Cântico dos Cânticos

O Cântico dos Cânticos (em hebraico: שִׁיר הַשִּׁירִים, Šīr HašŠīrīm; em grego: ᾎσμα ᾈσμάτων, Âisma Aismátōn), conhecido também como Cantares, Cânticos de Salomão ou Cântico Superlativo, é o quarto livro da terceira seção (Ketuvim) da Bíblia hebraica e um dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia cristã.[1][1][2] É um dos cinco Megillot ("cinco rolos") e é lido no sabá durante a Páscoa judaica, marcando o começo da colheita dos cereais e comemorando o Êxodo do Egito.

No contexto das escrituras cristãs, Cântico dos Cânticos é único por celebrar o amor sexual.[3] Ele dá "voz para dois amantes que se elogiam e se desejam com convites para o prazer mútuo"[4] Os dois se desejam e estão felizes em sua intimidade sexual. As "filhas de Jerusalém" formam um coro para os amantes, funcionando como uma audiência cuja participação nos encontros eróticos dos amantes facilita a participação do leitor.[5] A tradição judaica o interpreta como uma alegoria da relação entre Javé e Israel[6] A tradição cristã, além de apreciar o sentido literal, de uma canção romântica entre um homem e uma mulher, interpretou também o poema como uma alegoria de Cristo e sua "noiva", a Igreja Cristã[7]

Bambergmscmisc22fol4r
Página inicial do Cântico dos Cânticos. O texto é o primeiro versículo em latim, "Osculetur me osculo oris sui!", que significa «Beije-me ele com os beijos de sua boca!» (Cantares 1:2)
Manuscrito iluminado da Biblioteca Estatal de Bamberg, na Alemanha.

Estrutura

Há um amplo consenso que, embora o livro não tenha uma trama, ele tem o que se pode chamar de estrutura, evidente pelas ligações entre o seu começo e fim[8] Porém, fora isto, há pouca concordância entre os estudiosos: tentativas de encontrar uma estrutura quiástica não receberam aceitação e tentativas de analisá-lo em unidades utilizaram diferentes métodos e chegaram a diferentes conclusões[9] O seguinte esquema, de Kugler et al.[10], é, por conta disto, meramente indicativo:

A. Introdução (1:1–6);
B. Diálogo entre os amantes (1:7–2:7);
C. A mulher relembra a visita de seu amante (2:8–17);
D. A mulher fala às filhas de Sião (3:1–5);
E. Assistindo a uma procissão matrimonial (3:6–11);
F. O homem descreve a beleza de sua amante (4:1–5:1);
G. A mulher fala às filhas de Jerusalém (5:2–6:4);
H. O homem descreve sua amante, que o visita (6:5–12);
I. Observadores descrevem a beleza da mulher (6:13–8:4);
J. Apêndice (8:5–14).

Sumário

A introdução chama o poema de "Cântico dos cânticos", uma construção superlativa frequente na Bíblia hebraica para demonstrar algo como o maior e mais belo de sua classe (como o Santo dos Santos)[11] O poema propriamente dito começa com a expressão do desejo da mulher por seu amante e sua auto-descrição às "filhas de Jerusalém": ela insiste em sua cor negra, igualando-a às "tendas de Quedar" (nômades) e às "cortinas de Salomão". Segue um diálogo entre os amantes: a mulher pede um encontro ao homem; ele responde atiçando-a ligeiramente. Os dois competem nos elogios mútuos ("o meu amado é para mim como um ramalhete da hena", "a macieira entre as árvores do bosque", "qual uma açucena entre espinhos"). Esta seção termina com a mulher pedindo às filhas de Jerusalém que não despertem um amor como o dela antes de ele estar pronto[12]

Gustave Moreau - Song of Songs (Cantique des Cantiques) - Google Art Project
"Cantique des Cantiques"
1893. Por Gustave Moreau, no Museu de Arte de Ohara, em Kurashiki, Japão.

