Arianismo

O arianismo foi uma visão cristológica antitrinitaria sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Jesus então, seria subordinado a Deus Pai, sendo Ele (Jesus) não o próprio Deus em si e por si mesmo. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus. Ao mesmo tempo afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo, visto que Ele não pode revelar a si mesmo. Com esta linha de pensamento, o historiador H. M. Gwatkin afirmou, na obra "The Arian Controversy": "O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério".[1]

Foi condenada como heresia no Primeiro Concílio de Niceia em 325 devido ao Antitrinitarismo da doutrina.

História

Por volta de 319, Ário começou a propagar que só existia um Deus verdadeiro, o "Pai Eterno", princípio de todos os seres. O Cristo-Logos havia sido criado por Ele antes do tempo como um instrumento para a criação, pois a divindade transcendente não poderia entrar em contato com a matéria. Cristo, inferior e limitado, não possuía o mesmo poder divino, situando-se entre o Pai e os homens. Não se confundia com nenhuma das naturezas por se constituir em um semi-deus. Ário afirmava ainda que o Filho era diferente do Pai em substância. Essa ideia ligava-se ainda ao antigo culto dos heróis gregos, dentre os quais para ele Cristo sobressaía com o maior, embora apenas possuísse uma divindade em sentido impróprio. Como meio de difusão mais abrangente de suas ideias, fê-lo sob a forma de canções populares.

Um primeiro sínodo, em Alexandria, expulsou Ário da comunhão eclesiástica, mas dois outros concílios, fora do Egito, condenaram aquela decisão, reabilitando-o. Ário procurou o apoio de companheiros que, como ele, haviam sido discípulos de Luciano de Antioquia, em especial Eusébio, bispo de Nicomédia (atual İzmit). A luta que se seguiu chegou a ameaçar a unidade da Igreja e, ante o perigo de fragmentar também o império, levou o imperador Constantino a enviar Ósio, bispo de Córdoba, seu conselheiro particular, como mediador. O insucesso da missão levou-o a convocar, em 325, um concílio universal em Niceia (atual İznik). No Primeiro Concílio de Niceia (325) a maioria dos prelados, corroborada pelo próprio Constantino graças à influência de Atanásio de Alexandria (criador do termo "homoousios", significando "de substância idêntica" – para descrever a relação de Cristo com o Pai), condenou as propostas arianas, e declarou-as heréticas, obrigando à queima dos livros que as continham e promulgando a pena de morte para quem os conservasse. Definiu ainda o chamado "Símbolo de Niceia".[2]

As várias dúvidas suscitadas pelo Sínodo de Niceia reacenderam as lutas, com os prelados acusando-se mutuamente de hereges. Várias fórmulas dogmáticas foram ensaiadas para complementar a de Niceia, acentuando ainda mais as divisões, num conflito que expôs cada vez mais as diferenças entre o Ocidente latino e o Oriente grego, envolvendo disputas de primazia hierárquica e de política. Desse modo, num novo sínodo geral, celebrado na fronteira dos dois impérios, os ocidentais congregaram-se em torno do símbolo de Niceia e excomungaram os hereges. Os orientais, a seu tempo, apoiaram as ideias de Ário e excomungaram não apenas os bispos apoiantes de Niceia como também o próprio bispo de Roma.

Ário retornou a Constantinopla em 334, chamado por Constantino e, segundo a lenda, faleceu em 336 quando a caminho de receber a comunhão novamente.

As ideias de Ário foram adoptadas por Constâncio II (337-361) sem que, entretanto, se impusessem à Igreja. Difundiram-se entre os povos bárbaros do Norte da Europa, quando da evangelização dos Godos, pela acção de Úlfilas, missionário enviado pelo imperador romano do Oriente. Os Ostrogodos e Visigodos chegaram à Europa ocidental já cristianizados, mas arianos.

