Autoridade Nacional Palestiniana

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A Autoridade Nacional Palestiniana (pt) ou Palestina (pt-BR) (ANP ou AP; em árabe: السلطة الوطنية الفلسطينية, transl As-Sulta Al-Wataniyya Al-Filastiniyya; em hebraico: הרשות הפלסטינית, Harashut Hafalastinit) é o órgão provisório de autogoverno estabelecido em 1994, após o Acordo Gaza-Jericó, para governar a Faixa de Gaza e as Áreas A e B da Cisjordânia,[2] como consequência dos Acordos de Oslo de 1993.[3][4] Desde as eleições de 2006 e o ​​subsequente conflito de Gaza entre os partidos Fatah e Hamas, a sua autoridade se estende apenas nas áreas A e B da Cisjordânia. Desde janeiro de 2013, a Autoridade Palestina, controlada pelo Fatah, usa o nome "Estado da Palestina" em documentos oficiais.[5][6][7]

A Autoridade Palestina foi formada em 1994, nos termos dos Acordos de Oslo entre a Organização de Libertação da Palestina (OLP) e o governo de Israel, como órgão provisório de cinco anos. Novas negociações deveriam então acontecer entre as duas partes em relação ao seu estatuto final. De acordo com os Acordos de Oslo, a Autoridade Palestina foi designada para ter o controle exclusivo de questões relacionadas com a segurança e as necessidades de civis em áreas urbanas palestinas (referida como "Área A") e apenas o controle civil sobre as áreas rurais palestinas ("Área B"). O restante dos territórios, incluindo os assentamentos israelenses, a região do Vale do Jordão e as estradas entre as comunidades palestinas, permaneceram sob controle militar israelense ("Área C"). Jerusalém Oriental foi excluída dos Acordos. As negociações com vários governos israelenses resultaram em controle adicional de algumas áreas pela ANP, mas o controle foi perdido em algumas regiões quando as Forças de Defesa de Israel (FDI) retomaram várias posições estratégicas durante a Segunda Intifada (Al-Aqsa). Em 2005, Israel se retirou unilateralmente dos seus assentamentos na Faixa de Gaza, expandindo assim o controle da Autoridade Palestina para toda a faixa,[8] enquanto Israel manteve o controle das fronteiras, do espaço aéreo e da costa marítima do território.[9]

Nas eleições legislativas palestinas de 25 de janeiro de 2006, o Hamas emergiu vitorioso e nomeou Ismail Haniyeh como primeiro-ministro da Autoridade. No entanto, o governo palestino da unidade nacional efetivamente entrou em colapso, quando um conflito violento entre o Hamas e o Fatah entrou em erupção, principalmente na Faixa de Gaza. Depois que a Faixa de Gaza foi tomada pelo Hamas em 14 de junho de 2007, o presidente da Autoridade, Mahmoud Abbas, rejeitou o governo de unidade liderado pelo Hamas e nomeou Salam Fayyad como primeiro-ministro, rejeitando Haniyeh. O movimento não foi reconhecido pelo Hamas, resultando em duas administrações distintas: a Autoridade Palestina, liderada pelo Fatah, controla a Cisjordânia, enquanto o governo rival do Hamas domina a Faixa de Gaza. O processo de reconciliação para unir os dois governos palestinos conseguiu algum progresso ao longo dos anos, mas não produziu uma reunificação.

A ANP recebeu assistência financeira da União Europeia e dos Estados Unidos (aproximadamente 1 bilhão de dólares em 2005). Todas as ajudas diretas foram suspensas em 7 de abril de 2006, como resultado da vitória do Hamas nas eleições parlamentares.[10][11] Pouco tempo depois, os pagamentos foram retomados, mas foram direcionados diretamente para os escritórios de Mahmoud Abbas na Cisjordânia.[12] Desde o dia 9 de janeiro de 2009, quando o mandato de Mahmoud Abbas como presidente deveria ter terminado e eleições terem sido convocadas, os partidários do Hamas na Faixa de Gaza deixaram de reconhecer a sua Presidência e, em vez disso, consideram Aziz Dweik, que atuou como presidente do Conselho Legislativo da Palestina, para ser o Presidente interino até que novas eleições fossem realizadas.[13][14] Em novembro de 2012, as Nações Unidas reconheceram a Palestina como uma entidade observadora.[15][16][17]

História

Criação

Bill Clinton, Yitzhak Rabin, Yasser Arafat at the White House 1993-09-13
Yitzhak Rabin e Yasser Arafat dão as mãos, acompanhados por Bill Clinton, quando ocorreu a assinatura dos Acordos de Oslo, em 13 de setembro de 1993

A Autoridade Nacional Palestiniana surgiu como resultado dos Acordos de Oslo, assinados em setembro de 1993 por Israel e a Organização para a Libertação da Palestina. Nos termos estabelecidos, a autoridade deveria existir até maio de 1999. No fim deste período, esperava-se ter resolvido o estatuto final dos territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, ocupados por Israel após a vitória na Guerra dos Seis Dias de 1967. A Autoridade Nacional Palestiniana deveria administrar parte significativa destes territórios, assegurando através de forças policiais próprias a segurança dos territórios.