A mulher relembra uma visita de seu amado na primavera e utiliza a imagem da vida de um pastor: seu amado «apascenta o seu rebanho entre as açucenas.» (Cantares 2:16)[12] Ela fala novamente com as filhas de Jerusalém, descrevendo sua fervente e, em última instância, vitoriosa busca pelo seu amado à noite pelas ruas da cidade. Quando ela o encontra, ela o toma para si, quase que à força, e o leva para o quarto no qual sua mãe a concebeu. A mulher revela tratar-se de um sonho «de noite no meu leito» (Cantares III:1-1) e novamente implora às filhas de Jerusalém que não despertem o amor até que esteja pronto[12]

A seção seguinte narra uma procissão de um casamento real. Salomão é mencionado pelo nome e as filhas de Jerusalém são convidadas a assistir ao espetáculo.[12] Depois, o homem descreve sua amada: «seu cabelo é como um rebanho das cabras ... seus dentes são como o rebanho de ovelhas recém-tosquiadas» (Cantares 4:1-2) e assim por diante, do rosto aos seios. Topônimos aparecem em profusão: o pescoço dela é como a "torre de David", o cheiro é como o odor do Líbano. Ele se apressa em chamar sua amada afirmando estar enlevado por sua beleza. O texto então torna-se um "poema de jardim", no qual ele a descreve como um «jardim trancado» (Cantares 4:12) — uma metáfora para a castidade. A mulher convida o homem a entrar no jardim e provar das frutas; ele aceita o convite e um terceiro diz: «Comei, amigos, Bebei, sim, embriagai-vos, caríssimos.» (Cantares 5:1)[12]

A mulher conta às filhas de Jerusalém um outro sonho. Ela estava em seu quarto quando seu amado bateu na porta. Ela demorou para abrir e, quando o fez, ele já havia partido. Ela procurou por ele nas ruas novamente, mas, desta vez, não conseguiu encontrá-lo e os vigias, que a ajudaram da primeira vez, desta vez bateram nela. Ela pede que as filhas de Jerusalém a ajudem a encontrá-lo e descreve a beleza de seu amor. Finalmente ela permite que seu amado entre em seu jardim, em segurança, e tão comprometido com ela quanto ela por ele.[12]

O homem descreve sua amada; a mulher descreve um encontro dos dois (este trecho é obscuro e possivelmente está corrompido)[12] O povo louva a beleza da mulher. As imagens utilizadas são as mesmas utilizadas no resto do poema, mas com um uso particularmente denso de topônimos: piscinas de Hesbom, porta de Bate-Rabim, torre do Líbano etc.. O homem afirma sua intenção de provar os frutos do jardim da mulher e ela o convida para um passeio nos campos. Ela mais uma vez pede que as filhas de Jerusalém não despertem o amor até que esteja pronto.

A mulher compara o amor à morte e ao sheol: o amor é tão forte e ciumento quanto estes dois e não pode ser apaziguado por nenhuma força. Ela chama seu amante usando o mesmo linguajar já utilizado antes: «o veado ou como o filho da gazela sobre os montes de aromas» (Cantares 8:14)[12]

Composição

O Cântico dos Cânticos não dá nenhuma pista sobre a data, o local e em quais circunstâncias foi escrito.[13]Cantares 1:1 afirma que o autor é Salomão, mas mesmo se este versículo puder ser entendido como uma declaração de autoria, ele não pode ser lido da mesma forma como se lê uma afirmação moderna do mesmo tipo.[14] A mais confiável das evidências para sua ata de composição é a língua na qual foi escrito: o aramaico gradualmente substituiu o [[língua hebraica|hebraico] depois do cativeiro na Babilônia no final do século VI a.C. e as evidências do vocabulário, morfologia, uso do idioma e sintaxe claramente indicam uma data séculos mais tarde do o período do reinado de Salomão.[15] O texto é similar a outras obras de poesia romântica mesopotâmicas e egípcias do primeiro milênio a.C. e também as obras idílicas de Teócrito, um poeta grego da primeira metade do século III a.C.[16][17][18] Por conta disto, há especulações sobre a data que variam dos séculos X ao II a.C.[13], com maior probabilidade para uma data no final do período helenístico (depois de 330 a.C.).[19][20]