Uma carta de Auxêncio, bispo de Milão do século IV, referindo-se ao missionário Úlfilas, apresentou uma descrição clara da teologia ariana sobre a Divindade: Deus, o Pai, nascido antes do tempo e Criador do mundo era separado de um Deus menor, o Logos, Filho único de Deus (Cristo) criado pelo Pai. Este, trabalhando com o Filho, criou o Espírito Santo, que era subordinado ao Filho e, tal como o Filho, era subordinado do Pai. Segundo outros autores, para Ário, o Espírito Santo seria uma criatura do Logos (Filho).

A questão só seria debelada quando, em fins do reinado de Teodósio, ao tornar-se religião oficial do império, o cristianismo ortodoxo-romano afirmou-se em definitivo.

Após o século V, devido às perseguições, o movimento desapareceu gradualmente.

Séculos mais tarde, o nome "arianos" foi usado na Polónia para se referir a uma seita cristã unitária, a irmandade polaca (Frater Polonorum). Eles inventaram teorias sociais radicais e foram precursores do iluminismo.

Paralelos modernos

"Semi-arianismo" tem sido um nome aplicado a outros grupos não trinitários, desde então como: Testemunhas de Jeová, Cristadelfianos, Estudantes da Bíblia Livres, Associação dos Estudantes da Bíblia Aurora, alguns grupos Adventistas e outros grupos menores que professam os cristianismo. As Testemunhas de Jeová discordam deste ponto de vista: As Testemunhas de Jeová não adoram nem o Deus “imenso [incompreensível]” dos trinitaristas, nem o “Deus desconhecido” de Ário. Afirmam, junto com o apóstolo Paulo: “Para nós, há realmente um só Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas.”[3]

A doutrina espírita também compreende em Jesus o ser humano mais iluminado, que serve de guia e modelo à humanidade. (https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/2/o-livro-dos-espiritos/17/parte-primeira-das-causas-primarias/capitulo-i-de-deus/deus-e-o-infinito/1). Na pergunta 17 do Livro dos Espíritos se afirma que "Deus não permite que tudo seja revelado ao homem neste mundo."

Os três (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo) separados

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias também prega a separação de Deus que é pai, Jesus Cristo que é filho literal na carne e Espírito Santo que é o que testifica aos homens as coisas de Deus. Em consonância com a regra de fé ([4]) Joseph Smith Jr. o primeiro profeta da igreja teve uma visão em que viu Deus e Jesus Cristo lado a lado, no que é conhecido como a primeira visão. Existem outros que viram Deus e Jesus Cristo como seres separados, um exemplo bíblico é Estevão, no qual é dito (na tradução de João Ferreira de Almeida):

Mas ele, estando cheio de Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus. (Atos 7:55-56)

A Igreja da Unificação ("Associação do Espírito Santo para a Unificação do Cristianismo Mundial") fundada pelo reverendo Sun Myung Moon, também prega e crê na separação entre as pessoas de Deus, Jesus e o Espírito Santo. Segundo a Teologia Unificacionista, Deus, o Criador encerra em si mesmo as dualidades masculina e feminina, e que Jesus representa a masculinidade perfeita de Deus, enquanto que o Espírito Santo representa a feminilidade perfeita de Deus. Se Jesus não tivesse sido rejeitado pelos seus contemporâneos, Ele constituiria a primeira família perfeita (livres do pecado original), como Adão e Eva restaurados e aperfeiçoados. Sua esposa seria a feminilidade divina em substância assim como Ele é a masculinidade divina em substância refletindo a perfeita imagem de Deus na terra. Como ele morreu sem constituir uma família substancial, Jesus permaneceu como a substância da masculinidade divina em espírito somente e o Espírito Santo assumiu o papel da feminilidade substancial em espírito somente, ficando a realização no plano físico por conta da segunda vinda do Cristo. Portanto para os unificacionistas, não é incorreta a crença de que Jesus é Deus e o Espírito Santo é Deus, ou que ambos são Deus, já que isto pode ser dito de um casal que substancialize as características duais de Deus de forma substancial aqui na Terra (que era o ideal de Deus para com Adão e Eva). Por isto Jesus era chamado o último Adão, e também Ele dizia que Ele mesmo era Deus, ao mesmo tempo que O chamava de Pai.

