Chiune Sugihara

Chiune Sugihara (em japonês: 杉原千畝, Sugihara Chiune; 1 de janeiro de 190031 de julho de 1986) foi um diplomata japonês que durante a Segunda Guerra Mundial ajudou os judeus radicados na Lituânia a saírem do país, então ocupado pelas tropas nazistas, fornecendo-lhes milhares de vistos de trânsito para que pudessem viajar para o Japão.

Muitos dos judeus eram da Polônia ou residentes de Lituânia. Sugihara concedeu vistos os quais facilitaram a fuga de mais de 6000 refugiados judeus para o território japonês, arriscando a sua carreira e a vida de sua família.

Foi destituído de suas funções pelo governo, uma vez que seu país era parte do Eixo. Passou a ganhar a vida como tradutor. Recebeu de Israel o título de Justo entre as nações pelo seu trabalho que salvou a vida de vários judeus.

Chiune Sugihara
Chiune Sugihara
Nome nativo: 杉原 千畝
Nascimento: 01 de janeiro de 1900
Mino,  Japão
Falecimento: 31 de julho de 1986 (86 anos)
Nacionalidade: japonês
Outros nomes: "Sempo"
Pavlo Sergeivich Sugihara
Ocupação: Vice-cônsul do Império do Japão na Lituânia.
Conhecido por: Auxiliar judeus durante o Holocausto.
Esposas: Klaudia Semionova Apollonova (de 1919 a 1935 - divorciados)
Yukiko Kikuchi (de 1935 a 1986)
Prêmios: Justo entre as Nações (1985)

Infância

Chiune Sugihara nasceu em 1 de janeiro de 1900 em Mino, de Gifu na região de Chubu em Japão sendo o seu pai Yoshimizu Sugihara e a mãe Yatsu Sugihara. Ele foi o segundo filho de uma família com 5 irmãos e 1 irmã. Quando ele nasceu, seu pai trabalhava em um escritório de impostos na cidade de Kouzuchi e sua família morava em um templo emprestado, um templo budista Kyosenji nas proximidades, e ele nasceu lá. Ele era o segundo filho entre cinco meninos e uma menina. 4] Seu pai e sua família mudaram o escritório de impostos dentro do ramo do Escritório de Administração Tributária de Nagoya, um após o outro. Em 1903 (Meiji 36) sua família moveu-se para a vila de Asahi em Niu-gun, prefeitura de Fukui. Em 1904 (Meiji 37) eles se mudaram para Yokkaichi cidade Mie prefeitura. Em 1905 (Meiji 38) 25 de outubro, eles se mudaram para Nakatsu Town, Ena-gun, Prefeitura de Gifu. Em 1906 (Meiji 39) Em 2 de abril, Chiune entrou em Nakatsu Town Municipal Elementary School (agora Nakatsugawa Cidade Minami Elementary School na Prefeitura de Gifu). Em 1907 (Meiji 40) 31 de março, ele transferiu para Kuwana Municipal Kuwana Elementary School em Mie Prefecture (atualmente Kuwana Municipal Nissin Elementary School). Em dezembro do mesmo ano, ele transferiu para Nagoya Municipal Furuwatari Elementary School (agora Nagoya Municipal Heiwa Elementary School).Em 1912, formou-se no colégio Furuwatari com notas brilhantes e entrou em Nagoya Daigo Chugaku (atual Zuiryo). Seu pai queria que ele seguisse a carreira de médico, mas seu sonho era estudar literatura e morar no exterior. No dia do vestibular de medicina, o jovem Sugihara saiu de casa com o conselho de seu pai para dar o melhor de si. Mas quando as provas foram entregues, ele escreveu somente seu nome no cabeçalho e colocou o lápis de lado. Quando o teste terminou, apenas entregou um folha em branco. Sugihara foi estudar inglês na conceituada Universidade Waseda em 1918 e se formou em Literatura inglesa.

Em 1919, passou no exame para Ministério das Relações Exteriores. O Ministério de Relações Exteriores do Japão designou-o para o consulado de Harbin, na China, onde também estudou os idiomas Russo e Alemão, na qual se tornou expert em assuntos da Rússia.

Lituânia

Em 1939, ele se tornou o vice-consul do Consulado do Japão em Kaunas, Lituânia. Seus outros deveres eram reportar sobre o movimento das tropas russas e alemãs.