A unicidade do texto (ou falta dela) continua a ser debatida. Os que defendem que Cânticos seja uma antologia ou uma coleção notam as bruscas mudanças de cena, narrador, tema e tom, além da falta de uma estrutura ou narrativa mais óbvia. Os que defendem que Cânticos é um único poema lembram que não sinais internos de origens diversas e afirmam que as repetições e similaridades entre as partes são evidências de unicidade. Alguns alegam ter encontrado um propósito artístico claro subjacente na obra, mas não há consenso sobre qual seria ele. A questão permanece em aberto.[21]

O local de origem do poema também é debatido.[22] Alguns acadêmicos propõem uma origem ritual na celebração do matrimônio sagrado do deus Tamuz com a deusa Ishtar.[23] Seja como for, o poema certamente parece ter sua origem em algum tipo de ritual festivo.[22] Evidências externas apoiam a ideia de que Cânticos era originalmente recitado por diferentes cantores representando os diferentes personagens imitando os atos do texto com mímica.[24]

Interpretações posteriores

Judaísmo

Lovis Corinth Das hohe Lied Ill
"Das hohe Lied" ("Os Elogios").
1911. Litografia de Lovis Corinth.

Cânticos foi aceito no cânone da Bíblia hebraica por volta do século II depois de um período de controvérsia no século I. Ele foi aceito como canônica por sua suposta autoria por Salomão e com base numa leitura alegórica na qual o tema é entendido como não sendo de natureza sexual e sim do amor de Deus por Israel.[25] Como exemplo, o famoso Aquiba, dos séculos I e II, proibiu o uso de Cânticos em festas populares pois, segundo ele, "aquele que conta o Cântico dos Cânticos em tabernas de vinho, tratando-o como se ele fosse apenas uma música vulgar, abandona sua parte no mundo que virá".[26] Porém, ele famosamente defendeu a canonicidade de Cântico dos Cânticos. Quando a questão apareceu sobre se ele deve ser considerado uma obra impura, ele teria dito: "Deus me livre! [...] Pois toda a eternidade em toda sua dimensão não é tão valiosa quanto o dia no qual Cântico dos Cânticos foi dado a Israel, pois todos os Escritos são santos, mas Cântico dos Cânticos é o Santo dos Santos".[27]

No judaísmo moderno, alguns versículos de Cânticos são lidos na véspera do sabá ou na Páscoa, que marca o início da colheita de cereais e também comemora o Êxodo do Egito, para simbolizar o amor entre o povo judeu e seu Deus. A tradição judaica o interpreta como uma alegoria da relação entre Deus e Israel.[6] Nas palavras de Solomon B. Freehof:

Como revelado em diversas passagens talmúdicas, no Targum e no Midrash, este livro bíblico é interpretado como uma referência ao amor de Deus por Israel. Esta interpretação...logo se tornou oficial. Na realidade, qualquer um que cite versículos do Cântico dos Cânticos dando-lhes o significado literal foi declarado um herege que abandonou sua parte no Paraíso. Esta interpretação simbólica foi herdada, depois de alguma re-interpretação, pelo cristianismo e lá também se tornou oficial.[28]

Cristianismo

Os cristãos admitiram a canonicidade do Cântico dos Cânticos desde o princípio, mas, depois que exegetas judeus começaram a interpretar o Cântico de forma alegórica, como um símbolo do amor de Deus por seu povo, os exegetas cristãos seguiram o mesmo caminho, tratando o amor celebrado pelo livro como uma analogia ao amor entre Deus e sua Igreja[7] Depois de séculos, a ênfase na interpretação mudou: a partir do século XI foi acrescentado um elemento moral e, no século XII, a Virgem Maria passou a ser a noiva. Cada nova interpretação absorvia a anterior sem substituí-la e o comentário bíblico foi se tornando cada vez mais complexo, com diversas camadas de significado.[29] Esta abordagem levou a conclusões não encontradas nos livros mais claramente teológicos da Bíblia, que consideram a relação entre Deus e o homem como desigual.[30] Por outro lado, a leitura de Cântico dos Cânticos como uma alegoria do amor de Deus por sua Igreja sugere que os dois parceiros são iguais, unidos numa relação emocional livremente consentida[30]