Em maio de 1994, Israel retirou-se de partes da Faixa de Gaza e da cidade de Jericó na Cisjordânia e em pouco tempo a autoridade entrou em funções. Os seus primeiros membros não foram eleitos, sendo membros da OLP. A autoridade assumiu o controle da educação, da saúde, turismo e finanças.

Apesar da oposição a este processo, oriunda quer do lado palestiniano, quer do lado israelita, a 28 de setembro de 1995 Arafat e o primeiro-ministro israelense Rabin assinaram um acordo em Washington no qual se previa a expansão do controlo da ANP na Cisjordânia, assim como a realização de eleições para a presidência da ANP e para o Conselho Legislativo da Palestina. As cidades de Jenin, Nablus, Tulkarm, Belém, Qalqilyah e Ramallah, todas situadas na Cisjordânia, passaram para o controlo da ANP. Em outubro de 1995, Israel entregou pequenas aldeias da Cisjordânia à ANP.

Em janeiro de 1996, tiveram lugar as primeiras eleições para a presidência da Autoridade Nacional Palestiniana e para o Conselho Legislativo da Palestina. Yasser Arafat foi eleito presidente com 87,1% dos votos, ocupando o cargo até à sua morte em dezembro de 2004. O seu partido, o Fatah, ganhou 55 dos 88 lugares do conselho.

O cargo de primeiro-ministro da ANP foi criado em 2003 pelo Conselho Legislativo da Palestina, em larga medida por sugestão dos Estados Unidos, tendo sido Mahmoud Abbas (eleito presidente da ANP em janeiro de 2005) o primeiro a ocupar o cargo.

Em fevereiro de 2005, o primeiro-ministro de Israel Ariel Sharon e Mahmoud Abbas encontraram-se numa cimeira em Sharm al-Sheikh e declararam uma trégua que terminou com a Intifada de Al-Aqsa. Em setembro do mesmo ano, Israel deu por terminada a retirada dos seus colonatos da Faixa de Gaza e, a partir de então, a ANP passou a assumir o controlo daquele território.

Ruptura de 2006

Em janeiro de 2006, o Hamas, grupo considerado terrorista pelo governo de Israel, venceu as eleições parlamentares e formou governo com Ismail Haniya como primeiro-ministro. Analistas políticos consideraram a derrota do partido moderado Fatah nas eleições resultado da insatisfação da população palestina com a incompetência e corrupção do partido Fatah, que detinha o poder da Autoridade Palestina.

No dia 15 de junho, após uma série de conflitos na ANP, o Presidente Mahmoud Abbas destituiu Ismail Haniyeh do cargo de primeiro-ministro e nomeou Salam Fayyad como primeiro-ministro palestino. O Hamas rejeitou Salam Fayyad e disse que vai continuar controlando a ANP.

Política

PS-Ramallah view
Ramallah, atual capital da ANP

A Autoridade Nacional Palestiniana é composta por um ramo executivo e por um ramo legislativo.

O ramo executivo é encabeçado pelo presidente, eleito para um mandato de cinco anos, podendo ser reeleito uma vez. O presidente nomeia um primeiro-ministro que governa acompanhado pelos ministros do seu gabinete. O cargo de primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana é recente, tendo sido instituído em maio de 2003.

O ramo legislativo corresponde ao Conselho Legislativo Palestiniano, órgão composto por 132 membros eleitos pelos palestinianos maiores de 18 anos residentes na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

Relações internacionais

Ao longo dos anos o reconhecimento da Autoridade Nacional Palestina como um Estado é cada vez maior e já ultrapassa 100 países. Em dezembro de 2010, o Brasil passou também a reconhecer, formalmente, o Estado palestino.[18] Em 29 de novembro de 2012, a Assembleia Geral das Nações Unidas elevou o status da Palestina para Estado observador. Para muitos, é um passo para o reconhecimento do Estado Palestino. A resolução A/67/L28 deixou a Autoridade Nacional Palestina com um estatuto semelhante ao da Santa Sé nas Nações Unidas. Em 01 de abril de 2015, a Autoridade Palestina entrou oficialmente para o Tribunal Penal Internacional (TPI).[19]

Subdivisões

Palestinian National Authority within Israel, 2006
Mapa mostrando a área sob controle formal da ANP (área A e B da Cisjordânia, em verde escuro). A Faixa de Gaza, em verde claro, está sob controle do Hamas

Após a assinatura dos Acordos de Oslo, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza foram divididas em áreas (A, B e C) e províncias (ou "governorates"). A área A refere-se à área sob segurança e controle civil da ANP. A área B, refere-se a área sob controle militar de Israel e controle civil palestino. A área C refere-se à área sob total controle israelense, como assentamentos.