Em setembro de 1939 a Alemanha invadira a Polônia [e depois, a União Soviética ocupou a parte não-germanizada do país pelas tropas de Hitler] e as notícias e relatos sobre crimes horríveis dos alemães contra judeus se espalhavam. Muitos do refugiados conseguiram chegar à Lituânia dominada pelos russos, mas era questão de tempo antes que as tropas alemãs chegassem ao local.

Para os refugiados a única rota de fuga era por terra através da União Soviética. Mas para isso os russos permitiriam se certificassem de que os refugiados seriam recebidos por outro país, depois de cruzar a União Soviética.

Sugihara telegrafou ao Ministro do Exterior em Tóquio, explicando a situação dos judeus, para solicitar a permissão de conceder vistos de trânsito, na qual foi negado três vezes.

Uma vez que os vistos japoneses eram apenas de trânsito, as pessoas deveriam ter que declarar um destino final. Curaçao, uma possessão holandesa do Caribe, foi uma sugestão.

Então começou a emitir vistos na manhã de 1 de Agosto, que demoravam cerca de 15 minutos para emiti-las. Sugihara deixara de almoçar para emitir tantos quanto possível, trabalhando dia e noite. Quando acabaram os formulários oficiais, escreveu mais à mão. À medida que passavam os dias, ele começou a ficar fraco, ficando com os olhos injetados, por falta de sono, dedicando-se a emitir mais vistos.

Na terceira semana de agosto, Sugihara recebeu telegramas ordenando-o a parar, pois grande número de refugiados poloneses chegavam ao Japão nos portos de Yokohama e Kobe, provocando confusão. Sendo que ele apenas ignorou as ordens.

No final de agosto, os soviéticos exigiram que o consulado fosse fechado. Tóquio instruiu Sugihara a se mudar para Berlim, porém mais judeus estavam chegando ao local. Assim ele decidiu ficar mais um dia no hotel para conceder o máximo de vistos que pudesse emitir e uma multidão seguiu a família até o hotel. Chegou a emitir mais de 300 vistos num dia, quantidade que normalmente toma um mês.

Na manhã seguinte um grupo ainda maior seguiu Sugihara e sua família à estação de trem. No trem, ele continuou a escrever freneticamente, mas não conseguia dar vistos para todos. Então começou a assinar seu nome em folhas em branco e carimbados, esperando que o resto pudesse ser preenchido. Ainda estava passando os papéis quando o trem partiu com destino a Berlim.

Desfecho

A desobediência valeu a Sugihara uma brusca interrupção de sua brilhante carreira diplomática. Dispensado pelo governo, ele teve que contentar-se com um trabalho de tradutor. Mesmo assim, jamais alardeou seu heroísmo. Só em 1969 foi encontrado por Yehoshua Nishri, um dos judeus que ele salvou. Centenas de outros relatos logo começaram a aparecer. Aos poucos, o Yad Vashem (Memorial do Holocausto), uma instituição sediada em Israel que se dedica a manter vivas as lembranças da tragédia nazista, foi percebendo a importância de Sugihara. Quase 50 000 pessoas incluindo os descendentes devem sua vida a ele.[1]

Apenas em 1985, 45 anos depois de seu ato heroico, o ex-cônsul foi considerado justo entre as nações, a mais alta honraria concedida pelo Yad Vashem, e uma árvore foi plantada em sua homenagem. Aos 85 anos, ele estava muito doente para receber o prêmio pessoalmente. Morreu no ano seguinte. Em sua lápide, está gravado seu primeiro nome: Chiune. Coincidência ou não, essa palavra, em japonês, quer dizer mil novas vidas.

Ver também

Bibliografia

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  • Yutaka Taniuchi, The miraculous visas -- Chiune Sugihara and the story of the 6000 Jews, New York, Gefen Books, 2001. ISBN 978-4897985657
  • Seishiro Sugihara & Norman Hu, Chiune Sugihara and Japan's Foreign Ministry : Between Incompetence and Culpability, University Press of America, 2001. ISBN 978-0761819714
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  • “Lithuania at the beginning of WWII”
  • George Johnstone, “Japan's Sugihara came to Jews' rescue during WWII” in Investor's Business Daily, 8 December 2011.