Influência

Marc Chagall pintou um ciclo de cinco pinturas chamado "Cântico dos Cânticos", atualmente abrigado no Museu Marc Chagall em Nice, na França. "Wachet auf, ruft uns die Stimme, BWV 140", de J. S. Bach, se baseia principalmente na Parábola das Dez Virgens, mas também faz referência a imagens de Cântico dos Cânticos.[31] Toni Morrison, vencedora do prêmio Nobel de literatura, lançou uma obra em 1977 chamada "Song of Solomon".

"Hortus conclusus", que significa "jardim fechado", foi um tema popular da arte cristã medieval e renascentista que surgiu de forma repentina em pinturas e manuscritos iluminados por volta de 1330[32] [33] e tem sua origem numa imagem de Cântico dos Cânticos: «Um jardim fechado é minha irmã, minha noiva; Um manancial fechado, uma fonte selada» (Cantares 4:12), um simbolismo para a castidade.

Referências

  1. a b CE 1908.
  2. Garrett 1993, p. 348.
  3. Garrett 1993, p. 366.
  4. Alter 2011, p. 232.
  5. Exum 2011, p. 248.
  6. a b Sweeney 2011.
  7. a b Norris 2003, p. 1.
  8. Assis 2009, pp. 11, 16.
  9. Assis 2009, pp. 16–18.
  10. Kugler & Hartin 2009, p. 220.
  11. Keel 1994, p. 38.
  12. a b c d e f g h Kugler & Hartin 2009, pp. 220–22.
  13. a b Exum 2012, p. 247.
  14. Keel 1994, p. 39.
  15. Bloch & Bloch 1995, p. 23.
  16. Bloch & Bloch 1995, p. 25.
  17. Exum 2012, p. 248.
  18. Keel 1994, p. 5.
  19. Hunt 2008, p. 5.
  20. From Plato to Moses: Genesis-Kings as a Platonic Epic, Philippe Wajdenbaum, University of Brussels, abril de 2016
  21. Exum 2005, p. 3334.
  22. a b Loprieno 2005, p. 126.
  23. Price 2005, p. 251.
  24. Astell 1995, p. 162.
  25. Loprieno 2005, p. 107.
  26. Phipps 1979, p. 85.
  27. Schiffman 1998, pp. 119–20.
  28. Freehof 1949, p. 397.
  29. Matter 2011, p. 201.
  30. a b Kugler & Hartin 2009, p. 223.
  31. Herz, Gerhard (1972). Bach: Cantata No. 140. [S.l.]: WW Norton & Co
  32. Michelle P. Brown, "The World of the Luttrell Psalter" British Library 2006,
  33. Brian E. Daley, "The 'Closed Garden'and the 'Sealed Fountain': Song of Songs 4:12 in the Late Medieval Iconography of Mary", Elizabeth B. Macdougall, editor, Medieval Gardens, Dumbarton Oaks Colloquium 9) 1986,

Bibliografia

Ligações externas

Angelomo de Luxeuil

Angelomo de Luxeuil (em latim: Angelomus Lexoviensis; m. c. 895) foi um monge beneditino de Luxeuil, no Franco-Condado, e um comentarista da Bíblia. Suas obras revelam a influência de Alcuíno e a utilização das obras de Pseudo-Jerônimo.Era um protegido de Lotário I e escreveu comentários sobre o Gênesis e o Cântico dos Cânticos.