Desde a Batalha de Gaza (2007) a maior parte da Faixa de Gaza está sob controle do Hamas, com a Autoridade Palestina afirmando que já não tem, oficialmente, o controle da Faixa de Gaza.[20]

A ANP divide os territórios palestinos em 16 províncias:

  • Província de Jenin
  • Província de Tubas
  • Província de Nablus
  • Província de Tulcarém
  • Província de Salfit
  • Província de Calquília
  • Província de Ramallah and al-Bireh
  • Província de Jericó
  • Província de Jerusalém
  • Província de Belém
  • Província de Hebrom
  • Província Norte
  • Província de Gaza
  • Província de Deir el-Balah
  • Província de Khan Yunis
  • Província de Rafa

Economia

Bank Of Palestine - Ramallah
Banco da Palestina em Ramala
Picking Lettuce in Artas, West Bank, Palestine
Colheita de alface na vila de Artas

Em 2007, a economia na Cisjordânia melhorou gradualmente. A economia da Cisjordânia tem mostrado um curso de desenvolvimento completamente distinta do da Faixa de Gaza. O crescimento econômico para as áreas ocupadas atingiu cerca de 4-5% e a taxa de desemprego caiu para cerca de 3%. Estimativas israelenses indicam que os salários na Cisjordânia aumentaram mais de 20% em 2008 e o comércio cresceu cerca de 35%. O turismo em Belém dobrou os seus níveis anteriores e o turismo aumentou 50% em Jericó.[21] O relatório do Fundo Monetário Internacional para a Cisjordânia previa uma taxa de crescimento de 7% para 2009. As vendas de automóveis em 2008 duplicaram em relação a 2007. A primeira cidade planejada palestina, chamada Rawabi, será construída ao norte de Ramallah, com a ajuda de fundos do Qatar.[22] Os militares israelenses removeram cerca de 200 postos de controle e bloqueios em uma série de reduções nas medidas de segurança.[23]

Os negócios internacionais com base na Cisjordânia deverão se beneficiar de um sistema baseado na web para acompanhamento das mercadorias que entram e saem da área, lançado em agosto de 2009 pelas autoridades aduaneiras palestinianas em parceria com a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento.[24]

Vários esforços já começaram através do Plano Vale da Paz, estabelecendo parques industriais através da ajuda de oficiais israelenses e de governos europeus.

A cooperação econômica entre as autoridades israelenses em Gilboa e funcionários palestinos em Jenin, começou a trazer grandes resultados e benefícios. Em outubro de 2009, um novo projeto teve início com a promoção do turismo e das viagens entre as duas áreas. Os esforços de novos negócios e atrações turísticas foram sido iniciadas em Jenin.[25] As duas regiões estão a planejar uma zona industrial conjunta que ligaria a fronteira. Palestinos produzem artesanato produzidos localmente e vendê-los através de Gilboa para outras regiões do mundo.[26]

Em 2009, o crescimento econômico da região foi de 7%, superior ao de Israel e do Ocidente. O turismo em Belém, que dobrou para 1 milhão em 2008, subiu para quase 1,5 milhões em 2009. As importações de carros novos aumentaram 44%. Um shopping novo foi inaugurado em Jenin e Nablus.

De acordo com o Fundo Monetário Internacional, a economia da Faixa de Gaza e da Cisjordânia cresceu 9% e 16%, respectivamente, em 2010. Autoridades israelenses alegaram os novos dados do FMI mostram as "políticas relaxadas de Netanyahu" em relação à Autoridade Palestina, incluindo a "eliminação de centenas de bloqueios". O FMI acredita que a Autoridade Palestina tem conseguido reformar seu setor financeiro nos "últimos 12 meses", incluindo o estabelecimento de normas de um sistema bancário internacional e do sistema de pontuação de crédito modernos que permitem aos palestinos pedir o empréstimos de forma mais fácil.[27]

Infraestrutura

Educação

A Universidade Al-Aqsa é uma universidade palestina estabelecida nos Territórios Palestinos na Faixa de Gaza desde 1991.