Referências

  1. Chiune Sugihara, Yad Vashem (em inglês)
1 de janeiro

1 ou 1.º de janeiro é o 1.º dia do ano no calendário gregoriano. Faltam 364 para acabar o ano (365 em anos bissextos).

Esta data é o Dia Mundial da Paz, além de Dia da Fraternidade Universal, sendo assim, um feriado internacional, adotado por quase todas as nações do planeta. Neste dia, tomam posse os presidentes do Brasil e da Suíça, sendo que no caso do Brasil, também tomam posse os governadores.

Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (Rio Negro, 5 de dezembro de 1908 — São Paulo, 28 de fevereiro de 2011) foi uma poliglota brasileira que prestou serviços ao Ministério das Relações Exteriores. Foi agraciada pelo governo de Israel com o título de "Justa entre as Nações" pela ajuda que prestou a muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. Apenas um outro brasileiro, Souza Dantas, foi distinguido com este reconhecimento.

A homenagem de inclusão do nome de Aracy de Carvalho no Jardim dos Justos entre as Nações do Yad Vashem (Museu do Holocausto), em Israel, foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA). É conhecida pela alcunha de O Anjo de Hamburgo.Foi casada com o escritor João Guimarães Rosa.

Aristides de Sousa Mendes

Aristides de Sousa Mendes GCC • OL • GCL, também conhecido por Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, nome para qual o alterou, (Cabanas de Viriato, 19 de julho de 1885 — Mártires, Lisboa, 3 de abril de 1954) foi um cônsul Português.

Enquanto Cônsul de Portugal em Bordéus no ano da invasão de França pela Alemanha Nazi na Segunda Guerra Mundial, desafiou ordens expressas do presidente António de Oliveira Salazar, que acumulava a função de ministro dos Negócios Estrangeiros, e durante três dias e três noites concedeu vistos de entrada em Portugal a refugiados que fugiam da Alemanha, mas também outros indivíduos de cidadadania Portuguesa, Britanica, Americana, etc. que regressavam às sua pátrias.Embora algumas fontes apontem o número de judeus salvos do Holocausto por Sousa Mendes na ordem dos dez mil, num total de trinta mil refugiados a quem terá passado vistos, estudos levados a cabo pelo historiador Avraham Milgram, da Yad Vashem, sugerem que estes números terão origem num equívoco com o número total de judeus que terão passado por Portugal durante a segunda guerra mundial, cuja origem terá sido incorrectamente atribuída à acção de Sousa Mendes pelo autor Harry Ezratty em 1964, e desde então repetido acriticamente e sem verificação por muitos jornalistas e autores. Embora o número total de vistos passados por Sousa Mendes seja desconhecido, devido a muitos deles terem sido passados sem que deles se fizesse registo, esse número terá sido, na realidade, bastante inferior aos números iniciais referidos por Ezratty. Segundo Avraham Milgram, que reconhece o heroísmo do feito de Sousa Mendes, este equívoco terá contribuído para que vários jornalistas e autores tenham vindo a exagerar a figura e os feitos de Sousa Mendes, comparando-o com outras personalidades como a de Raoul Wallenberg.