== Referências ==

Bernardo de Claraval

Bernardo de Claraval (em francês: Bernard de Clairvaux), O.Cist, foi um abade francês e o principal responsável por reformar a Ordem de Cister, na qual entrou logo depois da morte de sua mãe. Foi o fundador da Abadia de Claraval (Clairvaux), na Diocese de Langres.

Em 1128, Bernardo participou do Concílio de Troyes, que delineou a regra monástica que guiaria os Cavaleiros Templários e que rapidamente tornou-se o ideal de nobreza utilizado no mundo cristão. Depois da morte do papa Honório II em 1130, Bernardo foi instrumental para reconciliar a Igreja durante o chamado "cisma papal de 1130", que só terminaria definitivamente com a morte do antipapa Anacleto II em 1138.

No ano seguinte, Bernardo ajudou a organizar o Segundo Concílio de Latrão. Em 1141, Inocêncio convocou o Concílio de Sens para tratar da denúncia de Bernardo contra Pedro Abelardo. Com bastante experiência em curar cismas na Igreja, Bernardo foi em seguida recrutado para ajudar no combate às heresias que grassavam no sul da França.

No Oriente Médio, depois da derrota cristã no cerco de Edessa, o papa encarregou Bernardo de pregar a Segunda Cruzada, cujo fracasso seria depois considerado parcialmente culpa sua.

Bernardo morreu aos 63 anos depois de passar quarenta enclausurado. Foi o primeiro cisterciense no calendário de santos, tendo sido canonizado por Alexandre III em 18 de janeiro de 1174. Em 1830, Pio VIII proclamou-o Doutor da Igreja.

Entre suas obras estão a regra monástica da Ordem dos Templários, o "Tratado do Amor de Deus" e o "Comentário ao Cântico dos Cânticos". É também o compositor ou redator do hino "Ave Maris Stella" e da invocação " Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria" da oração "Salve Rainha".

Casa de D. Miguel

A Casa de D. Miguel (também conhecida por Vila Cacilda), é uma casa do século XVIII, localizada em Queijas, no concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.

Segundo a tradição era aqui que D. Miguel se instalava quando ia a Queijas para caçadas.

O edifício tem dois pisos, no inferior, que possivelmente seria uma antiga capela, existem painéis de azulejos azuis e brancos, de cerca de 1740, com cenas do Cântico dos Cânticos. No piso superior, alguns dos compartimentos também têm azulejos com paisagens e cenas galantes.

Está classificada pelo IPPAR, como Imóvel de Interesse Público (Dec. 5/2002, DR 42, 1.ª série-B, de 19 de Fevereiro de 2002).

Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão

Cântico dos Cânticos para Flauta e Violão é um longo poema escrito por Oswald de Andrade, um dos principais nomes do Modernismo brasileiro, em 1942. O título faz referência aos Cânticos dos Cânticos, coletânea bíblica de poemas amorosos atribuídos pela tradição a Salomão. É dividido em quinze fragmentos, cada um com um título próprio. Menciona constantemente Maria Antonieta d'Alkmin, última de suas inúmeras companheiras, com quem se casara em 1942. Segundo Haroldo de Campos, num texto crítico sobre o poema, "raras vezes em nossa poesia, o 'pathos' amoroso atingiu tal densidade, feita, não obstante, de agudo despojamento".

Ein Gedi

Ein Gedi (em hebraico: עין גדי, lit. Nascente do Cabrito) é um oásis localizado a Oeste do Mar Morto, perto de Massada e das cavernas de Qumran.

É conhecido pelas suas grutas, nascentes, e a sua rica diversidade de fauna e flora. Ein Gedi é mencionado diversas vezes nos escritos bíblicos, por exemplo, no Cântico dos Cânticos; "A minha amada é para mim como um cacho de flores de hena nos vinhedos de Ein Gedi" (1:14). De acordo com a tradição judaica, David escondeu-se de Saul nas suas cavernas; "Então David saiu de lá, e ficou nas fortalezas de Ein Gedi" (I Samuel 23:29).