Ver também

Referências

  1. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ed. (24 de julho de 2014). «Human Development Report 2014» (PDF) (em inglês). Consultado em 2 de agosto de 2014
  2. Palestinian Authority definition of Palestinian Authority in the Free Online Encyclopedia. Encyclopedia2.thefreedictionary.com (2012-04-11). Retrieved on 2013-08-25.
  3. Rudoren, Jodi. «The Palestinian Authority». The New York Times
  4. «The Palestinian government». CNN. 5 de abril de 2001. Consultado em 26 de novembro de 2012
  5. Palestine: What is in a name (change)? - Inside Story. Al Jazeera English. Acxessado em 25 de agosto de 2013.
  6. WAFA – Palestine News & Information Agency, Presidential Decree Orders Using ‘State of Palestine’ on all Documents Arquivado em 15 de janeiro de 2013[Erro data trocada] no Wayback Machine.. 8 de janeiro de 2013
  7. Associated Press (5 de janeiro de 2013). «Palestinian Authority officially changes name to 'State of Palestine'». Haaretz Daily Newspaper
  8. P R. Kumaraswamy, The A to Z of the Arab-Israeli Conflict, Scarecrow Press, 2009 p.xl.
  9. «Israel completes Gaza withdrawal». BBC News. 12 de setembro de 2005. Consultado em 16 de março de 2016
  10. US suspends aid to Palestinians, BBC News, 7 de abril de 2006, consultado em 7 de abril de 2006
  11. Abbas warns of financial crisis, BBC News, 20 de fevereiro de 2006, consultado em 19 de fevereiro de 2006
  12. Akiva Eldar, «U.S. to allow PA funds to be channeled through Abbas office», Haaretz
  13. Patrick Martin (18 de julho de 2009), «Fancy that, a moderate in Hamas», Toronto, The Globe and Mail, consultado em 3 de agosto de 2009
  14. Hamas Says Dweik 'Real President' until Elections are Held, Al-Manar, 25 de junho de 2006, consultado em 3 de agosto de 2009 [ligação inativa]
  15. Gharib, Ali (20 de dezmebro de 2012). «U.N. Adds New Name: "State of Palestine"». The Daily Beast. Consultado em 10 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 1 de janeiro de 2013 Verifique data em: |data= (ajuda)
  16. Permanent Observer Mission of the State of Palestine to the United Nations - State of Palestine Permanent Observer Mission to the United Nations Arquivado em 31 de janeiro de 2013 no Wayback Machine.. Un.int. Retrieved on 2013-08-25.
  17. «A/67/L.28 of 26 November 2012 and A/RES/67/19 of 29 November 2012». Unispal.un.org. Consultado em 2 de dezembro de 2012. Arquivado do original em 10 de dezembro de 2012
  18. «Brasil reconhece Estado palestino». O Globo. Consultado em 3 de dezembro de 2010
  19. «Estadão - Autoridade Nacional Palestina se torna oficialmente membro do TPI». 1 de abril de 2015. Consultado em 1 de abril de 2015
  20. «Gaza» (em inglês). CNN [ligação inativa]
  21. Isabel Kershner e Ethan Bronner (24 de dezembro de 2008). «Palestinians Work to Jolt West Bank Back to Life» (em inglês). NY Times
  22. «New Palestinian city to be built» (em inglês)
  23. «Signs of hope emerge in the West Bank, New York Times» 🔗 (em inglês)
  24. «New Customs System» (em inglês)
  25. «Jenin now open to Arab-Israeli and foreign tourists» (em inglês). RON FRIEDMAN, jpost.com, 10/9/09
  26. RON FRIEDMAN (15 de setembro de 2010). «Mutually assured prosperity». jpost.com
  27. «IMF: Palestinian Economy Is Growing»

Ligações externas

ANP

ANP ou Anp pode referir-se a:

Academia Nacional de Polícia - Instituição de formação no Brasil

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - Agência regulatória brasileira.

Autoridade Nacional Palestiniana (PT) ou Autoridade Nacional Palestina (BR).

Acção Nacional Popular, designação do partido único existente em Portugal, durante o governo de Marcello Caetano.

Peptídeo natriurético atrial, ANP na sigla em inglês.

AP

AP pode referir-se a:

Associated Press, agência de notícias.

Ascoli Piceno (província), província de Itália.

Amapá - Sigla do estado do Amapá, Brasil.

Autoridade Nacional Palestiniana - Autoridade Palestiniana (PT) ou Autoridade Palestina (BR).

Assembleia Paraense - Clube situado no Estado do Pará

Volkswagen AP - Motor produzido pela Volkswagen.