Holocausto

Holocausto (em grego: ὁλόκαυστος, holókaustos: ὅλος, "todo" e καυστον, "queimado"), também conhecido como Shoá (em hebraico: השואה, HaShoá, "a catástrofe"; em iídiche: חורבן, Churben ou Hurban, do hebraico para "destruição"), foi o genocídio ou assassinato em massa de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, no maior genocídio do século XX, através de um programa sistemático de extermínio étnico patrocinado pelo Estado nazista, liderado por Adolf Hitler e pelo Partido Nazista e que ocorreu em todo o Terceiro Reich e nos territórios ocupados pelos alemães durante a guerra. Dos nove milhões de judeus que residiam na Europa antes do Holocausto, cerca de dois terços foram mortos; mais de um milhão de crianças, dois milhões de mulheres e três milhões de homens judeus morreram durante o período.Apesar de ainda haver discussão sobre o uso e abrangência do termo "Holocausto" (ver abaixo), o genocídio nazista contra os judeus foi parte de um conjunto mais amplo de atos de opressão e de assassinatos em massa agregados cometidos pelo governo nazista contra vários grupos étnicos, políticos e sociais na Europa. Entre as principais vítimas não judias do genocídio estão ciganos, poloneses, comunistas, homossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos, Testemunhas de Jeová e deficientes físicos e mentais. Segundo estimativas recentes baseadas em números obtidos desde a queda da União Soviética em 1991, um total de cerca de onze milhões de civis (principalmente eslavos) e prisioneiros de guerra foram intencionalmente mortos pelo regime nazista.Uma rede de mais de quarenta mil instalações na Alemanha e nos territórios ocupados pelos nazistas foi utilizada para concentrar, manter, explorar e matar judeus e outras vítimas. A perseguição e o genocídio foram realizados em etapas. Várias leis para excluir os judeus da sociedade civil — com maior destaque para as Leis de Nuremberg de 1935 — foram decretadas na Alemanha antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial na Europa. Campos de concentração foram criados e os presos enviados para lá eram submetidos a trabalho escravo até morrerem de exaustão ou por alguma doença. Quando a Alemanha ocupou novos territórios na Europa Oriental, unidades paramilitares especializadas chamadas Einsatzgruppen assassinaram mais de um milhão de judeus e adversários políticos por meio de fuzilamentos em massa. Os alemães confinaram judeus e ciganos em guetos superlotados, até serem transportados, através de trens de carga, para campos de extermínio, onde, se sobrevivessem à viagem, a maioria era sistematicamente morta em câmaras de gás. Cada ramo da burocracia alemã estava envolvido na logística que levou ao extermínio, o que faz com que alguns classifiquem o Terceiro Reich como um "um Estado genocida".Em 2007, entrou em vigor uma lei sancionada pela União Europeia (UE) que pune com prisão quem negar o Holocausto. Em 2010, a UE também criou a base de dados europeia EHRI (em inglês: European Holocaust Research Infrastructure) para pesquisar e unificar arquivos sobre o genocídio. A Organização das Nações Unidas (ONU) homenageia as vítimas do Holocausto desde 2005, ao tornar 27 de janeiro o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, por ser o dia em que os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz foram libertos.

Irena Sendler

Irena Sendler (em polaco: Irena Stanisława Sendlerowa, nascida Krzyżanowska) (Varsóvia, 15 de fevereiro de 1910 - Varsóvia, 12 de maio de 2008), também conhecida como "O Anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, tendo contribuído para salvar mais de 2.500 vidas ao conseguir que várias famílias escondessem filhos de judeus no seio do seu lar e ao levar alimentos, roupas e medicamentos às pessoas confinadas ao gueto, com risco da própria vida.

Em 1939, Irena era assistente social no Departamento de Bem Estar Social de Varsóvia, trabalhava com enfermeiras e organizava espaços de refeição comunitários da cidade com o objectivo de responder às necessidades das pessoas que mais necessitavam.

Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a Estrela de Davi como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria. Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz e por isso não ficava satisfeita só por manter com vida as crianças. Irena suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte.

Após sua morte Irena Sendler foi apresentada como candidata para o prémio Nobel da Paz pelo governo polaco.

Em 2008, a CBS produziu o filme The Courageous Heart of Irena Sendler, que mostra fatos mais importantes da vida de Irena. A intérprete de Sendler, Anna Paquin, foi indicada ao Globo de Ouro de 2010.

John Rabe

John Rabe (Hamburgo, Alemanha, 23 de novembro de 1882 — 5 de janeiro de 1950) foi um alemão conhecido pelo seu trabalho para evitar o Massacre de Nanquim e, apesar de não conseguir seu objetivo, ajudou a proteger 200.000 chineses contra as atrocidades cometidas pelo exército japonês durante este evento.

John Rabe trabalhava, desde 1910, para a Siemens na China e usou sua filiação ao partido nazista para tentar apelar aos japoneses. Criou uma zona de proteção na cidade e chegou a abrigar refugiados em sua própria residência, conseguindo manter os japoneses no exterior, permitindo assim que milhares de outros refugiados escapassem. Ao retornar para a Alemanha, em 1938, usou sua influência para denunciar os massacres e evitar outras atrocidades, mas foi detido para interrogatório pela Gestapo, sendo depois libertado por influência da Siemens, ficando impedido de continuar sua campanha. No final da Segunda Guerra Mundial foi preso por causa de sua filiação ao partido nazista, porém em junho de 1946 foi declarado denazificado pelos Aliados.

