Britanos

Britanos, britões, ou ainda bretões, eram o povo que habitava a Grã-Bretanha durante a Idade do Ferro, a era romana e o período pós-romano. Falavam a língua celta insular conhecida como britônico comum. Após a chegada dos anglo-saxões, sua população dividiu-se; enquanto alguns foram absorvidos pela cultura anglo-saxã, tornando-se "ingleses", outros recuaram, outros permaneceram nas regiões da chamada fronteira celta (Gales, Cornualha e o sul da Escócia), enquanto alguns emigraram para a Bretanha, na atual França. A relação dos britanos com os pictos que habitavam a norte do rio Forth tem sido muito debatida pelos estudiosos, e a maior parte dos acadêmicos aceita atualmente que o idioma picto tenha algum tipo de relação com o britônico comum.[1]

A população romano-britânica aparentemente continuou, em sua maior parte, a falar as línguas britônicas ao longo da ocupação anglo-saxã, embora agrande maioria das inscrições que sobreviveram até os dias de hoje estejam em latim, e temos poucas evidências a respeito de como as línguas locais e estrangeiras coexistiram na sociedade romano-britânica. No fim do período romano, os britanos viviam por toda a Britânia ao sul do Firth do Forth. Após o século V, sob pressão da colonização anglo-saxã da Britânia, muitos britanos migraram para a Europa continental e estabeleceram-se definitivamente na Bretanha, enquanto uma parcela menor deslocou-se para a região da Britônia, na atual Galiza, Espanha.[2]

As primeiras evidências dos britanos e de seu idioma nas fontes históricas datam da Idade do Ferro;[2] no entanto, cada vez mais parece provável que a maior parte da população representava uma forma de continuidade com os habitantes da ilha na Idade do Bronze britânica (o termo também é utilizado para descrever estes). Após a conquista romana da Britânia, no século I, uma cultura romano-britânica começou a surgir. Com o início da colonização anglo-saxã, no século V, no entanto, a cultura e o idioma dos britanos começou a se fragmentar e boa parte de seu território foi tomada pelos anglo-saxões. Até que ponto esta mudança cultural e linguística foi acompanhada por mudanças populacionais ainda é um assunto que vem sendo debatido. Por volta do século XI, as populações celtófonas remanescentes haviam se dividido em grupos distintos: os galeses, os córnicos, os bretões e os habitantes da região conhecida como Hen Ogledd ("Antigo Norte"). O britônico se desenvolveu em dois grupos principais: o das línguas britônicas ocidentais, entre elas o galês e o cúmbrico, e o das línguas britônicas do sudoeste, que englobava o córnico e o bretão.[2]

Map Gaels Brythons Picts GB
A Grã-Bretanha na primeira metade do primeiro milênio, antes da fundação dos reinos anglo-saxões
  Regiões predominantemente britônicas
  Regiões predominantemente pictas
  Regiões predominantemente gaélicas

Referências

  1. Forsyth, p. 9.
  2. a b c Koch, p. 291–292.

Bibliografia

Ligações externas

Batalha de Caer Caradoc

Batalha de Caer Caradoc foi a batalha final do movimento de resistência de Carataco à conquista romana da Britânia. Travada em 50, os romanos derrotaram os britanos e asseguraram o controle da região sul da nova província da Britânia.

Batalha do Medway

A Batalha do Medway foi travada em 43 d.C. entre romanos, liderados pelo general Aulo Pláucio, e britanos, provavelmente nas terras da antiga tribo dos cantiacos (em latim: cantiaci) e às margens do rio Medway, um território que corresponde ao moderno condado inglês de Kent. Outros locais já foram sugeridos, mas são menos prováveis. Foi uma das primeiras batalhas da invasão da Britânia pelo imperador Cláudio.

Batalha do Monte Badon

A Batalha de Monte Badon /ˈbeɪdən/ foi uma batalha entre britanos e anglo-saxões que ocorreu entre os séculos V e VI. Apesar de que a batalha ter sido um evento importante na época da invasão anglo-saxónica da Grã-Bretanha, sua localização e data exata não são conhecidos com precisão atualmente.

A batalha é famosa porque na obra Historia Brittonum, escrita no século IX, Artur é citado como o chefe vencedor pelo lado dos britanos. As lendas ao redor deste Artur deram origem mais tarde à vasta literatura sobre o rei Artur e seus cavaleiros. Porém, a participação de um Artur histórico nesse conflito não é uma certeza, porque Gildas, que escreveu seu De Excidio Britanniae pouco tempo depois da batalha, não o menciona.

Batalha do Tâmisa

A Batalha do Tâmisa foi travada entre as forças invasoras do Império Romano, lideradas pelo general Aulo Pláucio, e os britanos em 43 às margens do rio Tâmisa no contexto da conquista romana da Britânia pelo imperador Cláudio.