Ário explicava que YHWH era El Shaday ( DEUS TODO PODEROSO) - Veja Gênesis 17 : 1 , ora, se YHWH é Deus Todo Poderoso, é porque abaixo Dele, há Deuses poderosos, e que Jesus era El Ghibór ( DEUS PODEROSO)- Veja Isaias 9 : 6. Portanto, Ário estava sim , de acordo com a Bíblia Sagrada. A Palavra El Shaday , na Bíblia, aplica-se ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE SOMENTE A YHWH. Jamais é usada para Jesus Cristo na Bíblia. DEUTERONÔMIO 10 : 17 diz que " YHWH é DEUS DOS DEUSES ", portanto, YHWH é Deus de Jesus . Marcos 10 : 17, 18; João 14 : 28; 1 Corintios 11: 3; Note que mesmo no céu, já glorificado após sua ressurreição, "JESUS DIZ QUE RECEBEU REVELAÇÃO DE DEUS",.." REVELAÇÃO QUE DEUS DEU PARA JESUS" . ( Apocalipse 1: 1 ), portanto, Ário ensinava a VERDADE e mesmo assim foi FALSAMENTE acusado de herege.

Ver também

Referências

  1. The Arian Controversy in
  2. Nele se afirmava que o Verbo era o verdadeiro Deus, consubstancial ao Pai, possuindo em comum com Ele a natureza divina e as mesmas perfeições.
  3. Despertai!, 8 de fevereiro de 1985, página 17
  4. Primeira Regra de Fé

Bibliografia

  • SPINELLI, Miguel. Helenização e Recriação de Sentidos. A Filosofia na Época da Expansão do Cristianismo – Séculos II, III e IV. 2ª Edição Revisada e Ampliada. Caxias do Sul: EDUCS (Editora da Universidade de Caxias do Sul), 2012, pp.629-644.
Alexandre I de Alexandria

Alexandre de Alexandria foi o décimo-nono Patriarca de Alexandria, de 313 até sua morte, sucessor de Áquila de Alexandria. Durante seu patriarcado, ele lidou com um grande número de assuntos relevantes para a Igreja na época. Entre eles, a data da Páscoa, as ações de Melécio de Licópolis. Ele foi o líder da oposição ao arianismo, nomeadamente no Primeiro Concílio de Niceia. Ele também é lembrado por ter sido o mentor daquele que seria seu sucessor, Atanásio de Alexandria, um dos maiores padres da Igreja.

Ambrósio

Aurélio Ambrósio (em latim: Aurelius Ambrosius; ca. 340 - Mediolano, 4 de abril de 397), mais conhecido como Ambrósio, foi um arcebispo de Mediolano (moderna Milão) que se tornou um dos mais influentes membros do clero no século IV. Ele era prefeito consular da Ligúria e Emília, cuja capital era Mediolano, antes de tornar-se bispo da cidade por aclamação popular em 374. Ambrósio era um fervoroso adversário do arianismo.

Tradicionalmente atribui-se a Ambrósio a promoção do canto antifonal, um estilo no qual um lado do coro responde de forma alternada ao canto do outro, e também a composição do Veni redemptor gentium, um hino natalino.

Ambrósio é um dos quatro doutores da Igreja originais e é notável por sua influência sobre o pensamento de Santo Agostinho.