Atualmente a residência usada por John Rabe durante o episódio do massacre na Universidade de Nanquim abriga um memorial e um centro de estudos para a paz.

Justos entre as nações

A expressão Justos entre as Nações (em hebraico: חסידי אומות העולם, Chassidey Umot HaOlam), que também pode se referir à casa de Noé, é um termo utilizado no judaísmo para se referir a gentios (não-judeus) fiéis às sete leis de Noé e que, por esse motivo, mereceriam o paraíso. Atualmente, o Estado de Israel a usa para descrever gentios que arriscaram suas vidas durante o Holocausto para salvar vidas de judeus do extermínio pelo nazismo.

Luiz Martins de Souza Dantas

Luiz Martins de Souza Dantas (Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 1876 — Paris, 16 de abril de 1954) foi um diplomata brasileiro.Como diplomata brasileiro na França, concedeu vistos para o Brasil a vários judeus e outras minorias perseguidas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, contrariando a política do governo de Getúlio Vargas. Em 10 de dezembro de 2003 foi proclamado "Justo entre as nações", título atribuído a pessoas que arriscaram suas vidas para ajudar os judeus perseguidos pelo regimes nazista e fascista, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel.

Movimento de resistência

Movimento de resistência é o conjunto de iniciativas levado a cabo por um grupo de pessoas que defendem uma causa normalmente política, na luta contra um invasor em um país ocupado.

O termo pode também se referir a qualquer esforço organizado por defensores de um ideal comum contra uma autoridade constituída. Assim, movimentos de resistência podem incluir qualquer milícia ou guerrilha armada que luta contra uma autoridade, governo ou administração estabelecida ou imposta.

O oposto da resistência, isto é, a colaboração com o invasor, é chamado de colaboracionismo.

Oskar Schindler

Oskar Schindler (Svitavy, 28 de abril de 1908 – Hildesheim, 9 de outubro de 1974) foi um industrial alemão sudeto, espião e membro do Partido Nazi, que salvou da morte 1200 judeus durante o Holocausto, empregando-os nas suas fábricas de esmaltes e munições, localizadas nas actuais Polónia e República Checa, respectivamente. É o tema principal do romance de 1982, Schindler's Ark, e do filme de 1993, Schindler's List, que mostra a sua vida como um oportunista interessado no lucro, inicialmente, mas que acabou por mostrar uma iniciativa e dedicação extraordinárias com o objectivo de salvar as vidas dos seus empregados judeus.

Schindler cresceu em Zwittau, Morávia, e teve vários trabalhos até se juntar à Abwehr, o serviço de informação da Alemanha Nazi, em 1936. Aderiu ao Partido Nazi em 1939. Antes da ocupação alemã da Checoslováquia, em 1938, Schindler recolhia informações sobre caminhos-de-ferro e movimentos de tropas para o governo alemão. Foi preso por espionagem pelo governo checoslovaco, mas foi libertado segundo os termos do Acordo de Munique, em 1938. Schindler continuou o seu trabalho de recolha de informações para os nazis, na Polónia, em 1939, antes da invasão daquele território, no início da Segunda Guerra Mundial.

Em 1939, Schindler obteve uma fábrica de utensílios de cozinha em Cracóvia, Polónia, que empregava 1750 trabalhadores, dos quais cerca de mil eram judeus no auge da fábrica, em 1944. As suas ligações da Abwehr ajudaram Schindler a proteger os trabalhadores judeus de uma deportação certa e da morte nos campos de concentração nazis. De início, Schindler estava apenas interessado em fazer dinheiro fácil com o negócio. Mais tarde começou a proteger os seus trabalhadores sem olhar custos. Com o tempo, Schindler teve que subornar os oficiais nazis com dinheiro e ofertas de luxo, obtidas no mercado-negro, para manter os seus empregados seguros.