Bragas

bragas (em latim: Bra(c)cae; em grego clássico: Αναξυρίδες; transl.: Anaxyrídes) eram calças ou pantalonas. Eram comuns a todas as nações que circundavam o mundo grego e mundo romano, estendendo-se do Índico ao Atlântico; Aristágoras de Mileto, em sua conversa com Cleômenes I de Esparta, teria dito: "eles carregam arcos e uma lança curta, e vão para a batalha de calças e com chapéus sobre suas cabeças". Séculos depois, o romano Propércio escreveria Bruccati militis arcus, o que designa que, em geral, os soldados que usavam calças estavam armados com arco. Os clássicos informam que, em particular, os povos que usavam pantalonas eram os medos, persas, partas, frígios, sacas, dácios, getas, sármatas, teutões, belgas, britanos e gauleses. O termo latino braccae etimologicamente está ligado aos escocês breeks e o inglês breeches, havendo correspondentes nas demais línguas europeias setentrionais.As bragas eram sobretudo de lã, mas Agátias afirma que na Europa podiam ser feitas de linho ou couro e é possível que os asiáticos as fizessem de algodão e seda. Às vezes eram listradas (virgatas) e ornamentadas com trama de várias cores. Parece que os gregos não as usaram e eram desconhecidas na República Romana. Em 69, nos tempos do Império Romano, Aulo Cecina Alieno causou grande ofensa ao fazer sua marcha pela Itália usando bragas, que eram resguardadas aos bárbaros. No século seguinte, porém, gradualmente entraram em uso em Roma, mas parece que nunca tiveram uso generalizado. Diz-se o imperador Alexandre Severo (r. 222–235) usava bragas brancas, e não carmesim, como era hábito de imperadores precedentes. Em 274, Tétrico I (r. 271–274) e seu filho Tétrico II (r. 273–274) foram paradeados em Roma no triunfo de Aureliano (r. 270–275) com bragas gaulesas. No tempo de Honório (r. 375–423), as bragas foram proibidas em Roma.

Bretões

Os bretões (em bretão: Breizhiz, Bretoned) são os integrantes de um grupo étnico que habita a região da Bretanha, na França. Sua origem vem dos grupos de falantes do britônico que colonizaram a área, vindos do sudoeste da Grã-Bretanha em duas ondas migratórias ocorridas do século IV ao VI. O idioma tradicionalmente falado por eles é o bretão (Breizh), falado por aproximadamente 365.000 pessoas, dos quais 240.000 o falam com fluência, numa população total de 4.365.600 habitantes (janeiro de 2007) na região. O bretão é parente próximo dos dois outros idiomas britônicos existentes, o córnico (mais próximo) e o galês (mais distante). A região da Bretanha recebeu o nome em sua homenagem, e seu povo é considerado uma das seis nações célticas (outra minoria linguística também existe na Bretanha, os falantes do galó).

Caledônios

Os caledônios (português brasileiro) ou caledónios (português europeu) (em latim: caledonii), é o nome dado por historiadores a um conjunto de tribos celtas da Escócia na época da Idade do Ferro. Foram primeiramente tidos como britanos, mas depois distinguidos como pictos. Eles eram inimigos do Império Romano, que possuía a Grã-Bretanha como província (Britânia). Não é sabido o nome que os caledônios referiam a si mesmos.

Eram fazendeiros que viviam em aldeias cercadas por muros e foram derrotados pelos romanos em diversas ocasiões. Apesar disso, os romanos nunca ocuparam completamente o território da Caledônia (correspondente à Escócia moderna) e a resistência dos caledônios foi um dos fatores que colaboraram com o abandono do plano romano de ocupar a área. Segundo registros romanos, os caledônios eram conhecidos como resistentes ao frio, à fome e ao sofrimento. Para conter ataques de tribos que viviam na Escócia, os romanos construíram a Muralha de Adriano, que pertence ao Patrimônio Mundial.

Campanha britânica de Agrícola

Campanha britânica de Agrícola foi uma campanha militar conduzida pelo governador romano da Britânia Cneu Júlio Agrícola entre 78 e 84, durante o reinado do imperador Domiciano, contra os povos britanos dos ordovicos, brigantes e caledônios, que viviam no território correspondente ao da moderna Escócia.

Captura de Camuloduno

Captura de Camuloduno foi uma batalha travada entre os catuvelaunos, liderados pelos filhos do rei Cunobelino, Togodumno e Carataco, e as forças invasoras do Império Romano, lideradas pelo imperador Cláudio em 43 no contexto da conquista romana da Britânia.