Um kibutz, fundado em 1956, está localizado a cerca de um quilómetro do oásis. Oferece várias atrações turísticas e tira vantagem do clima local e da abundância de água natural para cultivar diversos produtos fora da sua época normal. Antes da fundação do kibutz, a área de Ein Gedi não havia sido permanentemente habitada por 500 anos.

Gonçalo Salvado

Gonçalo Salvado (Lisboa, 19 de maio de 1967) é um poeta português cuja poesia se centra exclusivamente no erótico e na exaltação do amor sensual. Publicou treze livros de poesia e várias antologias de temática amorosa. Em 2013, foi-lhe atribuído pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro o Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen pelo conjunto da sua obra poética.

Gregório de Narek

Gregório de Narek (em armênio/arménio: Գրիգոր Նարեկացի; transl.: Grigor Narekatsi; 951–1003) foi um monge, poeta e filósofo místico cristão venerado como santo pela Igreja Apostólica Armênia, nascido numa família de escritores no Mosteiro de Narek (Narekavank), considerado como o "primeiro grande poeta da Armênia".Gregório é o autor de uma interpretação mística do "Cântico dos Cânticos" e de diversas outras obras poéticas. Seu "Livro de Orações", conhecido também como "Livro de Lamentações", um longo poema místico dividido em 95 seções e escrito provavelmente em 977, foi traduzido para diversas línguas e permanece, ainda hoje, como uma das mais importantes obras da literatura armênia.

Em 12 de abril de 2015 o Papa Francisco declarou Gregório como Doutor da Igreja.

Hipólito de Roma

Hipólito de Roma foi o mais importante teólogo do século III na Igreja antiga em Roma, onde ele provavelmente nasceu.

Fócio o descreveu em sua Biblioteca (cód. 121) como sendo um discípulo de Ireneu, que acredita-se ter sido discípulo de Policarpo e, pelo contexto da passagem, supõe-se que o próprio Hipólito assim se considerava. Porém, é duvidoso se esta afirmação de Fócio seja verdadeira.

Ele entrou em conflito com os papas de sua época e parece ter sido líder de um grupo cismático como um bispo rival de Roma. Por isto, ele é considerado como o primeiro Antipapa. Ele se opôs aos bispos de Roma que afrouxaram as regras de penitência para acomodarem um grande número de novos convertidos da religião pagã. Porém, muito provavelmente ele já estava reconciliado com a Igreja quando morreu como mártir.

Ele é a pessoa que usualmente chamamos de Santo Hipólito. Porém, iniciando no século IV, várias lendas surgiram sobre ele, identificando-o como um padre do cisma novaciano ou um soldado convertido por São Lourenço. Ele também é muitas vezes confundido com um mártir de mesmo nome.

Italo Montemezzi

Italo Montemezzi (31 de maio de 1875 — 15 de maio de 1952) foi um compositor italiano. O seu trabalho mais conhecido é a ópera L'amore dei tre re.

Montemezzi nasceu em Vigasio, perto de Verona. Estudou música no Conservatório de Milão.

A sua ópera L'amore dei tre re, escrita em 1913, lançou a sua carreira e permitiu-lhe dedicar-se à composição. Em 1919 visitou os Estados Unidos, Dirigiu na estréia americana da sua ópera La Nave (Chicago Opera Association, 18 novembro), que teve estréia mundial em Milão (1918). Viveu no sul da Califórnia desde 1939, e comemorou com a rendição da Itália Italia mia (1944), regressou definitivamente em 1949. Outras obras incluem o poema sinfônico Paolo e Virginia e à cantata O Cântico dos Cânticos.

Livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento

Os Livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento são: Jó ou Job (português de Portugal), Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Ben Sirac ou Eclesiástico. Foram escritos, em sua maioria, em linguagem poética, fazendo uso de metáforas, e têm um caráter de ensinamento para alcançar a sabedoria. Eclesiástico e Sabedoria são deuterocanônicos e por isso não constam na Bíblia protestante, embora estejam presentes na Bíblia católica. Esses livros apresentam a sabedoria e a espiritualidade do povo de Israel, e fazem parte da chamada literatura sapiencial, comum no Oriente Próximo.A sabedoria, neste caso, não é entendida como acumulação de conhecimentos, mas como bom senso no discernimento das situações, adquirido através da meditação e reflexão sobre a experiência concreta da vida -, algo aprendido na prática e que levaria à arte de viver bem. Assim, nos livros sapienciais encontram-se reflexões que brotam de problemas que povoam o dia-a-dia da vida de qualquer pessoa que busca o caminho da realização e felicidade. A experiência comum é mostrada como lugar da manifestação de Deus e da revelação do seu projeto, ou seja, Deus falaria através da experiência do povo.

A sabedoria de cunho mais popular encontrada no livro dos Provérbios e no Eclesiástico apresenta-se em forma uma coleção de frases curtas, sentenças que ajudam a compreender e a encontrar uma saída nas diversas situações enfrentadas pelo homem comum. Já os livros de Jó, Eclesiastes e da Sabedoria são estudos sobre problemas mais profundos sobre temas mais amplos, como o sentido da vida, a morte, a justiça, a vida social, o mal, a natureza da sabedoria etc. O Cântico dos Cânticos trata da experiência mais fundamental da vida: o amor humano, símbolo do amor de Deus para com o seu povo. Já a espiritualidade do povo de Israel é apresentada no livro dos Salmos - uma coleção de 150 orações que refletem as mais diversas situações da vida do indivíduo e do povo..

== Referências ==

Neot Kedumim

Neot Kedumim - A Reserva Paisagística bíblica em Israel (נאות קדומים) é um jardim bíblico e reserva natural localizada perto de Modi'in, a meio caminho entre Jerusalém e Tel Aviv, Israel.

Neot Kedumim é uma tentativa de recriar o ambiente físico da Bíblia. A ideia de um jardim Plantio Tais remonta a 1925. Em 1964, terra foi alocada para o projeto com a ajuda do então primeiro-ministro David Ben-Gurion.Neot Kedumim compreende uma série de paisagens naturais e agrícolas, entre elas a Floresta de Leite e Mel, o Vale do Cântico dos Cânticos, as Vinícolas de Isaías e os campos das sete espécies. Placas são dispostas por todo o jardim citando os textos judeus relevantes em hebreu e inglêsO local oferece passeios pré-agendados mas também é acessível para pessoas que podem andar livremente com mapas fornecidos pelo parque.

O Cântico dos Cânticos

O Cântico dos Cânticos é um poema dramático escrito por Joaquim José Coelho de Carvalho em 1878. Trata-se de um texto original cujo nome se relaciona com o livro da Bíblia com o mesmo nome, pertencente ao Antigo Testamento e também conhecido por Cântico de Salomão.

Procópio de Gaza

Procópio de Gaza (c. 465 - 528) foi um sofista e um retórico cristão, um dos mais importantes representantes da famosa escola que floresceu em sua terra natal. Lá ele passou toda a sua vida, ensinando e escrevendo, sem tomar parte em nenhum dos movimentos teológicos de seu tempo.

O pouco que sabemos dele pode ser encontrado em suas cartas e no encômio de seu pupilo e sucessor, Coríquio de Gaza. Ele foi o autor de diversas obras retóricas e teológicas, sendo que daquelas, seu panegírico sobre o imperador bizantino Anastácio I Dicoro é a única que sobreviveu. A descrição da Basílica de Santa Sofia e a monódia sobre a sua destruição parcial num terremoto são espúrias.

Suas epístolas (162 no total), endereçadas a pessoas de prestígio, amigos e adversários, nos permitem visualizar a condição do sofismo e da retórica, além da personalidade do autor. O fragmento de um tratado polêmico contra o neoplatonista Proclo é, atualmente, atribuído a Nicolaus, arcebispo de Metone, no Peloponeso (séc. XII).