Quando a Alemanha começou a perder a guerra, em Julho de 1944, as Schutzstaffel (SS) começaram a fechar os campos de concentração a leste e a evacuar os restantes prisioneiros para oeste. Muitos foram mortos no campo de concentração de Auschwitz e Gross-Rosen. Schindler convenceu o SS-Hauptsturmführer Amon Göth, comandante do Campo de concentração de Kraków-Płaszów, a transferir a sua fábrica para Brünnlitz, na região dos Sudetas, poupando, assim, os seus trabalhadores da morte nas câmaras de gás. Utilizando os nomes fornecidos pelo oficial da Polícia dos Guetos Judeus Marcel Goldberg, o secretário de Göth, Mietek Pemper, compilou, e passou a papel, uma lista de 1200 judeus que viajaram para Brünnlitz em Outubro de 1944. Schindler continuou a subornar os oficiais das SS para impedir o massacre dos seus empregados, até ao final da Segunda Guerra Mundial na Europa, em Maio de 1945, altura em que tinha já gasto a sua fortuna em subornos e no mercado-negro para comprar provisões para os seus funcionários.

Schindler foi viver na Alemanha a seguir à guerra, onde foi apoiado financeiramente por organizações judaicas de salvamento. Depois de receber um reembolso parcial pelos seus gastos em tempo de guerra, viajou para a Argentina, com a sua esposa, para uma quinta. Quando entrou em bancarrota em 1958, Schindler deixou sua mulher e regressou à Alemanha, onde foi mal-sucedido em vários negócios, e teve que ser ajudado pelos seus Schindlerjuden ("Judeus de Schindler") – aqueles cujas vidas ele salvou durante a guerra. Schindler recebeu a designação de Justos entre as nações pelo governo de Israel em 1963, e morreu a 9 de Outubro de 1974.

Paul Grüninger

Paul Grüninger (27 de outubro de 1891 - 22 de fevereiro de 1972) foi o comandante da polícia do cantão de St. Gallen, na Suíça.Em agosto e setembro de 1938, após a Anschluss, ele salvou cerca de 3.601 refugiados judeus dos nazis na Áustria, permitindo-lhes entrar na Suíça (naquela época, devido à política de neutralidade, a Suíça tinha fechado as suas fronteiras aos refugiados). Um ano depois foi condenado por fraude e sentenciado a dois anos de prisão e a pagar uma multa. Como ex-presidiário, foi-lhe difícil conseguir um emprego e a vida que tinha não era fácil. Paul Grüninger morreu na pobreza em 1972, sem ver o seu heroísmo reconhecido.Os descendentes de Paul Grüninger, juntamente com pressões diplomáticas americana e de grupos judeus, conseguiram limpar o seu nome. O tribunal do distrito de St. Gallen exonera-o em 1995. Honras oficiais foram dadas em Israel: ele é um dos mais de 20.000 gentios lembrados como justos entre as nações pelo Yad Vashem. Em honra do seu sacrifício, uma rua, localizada no bairro Pisgat Ze'ev de Jerusalém, recebe o seu nome.Entre outros casos conhecidos de figuras que se destacaram pela coragem e humanismo incluem-se o cônsul de Portugal em Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, e o cônsul japonês em Kaunas (Lituânia), Chiune Sugihara.

Período Shōwa

O período Showa (昭和時代, Shōwa jidai?, literalmente "período iluminado de paz/harmonia"), ou Era Showa, é o período da história do Japão correspondente ao reinado do Imperador Showa, Hirohito, de 25 de dezembro de 1926 até 7 de janeiro de 1989 O período Showa foi o mais longo período de todos os reinados dos Imperadores japoneses anteriores. Durante o período pré-1945, o Japão foi tomado pelo totalitarismo político, ultranacionalismo e imperialismo militar, culminando na invasão japonesa da China em 1937. Isso era parte de um período de grandes convulsões e conflitos sociais no mundo todo, como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.

A derrota na Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças radicais para o Japão. Pela primeira e única vez em sua história, o país foi ocupado por forças estrangeiras; uma ocupação que durou sete anos. A ocupação dos aliados trouxe grandes reformas democráticas, levando ao fim do status do imperador como um deus vivo e a transformação do Japão em uma democracia com uma monarquia constitucional. Em 1952, com o Tratado de São Francisco, ele tornou-se de novo uma nação soberana. O período Showa pós-guerra também levou ao Milagre econômico japonês.

Dessa maneira, os períodos pré-1945 e pós-guerra possuíam estados completamente diferentes. O período Showa pré-1945 (1926-1945) refere-se ao Império do Japão , enquanto o período Showa pós-1945 (1945-1989) foi parte do Estado do Japão.

Noutras línguas

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