Antes do Presente - Termo arqueológico.

Access point - Ponto de Acesso em redes sem fio

Apartamento

Ap. (Boletim ) Aprovado

Aeroporto Internacional Yasser Arafat

O Aeroporto Internacional Yasser Arafat (trad. do árabe: مطار ياسر عرفات الدولي) (IATA: GZA, ICAO: LVGZ), antigamente chamado de Aeroporto Internacional de Gaza e Aeroporto Internacional Dahaniya, era um aeroporto localizado em Rafah, na Faixa de Gaza, perto da fronteira com o Egito.

Foi idealizado como consequência dos Acordos de paz de Oslo na década de 1990 e contou com fundos oriundos de Japão, Egipto, Arábia Saudita, Espanha e Alemanha. Sua arquitetura foi de inspiração islâmica, em especial do Aeroporto Internacional Mohammed V em Casablanca, e sua construção sob responsabilidade de arquitetos marroquinos.

Foi inaugurado a 24 de Novembro de 1998, numa cerimónia à qual compareceram o então presidente dos Estados Unidos da América Bill Clinton, Yasser Arafat e convidados internacionais como Miguel Moratinos, representante da União Europeia. Em seu primeiro dia de funcionamento aterraram nove aeronaves, sendo o primeiro egípcio.

É de propriedade e foi administrado pela Autoridade Nacional Palestiniana, até ter tido suas atividades encerradas por ordem do estado de Israel, que alegou questões de segurança.

A torre e o radar foram destruídos em um bombardeiro das Forças de Defesa de Israel, pouco depois do início da segunda Intifada. Bulldozers destruíram a pista em 10 de janeiro de 2002, tornando o aeroporto em estado de inoperabilidade desde então.Depois da morte de Arafat, o aeroporto foi renomeado com o nome deste líder.

Ahmed Qorei

Ahmed Qorei ou Ahmed Qurei é um político palestiniano que desempenhou funções de primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana entre Outubro de 2003 e Fevereiro de 2006. É também conhecido como Abu Ala.

Nasceu em Abu Dis, perto de Jerusalém, em 1937, numa família de comerciantes.

Em 1968 torna-se militante da Fatah, principal grupo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Alcançou proeminência na organização em meados da década de 1970, quando se tornou responsável pela gestão das empresas da OLP no Líbano.

Quando a OLP foi obrigada a abandonar o Líbano em 1983, Qorei partiu com Yasser Arafat para Tunes. No mesmo ano tornou-se chefe do Departamento de Economia do Comité Executivo da OLP. Em 1989 foi nomeado membro do Comité Central da Fatah.

Foi chefe da delegação palestiniana nas negociações secretas que conduziriam aos Acordos de Oslo de Setembro de 1993. No mesmo ano apresentou um plano de desenvolvimento da economia palestiniana numa conferência do Banco Mundial. Foi também responsável pela estruturação do Conselho Palestiniano para o Desenvolvimento e Reconstrução, que recebe a ajuda internacional dada aos territórios palestinianos.

Entre 1994 e 1996 desempenhou funções de ministro da Economia e Comércio e ministro da Indústria na Autoridade Nacional Palestiniana. Em Janeiro de 1996 foi eleito membro do Conselho Legislativo da Palestina por Jerusalém. Foi também presidente deste órgão.

Após a demissão de Mahmoud Abbas como primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana no dia 6 de Setembro de 2003, Yasser Arafat nomeou Qorei como novo primeiro-ministro a 5 de Outubro de 2003. Logo após a sua tomada de posse, envolveu-se no disputa com Arafat em torno de quem deveria ser o ministro do Interior, chegando a ameaçar demitir-se.

A 17 de Julho de 2004 apresentou a sua demissão a Arafat devido a distúrbios na Faixa de Gaza que não foi possível controlar. Arafat recusou o pedido e Qorei permanece como primeiro-ministro.

A 15 de Dezembro de 2005 anuncia a sua demissão devido à sua intenção em se candidatar ao parlamento palestiniano, mas regressa ao cargo nove dias depois, uma vez que desistiu da sua intenção em se candidatar. No dia 26 de Janeiro de 2006 demitiu-se em resultado da vitória do Hamas nas eleições.

Ahmed Qorei sofre de problemas cardíacos. É casado e tem cinco filhos.

Brasão de armas da Palestina

O brasão de armas da Palestina (Autoridade Nacional Palestiniana) é o brasão de armas utilizado pela Autoridade Nacional Palestiniana. Ele apresenta as cores pan-árabes da bandeira palestiniana sobre um escudo com a Águia de Saladino. Abaixo, um painel diz "السلطة الفلسطينية", em árabe significa: "A Autoridade Palestiniana".