Anomeanismo

Os anomeanos (anomoeanos), também conhecidos por anomeanos, heterusianos, aecianos ou eunomeanos, eram uma seita do arianismo no século IV que afirmava que Jesus (o Filho) era de uma natureza diferente e - de forma nenhuma - similar a Deus (o Pai). Eles acreditavam que as opiniões de Ário, como expressadas originalmente por ele, estavam corretas, mas eles rejeitaram suas ideias posteriores, que ele adotou para poder se readmitido na Igreja. É a forma mais extrema de arianismo.

Basílio de Cesareia

Basílio de Cesareia, também chamado São Basílio Magno ou Basílio, o Grande (em grego: Ἅγιος Βασίλειος ὁ Μέγας), foi o bispo de Cesareia, na Capadócia (atualmente a cidade de Kayseri, na Turquia), e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Foi também adversário das heresias que surgiram nos primeiros anos do cristianismo como religião oficial do Império Romano, lutando principalmente contra o arianismo e os seguidores de Apolinário de Laodiceia. Sua habilidade em balancear suas convicções teológicas com suas conexões políticas fez de Basílio um poderoso advogado da posição nicena.

Além de sua obra como teólogo, Basílio ficou conhecido por seu cuidado com os pobres e necessitados. Ele estabeleceu padrões para a vida monástica com foco na comunidade, na oração e no trabalho manual. Juntamente com São Pacômio, é lembrando como pai do monasticismo comunal no cristianismo oriental.

Basílio, Gregório de Nazianzo e Gregório de Níssa são conhecidos como Padres Capadócios. A Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Oriental agrupam Basílio com Gregório de Nazianzo e João Crisóstomo como os Três Grandes Hierarcas. Ele é reconhecido como Doutor da Igreja na tradição oriental e ocidental.

Cristandade gótica

Cristandade gótica refere-se a religião Cristã dos Godos, e, às vezes, dos Gépidas, Vândalos, Burgúndios, que usaram a tradução da Bíblia de Úlfilas para o Gótico e suas doutrinas e práticas comuns. O Cristianismo Gótico é a primeira instância da cristianização dos povos germânicos, que completou mais de um século antes do batismo do rei Franco Clóvis I.

Enquanto pode-se supor que o "Gótico" da Europa foi construído pelos Godos, este não é o caso. Algumas estruturas que datam da era Gótica ainda existem na Europa, e aqueles que não se conformam com o estilo da arquitetura Gótica, que data do século XII. O termo "arquitetura Gótica" foi originalmente pejorativo que significa algo como "bruto e bárbaro" que não se relacionava com a história dos Godos.

As tribos góticas se converteram ao Cristianismo em algum momento entre 376 e 390. Os cristãos góticos eram seguidores de uma doutrina (Omoianismo) associados pelos seus oponentes com o padre Ário. As diferenças teológicas entre este e a dominante Trinitária são discutidos no Arianismo. Após saquearem Roma, os visigodos deslocaram-se à Hispânia e Aquitânia (sul da Gália). Tendo sidos expulsos da Gália, os Godos hispânicos formalmente abraçaram o Catolicismo no Terceiro Concílio de Toledo, em 589.

Doutor da Igreja

Doutor da Igreja (em latim: doctor - "professor"; de docere - "ensinar") é um título conferido por uma variedade de igrejas cristãs a indivíduos de reconhecida importância, particularmente nos campos da teologia ou doutrina católica.

Eustácio de Antioquia

Eustácio de Antioquia, também chamado de o Eustácio, o Grande, foi o bispo de Antioquia entre 324 e 332 (quando ele foi banido) ou 337 (quando ele morreu). Ele era natural de Side, na Panfília. Por volta de 320, ele era bispo de Beroia (atual Alepo, na Síria) e se tornou bispo de Antioquia imediatamente antes do Primeiro Concílio de Niceia (325). Nele, ele se destacou como um opositor zeloso contra o arianismo, embora o Allocutio ad Imperatorem, que tem sido atribuído a ele dificilmente seja genuíno.