Ceaulino de Wessex

Ceaulino (em latim: Ceaulinus; em inglês antigo: Ceawlin/Ceaulin; m. c. 593) ou Celino (em latim: Caelinus; em inglês antigo: Celin) foi rei da Saxônia Ocidental de 560 até 592. Pode ter sido filho de Cínrico e neto de Cerdico, a quem a Crônica Anglo-Saxônica represente como líder dos primeiros saxões que chegaram na terra mais tarde conhecida como Wessex. Ceaulino estava ativo durante os últimos anos da expansão anglo-saxã, com pouco do sul da Britânia restando sob controle dos nativos britanos à época de sua morte. Morreu em 593, tendo sido deposto no ano anterior, talvez por seu sucessor Ceol. É registrado em várias fontes como tendo dois filhos, Cuta de Cutuíno, mas as genealogias nas quais essa informação é encontrada são conhecidas por serem incertas.

A cronologia da vida de Ceaulino é muito incerta. A precisão histórica e datação de muitos eventos no final da Crônica Anglo-Saxônica foi posto em discussão, e seu reinado e variadamente durante 7, 17 ou 32 anos.[a] A crônica registra várias batalhas de Ceaulino entre os anos 556 e 592, incluindo o primeiro registro de uma batalha entre diferentes grupos de anglo-saxões, e indica que sob Ceaulino a Saxônia Ocidental adquiriu território significativo, parte do qual seria mais tarde perdido para outros reinos anglo-saxões. Ceaulino é também nomeado como um dos oito bretualdas, um título dado na crônica a oito reis que tinham autoridade sobre o sul da Britânia, embora a extensão do controle de Ceaulino é desconhecida.

Ceolvulfo de Wessex

Ceolvulfo (em inglês: Ceolwulf; em latim: Ceolvulfus; m. 611) foi rei da Saxônia Ocidental entre 597 e 611.

Cerdico de Wessex

Cerdico (em inglês antigo: Cerdic; em latim: Cerdicus; (467-534) foi o rei da Saxônia Ocidental de 519 até 534, Além de ter sido o pai de Crioda (Creoda), Rei de Wessex. Todos os soberanos da Inglaterra, exceto Canuto, Hardacanuto, os dois Haroldos e Guilherme, o Conquistador, todos diziam ser descendentes de Cerdico.

Conquista romana da Britânia

Por volta de 43 d.C., momento da principal invasão romana da Britânia, a ilha já tinha sido frequente objetivo de invasões planeadas e realizadas por forças da República Romana e do Império Romano. Assim como outras regiões nos limites do império, Britânia estabelecera relações diplomáticas e comerciais com os romanos ao longo de um século desde as expedições de Júlio César em 55 a.C. e 54 a.C., e a influência económica e cultural de Roma era uma parte significativa da tardia pré-romana Idade do Ferro britânica, especialmente no sul.

Cínrico de Wessex

Cínrico (em latim: Cynricus ou Cinricus; em inglês antigo: Cynric; m. 560) foi rei da Saxônia Ocidental entre 534 até 560. Era talvez filho de Cerdico, aquele que é creditado como o primeiro chefe dos saxões ocidentais que migraram à Britânia no fim do século V. Participou em expedições militares durante seu reinado e ao morrer legou seu trono a seu filho Ceaulino, que continuou sua obra. Ele fez conquistas relevantes em seu tempo, inclusive derrotando os britanos em combate.

Escoceses

Os escoceses (em gaélico escocês: Albannaich; em inglês: Scottish people ou Scots) são os membros de um grupo étnico da Escócia. Historicamente surgiram de uma mistura de povos celtas como os pictos, os gaéis e os britanos, Povos germânicos, que invadiram a Escócia no início do século VII, principalmente anglo-saxões e colonos nórdicos, também contribuíram de uma forma significativa para a formação étnica da atual nação escocesa.

Atualmente o termo se refere a qualquer indivíduo nascido na Escócia, ou que tenha ligações genéticas ou origens familiares naquele país. O termo latino Scotti originalmente se referia a uma tribo gaélica específica, do século V, que habitava a Irlanda. Embora seja tradicionalmente considerado uma forma arcaica ou pejorativa, o termo Scotch também é utilizado para se referir ao povo escocês, embora principalmente fora do próprio país. Diversas pessoas de descendência escocesa vivem em outros países; a emigração, influenciada por fatores como as Highland e Lowland Clearances, a participação escocesa no Império Britânico e, posteriormente, o declínio industrial e o desemprego, fizeram com que os escoceses se espalhassem pelo mundo. Grandes comunidades escocesas habitam terras do Novo Mundo, como as Américas do Norte e Sul, Austrália, Nova Zelândia. A maior população de descendentes de escoceses no mundo se encontra nos Estados Unidos, seguido pelo Canadá; estes imigrantes levaram consigo a língua escocesa e a cultura de seu país.O próprio território da Escócia presenciou diversas migrações e a chegada de diferentes povos nos diferentes períodos de sua história. Os gaélicos de Dál Riada, os pictos e os britões tinham seus respectivos mitos de origem, assim como a maior parte dos povos europeus da Idade das Trevas. Povos germânicos como os anglos e os saxões começaram a chegar no país no início do século VII, enquanto os nórdicos colonizaram diversas regiões da Escócia a partir do século VIII. Na Alta Idade Média, a partir do reinado de Davi I da Escócia, inciou-se alguma migração vinda da França, Inglaterra e dos Países Baixos; diversos sobrenomes tradicionais escoceses, incluindo Bruce, Balliol, Murray e Stewart, chegaram no país neste período.