Cisjordânia

Cisjordânia (em árabe: الضفة الغربية, ad-l-Ġarbiyyah Ḍaffah) é uma área de 5.640 quilômetros quadrados, com 40 km de comprimento e 20 km de largura, delimitada a leste pelo rio Jordão e pelo Mar Morto, e a oeste, norte e sul pela Linha Verde - demarcação estabelecida no Armistício israelo-árabe de 1949.

Com exceção de Jerusalém Oriental, a Cisjordânia não foi formalmente anexada por Israel e, por isso, segundo a lei internacional, não pertence de jure a nenhum Estado desde a renúncia de soberania, por parte da Jordânia, que se mantinha desde a anexação ilegal, em 1948. Deste modo, aguarda uma resolução do seu estatuto definitivo (juntamente com a Faixa de Gaza) em futuras rondas negociais entre israelitas e palestinianos. Israel não concorda que o quarto convénio de Genebra se refira "ao território palestiniano ocupado" argumentando com "o não reconhecimento da soberania do território antes de sua anexação (ilegal) pela Jordânia e Egito", discordando assim do Tribunal Internacional de Justiça, da Autoridade Palestiniana, que governa a Cisjordânia, e do Hamas, que governa a Faixa de Gaza.Até 1948, o território integrava a parcela remanescente da Palestina histórica, a qual foi dividida em três partes: uma parte passou a integrar o Estado de Israel e as duas outras, Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ambas de maioria árabe-palestina, deveriam integrar um Estado palestiniano, a ser criado conforme a Resolução 181 das Nações Unidas (1947), com a anuência da anterior potência colonial da zona, o Reino Unido.

A Resolução 181 das Nações Unidas previa a criação de dois Estados: Israel e Palestina. No entanto os árabes não aceitaram e declararam guerra a Israel, dando início à guerra árabe-israelense de 1948. Em Março de 1977, Zahir Muhsein, membro executivo da Organização de Libertação da Palestina (OLP), disse em entrevista ao jornal holandês Trouw: "Não existe 'povo palestiniano'. A criação de um Estado palestiniano é apenas um meio para continuar a nossa luta contra o Estado de Israel em nome da unidade árabe. Na realidade, hoje não há nenhuma diferença entre jordanianos, palestinos, sírios ou libaneses."Após a Guerra dos Seis Dias algumas porções dispersas passaram a ser administradas pela Autoridade Nacional Palestiniana, mas Israel mantém o controle das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação, com 700 quilômetros de extensão que tem vindo a reduzir "os ataques com homens-bomba vindos da Cisjordânia"

Conselho Legislativo da Palestina

O Conselho Legislativo da Palestina, também designado como Conselho Legislativo Palestiniano em Portugal ou Conselho Legislativo Palestino no Brasil, é o parlamento da Autoridade Nacional Palestiniana. É um órgão unicameral, composto por 132 membros, eleitos a partir dos 16 distritos eleitorais da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Inicialmente contava com 88 membros, mas uma lei aprovada em Junho de 2005 aumentou o seu número para 132. As suas instalações encontram-se na cidade de Gaza.

Estado da Palestina

O Estado da Palestina (em árabe: دولة فلسطين, Dawlat Filasṭīn) é um Estado de jure que reivindica soberania sobre os territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e que designa Jerusalém Oriental como sua capital, apesar de seu centro administrativo estar localizado na cidade de Ramallah. A sua independência foi declarada em 15 de novembro de 1988 pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e por seu governo no exílio em Argel, na Argélia. No entanto, a maioria das áreas reivindicadas pelos palestinos estão ocupadas por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Em 1993, os Acordos de Oslo estabeleceram a Autoridade Nacional Palestina, que realiza a administração sócio-política de áreas delimitadas dos territórios, enquanto o Hamas controla a Faixa de Gaza.