Eusébio de Cesareia

Eusébio de Cesareia (ca. 265 — Cesareia Marítima, 30 de maio de 339) (chamado também de Eusebius Pamphili, "Eusébio amigo de Pânfilo") foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da história da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à história do cristianismo primitivo. O seu nome está ligado a uma crença curiosa sobre uma suposta correspondência entre o rei de Edessa, Abgar e Jesus Cristo. Eusébio teria encontrado as cartas e, inclusive, as copiado para a sua História Eclesiástica.

Gregório de Níssa

Gregório de Níssa (Cesareia, Capadócia:330 -395): Teólogo, místico e escritor cristão. Padre da Igreja e irmão de Basílio Magno, faz parte, com este e com Gregório Nazianzeno, dos assim denominados padres capadócios. É neto de Santa Macrina Maior, filho de Basílio, o Velho e irmão de Santa Macrina, a Jovem.

Papa Dâmaso I

Dâmaso (em latim: Damasus; Idanha-a-Velha, Lusitânia 305 — Roma, 11 de dezembro de 384) foi 37º Papa da Igreja Católica de 366 até a data da sua morte.

Dâmaso nasceu provavelmente em Egitânia (atual Idanha-a-Velha) , território que no século IV integrava o Império Romano mas atualmente faz parte de Portugal. A sua época coincidiu com a ascensão de Constantino e a adopção do cristianismo como religião oficial do Império Romano.

Foi eleito Papa em 1 de Outubro de 366, por larga maioria, mas alguns seguidores do anterior Papa Libério, próximos do Arianismo, consagraram o diácono Ursino, criando um Antipapa para tentar depor Dâmaso I.

Foram necessários dois anos de lutas sangrentas para que Dâmaso I assegurasse o seu direito ao papado. As batalhas entre os bandos seguidores dos dois postulantes foram de tal violência que num único dia de batalha foram recolhidos 137 mortos. Acusado pelos seus adversários de assassinato, Dâmaso I teve que se defender perante um Tribunal imperial. Porém o imperador Valentiniano I apoiava Dâmaso I e no ano de 378 ele foi absolvido, enquanto que o seu inimigo Ursino era desterrado.

Esse processo deu a Dâmaso I a oportunidade de ajustar as relações entre a justiça civil e a eclesiástica. O Estado passou a reconhecer oficialmente a competência da Igreja em matéria de fé e de moral, enquanto tomava a seu encargo a execução das sentenças ditadas pelo tribunal do episcopal.

Dâmaso foi um dos mais notáveis papas do século IV, defendendo a Igreja de Roma contra eventuais cismas, enviando legados ao Primeiro Concílio de Constantinopla, e também foi um escritor de grande mérito, autor de valiosos epigramas e de importantes cartas sinodais. Também foi o papa que encomendou a Jerónimo de Estridão uma revisão da versão latina da Bíblia, a qual ficou conhecida como Vulgata Latina, até hoje uma das mais importantes traduções bíblicas.

Foi o primeiro Papa a usar com desenvoltura o anel do Pescador, com o símbolo de São Pedro, que ao contrário de hoje, era passado de pontífice para pontífice, assim que confirmada a sua morte, como símbolo de sua autoridade pastoral. O anel com a égide de Pedro, o primeiro papa, já não existe, pois foi destruído.

Os imperadores romanos, incluindo Constantino, continuaram a conservar o ofício de pontífice máximo (pontifex maximus) até 376 até que o imperador Graciano, por razões cristãs, o recusou, já que reconhecia-o como idolatria e blasfêmia. Há registros de que, em torno do ano 378, Dâmaso era nomeado pontífice, embora não fosse chamado de pontífice máximo, termo que aparece na Bíblia para descrever homens abençoados (Hebreus 5, 14), e em alguns casos o próprio Jesus (Hebreus 3, 1).

É citado no livro "Peregrino da América" como poeta português (Livro II).