Invasões da Britânia por Júlio César

As Invasões da Britânia por Júlio César foram duas campanhas bélicas dirigidas pelo general da República Romana Júlio César contra o sul da ilha da Grã-Bretanha, conhecida como Britania pelos romanos. Durante a Guerra das Gálias, César invadiu a ilha por duas ocasiões: em 55 e 54 a.C. A primeira invasão decorreu no verão e desconhece-se se foi planejada como uma invasão em grande escala (se fosse assim, foi um insucesso, pois Roma apenas pôde conquistar a praia de Kent e pouco mais), ou como uma missão de reconhecimento. A segunda teve mais sucesso, e César conseguiu restaurar no trono dos trinovantes o seu aliado Mandubrácio, depondo o seu rival Cassivelauno. Embora César não conseguisse conquistar territórios para a república, o sucesso da campanha radical em que Roma contou com os seus primeiros aliados na ilha e impôs os primeiros tributos entre as tribos da Britânia.

Lista de governadores romanos da Britânia

Esta é uma lista parcial dos governadores romanos da Britânia entre 43 e 409. Como província unificada, a Britânia romana era uma província consular, ou seja, seus governadores precisavam primeiro servir como cônsules romanos em Roma antes de assumirem o cargo, seja como cônsules ordinários ou sufectos. Depois que Britânia foi dividida, primeiro em duas províncias (no início do século III), e depois em quatro (293), os governadores posteriores passaram a ser equestres.

Nem todos os governadores foram registrados pelos historiadores romanos e muitos dos listados aqui foram identificados através de evidências epigráficas ou de fontes como as cartas de Vindolanda. Depois da reconvocação de Cneu Júlio Agrícola, em 85, as datas dos mandatos dos governadores cujos nomes pôde ser identificado são inferências. Muitos governadores são completamente anônimos e, na época da divisão da Britânia em províncias separadas, o registro histórico é bastante fragmentário.

Taliesin

Taliesin (534 - 599) foi um poeta britano da Britânia pós-romana cuja obra talvez sobreviveu em manuscrito em galês médio, o Livro de Taliesin. Era um renomeado bardo que se acredita ter cantado na corte de ao menos três reis britanos. Na mitologia e poesia galesa medieval, é referido como Taliesin Ben Beirdd ("Taliesin, Príncipe dos Bardos") pois excedia a seus coetâneos na arte poética. Dentre suas presumidas obras há uma awdl ou ode que contem um resumo da história do mundo na qual há uma estrofe que trata do destino dos britanos. A maioria dos poemas do Livro de Taliesin é relativamente recente (aproximadamente dos séculos X e XII), mas ao menos doze deles são, de acordo com Ifor Williams, contemporâneos ao bardo.

Vexilação

Vexilação (em latim: vexillatio) era um destacamento formado ad hoc no exército do Império Romano. Podia compreender desde uma ou várias coortes de uma legião, até uma mistura de centúrias e decúrias extraídas de várias unidades, legiões e unidades auxiliares.

A princípio do Império, sob a dinastia júlio-claudiana, as unidades do exército romano costumavam ser destinadas completas para cobrirem determinadas funções, mas, a partir da dinastia Flávia, à medida que as unidades eram estabelecidas em acampamentos estáveis e permanentes, foi cada vez mais difícil deslocar unidades completas, exceto no caso de grandes campanhas. Por isso recorreu-se progressivamente a formar destacamentos ou vexilações.

No século III, os vexilações foram utilizadas como uma flexível ferramenta que permitia reunir tropas para controlar as numerosas situações de emergência às quais se viu submetido o Império, assim, por exemplo, Caio Suetônio Paulino durante a revolta de Boudica enfrentou os Britanos com uma Legião (a XIV) e um vexilação da XX na Batalha de Watling Street, deixando o restante da Legio XX Valeria Victrix defendendo as fortificações da sua campanha em Gales.

Muitos destes destacamentos foram tornando-se definitivos, de maneira a que sob Diocleciano e Constantino terminaram por se tornar alguma das novas unidades militares do Baixo Império, quer legiões, quer auxilia palatina.

Noutras línguas

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