Em outubro de 1974 a cúpula da Liga Árabe designou a OLP como o "único representante legítimo do povo palestino" e reafirmou "o seu direito de estabelecer um Estado independente com urgência". Em novembro de 1974, a OLP foi reconhecida como competente em todos os aspectos referentes à questão Palestina e os palestinianos ganharam reconhecimento implícito de soberania pela Assembleia Geral da ONU, que concedeu-lhe o estatuto de observador como uma "entidade não estatal" dentro da organização. Depois da declaração de independência de 1988, a Assembleia Geral oficialmente "reconheceu" a proclamação e decidiu usar a designação "Palestina", ao invés de "Organização para a Libertação da Palestina". Apesar desta decisão, a OLP não participa da ONU na qualidade de governo da Palestina.Em 1993, com os Acordos de Oslo, o governo israelense reconheceu a equipe negociadora da OLP como "representante do povo palestino", com a condição de que a OLP reconhecesse o direito do Estado de Israel de existir em paz, aceitasse as resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU e rejeitasse "a violência e o terrorismo". Como resultado, em 1994 a OLP estabeleceu a administração territorial da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que exerce algumas funções governamentais em partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Em 2007, o Hamas assumiu o governo da Faixa de Gaza, o que dividiu os palestinos politicamente e territorialmente. O Fatah, de Mahmoud Abbas, ficou com o governo de grande parte da Cisjordânia, enquanto o Hamas obteve o controle da Faixa de Gaza. Em abril de 2011, os partidos palestinos assinaram um acordo de reconciliação, mas a sua implementação foi suspensa, até que um governo de unidade foi formado no dia 2 de junho de 2014.Em 29 de novembro de 2012, a Assembleia Geral da ONU aprovou em uma votação a Resolução 67/19, que atualiza o estatuto da Palestina de uma "entidade observadora" para um "Estado observador não membro" dentro do sistema das Nações Unidas, o que foi descrito como o reconhecimento de facto da soberania da OLP sobre os territórios palestinos. Em 17 de dezembro de 2012, a ONU declarou que "a designação de 'Estado da Palestina' será utilizada pelo secretariado em todos os documentos oficiais das Nações Unidas". Em 27 de setembro de 2013, 134 (69,4%) dos 193 países-membros das Nações Unidas reconheceram a existência do Estado da Palestina. Muitos dos países que não reconheceram o Estado palestino, no entanto, reconhecem a OLP como "representante do povo palestino".

Faisal Husseini

Faisal Husseini (Bagdá, 17 de julho de 1940 – Cidade do Kuwait, 31 de maio de 2001) foi um político palestiniano.

Ismail Haniya

Ismail Haniya (árabe: إسماعيل هنية) (Cidade de Gaza, 1962) é um político do Hamas. No dia 21 de Fevereiro de 2006 tornou-se primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), na sequência da vitória do seu movimento político nas eleições legislativas palestinianas de 25 de Janeiro de 2006.

Ismail Haniya nasceu no campo de refugiados de Al-Shati (Shati), perto da cidade de Gaza. Os seus pais tornaram-se refugiados no contexto da guerra de 1948 entre Israel e os seus vizinhos árabes, tendo sido residentes naquilo que é hoje a cidade israelita de Ascalão.

Formou-se em Literatura Árabe na Universidade Islâmica de Gaza no ano de 1987. Durante a sua passagem pela universidade integrou o "Bloco de Estudantes Islâmicos", um movimento que seria precursor do Hamas.

Em 1987 iniciou-se a Intifada, ou levantamento da população árabe residente nos Territórios Ocupados (Faixa de Gaza e Cisjordânia) por Israel em 1967. Com 43 anos, Haniya foi um dos mais jovens fundadores do Hamas. Nesse ano, Haniya foi detido pelas autoridades israelitas por participar nos protestos e mais tarde libertado. Em 1988 voltou a ser novamente detido pelas autoridades de Israel e condenado a três anos de cadeia.

Em 1992 Haniya foi libertado e deportado junto com outros militantes do Hamas para o sul do Líbano, sob a acusação de terrorismo. No ano seguinte regressou a Gaza, onde foi nomeado reitor da Universidade Islâmica.

Haniya e outros membros do Hamas seria mais tarde detidos pela Autoridade Palestiniana, que considerava a ideologia e actividades do grupo (responsável pelo assassinato de civis israelitas) uma ameaça aos Acordo de Paz de Oslo.

No fim dos anos 90 tornou-se próximo do xeque Ahmed Yassin, líder espiritual do Hamas. Chegou a chefiar o escritório de Yassin quando o xeque saiu da prisão em 97. Com o assassinato de Abdal-Aziz al-Rantisi em 2003 e do xeque Yassin em 2004 (em ambos os casos as mortes foram executadas por Israel), Haniya consolidou a sua posição como líder do Hamas.

Dentro do Hamas - movimento considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia - Ismail Haniya é visto como um moderado da ala política do grupo, aberto ao diálogo com Israel. Ele foi o primeiro dirigente do Hamas a telefonar para o presidente da ANP e da Fatah, Mahmoud Abbas, e propor uma aliança política, depois de divulgados os resultados da eleição. No dia 20 de fevereiro de 2006, Abbas aprovou a nomeação de Haniya como primeiro-ministro.