Papa Gelásio I

Gelásio I (em latim: Gelasius I) foi papa de 1 de março de 492, até a data de sua morte, em 21 de novembro de 496. Natural da antiga província de África, combateu o pelagianismo, o maniqueísmo e o arianismo, também ratificou os livros canônicos e apócrifos aprovados pela Igreja no Decretum Gelasianum.

Foi um dos primeiros papas que, como sintoma do poder autônomo que vinha adquirindo a Igreja de Roma, efetuou a distinção entre o poder temporal dos imperadores e o espiritual dos papas, através da epístola Duo sunt. Os bispos, de acordo com essa teoria, seriam superiores ao poder temporal. Estabelecido ainda que a figura do Papa não poderia ser julgada por ninguém, porém, também dizia que o papel do Pontífice era antes ouvir do que julgar. Instituiu o Código para uniformizar funções e ritos das várias Igrejas. Filho de um humilde ferreiro, amou os pobres e viveu na pobreza, pelo que foi chamado "Pai dos pobres". Foi este pontífice que começou com a canonização de São Valentim, o santo que se costuma comemorar no dia dos namorados.

É venerado a 21 de Novembro.

Papa Júlio I

Da vida do Papa São Júlio I (em latim, Iulius) pouco se conhece, além de que era romano. Sabe-se que o seu pontificado foi marcado pelas lutas contra os arianos e semi-arianos.

São Júlio I foi eleito papa em 6 de fevereiro de 337 e promoveu alguns dogmas. No outono de 341, convocou um concílio em Roma a que assistiram 50 bispos com o propósito de pronunciar-se de novo contra o arianismo e condenar a quem depunha bispos conforme era conveniente.

Quando faleceu Constantino I, o Grande, o império romano dividiu-se entre os seus três filhos. Um deles, Constantino II, desapareceu da história e sobraram como imperadores os outros dois: Constâncio II, no Oriente e Constante I no Ocidente. Enquanto Constante era católico, Constâncio era ariano. Em 350 Constante foi assassinado e o Império reunifica-se sob Constâncio, que desenvolveu uma fortíssima perseguição à Igreja. Júlio I morre em 12 de abril de 352.

É considerado o fundador do arquivo da Santa Sé, tendo ordenado a conservação dos documentos.

No ano 350 d.C. o Natal passou a ser comemorado em 25 de dezembro. Em princípio era uma data pagã conhecida como "férias de inverno" em homenagem a Saturno, o deus da agricultura. Um decreto do Papa Júlio I, no ano 350 d.C., determinou a substituição da veneração ao deus sol pela data em que teria nascido Jesus o Salvador. Assim Papa Júlio I decretou 25 de Dezembro como dia da comemoração do nascimento de Jesus.

Papa Libério

Libério (em latim: Liberius) foi o trigésimo-sexto Papa da Igreja Católica. Libério reinou de 17 de maio de 352 até 24 de setembro de 366. Seu primeiro ato como Papa foi, após se reunir em um sínodo em Roma, escrever ao Imperador Constâncio II (353-354), então em Arles, pedindo para que seja feito um Concílio em Aquileia tratando dos assuntos relacionados a Atanásio de Alexandria, mas seu mensageiro Vicêncio de Cápua foi pressionado pelo imperador em um Conciliábulo (Conciliabulum) feito em Arles para subscrever, contra à sua vontade, a uma condenação do ortodoxo Patriarca de Alexandria. Após isto, o comando imperial de Milão impôs seus cânones sobre todos os bispos ocidentais, como consequência, Libério foi perseguido e exilado para Bereia e substituído pelo Antipapa Félix II.Após um exílio de mais de dois anos, o imperador Constâncio II chamou-o a Roma, sendo a Sé de Roma oficialmente ocupada pelo Antipapa Félix, o imperador propôs que Libério governasse a Igreja juntamente com Félix, mas antes da chegada de Libério, Félix foi expulso pelo povo romano. Após a morte do imperador Constâncio II em 361, Libério anulou os decretos e reiterou sua posição e os bispos que aprovaram o concílio retiraram a sua adesão. Em 366 Libério deu um acolhimento favorável a uma delegação do episcopado Oriental, e admitiu em sua comunhão mais moderada os convertidos Arianos. Morreu em 24 de setembro de 366.[carece de fontes?]

