481 a.C., que corresponde aproximadamente à primeira metade do Período Zhou Oriental. Este período tomou o seu nome dos Anais das Primaveras e Outonos, uma crónica do período cuja autoria se atribuía tradicionalmente a Confúcio. Durante o período das Primaveras e Outonos, o poder descentralizou-se. Este período foi marcado por batalhas e anexações entre uns 170 pequenos estados. O lento progresso da nobreza resultou num aumento na alfabetização; o incremento na alfabetização estimulou a liberdade de pensamento e o avanço tecnológico. Esta era foi seguida pelo período dos Reinos Combatentes.

Rito

O termo rito (do latim ritu) tem vários sentidos. Rito é um pouco diferente de ritual, dando continuidade ao mito. No sentido mais geral, é uma sucessão de palavras e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito, mantendo ensinamentos ancestrais e sagrados.

É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito. A palavra "rito" pode também designar tipo de velocidade no ritual do processo jurídico.

Seis artes (China)

As Seis Artes (em chinês: 六藝, liù yì, também: 孔子 六藝, kǒngzǐ liùyì) são o conjunto de disciplinas que formaram a base da educação na cultura da Antiga China. Durante a dinastia Zhou (1122-256 a.C.), com o intuito de promover um desenvolvimento integral, os estudantes deviam dominar o liù yì, que consistia em:

Ritos (ou cortesia) (禮, lǐ)

Música (樂, yuè)

Tiro com arco (射, shè)

Condução de carros de guerra (ou equitação) (御, yù)

Caligrafia (書, shū)

Matemática (數, shù)Pensava-se que os homens que se destacavam nestas seis artes tinham alcançado o estado de perfeição, considerando-se cavalheiros perfeitos.As Seis Artes foram praticadas por eruditos, e já existiam antes de Confúcio, mas converteram-se em parte da filosofia confucionista. Como tal, o filósofo Xu Gan (170-217) discute-as nos seus Discursos Balanceados. As Seis Artes foram praticadas pelos 72 discípulos de Confúcio.O conceito das Seis Artes desenvolvido durante o período pré-imperial incorporou componentes militares e civis. O lado civil foi associado mais tarde às Quatro Artes (guqin, go, caligrafia e pintura). No entanto, este último era mais um sinal de ócio no período imperial tardio. Evidentemente, sobrepõe-se com as Seis Artes, já que o guqin personificou a música, o go (um jogo de mesa assim conhecido pelo seu nome japonês) estava relacionado com a estratégia militar, e a caligrafia ocupar-se-ia da estética da escrita e do cultivo do próprio carácter. O estudo dos ritos e da música teria como objeto desenvolver o sentido de dignidade e de harmonia. Os ritos consideravam aqueles praticados durante as cerimónias de sacrifício, os funerais e os exercícios militares.

Templo e Cemitério de Confúcio e Mansão da Família Kong em Qufu

O Templo, Cemitério e Mansão da Família de Confúcio, encontram-se na Cidade de Qufu (Tchiufu), na Província de Shandong (Shantung), na República Popular da China. O templo foi construído em 478 a.C, tendo sido destruído e reconstruído ao longo de diversos séculos; é composto por mais de cem edifícios.

O cemitério contém o túmulo de Confúcio e os restos mortais de mais de cem mil dos seus descendentes. O túmulo de Confúcio é composto, simplesmente, por um pequeno monte de terra, marcado por uma estela de pedra. A pequena casa da Família Kong se tornou uma residência aristocrática gigantesca da qual 152 edifícios permanecem. Este conjunto de monumentos manteve-se até os nossos dias graças à devoção de sucessivos imperadores chineses, ao longo de mais de 2000 anos.

Velho Mundo

Velho Mundo é um termo generalizado e relativamente recente que define o mundo conhecido pelos europeus no século XV, ou seja, a Eurásia e África: os continentes europeu, africano, asiático e os quatro arquipélagos da Macaronésia.É um termo usado geralmente em oposição a Novo Mundo (que inclui as Américas). A Eurásia e África recebem o nome de Velho Mundo porque foi neste lugar que surgiram as mais antigas civilizações de que se tem conhecimento. Foi em áreas do norte da África e em partes da Ásia que se desenvolveram, por volta de 7 000 a 3 000 anos atrás, sociedades como a fenícia, a suméria, a assíria e a egípcia. Também fósseis ou esqueletos mais antigos do gênero Homo, da qual pertence a espécie Homo sapiens (o ser humano moderno), foram encontrados em certas regiões do Velho Mundo, como a África, o Oriente Médio, a Europa e a China.

Dessa forma, tanto o Homo sapiens (há cerca de 200 mil anos) como a civilizações mais antigas (a cerca de 4.000 anos) parecem ter se dado no Velho Mundo, em regiões asiáticas e africanas. No contexto da arqueologia e da história do mundo, o termo "Velho Mundo" inclui as partes do mundo que estavam em contato cultural (indireto) a partir da Idade do Bronze, resultando no desenvolvimento paralelo das primeiras civilizações, principalmente na zona temperada entre aproximadamente os paralelos 45 e 25, na região do Mediterrâneo, da Mesopotâmia, o planalto iraniano, o subcontinente indiano e atual China.

Essas regiões foram conectadas pela rota comercial da Rota da Seda e tiveram um período pronunciado da Idade do Ferro após a Idade do Bronze. Em termos culturais, a Idade do Ferro foi acompanhada pela chamada Era Axial, referindo-se a desenvolvimentos culturais, filosóficos e religiosos, levando eventualmente ao surgimento na Europa da filosofia de Parmenides, Platão, Heráclito, Arquimedes e Tucídides; no planalto iraniano o surgimento do zoroastrismo a partir dos ensinamentos de Zoroastro; na Judéia o surgimento da primeira religião abraâmica: o judaísmo, com seus profetas Elias, Isaías e Jeremias (entre outros); No subcontinente indiano o Mahavira fundaria o jainismo e

o Buda fundaria o budismo; no Extremo Oriente tem se a filosofia de Lao-Tsé, de Confúcio, Mozi e Chuang-Tzu, entre outros. O filósofo alemão Karl Jaspers argumenta que "os fundamentos espirituais da humanidade foram lançados simultaneamente e independentemente na China, Índia, Pérsia, Judeia e Grécia. E esses são os fundamentos sobre os quais a humanidade ainda subsiste hoje".Existe também o Novíssimo Mundo, referente a Oceania, que é constituída pela Austrália, Nova Guiné, Nova Zelândia, entre outras ilhas.

Noutras línguas

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