Em maio de 2011, Haniya condenou a operação norte-americana que matou Osama bin Laden, responsável pelos Ataques de 11 de setembro de 2001, denominando bin-Laden de "guerreiro sagrado" e a operação como um "assassinato". Segundo Haniya, a operação faz parte da política americana baseada na opressão e no derramamento de sangue árabe e muçulmano, e pediu a Deus piedade para bin-Laden, junto com os verdadeiros crentes e mártires; o porta-voz americano Mark Toner reagiu com indignação, lembrando que bin-Laden era um terrorista, ordenando o assassinato de milhares de homens, mulheres e crianças, vários dos quais eram muçulmanos.

== Referências ==

Jenin

Jenin (em árabe: ; em hebraico: ג 'נין) é a terceira maior cidade da Cisjordânia e um importante centro agrícola palestino. Em 2007, a cidade tinha 39 004 habitantes — além da população do campo de refugiados adjacente, estabelecido pela ONU em 1953 e também chamado Jenin, onde viviam 10 371 pessoas. Embora a cidade esteja formalmente sob a administração da Autoridade Nacional Palestiniana, foi invadida por militares israelenses durante a Operação Escudo Defensivo, em 2002. O Tzahal realiza incursões regulares ao local desde então.

Lista de países da Ásia e do Pacífico por Índice de Desenvolvimento Humano

Esta é uma lista de países da Ásia e do Pacífico ordenada por Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como incluída no Relatório de Desenvolvimento Humano de 2014 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização das Nações Unidas (ONU), compilado com base em dados de 2013 e publicada no dia 24 de julho de 2014. Cobre sessenta países de ambos os continentes (alguns deles transcontinentais), além de Hong Kong (região administrativa especial da República Popular da China) e da Autoridade Nacional Palestiniana (Estado observador da ONU). Alguns países não são incluídos devido à falta de dados.

Mahmoud Abbas

Mahmoud Zeidan Abbas (em árabe:محمود عباس), também conhecido pelo nome de guerra Abu Mazen(ابو مازن; Safed, Galileia, 26 de março de 1935) é um político palestino, atual presidente da Autoridade Nacional Palestiniana desde 2005.

Província de Jenin

A Província de Jenin ( en árabe : محافظة جنين) é uma das 16 províncias da Autoridade Nacional Palestiniana. Está situada no norte da Cisjordânia. É composta por 15 municípios e é governada por Qadoura Mousa.

Província de Nablus

A Província de Nablus ( en árabe : محافظة نابلس) é uma das 16 províncias da Autoridade Nacional Palestiniana. Está situada no noroeste da Cisjordânia, 53 Km ao norte de Jerusalém. Compreende a área ao redor da cidade de Nablus, que é a sede do governo. A província é governada por Mahmoud Aloul.

Província de Salfit

A Província de Salfit ( en árabe : سلفيت محافظة) é uma das 16 províncias da Autoridade Nacional Palestiniana. Está situada no noroeste da Cisjordânia, limitando-se com a Província de Ramallah and al-Bireh (ao sul), Nablus (a leste) e Qalqilya (ao norte), além da fronteira com Israel a oeste. Sua capital, que também é a maior cidade, é Salfit. Segundo a Oficina Central Palestina de Estatísticas (PCBS), a província tinha uma população de 64.129 habitantes em meados de 2006. No censo dessa mesma instituição realizado en 1997, que registrou 46.671 habitantes, os refugiados representavam 7,7% da população total. Havia 23.758 homens e 22.913 mulheres.

Saeb Erekat

Saeb Erekat (Jerusalém, 1955) é um político e académico palestiniano.

Saeb Erakat possuiu uma licenciatura e mestrado em Relações Internacionais pela San Francisco State University. Em 1983 doutorou-se em resolução de conflitos e estudos sobre a paz na Universidade de Bradford, no Reino Unido.

Tornou-se professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de an-Najah em Nablus, em 1979, onde exerceu igualmente funções como director de relações públicas e internacionais da instituição.

Foi escolhido como vice-presidente da delegação palestiniana na Conferência de Paz de Madrid de 1991. Desde então tem trabalhado como negociador palestiniano nos encontros que se seguiram, como em Camp David (2000) e em Taba (2001). Entre Maio de 1994 e Abril de 2003 foi ministro do governo local na Autoridade Nacional Palestiniana. Em 1996 foi eleito para o Conselho Legislativo da Palestina pela Fatah de Yasser Arafat.

Exerceu ainda funções no conselho editorial do jornal diário palestiniano al-Quds, bem como Sociedade de Estudos Árabes, onde foi secretário-geral.

Noutras línguas

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