Papa Marcos

São Marcos, Papa ou Papa São Marcos (em latim, Marcus) foi Papa entre 18 de janeiro de 336 até 7 de outubro de 336. É tido por romano, mas pouco se conhece da sua vida. Foi consagrado em 18 de janeiro de 336, e faleceu em 7 de outubro do mesmo ano.Crê-se que as mais antigas listas conhecidas de bispos e mártires ("Depositio episcoparum" e "Depositio martyrum") começaram a ser compiladas no seu pontificado. Instituiu o pálio, tecido com lã branca de cordeiro e com cruzes negras e fez o primeiro calendário com as festas religiosas. Mandou construir as basílicas de São Marcos e de Santa Balbina. Marcos também emitiu uma constituição que confirma o poder do bispo de Óstia para benzer papas recém-eleitos. Morreu de causas naturais e foi enterrado na Catacumbas de Balbina, onde ele tinha construído o cemitério da igreja. Sua festa é em 7 de outubro.

Papa Silvestre I

São Silvestre I (Roma, 285 - 31 de dezembro de 335) foi Papa entre 31 de janeiro de 314 até 31 de dezembro de 335, durante o reinado do imperador romano Constantino I, que determinou o fim da perseguição aos cristãos, iniciando-se a Paz na Igreja. Silvestre I foi um dos primeiros santos canonizados sem ter sofrido o martírio. Festa em 31 de Dezembro.

Pedro de Sebaste

Pedro de Sebaste (340-391) foi bispo de Sebaste, de 381 até o ano de sua morte.

Primeiro Concílio de Constantinopla

O Primeiro Concílio de Constantinopla se realizou em 381, foi debatida a natureza de Cristo e o arianismo. Sendo este o primeiro Concílio Ecumênico realizado em Constantinopla, foi convocado de forma cesaropapista por Teodósio I em 381. O concílio aprovou o Credo niceno-constantinopolitano, e tratou de outros assuntos teológicos. O concílio reuniu-se na Igreja de Santa Irene de maio a julho de 381. É reconhecido como o segundo concílio ecumênico pela Igreja Católica, Nestoriana, Ortodoxa e uma série de outros grupos cristãos.

Primeiro Concílio de Niceia

O Primeiro Concílio de Niceia foi um concílio de bispos cristãos, reunidos na cidade de Niceia da Bitínia (atual İznik, província de Bursa, Turquia) pelo Imperador Romano Constantino I em 325. Constantino I organizou o concílio nos moldes do senado romano e o presidiu, mas não votou oficialmente.

Este concílio ecumênico foi a primeira tentativa de alcançar um consenso na Igreja através de uma assembléia representando toda a cristandade. Ósio, bispo de Córdoba, provavelmente um legado papal, pode ter presidido suas deliberações.Seus principais feitos foram a resolução da questão cristológica da natureza divina de Jesus e sua relação com Deus Pai; a construção da primeira parte do Credo Niceno; a fixação da data da Páscoa e a promulgação da lei canônica em sua primeira forma.

Semiarianismo

Semiarianismo é um nome frequentemente dado à posição trinitária da maior parte dos conservadores da Igreja cristã oriental no século IV, para distingui-la do arianismo propriamente dito. Mais precisamente, ele é reservada (como pode ser visto no capítulo 73 de Panarion, de Epifânio) para o partido reacionário liderado por Basílio de Ancira durante a controvérsia ariana, em 358.

Abraâmicas
Dármicas
Irânicas
Taoicas
Africanas
e derivadas
Modernas
Outras

Noutras línguas

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