As obras teológicas de Procópio consistem de comentários sobre o o pentateuco, Josué, Juízes e Rute, além dos livros dos Reis, Crônicas, Isaías, Provérbios, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes. Estes comentários estão entre os primeiros exemplos da forma "catênica" (catena - "corrente") de comentário, consistindo de uma série de trechos, organizados, com adições independentes, para elucidar a parte das escrituras em questão. Fócio (cód. 206), ainda que criticando a forma difusa deles, elogia a erudição do autor e seu estilo que, porém, ele considera muito elaborado para o fim a que se destina.

Edições completas das obras de Procópio estão na Patrologia Grega lxxxvii, de Migne.

Sulamita

Sulamita é uma personagem bíblica do Antigo testamento e significa que possui a perfeição ou ainda que possui uma sensualidade que não passa despercebida por ninguém, e aprendeu a se valer desta arma . Sulamita foi a preferida do Rei Salomão.

Tanakh

O Tanakh, em hebraico: תַּנַ"ךְ; ( /tɑːˈnɑːx/, pronounciado [taˈnaχ] ou [təˈnax]; ou TN"K, Tanak, Tenakh, Tenak, Tanach, Tanac e conhecido também em hebraico: מקרא;Mikra, Miqra e ainda como Bíblia Hebraica que é a Coleção canônica dos textos Israelita, que é a fonte do cânone Cristão do Antigo Testamento. Esta coleção é composta de textos no Hebraico Bíblico, com exceção de dois livros, o de Daniel e o de Esdras, que contêm trechos no Aramaico Bíblico. O texto tradicional usado é chamado de texto Massorético. No TN"K constam 24 livros.

The Song of Songs

The Song of Songs (br: O Cântico dos Cânticos) é um filme estadunidense de 1933, do gênero drama, dirigido por Rouben Mamoulian. O filme é baseado em romance do escritor alemão Hermann Sudermann, anteriormente adaptado para o teatro e dois longas-metragens na era do cinema mudo. Depois de cinco trabalhos sob as ordens de Josef von Sternberg, esta foi a primeira vez que Marlene Dietrich teve um novo diretor na Paramount Pictures.

Tomás de Cister

Tomás de Cister ou Tomás de Perseigne ou ainda Tomás de Vancelles (em latim: Thomas Cisterciensis; m. c. 1190) foi um monge cisterciense da Abadia de Perseigne, no que é hoje Sarthe, na França. Ele é conhecido por uma grande obra, um comentário sobre o "Cântico dos Cânticos".

Sua teologia é considerada típica da abordagem mística do século XII. O comentário contém suas teorias sobre estética, é dedicado a Pons, bispo de Clermont (r. 1170–1180), que fora antes abade de Claraval e contém diversas citações de poetas clássicos.

== Referências ==

Torre de marfim

A expressão Torre de Marfim designa um mundo ou atmosfera onde intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia-a-dia. Como tal, tem uma conotação pessoal,indicando uma desvinculação deliberada do mundo cotidiano; pesquisas esotéricas, superespecializadas ou mesmo inúteis, e elitismo acadêmico, se não, desdém ilimitado por aqueles que habitam a proverbial torre de marfim. No inglês estadunidense, o uso comum da expressão ivory tower ("torre de marfim") designa o mundo acadêmico das instituições de ensino superior e universidades.

Wolbero de Colônia

Wolbero (em latim: Wolbero S. Pantaleonis; m. 1167) foi um abade beneditino da Abadia de São Pantaleão em Colônia. É conhecido por seu comentário sobre o "Cântico dos Cânticos", o primeiro a ser endereçado a uma audiência feminina (as freiras de Nonnenwerth).

Principais
divisões
Subdivisões
Desenvolvimento
Manuscritos
Listas
Ver também

Noutras línguas

This page is based on a Wikipedia article written by authors (here).
Text is available under the CC BY-SA 3.0 license; additional terms may apply.
Images, videos and audio are available under their respective licenses.